Saturday, April 14, 2012

Coluna da Ana Luiza - O dia de hoje e a superstição

Düsseldorf (hoje já é sábado catorze... ou quatorze?!)

E o Truta acaba de fechar contrato a peso de ouro 24 quilates com mais uma colunista. Ela atende pelo nome de Ana Luiza Alves Lima. E nao ouse chamá-la de outra forma. Dois nomes. Dois sobrenomes. É assim e pronto.

As negociacoes se arrastaram por meses, mas finalmente fechamos.

E o primeiro artigo é sobre ontem. Hoje ainda no Brasil. A famigerada Sexta 13 que deixa tantos loucos e outros indiferentes.

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O dia de hoje e a superstição

por Ana Luiza Alves Lima

Hoje antes de eu vir trabalhar, passei na Kalunga para comprar  materiais de escritório e ouvi do trabalhador que varria a loja “Vixi.. quase não vim hoje.. é sexta-feira 13 e não quero que nada de mal me aconteça...deve ser um bom dia pra ficar em casa”.  Eu sorri daquela simplicidade e lhe disse: Eu acredito que hoje será um excelente dia! É sexta-feira!!! E o dia da semana é 13, só isso! Ele riu e disse que não tinha pensado assim e pareceu relaxar.

Superstição é uma crença sem razão, que leva a criar falsas obrigações ou a se temer equivocadamente coisas infundadas... No passado eu zapeei a origem de algumas superstições tais como: quebrar espelho daria azar porque tudo o que reflete no espelho, quando acontece algo ruim com o espelho, aconteceria também com quem o quebrou... Bate-se três vezes na madeira, porque como os raios caíam (e caem) com muita freqüência nas árvores, acreditava-se que as árvores seriam a moradia terrestre dos deuses, então, batia-se três vezes na madeira para invocar as entidades protetoras...  Gato preto seria mau agouro devido aos seus hábitos noturnos... Deseja-se “saúde” para quem espirra porque se acreditava que o espírito da pessoa morava na cabeça e um belo espirro poderia fazê-lo ir embora!... rsrs

O que tiro de proveito de tudo isto, é que nossa mente é muito sugestionável, então aproveitemos esta condição para desejarmos e crermos no melhor, no bom, no sadio, na felicidade, na riqueza, na abundância! Acreditem em suas crenças de forma positiva, pois como diria Emerson “O homem é o que ele pensa durante todo o dia.”  Não há nenhuma superstição no caminho da felicidade de ninguém! Fatores externos não são causa de infelicidade, são efeitos. Seus pensamentos sim é que são a causa, e novas causas produzem novos efeitos.. 

Escolha ser feliz!

Bottiglia N. 160292

Düsseldorf (Baco era foda)

Por trinta e um ou trinta e dois anos elas ali conviveram. Condenadas ao oceano verde e limitado. Uma sombra branca grande de um lado e pequena do outro definiam o horizonte. Subir e descer nao tinha mais a menor graca. Lá em baixo, aquele fundo enganoso. Bateram a cabeca tantas vezes nos primeiros meses que aprenderam a se movimentar pelas bordas. Em movimentos circulares. Uma ou outra incauta insistia em vencer o impossível a resistência inabalável daquela abóboda ao contrário. E lá em cima, um funil que nao levava a lugar algum. A nao ser a um ponto escuro que ficava cada vez mais negro com o passar dos anos.

A esperanca residia ali. Vez ou outra o marasmo acabava. Tudo mexia de forma frenética. Nao se sabia por quanto tempo. "Será agora?!", perguntava uma. Três minutos depois, estavam todas novamente na horizontal. Dava pra ver as outras do lado esquerdo ou direito na mesma situacao. Seriam parentes distantes?! Ou mais uma raca condenada ao inferno verde?!

E lá no alto, a esperanca final. Quem sabe nao aguentaria?! Ou o oxigênio, tao raro, se transformaria em vácuo sugando tudo?! Ou até mesmo a forca das leveduras unidas jamais serao vencidas corroeria aquele imenso tampao deixando o ar entrar novamente. Ah, mas perderiam a razao de existir. "E daí", gritava a outra de sandália e saia rodada. "Queremos ganhar o Mundo", sentenciava a outra passando batom.

Passados seis anos, um grande movimento ocorreu. Deixaram finalmente aquele quarto escuro, úmido e desconfortável pra serem exibidas numa prateleira. Era por pouco tempo, mas e daí. "Temos somente quinze minutos de fama. Aproveitem!", berrou a mais assanhada. E foram apenas doze. Arrematada e acomodada numa caixa ainda mais escura que o quarto anterior, suportou sufocantes horas até ser entregue com carinho, reconheceram todas, a um velho alemao. A associacao foi inevitável: " E agora meu Deus, câmara de gás?!", murmuriou lá de baixo, pouco acima da abóboda traicoeira, a molécula de sangiovese.

Nada disso. Carinho, bons tratos e cuidados VIP até o grande dia. Que chegou rapidamente, antes do esperado. O último grande movimento foi a aterrisagem numa caixa de papelao, recheada de jornais e outros papéis. Bem firmes e ainda fortes, sentiram o sacolejar das longas oito horas de viagem. Nao sabiam de onde haviam partido, mas havia uma esperanca comum de estarem chegando no destino final.

Dois dias depois, carregadas por um carrinho com outros pares na mesma situacao, chegaram finalmente ao que parecia ser o fim da linha. Nada de sala escura e úmida. Apenas um grande caixote negro e frio, mas com temperatura constante. Ali viram várias outras semelhantes na mesma situacao. Diferentemente das outras vezes, conseguiam se ver e até a se comunicar por mímicas entre as redomas verdes e marrons. Nao conversaram, mas sentiam que todas estavam ali pelo mesmo motivo.

O frio nao era o maior problema e sim o tédio dos mais de trinta e anos juntas. Nao havia mais assunto. Todas sabiam tudo sobre as outras. Novidades?! A última fora em 2000 nas comemoracoes dos 20 anos. Depois disso já tinha feito de tudo: fumar, beijar, trepar, brigar, fazer amizade, brigar de novo, viajar dos confins da abóboda ao contrário até o Buraco Negro lá no alto... pelo menos umas duzentas vezes por semana. Chega, nao aguentavam mais. Essa situacao tinha que acabar.

Eis que a chegada de uma ragazza italiana muda completamente o destino das incautas sangioveses. Em comemoracao a esse dia, todas parecem pressentir a grande fuga. Mas já sentiram isso antes. Cautelosas, mantém a calma. "Gato escaldado tem medo de água fria", grita lá de baixo a gordona descalca. A música italiana no ar, velas, um aroma de pasta al dente e pomorodo. Tudo parece indicar que finalmente serao libertadas. Salsiccias, pecorinos, azeites escorrendo facilmente entre os dedos e... tomates. "Impossível nao ser hoje", berrou a otimista. Aqueles grandes vasos transparentes ali, parados, aguardando a chegada de algo mágico. Nao era possível que iriam se decepcionar mais uma vez.

De repente, um movimento brusco. A porta se abre. Pelo gargalo, algo quente e macio levanta o mundinho de trinta e dois anos com facilidade. Saca a ferramenta e arranca a tampa vermelha num átimo de segundo. Enfia impiedosamente a agulha em parafuso naquela espécie de madeira macia que pareceu ser tao sólida. No primeiro repuxe, uma sensacao de oxigenacao imediata. O Universo aumentou. A rosca fica imóvel enquanto a mao, sim era uma mao humana, remove parte do grande Buraco Negro. Novo movimento se inicia quando... ar. Oxigênio! Liberdade!

"Mas ainda estamos aqui. Rapaz, e agora?! Tira a gente daqui, pelo Amor de deus!". Calmamente, escorrem para outro recipiente, maior e espacoso. Era como se mudassem do quarto e sala de sempre com vista pra favela do Papagaio para um apartamento de quatro quartos com varanda e a Serra do Curral ao fundo. Mas seria por pouquíssimo tempo. Na verdade, exatas uma hora e meia.

A pasta ficou pronta. Chegou a grande hora! Do quatro quartos deslizaram felizes e contentes pra suíte de luxo, individual. Estava limpída e reluzente esperando fazia tempo. Algumas se despediram. Outras deram gracas ao jesus cristo por ficarem livres umas das outras. Na verdade, o Tempo foi curto pra sentimentalismos.

Na suíte, giraram graciosamente. Sempre na mesma direcao. Sentiram algo sugando o ar. Eram narinas. Uma com grandes pelos a outra nem tanto. Era mais suave. Mas os suspiros e comentários foram unânimes. As sangiovese estavam em plena forma. Uma obra prima da Natureza.

Causaram emocao após o primeiro gole. Tem o poder de fazer chorar. De libertar sentimentos aprisionados por tantos anos que pareciam esquecidos. Fazem também o Sr. Tempo, sim, ele o implacável, às vezes parar. A música se encaixa ao momento. A pasta e o pomororo também. O balanco perfeito foi atingido. Trinta e dois anos se passaram até entao.

Onde você estava em Abril de 1980?!

Obrigado Bacco. Obrigado Antinori. Viva a Toscana. Viva a Itália!

Monday, March 26, 2012

As Ovelhas do Reno

Düsseldorf (sozinho é ruim...)

O inverno acabou, a primavera chegou e o horário de verao europeu também. Está aberta a temporada de churrascos. Impressionante como muda tudo em uma semana. O astral das pessoas principalmente. É como se saíssem de uma camisa-de-forca.

A idéia era sair um pouquinho mais cedo pra chegar em casa, pegar a bike e dar um rolé. Ela tá em Lisboa resolvendo assuntos jurídicos mirabolantes. Como gosto de ficar sozinho só quando tenho companhia, resolvi me mandar. No caminho já vi a bola laranja vagarosamente descer. Achei que daria tempo. Larguei tudo, peguei as luzinhas e a bike, e o remédio do chefe, e me mandei na direcao da claridade. Ainda via a borda superior ir calmamente mergulhando numa rua qualquer entre os prédios.

Cheguei na praca principal, cheia, e só uma alaranjado me esperava. Vi tiradores de retrato, a turma da escadaria, dois velhinhos e uma senhora proseando. E uma velha puxando com dificuldades um carrinho de supermercado lotado de latinhas vazias. Ela tava de verde.

Passei pelo Eis Cafe do Altair e virei na Ratinger Straße. Ali temos um altar do lado de fora da igreja. Fiz o sinal da cruz em respeito e observei a sombria igreja. Por que gosto tanto de catedrais?! Do seu silêncio?! Das pessoas que ali vao orar?! Da arquitetura e obras de Arte?!

No gramado em frente a Kunstakademie os alunos faziam arte literalmente. Quis ser um deles. De jogar tudo pro alto e ali sentar. E conversar, em alemao, sobre os rumos do Mundo, o sentido da Arte e por que ninguém nao lê mais. No Brasil por que aqui a indústria editorial e literária só cresce. Com transporte público de qualidade a coisa mais fácil e prazeirosa de fazer o Tempo passar, que coisa estúpida, é ler um bom livro. Ou revista. Tenho saudades.

Continuei pela orla do Reno. Ou Rhein. Der Rhein, O Reno. Tá pensando o que?! Napoleao já o atravessou triunfante e desfilou pela cidade. O antigo castelo se derreteu em chamas lá pelos idos de 1800 e guaraná com rolha. O que ficou foi a solitária torre. A ponte estaiada refletia roxa em Oberkassel. Desci as rampas passando por grupinhos de estudantes. Soltos no verde, conversavam, faziam fogueira, soltavam fogos, namoravam os primeiros beijos, bebiam os parcos e únicos goles de sua Existência. E deixavam restos de sua presenca com bastante lixo.

Vi o rebanho de ovelhas lá do alto da ponte. Achei uma árvore parecida e encostei a bike. A cidade do outro lado, dividida pela água lentamente em movimento. Os cafés e casamatas na beira se iluminavam e convidavam para a primeira noite de primavera.

Acendi um cigarro e me senti numa cena de Palermo Shooting. No filme o fotógrafo frustrado tem uma conversa filosófica ali naquele mesmo local. Uma névoa leve tampava a cidade do outro lado, mas revelava os animais brancos em maioria. Só que a cena é ficcao e eu vivia a realidade. Ali fiquei pensando em liberdade. E o quao importante é a seguranca de ir, estar e vir numa sociedade.

Um casal passou por mim. Resolvi me mandar. Dei a volta por baixo da outra ponte e subi olhando o único carro da orla. Parecia ter um casal dentro. Ou dois amigos do lado de fora. Achei que fosse a polícia. Desci do outro lado e segui pelo calcadao. Achando que estava sendo seguido. Ou observado. Um casal de bicicletas vinha pelo passeio, mas pensei ser um carro andando ali sem poder.

Voltei pra praca principal, já sem a velhinha do carrinho, e virei na mesma rua. O altar me olhou e piscou de leve. Abaixei a cabeca e segui deslizando pelos paralelepípedos. Na esquina quase trombei com uma mulher parada. Mas nem encostamos. O buxixo dos bares apenas comecava. Alt bier é bom demais.

Atravessei a Heinrich-Heine-Allee e segui pelo Hofgarten. Escuro, na capital da Renânia do Norte. E eu o conheco como a palma da mao. O movimento ali era intenso. Indo e vindo. Mais rápido e menos lento. Me senti numa Autobahn de bikes. Com todos respeitando perfeitamente a sinalizacao. Até eu. Um casal seguia em dois modelos. Um pra uma pessoa e outro com uma carretinha. Era uma Scania na minha frente dando seta pra abastecer. Errou a entrada da praca, mas depois me seguiu.

E ali algo aconteceu. Da escuridao pedalávamos todos em linha na direcao de uma luz intensa.Os galhos desabrigados das árvores eram iluminados por bancos feitos com lâmpadas fluorescentes. E ali, como naves espaciais rumo ao branco infinito, atravessamos pra outra dimensao.

E demos de cara com o Goethe Museum. Segui meu caminho até chegar numa esquina. Ali vi mais uma vez um belo exemplo de respeitar o trânsito, as regras, as leis. Ser um cidadao. A moca parou no sinal. Eu também. Ela seguiu após o verde. Eu fui junto. Ela seguiu pelo passeio pra esperar o sinal do outro cruzamento abrir. Eu simplesmente atravessei a rua, por que nao vinham carros, e segui. Passaram-se segundos e ela me ultrapassou.

Já em casa e de bike guardada, futebol, cerveja e comida me aguardavam. Uma omelete acompanhada de Duvel me fizeram pensar de novo nos privilégios em se poder atravessar o parque da cidade a noite. Local seguro e bem cuidado. Público, sem cercas ou muros. Ali para todos usarem e abusarem. Desde que respeitem as regras e os outros. E nao castelos egoisticamente construídos pra recriar ali dentro o que só se encontra lá fora.

Seriam as ovelhas, soltas admirando o Reno e a cidade, um símbolo da Liberdade?!

Tuesday, March 20, 2012

Koala Bala (2)

Düsseldorf (assisti muitas vezes)

Quem se lembra dele?! Qualquer semelhanca com o piloto feliz abaixo é mera coincidência. Button literalmente sumiu na frente.



Koala Bala (1)

Düsseldorf (esse ano promete)

Apostar depois da corrida é ótimo. Eu colocaria minhas fichas no Button e depois no Vettel. Isso era óbvio. Hamilton parece prédio construído no Buritis. Se abala com qualquer coisinha. Lewis saiu frustrado, claro, já que nao conseguiu transformar pole em vitória. Mas o carro é belo e rápido. Vai dar trabalho até o fim do ano com certeza.

A elegância de Button é notável. Controlou a corrida como quis. Abriu vantagem em poucas voltas pra fugir do DNS, vulgo asa móvel, e só correu pequenos riscos na relargada após o segundo safety car.

Nos treinos a Mercedes criou expectativas. Michael saindo em 4°, sua melhor posicao de largarda após o comeback, e Rosberguinho, que sempre anda bem aos sábados, partindo da sétima posicao. Na corrida Schumacher passou Grosjean e ali ficou em terceiro marcando as McLarens e tentando se livrar de Vettel. Quebrou o câmbio, a terceira, e saiu de maos abanando. Mas disse depois a Florian König e Niki Lauda da RTL alema que o carro é rápido e confiável. Nao quebrou nenhuma vez na pré-temporada e que isso acontece nas primeiras corridas. Segue confiante pra Malaysia.

A Lotus apareceu bem com o retorno do francês Romain saindo da P3, mas nao tanto com Kimi meio afobado nos treinos. Errou a última volta lancada ainda no Q1 e por ali ficou. Mas na corrida compensou tudo partindo feito um louco na largada. Fez várias ultrapassagens, brigou metade da corrida com Kobayashi, chegando uma posicao atrás dele, e mostrou que o carro é rápido e ele nao esqueceu nada. Pelo contrário. Disse que no próximo sábado vai mostrar quem é bom mesmo. Gritou com o engenheiro durante a corrida, mas foi pra se certificar que as bandeiras azuis nao eram pra ele, que o safety car tava na pista e que a corrida havia acabado quando todos pararam de acelerar.

Vou torcer pra ele, claro. Gracas a deus voltou pra chacoalhar a mesmice da pilotaiada. O ano promete. As McLarens com certeza brigarao pelo título, mas terao várias companhias. Vettel e uma Red Bull longe do domínio acachapante de 2011. Schumacher e a promessa do passo à frente das flechas de prata com as narinas abertas no bico. Dar um passo maior que as pernas costuma ser perigoso. E Kimi na Lotus negra, agora a única e verdadeira. Os demais farao número. O canguru Webber é a versao australiana do Rubinho. Já Rosberguinho assumiu o antigo apelido de Mark, leao de treino, mas até nisso precisa melhorar. Na corrida sempre fica pra trás. Isso quando nao caga tudo no final.

Já Alonsito de las Astúrias pegou outra bomba esse ano. Uma pena já que vai desperdicando seus melhores anos...

E nosso Massa vai virar spaguetti logo. O ano já comeca quase que insustentável. Tiveram ultrapassagens onde ele nem brigou. Apenas abriu e deixou passar. Acho que foi com o Kimi. Apático. Brigou com o carro e consigo mesmo o final de semana inteiro. E ainda conseguiu bater no compatriota abandonando em seguida.

Bruno é, infelizmente, apenas mais um sobrenome famoso. Maldonado mostrou do que essa Williams pode fazer. Fizeram um carro pelo menos decente pra brigar no meio do pelotao. E tem que aproveitar agora no início da temporada quando as equipes estao mais ou menos niveladas. Depois as endinheiradas disparam na frente e as pequenas nao acompanham mais.

Mencao honrosa pra Sauber. Dois carros nos pontos com Koba-san em 6° e Perez em 8°. Este saindo do último lugar do grid após punicao no sábado e fazendo uma só parada. O desgaste dos pneus e a tocada macia explicam.

E vamos pra Malaysia por que o ano será interessante.

Friday, March 16, 2012

Formula 1 2012... comecou

Saarbrücken (viva o astro Rei)

Pela primeira vez na história da categoria teremos seis campeoes mundiais nas pistas. Schumacher, Alonso, Vettel, Raikonnen, Hamilton e Button. O video oficial da FOM mostra bem isso:



Antes de ver o resultado dos treinos de hoje em Albert Park, Melbourne farei minhas previsoes mirabolantes para a temporada de Formula 1.

Cada equipe será analisada superficialmente baseado no que andei lendo nos sites e blogs por aí. Por ordem de importância, aí vao elas:

Red Bull
Chega como favorita indiscutível. Fez uma sólida pré-temporada onde se preocupou mais em dar confiabilidade do que velocidade a um carro que já nasceu rápido. Vettel o batizou de Abbey, mas nao explicou o motivo. Sebastiao é o favorito ao tri pelo que mostrou na temporada passada, está mais amadurecido e sabe que a pressao esse ano será bem maior. Tanto interna como da concorrência. Adrian Newey fez outro foguete, pelo menos é o que parece.

Mas esse ano o domínio no comeco da temporada nao será acachapante como em 2011. Mark Webber já disse que se querem parar Vettel é melhor comecar no sábado. O alemaozinho bateu ano passado o recorde de poles que pertencia a Mansell. Tudo bem que foi num número maior de corridas, mas sair da posicao de honra do grid foi a chave para a maioria das vitórias ano passado.

O canguru deprimido Webber sabe que se nao mostrar servico e marcar muitos pontos para a equipe nao terá seu contrato renovado no verao europeu. Veio com aquele discurso a la Barrichello de que se sente mais forte e confiante, o carro é rápido, está bem na equipe, bla bla bla, mas todos sabemos que ele é o segundo piloto e assim permanecerá. Por uma simples razao, Vettel é mais rápido. Nao só isso, mais carismático, jovem, a cara da Red Bull. È amado por seus comandantes, Christian Horner e o consultor mala Helmut Markko principalmente, e até pelo chefao da categoria, Bernie Ecclestone, que já cravou o tri do alemao.

McLaren
Button colocou Hamilton no bolso em 2011. Se aproveitou dos problemas pessoais e das confusoes do companheiro na pista, principalmente com Felipe Massa, para se sobresair e ganhar a equipe. Além disso, soube como nenhum outro piloto usar as borrachas Pirelli a seu favor pilotando suavemente e economizando o máximo possível. Conseguia ficar mais tempo na pista e fazer menos pitstops.

A equipe de Ron Dennis foi a única das grandes a nao adotar o bico ornitorríntico e monstruoso de acordo com as novas regras. O bico comeca baixo e vai subindo harmoniosamente até chegar no piloto. Assim como os rubro taurinos a McLaren preocupou-se em dar confiabilidade e ritmo de corrida ao carro que já se provou veloz.

Se Hamilton estiver em paz consigo mesmo, com a piriguete do Pussycat Dolls e com seu pai, tudo pode conspirar a seu favor. Mas Button nao é bobo, sabe que o companheiro é mais agressivo e mais rápido e vai comer pelas beiradas de novo. Ficará a espreita e no menor vacilo ele ataca e leva a posicao, o pódio e quem sabe até o título. Competência e carisma nao lhe falta. Elegância também nao. E seu pai é dez mil vezes mais gente boa que Anthony Hamilton e sua cara de bunda como se tivesse brigado com o Mundo. E a namorada, Jessica Michibata, além de linda parece ser simpática também. Alguma dúvida pra quem vou torcer em Woking?!

Mercedes
O novo carro parece realmente ter realmente dado um passo muito à frente. Ross Brawn anda saltitando de alegria pelo paddock. Logo ele que é comedido nas palavras, conservador e com os pés no chao. O orifício no bico do carro tem um efeito parecido ao daqueles buracos que os pilotos abriam e fechavam em 2010 que depois foram proibidos, como sempre. Só que o efeito é na asa dianteira grudando mais ainda a frente do carro no chao.

Assim como Red Bull e McLaren, as flechas de prata logo se mostraram velozes nos primeiros testes. A preocupacao entao foi torná-las confiáveis para a prova de abertura na Austrália e para o resto do ano, obviamente. O timaco de engenheiros e projetistas da Mercedes e o orcamento nababesco comecam e se tornar realidade. Aldo Costa (ex-Ferrari) e Geofrey Willis (ex-BAR e Red Bull) sob a batuta do competente Mr. Brawn e do eterno chefe da Mercedes, Norbert Haug (sósia do Barney dos Flintstones) comecam a fazer barulho pra ficar.

O problema da Mercedes sao os pilotos. Nico Rosberg nao me convence. É veloz nas classificacoes, mas nao tem ritmo de corrida constante. Nao é agressivo nas ultrapassagens, pelo contrário. Parece que tem um certo medo do sucesso ou das vitórias. Já esbarrou algumas vezes nela, mas nunca conseguiu de fato.
E Schumacher continua sendo um mistério. Será que ele ainda pode ser veloz como antigamente?! Se esse carro for realmente rápido como parece ele nao terá mais desculpas. Se pegar a mao, fizer alguns pódios e, quem sabe, beliscar até uma vitória ao longo do ano, poderá renovar por mais dois anos. Se nao, ficará desgostoso e passará o volante para Paul di Resta, Nico Hulkenberg ou até mesmo Lewis Hamilton, como anda especulando a impresa ultimamente.

Ferrari
A temporada nem comecou e já iniciaram o projeto do carro novo pra 2013. Maranello comeca o ano em crise ou será puro blefe de mestre?! A julgar pelas declaracoes pessimistas de Pat Fry, do chefe pastelao Domenicalli, da sinceridade seguida pelo silêncio de Alonso e Massa, e da pressa feita por Montezemolo acho que a coisa anda feia por lá.

Veremos talvez mais do mesmo. Fernando tirando leite de pedra ao longo da temporada. Desperdicando seus melhores anos com carros pouco competitivos. Massa reclamará que nao consegue aquecer os pneus como gostaria. Vai falar do tráfego intenso durante as classificacoes, cometerá erros bobos, ficará cada vez mais isolado dentro do time e sairá pelas portas dos fundos em Interlagos no fim do ano. A nao ser que tome banhos diários de sal grosso, comece a ignorar Alonso e fazer o seu jogo. Concentrar única e exclusivamente na sua corrida e performance. Aí sim os resultados comecarao a aparecer.

Mas que o calzone tá assando por lá isso tá. Prometeram um carro totalmente reformulado para Melbourne. Vao copiar o bico da Mercedes e o escapamento da Sauber/Red Bull. Podem apostar.

Force India
Do pelotao intermediário é a equipe que mais evolui. Uma evolucao constante, sempre na mesma direcao. Vijay Mallya mostra que entende bastante do riscado. Manteve sempre bons pilotos, agora com o rápido Hulkenberg e livre do enganador Sutil, tem um corpo técnico de respeito e goza de prestígio com Bernie.
Já incomodaram Ferrari e Mercedes ano passado. Esse ano eu arriscaria até um merecido pódio pra eles. Seria fantástico.

Lotus
Ano passado a Lotus Renault surpreendeu fazendo dois pódios nas duas primeiras corridas com Heidfeld e depois Petrov. Apesar da volta do Ice Man esse ano, gracas a Deus, a escuderia tem que manter o ritmo de evolucao das demais. Senao, corre o risco de ver Kimi Raikonnen e o imortal Grosjean ficarem pra trás.
Kimi dispensa comentários. È disparada a figura mais diferente entre os pilotos. Está cagando e andando pra tudo. Fala o que pensa e nao tá nem aí. Por isso gosto dele. Já no primeiro treino da pré-temporada cravou o melhor tempo. Mesmo que tivesse com tanque vazio foi pra falar “Voltei e nao esqueci nada”. Grosjean chega com grana da Total e muita vontade de se afirmar de vez. Se tiver a mesma performance de 2009 na Renault pode esquecer.

Sauber
Peter Sauber é um dos últimos românticos da Formula 1. E sabe como ninguém fazer um carro veloz com pouca grana. Mas esse é o problema. O carro é apenas veloz e pouco confiável. Esse ano vieram com um escapamento diferente, já copiado pela Red Bull. Aliás, isso deveria ser proibido, pelo menos por umas 3 ou 4 provas a novidade criada por uma escuderia deveria ser exclusiva por um tempo mínimo. Depois liberava geral. Seria mais justo.

Kobayashi e Perez terao mais um ano pra provar se serao eternas promessas ou pilotos realmente de futuro. Koba já é chamado de mito por muitos na imprensa brasileira por sua personalidade única, simplicidade e velocidade, claro. Sérgio faz parte do programa de jovens talentos da Ferrari e está de olho no lugar de Felipe faz tempo. Acho ainda um pouco precipitado apostar tanto nesse rapaz. Pra mim ele precisa mostrar mais servico.

A Sauber vai incomodar no início, mas se a grana rarear o carro despencará posicoes na mesma proporcao. Uma pena...

Toro Rosso
Ricciardo e Vergne vestem esse ano os macacoes da Red Bull B. Muito prazer. Desejo sorte aos dois. A briga de foice no pelotao da merda será intenso. Quem se destacar terá grandes chances de pegar o lugar de Webber em 2014. Nao acredito que irao promover esses moleques a equipe principal logo após a temporada de estréia.

Mas com certeza serao melhores que Alguersuari e Buemi, duas dragas que tiveram inúmeras chances de aparecer.

Williams
Senninha e Maldonado pagarao os pecados do intransigente tio Frank e sua teimosia. Mas parece que o último dos garagisters fez um carro decente esse ano. Pelo menos é o que andam falando. Vai brigar ali no meio, mas além de veloz tem que ser confiável. E ir evoluindo ao longo do ano.

Bruno tem sua derradeira chance de mostrar que nao é mais um sobrenome famoso querendo aparecer. Velocidade em voltas rápidas ele tem. Falta agora ritmo constante na corrida e um pouco mais de atencao nas largadas. Das oito corridas de 2011 em apenas duas ele foi bem. Muito pouco.

Catterham
A primeira equipe a mostrar a tendência do bico feio segue em evolucao. A ex-Lotus malaia defenestrou Trulli, já vai tarde, no início da pré-temporada contratando Petrov e os rublos de Putin. O apagadíssimo Kovalainen segue sua saga no pelotao do fundo. Dessa vez me parece que vao incomodar Williams e demais. Quanto mais equipes rápidas melhor.

Marussia
Difícil prever algo pra essas nanicas. Me lembro do Timo Glock como piloto, mas o outro?! Acho que é um francês com nome de chinês, vou checar. O time comecou bem pela Virgin, msa o bilionário Branson logo percebeu quanta grana teria que investir pra tentar fazer bonito ali do fundao para o meio e logo desistiu. Os russos parecem estar lavando dinheiro alegremente pouco se importando com os resultados.

Hispania
A piada do grid segue firme e forte. Imaginem o Rubinho numa draga dessas?! Até velotrol ia ultrapassar. Bom, meu xará de la Rosa e... quem é o outro piloto mesmo?! Chandhok, Khartikeyan... nao importa. Esse tipo de escuderia só serve pra fazer parte das estatísticas. Saudades da Minardi que tinha personalidade e de quando em vez lancava pilotos bons. Alonso que o diga. Webber idem.

Thursday, March 15, 2012

Fotografia tem Pai e Mãe

Saarbrücken (fez 22° C hoje)

Sou mesmo um cara contraditório. Gosto tanto de fotografia que me apoderei do sobrenome famoso de um certo fotógrafo Henri Cartier, talvez o maior de todos.

Publico minhas fotos no Facebook, mas nunca divulguei aqui. Fiz uma exposicao delas no Brasil, em Belo Horizonte, mas aqui nada foi noticiado. É como se eu boicotasse a mim mesmo. E faco isso toda hora com inúmeras outras coisas.

Para comecar a resolver isso, vamos ao artigo da Manu Melo Franco, vulgo Manuca Pinduca, minha amiga e fotógrafa. E que escreveu um belo texto pra exposicao. Ficou ali colado na janela grande, bem na entrada com a foto do velhinho tomando sol de sunga em Berlin ao fundo.

Diz a Manu que a Mãe da Fotografia é a Franca, mas um dos Pais é o Brasil. O artigo está aqui.

Formula 1 2012, vai comecar

Saarbrücken (me sinto um Saarlander)

Finalmente a angústia tem data pra acabar. Amanha, ou daqui a pouco, comecam os treinos livres para o GP da Australia de 2012.

Mas antes, preciso atualizar o blog em relacao a temporada passada. O último post sobre F1 foi este aqui uma semana após o GP da Malaysia de 2011. Era apenas a segunda corrida do ano que teve Vettel como vencedor, Button segundo e o cara de castor e desempregado Heidfeld com uma entao surpreendente Renault.

Criei também mais uma das séries fantasma do blog que nunca tem continuidade. Os Velhos Tempos da F1 teve uma única e mísera edicao. Nao pode nem ser chamada de série ainda.

O que aconteceu depois?! Em 140 caracteres por corrida resumirei as acoes do ano passado pra dar uma relembrada na galera.

GP da China, Shanghai
Vettel fez a pole, mas chegou em 2° com Hamilton ganhando. Depois veio Petrov com a Renault detonando. Era blefe de início de temporada. Webber fez a volta mais rápida e sorriu.

GP da Turquia, Istambul Park
Vettel fez a pole, a quarta seguida, e ganhou com Webber em 2° seguido por Alonso desesperado por um carro mais rápido. Webber fez a volta mais rápida e sorriu de novo. O domínio de Sebastian era mais do que evidente.

GP da Espanha, Barcelona
Webber dessa vez foi o pole mas adivinha quem levou o caneco?! Sim, Vettel. Quarta vitória na temporada. Lewis foi segundo e cravou o giro mais veloz. O canequinho menor foi para o entao discreto Button. Webber?! Apenas 4°.

GP de Monaco, Monte Carlo
A pole?! Você já sabe. Quem foi ao degrau mais alto do pódio?! Você também já sabe. Vettel e sua quinta acachapante vitória no mítico circuito de rua que teve o prazer de me receber em 2005 para ver a vitória de Kimi Raikonnen de McLaren. Alonso dividiu o champagne do Principado em 2° com Button em 3°. O rolé mais ligeiro, vulgo migalha, quem marcou foi o canguru Mark Webber. O campeonato já parecia decidido.

GP do Canadá, Montreal
O maravilhoso circuito Gilles Villeneuve viu mais do mesmo: Vettel cravando a pole, sua 6ª no ano, mas o viu perder a vitória na última volta para um guerreiro de nome Button. Webber, Mr. Discreation, levou o terceiro posto. A volta mais rápida, talvez a última, foi para Jenson.

GP da Europa, Valencia
O circuito mais monótono do ano viu três vezes o nome de Sebastian no topo. Barba, cabelo e bigode. Perdeu a graca... Alonso em 2° e Webber em 3° completaram o pódio. E o Massa, tava correndo esse ano?! Schumacher?! Rosberg?! A Mercedes nao tinha comprado a Brawn em 2010 e voltado com as flechas de prata?!

GP da Inglaterra, Silverstone
Pelo segundo ano seguido essa foi a única corrida que perdi no ano. Uma pena, pois veria algo diferente com Webber na pole, Alonso fazendo a volta mais rápida e incrivelmente levando o caneco. Vettel foi apenas o 2°... talvez o início de uma crise, hehe. E o canguru pantola Webber contentou-se com o terceiro posto.

GP da Alemanha, Nürburgring
Em casa Tiao jamais decepcionaria, mas quem cravou a pole foi o canguru perneta. A melhor volta foi pra Hamilton que, nao satisfeito, levou a vitória também. Vettel?! Ficou longe do pódio em 4°, seu pior resultado na temporada. A crise crescia incontrolavelmente. Os rubro taurinos se descabelavam...

GP da Hungria, Hungaroring
O circuito só nao é mais chato que Valência por causa das húngaras e por que Hermann Tilke ali nunca encostou o dedo. Ou já?! Só sei que Sebastian entrou no carro revoltado antes do Q1 jurando vinganca. Fez a primeira de uma nova série de cinco poles seguidas, a de nr. 8 no ano. Mas chegou em segundo, atrás de Button, mestre na arte de conservar borracha. Em terceiro Alonsito de Oviedo, bufando feito um touro em Las Ventas. A volta mais rápida foi conquistada por um fênix que atende pelo nome de Felipe Massa.

GP da Bélgica, Spa Francorchamps
Favorito de 11 entre 10 pilotos, o circuito cravado nas florestas das Ardenhas teve a honra de me receber em duas ocasioes. A primeira durante a sessao de treinos coletivos em Julho de 2007. Depois na corrida de mesmo ano, aquela quando Lewis e Fernando fizeram a Eau Rouge lado a lado nas McLarens. Kimi ganhou com a Ferrari. Descobri que o finlandês dá sorte quando estou no circuito. Vettel fez a pole, mas dessa vez ganhou. Webber foi 2° marcando também a melhor volta e Button o terceiro.

GP da Itália, Monza
Ainda verei uma corrida no templo da velocidade. A pole vocês já sabem quem fez. O alemaozinho de Heppenheim ganhou brilhantemente a corrida Button em 2° seguido por Alonso que continuava desesperado por um carro mais rápido. Hamilton, se envolvendo numa confusao atrás da outra, fez a volta mais rápida e nao sorriu.

GP de Singapura, Marina Bay
Corrida noturna, visual espetacular, mas o circuito nao ajuda muito. Mais um Tilkódromo sem sal. Vettel fez a pole (já escrevi isso onze vezes) e ganhou com Button em 2° seguido por Mark “Coala” Webber. Jenson fez também a volta mais rápida e a alegria de seu pai bonachao, John Button, e de sua gatinha Jessica Michibata.

GP do Japao, Suzuka
Mais um circuito das antigas, palco de grandes decisoes. Lá Vettel fez mais uma a pole. Nao cansa nao?! Button ganhou com Alonso em segundo e Sebastian apenas em 3°. Outra crise vindo?! Button dedicou a volta mais rápida a seu antigo companheiro de Honda, Rubens Pé de Chinello.

GP da Coréia do Sul, Yeongam
Finalmente algo novo no P1 antes da largada. Hamilton foi o responsável por acabar com a série interminável do alemaozinho voador. Mas nao adiantou nada. Vettel ganhou a corrida com os dois pés no difusor e ainda levou a volta mais rápida. À plebe ignara restaram o 2° lugar pra Lewis e o seguinte para o sumido Webber que com a mesma Red Bull nao fazia nem metade do companheiro.

GP da Índia, Buddh
Quem diria, um GP de Formula 1 na paupérrima e imunda Índia. Só mesmo Bernie Ecclestone pra conseguir tirar tanta água de pedra. Adivinhem quem voltou pra pole pra nao mais sair até o fim do ano?! E levar o caneco e cravar a volta mais veloz?! Vettel. As migalhas do segundo e terceiro lugares ficaram para Jenson e Fernando que quase pedia pra voltar pra barra da saia da mamae em Oviedo.

GP de Abu Dhabi, Yas Marina
Lindo por fora, monótono por dentro. Assim sao as modelos maravilhosas de hoje em dia e o circuito em questao. Nao falo mais quem saiu da P1, okay?! O mais veloz foi o canguru perneta. A vitória caiu no colo do controverso Hamilton após a roda traseira do carro do campeao se soltar inexplicavelmente fazendo-o abandonar ainda na segunda curva. O feliz Alonsito foi 2° seguido de Button firme e forte na luta pelo vice campeonato.

GP do Brasil, Interlagos
A pole nao me interessa, cacete. Vettel dominou a corrida toda, mas deixou Webber ganhar. Jenson foi o terceiro na corrida e o 2° no campeonato. O canguru também fez bonito cravando a volta mais veloz. Vi a corrida só até a volta 25. Depois me mandei pra Arena do Jacaré com Ramirinho e cia. ver o meu Galo massacrar o Botafogo, 4x0 fora o baile. Monstro espacial Butinius me levou na beira do gramado, tiramos foto e o escambau. Matamos quase um litro de Black antes de entrar. O resto foi consumido nas comemoracoes em pleno estacionamento setelagoano.

Wednesday, March 07, 2012

Radio Truta - Rock

Saarbrücken (luz no fim do tünel)

Pra quem acha que o Rock morreu, dois desfibriladores para mantê-lo vivo. O primeiro vem da banda californiana Comets On Fire, Sao Franciso, formada no final dos 90. Ethan Miller no vocal e guitarra. Virtuosos, longos solos, sem aquela mediocridade da música curta e comercial de hoje em dia.

Depois os malucos do Howlin' Rain, também da Califórnia. Nao por coincidencia, surgiu em 2004 com o mesmo Ethan Miller comandando voz e cordas. Fui imediatamente teletransportado para os anos 70 ao ouvir.

Ambas as dicas do imprecindível André Barcinski. Palavrinha estranha essa... imprecindível.



Ligeirinho

Saarbrücken (minha base avançada nas margens do Saar)

Por esse carrinho eu empataria uma grana. Deve ser uma maravilha nas estradas sinuosas e montanhosas da Europa Central. E nas Autobahnen entao...

Thursday, March 01, 2012

Saarlouis e a adega de 800 garrafas

Düsseldorf (ah, os clientes...)

Crônica originalmente escrita por este que vos bloga em Saarbrücken no dia 23 de Fevereiro deste ano.

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Saarbrücken (mais dois amigos pra colecao)

Depois de um certo tempo morando na Alemanha comecamos a conhecer melhor os hábitos e diferencas culturais dos germânicos. Sao frios e distantes no início. Empurram a mao que apertam na  direcao contrária após os primeiros encontroos. Nunca falam da Vida privada em ambiente de trabalho, mas sao fofoqueiros profissionais em particular. Colegas de trabalho se tratam por Sie, versao formal igual a Senhor seguida do nome de família, por anos a fio. Nao importa o nível de intimidade. Até que um belo dia, 20 anos depois, um olha pra cara do outro e pergunta: "Posso te chamar de Walter?! Claro. Mas só se eu te chamar agora de Stefan!" Sem sacanagem, presenciei essa cena e rachei de rir na frente dos dois.

Saí hoje com um cliente e sua esposa. Ela deveria ter vindo, mas me enganbelou bonito. Disse que tinha um evento em Hamburg, nao ocorrido, e me deu um bolo. OK, kein Problem! Fomos ao restaurante preferido de Herr B. em Saarlouis, cidade franco-prussiana na regiao de Saarland. Bem próximo a Luxemburgo e colado na fronteira francesa. Por fora a casinha nao tinha nada demais, mas por dentro uma ótima comida, vinhos de respeito e um atendimento de primeira. Assim me relatou Herr B., observado por sua senhora, Frau H., que balancava a cabeca afirmativamente a cada três frases do marido.

Se conheceram no coral da igreja. Achei que tivesse sido no pré-primário ou maternal. Sao desses casais que já nasceram juntos. Parecem inseparáveis, unha e carne. Se conhecem como a palma da mao e um olhar basta pra dizer dois parágrafos. Nasceram aqui perto mesmo em cidadezinhas satélite. Dois filhos já crescidos e devidamente despachados do doce lar. “O silêncio em casa às vezes fica alto demais”, me conta Herr B

Por isso, saem quase toda quinta-feira pra jantar. Ou ir a alguma ópera, teatro, ballet ou mesmo cinema. O interesse de ambos pelas Artes surgiu exatamente nos tempos do coral. Scala de Milao, festival Richard Wagner em Bayreuth, Wiener Staatsoper em Viena e tantas outras salas de espetáculo famosas já acomodaram em suas confortáveis poltronas de veludo o casal B e H (leia-se Bê e Rá) e suas rechonchudas buzanfas. E agora, segundo discurso empolgado e ansioso de Herr B., os assentos do Teatro la Fenice em Veneza terao o prazer de ser esmagados recebendo-os. Compraram os ingressos ontem e hoje já chegaram pelo correio. Ficaram espantados com a honestidade e rapidez dos italianos, apesar da crise do Euro, desemprego, Máfia, lixo atômico, etc..

Descambamos a falar de vinhos após Herr B. fazer questao de pedir um branco já conhecido seu. Deixei-o a vontade, claro. Anste mesmo de olhar a carta já havia ordenado um campari com suco de limao para si e o mesmo suco, sem o campari, pra Frau H. Ela iria dirigir, me disse ele gargalhante e bonachao. Aceitei o Cremant sugerido pela garconente, vulgo Kellnerin em alemao. Um vinho do Val del Loire aterrisou em nossa mesa e logo em seguida no copo de Herr B.. Provou-o, como se precisasse, e aprovou. Realmente, uma delícia.

Ao pedir minha entrada, um foie gras, recomendou-me um vinho de sobremesa. “Um Eiswein?!” perguntei-lhe?! “Você conhece?!”. Respondi que sim invocando a degustacao no Markus Molitor. Nao entrei em detalhes caxemirescos, mas ele aprovou e disse conhecer também.

Falamos mais de Vienna, dos cafés, óperas e música clássica. E de Berlin e da vez em que fiz uma surpresa para minha mae e tia levando-as a um concerto na Berliner Philarmonie, uma das casas mais famosas do gênero. E do Japao, China e Hong Kong, visitados pelo casal saarlouisiano, mas nao por mim. Ainda. New York, Luxemburgo e suas bebidas e combustível baratos. Das várias regioes vinícolas ao nosso redor. Do vale do Ahr, pertinho de Düsseldorf, onde encontra-se um excelente tinto.

Aí contei do meu amigo Weinfreak, ou maluco por vinhos em bom português. Nao citarei seu nome em vao por que estamos em negociacoes. Ele pode ser o mais novo colunista do Truta... a ver. Discorrerá sobre assuntos variados como fabricacao de fósforos, rock antes de Elvis, vinhos chilenos envelhecidos e em como dar papinha sem o neném chorar. Mas isso é assunto para vários outros carnavais.

Falando nisso, me lembrem de escrever a estória do melhor Carnaval da minha Vida. Em 2003. Comecou em Tiradentes num sábado a tarde chuvoso e terminou em Cabo Frio com a macacada reunida, nao sem antes passar pela Sapucaí e desfilar pela Beija-Flor.

E me lembrem também da Cracóvia, Novembro de 2004. Era pra dormir no hotel, mas me virei de outro jeito. Tem até video comprovando o fato. Ou loucura inconsequente mesmo.

“Deve ter umas 200 garrafas”, contei todo garboso sobre a adega do meu amigo, como se fosse minha. Um sorriso estampou-se imediatamente no rosto de Herr B. Parecia o gato da Alice no País das Maravilhas  colorido na minha frente. Só nao voava. “Tenho também minha própria adega, mas com 800 garrafas”. Ganhei o cara, pensei. Contou-me suas preferências pelos italianos do Vêneto e Piemonte. Barolos e Barbarescos. Seu amor pelos franceses de Bordeaux e Val del Loire. E sua idolatria pelos vinhos da Toscana, em especial o Sassicaia.

De trabalho mesmo falamos muito pouco. Reclamou da nossa última proposta. Os precos estao caros. Novidade. Vender barato qualquer um vende. Contou-me que a producao vai aumentar com a entrada de novos pedidos. E que o embargo americano ao Iran está fudendo meio Mundo, eles em particular.

Meu Entrecôte tava uma maravilha acompanhado de legumes no vapor e “hausgemacht” fritas. Herr B. me contou ser esse um dos motivos do restaurante figurar entre seus preferidos. “Já nao se encontra mais batatas fritas caseiras. Todo mundo manda comprar industrializado”, disse entre uma garfada e outra de satisfacao.

Pulamos a sobremesa e o espresso veio com leite quente separado com uma espuma perfeita em cima. E um bolo mármore, que tem o mesmo nome aqui na Alemanha. Me lembrei de Janemamae e Titas fazendo seus bolos idênticos no nome, mas maravilhosos. Paguei enquanto bebiam o segundo espresso, esse por conta da casa.

Agradeceram, falaram que da próxima vez minha mulher tem que vir, e que vamos combinar uma próxima vez em breve. Aliás, disseram isso sobre Ela umas três vezes.

Antes de sair, ganhei duas dicas de lugares interessantes aqui perto para visitar. “Come-se bem e tem ótimos vinhos. Além de serem cidades pitorescas e românticas”. Só nao falo os nomes por que quero conferir eu mesmo. Mas prometo escrever os diários de viagem. Ficam no médio Reno. Mais nao digo.

Ganhei mais dois amigos!

Thursday, February 23, 2012

Radio Truta

Saarbrücken (Brossette é meu amigo)

Que Tempo bom, que nao volta nunca mais...

Thursday, February 09, 2012

Riesling da Caxemira

Düsseldorf (mantenha a mente aberta)

A Europa tem dessas coisas. Voltando de reunioes ocorridas em Saarland, sudoeste da Alemanha, passamos pelo Mosel. E lembramos de um excelente produtor local de Riesling, Markus Molitor. Olhamos no GPS e estaríamos lá cinco pras cinco da tarde. Ligamos pra saber até quando ficaria aberto: 17h na pinta. "A senhora pode ficar mais uns dez minutinhos aberta pra gente comprar algumas garrafas?!". Diante da resposta positiva, desviamos o rumo com um sorriso maroto no canto da boca.

Ao chegar a Frau nos pergunta se queremos provar os vinhos. Um olha pra cara do outro, um sou eu e o outro o Luis, meu chefe, e balancamos a cabeca afirmativamente. Como a sede principal da vinícula Molitor está em reformas, atendem agora provisoriamente numa outra casa. Que vem a ser a casa da sogra da citada Frau, uma funcionária da empresa e nao membro da família Molitor. Nao importa.

Sentamos na mesa da sala de jantar, no segundo andar da casa, com vista para o Mosel. Dois copos pra cada e a Frau some pra buscar as garrafas. Entra um sujeito, parecendo indiano, e se junta a nós. Disse nao ter provado todos os vinhos da casa ainda e usaria a oportunidade para tal. Acabara de comecar na casa, no início de Fevereiro. Viveu 20 anos na Franca, especialista em pinot noir da Borgonha. Quis mudar de ares, procurar "novos desafios" na carreira. E ali parou.

Frau chega e nos mostra as cinco primeiras garrafas. O primeiro justamente um pinot noir alemao, legítimo e sem sotaque. Pra surpresa do Luis, que só esperava Rieslings, o vinho desce como um veludo. Ariff Jamal, que era realmente indiano, também sorri após o primeiro gole. Mas nos conta que é uma uva complexa, precisa de tempo no copo pra respirar. Nos aconselha a deixá-lo de lado por um tempo. E que o melhor gole é sempre o último.

As garrafas de nr. 6 a 10 nos sao apresentadas. Cada uma com sua particularidade, ano de producao, vinhedo, tempo de colheita da uva e característica diferentes. Termino um 2010 Graacher Domprobst, apenas pra citar o nome do vinho fingindo que sou entendido - na verdade, acabo de olhar na lista de precos - e leio a descricao de sabores e aromas de um outro vinho da casa. Comento com a Frau que das duas uma: ou ainda nao desenvolvi sensibilidade suficiente pra perceber os odores e sabores descritos ou tudo aquilo é pura cascata de marqueteiro. Ela reconhece ser mesmo um exagero. O texto fala de aromas de nectarina, damasco, pêra e pêssego branco da regiao. Pra mim só existia o amarelinho.

Jamal diz que leva tempo pra perceber tudo isso, mas também acha um exagero. Diz que cada um sente e percebe cheiros e sabores de formas diferentes. Um vinho fabuloso pra uma pessoa pode nao ser tao apreciado por outra.

Mas acho meio viagem. Por exemplo, a opiniao do distinto enólogo após provar um champagne Pierre Gimonnet:


Ao mesmo tempo muito rico e delicadamente cítrico, desenvolve um fundo sutil de notas florais e minerais, eis um Champagne magnífico. Na boca é amplo, cremoso e aerado, este vinho de exceção deixa ao degustador uma grande lembrança enófila.

Muito vago e subjetivo. "Delicadamente cítrico", mais para limao, laranja, lima ou abacaxi?! "notas florais e mineirais", quais deles?! Margarida, orquídea, dama-da-noite, lírio ou papoula pra te enlouquecer?! E os minerais?! Sulfatos, carbonatos, óxidos ou fosfatos?! Cremoso pra mim é requeijao ou o próprio creme de leite que a Nestlé nao vende na Europa. Mas, vamos em frente.

Frau vai empolgando e enfiando um vinho atrás do outro na gente. Lá pelas tantas, Jamal remete a sua infância. Nos conta que vem da Caxemira e fora forçado a aprender os idiomas dos dois lados, Índia e Paquistao. Disse que certos vinhos sao tao inesquecíveis como a primeira palmada que ganhou do pai. Se mudou pra Délhi e ali, além do inglês, aprendeu os dialetos da regiao. Depois veio pra Europa e aprender francês e alemao foi moleza.

Nessa brincadeira Jamal comeca a explicar que os processos de fabricacao no Molitor sao todos manuais devido aos terrenos íngrimes ao redor do Mosel. Máquina nao entra, só a mao humana. E que o processo de fermentaçao, que nos americanos é todo controlado por computador nos tanques de inox brilhantes do Napa Valley, ali sao regidos pela Natureza. O nome em alemao de um desses processos é simples: "Thermokontroliertevergärungsabwicklung". Como 2 + 2 = 4. Isso nada mais é do que o processo de fermentacao controlado por temperatura. Sao tantos os parâmetros regendo os micro-climas dessas regioes e seus impactos nas safras que brinco dizendo ser como um malabarista com 12 bolas no ar. Se uma cair o vinho nao sai mais perfeito.

Garrafas nr. 11 a 15 na mesa da empolgada Frau a postos. Um tal Trockenbeerenauslese, ou TBA para os íntimos, nos é garbosamente mostrado. Aprendemos depois que num mesmo cacho das videiras centenárias de Herr Molitor, o Auslese é a uva madura com bastante suco, a Spätlese (spät = tarde) é ela bem mais madura e quase apodrecendo com um teor de acúcar maior, e a TBA é a uva seca, quase como uma uva passa com pouco suco, mas muito mais acúcar que as outras. Por isso a producao da TBA é bem menor, mais rara e, evidentemente, mais cara. O vinho que sai dela é um néctar dos deuses, fabuloso.

E pra fechar Frau traz um Eiswein, ou vinho gelo em traducao literal. Sao as uvas que nao sao colhidas na primavera e congelam no inverno mantendo um teor de acúcar nas alturas. Uma combinacao de temperatura e duracao do inverno tem que acontecer pra se conseguir colher o Eiswein. E nao é todo ano que isso acontece. Por isso as garrafas sao mais limitadas ainda que o TBA. Tem um de 1998 custando € 1.190,60. É mole?!

Bem, Jamal nos deu várias outras dicas, comparou vinhos a mulheres dancando com ventos esvoacantes balancando seus vestidos vermelhos nas estepes da Caxemira. Mesmo com 20 anos de Borgonha o álcool ainda faz um bom efeito nele. Nos convidou pra visitar o stand da família Molitor na ProWein, feira de vinhos que acontece todo mes de Março em Düsseldorf, e pra continuar visitando a regiao sempre que passarmos por ali.

Os dez minutinhos da Frau viraram hora e meia, mas saímos todos satisfeitos com os aromas, sabores, conversas e garrafas do Mittel Mosel.

Bom que fica no caminho. Quando acabar é só passar ali e encher o tanque.

Sauna na Alemanha

Düsseldorf (uns tarados, esses alemaes)

Escrevi o textículo abaixo no dia 17/01/2012 na simpática Saarbrücken. Tomei - ou fiz - sauna hoje de novo e me lembrei dele.

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Saarbrücken (quando funciona é sempre bom)

Na Finlândia dizem que é um lugar sagrado. Onde ricos e pobres, judeus e cristaos, homens e mulheres se encontram democraticamente. Deixam as roupas do lado de fora e ali, naquele recinto de madeira seco e quente como pisar descalço em asfalto, discutem seus problemas, escondem outros, falam da Vida alheia - nao tanto quanto os brasileiros e muito menos os belorizontinos - resolvem pendências, planejam o futuro e lamentam ou rememoram o passado. Tem até um documentário recente sobre esse ritual.

Me lembrei agora duma cena protagonizada pelo Viggo Mortesen num filme do Cronnenberg, acho que se chama Extrem Affairs ou perto disso. Ele investiga a máfia russa em London e acaba cruzando o caminho da Naomi Watts. Na cena, Viggo está tranquilo e só de toalha na sauna quando chegam dois mamutes trajando jaquetas pretas. Comeca a discussao, um saca uma faca, o resto da turma sai pela esquerda e comeca a briga. Só essa cena já vale a película.

Escrevo sobre isso por que fui agora ao Wellness do hotel onde estou. Wellness é o carinhoso nome em alemao para a área de lazer dos hotéis. Ali encontramos chuveiros, sauna quente e a vapor, espreguicadeiras, salas de massagem, armarinhos pra guardar sua roupa e, neste caso, duas cestas de maçã. Uma verde e outra vermelha. Na esperança de esquentar e relaxar o corpo no inverno, desci até a recepção, pedi roupão e toalhas, acabei ganhando um desses chinelinhos de hotel de brinde, e segui meu caminho. O hotel é interessante, tem um lustre bacana e um lobby convidativo. Pensei em como seria morar nele por um mês, nas amizades que faria com os funcionários, as qualidades e os defeitos, as artimanhas da hotelaria, os hóspedes pitorescos. Daria outro filme. Talvez com o Mortesen como maitrê do restaurante e a Naomi de camareira viciada em anti-depressivos. E endividada até o pescoço.

Bem, a sauna no inverno é importante justamente pra relaxar o corpo que fica contraído, mesmo debaixo de tanta roupa. Alemão só toma sauna pelado e nao tem divisão entre sexos, na maioria das vezes. Acho isso engracado. Por um lado se escandalizam com as mulatas seminuas do Brasil, o bikini e a mini-saia mínimos das meninas. Dizem ser uma pouca vergonha. Por outro, trocam de roupa na sua frente sem o menor pudor, fazem topless nos parques durante o verao, quando nao ficam completamente peladoes, praticam swing e o escambau. Nao todos, é claro. Mas na sauna é aquele samba do crioulo doido. Uma avalanche de pelancas passando pra lá e pra cá. Raramente, mas de contar nos dedos de uma só mão, aparece algo que vale a pena movimentar o pescoço. Acho que alemães e finlandeses derivam do mesmo descendente saunístico e pudorístico.

Um incauto ali estava deitado, nú, na sauna nr. 1. A de numeral 2, me disse ele antes de eu pensar em escolher uma delas, estava fria demais, mas a UM “está esquentando”. Entrei de sunga, estiquei minha toalha, deitei e fiquei olhando pras ripas de madeira no teto. Pensei no meu Pai, na minha família a léguas de distância, nEla, no que fiz hoje e no que pretendo fazer amanhã. Será que o Guidão sabe que tomei sauna em Saarbrücken?! Imagino que sim, já que ele é onipresente. Pelo menos quero acreditar que sim.

O alemão se levantou e não voltou mais. Nao fiz nada demais, nem mesmo soltei um canário, vulgo peido, esvoaçante pra que ele escafedesse. Passados alguns segundos ele comeca a xingar no telefone do hotel e entra na sauna a vapor. Já desacreditado e esperando em vão a temperatura aumentar, decidi sair também. Ele olha pra mim através do vidro, abre a porta e me conta que ali é melhor do que nada. Como nao me contento com pouco mais que nada, me mandei.

Cheguei no quarto e liguei na recepção novamente. Contei o ocorrido e perguntei quanto tempo demoraria pra se ter uma temperatura razoável. A resposta: vou checar. E até agora nada de resposta. Fiquei sem sauna, mas o corpo relaxou assim mesmo com o vinho do jantar. O restaurante era bacana e tinha um casino ao lado.

Carnaval tá chegando

Düsseldorf (aqui nossas fantasias serao de pinguim)

Nada mais justo do que comecar a esquentar os tamborins, apesar do início da Era Glacial nas Orópa.

Foi o meu amigo Ti Gui, um dos únicos que ainda nao tem facebook, que mandou. A mais pura verdade.

Wando

Düsseldorf (quem fica com a colecao de calcinhas?!)

A singela homenagem do Truta ao barango assumido e querido por muita gente no Brasil. Fez sucesso com a mulherada até seus últimos instantes de Vida.

Que descanse em Paz.

Sunday, January 29, 2012

Viva eu, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!!!

Düsseldorf (3.8 acelerando na banguela)

Hoje é um dia como qualquer outro, exceto pra mim e para o baixinho Romário. Aliás, nao só nós dois, mas uma pancada de outros terráqueos. Me lembrei de Spectraman ao escrever essa palavra. Infância boa tive eu.

Entre eles, o rei Cristiano VII da Dinamarca. Uma homenagem ao meu amigo Lua. Tom Selleck, sua Ferrari e o bigode. Jody Scheckter, o sulafricano campeao de F1 em 1979, o último da Ferrari antes da Era Schumacher. E também a negona motivadora Oprah Winfrey. Tássia Camargo, lembram dela?! Aquela baixinha bonitinha atriz da Globo nos anos 80. Putz, o bandidao Marcos Valério também assopra velinhas hoje. E Athina Onassis, aquela pé rapada que vende o almoco pra comprar a janta em alguma praia lotada de Korfu.

O rei Cristiano IX da Dinamarca morreu neste dia em 1906. Hoje com certeza é feriado em Kopenhagen. Além dele, exatos 3 anos atrás morria Héli Gracie, o pai do Jiu Jitsu.

Já me deram parabéns por email o Miles & More (Lufthansa), Flying Blue (Air France), o Groupon, UOL, Google, Friends of Laphroig, Eventim (site de ingressos alemao) e o Genoom.

Pelo Facebook, contei mais de 60 mensagens. Vários emails, alguns telefonemas e um amigo brazuca de Berlin, o Rodrigao, passou por aqui hoje com a namorada pra tomar uma champa original e comemorar. Teve bom demais.

Nada de festas esse ano. Apenas a satisfacao de saber que sou querido por tantas pessoas, famílias e amigos de diferentes trupes e lugares.

Obrigado pela Vida que tenho! Pela minha família, por ser como sou e por viver ao lado dEla, meu maior presente!

Wednesday, January 25, 2012

Neue Impressoes - Crônicas do cotidiano (1) - Parte 2

Hilden (o Amor é lindo e louco)

Quem nao sabia da contracao bombástica do nosso novo colunista, Marcelo Theo?! Agora tem uma boa chance de conferir a razao de tanto investimento literário. A primeira parte das Neue Impressoes - Crônicas do cotidiano (1)" está aqui. Leia antes de conferir o relato abaixo.

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Crônicas de um Casamento - Parte 2
Marcelo Theo

(Baseado nos Relatos do Casamento de um Primo... todas as identidades foram preservadas

Anunciei o fato a alguns amigos, e esses me ajudaram a tecer a teia. Talvez no dia 30 de junho teríamos uma festa, ou fôssemos padrinhos de casamento de um casal amigo. O certo é que ela deveria estar vestida de acordo com a celebração: e isso queria dizer salão, unhas, cabelo, maquiagem, roupa de noiva, etc.

Um dia, em casa, sou questionado “sem muita importância” sobre minha decisão de firmar o tal papel. Naquela altura do campeonato, deveria estar trabalhando a relação para ficarmos alguns meses separados. Isso queria dizer que não poderia deixá-la um mês inteiro chupando dedo, sem falar nada do nosso casamento. Havia recebido o convite da Madrinha para passar a lua-de-mel no Rio, gostaria de despedir dos amigos e familiares e... por que celebração de despedida é permitido e festa de casamento não? Além do mais, se todos recebem presentes, por que não eu? Portanto, interessante seria deixar a noiva a par de certas informações para que também participasse de parte das decisões de seu próprio casamento.

“Ok, vamos casar, talvez no fim de julho. Não vamos falar de data, por enquanto”. Com uma boa isca qualquer peixe morde o anzol. A mulher relaxada realmente fala, às vezes exageradamente. Naquela ocasião me revelou ela o sonho de fazer algumas fotos. Consenti, desde que não me envolvesse na busca nem nas decisões sobre as mesmas. Algumas horas depois, já sozinho em casa, percebi que tinha achado o remédio para a minha enfermidade. Liguei para meu grande amigo “O Fotógrafo” e lhe informei a respeito de uma certa sessão de fotos no dia 30 de junho. Mesmo estragando a surpresa que faria a mim de presente de casamento, ele achou a idéia excelente. Ficamos de acertar os detalhes em uma conversa de bar. O certo é que a dona da história ligaria sem saber de muita coisa. Certamente fiz questão de enfatizar a ela quem seria o fotógrafo. Não restava dúvidas.

A citada conversa de bar ocorreu num fim de semana, informalmente, em meados do mês de junho. Foi lá que o plano ganhou forma e corpo e os detalhes foram acertados. Com o passar dos dias e das semanas, me vi obrigado a compartilhar vontades, desejos e, claro, a data do meritíssimo. Era inevitável, a noiva já havia recebido uma ligação para oferecer-nos convites de casamento, além de inocentes congratulações pelo acontecido. A verdade é que as famílias já nos haviam casado, faltando só avisar-nos. Aproveitei a deixa de um amigo que havia dito que o casamento já tinha sido marcado e “só a noiva não sabia”. Naquela conversa, em tom de brincadeira, saiu a data do “Dia Fora do Tempo”. Pesquisei na Internet aquela data significativa para os Mayas: 25 de julho. Era perfeito, “casaríamos” no “Dia Fora do Tempo”. Restava só aguardar que o tempo parasse para a comunhão. Esperaríamos.

Certo dia, em uma data qualquer, que por ventura era o dia dos namorados, me encontrei com trinta minutos livres, antes de um encontro com a prometida. Liguei para a sogra para informar-lhe a data do casamento: no final de julho, dois dias antes de minha partida. Disse-me ela que algumas correspondências e telefonemas haviam chegado às mãos e aos ouvidos da filha com ofertas de lua-de-mel, igreja, entre outros “fruc-frucs” que rondam os casamentos de hoje. Algo como um circo, teatro ou atração com entrada paga e cobertura de imprensa. Estava desconfiada já, a garota, de que os documentos corriam no cartório. A reação foi imediata. Revelar-lhe-ia a data dos 25, confirmando a entrada dos papéis.

Imediatamente fui a uma livraria e gastei meu tempo encontrando um cartão adequado para a ocasião. Depois de muita procura, bingo. Duas curtas frases foram suficientes para fazê-la pensar que tudo aquilo estava planejado e que deveras nos casaríamos no mês sete.

Nos dias que antecederam a sessão de fotos, mostrei-me muito disposto e interessado até demais. Entretanto, a emoção obscura a visão e não levantei suspeita: vestiríamos como noivos. Ela já havia tido uma sessão de fotos ao ar livre. Naquela ocasião, as fotos seriam em estúdio fechado, com uma dita luz especial, especialmente para a ocasião. Saímos para comprar as roupas e conversar sobre a sessão. Colhi todas as informações que um bom agente secreto precisaria e fui costurando a colcha com os retalhos que iam surgindo.

Linha direta com o homem da câmera e acertamos o maquiador, as novas desculpas, entre outros assuntos. Com as “sogras-mães” os detalhes das roupas, o buquê. De volta com o homem-foto o acerto do local, a hora, quem e como. Assim foram os últimos dias antes da data, agitados.

Dois dias antes do casório, fomos eu e ela a um Shopping Center escolher uma camisa para mim. Em uma loja masculina, percebi uma mulher me olhando de maneira diferente, mais do que o normal. Não dou atenção, continuo na minha. Não se dando por satisfeita ela busca um novo cruze de olhares. Na primeira oportunidade ela proclama a independência em um brado “EU TE VI NO CARTÕRIO HOJE, MARCANDO CASAMENTO”. O primeiro pensamento é um “não acredito”, mas a calma e o controle não me escapam. “Deve ter sido meu irmão gêmeo ou sósia, tenho alguns por aí”, disse assertivamente. Ela titubeou e balbuciou mais algumas palavras de dúvida. Retirei-me ao provador. De lá, ouço murmúrios de que eu estava pela manhã em dito lugar. Enquanto eu ria, a deflagradora conversava com a noiva, revelando-lhe detalhes da minha presença matinal ao local do matrimônio: uma conversa no telefone à procura de dados dos documentos das testemunhas, meu cabelo, a confirmação da data, entre outros fatos. Não tive como omitir ou mentir naquele dia. Após a segunda cutucada da namorada não contive a risada. Foi realmente hilário e riríamos da situação até o dia seguinte. Disse-lhe que sim, que havia estado no cartório e que havia finalmente confirmado a data: 25 de julho. Quanto à história do cartão com “a data já confirmada” aleguei que gostaria que fosse aquele dia, e que naquele momento estava certo. O que parecia ruim, à primeira vista, ajudou a dar tempero à novela.

Obviamente o dia e noite anterior foram de ajuste de detalhes, como em qualquer projeto. Ficaram acertados detalhes e incumbências. Colhemos, eu e minha mãe, um buquê de Ipê roxo na noite anterior e, assim, ele estaria bonito na manhã seguinte. Ele serviria para as fotos, já que a noiva não desejava se casar com ele.

Na manhã seguinte ela foi à casa do maquiador, quem já estava devidamente instruído no tipo de maquiagem a ser usada. De lá, seguiria com o fotógrafo a um apart hotel de um amigo, suposto local das fotos. Por “coincidência” o apart se localiza no edifício acima do cartório. Da casa do maquiador ela me ligou, pedindo que levasse seus sapatos e penduricalhos ao local do encontro: o hotel. Minha mãe se dispôs, realizou a tarefa e chegou antes de mim ao lugar do acontecimento.

No telefone com o “homem-foto”, íamos acertando a navegação. Um erro de comunicação nos colocou em dois estacionamentos distintos. Liguei para meu pai e pedi a ele que me trouxesse os brincos e os sapatos da noiva. Na última manobra antes dos finalmente, a prometida viu o sogro e a sogra dentro do estacionamento e desconfiou de nova armação. Ela se encontrava já vestida para uma “sessão de fotos urbanas”, como lhe havia dito o fotógrafo, e só lhe faltavam o sapato e os penduricalhos. Desconfiada, ela pressionou meu amigo e, claro, ele negou veementemente. A noiva se recusou a sair dali daquele jeito, cheirava falcatrua. Foi em meio àquele momento que cheguei sorridente, como se nada estivesse ocorrendo. “SE TIVER OUTRA SURPRESA ME FALA AGORA VOCÊ SABE QUE EU NÃO GOSTO DISSO (BLÁ BLÁ BLÁ)” disse ela, enfezada e em alto e bom tom. “Anda rápido que o juiz já está esperando a gente pra casar”, respondi. Primeiro ela não entendeu e deixou escapar um “como assim?”. Quando a ficha caiu, a fúria possuiu seus sentidos e ela “soltou os cachorros”. Confesso que fiquei meio sem graça, também meu amigo, e fomos tentando domesticar a fera, para que, pelo menos, o tiro não saísse totalmente pela “nossa” culatra. Com algumas respirações ela conseguiu estar de volta ao controle das suas emoções e, uma vez controlada, escolheu estar brava. Mais um pouco de conversinha e conseguimos que ela se sentisse um pouco melhor. Já daria para fingir um sorriso. Caminhamos.

Na porta do cartório fomos recebidos com chuva de arroz, beijos e abraços. A moça foi amansando e já se mostrava mais relaxada. “Fiquei com medo de não estar bonita pra você”, me revelou. Pobre doce fragilidade feminina. “Nunca te vi tão bonita”. Após o fim da cerimônia, já com um sorriso do tamanho do mundo, ela agradeceria continuamente a surpresa.

Tuesday, January 24, 2012

Spinning é pra loucos

Düsseldorf (o ano comecou devagar por aqui...)

Sobrevivi a uma aula de spinning. Na verdade, saí antes do fim com medo de ter um infarto. Já pensava nas tantas coisas que ainda quero fazer sendo ceifadas implacavelmente por uma reles bicicleta de uma roda só. E que nem sai do lugar. Nao tem marcador de velocidades muito menos cronômetro.

O ambiente de boate com luz negra e música eletrônica é pra enganar os trouxas. Você entra, testa a "bike", ajusta banco e guidao (ou guidom?!), engata os tênis na cestinha que se acopla ao seus pés quando pisamos no pedal corretamente e comeca a se aquecer. E depois a ferver como uma tampa de chaleira.

Os alemaes habitués da sala te olham torto. Como se duvidassem antecipadamente de sua performance. Tudo bem que estou longe da minha melhor forma, mas já estive pior. A barriguinha nao engana ninguém, mas meu olhar confiante entrando na sala e encarando todos como se dizesse "vou pedalar também, algum problema?!" foi encorajador. Pelo menos pra mim.

Tentei ajustar o banco e guidao da bike ao lado pra que Ela nao tivesse muito o que fazer ao chegar. Tudo em vao. Chegou e mudou tudo. Disse já estar acostumada e também já sabia suas "medidas". Falou feito uma profissional. Acatei calado dando o primeiro de milhares de goles da melhor água do Planeta. A de mais fácil alcance.

Comeca a brincadeira. A professora, uma mirrada de roupa colada, microfone sem fio tipo Madonna e voz autoritária, solta a voz e as ordens. Nao coloquei muito peso no início já que seria minha segunda vez nesse tipo de aparelho. A primeira nem foi tao ruim assim, mas faz muito tempo. Os primeiros cinco minutos foram tranquilos. Até que a salafrária berrante manda todos pedalarem em pé, como se tivéssemos subindo uma montanha. Gritava "Jetzt MOUNTAIN BIKE" que em alemao significa "Agora mountain bike". Até aí tudo bem, mas a sequência parecia nao acabar nunca. Já estava semi-morto e ela berrou "Noch zwei Minuten", mais dois insanos minutos que pareciam ter 340 segundos cada.

Sentado e bebendo água como um camelo após atravessar o Saara olhei para o relógio. Míseros dez minutos haviam se passado. Faltavam cinquenta. Nao fizemos alongamento algum antes de comecar e pensei em interromper a aula. Mas o olhar de uma gordinha suada e satisfeita com seu desempenho me fez desistir.

Ela ria ao meu lado, nada mais. Nao levei toalha e já sentia a falta após perceber a suadeira no corpo todo. A pantola atlética recomeca o berreiro preparando todos para mais um teste de resistência. Aumentamos o peso e ouvi de novo "Jetzt MOUNTAIN BIKE". Por que as placas tectônicas se movimentaram tanto no passado criando essas malditas entidades?! E depois, quem foi o desocupado que resolveu subir uma delas?! As montanhas sao belas e altas, algumas cheias de neve. Por que nao deixá-las em Paz?! Lá vamos nós de novo e a pizza do almoco comeca a dancar trance na minha barriga. O fígado dava mortais e o pâncreas parecia ter tomado um ecstasy. Eu olhava pra baixo, pra cima, para os lados, e às vezes pra mardita professora. Estava longe do meu alcance, senao jogaria minha garrafinha de água na testa dela pra parar tudo e tentar respirar.

A gordinha me olhava candidamente, mas seguia firme e forte em seu objetivo. Meu coracao era uma locomotiva na banguela, descendo uma montanha. Descer é fácil. De novo pensei num infarto, eu ali caindo estatelado com os pedais batendo na minha canela e sangrando-a impiedosamente. Todos correriam pra me acudir. A música nao iria parar. O desfibrilador, item obrigatório em qualquer estabelecimento comercial na Alemanha, seria trazido em fracoes de segundo. Tentariam me reanimar. E conseguiriam. Eu levantaria, sacudiria a poeira e diria: "Jetzt MOUNTAIN BIKE"!

Mas, nada disso aconteceu. Apenas uma sequência desmoralizante com peso forte, mas sentado. Diminui o ritmo e pensei em abandonar a aula. Passados 25 minutos estava bom demais. Resolvi resistir mais um pouco. A magrela, a instrutora, nao a bike, comeca a latir novamente. Preparando meus tímpanos pra ouvir o pior, nao me decepcionei: "Jetzt MOUNTAIN BIKE". Ódio é aquela sensacao de querer matar alguém. Mas esse alguém teve muita sorte ou estava numa distância suficiente evitando a tragédia.

Dei sete pedaladas em pé e me sentei. 35 minutos, pra que mais?! Diminui o peso e pensei na piscina lá embaixo me esperando. Na espreguicadeira de bracos abertos como uma mae esperando o filho chegar do intercâmbio no aeroporto. Na sauna fervendo, mas calma e de movimentos mínimos. Antes de ouvir outra vez o que seria provavelmente a sentenca de morte da incauta instrutora desacoplei meus pés dos pedais sugadores, pisei no amado solo imóvel, beijei-a no rosto e me mandei antes que me tornasse um criminoso.

Nao olhei pra ninguém, mas saí pensando em voltar. Isso nao vai ficar assim. E a sensacao agora, já em casa depois da sauna e do banho é de que valeu a pena. A endorfina é uma droga poderosa se produzida com moderacao. Mas será que sou masoquista?!

Monday, January 09, 2012

A Maior Aventura de Todas

Düsseldorf (Zurich é sinistra)

Você gosta de fazer caminhadas?! Acha que meia hora três vezes por semana é suficiente pra deixar a consciência limpa?!

Ah nao, você é corredor amador. Já fez algumas trilhas de bike, até mesmo trekking. Se aventurou no montanhismo e já andou de caiaque em rio. Sei.

Esqueca tudo isso. O que o inglês Ed Stafford fez está completamente fora desse Mundo. O cara decidiu percorrer toda a extensao do rio Amazonas, desde a nascente até a foz. A pé. E sozinho.

Foram 860 dias, entre 2 de Abril de 2008 até 9 de Agosto de 2010, 6.400 km e apenas uma espécie de bastao com uma ponta afiada pra se defender.

Ele fez um blog, tem uma fundacao e a aventura já virou documentário. Alguns trechos foram feitos de barco a remo, outros com água até o peito com equipamento flutuando num pequeno bote inflável.

Onde esse cara dormia?! O que comia?! Deve ter se alimentado até de macacos. Como nao comeu nada venenoso?! E os índios selvagens, nao encontrou nenhum pelo caminho?! E as enchentes no Amazonas?! Pegava internet no meio da selva pra ele atualizar o blog?! Todos os dias?! Quantos pares de sapato, ou botinha, foram gastos?! Levou GPS?! Tinha sinal?!

Tem sempre uns caras mais doidos que os outros.