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Thursday, September 05, 2013

O Pagador de Promessas (7) - Guarani de Campinas levanda a taca em 1978

Meitingen (Slow precisa conhecer a Alemanha)

Um time do interior paulista quebra paradigmas e sagra-se campeao brasileiro. Como assim?!

Pois é, o agora sumido Carlos Alberto Silva levou seu time com destaque para Zenon e o atacante Careca, entao com 17 anos, ao estrelato. Este viria conquistar a Itália e o mundo ao lado do Maradona nos anos 90 jogando no Napoli.

Ganhou do todo poderoso e bi-campeao Palmeiras por 1x0 no Brinco de Ouro da Princesa. Esse talvez seja o mais belo nome de estádio no Brasil.

E foi o único título de um time fora das capitais até hoje.

O número de participantes explodiu nesse ano. Foram 74 times disputando 792 jogos com 1.171 gols.

O formato do campeonato nao poderia ser mais exdrúxulo: comecou dua 25 de março e se estedeu até 13 de agosto. Setenta e quatro equipes divididas em seis grupos, dois de treze e quatro de doze times. Os seis primeiros de cada chave seguiam no campeonato, os restantes disputavam a repescagem. Na segunda fase foram formado quatro grupos de nove clubes passando à terceira etapa do campeonato, os seis primeiros de cada chave mais o clube que mais pontos somou entre os eliminados. O campeão de cada um dos seis grupos da repescagem mais o time que marcou mais pontos entre os não classificados também estariam na terceira fase que foi composta por quatro chaves de oito equipes. O campeão e o vice de cada grupo passavam às quartas-de-final. Das quartas às finais foram realizadas partidas no sistema mata-mata com jogos de ida e volta.

Eu continuava sem me lembrar de nada. Ainda bem que temos o Você Tubo. Na semi-final contra o Vasco, em pleno Maraca, Zenon fez dois golacos. Mandou duas vezes a pelota no ângulo.

Depois no primeiro jogo da final ele, Zenon, decidiu mais uma vez convertendo o penalty. Na finalíssima ele nao jogo, mas nem precisava.

Curiosidade: Careca corre pra comemorar em cima duma placa onde se lê "Macarrao Galo".



Números:

Jogos: 792
Gols: 1.171 - Média: 1,48 p/jogo
Público: 8.347.432 espectadores - Média: 10.539 p/jogo
Artilheiro: Paulinho (Vasco) 19 gols
A Final: 13/08/78
Guarani 1x0 Palmeiras
Local: Brinco de Ouro da Princesa (Campinas)
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Renda: CR$ 1.706.280,00
Público: 27.086 espectadores
Gol: Careca 36 do 1º


Guarani: Neneca; Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Manguinha e Renato; Capitão, Careca e Bozó
Técnico: Carlos Alberto Silva


Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão (Jair Gonçalves), Alfredo e Pedrinho; Ivo, Toninho Vanusa e Jorge Mendonça, Silvio, escurinho e Nei
Técnico: Jorge Vieira


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1978.php

O Pagador de Promessas (6) - A Maior Injustica de Todos os Tempos em 1977

Meitingen (e depois nadar com a crianca que eu amo)

Pode um time ser vice-campeao invicto?! Com a melhor campanha e o artilheiro disparado da competicao?! Com o Galo tudo é possível.

Os 3x2 nos penaltis do ensopado Mineirao já em marco de 78 - comecou em outubro de 1977 sabe-se lá por que - enterraram algumas cabecas de burro no gramado. E como foi difícil exumá-las.

O artilheiro absoluto Reinaldo, com 28 gols, estava suspenso e nao jogou a final. Era pra ter sido julgado antes, mas nao foi. Malandragem?! Injustica?! Roubalheira?!

Fato é que a final foi disputada em uma única partida na casa da equipe de melhor campanha. O Galo tinha um timaco com Joao Leite, Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro e outros. Mas Reinaldo nosso rei fez muita falta.

O 0x0 no lamacal da Pampulha levou a decisao para os penaltis. Joao Leite pegou a primeira cobranca do Getúlio, mas Cerezzo manda na geral o que seria a vantagem alvi-negra. Valdir Perez nem teve trabalho. Chicao, craque saopaulino, vai pra segunda cobranca. Escorrega e cai no gramado mandando a bola nas maos do Joao de Deus. Permanecia o 0x0. Ziza vai pra cobranca. Partiu com tranquilidade e converteu. Galo 1x0.

Peres, nao o Waldir, converteu o seu. O lateral direito Alves foi lá e fez o dele. Galo 2x1. Antenor se aproximou da marca do cal, encheu o pé e também guardou. Joaozinho Paulista, substituindo o Rei, foi pra quarta cobranca e errou. Displicente, burro. Permanece o 2x2. O Sao Paulo foi pra quinta cobranca com Bezerra. Ele encheu o pé no canto esquerdo de Joao Leite nao dando a mínima chance. Bambis 3x2. E o Galo vai pra última cobranca com Marcio, zagueirao central. Só um jumento de um treinador manda o zagueiro central bater a última e mais importante cobranca da série. Qualquer outro poderia ter batido.

Joao pegou duas cobrancas, mas os atleticanos conseguiram jogar três pra fora. Resultado: Sao Paulo campeao brasileiro pela primeira vez.

Notei que os goleiros nao se adiantavam nas cobrancas.

Meu pai esteve no campo e contou que nunca viu uma multidao tao calada na saída do estádio como naquele dia. Parecia um velório gigante. Gente chorando incrédula. Indignada.

O juiz?! "A regra é clara", já dizia Arnaldo César Coelho.

Os participantes foram 62 com a ilustre participacao do XV de Piracicaba, Caxias, River do Piauí e até um tal amazonense Fast. Demais!

Dois videos, um com somente a disputa de penalties e outro com o jogo completo pra quem tiver paciência e for masoquista. Ambos com a narracao do Luciano do Valle e comentários do China, Juarez Soares, no jogo na íntegra.





Números:

Jogos: 483
Gols: 1194 - Média: 2,47 p/jogo
Público: 7.955.983 espectadores - Média: 16.472 p/jogo
Artilheiro: Reinaldo (Atlético/MG) 28 gols
 
A Final: 05/03/78
Atlético/MG 0x0 São Paulo (2x3 Pênaltis)
Local: Mineirão (Belo Horizonte)
Juiz: Arnaldo César Coelho (RJ)
Renda: CR$ 6.857.080,00
Público: 102.974 espectadores


Atlético-MG: João Leite; Alves, Marcio, Vantuir e Valdemir; Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo (Paulo Isidoro); Serginho, Caio (Joãozinho Paulista) e Ziza
Técnico: Barbatana


São Paulo: Valdir Peres; Getúlio, Jecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro (Peres) e Dario Pereyra; Zé Sergio, Mirandinha e Viana (Neca)
Técnico: Rubens Minelli


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1977.php

O Pagador de Promessas (5) - Inter bate o Corinthias e é bi-campeao em 1976

Meitingen (amanha tem encontro em Stuttgart com Theo e família)

Dadá Maravilha, sempre ele, subiu no terceiro andar do Beira Rio e fuzilou de cabeca para o fundo do filó. Mas antes disso, parado no ar, Dario olhou pra torcida do Timao que ainda lhe amava. Decidiu cabecear pra fora. Fracoes de segundos depois, já comecando a descida, olhou pra torcida do Inter. Era o time que pagava seu salário. Precisava do dinheiro pra comprar o leite das criancas. Resolveou deixar as paixoes de lado e fez o gol.

E o Inter ganhou o segundo título Brasileiro no Beira Rio, um privilégio para seus torcedores, por ter feito a melhor campanha. O time era praticamente o mesmo que ganhou em 75, mas agora com a presenca de um certo Paulo Roberto Falcao.

O número de participantes só aumentava. Nesse ano foram 54 times e o Galo terminou em 3° indo muito bem. Perdeu na semi-final em um jogo só, a primeira de várias.

Presencas honrosas do Treze, Uberaba que ficara em 4° em 74 perdendo a semi para o campeao Vasco, Confiança e até mesmo um tal Flamengo do Piauí. Só o Brasil continental proporcionava essas coisas.

O juiz da final foi o infame José Roberto Wright. Veremos isso mais tarde. Abaixo um compacto de 35' para o delírio dos amantes da bola.



Números:
Jogos: 411
Gols: 915 - Média: 2,22 p/jogo
Público: 6.991.291 espectadores - Média: 17.010 p/jogo
Artilheiro: Dario (Internacional) 16 gols

A Final: 12/12/76
Internacional 2x0 Corinthians
Local: Beira-Rio (Porto Alegre)
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Renda: CR$ 3.200.795,00
Público: 84.000 espectadores
Gols: Dario 29 do 1º e Valdomiro 12 do 2º


Internacional: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho Peres e Vacaria; Caçapava, Falcão e Batista; Valdomiro, Dario e lula.
Técnico: Rubens Minelli


Corinthians: Tobias; Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Vladimir; Givanildo, Ruço e Neca; Vaguinho, Geraldão e Romeu
Técnico: Duque


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1976.php

O Pagador de Promessas (4) - Internacional ganha o primeiro dos três títulos em 1975

Meitingen (tem Die Toten Hosen sábado em Mannheim)

Embalado pela boa campanha do ano anterior, o Cruzeiro chegou esperancoso a final de 75 no Beira Rio. Mas o chileno Figueroa subiu lá no alto, no único ponto do gramado iluminado pelo sol, e guardou a redonda no fundo da rede. As marias ficaram novamente chupando dedo e o Inter sagrou-se Campeao Brasileiro pela primeira vez.

Nomes como o goleiro Manga e Paulo Cesar Carpegianni se consagraram pelo Inter nesse ano. Eu tinha 1 ano e 11 meses e de nada me lembro. No minuto 4:07 do video abaixo Manga faz uma defesa inacreditável numa bomba do Nelinho.

O campeonato teve 42 times com participantes folclóricos como Campinense, CEUB do Distrito Federal e o alagoano CSA. A campanha ridícula do Galo o levou ao 19° lugar. O Nacional do Amazonas ficou em 16°.

Curiosidade: o árbitro da partida foi o salafrário do Dulcidio Wanderlei Boschilia.



Números:

Jogos: 430
Gols: 972 - Média: 2,26 p/jogo
Público: 6.873.358 espectadores - Média: 15.984 p/jogo
Artilheiro: Flávio (Internacional) 16 gols
A Final: 14/12/75
Internacional 1x0 Cruzeiro
Local: Beira-Rio (Porto Alegre)
Juiz: Dulcidio Wanderlei Boschilia (SP)
Renda: CR$ 1.743.805,00
Público: 82.568 espectadores
Gol: Figueroa 11 do 2º


Internacional: Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico fraga; Caçapava, Falcão e Paulo César Carpeggiani; Valdomiro (Jair), Flavio e Lula.
Técnico: Rubens Minelli


Cruzeiro: Raul; Nelinho, Darci Menezes, Marais e Isidoro; Piazza, Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho.
Técnico: Zezé Moreira


Fonte. http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1975.php

O Pagador de Promessas (3) - Vasco campeao no Maracana em 1974

Meitingen (Pepsi nao combina com comida bávara)

Em Agosto de 1974, eu entao com 7 meses de idade, o Vasco tornou-se o primeiro time carioca a comemorar um título do Campeonato Brasileiro no Maracana.

Roberto Dinamite e cia. nao deixaram o Cruzeiro de Nelinho, Piazza e Dirceu Lopes jogar. Dizem que a final foi vendida já que o segundo jogo tava marcado para o Mineirao. Os cartolas cariocas convenceram os incautos mineiros de que a renda seria muito maior no Maracana. Se é verdade, nao se sabe.

Assim como no ano anterior, foram 40 times disputando o caneco. Entre eles Itabaiana, Sampaio Corrêa, Rio Negro e Operário do Mato Grosso que terminou num honroso 17° lugar. O Galo fechou em 7° e ficou longe da taca pelo terceiro ano seguido.

Curiosidade: o goleiro do Cruzeiro se chamava Vitor.



Números:

Jogos: 447
Gols: 951 - Média: 2,13 p/jogo
Público: 5.184.763 espectador - Média: 11.599 p/jogo
Artilheiro: Roberto Dinamite (Vasco) 16 gols
A Final: 01/08/74
Vasco 2x1 Cruzeiro
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: Armando Marques (SP)
Renda: CR$ 1.413.281,00
Público: 112.933 espectadores
Gols: Ademir 14' do 1° T. e Jorginho Carvoeiro 33' do 2° T. (V) e Nelinho 19' do 2° T.


Vasco: Andrada; Fidelis, Miguel, Moisés e Alfinete; Alcir, Zanata e Ademir; Jorginho Carvoeiro, Roberto Dinamite e Luis Carlos
Técnico: Mario Travaglini


Cruzeiro: Vitor; Nelinho, Perfumo, Darci Menezes e Vanderlei; Wilson Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha (Joãozinho) e Eduardo (Baiano)
Técnico: Ilton Chaves


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1974.php

O Pagador de Promessas (1) - Salve a Academia de Ademir da Guia

Meitingen (Monkey Shoulder me espera)

Libertadores
Apesar da final de 1971 ter sido contra o Botafogo, o Sao Paulo terminou em 2° lugar e juntamente com o Galo representaram o Brasil na competicao continental.

O desempenho ridículo do Galo no Grupo 3 com três empates em casa e mais um fora somou apenas quatro pontos que foram insuficientes para classificar a segunda fase. Houve um empate com o Olimpia, sempre ele, em Assunción, mas o árbitro encerrou o jogo antes do fim, pois o Atlético estava com somente 6 atletas em campo. O resultado de 2 a 2 prevaleceu, porém o Olimpia ganhou os pontos. Perdemos também para o Cerro Porteno fora de casa.

O campeao de 72 foi o entao imbatível Independiente da Argentina.

Campeonato Brasileiro
O time do Galo campeao em 1971 só conseguiu chegar ao 11° lugar no ano seguinte. Reinava entao Ademir da Guia, o divino e grande maestro do meio campo palmeirense. Além dele se destacavam Luiz Pereira, Leivinha e Leao.

A semifinal e final foi realizada em um só jogo beneficiando as equipes com melhor campanha durante a fase anterior.

As semis classificaram o Palmeiras após um empate em 1x1 contra o Inter em Sao Paulo e o Botafogo novamente após vitória contra o Corinthians no Rio.

Após o empate sem gols na final disputada na capital paulista, o Palmeiras ficou com o título por ter melhor campanha em todo o campeonato.

Fogao duas vezes seguidas vice e o Palmeiras levando o caneco após dois empates por ter feito a melhor campanha. Veremos adiante quantas vezes o Galo vez a melhor campanha e nao levou o caneco.



Números:
Jogos: 352
Gols: 731 - Média: 2,08 p/jogo
Público: 6.191.982 espectadores - Média: 17.591 p/jogo
Artilheiros: Dario (Atlético-MG) e Pedro Rocha (SP) 17 gols
A Final: 23/12/72
Palmeiras 0x0 Botafogo
Local: Morumbi (SP)
Juiz: Agomar Martins (RS)
Renda: CR$ 649.445,00
Público: 58.287 espectadores


Palmeiras: Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu (Zé Carlos) e Ademir da Guia; Edu (Ronaldo), Madruga, Leivinha e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão


Botafogo: Cão; Valtencir, Brito, Osmar e Marinho Chagas; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Jairzinho, Fischer e Ademir Vicente (Ferreti)
Técnico: Sebastião Leônidas


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1972.php

O Pagador de Promessas - Dadá parando no ar

Meitingen (sem beber na Bavária é tortura)

Em 1971 o Campeonato Brasileiro foi oficialmente assim chamado pela primeira vez. Ganhou o Galo, Atlético Mineiro de Telê, Dadá Maravilha, Lola, Guará e tantos outros craques.

A fórmula de disputa era um tanto quanto inusitada: duas chaves de dez times. Os seis primeiros colocados de cada chave passavam para a segunda fase onde eram formadas três chaves de quatro clubes cada. Os campeões de cada grupo classificavam-se para um triangular final, em turno único, para decidirem o título.

Os três melhores, Botafogo, Sao Paulo e Atlético, jogaram entre si. O São Paulo tinha Gérson, Toninho Guerreiro e cia. e o Botafogo vinha fervendo com Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, e grande esperança do Fogao. No primeiro jogo, derrota dos cariocas para o Tricolor paulista por 4 a 1. O Galo precisava apenas do empate contra o Botafogo depois da sofrida vitória por 1 a 0 contra o São Paulo.

O Gol do Título
Em uma grande jogada individual do meia Humberto Ramos, sai o gol do titulo. Ele dribla e passa por Mura, Carlos Roberto e Marco Aurélio, chega dentro da área e cruza para Dario cabecear no canto esquerdo de Wendell. Na comemoração, Humberto Ramos, ajoelhou-se agradecido pela jogada e Dario fez a festa. Fonte: http://www.campeoesdofutebol.com.br/materia_especial3.html

Depois desse título foram 42 anos sem ganhar nenhum título de expressao. Apenas os mineiros, agora chamados de Rural, e duas Copas Conmebol, torneio que nem existe mais. Talvez seja equivalente a Sulamericana de hoje em dia.

Foram 42 anos de fila até ganhar a Libertadores. Daí veio a promessa.



Números:
Jogos: 229
Gols: 419 - Média: 1,83 p/jogo
Público: 4.662.247 espectadores - Média: 20.360 p/jogo
Artilheiro: Dario (Atlético-MG) 15 gols
A Final: 19/12/71
Botafogo 0x1 Atlético-MG
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: Armando Marques (SP)
Renda: CR$ 294.420,00
Público: 46.458 espectadores
Gol: Dario 18' do 2º T.
Expulsões: Mura e Carlos Roberto


Botafogo: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto, Marco Aurélio (Didinho) e Careca; Zequinha, Jairzinho, e Nei Oliveira.
Técnico: Papagaio


Atlético-MG: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Odair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião.
Técnico: Telê Santana


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1971.php

Tuesday, August 20, 2013

O Álcool, ou a falta dele, e a Sociedade

Saarbrücken (quanndo aqui vier vá na Gasthaus Zahn)

Por causa do post abaixo fiz uma promessa. Durante o intervalo da final, ainda 0x0 e o Galo nao jogando grandes coisas, sentenciei mentalmente: se ganharmos o título vou ficar 40 dias sem beber. Uma quaresma fora de época.

Ganhamos, como todo o Universo já está careca de saber, e estou cumprindo o prometido. Depois aumentei pra 42 dias, um pra cada ano sem o Atlético Mineiro ganhar um título importante. O primeiro, e único, foi o Brasileiro em 1971.

As últimas gotas de álcool vieram das latinhas, ou melhor, latoes frios de Brahma em frente a sede do Galo em Lourdes. Os 4,5% já nao faziam efeito algum. A adrenalina nao deixava.

O dia seguinte, uma quinta e ainda incrédulo, ocorreu sem bebidas. Nem no encontro fugaz com a cunhada, o cunhado, namorada e cia. no restaurante do ano, o 2013, resistiu. Poderia muito bem iniciar a promessa na sexta. Aliás, essa era a combinacao mental original. Enquanto eles bebiam coquetéis mirabolantes eu só olhava me sentindo um excluído.

Na sexta de manha a confusao do vôo cancelado e a remarcacao da volta via Guarulhos para o sábado a tarde me deram um dia a mais de Brasil. Agradeci os vouchers de taxi oferecidos pela Azul e me mandei de volta pra casa. Lucas me conta a boa notícia: ganhei de brinde uma festa de aniversário do tio querido, o Renato. Lá chegando me oferece um whisky. Ou mesmo uma cervejinha pra refrescar. Quem sabe um vinho português, aquele que eu adoro?! Nao tio, obrigado. Explico a promessa, ele sorri e diz: mas logo hoje?! Nao era pra eu estar aqui, e conto sobre a péssima manutencao das aeronaves celestes. Também, uma cia. aérea com esse nome nao poderia me transportar com o manto alvinegro.

No quinto ou sexto dia seguido vestindo uma camisa do Galo, incluindo a de 85 surrupiada do irmao com a desculpa de que "depois devolvo", parti pra Guarulhos de Azul. Normalmente em aeroportos procuro um pub ou restaurante e por lá fico. Bebendo e lendo um livro que trouxera ou acabara de comprar. Me sentei no bom restaurante cujo nome nao me lembro e o garcom pergunta se quero comemorar o título com uma caipirinha ou uma cerveja. Digo que ficarei no suco e seus olhos quase caem na mesa. Abstêmios se tornam sem educacao por natureza.

No aviao peco sempre uns dois ou três copos de vinho tinto acompanhando o jantar. Durmo antes da metade do primeiro filme. Dessa vez nao. Suco de laranja. Revira daqui e dali, mas dormir que é bom, nada. Na Suíca o passeio pelo freeshop foi uma tortura. Comprei os shampos que Ela encomendou, o creme para a pálpebra e chocolates na promocao. Depois fiquei ali olhando aqueles nomes tao familiares: Ardberg, Glenmorangie, Lagavulin, Laphroaig, Cardhu. Sem poder sorvê-los pareciam nomes de tribos celtas já extintas.

Já em casa na Alemanha, Ela me recebe aos beijos e abracos. O calor pede uma cerveja ou um bom branco alemao no jantar. Nada disso. Água ou suco. Sinto um olhar de aprovacao na promessa. Me sinto manco. Falta alguma coisa. Mesmo de banho tomado e vestindo roupas confortáveis sinto falta de algo. Visceralmente.

Após alguns dias comeco a me sentir melhor fisicamente. Mas psicologicamente nao me lembro de nada relevante que tenha acontecido. Nenhuma piada, discussao, encontro, zero. Adiciono exercicios aeróbicos a quaresma futebolística. Bicicleta, natacao e corridas. Comidas leves a noite. Frutas e iogurtes no meio das manhas e tardes. Emagreco facilmente. Ela gosta, embora comece a me estranhar. Me pergunta "quem é você?!"

Vem a primeira prova de fogo: um almoco na casa do amigo mais cachaceiro de todos. Ao saber ele provoca, me chama de boiola, diz que estou perdendo tempo e que o vinho tá ótimo. Masoquistamente, pego o copo dela e sinto o aroma. Realmente excelente. O gosto tá melhor ainda, retruca o sacripanta. Depois do almoco, whisky japonês. Aquele que os bons bebedores sabem qual é. Suntori, Hibiki ou Yamazaki. "Comprei naquela lojinha bacana que te falei", alfineta. Vejo-o em delírio profundo sentando no sofá rodando o copo nas maos. E eu com cara de paspalho tentando achar graca de mim mesmo. Me senti manco, agora mudo.

Ela pergunta se tá tudo bem. Diz que fiquei triste. E nos últimos dias tímido. Logo eu. Vamos em frente! Promessa é pra ser cumprida.

No final de semana seguinte, novas provacoes. Primeiro um almoco com o citado cachaceiro, Herr Bock, e o Luis na Altstadt. Justo num restaurante com Pilsner Urquell na bomba!!! Pedi suco de laranja (sic). Na saída, um passeio pela agradável tarde de sábado na cidade velha. Paramos onde?! Na Uerige Brauerei, a cervejaria de Altbier mais tradicional da cidade. Herr Bock é sádico por natureza. Fiquei olhando o vazio, falando pouco, gargalhadas só dos outros. Estou me adaptando, penso.

No dia seguinte, almoco com a turma. Outros dois cachaceiros adicionados ao grupo apenas pra me espezinhar. Mas me surpreendi com a reacao deles. Nada falaram, aceitaram respeitosamente minha situacao e pouco provocaram o pagador de promessas. Mais uma vez, suco de laranja enquanto copos de pils e altbier fluiam pela mesa com leveza.

Mas o pior ainda estava por vir. Encontro em Paris com o Emi Pê que passeava pela Europa. Chegamos na sexta a noite e cansados saímos pra beber alguma coisa. Na brasserie da esquina eu normalmente pediria uma cerveja. Ela nao quis beber e pediu um chá de menta. Resolvi acompanhar. Me senti um mulcumano numa mesquita parisiense. Nem sei se mulcumanos parisienses bebem chá de menta a noite, mas foi assim que me senti. Podem ser marroquinos também, tanto faz nesse caso. Eles adocam com mel?!

No sábado picnic em Versailles com direito a quitutes da Epicerie de Paris e vinhos tintos. Após insistentes pedidos, continuei no suco de laranja apesar da ocasiao pedir o contrário. A noite no restaurante que depois virou boate foi pior. Emi Pê e Chanel mandando ver nos tintos e as meninas na champa. Eu na água mineral. Com gás! Depois vieram os drinks e coquetéis. A turma ia se animando, comecando a dancar, fazer gracinhas, rir fácil. E eu lutando contra o sono. Balada sem bebida é uma merda. Foi aí que o Emi Pê contou do escocês que namorou a cunhada dele. Certa vez ele trouxe de presente uma garrafa do Monkey Shoulder, whisky venerado por vários branquelos de saiote. Nunca ouvi falar, respondi. E nao é que na prateleira do bar da boate tinha uma garrafa?! Ampola essa que nunca havia atravessado meu olhar. Ela olhou pra mim me seduzindo. Um copo vazio com apenas uma pedra de gelo repousava no balcao. Resisti bravamente a tentacao. Queria um café, mas nao tinha. Lutei contra o sono balancando o esqueleto enquanto o Emi Pê provocava um china dancando melhor do que ele. Cenas hilárias.

Hoje é o 27° dia sem beber e a promessa termina na quinta, 5 de Setembro. Serao 42 dias de desintoxicacao tentando ver a Vida por outra ótica. Percebendo o quanto somos dependentes do álcool. A única vantagem talvez seja poder dirigir sem preocupacao com blitz. Mesmo assim raspei o retrovisor do carro na parede saindo do estacionamento da boate em Paris e quase catei um meio-fio. Tava bêbado de água.

A bebida te inclui. Faz o individuo ser aceito no grupo. Ou discriminado e rechacado. Alivia as tensoes e diminui os problemas. Ou estes pelo menos sao esquecidos por uma tarde ou noite. A conversa flui leve e solta. As risadas saem naturalmente. O corpo responde automaticamente aos estímulos musicais. Fala-se alto. Bobagens e coisas importantes. Dizem que ficamos mais verdadeiros quando bêbados. Acho que eliminamos as máscaras e pudores. Amores nascem e morrem. Filhos sao feitos. Negócios comemorados. Títulos celebrados. Amizades fortalecidas. Momentos eternizados.

Ser sóbrio e sisudo demais nao faz bem a saúde. Voltarei em grande estilo bebendo menos, mas com mais qualidade ainda.

Thursday, June 17, 2010

Copa 2010 (11) - Registros incontestáveis

Düsseldorf (a Massa comanda o Mundo mesmo)

Falem o que quiser. Nao ganhamos nada desde 1971, nosso único título, nunca participamos de finais da Copa do Brasil ou Libertadores, mas nossa torcida é disparada a mais argentina do Planeta.

As fortes cenas abaixo foram registradas por cinegrafistas amadores. Mostram os melhores momentos de Brasil 2x1 Norte Korea e as comemoracoes nas ruas sulafricanas.

Quem quiser saber mais sobre o Galo pelo Mundo é só clicar aqui.



Tuesday, March 30, 2010

Armando e a Massa

Düsseldorf ("Se Pelé nao tivesse nascido gente, teria nascido bola")

O Brasil e o Mundo perderam hoje um de seus maiores e melhores jornalistas. Um ser humano delicado, inteligente, sútil e sedutor. Em homenagem a ele deixo aqui um texto sobre uma torcida incomparável, inigualável, inimitável e inalcancável.

Vai com Deus, Armando!

A MASSA
Armando Nogueira

Torcidas, haverá as mais numerosas (Flamengo) ou mais conhecidas por sua grandeza (Corinthians), mas nenhum séqüito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heróico, em poesia acumulada ao longo dos anos.

"A Massa", como é simplesmente conhecida em Minas Gerais, compartilha com a torcida corinthiana ("A Fiel") a honra de deixar-se conhecer com um substantivo ou adjetivo comum transformado em nome próprio, inconfundível.

A Fiel, A Massa: poucas outras torcidas terão realizado tal operação de mutação de um nome comum em nome próprio.

Muito distintas são, no entanto, as torcidas dos alvi-negros paulistano e belo-horizontino: quem já vestiu a camisa do time do Parque de São Jorge sabe que a Fiel é fiel em sua paixão, não em seu apoio. Na derrota, a Fiel é implacável; não desaparece, como a torcida do Cruzeiro. Está sempre lá.

Mas é capaz de crucificar com um pequeno manifestar-se de sua raiva. Na vitória, cobra cada vez mais, e reinstala aí sua insatisfação, cuja raiz quiçá esteja no mal-resolvido trauma dos 23 anos sem título, e do grande pesadelo de duas décadas chamado Pelé. A Fiel é fiel, e sempre o foi, mas sua fidelidade se nutre de um descompasso entre a alma do torcedor e a alma do time.

No caso do atleticano, a alma do time não é senão a alma da torcida.

Toda a mística da camisa, das vitórias sobre times tecnicamente superiores (e também das derrotas trágicas e traumáticas), emana da épica, das legendárias histórias que nutre sua apaixonada torcida: nem o Urubu, nem o Porco, nem o Peixe, nem a Raposa, nem o Leão, nem nenhum animal mascote se confunde com o nome do time, com sua identidade, com sua alma mesma, como o Galo com o Atlético Mineiro. E Galo é o nome da torcida (GA-LO), bissílabo cantável e entoável como grito de guerra que ela eternizou ao encarnar em si o espírito do animal. Nenhum outro time é conhecido por tantas vitórias improváveis só conquistadas porque a massa empurrou.

"Quem possui uma torcida como esta, é praticamente impossível de ser derrotado em casa" (Telê Santana).

Pelos idos de 69 ou 70, o timaço do Cruzeiro já tetra ou pentacampeão entrava em campo mais uma vez e parecia que de novo ia humilhar o Atlético, que já amargava o quinto aniversário do Mineirão sem nenhum título estadual. A superioridade técnica de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Raul, Piazza e cia. era simplesmente incontestável. Mesmo naquele clássico durante vacas tão magras, a massa atleticana era, como sempre foi, maioria no Mineirão. Impotente, ela viu Dirceu Lopes abrir o placar e o time do Cruzeiro massacrar o Galo durante 45 minutos. No intervalo, a Massa que cantava o hino do Atlético foi inflamada por um recado de Dadá Maravilha pelo rádio: "Carro não anda sem combustível".

A fanática multidão encheu-se de brios, fez barulho como nunca, entoou o grito de guerra como nunca, encurralou sonoramente a torcida cruzeirense, e o time do Atlético infinitamente inferior, liderado pelo artilheiro Dario e pelo seu grande goleiro (como é da tradição atleticana) Mazurkiewcz - virou o placar para 2 x 1 sobre o escrete azul, e abriu caminho para a reconquista da hegemonia em Minas, selada com o título estadual de 70 e o Brasileiro de 71. Nenhum dos jogadores atleticanos presentes nessa vitória jamais se esqueceu da energia que emanava das arquibancadas, e que literalmente ganhou o jogo.

Também as derrotas tradicionalmente contribuíram para a mística e paixão atleticana: como em 1998, quando o visitante Corinthians trouxe ao Mineirão sua máquina que se preparava para ser bicampeã brasileira e campeã mundial. O Galo se recuperava no Campeonato Brasileiro, vinha de uma vitória sobre o Grêmio no Olímpico, e a Massa mais uma vez lotou o estádio. Com seu toque de bola, o Corinthians envolveu o time atleticano, e no meio do segundo tempo já aplicava impiedosos 5 x 0, enquanto tocava a bola, colocava os atleticanos na roda e esperava o fim do jogo. Vendo seu time humilhado por um adversário superior dentro de seu próprio terreiro, massa se levantou, e cantou durante mais de 10 minutos o belo hino, mais alto e com mais amor que nunca. Nenhum jogador presente se esqueceu, e um ano depois o Galo devolveria ao Corinthians os 5 x 1 do Mineirão, com sonoros 4 x 0 no Maracanã.

Como no silêncio sepulcral que envolveu o Mineirão em março de 1977, quando a grande equipe atleticana de Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro, João Leite e Marcelo perdeu nos pênaltis o título que todos já consideravam seu, incluindo-se, às vezes parece, os próprios adversários são-paulinos. O time do Atlético, mesmo jogando sem Reinaldo, injustamente suspenso, foi empurrado pela torcida, mostrou-se muito superior ao do São Paulo, como havia feito durante todo o campeonato em que acumulou 17 vitórias, 4 empates e nenhuma derrota, encurralou o adversário durante 120 minutos, mas o gol não saiu. O título é perdido nos pênaltis, mesmo depois de duas grandes defesas de João Leite em cobranças são-paulinas. Ângelo, um dos craques do jovem time atleticano, deixou a partida pisoteado por Chicão, e nunca mais seria o mesmo.

O Galo, base da seleção brasileira de Osvaldo Brandão, sai de campo vice-campeão invicto, com os 11 jogadores abraçados, 10 pontos à frente do campeão, e a Massa recebe aí sua grande tarefa dos próximos anos: realizar o luto pelo enorme trauma. Começou a tarefa no domingo seguinte às 10 da manhã, levando legiões de bandeiras para uma amarga partida contra o Bahia no Mineirão.

Nenhuma outra derrota de um favorito no Brasileirão se revestiria de tanta mística apaixonada. A partir daí essa Massa acumularia 10 títulos mineiros em 12 anos, e uma seqüência de campanhas sensacionais no Brasileirão (o Atlético Mineiro é o time que mais pontos conquistou nos Campeonatos Brasileiros), interrompidas na final ou semifinal, em jogos fatídicos (Flamengo-80, Santos-83, Coritiba-85, Guarani-86, Flamengo-87, Corinthians-88).

A magia atleticana se encarnaria no seu torcedor mais famoso, Sempre, cujo nome real não se conhece, tal é força do apelido. Durante décadas, Sempre ocupou as arquibancadas do Independência e do Mineirão, com sua bandeira e seus ditos legendários. Nunca deixou de comparecer e nunca vaiou o time, embora chorasse nas derrotas. Foi dos primeiros a entoar o hino composto por Vicente Motta em 1969, e depois aprendido por milhões em todo o Brasil. Abria e fechava o clube diariamente, e participou de epopéias memoráveis da massa atleticana, como quando a multidão carregou no colo o artilheiro Ubaldo, pentacampeão mineiro de 1956, de sunga, ao longo dos 5,5 quilômetros que separam o estádio Independência da Praça Sete, ou como quando 20.000 atleticanos invadiram o Maracanã e empurraram o time à conquista do Primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, sobre o Botafogo de Jairzinho.

O Furacão de 70 sentiu seu peso de novo cinco anos mais tarde, na decisão do Mineiro de 76, quando a Massa, mesmo tendo comemorado só 1 dos últimos 11 campeonatos mineiros, tomou conta do Mineirão para empurrar uma turma de meninos de 18-21 anos (de nomes Reinaldo, Cerezo, Paulo Isidoro, Danival, Marcelo) a vitórias contundentes sobre o campeão da Libertadores.

Estava aberto o caminho para o hexacampeonato de 78-83.

"Se houver uma camisa alvi-negra pendurada no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento". O achado do cronista Roberto Drummond resume a mitologia do Galo: contra fenômenos naturais, contra todas as possibilidades, contra forças maiores, a torcida atleticana passa por radical metamorfose e se supera. Superou-se tantas vezes que já não duvida de nada, e cada superação reforça ainda mais a mística, como uma bola de neve da paixão futebolística.

Nenhum atleticano hesitaria em apostar na capacidade da Massa de transformar o impossível em possível a qualquer momento, de fazer parar aquela tempestade que açoita o pavilhão alvi-negro deixado solitário no varal.

Não surpreende, então, o sucesso que tiveram os jogadores uruguaios que atuaram no Atlético Mineiro, do grande Mazurkiewcz ao maior lateral-esquerdo da história do clube, Cincunegui. Se há uma mística de garra e amor à camisa que se compara à atleticana, é a da celeste, não mineira, mas uruguaia. Só à seleção uruguaia a pura paixão por um nome e um símbolo levou a tantas vitórias inacreditáveis, improváveis, espíritas, ou puramente heróicas. Em 1966, as duas camisas legendárias se encontraram, e o Galo derrotou o Uruguai duas vezes (26/04/66 - Atlético 3 x 2 Uruguai, 18/05/66 - Atlético 1 x 0 Uruguai).

Ao contrário das torcidas conhecidas por sua origem étnica (Palmeiras, Vasco), por sua origem social (Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo), ou por seu crescimento a partir de uma grande fase do time (Santos, Cruzeiro), qualquer menção da torcida do Atlético Mineiro evoca, invariavelmente, substância mesma que constitui o torcer. O amor ao time na vitória e na derrota, o apoio incondicional, a garra, a crença de que sempre é possível virar um resultado, o hino entoado unissonamente: a legião fanática que ama o Galo acima de tudo sabe que ser atleticano é unir-se num estado de espírito, compartilhar uma memória, e fazer da esperança uma permanente iminência.

A massa atleticana é a prova maior de que, mesmo em época de profissionalização total do futebol, e do negócio futebol, para o povo brasileiro este é acima de tudo paixão por uma cor, um nome, um símbolo, a memória de um instante que pode ser um gol, um campeonato, um abraço ou um beijo. Galo é o nome que mais radical e verdadeiramente expressa, para tantos milhões de brasileiros, o inexplicável dessa paixão.

O Galo é o único clube a ter vencido a Seleção Brasileira. E não foi qualquer uma. Ela entrou em campo com Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivelino); Jairzinho, Tostão Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César). O Galo venceu com Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri (Beto); Vaguinho, Laci, Dario e Tião (Caldeira).

 O Atlético-MG vestiu a camisa Amarela do Brasil em um amistoso
contra a Seleção da Iugoslávia no dia 19 de dezembro de 1968 e venceu por 3x2.