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Tuesday, January 21, 2020

Resenha: O Coracao das Trevas

Vienna (resenhando no zap zap)

Um livro perturbador que serviu como base para um dos maiores clássicos filmes de guerra jamais feitos. E também deu nome ao documentário sobre o filme do Coppola mostrando todas as dificuldades enfrentadas pelo diretor e equipe durante as filmagens nas Filipinas.

A resenha foi publicada dia 19/03/2018 no Instagram @pedro_livros: https://www.instagram.com/p/BghW6xtDB4R/


"Se você é fã do filme Apocalypse Now do Coppola saiba que ele foi baseado na história do Joseph Conrad chamada Heart of Darkness, nome original em inglês. Até o nome do personagem do Marlon Brando é o mesmo, um certo Kurtz. Troquem o Vietnam no finao dos anos 1960 e início dos 70 pelo Congo Belga no final do século 19 e temos um blockbuster. Joseph Conrad (1857-1924) foi oficial da Marinha Mercante e se embrenhou pelo Congo Belga em 1899, ano de nascimento do meu avô Pedro.

O colonialismo belga foi brutal mesmo quando comparado a outras colônias. Muitos protestaram, mas Conrad resolveu contar uma história sem focar nas atrocidades. O capitão Maslow penetra no interior da África navegando rios tortuosos, desviando de tocos flutuantes traiçoeiros a bordo de um decrépito vapor e gerenciando uma tripulação heterogênea com a presenca até de alguns canibais em busca de um certo Kurtz. Sujeito notável e brilhante, elogiado por todos, carismático e bom pra falar em público, era encarregado da exploração de marfim nos confins da Mãe Terra, mas parou de dar notícias. Sumiu, escafedeu.

Cultos satânicos, tribos bárbaras, os dilemas morais e mentais de Maslow durante a viagem, a luta pela sobrevivência e o cumprimento da missão de resgatar Kurtz fazem desse livro um clássico que sempre quis ler.

Existe um documentário também chamado Heart of Darkness mostrando o making off do filme
Apocalypse Now e todas as agruras vividas por Coppola, que literalmente quase se suicidou durante as filmagens, e sua equipe. Orçamento estourado, 11 meses de gravação, chuvas tropicais nas Filipinas onde foi filmado, pressão do estúdio entre tantas outras dificuldades pra filmar essa obra prima."

O que esteve livro fez por mim: reverenciar os clássicos cada vez mais e ter sempre um na fila pra ser degustado. Na grande maioria valem a pena por cada página. E me fez admirar mais ainda Coppola e seu grande clássico.

Wednesday, December 18, 2019

Keep reading

Viena (janemamae chegou!!!)

Na sessao "Keep reading..." aí do lado direito do blog vc verá os livros abaixo. Pura mentira. Essa lista já mudou completamente. Nao terminei de ler nenhum deles pelos motivos citados agora.



A World Undone / The Story of the Great War 1914 to 1918 - G. J. Meyer
O livro é enorme! E muito cansativo. Muitas informacoes detalhadas de um assunto interessante, mas que neste momento da minha Vida pode esperar. Tantos outros livros me esperam e resolvi largar este após míseras 20 e poucas páginas. 

Brain Rules for Babies - John Medina
Esse assunto é muito interessante e nao sei por que nao terminei de ler. Comecei outro, em português, chamado "O Cérebro da Crianca" escrito por dois psicólogos norte-americanos. Parei na metade pois comecei a ler outros livros. Sou assim mesmo. Ás vezes corro os olhos na minha estante e se algum título me atraí, pego o bendito e comeco a leitura abandonando todo o resto. Tento me policiar para nao comecar a ler 10 livros de uma só vez e terminar apenas 1 ou 2. No momento estou finalizando SEIS livros...

(old) Im Gefängnis / Na Prisao - Egon Schiele
Essa palavra (old) me condena. Já diz que a leitura tá parada faz tempo. Esse é o caso. Um livro halb em português e halb em alemao sobre os 26 dias que o famoso artista austríaco passou na prisao. Essa edicao vem ilustrada com os desenhos que Egon fez no cárcere. Vale a pena terminar. Ou recomecar do início. 

(old) Cartas a Théo - Vincent van Gogh
Acho van Gogh um dos três artistas mais geniais de todos os tempos junto com Picasso e, talvez, Caravaggio. Nao incluo Da Vinci e Michelangelo nessas comparacoes pois sao de outro planeta. Pois bem, essas cartas sao interessantes no início, mas depois ficam cansativas e repetitivas. Desconfio que jamais terminarei este livro.

(old) O Verdadeiro Poder - Vicente Falconi
Esse eu terminei de ler, acho. É o guru das empresas brasileiras, fundador do INDG e criador de um sistema de metas, planos de acao e metodologias bastante usado por muita gente até hoje. Sinceramente, tem coisa muito melhor escrito por gringos e afins.

(old) Lolita - Vladimir Nabokov
O filme, neste caso, é muito melhor. Qualquer versao, a antiga ou a recente com o Jeremy Irons, genial no papel. O livro é chato, cansativo. Talvez ganhe uma nova chance comigo em 2030, hehe.

Resenha: Fahrenheit 451

Viena (ontem foram 1.200km de volante)

Parece que o Truta aprumou de vez e segue num ritmo de postagens razoável. Eu diria até excepcional se considerarmos o que foi feito aqui em 2019.

Em 1966 "Fahrenheit 451" virou filme nas maos de ninguém menos que François Truffaut. Acho que baixei esse filme uma vez no Cine Torrent, mas nao vi. Preciso resolver isso.

Essa Colecao Folha "Grandes Nomes da Literatura" só tem coisa boa. Esse foi o primeiro que li.

Resenha publicada no Instagram @pedro_livros em 09/01/2018: https://www.instagram.com/p/BdtjPRDlFgE/




"Ray Bradbury (1920-2012) publicou essa distopia, o contrário de utopia, em 1953 refletindo as impressões da época prevendo um futuro sombrio e criticando a influência negativa da TV sobre o interesse por ler livros. Guy Montag é um "bombeiro" cuja função é queimar casas e pessoas que insistem em manter pequenas bibliotecas e alimentar um ato subversivo: ler. As salamandras e os sabujos são apenas ferramentas para atingir a temperatura de queima do papel: 451 F.

Metáforas perfeitas e descrições hiberbolicas das cenas sao frequentes. O volume de informação usado pra banalizar a sociedade tem um único objetivo: exterminar as conversas entre os indivíduos.

Mais um clássico imperdível e cada vez mais atual refletindo nosso tempo individualista onde quase todos inclinam o pescoço solitário reverenciando um smartphone."

O que esse livro fez por mim?! Já conhecia o Bradbury por causa do filme, mas nao tinha lido nada dele. É uma história curta e poderosa que me fez perceber a diferenca de grandes escritores para os medianos. Nao há enchecao de linguica. As cenas sao descritas com precisao e dao fluência aos movimentos que criamos na mente. Uma verdadeira Arte.

Tuesday, February 01, 2011

Meu nome nao é Johnny

Düsseldorf (um dia morarei em London)

Li primeiro o livro do Guilherme Fiuza para alguns dias depois ver o filme baseado nas páginas muito bem escritas do jornalista carioca.

Desnecessário dizer que o papel é muito melhor que a película. É quase sempre assim, em 98,7% dos casos. Muitos detalhes se perdem, o ritmo tem que ser mais rápido e dinâmico com as imagens, a duracao é limitada em 140 minutos na maioria dos filmes comercias, a sua própria estória criada com a imaginacao e no ritmo de cada um é substituída pela imagem imposta pela tela.

Mas nao é tao dramático assim. Ambos tem suas qualidades. O livro mostra a verdade nua e crua do tráfico na Zona Sul carioca no fim dos anos 80 e início dos 90. Na Vida boêmia do filhinho de papai que tudo pode e tem, a nao ser limites, comecando a ficar viciado em cocaína e na adrenalina de fazer os outros dependerem dele pra curtir o próprio vício. Uma coisa se confunde com a outra. Joao Guilherme Estrella nao sabe mais se é viciado, traficante, playboy ou bandido amador.

Como em "Faroeste Caboclo", Estrella comeca como capitão do time de doidoes do Baixo Gávea e Leblon, vira traficante oficial da turma, espande seus domínios no meio dos playboys e acaba virando um general do tráfico, a ponta final na rede de distribuicao que comeca na fronteira da Bolívia e acaba na corrente sanguínea da cidade, como o próprio autor diz.

Filme e livro contam a mesma história com detalhes diferentes. A Operacao Amsterdam no livro ocorre em Barcelona no filme. A morte do pai nas páginas nao é contada em detalhes, apenas um abraco marcante, ou uma tentativa, do pai tentando segurar o filho sem limites que ganhava o Mundo e nao recebe a esperada atencao. O filme é mais dramático e mostra que os dois vibravam em frequências completamente diferentes havia tempos.

A fase na prisao da Polícia Federal e no manicômio sao ricas em detalhes e sensacoes na mídia do escriba, além do relacionamento com a juíza, o passar vagaroso do Tempo, a agonia do preso, a esperanca de sair de uma situacao aparentemente perdida, os amigos sinceros do cárcere, a música, o futebol.

O filme cobre parte disso de forma rápida. Selton Mello representa a si mesmo, cheirador convicto que é. Aliás, qual artista na Grobo nao é?! A beleza feia de Cléo Pires também transforma a Sofia do livro num mulherao. A trilha sonora é das melhores com Barao, Cazuca, Lulu Santos, Leo Jaime e Pink Floyd na cabeca de Joao.

Se você ler o livro vai ver o filme com outros olhos, entendê-lo melhor e aproveitar muito mais. Se for escolher apenas um, fique com a riqueza de detalhes, perfis de personagens e relacionamentos intensos descritos nas folhas de papel.

Quanto menos TV você assistir, mais inteligente vai ficar.