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Tuesday, November 09, 2010

Doideras

Beaga (pra que dimorf?!)

As vezes me passa pela cabeca algumas ideias malucas. Anoto quase tudo no Black Berry, chamado tambem de Crack Berry por razoes obvias. Nao interessa muito se estou no trem, lendo um livro, indo dormir, na fila do almoco, indo para o banheiro, na frente do PC ou ate mesmo numa reuniao enfadonha. Saco a arma e anoto no bloco de notas. O resultado sao listas de assuntos os mais loucos possiveis como:

Melita werbung (propaganda em alemao)
Handwerk
Cinemas antigos (fotos + historia)
Soul cast UK
Medelski, martin & ...
Jamie cullum
Ailton viana, pai rodrigo jogo vasco 70
http://www.parisjazzclub.net/
Vic Muniz - expo em BH

E por ai vai. Sao musicas que escuto no radio, shows de artistas que tenho vontade de ir, propagandas interessantes na TV alema, sites que li ou vi em algum lugar, etc. Todos ficam ali no bloco de notas a espera de um dia terem o privilegio de se transformarem em postagem.

Pois bem, olha essa perola escrita logo no comecinho dessa mania que agora nao para mais:

"Quando Ela e eu ganharmos CINCO milhoes viveriamos DOIS meses em cada cidade do Mundo fazendo trabalhos voluntarios, ajudando as pessoas, escrevendo sobre o cotidiano e a Vida como ela eh. Fotos e videos variados tambem. Lutaria boxe e tocaria sax por ai. Pintaria quadros e escreveria poesias. Extrairia o maximo que esse planeta tem a nos oferecer."

Esse pequeno texto eh um resumo de tudo que eu gostaria de ser, mas que nao faco esforco algum pra me tornar. Pensei outro dia que um escritor so se torna bom de verdade, daqueles capazes de prender o leitor da primeira a ultima pagina, se ele viveu a maioria daqueles causos, ou algum amigo proximo contou. Entao me imaginei sendo um engraxate no centro do Rio de Janeiro, os clientes indo e vindo, a maioria recusando um servico cada vez mais raro e incomum. Onde compraria minha graxa?! E as escovas de sapateiro?! Preto eh mais caro que marrom?! Alguem ainda usa sapado bege?! Precisaria ter graxa incolor caso o Homem do Sapato Branco resolvesse dar umas bandas pelo Largo da Carioca?!

E assim seria, um mes ou mais exercendo cada profissao. Se gostasse continuaria, se nao, simplesmente largaria tudo e comecava outra. Cozinheiro de navio, por exemplo. Ou mendigo. Uma experiencia antropologica, socio-cultural. Observar as pessoas te vendo como uma barata, um insignificante, um paria da sociedade que deveria ser expurgado de alguma forma. Um ponto imundo sujando a cidade e incomodando todos. Mas como ele virou mendigo?! Veio do Nordeste em busca do emprego prometido, o dinheiro acabou e nem a passagem de volta deu pra comprar. O que fazer?! Homem integro, trabalhador e do bem. Virou um sem casa, sem terra, sem familia, sem amigos, sem rumo. Depois um amigo o descobre, rapaz abonado e de bom coracao. O leva pra um hotel, compra refeicoes, aluga um quarto com agua quente e empresta roupas. Dois dias depois ele sai e comeca a encarar as mesmas pessoas no lugar onde costumava ficar. Nao o reconhecem, evidentemente. Ele nao se importa e continua fuzilando os passantes com a retina. Uma jovem o reconhece, mas vira o rosto no instante seguinte. Ele pensa em segui-la, mas desiste. So quer desfrutar daquela sensacao, do respeito, do "status" de ser alguem, da aparencia limpa, nao importando o que se passa em sua cabeca. Seu carater, personalidade, passado, presente e futuro. Ja roubou?! Eh estelionatario?! Participou daquele esquema de desvio de recursos na prefeitura da cidadezinha no interior?! Tem quatro filhos e uma amante. Uma mulher submissa, amigos comprados, um carro bacana, carteira recheada e conhecedor de bons vinhos. Trata os garcons como insetos e os subordinados como escravos sem do nem piedade.

E quem merece o desprezo da sociedade?! O bacana ou o mendigo?!

Dia de Feira

Beaga (seria o irmao do Grigio Amarelo?!)

Continuando a saga dos videos no Voce Tubo o Truta orgulhosamente apresenta... nao, sou fan do Rappa e tambem acho o Falcao feio de dar do, mas um pegador de primeira, so que o assunto eh feira mesmo. E das boas, no Rio de Janeiro.

Como a propria descricao do curta diz "Eh um documentário de Hugo Moss sobre hilária manifestação carioca cultural-gastronômico-confraternal, com o saudoso sambista Moacyr Luz e participações especiais de Chico Caruso, Lan, Antônio Pedro, Regina Braga e outros."

O pequeno filme comeca despretencioso, como quem nao quer nada, mas aos poucos vai te envolvendo pela espontaneidade, autenticidade e Vida cotidiana tao proximas. A descontracao dos amigos se encontrando, muitos frequentes e figurinhas carimbadas presentes todos os sabados, outros raros, mas insubstituiveis. A coisa vai crescendo, mais gente chegando e vemos uma confraternizacao de pessoas que querem apenas estar juntas, comendo e bebendo do melhor, sem pensar nas roupas que vestem, o quanto ganham, com que carro chegaram, pra onde foram nas ultimas ferias. Sao o que sao, autenticos, amigos, humanos e companheiros. Consideram aquele momento na confraria como algo sagrado e inabalavel. Eh assim que deve ser mesmo!

Me deu vontade de comer uns cascudos fritos e uma cerva gelada na antiga feira hippie de BH que comecou na Praca da Liberdade e hoje acontece aos domingos na Afonso Pena em frente ao Parque Municipal. Encontra-se de tudo ali pra comprar. Desde artesanato de artistas amadores e semi-famosos passando por roupas, sapatos, artigos de casa e cozinha e as mais maravilhosas comidas de Minas. E de quando em vez se tromba com um amigo. Quando acontece, as mulheres saem batendo perna e os homens ficam quietos bebendo o liquido amarelo e sagrado, purificador da alma e eliminador de stress.

Me lembrei do Naschmarkt em Vienna e da Karlsplatz em Dusseldorf, mas nao chegam nem aos pes em autenticidade e divertimento. Dizem que o mercadao das pulgas El Rastro em Madrid eh imperdivel, sempre aos domingos. Estive la algumas vezes, mas nao o conheci. Ainda irei, mas o Slow jamais ira. Sobre o Slow, vulgo Bruno Garcia, um dia falaremos mais dessa figura unica e folclorica que tenho o privilegio de chamar de amigo.

ps. assisti ao curta pela primeira vez na casa do Thomas Schoenauer, artista e escultor alemao consagrado de quem falo mais qualquer dia desses. Ele cria esculturas com aco conferindo formas unicas, leveza, beleza e flexibilidade ao material em diversas formas, retagulares, esferas com pintura escorrendo de baixo pra cima, pinturas acrilicas que se parecem deltas de rios ou fotos de satelite, so mesmo vendo pra entender.
Sao tres partes, mas valem cada segundo.