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Monday, October 22, 2012

Abandono

Meerbusch (sim, mudamos)

Esse talvez tenha sido o maior abandono bloguístico de que se tem notícia. Nao postei NADA em Setembro. Vergonha. Preguica. Falta de disciplina. You name it!

Bom, passei rápido pra dar um Hallo aos meus quatro seguidores. Fui cobrado por um deles dia desses, com uma Alt na mao.

"Você nao posta mais nada. Abandonou o blog?!"Uai, nem sabia que você por ali passava.

Fui ali num Kino no Hafen ver o Celebration Day do Led Zeppelin. Aquele show de reuniao em 2007 na O2 Arena em London para poucos felizardos que foram sorteados. Os velhinhos ainda mandam muito. Tudo bem que foi há 5 anos, mas mesmo assim.

Robert Plant está excursionando com a banda Sensational Space Shifters e nao me deixa mentir. Fez outro dia um show irretocável no Brasil.

Jimmy Page anda por aí, feliz da Vida. As expressoes de felicidade dele durante o show sao demais. Parece estar levitando de felicidade.

John Paul Jones, multi instrumentista, baxista e tecladista parece mais um mago. Tranquilo e sereno, parece estar relaxando numa sauna enquanto dura o show. Esse eu vi ao vivo em 2009 quando o Them Crooked Vultures passou aqui perto, em Köln. Dave Grohl, ele e o Josh Homme, vocalista do Queens of the Stone Age montaram esse timaco que nao funcionou nos palcos. Lancaram um álbum, mas a química nao bateu.

E o filho do John, Jason Bonham, arrebenta na batera. Nao chega a ser como o pai, mas segura a cozinha legal ali atrás.

Aumente o som e boa noite. Dá pra ter um gostinho.


Friday, April 08, 2011

O Quinto Elemento

Düsseldorf (vai em Paz, amigo)

Coincidências do destino?! Puro acaso?! Falta de sorte ou de cuidado?! Fato é que nunca consegui ter um cachorro que morresse de velho. Como nao acredito em coincidências nem no destino, sou um cara de sorte e os caes lá de casa sempre foram tratados a pao de ló, prefiro pensar no Sr. Acaso como explicacao para mais um que se vai. O quinto elemento.

Primeiro foi a Tiane, mezzo dálmata mezzo Akita, aquela raca perigosa japonesa. Era pequenina, branca com as pintinhas características dos dálmatas, mas com algumas pernas pretas. Parecia estar usando uma calca negra colada ao corpo. Chegou de mansinho, no colo do Rato, como experiência. Ficou quase dez anos entre tantas idas e vindas da Pampulha pra Lagoa Santa até que fixou residência definitivamente na última por gostar da casa e do clima ameno da regiao. Fazia bem ao seu pelo e humor. Ia nos meus pés e do vovô Pedro, no banco da frente na Belina apertada do Guidao. A de número 3, cor champagne. Vovô ás vezes reclamava, mas no fundo gostava da cadelinha. Era espertíssima. Vivia cavando buracos nos taludes de grama. Deveria ser engenheira do metrô de SP tamanhos foram os túneis cavados. Vivia sozinha e feliz nos seus 5.350 metros quadrados até que... resolveu pular a cerca, literalmente. Conheceu Peter, um Weimaraner morador da rua C na casa do Fernando Lana. Ao vê-lo nao teve dúvidas. Forneceu sem dó ali na cerca de arame mesmo para delirio próprio e de seus donos.

A ninhada foi de quatro cachorrinhos, todos pretos. Ficamos com dois e demos a outra metade para Maria Lia, uma veterinária da cidade. Luan era o mais forte e sapeca dos pequenos. Parecia sorrir o tempo todo. Uli era uma bela cadelinha que fico pra fazer companhia ao irmao. Por obra do acaso, Uli foi deixada na clínica da Maria para exames. No dia seguinte recemos a notícia de que havia fugido do canil. Indignados, minha irma Helena, eu, Lucas, Marcos e Daniel, rotulamos Maria Lia de ladra profissional de cadelas e a chamamos várias vezes de filha da puta. Luan ficou e fez um par perfeito com a mae Tiane. Eram unha e carne. O filhote cresceu bem mais que a mae, mas esta nunca perdeu a autoridade. Ele era agressivo às vezes e metia medo em todos. Galopava garbosamente pelo gramado, saltava taludes com maestria, ajudava Tiane a cavar túneis ainda mais profundos, caçava gambás, aves e qualquer outro animal que ousasse atravessar seu campo de visao. A mistura de três raças, metade Dálmata com Akita e o resto Weimaraner o transformara num espécime de rara beleza. Era tao companheiro da mae que numa ocasiao, provocados pelas galinhas do vizinho cujo galinheiro fazia divisa com os fundos do nosso sítio, escalaram a cerca de arame caindo lá dentro prontos pra iniciar o massacre. O único galo foi polpado. Duas galinhas pularam para o nosso terreno e foram resgatadas há tempo. O telefonema do caseiro no dia seguinte sentenciou: "Dotô Guido, foram 18 galinhas garnizé, de raça. E o Sinhô vai ter que pagar." Nao teve jeito mesmo. Prejuízo contabilizado, cerca de seguranca entre o galinheiro e nossa propriedade construída, telas proibindo a escalada dos caes assassinos instaladas do nosso lado e a paz reinou novamente. Mas, por pouco tempo. Meses depois, talvez provocados pelo galo Highlander ou simplesmente atiçados por seus instintos caçadores, Tiane e Luan partiram pra mais uma aventura. Dessa vez nao escalaram a cerca. Fizeram um buraco sob a base de concreto já saindo dentro do terreno inimigo. Como ladroes assantando bancos escavando túneis até debaixo do cofre ou escapando de prisoes. Dessa vez o galo sobrou. Resultado: 1 galo e outras 21 galinhas de raça. Mas dessa vez Guidao argumentou que a provocaçao foi demais. Que as galinhas ficavam saracoteando pelo terreno, olhando maliciosamente, dando tchauzinho pra Tiane, jogando beijos pro Luan. E que o galo ficava pulando e ciscando, fechando a guarda com as asas em punho chamando pra briga. Claro, protegidos do inimigo. Acabou ficando por isso mesmo e o dono resolveu desativar o galinheiro, ou melhor, o Auschwitz galináceo. A implacável leishmaniose pegou os dois, como se fosse uma vingança tardia do mundo das aves. Foram para o sacrifício já que a doença nao tinha cura. Emagreceram muito antes de partir, mas nao teve jeito.

Luna, uma Dálmata puro sangue, surgiu escorregando as patinhas no piso sintecado da rua da Bahia logo em seguida. Leocádio presenteou Helena para que ela esquecesse, ou pelo menos amenizasse o sentimento de perda em dose dupla. Foi cedo pra Lagoa, nao cavou túneis nem matou galinhas, mas adorava a piscina. Quando via alguém dentro ela pulava sozinha, sem ser convidada. Nao soltava muitos pelos e era exímia nadadora. Fazia 100 mts craw em 45:34s no cronômetro. Se nascesse em Waikiki seria surfista do WCT. Fosse em Brisbane seria mergulhadora guia na Grande Barreira de Corais. E se nascesse em Gênova no final do século XV seria a cadela de estimacao de Colombo e teria vindo descobrir a América. Mas a famigerada leishmaniose atacou novamente. Sem choro nem vela, já muito debilitada e magra, Luna caminhou para o cadafalso já sabendo o que lhe aguardava. Deu o último ganido antes do alçapao se abri e partiu.

Angus Young inaugurou a série Dog 'n' Roll lá em casa. Trazido de uma fazenda sendo desmamado e separado brutalmente se seus irmaos, adaptou-se facilmente ao modus operandi do sítio. O Rato queria um labrador e assim foi. De cor marrom chocolate, robusto e pesado, mas ao mesmo tempo rápido e dócil, conquistava a todos com facilidade. Nao metia tanto medo quanto o Luan, mas fazia às vezes de cao de guarda. Conviveu harmoniosamente com a Luna sem importuná-la sexualmente. Há quem desconfiasse de sua sexualidade, mas nunca deu muita bola para seus críticos. Fazia tipo de intelectual com seu olhar cabisbaixo e amigo. Se pusesse um óculos e erguesse as patas dianteiras todos pensariam que uma aula estaria para começar. Como era bom ficar sentado passando os pés em sua barriga peluda e macia. Ele adorava. Mas, adivinhem quem veio buscá-lo?! Ainda na era onde as vacinas nao existiam, ou nosso veterinário Camilo nao as possuia, Dona Leishmaniose passou pra levar mais um. Como num ritual que se repetia de tempos em tempos dessa vez optamos pela guilhotina. Mais rápido e indolor com menos tempo para firulas sentimentais. Na praca principal de Lagoa Santa, após convocacao em massa pelo prefeito Genesco e seus asseclas, Angus foi sacrificado numa nublada e fria tarde de sábado. Enterrado nos fundos do lote, foi fazer companhia aos outros três.

Mas o Led nao. Vacinado contra a fatídica doença ele havia quebrado a escrita. Estava livre pra viver 12, 15, quem sabe 17 anos na melhor das hipóteses. Mas Leonardo Zeppelin de Souza e Silva, seu nome de batismo, sucumbiu hoje às 10: 23 horas de Brasília na Rua D 1730 mantendo uma sina inexplicável até hoje. Apareceu com uns caroços no corpo pouco mais de um mês atrás. Camilo o operou sem nem mesmo saber se era necessário. Descobriu-se ser uma espécie de micose rara e contagiosa só encontrada até hoje nos monges manetas do Nepal. As feridas voltaram, sangue esguichando de seu moribundo corpo, dores insuportáveis o acometeram, fraqueza nas juntas e nos membros, depressao. Havia a possibilidade de se tentar um tratamento, mas sem garantia de sucesso. As condiçoes clínicas dele nao permitiram. O melhor a ser feito, racionalmente falando, era sacrificá-lo. Poderíamos tê-lo mandando para Houston visando um tratamento de alto nível com as melhores técnicas da medicina canina disponíveis, equipamentos de última geracao e drogas reçém desenvolvidas ainda em fase de testes. Mas a embaixada americana na rua México no centro do Rio negou o visto dizendo ser doença contagiosa. Era a última esperança.

Led Zeppelin era um pastor alemao tradicional. Foi comprado por R$ 150 nas maos do Zé Luis, pai de Quinho. Fui pessoalmente entregar o dinheiro e buscá-lo. Era uma bolinha de pelo amarelado e preto. Ficou algumas semanas na rua da Bahia, na área de serviço que virou canil improvisado. Corria pelo sinteco escorregando e patinando com humor. O consumo de leite se elevou, os espaços diminuiram e chegou a hora de levá-lo pra Lagoa Santa. Lá chegando tomou conta facilmente do ambiente. Aguinaldo, o caseiro, era seu par constante. Amigos inseparáveis, o que mais o aproveitou. Rápido e rasteiro, tinha movimentos frios e calculados como um lobo. Nao fazia muito esforço pra correr nem saltar. Comia de tudo, fazia charme pra ganhar carinho, latia com força, mas abaixava as orelhas imediatamente após reconhecer os donos. Deitava no chao pedindo carinho no pescoço, no peito e na barriga. Detestava a piscina, mas tomava banho sem dramas. Tinha seu canto com água raçao, nao haviam galinhas provocantes do outro lado e achava uma imbecilidade ficar perdendo tempo cavando buracos sem fim. Nunca teve curiosidade de conhecer o Japao, ao contrário da Tiane. Leu os clássicos ainda na adolescência: Dickens, Joyce, Proust, Sthendal, Tólstoi, Hemingway, Goethe, Kant . Seu preferido era Schopenhauer. Latia frases filosóficas que ninguém entendia. Comia manga pensando no sentido da Vida. Deitava-se de cao largado no topo de um talude suspirando pessimistamente. Sabia que um dia sua hora iria chegar. Olhou calmamente para o vidro de stricnina já sabendo o que lhe esperava. Seu último desejo foi uma costeleta de cordeiro com molho de menta e um pudim de leite condensado. Camilo o chamou e ele atendeu. Deitou-se no chao, fechou os olhos e pensou: "Será que lá no céu dos cachorros eu vou rever o Guidao?!" Dormiu e flutuou pelas nuvens.

Tuesday, July 13, 2010

Dia Mundial do Rock

Essen (quem precisa de um tax advisor?!)

Comemore esse dia ouvindo os cinco melhores expoentes do rock em todos os tempos. O AC/DC entra como mencao honrosa.











E esse vai de lambuja:

Friday, July 31, 2009

Radio Truta

Düsseldorf (liebe Freitag!)



Antigamente se fazia música assim. Ela comecava despretenciosa, como se fosse mais uma. Mesmo que nos anos 70 essa "mais uma" jamais seria chamada assim.

Dava-se tempo pra guitarra entrar solando sem pressa. A bateria e o baixo marcando o ritmo, calmamente. O vocal acompanhando, duelando com as cordas.

A evolucao é gradativa. O resultado nao poderia ser outro. Um dos mais belos solos de guitarra da História.

A letra já diz tudo: a relatividade do Tempo. Seja onde for, no Amor, no trabalho, na Vida, o sr. Tempo é o Senhor de tudo.

Meu avô e xará Pedro, vulgo Dotô Pedro por que era veterinário (no fundo somos todos uns animais mesmo), já dizia: "o Tempo é a coisa mais preciosa que você tem. Um minuto, hora ou dia perdidos nao tem recuperacao. Nunca mais."

Hoje em dia, músicas com mais de 4 minutos sao uma raridade. Nao encaixam na programacao das rádios e MTVs, no consumo imediato e desesperado por mais, sempre mais. Mais quantidade e menos qualidade, claro.

Menos é mais. Cada vez mais.

How come twenty four hours, baby sometimes seem to slip into days?
Oh twenty-four hours, baby sometimes seem to slip into days
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way
Sittin, lookin at the clock, time moves so slow
Ive been watchin for the hands to move
Until I just cant look no more
How come twenty four hours, baby sometimes seems to slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way.

To sing a song for you, I recall you used to say
Oh baby this ones for we two, which in the end is you anyway

How come twenty four hours, baby sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way.

There was a time that I stood tall, in the eyes of other men
But by my own choice I left you woman, and now I cant get back again

How come twenty-four hours, sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way
A minute seems like a lifetime
When I feel this way...i feel this way

Tuesday, July 28, 2009

Zeppelin

Düsseldorf (final de semana em casa é bom demais)



Estava eu voltando de trem hoje ouvindo esta música quando olho pro lado e vejo um dirigível, vulgo zeppelin. Acho que nunca havia visto um ao vivo.

Tinha aquela sandália preta baranga demais de mesmo nome.

Me veio a lembranca do desastre com o Hindenburg em 1937 (viva a Wiki), aquela bola de fogo na cena que todos conhecem.

Tuesday, April 29, 2008

Hey Hey What Can I Do

Düsseldorf (tá foda...)

Essa é a música do Led que mais gosto. E que na verdade nunca foi oficialmente lancada num álbum. Apenas o single, que era muito difícil de achar. Apareceu no lado B de Immigrant Song.

Foi lancada primeiro na box-set de 4 CDs e anos depois incorporada como bonus track no Coda quando saiu o Complete Studio Recordings, mas nao no original.

A letra aqui. Mais informacoes e uma interpretacao do que Mr. Plant canta, aqui.