Showing posts with label futebol. Show all posts
Showing posts with label futebol. Show all posts

Wednesday, April 22, 2020

Günne

Vienna (câncer é a pior doenca da Humanidade)

Há algum tempo, coisa de uns dois anos, venho jogando futebol aqui em Viena num time cuja maioria é composta de advogados. Nao por acaso, o nome do time e FC Insolvenz cuja traducao é  Faléncia FC. Nada mais apropriado já que grande parte dos distintos jogadores sao magistrados, promotores, funcionários públicos e até mesmo juizes.

Günne era um dos jogadores. Nao sei se era advogado. Nos encontramos algumas vezes, umas cinco ou seis, talvez. Jogamos juntos apenas nas peladas de quarta a noite no Prater, sempre entre 20:30 e 22h com direito a resenha, ducha e cerveja no restaurante do clube esportivo.

Um cara sorridente, feliz e de bem com a Vida. Enérgico em campo sempre cobrando o time a cobrir os espacos, marcar, voltar e partir pra cima quando de posse da bola. Um belo dia soube que ele nao viria mais jogar. Descobriu um câncer no estômago e comecou o tratamento com quimioterapia. Ficou fraco, magro e nao pode mais jogar bola com a gente.

Sempre aparecia nos torneios pra rever a turma e incentivar o time. Dava orientacoes da beirada do gramado como um verdadeiro técnico. Xingava quem fazia corpo mole e elogiava as jogadas vigorosas e os lances de raca e vontade. Teve até um quiprocó com um juiz num jogo do torneio IT & Law em setembro passado, a última vez que o vi. Bateu boca com o juizao parrudo movido a salsichao e chucrute e nao baixou a guarda até a distinta autoridade pedir para ele se calar ou sair do recinto, no caso um conjunto de campos de futebol com grama sintética atrás da ONU em Vienna. Günne resolveu ficar quieto, a contragosto.

Faleceu ontem vítima de câncer, essa famigerada doenca que age silenciosamente. Quando assustamos, já dominou o organismo do sujeito disparando a contagem regressiva do relógio da Vida. Günne deixa esposa e duas filhas. Seu relógio zerou ontem.

Wednesday, July 11, 2018

Todas as Copas - 1974 Alemanha

Vienna (abrindo a boca...)

Nasci em Janeiro de 1974, portanto minha primeira Copa do Mundo de Futebol foi neste ano. O mesmo ocorreu com meu filho Gabriel nascido em 2014. Por sorte ele tem dupla nacionalidade, brasileiro e alemão, e o 7x1 foi a seu favor, dependendo do ponto de vista.

Em 1974 na Alemanha o Brasil vinha do tri no México com aquela seleção inigualável. Pelé se aposentara em 1971 e desde 1958 iríamos disputar uma Copa sem ele. E também sem Gérson, o capitão Carlos Alberto Torres, Tostão e Clodoaldo, mas novamente dirigido por Zagal.

Estreamos com um frustrante 0x0 contra a então Iugoslávia comandados por Jairzinho e Rivellino seguido por outro empate em 0x0 contra a poderosa Escócia e, por fim, uma vitória de 3x0 frente ao Zaire na primeira fase. Apenas no 3° jogo marcamos o 1° gol. Na fase seguinte vencemos a Alemanha Oriental por 1x0 e depois a Argentina em 2x1 nos classificando para as semi-finais.

O carrossel holandês veio com tudo e nos atropelou por 2x0 no Westfalenstadion do Borussia Dortmund, justíssimo. A final seria contra os donos da casa, a Alemanha Ocidental de Gerd Müller. Jogamos a disputa do 3° lugar no Olímpico de Munique, mas o polonês Lato ajudou sua seleção a levar o honroso 3° lugar pra casa.

Eu tinha entre 4 e 5 meses de idade e só queria saber de peito, dormir, chorar, cagar e tomar banho com a ajuda de alguém. Vivíamos na Santa Rita Durão, se não me engano, e a Vida era bela.

A seguir um compacto da Final entre Alemanha x Holanda vencida por 2x1 pelos anfitriões com narração de Osmar Santos:

Thursday, September 05, 2013

O Pagador de Promessas (7) - Guarani de Campinas levanda a taca em 1978

Meitingen (Slow precisa conhecer a Alemanha)

Um time do interior paulista quebra paradigmas e sagra-se campeao brasileiro. Como assim?!

Pois é, o agora sumido Carlos Alberto Silva levou seu time com destaque para Zenon e o atacante Careca, entao com 17 anos, ao estrelato. Este viria conquistar a Itália e o mundo ao lado do Maradona nos anos 90 jogando no Napoli.

Ganhou do todo poderoso e bi-campeao Palmeiras por 1x0 no Brinco de Ouro da Princesa. Esse talvez seja o mais belo nome de estádio no Brasil.

E foi o único título de um time fora das capitais até hoje.

O número de participantes explodiu nesse ano. Foram 74 times disputando 792 jogos com 1.171 gols.

O formato do campeonato nao poderia ser mais exdrúxulo: comecou dua 25 de março e se estedeu até 13 de agosto. Setenta e quatro equipes divididas em seis grupos, dois de treze e quatro de doze times. Os seis primeiros de cada chave seguiam no campeonato, os restantes disputavam a repescagem. Na segunda fase foram formado quatro grupos de nove clubes passando à terceira etapa do campeonato, os seis primeiros de cada chave mais o clube que mais pontos somou entre os eliminados. O campeão de cada um dos seis grupos da repescagem mais o time que marcou mais pontos entre os não classificados também estariam na terceira fase que foi composta por quatro chaves de oito equipes. O campeão e o vice de cada grupo passavam às quartas-de-final. Das quartas às finais foram realizadas partidas no sistema mata-mata com jogos de ida e volta.

Eu continuava sem me lembrar de nada. Ainda bem que temos o Você Tubo. Na semi-final contra o Vasco, em pleno Maraca, Zenon fez dois golacos. Mandou duas vezes a pelota no ângulo.

Depois no primeiro jogo da final ele, Zenon, decidiu mais uma vez convertendo o penalty. Na finalíssima ele nao jogo, mas nem precisava.

Curiosidade: Careca corre pra comemorar em cima duma placa onde se lê "Macarrao Galo".



Números:

Jogos: 792
Gols: 1.171 - Média: 1,48 p/jogo
Público: 8.347.432 espectadores - Média: 10.539 p/jogo
Artilheiro: Paulinho (Vasco) 19 gols
A Final: 13/08/78
Guarani 1x0 Palmeiras
Local: Brinco de Ouro da Princesa (Campinas)
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Renda: CR$ 1.706.280,00
Público: 27.086 espectadores
Gol: Careca 36 do 1º


Guarani: Neneca; Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Manguinha e Renato; Capitão, Careca e Bozó
Técnico: Carlos Alberto Silva


Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão (Jair Gonçalves), Alfredo e Pedrinho; Ivo, Toninho Vanusa e Jorge Mendonça, Silvio, escurinho e Nei
Técnico: Jorge Vieira


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1978.php

O Pagador de Promessas (6) - A Maior Injustica de Todos os Tempos em 1977

Meitingen (e depois nadar com a crianca que eu amo)

Pode um time ser vice-campeao invicto?! Com a melhor campanha e o artilheiro disparado da competicao?! Com o Galo tudo é possível.

Os 3x2 nos penaltis do ensopado Mineirao já em marco de 78 - comecou em outubro de 1977 sabe-se lá por que - enterraram algumas cabecas de burro no gramado. E como foi difícil exumá-las.

O artilheiro absoluto Reinaldo, com 28 gols, estava suspenso e nao jogou a final. Era pra ter sido julgado antes, mas nao foi. Malandragem?! Injustica?! Roubalheira?!

Fato é que a final foi disputada em uma única partida na casa da equipe de melhor campanha. O Galo tinha um timaco com Joao Leite, Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro e outros. Mas Reinaldo nosso rei fez muita falta.

O 0x0 no lamacal da Pampulha levou a decisao para os penaltis. Joao Leite pegou a primeira cobranca do Getúlio, mas Cerezzo manda na geral o que seria a vantagem alvi-negra. Valdir Perez nem teve trabalho. Chicao, craque saopaulino, vai pra segunda cobranca. Escorrega e cai no gramado mandando a bola nas maos do Joao de Deus. Permanecia o 0x0. Ziza vai pra cobranca. Partiu com tranquilidade e converteu. Galo 1x0.

Peres, nao o Waldir, converteu o seu. O lateral direito Alves foi lá e fez o dele. Galo 2x1. Antenor se aproximou da marca do cal, encheu o pé e também guardou. Joaozinho Paulista, substituindo o Rei, foi pra quarta cobranca e errou. Displicente, burro. Permanece o 2x2. O Sao Paulo foi pra quinta cobranca com Bezerra. Ele encheu o pé no canto esquerdo de Joao Leite nao dando a mínima chance. Bambis 3x2. E o Galo vai pra última cobranca com Marcio, zagueirao central. Só um jumento de um treinador manda o zagueiro central bater a última e mais importante cobranca da série. Qualquer outro poderia ter batido.

Joao pegou duas cobrancas, mas os atleticanos conseguiram jogar três pra fora. Resultado: Sao Paulo campeao brasileiro pela primeira vez.

Notei que os goleiros nao se adiantavam nas cobrancas.

Meu pai esteve no campo e contou que nunca viu uma multidao tao calada na saída do estádio como naquele dia. Parecia um velório gigante. Gente chorando incrédula. Indignada.

O juiz?! "A regra é clara", já dizia Arnaldo César Coelho.

Os participantes foram 62 com a ilustre participacao do XV de Piracicaba, Caxias, River do Piauí e até um tal amazonense Fast. Demais!

Dois videos, um com somente a disputa de penalties e outro com o jogo completo pra quem tiver paciência e for masoquista. Ambos com a narracao do Luciano do Valle e comentários do China, Juarez Soares, no jogo na íntegra.





Números:

Jogos: 483
Gols: 1194 - Média: 2,47 p/jogo
Público: 7.955.983 espectadores - Média: 16.472 p/jogo
Artilheiro: Reinaldo (Atlético/MG) 28 gols
 
A Final: 05/03/78
Atlético/MG 0x0 São Paulo (2x3 Pênaltis)
Local: Mineirão (Belo Horizonte)
Juiz: Arnaldo César Coelho (RJ)
Renda: CR$ 6.857.080,00
Público: 102.974 espectadores


Atlético-MG: João Leite; Alves, Marcio, Vantuir e Valdemir; Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo (Paulo Isidoro); Serginho, Caio (Joãozinho Paulista) e Ziza
Técnico: Barbatana


São Paulo: Valdir Peres; Getúlio, Jecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro (Peres) e Dario Pereyra; Zé Sergio, Mirandinha e Viana (Neca)
Técnico: Rubens Minelli


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1977.php

O Pagador de Promessas (5) - Inter bate o Corinthias e é bi-campeao em 1976

Meitingen (amanha tem encontro em Stuttgart com Theo e família)

Dadá Maravilha, sempre ele, subiu no terceiro andar do Beira Rio e fuzilou de cabeca para o fundo do filó. Mas antes disso, parado no ar, Dario olhou pra torcida do Timao que ainda lhe amava. Decidiu cabecear pra fora. Fracoes de segundos depois, já comecando a descida, olhou pra torcida do Inter. Era o time que pagava seu salário. Precisava do dinheiro pra comprar o leite das criancas. Resolveou deixar as paixoes de lado e fez o gol.

E o Inter ganhou o segundo título Brasileiro no Beira Rio, um privilégio para seus torcedores, por ter feito a melhor campanha. O time era praticamente o mesmo que ganhou em 75, mas agora com a presenca de um certo Paulo Roberto Falcao.

O número de participantes só aumentava. Nesse ano foram 54 times e o Galo terminou em 3° indo muito bem. Perdeu na semi-final em um jogo só, a primeira de várias.

Presencas honrosas do Treze, Uberaba que ficara em 4° em 74 perdendo a semi para o campeao Vasco, Confiança e até mesmo um tal Flamengo do Piauí. Só o Brasil continental proporcionava essas coisas.

O juiz da final foi o infame José Roberto Wright. Veremos isso mais tarde. Abaixo um compacto de 35' para o delírio dos amantes da bola.



Números:
Jogos: 411
Gols: 915 - Média: 2,22 p/jogo
Público: 6.991.291 espectadores - Média: 17.010 p/jogo
Artilheiro: Dario (Internacional) 16 gols

A Final: 12/12/76
Internacional 2x0 Corinthians
Local: Beira-Rio (Porto Alegre)
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Renda: CR$ 3.200.795,00
Público: 84.000 espectadores
Gols: Dario 29 do 1º e Valdomiro 12 do 2º


Internacional: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho Peres e Vacaria; Caçapava, Falcão e Batista; Valdomiro, Dario e lula.
Técnico: Rubens Minelli


Corinthians: Tobias; Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Vladimir; Givanildo, Ruço e Neca; Vaguinho, Geraldão e Romeu
Técnico: Duque


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1976.php

O Pagador de Promessas (3) - Vasco campeao no Maracana em 1974

Meitingen (Pepsi nao combina com comida bávara)

Em Agosto de 1974, eu entao com 7 meses de idade, o Vasco tornou-se o primeiro time carioca a comemorar um título do Campeonato Brasileiro no Maracana.

Roberto Dinamite e cia. nao deixaram o Cruzeiro de Nelinho, Piazza e Dirceu Lopes jogar. Dizem que a final foi vendida já que o segundo jogo tava marcado para o Mineirao. Os cartolas cariocas convenceram os incautos mineiros de que a renda seria muito maior no Maracana. Se é verdade, nao se sabe.

Assim como no ano anterior, foram 40 times disputando o caneco. Entre eles Itabaiana, Sampaio Corrêa, Rio Negro e Operário do Mato Grosso que terminou num honroso 17° lugar. O Galo fechou em 7° e ficou longe da taca pelo terceiro ano seguido.

Curiosidade: o goleiro do Cruzeiro se chamava Vitor.



Números:

Jogos: 447
Gols: 951 - Média: 2,13 p/jogo
Público: 5.184.763 espectador - Média: 11.599 p/jogo
Artilheiro: Roberto Dinamite (Vasco) 16 gols
A Final: 01/08/74
Vasco 2x1 Cruzeiro
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: Armando Marques (SP)
Renda: CR$ 1.413.281,00
Público: 112.933 espectadores
Gols: Ademir 14' do 1° T. e Jorginho Carvoeiro 33' do 2° T. (V) e Nelinho 19' do 2° T.


Vasco: Andrada; Fidelis, Miguel, Moisés e Alfinete; Alcir, Zanata e Ademir; Jorginho Carvoeiro, Roberto Dinamite e Luis Carlos
Técnico: Mario Travaglini


Cruzeiro: Vitor; Nelinho, Perfumo, Darci Menezes e Vanderlei; Wilson Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha (Joãozinho) e Eduardo (Baiano)
Técnico: Ilton Chaves


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1974.php

O Pagador de Promessas (2) - Palmeiras é Bi-Campeao de 1973

Meitingen (Pschorr é uma cerveja bávara tradicionalíssima)

Em 1973 a Academia palmeirense seguia impondo seu estilo único de jogar. Com 40 times e 656 jogos o campeonato só terminou em 28 de Fevereiro de 74. Eu completaria um mês de Vida no dia seguinte e evidentemente nao tenho memórias futebolísticas desse campeonato.

O Galo terminou em 11°, o Mequinha, vulgo Coelhao ou América MG ficou em 7° e as Marias, ou o Cruzeiro, foi bem terminando na terceira colocacao.

É engracado ver que times como Tiradentes do Piauí, Comercial do Mato Grosso, Olaria, Moto Clube e Desportiva ES eram times de Primeira Divisao. Me lembro do Leo Batista narrando os Gols do Fantástico e da Zebrinha falando "coluna do meio" na loteria esportiva. Bons tempos.

Fato é que após mais um empate sem gols, dessa vez contra o arqui-rival Sao Paulo, o Palmeiras sagrou-se bi-campeao brasileiro em pleno Morumbi. Ademir da Guia e Cesar Maluco comandaram a patota alvi-verde mais uma vez fazendo a alegria da nacao suina.

Com narracao de Orlando Duarte, um compacto em duas partes da campanha do Verdao. Na segunda tem uma sova de 3x0 aplicada justamente no Galo:





Números:

Jogos: 656
Gols: 1202 - Média: 1,83 p/jogo
Público: 10.141.674 espectadores - Média: 15.460 p/jogo
Artilheiro: Ramón (Santa Cruz) 21 gols
 
A Final: 20/02/74
Palmeiras 0x0 São Paulo
Local: Morumbi (SP)
Juiz: Arnaldo César Coelho (RJ)
Renda: CR$ 997.860,00
Público: 66.549 espectadores


Palmeiras: Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Ronaldo, Leivinha, César e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão


São Paulo: Valdir Peres; Forlan (Nelson), Paranhos, Arlindo e Gilberto; Chicão e Pedro Rocha; Terto, Zé Carlos (Ratinho), Mirandinha e Piau.
Técnico: José Poy


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1973.php

O Pagador de Promessas (1) - Salve a Academia de Ademir da Guia

Meitingen (Monkey Shoulder me espera)

Libertadores
Apesar da final de 1971 ter sido contra o Botafogo, o Sao Paulo terminou em 2° lugar e juntamente com o Galo representaram o Brasil na competicao continental.

O desempenho ridículo do Galo no Grupo 3 com três empates em casa e mais um fora somou apenas quatro pontos que foram insuficientes para classificar a segunda fase. Houve um empate com o Olimpia, sempre ele, em Assunción, mas o árbitro encerrou o jogo antes do fim, pois o Atlético estava com somente 6 atletas em campo. O resultado de 2 a 2 prevaleceu, porém o Olimpia ganhou os pontos. Perdemos também para o Cerro Porteno fora de casa.

O campeao de 72 foi o entao imbatível Independiente da Argentina.

Campeonato Brasileiro
O time do Galo campeao em 1971 só conseguiu chegar ao 11° lugar no ano seguinte. Reinava entao Ademir da Guia, o divino e grande maestro do meio campo palmeirense. Além dele se destacavam Luiz Pereira, Leivinha e Leao.

A semifinal e final foi realizada em um só jogo beneficiando as equipes com melhor campanha durante a fase anterior.

As semis classificaram o Palmeiras após um empate em 1x1 contra o Inter em Sao Paulo e o Botafogo novamente após vitória contra o Corinthians no Rio.

Após o empate sem gols na final disputada na capital paulista, o Palmeiras ficou com o título por ter melhor campanha em todo o campeonato.

Fogao duas vezes seguidas vice e o Palmeiras levando o caneco após dois empates por ter feito a melhor campanha. Veremos adiante quantas vezes o Galo vez a melhor campanha e nao levou o caneco.



Números:
Jogos: 352
Gols: 731 - Média: 2,08 p/jogo
Público: 6.191.982 espectadores - Média: 17.591 p/jogo
Artilheiros: Dario (Atlético-MG) e Pedro Rocha (SP) 17 gols
A Final: 23/12/72
Palmeiras 0x0 Botafogo
Local: Morumbi (SP)
Juiz: Agomar Martins (RS)
Renda: CR$ 649.445,00
Público: 58.287 espectadores


Palmeiras: Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu (Zé Carlos) e Ademir da Guia; Edu (Ronaldo), Madruga, Leivinha e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão


Botafogo: Cão; Valtencir, Brito, Osmar e Marinho Chagas; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Jairzinho, Fischer e Ademir Vicente (Ferreti)
Técnico: Sebastião Leônidas


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1972.php

O Pagador de Promessas - Dadá parando no ar

Meitingen (sem beber na Bavária é tortura)

Em 1971 o Campeonato Brasileiro foi oficialmente assim chamado pela primeira vez. Ganhou o Galo, Atlético Mineiro de Telê, Dadá Maravilha, Lola, Guará e tantos outros craques.

A fórmula de disputa era um tanto quanto inusitada: duas chaves de dez times. Os seis primeiros colocados de cada chave passavam para a segunda fase onde eram formadas três chaves de quatro clubes cada. Os campeões de cada grupo classificavam-se para um triangular final, em turno único, para decidirem o título.

Os três melhores, Botafogo, Sao Paulo e Atlético, jogaram entre si. O São Paulo tinha Gérson, Toninho Guerreiro e cia. e o Botafogo vinha fervendo com Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, e grande esperança do Fogao. No primeiro jogo, derrota dos cariocas para o Tricolor paulista por 4 a 1. O Galo precisava apenas do empate contra o Botafogo depois da sofrida vitória por 1 a 0 contra o São Paulo.

O Gol do Título
Em uma grande jogada individual do meia Humberto Ramos, sai o gol do titulo. Ele dribla e passa por Mura, Carlos Roberto e Marco Aurélio, chega dentro da área e cruza para Dario cabecear no canto esquerdo de Wendell. Na comemoração, Humberto Ramos, ajoelhou-se agradecido pela jogada e Dario fez a festa. Fonte: http://www.campeoesdofutebol.com.br/materia_especial3.html

Depois desse título foram 42 anos sem ganhar nenhum título de expressao. Apenas os mineiros, agora chamados de Rural, e duas Copas Conmebol, torneio que nem existe mais. Talvez seja equivalente a Sulamericana de hoje em dia.

Foram 42 anos de fila até ganhar a Libertadores. Daí veio a promessa.



Números:
Jogos: 229
Gols: 419 - Média: 1,83 p/jogo
Público: 4.662.247 espectadores - Média: 20.360 p/jogo
Artilheiro: Dario (Atlético-MG) 15 gols
A Final: 19/12/71
Botafogo 0x1 Atlético-MG
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: Armando Marques (SP)
Renda: CR$ 294.420,00
Público: 46.458 espectadores
Gol: Dario 18' do 2º T.
Expulsões: Mura e Carlos Roberto


Botafogo: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto, Marco Aurélio (Didinho) e Careca; Zequinha, Jairzinho, e Nei Oliveira.
Técnico: Papagaio


Atlético-MG: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Odair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião.
Técnico: Telê Santana


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1971.php

Wednesday, July 31, 2013

Galo conquista as Américas

Meerbusch (calor baiano na Alemanha)

Este post foi originalmente escrito no saguao do aeroporto de Guarulhos dia 27 de Julho de 2013 aguardando o vôo pra Europa.


Guarulhos (ô ô ôôôô ô, vai pra cima deles Galoooo!!!)

Fazem cinco dias que só visto o manto alvinegro. Estou meio surdo de tantos foguetes. O pescoco ainda dói na nuca da tensao de quarta-feira. Sair de Düsseldorf pra ver a finalíssima da Libertadores foi uma das melhores coisas da minha Vida.

Se nao viesse e o Galo ganhasse jamais me perdoaria. Sao 39 anos torcendo e sofrendo. Gritanto campeao apenas para títulos inexpressivos como o Mineiro e a Conmebol, que nem existe mais. Agora chamam de Sulamericana embora o nível seja mais baixo. Precisávamos mais do que qualquer time do planeta de uma consagracao. Uma redencao.
Nos 42 anos entre a conquista do Brasileiro de 1971 e a noite de 24 para 25 de Julho de 2013 a Massa alvinegra sofreu. Teve paciência e uma perseverança inacreditáveis. Soube acreditar no projeto de longo prazo do maior presidente da História do Atlético, Alexandre Kalil. Maior mesmo que o próprio pai, seu Elias.

(Um negao gordo e sacudido acaba de sentar ao meu lado. Elogiou a camisa alvi-negra e perguntou se eu tinha ido no jogo. Sacou um spray do bolso e borrifou no preto sapato direito. E agora o esquerdo. Me deu parabéns e disse ser “atleticano mesmo, de Uberaba”)
A espera foi recompensada. Todos os fantasmas foram exorcizados, especialmente o de 1977 naquela fatídica disputa de penalties contra o Sao Paulo pelo Brasileirao. O Galo terminou o campeonato como vice-campeao invicto, mas viu o rival dar a volta olímpica em pelo Mineirao. Castigo maior, impossível. Meu pai me contou que nunca viu uma multidao tao silenciosa na Vida após o fim do jogo. Clima de velório nas avenidas Abraao Caram, Antônio Carlos e Catalao.

Após conquistar a Libertadores todos os pés frios foram absolvidos. Meu irmao Marcos, vulgo Negao, é um dos maiores. Ou era. Teve ano que o Galo ganhou todas as partidas em casa menos uma, um empate. E este fora justo o jogo em que compareceu.
A fama de azarado do técnico Cuca acabou. Fez substituicoes ousadas ao longo do torneio, jogou sempre no ataque, comandou com pulso firme jogadores tarimbados como Ronaldinho, renegados como Jô, promessas como Bernard, o zagueiro  “selecao” e capitao Réver, o desacreditado e agora Sao Vitor, e até mesmo um Tardelli apaixonado pela torcida, mas tendo que provar seu valor a cada partida.

Kalil filho dedicou o título ao pai, Elias. Antes de quarta era considerado o melhor entre todos os presidentes. O filho o supera e coloca o Galo num nível jamais alcancado. Já estamos na Libertadores 2014. Vamos disputar a Recopa 2013 contra o vencedor da Sulamericana. O Mundial no Marrocos em dezembro é uma realidade. Ainda podemos buscar o Brasileiro, já que estamos apenas 8 pontos atrás do líder Inter, mas com dois jogos a menos. E de lambuja tem a Copa do Brasil.

#euacredito

O EU ACREDITO foi uma das coisas mais belas e impressionantes que já presenciei. Uma verdadeira licao de Vida. Acreditar sempre, incondicionalmente. A Massa carregou o time rumo a$o título. Nao parou de apoiar um segundo sequer ao longo do campeonato, mas principalmente na final contra o tri-campeao das Américas, o Olympia do Paraguay.

Confesso que após o primeiro tempo, se continuassem jogando daquele jeito, achei que nao daria. O gol de Jô logo no primeiro minuto do 2° tempo incendiou o Mineirao. Assisti a partida inteira em pé, sem sair do lugar pra nada. Nao bebi água, cerveja ou suco. Nao fui mijar. Nao me sentei. Fiquei ali, na antiga Galo Prates exatamente na linha divisória do gramado à espera de um milagre.
O 1° tempo foi todo ao lado do amigo e irmao Chris Lua. Tenso e de poucas palavras. No intervalo ele sumiu. Contou depois que sua presença tava dando azar. Imaginem! Assistiu a segunda metade da peleja no bar, bebendo e ouvindo no radio. Nao viu os gols, nem a prorrogacao, nem os penalties. Estratégia de doido, mas que deu certo. Certíssimo.


Meu já citado irmao Marcos Negao fez o mesmo. Ficou o 2° tempo todo no bar vendo pela tv. Aliás, meus irmaos que gostam de futebol estavam todos no estádio. Rato ficou no lugar de sempre, atrás do gol junto com a Galoucura e ao lado do fiel companheiro Gazzi, uma comédia ambulante. Elaino e Leocádio ficaram por ali também, por coincidência ao lado do Tó e Tunicao. E Janemamae, Murgas e Titas em casa torcendo feito doidos. Guidao estava no meu bolso em forma de RG e no coracao, sempre. Tem dedo dele nessa conquista, pode ter certeza.
No segundo gol, custei a acreditar. A bola parecia estar em camera lenta. Assim como a subida e o erro no tempo de bola do zagueirao Leo Silva. Ele rompeu os ligamentos do ombro mês passado e jogou as finais no sacrifício. Nao pode sequer levantar o braco, por isso subia todo duro e desengoncado pras cabecadas.

Meu palpite era 2x0 no tempo normal e mais um gol na prorrogacao. Mas se o sofrimento nao for no nível máximo nao é Galo. Cuca poderia ter colocado o Guilherme e nao o Alecssandro quando fez a primeira substituicao. Na meia hora final de jogo o ataque estava muito enfiado e dependia das jogadas de Rosinei e Josué. Este ultimo foi um monstro e o melhor em campo, na minha humilde opiniao. Na da Itatiaia também.

Sao Vitor, travessao e festa
Vitor dizia que quando se ganha o rótulo de santo é preciso fazer um milagre por dia. Estava certo e fez mais um ao pegar a primeira cobranca paraguaya. O fantasminha de 77 rondava a Pampulha ali de longe, sobrevoando marotamente a lagoa. Mesmo sendo escorraçado do Independência após a antológica vitória contra os Newells Old Boys argentinos, ele teria que ser morto no local de nascença pra nunca mais voltar.

Os atleticanos bateram todas as cobranças com perfeiçao e no canto direito do goleiro fazedor de cera professional, o parente Silva. O travessao explodiu de alegria, extase e delírio ao receber a quinta e última cobranca do Olimpia. O Mineirao foi a loucura e entrou em catarse coletiva. Depois veio um sentimento instantâneo de alívio. Do EU ACREDITO ao EU NAO CONSIGO ACREDITAR numa fracao de segundos.
Abracei quem estava ao meu lado como se fossem irmaos. E sao mesmo. Na saída vi uma senhora de pelo menos 80 anos indo embora amparada pelos filhos, feliz que só ela. Licao de Vida, mais uma. Os amigos aparecendo pelo caminho, vibrando, dizendo que “tive a manha demais” de vir pro jogo. Sempre respondia dizendo que jamais ficaria de fora dessa festa. Do Mineirao pra sede do Galo em Lourdes foi um pulo. Foguetes incessantes, algumas cervas, novos encontros inesperados. Nenhuma briga ou confusao. Apenas alívio pelo fim de uma era e o início de outra.

Esperamos tanto, mas valeu cada nova licao aprendida nas derrotas. A primeira que lembro e uma das mais traumáticas, contra o Flamengo na decisao do Brasileiro de 1980. Guidao meu pai me tornou atleticano. Estava lá na sala de tv nesse dia, confiante na vitória que nao veio. Depois a roubalheira no Serra Dourada pela Libertadores de 81. José Roberto Wright, o sr. é um FILHO DA PUTA. As várias eliminacoes em semi-finais pelo Brasileiro pelo Coritiba em 85, Guarani em 86, Flamengo de novo em 87 após fazer a melhor campanha e ter todos os recordes do torneio. Em 91 o algoz foi o Sao Paulo. Nossa fase ruim foi acompanhada da ascencao do rival. Nova derrota na final do Brasileiro em 1999, dessa vez para o Corinthians. Em 2001 para o inexpressível Sao Caetano novamente nas semis. Isso sem falar nos carrascos da Copa do Brasil, torneio que jamais chegamos nas finais. Criciúma, Goiás, Vasco e até um nanico chamado Brasiliense já eliminaram o Galo.
A vitória é mais do que esperada, o objetivo final. É vislumbrada, sonhada, imaginada e até celebrada antes mesmo de acontecer. Engole-se fácil e saem todos lépidos e fagueiros celebrando por aí. A derrota, e foram tantas, ensina. É muito mais sofrida e difícil de digerir. Tem um inconfundível gosto amargo. Inesquecível. E se?! O imponderável se apresenta. Imagina-se o que teria acontecido. Aquela ilusao de felicidade que estava ali, a meio segundo, a dois passos do paraíso, se esvai, evapora. O grito de campeao engasgado na garganta durante 42 anos finalmente saiu. O estrondoso urro varreu a cidade como um furacao. Mas valeu a pena esperar cada segundo. Cada mes e cada ano. Após as várias eliminacoes, derrotas, e canecos escorregadios que passaram pelas maos de tantos jogadores talentosos  a Massa Atleticana foi se galvanizando, foi ficando mais forte e resiliente. Como uma corda que se arrebenta facilmente na primeira esticada, mas depois volta mais forte e bem amarrada. Com mais fios e entrelaçada. Até que se torna indestrutível e inabalável.

Agora uma nova era se inicia. Que venham os próximos 42 anos, mas cheios de conquistas, orgulho e glória de ser atleticano. E que justifiquem o Amor incondicional que a Massa tem pelo time.
Galo forte vingador, vencer é o nosso ideal!

ps. se ganharmos o Mundial contra o temível Bayern München as marias terao que escolher outro planeta pra viver.

Criquet, Ales, Aço e Galo

Esse post foi originalmente escrito no dia 11 de Julho de 2013 no aeroporto de Manchester enquanto eu bebia ales e comia fish & chips. Vai na íntegra do jeito que ficou.

Manchester Airport (degustando uma Jaipur IPA da Salopian Brewery, Shrewsbury, Shropshire, UK)
Os ingleses sao realmente um povo peculiar. Antes de entrar no carro do Alan Gillard, inglês da gema apesar do sobrenome francês, fui em direcao ao lado direito, o do passageiro. Ele riu e disse “estamos na Inglaterra”. Ao entrar na Motorway M1 se gabava dizendo que o resto da Europa é que dirigia do lado errado e eles, súditos da Rainha, sempre estiveram mais do que certos.

Desci em Meadowlands vindo do aeroporto de Manchester numa quarta-feira de sol. No caminho o tempo foi piorando, a neblina aparecendo e ao chegar em Sheffield encontrei o típico clima britânico. Nuvens cinzentas e sérias. O objetivo da viagem era aprender com os ingleses o bem sucedido modus operandi em funcionamento num conhecido cliente. Mas nao foi só isso que aprendi.

Criquet
O jogo de criquet, por exemplo, é uma instituicao local. Jogam agora o torneio “The Ashes”, série de cinco jogos clássicos entre Inglaterra e Australia. Metrópole vs. Colônia. Em disputa uma mini urna contendo as cinzas dos pauzinhos da casinha usada no primeiro jogo entre os dois paises ocorrido uns 200 anos atrás.

Criquet é uma mistura de bente altas com basebol. Ou o contrário. A tal casinha é feita de pauzinhos de madeira. Essas cinzas da urninha vieram da parte superior, equivalente ao travessao num gol de futebol. Acontece que cada jogo tem a bagatela de CINCO dias de duracao. Isso mesmo, cinco dias. Comecou ontem o primeiro da série com previsao para terminar no final de Agosto. É que entre um jogo e outro temos um intervalo de até uma semana. Os atletas precisam se recuperar de tamanho esforco, claro. Os jogos geralmente comecam às 11h da manha e terminam às 18h. Pausa para almoco, dois lanches e às 16h o tradicional chá que nao é das cinco e sim das quatro. Durante a transmissao os narradores vao se revezando, sempre em dois, ao longo dos cinco dias e das semanas.

Um famoso comentarista local participava ontem do evento, sempre transmitido em ondas longas, as long waves. Nao temos esse tipo de frequência no Brasil, ou pelo menos nao é muito popular. O jogo é apenas pano de fundo para os comentaristas tegiversarem sobre o clima, comentarem as últimas da politicagem inglesa, os resultados de outros esportes, problemas familiares entre os speakers e outros assuntos banais. Quando algum lance relevante acontece param tudo e se concentram no jogo. Depois voltam pra resenha original. Vira e mexe alguma matrona inglesa manda uma torta vinda lá de Dundee, por exemplo. Recebem-na com água na boca e comem a bendita no ar. Comentam depois sobre a textura da bendita, os sabores e cores divagando no final de onde virá a próxima e qual seria o sabor.

Music & Pints
A excelente música pop rock inglesa também é um capítulo à parte. Entrei no supermercado ontem ao som de “With or Without You” do U2. Nos pubs é desnecessário comentar o setlist. Sempre excelente. Na porta do carro do Alan tinha alguns CDs dos Beatles. O Paul que me levou hoje a outro cliente, tem Bruce Springsteen como toque de seu telefone. Na lojinha de sanduiches no almoco uma simpatico gorduchinha vestida de chapéu e trajando bigodes posticos me atendeu alegremente ao som de Jamiroquai. Ainda gargalhou perguntando se eu ia espalhar a foto pra mostrar o mico que ela  pagava de quando em vez. Tudo pra atrair mais clientes.

Após cumprir a missao Alan me perguntou se queria tomar um pint. “Why not”, respondi. Contava pra ele sobre o festival de Real Ales que fomos esse ano em Burton on Trent, capital cervejeira inglesa. O festival era da CAMRA, Campaign for Real Ale, entidade que resgatou a tradicao e as receitas antigas das cask ales inglesas servidas nas antigas bombas manuais sem gás carbônico. Detalhes sobre o festival merecem um post a parte. A espuma do copo é uma fina nata que vai colando no copo a medida que o felizardo bebe. Se grudar é porque o pint é bom, ensinou Alan. Num pub que ele nao frequentava havia 5 anos bebemos duas ales.

Galo x NOB
Com uma terceira sorvida num pub perto do hotel acompanhado de um honesto “chicken masala” da culinária Indiana, voltei ao hotel. A noite prometia em emocoes. Galo x Newells Old Boys pela semi-final da Libertadores. Jogo comecando às 1:50h horário de London. Tentei dormir em vao. Poderia ter assistido ao jogo na internet via Rojadirecta, mas preferi a velha, boa e dramática Rádio Itatiaia mineira e a voz inconfundível do Mário Henrique, o Caixa, e Roberto Abbras como reporter de campo. Escolha certeira. Aos 3 minutos 1x0 gol de Bernard. Pressao durante todo o 1° tempo em vao. Um penalty nao marcado em Jô colocou a primeira pulga atrás da orelha. Perdemos o primeiro jogo em Rosário por 2x0 e precisávamos do mesmo placar pra levar a decisao aos penalties.

O derradeiro tempo comecou com o inimigo melhor posicionado em campo. Bloqueando as investidas alvinegras e ganhando preciosos minutos. Ronaldinho aparecia o suficiente, mas nao muito e era ofuscado pelo talento e alegria nos pés do menino Bernard que finalmente voltou a jogar bem. Um providencial apagao no meio do 2° tempo, segundo alguns proposital, esfriou os ânimos argentines e colocou o Galo de volta ao jogo. Foram 13’ de interrupcao. Treze é Galo no jogo do bicho. A pulga se foi.
Guilherme, jogador que nao gosto por achar ser lento e pouco produtivo, entrou e marcou o segundo e salvador gol a 6’ do final. Estávamos no mínimo nos penalties. O Newells tentou de tudo pra nao tomar mais gols e levar a disputa para os penais. Ambos converteram as duas primeiras cobrancas, mas o fantasma de 1977 apareceu.

(Pra quem nao sabe o Atlético foi vice-campeao brasileiro invicto em 77 perdendo a decisao nos penalties para o Sao Paulo em pleno Mineirao. A cada defesa do goleiro de Deus Joao Leite um jogador alvinegro mandava a bola longe. Até que Joao parou de fazer milagres, mas os incompetents atletas continuaram errando. Resultado: bambis campeoes).
Jô errou, mas o argentino também desperdicou a terceira cobranca. Richarlysson mandou na lua e gelei na cama do hotel. Mas os hermanos foram camaradas e nao souberam aproveitar a vantagem. Pensei “agora R10 marca e depois Sao Vitor vao pegar”. Nao deu outra. Ronaldinho partiu pra quinta e derradeira cobranca e fez Galo 3x2 deixando nosso destino nas maos de Sao Viktor. Ele nao decepcionou e pegou a patada portenha classificando o Galo e a Massa para a inédita e tao sonhada final da Libertadores.

The Day After
No dia seguinte novas informacoes técnicas e culturais inundaram minha mente. Paul me contava que aos 15 anos teve o privilégio de assistir Sheffield Wednesday x Santos com Pelé e cia. O Santos ganhou de 2x0 e o jogo entrou pra história da cidade. Fiz cópia de uma revista relatando a partida que foi cuidadosamente guardada por Paul, torcedor ferrenho do Wednesday que hoje joga a Segundona inglesa.

A cidade de Sheffield e arredores sempre foi o coracao da indústria siderúrgica inglesa. Hoje em dia sao poucas as usinas ainda em atividade, mas o suficiente pra manter muitos fornecedores e trabalhadores ocupados.
Aqui no aeroporto continuo aproveitando das Real Ales enquanto rascunho essas linhas. Espero aumentar o volume de vendas na Holanda pra voltar aqui mais vezes.

Wednesday, May 16, 2012

Viva o Fortuna na Bundesliga

Düsseldorf (An Tagen wie diesen)

O Fortuna Düsseldorf está de volta a elite do futebol alemao, a Bundesliga. Num final dramático agora a pouco o empate em 2x2 contra o Hertha Berlin foi suficiente pra subir o F95 para a primeira divisao.

O sistema aqui é diferente do Brasil. Os dois últimos da 1. Bundesliga caem e os dois primeiros da segunda sobem automaticamente. Pra dar emocao e matar muito torcedor do coracao uma espécie de repescagem chamada Relegation coloca em campo o antepenúltimo contra o terceiro da segundona. Jogo de ida e volta com o segundo sempre na casa de quem está querendo subir.

Quinta passada o Fortuna arrancou uma histórica vitória de 2x1 em Berlin contra o Hertha no estádio Olímpico de Herr Führer. Bastava um empate na noite de hoje na Esprit Arena. Esprit vem a ser uma marca de roupas famosa por aqui e nao uma versao paraguaia do Sprite.

Aos 28 segundos de jogo, Fortuna 1 a 0. O estádio quase veio abaixo. Quem estava comprando o salsichao com Altbier antes de entrar perdeu o gol. Depois o Hertha, com melhor toque de bola e organizacao no meio campo, empatou com justica.

Veio o segundo tempo e num contra-ataque rápido Düsseldorf - capital da Renânia do Norte e Vestfália que presenteou Frau Merkel com uma derrota acachapante do seu partido, a CDU, nas eleicoes locais - ficou novamente em vantagem contra a capital federal. Antes disso Berlin teve um jogador expulso e foi justamente o turco ou filho de turca que marcara o tento berlinense na primeira metade da peleja.

A partir daí foi só cozinhar o jogo e aguardar o apito final. Mas tirando forcas do Além o Hertha empatou de novo. Tensao na torcida que apoiou o time sem parar um segundo. Jogaram foguetes no gramado, os jogadores pediram calma, uns 300 policiais vestidos como transformers passaram a proteger o canto onde estava a torcida da capital federal. Na confusao um início de briga entre os jogadores fez o Fortuna perder um zagueiro, um negao bom de bola e brigador.

Sobe a plaquinha mostrando 7 minutos de acréscimo. Düsseldorf parte em contra-ataque novamente. Tudo indica que o terceiro e matador gol vai acontecer. Mas o atacante erra bizarramente. A torcida, que já cercava o gramado e havia pulado as placas de propaganda, nao se contém e simplesmente invade o campo. Parecia final da Libertadores na Argentina. Estamos na Alemanha mesmo?!

Teve torcedor arrancando pedaco de grama pra levar de lembranca. A torcida me é tao fanática quanto a Massa do Galo. Os jogadores correm para os vestiários. Fiscais e segurancas tentam conter a matilha de malucos. O locutor fala em alto e bom tom que se os dois minutos finais nao forem jogados o Fortuna nao sobe. O que sao 120 segundos pra quem esperou 15 anos?! Milagrosamente conseguem limpar o campo e as laterais. Voltamos pra Alemanha.

O juiz deixa rolar apenas 90 segundos até a explosao final. Um enxame de alvi-rubros invade o gramado. Beijam os jogadores, os carregam nas costas, pedacos de grama somem rapidamente. Serao vendidos amanha no mercado negro a preco de ouro. Parece a final de 70.

Campino, o vocalista da banda da banda de rock mais famosa da Alemanha, Die Toten Hosen, que por acaso é de Düsseldorf - assim como Wim Wenders, Kraftwerk e tantos outros - literalmente "as calcas mortas", mas é uma expressao pra falar que uma pessoa é uma mosca morta - vai ao delírio. Havia prometido durante a semana fazer um show de graca no estacionamento do estádio caso o time subisse. Aliás, Campino já deu uma de ator no filme "Palermo Shooting" do Herr Wenders. Faz o papel de um fotógrafo famoso, mas de saco cheio da mesmice de sua Vida. Resolve ir pra Palermo atrás de aventuras e acaba encontrando coisa bem melhor.

Alguns anos atrás o Fortuna caiu pra quarta divisao e estava quase falido. A banda se mobilizou e comecou a bancar o time até ele se recuperar e arrumar um patrocinador. Quer paixao maior que essa?!

Vou comprar amanha minha carteirinha de sócio. Fui ao estádio na última rodada quando o Fortuna precisava pelo menos empatar pra garantir o 3° lugar e ter direito de jogar a Relegation. Acabou 2x2 contra os zebras de Duisburg.

Pra festejar até amanha, com vocês, Die Toten Hosen.

Friday, May 04, 2012

Futebol é Paixao

Düsseldorf (faltam 16 dias pra Ela voltar...)

Vi o video no Blig do Gomes. Impossível nao fazer jorrar cascatas de lágrimas com essas imagens. Saudades do futebol de verdade, quando era jogado com o coracao acima de tudo, até das chuteiras, e nao do dinheiro, do patrocínio, dos lucros, da megaexposicao das marcas.

Duas geracoes juntas, avô e neto. Um já sentiu isso tantas vezes que chora ao ver como sao escassos atualmente os momentos em que esse sentimento brota. O outro nao tem a menor idéia do que isso vai significar em sua Vida, mas já sabe que é importante e intenso.

Friday, August 12, 2011

Bati Gol

Düsseldorf (usando e abusando do Você Tubo...)

Acho que vi uma notícia no UOL falando que Gabriel Batistuta, ex-atacante da selecao argentina, Fiorentina e Roma, está com sérios problemas no joelho, ou rodilhas, em espanhol.

Como quem procura acha, vi os 20 melhores gols de sua carreira. O nr. 1 é de fato o mais bonito, difícil de ser feito e nao é pra qualquer atacante.

Bati Gol, como era carinhosamente chamado, era daqueles atacantes matadores. Bobeou, dancou. Tinha potente chute de direita, cabeceava com perfeicao e quase todo jogo guardava o dele. Tem um, acho que o nr. 5, onde ele recebe um passe do Edmundo. Sim, o Animal. Dá um toque sutil por cima do goleiro, de fora da área, e sai pro abraco.

Aumente o som, já que a "eletronika" do Armin van Buuren casou perfeitamente com as imagens.

Saturday, February 26, 2011

Fanfarrao, eu?!

Düsseldorf (especialista em quiches)

Link enviado por Domenico, alcunha Nico, pizzaiolo famoso de BH  e integrante da Camorra, a máfia napolitana.

Sunday, October 31, 2010

Pelé 70

Beagá (é 13 na cabeca!)

No último dia 23 Edson Arantes do Nascimento completou 70 primaveras. Nao gosto dele como pessoa, mas o Pelé é incontestávelmente o melhor de todos os tempos, passados e futuros.

Como o próprio mesmo disse, em ataque de modéstia "Como na música só há um Sinatra e um Beethoven, nas artes so houve um Michelangelo, no futebol só existe um Pelé."

Além da habilidade e talento natural Pelé possuia um fisíco extraordinário. Já li uma vez que seu coracao batia apenas 45 vezes em repouso enquanto uma pessoa normal necessita de 65 a 70.

O Santos dos anos 60 era uma máquina de fazer gols chegando por várias vezes a ultrapassar a marca de mais de 330 tentos no ano. Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Quem nao sabe de cor e salteado esse ataque?!

Guidao, o melhor Pai do Mundo, conta que num certo jogo o Vasco vencia o Santos por 2x0 até o finzinho do jogo. Mas em poucos minutos Pelé marcou dois empatando a partida pra assombro de todos. Nos vestiários, em entrevista, disse "Muito prazer, eu sou o Rei."

E Cesar Menotti, jogador e treinador do Boca Jrs. e selecao argentina disse que pra Maradona ser Pelé lhe faltavam três Copas e fazer mil gols.

O que eu lembro de Pelé?! Dos lances na Copa de 70, principalmente. Aquele chute do meio do campo contra a Tchecoslováquia quase marcando levando o goleirao do Galo na época Marzukiévski a loucura. Daquela finta no goleiro uruguaio deixando a bola passar e chutando ao gol com a bola passando rente ao poste. Da rebatida de primeira após um tiro de meta mal batido na mesma semi-final contra o Uruguay. Da cabecada certeira, subindo no 3º andar pra se encontrar com a bola cruzada pelo Rivelino abrindo o placar na final. Do passe milimétrico para o Capitao Torres, ao receber de frente pro gol uma bola do Tostao, e Carlos Alberto fuzilar o gol italiano decretando 4x1 e o TRI.

Neste site encontrei uma galeria interessante de fotos e capturei essa com o coracao de suor formado no peito.


Mas me lembro de lances da Copa de 58, de alguns gols e sempre daquele chapéu no beque sueco, quase dentro da pequena área, marcando aos 17 anos seu gol na final. O zagueirao escandinavo disse que "depois do quinto gol eu queria era aplaudi-lo".

E recordo dos lances espetaculares e gols de bicicleta de Pelé no Cosmos de New York na primeira tentativa séria dos americanos de fazer o esporte mais popular do Mundo pegar nos States.

Mas Pelé se envolveu em algumas confusoes, negociatas escusas e outras polêmicas. Seu filho e ex-goleiro santista que o diga.

O que impressiona é como um atleta que há muito tempo atrás pendurou as chuteiras sempre conseguiu estar em evidência, a ser uma imagem do craque futebolístico, a vender o sonho do menino pobre que alcancou o sucesso e virou lenda viva.


A Pelé todas as nossas reverências pelo esportista que foi. Já o homem Édson...

Tuesday, July 20, 2010

Reporter Truta, Reloaded

Essen (Oslo nos aguarda)

Se voces pensaram que nosso intrepido Reporter ficaria no limbo apos a Copa, se enganaram.

Com o substancial aumento de verbas advindas dos milhares de acessos diarios durante a cobertura copistica, resolvi presentea-lo com merecidas ferias.

Sabendo de suas habilidades no idioma quixotesco, mandei-o a Lima, no Peru. Ele sempre quis conhecer o Peru, nao sei por que.

E de la me contou outro dia:

"Correria danada. Lima nada mal. O clima e a cidade parece com SP, o relevo parece com Salvador. Povo gente fina, mas é 3° mundo."

De ferias ele nao escreve muito. E voltou da Africa do Sul acostumado com a Vida boa, estadios cheios de europeus, etc. Precisamos conversar na volta.

E no domingo mandou outro telegrama, dessa vez numa maquina moderna que tambem enviava fotos Polaroid:

"Volta ao mundo em 80 dias! Agora to eu tomando uma cerveza Cusqueña e um Pisco Sour em Lima, no Peru.

Lugar legal pra caramba. Povo feinho mas gente fina. Frio, clima feio tipo SP.

Amanha ia num jogo do Campeonato Descentralizado Peruano, mas nao tem jogo em Lima. Ia ser muito ponto no curriculo e ainda ganhava uma extensao no meu contrato milionario com a agencia internacional de noticias Truta. Hoje teve jogo, mas nao rolou de ir.

Saudade do Brasil! Abracos a todos!"


Sim, ganharia muitos pontos mesmo. Esse campeonato nao deve ter nem cobertura na radio, quanto mais num Blog de prestigio mundial como o Truta.

Ele nao sabe ainda, mas o contrato ja foi extendido para a Copa de 2014. Desde que arrume ingressos para todos os jogos do Brasil para esse que vos bloga e familia. E talvez alguns convidados.

Tuesday, March 30, 2010

Armando e a Massa

Düsseldorf ("Se Pelé nao tivesse nascido gente, teria nascido bola")

O Brasil e o Mundo perderam hoje um de seus maiores e melhores jornalistas. Um ser humano delicado, inteligente, sútil e sedutor. Em homenagem a ele deixo aqui um texto sobre uma torcida incomparável, inigualável, inimitável e inalcancável.

Vai com Deus, Armando!

A MASSA
Armando Nogueira

Torcidas, haverá as mais numerosas (Flamengo) ou mais conhecidas por sua grandeza (Corinthians), mas nenhum séqüito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heróico, em poesia acumulada ao longo dos anos.

"A Massa", como é simplesmente conhecida em Minas Gerais, compartilha com a torcida corinthiana ("A Fiel") a honra de deixar-se conhecer com um substantivo ou adjetivo comum transformado em nome próprio, inconfundível.

A Fiel, A Massa: poucas outras torcidas terão realizado tal operação de mutação de um nome comum em nome próprio.

Muito distintas são, no entanto, as torcidas dos alvi-negros paulistano e belo-horizontino: quem já vestiu a camisa do time do Parque de São Jorge sabe que a Fiel é fiel em sua paixão, não em seu apoio. Na derrota, a Fiel é implacável; não desaparece, como a torcida do Cruzeiro. Está sempre lá.

Mas é capaz de crucificar com um pequeno manifestar-se de sua raiva. Na vitória, cobra cada vez mais, e reinstala aí sua insatisfação, cuja raiz quiçá esteja no mal-resolvido trauma dos 23 anos sem título, e do grande pesadelo de duas décadas chamado Pelé. A Fiel é fiel, e sempre o foi, mas sua fidelidade se nutre de um descompasso entre a alma do torcedor e a alma do time.

No caso do atleticano, a alma do time não é senão a alma da torcida.

Toda a mística da camisa, das vitórias sobre times tecnicamente superiores (e também das derrotas trágicas e traumáticas), emana da épica, das legendárias histórias que nutre sua apaixonada torcida: nem o Urubu, nem o Porco, nem o Peixe, nem a Raposa, nem o Leão, nem nenhum animal mascote se confunde com o nome do time, com sua identidade, com sua alma mesma, como o Galo com o Atlético Mineiro. E Galo é o nome da torcida (GA-LO), bissílabo cantável e entoável como grito de guerra que ela eternizou ao encarnar em si o espírito do animal. Nenhum outro time é conhecido por tantas vitórias improváveis só conquistadas porque a massa empurrou.

"Quem possui uma torcida como esta, é praticamente impossível de ser derrotado em casa" (Telê Santana).

Pelos idos de 69 ou 70, o timaço do Cruzeiro já tetra ou pentacampeão entrava em campo mais uma vez e parecia que de novo ia humilhar o Atlético, que já amargava o quinto aniversário do Mineirão sem nenhum título estadual. A superioridade técnica de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Raul, Piazza e cia. era simplesmente incontestável. Mesmo naquele clássico durante vacas tão magras, a massa atleticana era, como sempre foi, maioria no Mineirão. Impotente, ela viu Dirceu Lopes abrir o placar e o time do Cruzeiro massacrar o Galo durante 45 minutos. No intervalo, a Massa que cantava o hino do Atlético foi inflamada por um recado de Dadá Maravilha pelo rádio: "Carro não anda sem combustível".

A fanática multidão encheu-se de brios, fez barulho como nunca, entoou o grito de guerra como nunca, encurralou sonoramente a torcida cruzeirense, e o time do Atlético infinitamente inferior, liderado pelo artilheiro Dario e pelo seu grande goleiro (como é da tradição atleticana) Mazurkiewcz - virou o placar para 2 x 1 sobre o escrete azul, e abriu caminho para a reconquista da hegemonia em Minas, selada com o título estadual de 70 e o Brasileiro de 71. Nenhum dos jogadores atleticanos presentes nessa vitória jamais se esqueceu da energia que emanava das arquibancadas, e que literalmente ganhou o jogo.

Também as derrotas tradicionalmente contribuíram para a mística e paixão atleticana: como em 1998, quando o visitante Corinthians trouxe ao Mineirão sua máquina que se preparava para ser bicampeã brasileira e campeã mundial. O Galo se recuperava no Campeonato Brasileiro, vinha de uma vitória sobre o Grêmio no Olímpico, e a Massa mais uma vez lotou o estádio. Com seu toque de bola, o Corinthians envolveu o time atleticano, e no meio do segundo tempo já aplicava impiedosos 5 x 0, enquanto tocava a bola, colocava os atleticanos na roda e esperava o fim do jogo. Vendo seu time humilhado por um adversário superior dentro de seu próprio terreiro, massa se levantou, e cantou durante mais de 10 minutos o belo hino, mais alto e com mais amor que nunca. Nenhum jogador presente se esqueceu, e um ano depois o Galo devolveria ao Corinthians os 5 x 1 do Mineirão, com sonoros 4 x 0 no Maracanã.

Como no silêncio sepulcral que envolveu o Mineirão em março de 1977, quando a grande equipe atleticana de Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro, João Leite e Marcelo perdeu nos pênaltis o título que todos já consideravam seu, incluindo-se, às vezes parece, os próprios adversários são-paulinos. O time do Atlético, mesmo jogando sem Reinaldo, injustamente suspenso, foi empurrado pela torcida, mostrou-se muito superior ao do São Paulo, como havia feito durante todo o campeonato em que acumulou 17 vitórias, 4 empates e nenhuma derrota, encurralou o adversário durante 120 minutos, mas o gol não saiu. O título é perdido nos pênaltis, mesmo depois de duas grandes defesas de João Leite em cobranças são-paulinas. Ângelo, um dos craques do jovem time atleticano, deixou a partida pisoteado por Chicão, e nunca mais seria o mesmo.

O Galo, base da seleção brasileira de Osvaldo Brandão, sai de campo vice-campeão invicto, com os 11 jogadores abraçados, 10 pontos à frente do campeão, e a Massa recebe aí sua grande tarefa dos próximos anos: realizar o luto pelo enorme trauma. Começou a tarefa no domingo seguinte às 10 da manhã, levando legiões de bandeiras para uma amarga partida contra o Bahia no Mineirão.

Nenhuma outra derrota de um favorito no Brasileirão se revestiria de tanta mística apaixonada. A partir daí essa Massa acumularia 10 títulos mineiros em 12 anos, e uma seqüência de campanhas sensacionais no Brasileirão (o Atlético Mineiro é o time que mais pontos conquistou nos Campeonatos Brasileiros), interrompidas na final ou semifinal, em jogos fatídicos (Flamengo-80, Santos-83, Coritiba-85, Guarani-86, Flamengo-87, Corinthians-88).

A magia atleticana se encarnaria no seu torcedor mais famoso, Sempre, cujo nome real não se conhece, tal é força do apelido. Durante décadas, Sempre ocupou as arquibancadas do Independência e do Mineirão, com sua bandeira e seus ditos legendários. Nunca deixou de comparecer e nunca vaiou o time, embora chorasse nas derrotas. Foi dos primeiros a entoar o hino composto por Vicente Motta em 1969, e depois aprendido por milhões em todo o Brasil. Abria e fechava o clube diariamente, e participou de epopéias memoráveis da massa atleticana, como quando a multidão carregou no colo o artilheiro Ubaldo, pentacampeão mineiro de 1956, de sunga, ao longo dos 5,5 quilômetros que separam o estádio Independência da Praça Sete, ou como quando 20.000 atleticanos invadiram o Maracanã e empurraram o time à conquista do Primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, sobre o Botafogo de Jairzinho.

O Furacão de 70 sentiu seu peso de novo cinco anos mais tarde, na decisão do Mineiro de 76, quando a Massa, mesmo tendo comemorado só 1 dos últimos 11 campeonatos mineiros, tomou conta do Mineirão para empurrar uma turma de meninos de 18-21 anos (de nomes Reinaldo, Cerezo, Paulo Isidoro, Danival, Marcelo) a vitórias contundentes sobre o campeão da Libertadores.

Estava aberto o caminho para o hexacampeonato de 78-83.

"Se houver uma camisa alvi-negra pendurada no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento". O achado do cronista Roberto Drummond resume a mitologia do Galo: contra fenômenos naturais, contra todas as possibilidades, contra forças maiores, a torcida atleticana passa por radical metamorfose e se supera. Superou-se tantas vezes que já não duvida de nada, e cada superação reforça ainda mais a mística, como uma bola de neve da paixão futebolística.

Nenhum atleticano hesitaria em apostar na capacidade da Massa de transformar o impossível em possível a qualquer momento, de fazer parar aquela tempestade que açoita o pavilhão alvi-negro deixado solitário no varal.

Não surpreende, então, o sucesso que tiveram os jogadores uruguaios que atuaram no Atlético Mineiro, do grande Mazurkiewcz ao maior lateral-esquerdo da história do clube, Cincunegui. Se há uma mística de garra e amor à camisa que se compara à atleticana, é a da celeste, não mineira, mas uruguaia. Só à seleção uruguaia a pura paixão por um nome e um símbolo levou a tantas vitórias inacreditáveis, improváveis, espíritas, ou puramente heróicas. Em 1966, as duas camisas legendárias se encontraram, e o Galo derrotou o Uruguai duas vezes (26/04/66 - Atlético 3 x 2 Uruguai, 18/05/66 - Atlético 1 x 0 Uruguai).

Ao contrário das torcidas conhecidas por sua origem étnica (Palmeiras, Vasco), por sua origem social (Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo), ou por seu crescimento a partir de uma grande fase do time (Santos, Cruzeiro), qualquer menção da torcida do Atlético Mineiro evoca, invariavelmente, substância mesma que constitui o torcer. O amor ao time na vitória e na derrota, o apoio incondicional, a garra, a crença de que sempre é possível virar um resultado, o hino entoado unissonamente: a legião fanática que ama o Galo acima de tudo sabe que ser atleticano é unir-se num estado de espírito, compartilhar uma memória, e fazer da esperança uma permanente iminência.

A massa atleticana é a prova maior de que, mesmo em época de profissionalização total do futebol, e do negócio futebol, para o povo brasileiro este é acima de tudo paixão por uma cor, um nome, um símbolo, a memória de um instante que pode ser um gol, um campeonato, um abraço ou um beijo. Galo é o nome que mais radical e verdadeiramente expressa, para tantos milhões de brasileiros, o inexplicável dessa paixão.

O Galo é o único clube a ter vencido a Seleção Brasileira. E não foi qualquer uma. Ela entrou em campo com Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivelino); Jairzinho, Tostão Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César). O Galo venceu com Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri (Beto); Vaguinho, Laci, Dario e Tião (Caldeira).

 O Atlético-MG vestiu a camisa Amarela do Brasil em um amistoso
contra a Seleção da Iugoslávia no dia 19 de dezembro de 1968 e venceu por 3x2.

Wednesday, September 09, 2009

Dribles existem

Dusseldorf (adeus ferias...)

Nao sei onde nem quem, mas funcionou perfeitamente.

Sunday, August 16, 2009

Don Diego

Düsseldorf (amanha tem DTM em Nürburgring)

Impossível nao chorar com essas imagens, mesmo depois de tanto tempo.

E olha que Victor Hugo Morales, o narrador, é uruguaio. Imagina se fosse argentino.