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Thursday, February 27, 2020

Cairo: cultura, história, sujeira, bagunca e mesquitas

Cairo (a exposicao tá meio mambembe)

A cidade mais 24 horas do mundo realmente nao dorme. Os egípcios dormem em média 5 horas. Hoje um engenheiro mecânico formado na melhor universidade da cidade me disse que saiu de lá louco e que gosta de ser considerado maluco. Disse dormir lá pelas 2 ou 3 horas da matina durante a semana, que comeca domingo e termina na quinta. Hoje aqui é Quintoooou!!! Compensa no final de semana quando dorme bastante. "É a vida", me confidenciou meio desesperancoso.

Cheguei ao Cairo ontem e logo recebi a notícia da morte do ex-presidente e ditador Hosni Mubarak. Governou o Egito de 1981 a 2011 quanto foi deposto durante a Primavera Árabe que varreu essas bandas de cá. Condenado a prisao perpétua pela morte de manifestantes, deu o bom e velho jeitinho egípcio e passou o fim de seus dias em casa ou num hospital militar. Assumiu o posto após o assassinato da Anwar Sadat durante uma parada militar. Mubarak era seu vice e estava ao seu lado quando Sadat fora atingido por tiros de terroristas. Assumiu logo em seguida, cumpriu o acordo de paz com Israel e os EUA e, segundo os próprios egípcios, era um homem bom e fez coisas boas pelo país.

Quando caiu em 2011 foi substituido por Morsi da Irmandade Mulcumana. Nao durou muito essa aventura e os fundamentalistas foram sacados do poder assumindo o general Sissi, ainda hoje o principal mandatário do antigo reino dos farós. Percebi muitas mudancas pra melhor. O aeroporto estava bem mais movimentado do que na minha última visita em 2017. Ali estava em peticao de miséria, às moscas, implorando pra ser utilizado. As estradas em construcao esta todas prontas e melhoraram bastante a Vida dos motoristas loucos.

Aliás, imaginem o Pateta naquele desenho onde ele é um motorista louco, insano. No Cairo TODOS OS MOTORISTAS SAO O PATETA!!! E a buzinacao?! É como se avisassem "estou passando à esquerda", e buzinam. "Estou passando à direita", e tome buzina. Pra tudo os safados fazem barulho. E nao brigam entre si, por mais agressiva que tenha sido a manobra. Já vi coisas aqui do arco da velha, melhor nem contar senao ninguém acredita.



Foto: pedro_bresson

A sujeira impera por todos os lados. Egípcios tem o péssimo hábito de largar tudo pra trás e nao limpar nada, pois já sabem que um moleque da limpeza vai passar e deixar tudo em ordem. Assim saem largando lixo por onde passam. Fumam feito condenados em espacos fechados, restaurantes, feiras, dentro de escritórios no trabalho, onde estiverem, em resumo. Acho que isso nunca vai mudar por aqui.

Por outro lado, eles tem uma certa obssessao por limpeza. Fica sempre um pobre coitado no banheiro pra te ajudar. Abrem a torneira pra vc lavar as maos, às vezes espirram o sabao pra você esfregar as mesmas, tiram duas ou três toalhas de papel e te entregam como se fosse um troféu aguardando ansiosamente pela secagem de seus membros superiores. Os WCs, ou toilets, sao perfumados em sua maioria. Mas nao queira se aliviar de forma mais intensa, especialmente em postos de gasolina na beira da estrada. Vais encontrar um buraco no chao e uma mangueirinha com a torneira fechada pra lavar o fióis depois de liberar o defunto. Uma tristeza...



Foto: pedro_bresson

Estao construindo uma nova cidade do zero, no meio do deserto. Vai se chamar New El Alamin, dá um Gugou. E no fim deste ano será inaugurado o novo Museu Egípcio abrigando toda a colecao do atual localizado num prédio antigo na Praca Tahir, aquela da Primavera em 2011. Ali apenas 10% de todo acervo pode ser visitado, inclusive a famosa máscara mortuária do faraó menino Tutankamon.

Egito é uma terra de contrastes intensos, mas no fundo sao felizes e autênticos. A religiao, no fundo, faz bem pois mantem a turma na rédea curta. Nao há violência urbana apesar da pobreza, da miséria, dos mais de 20 milhoes vivendo em Cairo, do trânsito caótico e do esfrega esfrega nas ruas e bazares a céu aberto. Falem o que quiser, mas o Islamismo tem lá suas vantagens.

Monday, December 09, 2019

Resenha: Sapiens, uma breve história da humanidade

Viena (indo pra natacao dos fofinhos)

Yuval Noah Harari é um historiador, filósofo, pensador e agora guru nascido em Israel. Estou terminando de ler Homo Deus do mesmo autor. Nao tao interessante como "Sapiens", na verdade bem monótono no meio, mas vou terminar na raca pra fechar a trilogia sobre Passado (Sapiens), Futuro (Homo Deus) e Presente (21 Licoes para o Século 21) do autor. Este último ouvi um audiobook em inglês no aplicativo audible da amazon. Recomendo muito.



"Um livro impossível de ser resumido. Tem que ser lido e tristes são aqueles que não o lerão. Misturando ciência, história, filosofia e economia Harari nos explica por que o Homo Sapiens dominou todas as outras espécies, se espalhou pelo mundo, deixou de ser um caçador-coletor e dominou a agricultura (ou foi dominado por ela) fixando residência, criando propriedades, cidades e impérios.

A criatividade do Sapiens em acreditar em coisas que não existem como o dinheiro, os direitos humanos ou as fronteiras entre as nações nos diferencia das demais espécies e nos fez literalmente os Donos do Mundo. Um exemplo de como a curiosidade do Sapiens movimentou muita gente e teve grande impacto no mundo na época foi a simples pergunta "Qual a distância entre o Sol e a Terra?" A busca pela resposta fez com que a expedição do capitão James Cook iniciasse a conquista e ocupação britânicas da Austrália, Nova Zelândia e tantas outras ilhas ao Sul. Um livro imperdível que merece nota 9,5."

 

O que este livro fez por mim?! Me fez ver a evolucao da espécie humana sobre uma outra perspectiva e contexto históricos. A importância do domínio da agricultura foi essencial para que o Sapiens fixasse residência por longos períodos num determinado local originando assim os primeiros vilarejos que se tornaram cidades e depois impérios.

Publicado no Instagram @pedro_livros em 08/10/2017: https://www.instagram.com/p/BaACCAVFTEP/

Tuesday, August 23, 2016

Internet 25 anos depois: cacando Pokemons

Viena (tudo comecou com a BBS Horizontes)

Há exatos 25 anos Tim Berners-Lee criou a primeira página da Internet que pode ser vista aqui. World Wide Web, o famoso WWW que precede qualquer página na rede mundial de computadores, completa hoje um quarto de século.

"This machine is a Server. Do not power down"

Novas palavras como browser, hyperlink ou simplesmente link, E-Mail e o sinal @ e tantas outras foram incorporadas ao vocabulário mundial. O correio eletrônico foi uma revolucao. Diziam que os correios de verdade iam acabar, que ninguém mais enviaria cartas ou postais. Mas ambos convivem muito bem até hoje, obrigado. Claro que o volume de cartas e postais diminuiu sensivelmente forcando os correios a diversificarem seus negócios.

Me lembro do primeiro provedor lá de casa: Prover. Internet discada, aquele barulhinho característico que hoje soa tao raramente quanto um sinal de fax. Aliás, alguém ainda manda fax nesse mundo? Uma foto de mulher pelada demorava minutos pra ser carregada, ou baixada. Uma tortura só. E quando dava pau?

Depois veio o primeiro, ou um dos primeiros, chats online: ICQ. Cada usuário tinha um número e se voce escrevesse qualquer bobagem praquele código de algarismos alguém do outro lado, um amigo, responderia. Mas poderia ser um desconhecido também dando início aos primeiros chats online e suas variacoes de paquera e sexo tao comuns hoje em dia.

(Aqui um parênteses. Gracas ao bate-papo do UOL passei 15 dias na Espanha entre Barcelona, Sevilla e Madrid com pessoas fantásticas e muito cultas, comendo e bebendo do melhor e tendo aulas de história, artes e geografia in loco. Como consegui isso? Priimeiro conheci a Raphaela no Chat do UOL Conversa vai conversa vem e mudamos para o Hotmail, hoje MSN, que nem existe mais. Um defunto eletrônico. De lá cada um checou o perfil do outro no Orkut e uma empatia surgiu. Isso era Janeiro de 2005 e eu enfurnado num experimento científico no ESRF em Grenoble. Mas pode ter sido no HASYLAB em Hamburgo também. Nao interessa, era alta madrugada, um frio de rachar lá fora, o experiento e as medicoes rodando e nada pra fazer. Alguém tinha que estar ali pra ficar de olho e corrigir a medida caso alguma merda acontecesse. Trabalhavamos em turnos. O da noite era o meu. Bom, marcamos de nos encontrar em Barcelona em Marco e de lá descer de ônibus para Sevilla pegando a tradicional Semana Santa na Andaluzia. O destino era a casa do Jack. Ali estávam também o Ronald, consul do Brasil em Madrid, o Fernando, Professor de artes e o Tinte, de nome Florentin, funcionário de um banco. Jack era restaurador de catedrais e trabalhava na torre da famosa La Giralda, a fantástica catedral de Sevilla. Passei bons dias com eles e a Rapha que é amiga até hoje, embora nem tanto quanto o Ronald. Este ia nos contando a história dos lugares, as guerras, quem ganhou e por que, os impactos nas sociedades, a origem das comidas e bebidas. Depois durante as procissoes da Semana Santa, onde cada igreja se esforcava para ter a Maria mais bela e o maior número de fiéis seguindo os andores, nos explicava sobre as tradicoes religiosas. Ainda consegui assistir uma tourada na la Maestranza, a famosa e tradicional Plaza de Toros de Sevilla. Era início de temporada, a primeira tourada do domingo, comprei ingresso na porta e me acomodei num assento de pedra. Olhei para os lados e todo mundo tinha uma almofadinha. O programa era de 6 toros, 2 para cada Torero. O último a entrar é sempre o mais experiênte e famoso, El Cid! Dependendo da atuacao o Torero tem direito a cortar uma orelha do touro. Se for muito bem, corta as duas. Se o desempenho tiver sido excelente leva o rabo do bovino. Mas se for algo fora do normal ele corta tudo isso e ainda sai carregado nos bracos da galera pela porta principal. E foi assim que El Cid saiu de la Maestranza naquele ensolarado domingo andaluz. Nos bracos do povo. Durante os dias criei uma amizade com o Ronald. Ele voltaria pra Madrid depois das festividades e eu também ia pra lá me encontrar com o Bidu. A Rapha me cantou a pedra: fala pra ele que voce nao tem Hotel ainda e ele te convida pra ficar na casa dele. Dito e feito! Passei 5 dias em Madrid no ape do Ronald muito bem localizado com direito a empregada brasileira cozinhando arroz e feijao e fritando bifes e ovos cujos sabores me lembro até hoje. Depois eu teria que procurar onde ficar para as duas noites finais já que ele receberia um amigo. Mas eis que surge Tinte Sabin, o bancário Florentino, e me oferece um ape vazio ao lado do Reina Sofia! Aceitei imediatamente antes que ele mudasse de idéia e assim passei 15 dias na Espanha sem gastar um centavo com hotel. Gracas ao bendito bate-papo do UOL.)

Voltando ao assunto, o Napster revolucionou a indústria da música e a forma como as pessoas se relacionam com ela. Explica direito. Você pode procurar e achar uma música que quer ouvir, qualquer uma, fazer o download do arquivo de graca e ouvir no seu computador? E esse tal de MP3? E os meus LPs, K7s e CDs, o que faco com eles? E as lojas de discos?! Pois foi aí que se previu o fim da música gravada fisicamente nos meios citados e sendo disseminada em arquivos digitais via Internet. E de graca!!! Até a indústria fonográfica entender o que estava acontecendo muita gravadora pequena quebrou, artista parou de ganhar grana somente com venda de disco e comecou a fazer show sem parar. Hoje em dia os grandes donos da festa sao quem controla essas tantas casas de shows e arenas mundo afora faturando horrores com ingressos cada vez mais caros. Live Nation é uma delas.

O Messenger era uma versao bem mais sofisticada do ICQ. Podia-se compartilhar fotos, videos e audios, os emoticons deitavam e rolavam e pra quem morava fora como eu era muito bom pra conversar com a família e amigos matando um pouco da saudade. Tinha uma polaca maluca na TU Wien onde comecei meu Doutorado. Ela nos apresentou ao Gadu Gadu que vem a ser uma versao polonesa do Messenger. Eu e o Haroldinho caímos matando e saimos interagindo com as polacas do mundo todo, mas principalmente as de Viena. Nos renderam bons frutos!

Fui pedido em casamento via Messenger! E mantinha conversas intermináveis com Ela via Skype de quem falaremos logo mais. Viva a Internet!!!

Na sequência do Napster veio o eMule e similäres para download de filmes. Os arquivos eram quebrados em milhares de pedacos e compartilhados com os usuários online através do programa. Depois vieram o rapidshare e afins com os links das partes disponíveis para baixar e por último os torrents que usavam um princípio semelhante ao eMule, mas a variedade de filmes era bem maior e o programam mais rápido e fácil de usar. Baixei muita coisa boa até tomar uma traulitada do governo alemao em forma de multa e aposentar o mouse.

Eis que voce acha que tudo ja existe na Internet e surge um tal de Orkut, nome de um turco. Era um site diferente onde cada um tinha um perfil e podia entrar no perfil dos outros deixando comentários ou participando de comunidades como "Amantes da alface" ou "Novela das oito forever" ou "Discografias" com todos os links do rapidshare dos seus artistas preferidos sendo disponibilizados para download. Pronto, inventaram tudo! Que nada. Aí vem o Facebook pra revolucionar tudo outra vez mudando a interacao individual entre cada usuário e jogando tudo na cara de todo mundo aumentando absurdamente a interacao entre todos.

Voltando ao Napster e MP3, com a reducao de tamanho dos arquivos ficou fácil colocar o conteúdo de um CD ou de vários num pequeno aparelho com fone de ouvido.. Assim surgiu o iPod e suas variacoes. Viva Steve Jobs! Daí para o iPhone foi um pulo e depois para o iPad. A chegada dos aplicativos, que no início eram versoes para iPhone ou iPad de páginas ou softwares já existentes na rede mundial, evoluiu para a criacao de apps específicios para qualquer coisa. Seja controlar a alimentacao, medir a distância e tempo da corrida, checkin online de cia aérea, visualizar mapas pelo Google Maps, pedir comida, comprar passagem aérea depois de comparar precos no mundo todo, alugar um carroou chamar um táxi, agora Uber, mas sempre interagindo com outras pessoas.

O WhatsApp revolucionou a comunicacao via smartphones. O Skype continua assombrando e proporcionando conversas limpas pelo globo conectando amigos e famílias e sendo ferramenta de comunicacao de várias empresas reduzindo enormemente os custos de video conferências.

E agora, 25 anos depois, vejo manadas de criancas, adolescentes, adultos e velhos, cada um com seu smartphone ou tablet na mao com os olhos grudados na tela correndo pelos parques e avenidas da cidade com um único objetivo: cacar Pokémons!!! Na minha época uns 20 anos atrás eu saia de casa pra cacar outras coisas. Mas, tem gosto pra tudo nessa Vida eletrônica.

Acho que o Sr. Tim Berners-Lee nao esperava por tudo isso. E os próximos 25 anos? Tenho algumas sugestoes:
- instalar micro cameras nos olhos das pessoas para fotografar ou filmar o que os olhos enxergam. Os arquivos seriam transferidos a um computador via uma micro saída USB instalado na unha do mindinho;
- instalar micro chips nos ouvidos com todas as músicas jamais feitas até o momento. Ao se pensar numa música ela tocaria imediatamente pra voce sem necessidade de fones;
- o mesmo vale para se fazer ligacoes ou ligar diretamente para uma pessoa que tenha chips na língua e queira conversar com voce
- nessa mesma linha os chips do ouvido e da boca seriam capazes de traduzir qualquer idioma recebido. Isso permitiria que eu conversasse alegremente com um aborígene no sope do Outback australiano falando em português, ou mineirês, e ele recebendo a traducao instantânea no ouvido. Responderia no seu dialeto e eu entenderia tudo pois ouviria em bom português. Claro que isso seria a falência de todas as escolas e editoras de livros de idiomas.

É, acho que ainda temos muito para evoluir!

Sunday, August 03, 2014

Tutankhamon e Companhia

Meerbusch (estou lendo Istanbul de Orhan Pamuk)

Assim como os dois relatos abaixo esse também foi digitado in loco, 11 days ago.

Kairo (o rei menino)

O Museo Nacional do Cairo, ou Museu Egípcio, é uma jóia rara muito bem guardada. Os tesouros ali sao incontáveis e incalculáveis. Tudo amontoado no primeiro edifício do Mundo planejado e construído para ser um museu. É necessária a habilidade de um Sherlock para encontrar a descricao das pecas. O conteúdo caberia facilmente num complexo pelo menos três vezes maior que o atual. As obras do novo Museu Egípcio estão em andamento, mas sabe-se lá quando ficará pronto.

Recusei a estimada oferta de um guia para me mostrar o essencial em duas horas e fui direto ver Tutankhamon. Me arrependi depois. O rei menino tem uma ala especial muito bem guardada nao só por cameras como também astutos vigias. Fiquei ali admirando a mascara mortuária com o abutre e a cobra no alto simbolizando a protecao dos deuses do Alto e Baixo Egito, respectivamente. O Segundo e o terceiro sarcófago também estão ali expostos. O primeiro ficou lá perto de Luxor no Vale dos Reis onde a tumba KV62 foi encontrada em 1922 praticamente intocada por um arqueólogo ingles naquela que é considerada até hoje a maior descoberta de todos os tempos. Ó faraó mais famoso de todos foi mumificado e colocado em três sarcófagos, um dentro do outro. A mascara mortuária protegia seu rosto e uma espécie de armadura em joías cuidava do resto. Mais sobre o Rei Menino aqui.

Outro ponto alto do museu é o Salao das Múmias. Ambiente com temperature e umidade controlada para guardar os corpos mumificados de pessoas normais, príncipes e princesas e grandes reis e rainhas como os faraós Ramsés II, III, IV e V. O terceiro é o mais famoso e deu origem àquela série de cinco livros escrita por Christian Jacq. Agora tenho que ler a saga de qualquer jeito. Outra ala mostra animais embalsamados. Sim, muitos deles eram considerados sagrados e acreditava-se que seus espíritos sairiam e entrariam nos corpos das pessoas enterradas com eles. Tinha cachorro, bezerro e até crocodilos com filhotes embalsamados!

O Vale dos Reis fica no Alto Egito, lá embaixo (olhando o mapa) ou lá em cima em relacao ao curso do Nilo, perto de Luxor, antigamente chamada de Tebas. Dizem que um cruzeiro entre Luxor e o Cairo é das viagens mais inesquecíveis de uma Vida.

Quem sabe um dia farei com Ela e Gabriel à tiracolo.

Caos e Banquetes no Ramadan

Meerbusch (Ela dorme com Ele no colo)

As impressoes abaixo foram escritas 11 dias atrás lá mesmo no Cairo, no calor de 42° C.

Kairo (com K em alemao)

Um dia ainda irei dirigir no Cairo. Deve ser melhor do que pilotar a Mercedes do Rosberg. Ou a Yamaha de Il Dottore Rossi. Já falei sobre isso aqui: os egípcios sao os melhores motoristas do planeta. Disparado! Numa avenida de quatro pistas andam pelo menos seis carros lado a lado. Os pedestres atravessam aquele tsunami de viaturas na maior desenvoltura e tranquilidade. Vi um casal de maos dadas em meio aos carros ali passeando, como se tivessem no ar condicionado de um shopping.

Fico imaginando um alemao numa situacao dessas. Parado e impotente sem uma luz vermelha ou verde sequer para acionar o algoritmo interno que dará o comando „andar“ para suas pernas branquelas de bermudas com meias pretas e sapatos idem. Ficaria ali por três geracoes de um lado da avenida sem saber o que fazer. A nao ser que um solidário filho de Ramsés resolvesse ajudá-lo pegando-o pelo braco e rompendo o mar de lata, vidro e borracha a dentro até chegar do outro lado.

E as buzinas?! Sem elas o transito ficaria mais caótico do que já é. Servem pra tudo: anunciar a chegada, alertar, chega pra lá, sai da frente, anda logo lerdeza, cuidado, se nao pular fora te atropelo. Por aí vai. Sem elas os motoristas ficariam zonzos e desnorteados, por incrível que pareca. Um simples buzinar leva a crer que o da frente andará mais rápido, ou melhor ainda, desaparecerá.

Presenciei tudo isso a bordo do “taxi” do Magdy, um senhor egípcio nascido e criado no Cairo (cairano ou cairense?). Me pegou na saída do Museu Nacional do Cairo após me impressionar com Tutankhamon e companhia. Disse se chamar Cristiano por causa do português Ronaldo. Pedi para me levar ao famoso bazar da cidade, o Khan El-Khalili, um mercado aberto que se extende por 2.000 ruas formando um labirinto de cores, sabores, gostos e tradições. Perguntei quanto custaria e ele respondeu “as you wish” com um sorriso. Depois me convenceu habilmente a extender a corrida até o meu hotel depois da visita no bazar. Disse que ficaria me esperando no horário marcado. Contou-me que após as 7h da noite seria impossível achar um taxi por causa do Ramadan.

Quando o sol se poe os mulcumanos do mundo inteiro correm para os restaurantes ou mesas de suas casas para comer celebrando o fim de mais um dia em jejum. O Ramadan equivale a nossa quaresma e serve para renovar os votos a Allah. Mas quando o sol se poe a turma deita o cabelo no que vier pela frente comendo muito mais do que normalmente comeria. Nessa época os cozinheiros mulcumanos se esmeram fazendo receitas exclusivas para aplacar o sacrifício divino e saciar a fome de lob afonso dos devotos.

O Ramadan na verdade comemora o envio do anjo Gabriel (Jibril), ora vejam só, por Allah até o profeta Mohammad para transmitir-lhe os primeiros versos do Alcorao. Isso ocorre durante o 9° mês do calendário lunar islâmico todos os anos. Doacoes e caridade batem recordes nesses dias. É uma época de Perdao e Amor. E de muitas calorias!

Mas voltando ao El-Khalili. Lá sempre tem um nativo à espreita de um viajante desavisado. Ficam ali, feito águias a observar a massa humana indo e vindo. Se reconhecem um idioma familiar é tiro e queda. Armam a arapuca e partem pra cima. Quando você percebe já está seguindo o maluco pelos becos mais imundos mercado afora. Mohammed Hola – o “sobrenome” veio da sua habilidade em falar castelhano – me fisgou e mostrou onde comprar tempero barato, prata e ouro, pagou um café turco numa pocilga imunda, mas a única aberta e vendendo bebidas durante o periodo do Ramadan, e prometeu um giro na parte antiga do bazaar na próxima vez que eu voltar. De fato comprovou que os precos das especiarias podem variar absurdamente. Paguei 1 €/grama no alcafrao in natura no comparsa por ele indicado. Depois fomos a uma loja onde os guias brasileiros levam os trouxas. Era cinco vezes mais caro! Acho que tava tudo armado com este outro vendedor, mas a encenacao foi bem feita.

Chegamos a uma fábrica de jóias em prata e ouro. Ele fez de tudo para me convencer a comprar um pingente para o Gabriel. De fato essa era mesmo minha intencao, mas fingi desinteresse só pra testar suas habilidades. Mohammed pesava a jóia e fazia calculos do preco em libra egípcia e depois em dólar. Adicionava um pingente e pesava novamente repetindo os calculos. Deu a idéia de cortar o cordao para o pescoso encurtando-o para uma crianca fazendo uma pulserinha com a sobra. E pesa de novo, adiciona uma argolinha, diz que na rua é mais caro e isso e aquilo. Metralhava argumentos e gestos como um artista da fina arte de negociar. Sao mestres em criar a demanda e o desejo onde nao existe nada. Potencializam ao máximo a necessidade do cliente adquirir o produto e quando percebem que a isca foi mordida e nao tem mais volta se dao por satisfeitos. Ele ganhou a comissao da loja, nao sem antes abrir uma refresco pra mim “por conta da casa” e mostrar a diferenca de 0.65g em ouro que o dono da loja deixara passar.

Me levou novamente até a praca onde Magdy me esperava no taxi e pediu para que eu pagasse pelos seus servicos antes de chegar até o taxi. Depois percebi que ele queria apenas ganhar tempo durante o trajeto pra reclamar do valor. Nao importava o que eu oferecesse, ele sempre reclamaria que era injusto e pouco querendo mais. Disse ter criancas e precisar ir ao Alto Egito após o Ramadan com a mulher, crista, e o filho.

No final dei mais 5 € e nem assim ele ficou totalmente feliz. Sao uns artistas da venda e negociacao esses egípcios.

Thursday, March 27, 2014

O Caos Organizado no Cairo

Cairo (mara, mara, mara, maravilha ê…)
 
Os motoristas egípcios talvez sejam os melhores do mundo. No meio de tanto caos onde a buzina significa “chega pra lá que tô passando” todos se entendem. Entre carros, principalmente Fiats e Ladas antigos, motos, tuk tuks, vans transportando os quase 8 milhoes de habitantes do Cairo, e pessoas nada acontece. Apesar das quase batidas a cada segundo, das finas onde nem um fio de cabelo passaria entre os carros e dos milhares de quase atropelamentos todos se salvam. Verdade que vimos um ou outro acidente nas estradas entre Suez, Sadat City e Alexandria, mas bem menos que o risco proporcionado.

Sinal vermelho significa siga e o verde, pare. Sao meramente figurativos. Os retornos em U no meio das autoestradas impressionam. Em plena pista da esquerda, teoricamente a mais rápida, é uma festa o entra e sai de qualquer coisa com rodas. Vira e mexe vem um na contramao coladinho na mureta. Deve ser proibido carros lentos andarem à direita. Os caminhoes entao sao donos da estrada. A buzina mais uma vez significa “tô chegando” ou “presta atencao que vou passar” ou “nao mude de direcao seu viado, senao vai bater”. E nao batem. E o pedágio?! Todo mundo embola de quatro pistas pra uma de repente. É cobrada somente a volta, mas mesmo assim embola tudo já que a polícia aproveita pra fazer uma blitz nos caminhoes e carros suspeitos. Ou seja, em TODOS.
 
Já sabia da hospitalidade dos egípcios, mas vive-la é outra experiência. Cordiais e atenciosos, preocupam-se realmente com o seu bem estar sem aquela hipocrisia de agradar querendo algo em troca. A comida é parecida com a libanesa, mas as entradas sao mais saborosas. O teatro para se escolher qual peixe sera comido deve fazer parte de algum ritual faraônico. Toda vez tinhamos que nos levantar e ficar assistindo a uma confabulacao em árabe para decidir qual, ou quais, peixes seriam levados a mesa. A quantidade é sempre grande. As carnes também sao boas, kafta, cordeiro ou frango. E o cappuccino do posto bem melhor e mais barato do que na Alemanha.



Nosso agente, uma mistura de Tim Maia pelo tamanho e Marcao Lagoa pela personalidade e bom humor, parece o prefeito da cidade. Onde vai conhece alguém. Cumprimenta com dois, três, até quatro ou cinco beijos no rosto. Se abracam efusivamente e dao gargalhadas falando alto. Mas sempre tem uma gorjetinha aqui e ali pelo menor esforco.
 
Os servicais estão por toda parte. Chega-se ao cúmulo de empregarem um menino pra ficar dentro do banheiro apenas tirando toalhas de papel e entregando a quem acaba de lavar as maos. Nos postos de pedágio dois empregados cuidam da coleta da grana. Um pega o dinheiro do motorista e entrega ao da cabine. Este imprime a notinha e devolve junto com o troco ao primeiro que passa o montante ao motorista. Num posto de gasolinha contei 12 frentistas pra quatro bombas. Mas também, com 95 milhoes de habitantes e uma das densidades demográficas mais alta do mundo (vivem ao longo do Nilo e no seu delta, o resto é deserto) tem que arrumar funcao pra todo aspone.
 
Coca-cola é uma marca onipresente. Talvez mais famosa que Alah ou Jesus Cristo. Qualquer biboca de beira de estrada no meio do nada ostenta o símbolo vermelho e branco como um brasao real. Até nisso a Pepsi leva desvantagem já que o vermelho chama muito mais a atencao do que o azul.
 
A velha guarda da populacao ainda sente saudades do ditador Mubarak. Dizem que a lei e a ordem era respeitada, o país mais seguro e a Vida mais fácil, apesar de tudo. Após a revolucao de Janeiro de 2011 os jovens acham que nao devem mais respeitar nada. Fazem o que querem, confundem protesto com vandalismo e liberdade com democracia. O país vive uma fase de transicao. As eleicoes de 30 de Junho próximo serao importantes para sacramentar o final da ditadura e um novo comeco após a decepcao com a Irmandade Mulcumana. A Muslim Brotherhood abusou do poder e do próprio Islã para se beneficiar e aqueles que os apoiavam. O restante era repelido e combatido com violência. O clamor popular pediu ajuda aos militares que, mesmo a contra gosto, tomou novamente o poder.
 
O candidato praticamente único à Presidência, Sissi, é um ex-militar de carreira. Sua intencao é se descolar dessa imagem e transmitir ao povo que um novo comeco está por vir. Enquanto isso a economia sofre, principalmente o turismo. Quando um país como a Alemanha, os viajantes mais frequentes do planeta, solta um comunicado pedindo aos seus cidadaos que evitem viagens ao Egito o golpe é grande. Desde o aeroporto meio vazio, aos hotéis com ocupacao média, restaurantes com mais mesas do que pratos sujos, museus sem fila e mesmo as piramides com camelos cocando as bolas e guias sofrendo pra convencer alguém a ouvir suas histórias, toda a principal indústria do país sofre. E mesmo que tudo fique calmo após as eleicoes, basta que se matem uma meia dúzia de branquelos turistas europeus para que o alerta turístico vermelho se instale novamente.
 
Mas o dia a dia aqui é diferente. Sao como as notícias de assassinato e violência que já nos acostumamos a ver na tv brasileira toda santa noite. Pinta-se um quadro de terror maior do que a realidade. Sao casos localizados e nao se pode generalizar. Fiz questao de visitar a Praca Tahrir onde a revolucao tomou corpo e derrubou o ditador. Trânsito normal com uma meia dúzia de jovens conversando. Um deles se aproximou e pintou Egito em árabe e a bandeira tricolor do país na minha mao. Um velho me deu uma faixa de amarrar na cabeca e perguntou de onde eu vinha. Quando falei Brasil ele comecou a gritar “Pelé! Pelé! Pelé!” Samba, futebol e carnaval. É a imagem do Brasil para o mundo. E fazemos questao de reforcá-la! Puxou uma bandeira e tiramos a foto. Por um momento me solidarizei com eles e sua causa tao complicada e difícil.
 
Vi umas 50 mesquitas ao longo desses dias. Sempre muito limpas e bem acabadas por fora. Nas estradas estão em toda parte. Deve haver alguma lei dizendo que se construa uma mesquita a cada 50km. Como aqueles telefones de emergência nas auto-estradas modernas. Um Disk Alah para pagar os pecados mais recentes. Preciso ler mais sobre o Islamismo.
 
Por toda a cidade metade dos prédios nao foram concluídos. É alvenaria e concreto com pontas de ferragens nas cabecas dos pilares pra tudo que é lado. E os prédios existentes nao tem reboco ou pintura. Somente um ou outro de moradores mais abonados é melhor acabado. Nem por isso existe violência. O Islã é tao arraigado na Vida espiritual, política, legal, social e pessoal das pessoas que as conduz e dita seu ritmo desde o primeiro instante.
 
O grand finale foram as piramides e a esfínge. Confesso que tinha mais interesse na última do que nas primeiras. De certa forma me decepcionei por que ela nao é tao grande assim, o sol estava quente e queimando a nossa cara impossibilitando boas fotos e soube que o nariz encontra-se num museu inglês e uma orelha no Louvre. Sempre achei que o Obelix havia quebrado o nariz da esfínge. Quase truquei o guia sobre o Louvre, mas resolvi ser diplomático.


As piramides sao grandiosas e impressionantes, claro. Os blocos imensos pesando em media 2,7 toneladas de um total estimado em 2.345.567 pedras, pedrinhas e pedroes foram ali colocadas por uma multidao de 20.000 escravos que trabalhavam por comida e abrigo. Estao ali desde 2.500 AC ou mais. Somos uma poeira de deserto perto delas. Do alto de um “navio do deserto”, vulgo camelo, todo o passeio é mais interessante.
 
Outras seis pequenas piramides adornam o sítio arqueológico. Se as grandes foram construídas para servir de sepultura a Quéops, o pai, Quéfren, o filho, e Mykerinos, o neto, as pequenas foram destinadas para as rainhas. Nunca soube disso. Muito menos que acharam um barco enterrado ao lado da maior delas. Achavam que o faraó, ao ressucitar, pegaria sua jangada, levantaria velas e navegaria Nilo acima rumo a Luxor ou Assuan retornando aos bracos da galera. Esses egípcios eram uns doidos geniais.


 
Na próxima vez visitarei o Museu Egípcio localizado bem perto da Praca Tahrir com os tesouros de Tutankamon, o faraó menino. Depois os souks, os famosos bazares de Khan El-Khalili.
 
Já bradava Napoleao aos seus soldados: “Do alto dessas pirâmides 40 séculos vos contemplam!"

Sunday, September 11, 2011

11.09.11

Düsseldorf (sopa de batata é bom pra enxaqueca)

Coloquei o capacete no cabide e me sentei pra ver os emails. Sr. Jeronymo havia saido para uma "volta na área". Aquele burburinho de escritório de obra cheio e movimentado me agradava. Naquela manha úmida e nublada, nada de especial havia ocorrido até entao.

Nogueira, vulgo Nonô do Pipa, fumava seu décimo cigarro e passava as maos no cabelo. Da testa até o fim como se penteasse com as maos. Estava nervoso com o andamento da medicao do mês.

Jaime, sentado com as pernas cruzadas, apenas observava o chororô de um empreiteiro na mesa ao lado. Diniz da Condil implorava ao outro Jeronymo, o paraguaio, para que ele o pagasse antecipadamente no final daquela semana. Diabolicamente, o paraguaio dizia ser impossível.

Johnny Rambone chega discutindo com Dolfinho. Os dois eram uma espécie de Batman e Robin. Uma relacao de Amor e Ódio hilária de se ver. Cada um dono da sua própria razao. Eram irredutíveis nas decisoes tomadas. A nao ser que viesse uma ordem de cima. Enfiavam o rabo entre as pernas e acatavam calados.

De cima quem falava era o Gilson, vulgo Pinga. Maluco de jogar pedra em aviao e sair correndo atrás pra ver se caiu mesmo, era o gerentao do escritório de gerenciamento de obras e fiscalizacao da MBR, Mineracoes Brasileiras Reunidas, em Vargem Grande (MG). Tirava sarro com tudo e todos. Fazia piada com a Maria do café, o Teteco do almox., o Ademir da manutencao e até do Juarez, o temido diretor.

A rádio cuspia notícias esparsas separadas por melodias despercebidas. Naquele zum zum da manha, pouca gente percebeu quando interromperam a transmissao para um plantao extraordinário. Falavam sobre um aviao que teria possivelmente se chocado com uma das torres gêmeas no World Trade Center em Nova Iorque.

O paraguaio, acho, que se sentava perto do rádio e dava notícia de tudo, deu o grito. Colou o ouvido no autofalante e chamou a turma pra ouvir. Alguns ignoraram. Outros levantaram uma orelha enquanto continuavam fazendo o que faziam. Dois ou três se aproximaram dele e se sentaram em frente pra acompanhar a transmissao.

A confirmacao do até entao acidente veio seguida de outra notícia ainda mais inverossímel: outro aviao havia explodido na segunda torre do WTC. Dessa vez, todas as cameras de TV do mundo registraram as imagens. Sem TV por perto pra acompanhar, agora todos no escritório ficaram ouvindo as notícias cada vez mais absurdas.

Um terceiro aviao havia caído no Pentagono. Onde?! Sim, lá mesmo. A sede da "inteligência" militar americana. O país estava vulnerável e em estado de choque. O mundo ficou incrédulo.

O aviao número 4 tinha como destino a Casa Branca ou o Capitólio, em Washington. Cacas americanos chegaram há tempo e o derrubaram num descampado na Pennsilvânia. Bush estava a salvo, pensaram alguns.

Deu meio dia. Pegamos um Gol bolinha e fomos ao Pico almocar. No caminho, silêncio e espanto. No refeitório, a peaozada mal conseguia comer. Alguns faziam gestos mecânicos com o garfo indo em direcao a boca enquanto acompanhavam as imagens na única TV do local. Todos meio estupefatos acabaram se esquecendo por alguns minutos sobre suas funcoes, atividades, profissoes e que raio faziam ali naquele momento.

Nao era possível haverem ocorrido quatro acidentes aéreos no mesmo dia. A palavra TERRORISMO percorreu os quatro cantos do Globo como rastilho de pólvora. Nas montanhas afegas de Tora Tora um certo saudita barbudo esfregava as maos com satisfacao nos olhos.

A política externa americana conhecia e sofria em casa um contra-ataque esmagador, invisível, imprevisível. Ficaram impotentes e só puderam reagir instintivamente. Com apoio militar e popular incondicional.

 ”If ‘justice’ for the victims of 9/11 entails killing a man called Osama Bin Laden, what would justice for one million dead Iraqis entail? — Jody McIntyre

Dez anos, duas guerras, centenas de milhares de mortos e trilhoes de dólares gastos depois, todos conhecemos os resultados. Aqui uma análise completa, mas nao muito imparcial, feita pelo grupo Folha.

As perguntas que faco, além da que foi feita na reportagem acima, sao:
1. O que mudou no Iraque passados 10 anos do 11 de Setembro?!
2. Como está a Vida das pessoas no Afeganistao 10 anos após os atentados?!
3. O quanto cresceu a conta bancária de empresas americanas como Halliburton, Kellog Brown Root e outras que participaram da reconstrucao dos dois países atacados?!

Muitos dizem que o atentado é uma farsa criada pelos próprios americanos para justificar uma invasao no Iraque e reativa a entao combalida indústria bélica. Entre eles, o principal desafeto da América no momento, o presidente do Ira Ahmadinejad.

Alguns documentários tentaram esclarecer e explicar a queda dos avioes elaborando teorias conspiratórias. Entre tantos e com a ajuda do Making Off, recomendo o "The Power of Nightmares: the Rise of the Politics of Fear" cuja sinopse diz o seguinte:

The Power of Nightmares (O Poder dos Pesadelos) é um documentário da BBC escrito por Adam Curtis e lançado em 2004. No documentário é mostrado a "Política do Pesadelo", a qual consiste em dividir o mundo em dois polos: Bem (EUA & aliados) e Mal (Ex: Ex-URSS ou Saddam Russein), supostamente praticada pelos EUA. O documentário é dividido em 3 partes.

A primeira parte consiste em explicar a origem do pensamento terrorista muçulmano. A qual remonta o ano de 1949, iniciada por um jovem estudante de pedagogia egípsio, Sayyid Qutb. Qutb irá aos EUA estudar o sistema educacional do país em um colégio público no inteior do estado do Ohio. O então jovem Sayyid Qutb se desilude com a sociedade e os valores estadunidenses; volta no ano seguinte, 1950, ao Egito e decide lutar contra a presença da influência estadunidense nos países islâmicos.


A segunda parte mostra como voluntários e jovens seguidores do pensamento de Sayyid Qutb, dentre eles Sheikh Ayman al-Zawahiri, foram lutar contra a presença soviética no Afeganistão. Nessa ocasião, em 1987, Sheikh Ayman al-Zawahiri encontra-se com o jovem e bilionário saudita Osama bin Laden. Após a debandada soviética o conflito no Afeganistão é encerrado, e Zawahiri junta-se a bin Laden, formando uma aliança contra toda e qualquer presença do ocidente nos governos dos países do Oriente Médio.


A terceira parte consiste em mostrar a mudança de foco dos extremistas. Antes, era a presença ocidental nos governos dos países do Oriente Médio e agora passa a ser o ocidente, em especial os EUA e seus aliados. O documentário também argumenta que o grupo terrorista Al-Qaeda é apenas um invenção do governo norte americano para justificar a luta contra o terrorismo.


É um documentário um tanto quanto esclarecedor já que demonstra o quanto o statu quo está nas mãos de poucos e o quanto eles manipulam e distorcem os fatos sempre em beneficio próprio.

Cada um que tire suas próprias conclusoes, mas pra mim o 9/11 foi um "inside job".



ps. Foto tirada no Café Concierto em Vienna numa noite altamente bizarra. Além do terrorista mais procurado da Terra estavam presentes o homem-bomba, máquina um e uma anãzinha. Outro dia conto essa.

Atualizando: achei o link para o documentário no youtube: http://youtu.be/Vt-FyuuWlWQ. Engracado esse link com .be separando a palavra "tube". Será que migraram os servidores pra Bélgica por motivos chocolatícos?!

Tuesday, July 28, 2009

Zeppelin

Düsseldorf (final de semana em casa é bom demais)



Estava eu voltando de trem hoje ouvindo esta música quando olho pro lado e vejo um dirigível, vulgo zeppelin. Acho que nunca havia visto um ao vivo.

Tinha aquela sandália preta baranga demais de mesmo nome.

Me veio a lembranca do desastre com o Hindenburg em 1937 (viva a Wiki), aquela bola de fogo na cena que todos conhecem.

Friday, July 10, 2009

La Marseillaise

Marne-la-Vallée (Leopoldo tá nervoso)

O hino mais belo de todos. Na voz de Edith Piaf então, tudo fica ainda mais belo e imponente.

Exalta a França, seu povo, soldados e batalhões, mas a realidade é outra. Foram guerreiros com Napoleão, mas se acovardaram como ratos na Segunda Guerra "liderados" por Petain. Viraram fonte de iguarias e vinhos para os nazistas.

Bem, isso é um longo e polemico assunto. Tenho uma defesa de mestrado pra assistir logo mais.