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Sunday, May 11, 2014

Düsseldorf​er Marathon

Meerbusch (um green sempre desce bem!)
 
 
Quando Pheidippides (ou Fidipedes) correu os 233 km de Atenas até Esparta, em dois dias, para pedir ajuda aos atenienses para derrotar os persas, nao sabia que estaria criando uma modalidade esportiva que hoje em dia movimenta a Vida de milhares de pessoas. Os atenienses se negaram a ajudar antes do fim do Festival de Artemis que ocorria na ocasiao. Fidipedes correu de volta os mesmos 233 km trazendo a péssima notícia. Foi entao que os comandantes da capital grega decidiram fazer um ataque surpresa ao acampamento dos persas, localizado a exatos 40 km dali, no vale de Maratona. Com um preparo físico invejável, mesmo após percorrer a distância e sendo minoria, os atenienses venceram a batalha.
 
 
Nos primeiros jogos olímpicos da era moderna, em 1896 na mesma Atenas, Fidipedes foi homenageado com a criacao de uma prova de longa distância com 40 km ganhando o nome de Maratona. Por obra e graca da realeza britânica, quem mais, a distância original foi alterada na Olimpíada de 1908 na Inglaterra. A organizacao da prova aumentou o percurso em 2.195 metros para que a família real pudesse acompanhar a largada da prova sem ter que sair do palácio de Windsor. E assim tudo comecou.
 
 
Sempre dei minhas corridinhas por aí, mas o máximo que havia corrido até entao foram os 18 km da Volta da Lagoa da Pampulha em 2003. Isso foi uma semana depois de voltar dos meus dois primeiros meses pela Europa onde bebi literalmente todos os dias. Acabei terminando a volta esbaforido em quase duas horas. Agora a distância seria mais que o dobro. E a identidade acusava 11 anos a mais, nao só de Vida como também de golo.
 
 
Minha "preparacao" comecou em janeiro deste ano, mas logo foi interrompida. Peguei uma gripe braba e minha mae chegou para as comemoracoes do meu aniversário, 29 de janeiro. Fiquei um mês sem fazer exercício físico. Meu personal trainer à distância e fisioterapeuta do Galo nas horas vagas, Bebeto, ia me passando os treinos semanais com distância e ritmo. Antes disso, pediu que eu fizesse alguns testes para descobrir meu limiar anaeróbico. Entao descoberto, partimos pras esteiras e ruas da Vida.
 
 
Sempre fui um mal aluno e disciplina nao é o meu forte. Nao consegui cumprir um único programa semanal, excecao feita as duas últimas quando a corda estava no pescoco. Fiz ainda pelo menos três viagens que impossibilitaram um avanco mínimo no treinamento, tanto em termos de distância percorrida como em velocidade.
 
 
Duas semanas antes o Bebeto me pede pra chamà-lo no skype. Com o semblante visivelmente preocupado comecou dizendo pra eu correr sem pensar no tempo. Pra ir me divertindo nas ruas até onde pudesse. Que se conseguisse completar a prova seria em mais de cinco horas, talvez seis. Disse que a fadiga muscular seria tao devastadora que impediria meus movimentos mecânicos básicos. Passou as duas últimas semanas de treino, que segui à risca finalmente, dicas de alimentacao na semana antes da prova, na véspera, café da manha e após a bendita. Pediu pra mantê-lo informado e qualquer coisa estaria a disposicao.
 
 
Pois bem, a distância máxima que havia corrido nos treinamentos havia sido 26 km. Nessas duas semanas antes da prova fiz dois tiros longos de 15 km e alguns dias depois outro de 20 km mantendo firmemente o ritmo de 10 km/h. Seria loucura tentar o mesmo na maratona. Bebeto disse pra segurar ao máximo no início e tentar manter entre 9 e 9,5 km/h. Comer tudo que me oferecessem e sempre beber água nos pontos de hidratacao.
 
 
Mal dormi a noite anterior, sábado passado. A expectativa antes da prova e a adrenalina só aumentavam. Fiz tudo direitinho, alimentacao, evitei álcool e carnes no churrasco de despedida do Alfredo e Raissa no dia anterior, dormi cedo e acordei mais cedo ainda pra tomar o desjejum programado. Já estava tudo preparado na véspera: tênis com meias adrede preparadas, short estilo ciclista com o bolso traseiro lotado de gel carboidrato, o número 4914 escolhido a dedo (49 da casa onde moramos e 14 o nosso da sorte) já pregado na camisa da Choke, multinacional fabricante de kimonos para jiu jitsu e artigos esportivos, a roupa seca na sacola da organizacao pra me trocar no final.


Amanheceu e vi as ruas molhadas e frias, nada convidativas. Pelo contrário, seria muito mas fácil voltar a dormir ali no quentinho e escurinho agarrado com Ela e Gabriel pra esquecer aquela maluquice. Perderia a grana da inscricao e pronto. Mas fiz questao de avisar a deus e o mundo no dia anterior via whatsapp sobre o evento. Já era. A maioria duvidou ou comecou a rezar pra eu chegar vivo no final. Uns poucos desejaram sorte e acreditaram em mim. Dois amigos que já correram maratona, Quinho e Nadinho, deram dicas valiosas. A principal veio do Nadinho, futuro CEO da AB Inbev, contando que no KM 30 uns ursos de 300 kg pulam nas costas dos corredores e seríamos obrigados a levá-los até o final.
 
 
Estacionei o carro em Oberkassel já que o centro estaria bloqueado. Peguei o metrô rumo a Tonhalle e no ponto bati papo com um, pra mim, quase profissional. O cara ia correr sua 16a maratona! Comecei a me alongar, 45 min antes da largada, e ele disse que de nada adiantaria a nao ser pra reduzir a tensao. Recomendou me esticar 15 min antes, no máximo. Deixei a sacola da organizacao no Garderobe, passei estrategicamente na casinha pra aliviar o peso e a tensao e fui chegando perto da largada. Nem vi os atletas top, geralmente quenianos. Os caras sao ETs que correm a 21 km/h de média. O vencedor terminou a prova em 2h e 8 min, um absurdo. Acho que nem de bicicleta consigo manter esse ritmo.
 
 
Sozinho e deus precisava de um golo d'água antes de partir. Vi uma garrafa ali pela metade, no canto, esquecida, e nao tive dúvidas. Às 9h em ponto foi dada a largada. A turma do gargarejo veio logo em seguida. A grande maioria corria num ritmo mais rápido que o meu. Deixo todos passar, cordialmente, me lembrando de segurar a onda no início. Afinal, nao estava apostando corrida com ninguém. A nao ser comigo mesmo. Meus objetivos eram: 1° terminar a prova e 2° completar em menos de 5 horas.
 
 
Durante a corrida alguns corredores-personagens se destacam dos demais. Aquele negao patola com um boné e uma Go Pro acoplada nele. Estava de amarelo e preto. Seria torcedor do Borussia Dortmund?! Por que se submetia àquela extenuante prova?! Alguma promessa?! Ou aposta?! Ele pigarreava muito logo no início, antes do KM 10. Até ali foi tudo muito bem e tranquilo. Apenas curticao, reparando nas pessoas e a cidade ao redor. De uma certa forma uma maratona deixa a cidade a sua disposicao. Exclusiva, sem trânsito, para que as ruas sejam percorridas à moda antiga. Tudo parado pra te ver passar. Com o nome escrito abaixo do número colado na camisa tornei-me uma celebridade por algumas horas. "Pedro, weiter, weiter!!!", algo como Pedro, continue, continue. Era o mantra da multidao quando eu passava. Sempre agradecia a todos que me incentivavam. Vez ou outra apareciam umas criancas com as maozinhas levantadas esperando você passar e bater fazendo high five.

 
No KM 14, o primeiro terco da prova, minhas pernas já arriavam. No posto de abastecimento seguinte caminhei e bebi a água com calma. Logo depois, um isotônico. E bananas! Nao sei se somos todos macacos, mas me tornei um chipanzé nessas quase cinco horas. Daniel Alves deve ter sido maratonista antes de jogador de futebol. Passei por baixo da ponte de Oberkassel pensando nao na distância que faltava, mas sim na que já tinha corrido. O negao ariete de amarelo ficara pra trás com sua Go Pro gravando pigarros ofegantes.
 
 
Correr a maratona foi a forma que encontrei de me solidarizar com a gravidez dEla. Como se eu tivesse que sofrer ao longo daqueles 42,2 km parindo no final minhas expectativas, dúvidas e falta de disciplina. E, quem sabe, uma merecida medalha. Mas o verdadeiro motivo era outro. No final vocês saberao.
 
 
Ali no KM 21, metade da prova, coincidentemente ao lado do consultório da ginecologista que tao bem nos atende, pensei: acabou a subida, agora é só descer a montanha! Naquele instante amarraram duas bolas daquelas de guindaste de demolicao em cada tornozelo. Os incentivos continuaram. Nunca ouvi tanta gente gritando Pedro, Pedro, Pedro! A cada caminhada bebendo água e nova arrancada comendo banana as perninhas de sabiá doíam cada vez mais. Cruzei a barreira mágica do KM 26, meu recorde pessoal até entao, e nada senti. Achei que entraria numa nova dimensao, veria anjos com harpas flutuando ao meu redor, mas nada disso ocorreu. No KM 28, com o segundo terco da corrida completo, me animei. Mantinha o lap pace em menos de 7 min por km. Faltava um terco!
 
 
Passei na esquina da casa de Floriano Peixoto e segui firme rumo ao Max Planck. Me lembrei das tantas vezes que ali cheguei pela manha de bike para mais um dia de cientista louco. Durante o doutorado foram várias as vezes em que nao via a luz no fim do túnel e queria jogar tudo pro alto. Mas nao sei por que tenho uma perseveranca nata que nao me deixa desistir de nada. Quase uma teimosia genética. Agradeco sempre a ela por tudo que fiz até hoje. Virei a esquina e avistei o fatídico KM 30. Os famigerados ursos estavam ali, atrás dos postes. Todos vestidos com as cores da BMW. Faziam propaganda de lancamento de um carrinho elétrico. Cada corredor que passava recebia um desses nas costas pesando 600 kg cada. Vamos em frente.
 
 
Vislumbrava o fim da prova. Era voltar pro centro, dar um rolé no Hafen e cruzar a linha de chegada. Os kilômetros demoravam cada vez mais a aparecer. Comecei a sentir dificuldades em respirar. Passando pelo Hofgarten os gritos de PEDRO, PEDRO, PEDRO ficaram ensurdesedores. Com um braco levantado agradecia, com o outro tampava um dos ouvidos evitando a surdez. Rasgamos a Immermannstraße e me lembrei que passaríamos em frente a Mövenpick. Roteiro melhor, impossível. Era como se visitasse todos os lugares que tanto frequentei ao longo desses 8 tantos anos.
 
 
Avistei o KM 35 dessa vez pensando nos sete restantes. Um japinha de azul seguia no meu ritmo. Às vezes mais rápido, outras ficando pra trás bebendo água. Acho que o ultrapassei no final. Já no Hafen o safado do Henrique, que corria a parte final do revezamento - míseros 9,3 km - me viu e gritou "Weiter Pedro, weiter." Xinguei o safado e voltei a me concentrar. Os incentivos da galera eram tao intensos e sinceros que o cansaco sumia e as pernas corriam sozinhas. Achava que teria problemas em me manter concentrado durante tanto tempo, mas tem sempre alguém ao seu lado te lembrando do objetivo final. Vi vários casais de 40, 50 e até 60 anos correndo juntos. Grupos de corrida batendo papo enquanto as pernas trabalhavam. Amigos contando casos e as distâncias passando. Uma festa!
 
 
Quando vi a placa do KM 40 foi como se tivesse vendo Moisés dividindo o mar Vermelho em dois. Ali, justamente naquele ponto, amarraram na minha cintura uma corrente com âncora de navio na ponta. E eu achando que nada mais haveria de acontecer. Serviram coca-cola no final, glicose na veia. Bebi os últimos goles antes da glória ali na Königsalle e segui rumo ao sprint final. Que no meu caso foi no mesmo ritmo capenga de sempre. Às vezes olhava pra trás conferindo pra ver se nao era o último! Hahaha.
 
 
Avistei o rio e vi a linha de chegada. PEDRO, PEDRO, PEDRO!!! Consegui, sobrevivi e venci a desconfianca que tinha de mim mesmo. Sensacao única que fez valer a pena cada passo dado desde a largada. Agora era chegar até a área de descanso e tomar uma bela cerveja. Dizem que é das melhores coisas pra se recuperar após as corridas. Acho que sempre soube disso, só faltava comecar a correr antes de tomar tanto golo.
 
 
Peguei minhas coisas e segui até a Tonhalle com um sorriso débil no rosto. Tomei dois bondes errados até chegar no carro. Achei que nao conseguiria dirigir, mas segui tranquilo pra casa da Rê e Albert. Ela estava lá me esperando, assim como meu amigo com um macarrao a bolonhesa e uma pale ale. Nao ia comer sem antes tomar um banho, dos melhores que já tomei na Vida. A maioria chegou a duvidar de mim. Nao recomendo duvidar de mim. Vocês vao se dar mal na maioria das vezes.
 
 
Querem saber o verdadeiro motivo de correr essa maratona: me despedir de Düsseldorf. Foi a forma que encontrei de homenagear a cidade percorrendo os vários lugares onde frequentei. A cidade parada, a minha disposicao, com muita gente gritando meu nome.
 
 
Vamos voltar pra Viena. Mas isso é uma outra estória.

 

Monday, April 11, 2011

Bueiros

Düsseldorf (IKEA cansa...)

Antes de falar sobre Formula 1, vamos dar continuidade à série iniciada aqui. Outro dia vi numa revista da TAM, se nao me engano, um fotógrafo que fez exposicao de fotos das bocas de lobo clicadas pelo Mundo. O safado roubou minha idéia.

Fomos a Bologna na volta duma viagem para Parma. Ela com seu sapatinha vermelho, uma graca, fora convidada pela associacao dos jovens advogados para o evento. Visitas guiadas às fazendas de producao do famoso prociutto crudo di Parma, degustacao dos mesmos acompanhado do Parmiggiano da regiao de Emilia-Romana, jantares, etc. Acho que havia algumas palestras na programacao, mas ninguém percebeu. Me lembro de um show de jazz num hotel famoso por lá.


Fato é que eu estava a trabalho no Brasil. Chegaria sábado de manha em Düsseldorf e a tarde pularia num cilindro voador pra Milano. De lá alugaria um carrinho, dei sorte e peguei uma Alfa MiTo e nos encontrariamos em Parma. Tudo certo, pra variar, e bora desbravar a cidade. Linda e charmosa, melhor que o esperado. No fim da tarde vi um monte de carros antigos passando no cacete pelas ruelas da cidade. Perguntei e me disseram que era uma etapa da Mille Miglia, uma das corridas mais tradicionais da Itália e do Mundo. Os apaixonados por corridas e carros antigos sabem bem o que representa a Miglia. Senhores vestindo capacetes de couro com óculos de natacao típico dos pilotos de antigamente rasgavam a cidade sorrindo como criancas no Natal após abrir o presente. Sinceramente, fiquei com inveja. E das ruins, queria ser um deles. Um dia, quem sabe!

Parma tem um centro bem conservado apinhado de restaurantes, pessoas sentadas ao ar livre nas áreas piétonne sempre características das cidades européias e aquele burburinho de cidade italiana com pessoas falando alto, seja no restaurante ou no celular, sorrisos aqui e ali, amigos se encontrando, turistas felizes por participarem da festa, criancas, muitas criancas. Impressionante como italiano fala ao telefone. Sao apaixonados pelo aparelho. Acho que morreriam se o chip desse pau ou o ficassem "fora de área". Acabo de me lembrar que provamos carne de cavalo. Na verdade, carne crua do equino. Bem temperada, dentro de um paozinho, mandei ver no paninni a la horse. Nao tem nada de mais, parece uma carne moída crua de boa qualidade, mas é esquisito. Como o sanduba era imenso, larguei metade no imundo balcao. Pelo menos a torta de alcachovra e queijos tava fabulosa.

Havia um advogado mais velho na turma, de uns 45 anos, filhinho de papai até hoje. Um débil mental completo. Tinha cara de doido, usava um óculos gigante, nao falava coisa com coisa, entrava no táxi italiano e falava em francês com o motorista. Imaginem a figura. Depois de um jantar com danca, grapa e tudo, resolvemos esticar pra boate. E o demente liderando a trupe. Entramos no táxi e a cena acima aconteceu. Na gandaia, arrumamos mesa e ele pede champagne com faíscas pra aparecer. Fiquei no meu whisky, só observando. É desses caras que nao tem amigos, faz de tudo pra comprar uma companhia e acha que amizades sólidas acontecem da noite para o dia.

Fizemos como manda o Leao da Montanha e nos mandamos pela esquerda. No estacionamento, um casal de italianos se dirigia ao carro. A idéia era pegar um táxi pro hotel, mas nenhum parava. Típico da Itália. Na cara de pau pedimos carona ao casal que disse sim imediatamente. Descobrimos que haviam ido ao Brasil, amavam os brasileiros, samba, caipirinha, Pato, Ronaldinho, etc. Simpáticos os dois, e bem chumbados. Mas ele dirigia sem culpa alguma.

No dia seguinte o plano era bater perna pela cidade e sair na hora do almoco pra Bologna. Sem olhar o mapa, achei que ficava entre Parma e Milano. Entramos na Autoestrada e mandei a botina no carrinho esperto. MiTo é o nome dele, Milano Torino. Nas ruelas de Bologna foi difícil achar vaga, mas como diz meu amigo Darcy que tem uma agência de turismo em Roma, na Itália nao existem vagas e sim interpretacoes de espacos vazios. Se você acha que ali cabe o seu carro, aquele lugar automaticamente se transforma numa vaga. Darcy com seu Cinquecento 1967 nunca teve problemas de interpretacao.

Bem, queriamos comer um spaguetti a bolognesa, o legítimo. Acontece que na Itália, na maioria das cidades, depois das 2 e meia da tarde os restaurantes fecham e só reabrem para o jantar às 7h. Cumprem isso à risca, por incrível que pareca. Existe ordem no país, pelo menos na mesa. Pouco antes das 3h, no restaurante indicado pela irma do Nico via telefone, babando nos pratos vermelhos das mocas sentadas no alpendre, perguntamos ao maitrê se a cozinha tava aberta. "Chiuso." COMO ASSIM?! Estamos na Itália my friend, os restaurantes nao fecham nunca. Engano nosso. Ficamos babando e sem o spaguetti. O jeito foi apelar pra uns paninnis e suco num café da esquina.

Na volta, percebi o erro de trajeto. Bologna fica a sudoeste de Parma enquanto que Milano ao norte. Sentei a bota mais uma vez já que corríamos o risco de perder o vôo de volta pra Düsseldorf. Devolvi o carro na Avis à 300 km/h e corri pro terminal. Pra alívio mútuo, tava atrasado.

Thursday, February 18, 2010

Speed Merchants

Düsseldorf (mudanca de hábitos)

Vi no ótimo Blog do Ico e nao posso deixar passar: o filme “Speed Merchants”.

Um excelente documentário sobre o Mundial de Marcas de 1972 nas mais tradicionais pistas do planeta como Sebring, Nürburgring, Targa Florio, etc.. 

Sao dez partes e a primeira parte está e o resto nos videos relacionados. Abra um bom vinho, aumente o som e aproveite corridas, carros e pilotos que nao existem mais e nunca mais voltarao a existir nesse Mundo insano que só piora.

Monday, May 12, 2008

Istambul (6) - Felipe, o otomano

Düsseldorf (feriado hoje, Pfingsten = Pentecostes)















Acertei na mosca. Massa venceu pela terceira vez e já pediu passaporte turco.

Hamilton fez de tudo, até uma parada a mais, para conseguir a vitória, mas o ritmo da Ferrari do brasileiro foi superior o tempo todo.

Raikkonen pagou caro o erro na classificacao e a péssima largada. Chegou em terceiro e lidera o campeonato com 35 pontos, 7 de vantagem para os empatados Felipe e Lewis com 28.

A BMW nao está mais tao grudada nos vermelhos e prateados como no início do ano. Kubica foi 4°, o máximo que poderia conseguir. Foi até melhor, já que Kovalainen comprometeu sua corrida parando no comeco, logo depois da entrada do safety-car.

Heidfeld foi o 5° após largar na nona posicao fazendo funcionar muito bem a estratégia dos bávaros. Aliás, eles quase nunca erram. Nick tem comido poeira na briga com o polaco e Alonso ano que vem vai querer uma equipe competitiva... abre o olho jacaré!

Don Fernando tirou leite de pedra mais uma vez fechando em 6°. Webber, o leao de treino que tem sido mais constante ultimamente, foi o 7°.

Rosberguinho, lutando muito, mas classificando-se péssimamente, levou pra Grove o último pontinho.

Fora isso, Kovalainen mostrou que é possível ultrapassar na F1 atual quando se tem um carro extremamente mais rápido que os demais. Fez umas 10 ou mais manobras. Boas batalhas com Glock e Rosberg e tirou a corrida do marasmo.

Rubinho apenas participou, como sempre. Chegou em 14°, atrás de Button que foi o 11°.

E Nelsinho continua apagadíssimo. Vai muito mal. Foi apenas o 15° em sua quinta corrida. O carro da Renault esse ano é bem melhor que o de 2007 e ele sonha em repetir os pontos feitos por Kovalainen ano passado. Acho que nao consegue nem metade. E na GP2, Grosjean tem tudo para se tornar titular ano que vem se continuar andando forte como está. Sobrenome famoso nao garante lugar pra ninguém.

Com louvor, Sebastian Vettel terminou sua primeira corrida no ano num fantástico 17° lugar entre 20 carros. Atrás até mesmo do compatriota Adrian Sutil.

Massa volta a brigar pelo campeonato que tudo indica ser apenas entre ele e Raikkonen. Quem errar menos leva o caneco. Nesse ponto o finlandês leva vantagem no momento.

O campeonato ficou assim:












Cortesia do Grande Premio.

Monday, April 28, 2008

Catalunya (6) - Raikkonen rumo ao BI

Düsseldorf (um milhao de coisas...)

Josep Lago - AFP

















Devido à presenca de um Engo em minha residência, nao postei nada sobre a classificacao de ontem. Nao sabe o que é um Engo?! Vai na Wikipédia entao, ora bolas.

Em Barcelona, quem faz a pole geralmente ganha a corrida. Ontem nao foi diferente. Alonso, o show-man, conseguiu tirar água de pedra colocando sua Renault entre as duas Ferraris.

Massa errou na última volta lancada e perdeu a chance de sair na posicao de honra.

Meu palpite pra corrida seria vitória de Kimi com Felipe em segundo e uma BMW em terceiro, mas agora nao tem mais graca.

Gracas a uma bela largada de Massa e Hamilton, estes se comportaram direitinho ficando atrás do finlandês cachaceiro durante toda a corrida.

Todo mundo já deve ter lido tudo sobre a corrida, entao me resta comentar sobre os brasileiros.

Massa precisa sair sempre na frente de Kimi, já que nao consegue acompanhá-lo durante a prova. Nitidamente nao tem o mesmo ritmo do atual campeao, mas tudo indica que a briga pelo título será apenas entre os vermelhos.

Nelsinho teve o melhor sábado de sua curta carreira e um domingo pra esquecer. Saiu da pista bisonhamente na sétima volta e depois foi otimista demais ao tentar passar Bourdais. Acabaram batendo e o brasileiro nao teve ânimo de se arrastar até os boxes pra tentar alguma coisa. A F1 nao perdoa erros e nao tem muita paciência com estreantes, ainda mais filho de um ex-tricampeao sem papas na língua. Vide essa ótima entrevista no Lance.

E nosso Barrichello, além de exceder a velocidade nos pits no sábado levando uma multa, conseguiu agora bater dentro dos pits. Antes avancava sinal e tomava multas, agora bate. Nao sei onde esse sujeito quer chegar. Será lembrado como um trapalhao, um humorista, uma anta de rodinhas.

Na Turquia, o passeio do cavallino rampante deve ser parecido. A McLaren virá com atualizacoes aerodinâmicas e pode aprontar, mas nao creio. E a BMW, especialmente Heidfeld, tentarao consolidar a pecha de equipe de ponta já que o polaco narigudo nao abre o bico quando é pressionado.

No mais é isso aí. Trabalhar é preciso.

Sunday, April 06, 2008

Sakhir (7) - Vitória brasileira

Düsseldorf (finalmente)

autosport.com
















Nao vai ser dessa vez que as ruas da Cracóvia se inundarao de vodka.

Massa partiu com tudo no início tomando a ponta do Kubica e dali nao saiu mais. Perdeu a lideranca apenas nas paradas para abastecimento. Manteve sempre uma distância segura sobre Raikkonen, que saiu de 4° para 3° logo na largada e na volta seguinte passou Kubica.

Hamilton ficou parado na largada, como há tempos nao se via na F1. Felizmente ninguém o acertou por trás. Depois de perder várias posicoes, saiu feito um louco tentando recuperar o precioso tempo perdido.

Enfiou o carro em Alonso e perdeu o bico sendo obrigado a ir aos boxes logo no princípio. Ainda nao sei se o espanhol fez um break test proposital. Revendo o lance, fiquei com essa dúvida. Depois disso, o inglês ficou no fundao e chegou num modesto 13°. Perdeu a lideranca e a segunda posicao na tabela de classificacao. Agora está embolado com Kubica e Kovalainen em 3°.

O polaco da Cracóvia, a terra do Papa Joao Paulo II e da lenda do dragao (um dia conto), bem que tentou. Sofreu com o óleo na pista nas primeiras voltas e perdeu duas posicoes para as Ferrari. Manteve-se constante durante toda a prova e no final chegou a ameacar Kimi, mas faltavam poucas voltas. Mais um merecido pódio e a lideranca no mundial de construtores para os bávaros da BMW.

Quem diria! Comeco de ano melhor que a encomenda. Arrisco a dizer que a primeira vitória vem antes do meio da temporada.

Barrichello fez o que deu mais uma vez. Brigou com Fisichella sem conseguir passá-lo na pista. No final, grudou em Alonso mas também nao passou. Pra quem andava no fundao do grid no ano passado, tá bom demais.

Já para o espanhol bi-campeao que brigou pelo título nos últimos 3 anos, ter que lutar pelo 10° lugar é muito pouco. Para onde ele irá ano que vem?! BMW ou Ferrari?!

Nelsinho largou sem se envolver em acidentes. Rodou logo na primeira volta ficando no fundao e depois se recuperou. Brigou com o câmbio a corrida inteira até abandonar.

Parabéns ao Massa que voltou a brigar pelo já embolado campeonato. Na entrevista coletiva, ele admitiu indiretamente ter errado nas duas primeiras corridas.

Quando nao comete erros, Felipe é sério candidato ao título, mas esta é justamente sua maior fraqueza.

O resultado final da corrida está aí embaixo.



















E as classificacoes de pilotos e construtores ficaram assim:
Drivers:                    Constructors:             
1.  Raikkonen     19        1.  BMW Sauber             30
2.  Heidfeld      16        2.  Ferrari                29
3.  Hamilton      14        3.  McLaren-Mercedes       28
4.  Kovalainen    14        4.  Williams-Toyota        10
5.  Kubica        14        5.  Toyota                  8
6.  Massa         10        6.  Renault                 6
7.  Trulli         8        7.  Red Bull-Renault        4
8.  Rosberg        7        8.  Toro Rosso-Ferrari      2
9.  Alonso         6
10.  Webber         4
11.  Nakajima       3
12.  Bourdais       2

Sunday, March 23, 2008

Viva a Malaysia (3) - Corrida

Düsseldorf (belo dia. corridinha tranquila!)

Acertei o vencedor, Kimi Raikkonen. A BMW comprovou a forca mostrada na Austrália e terminou em 2° com Kubica registrando o melhor resultado de sua curta carreira. Bom esse polaco. E feio também. Kovalainen completou o pódio.

E o Massa?! Rodou sozinho quando estava em 2°. Deve ter sido culpa dos pneus, desgastados prematuramente. Ou do asfalto malaio liso demais. Ou seria das nuvens de chuva que o distrairam enquanto fazia a curva?! Será que a Ferrari vai jogar a culpa na ECU, a centralina eletrônica padrao fornecida pela McLaren?! Poderiam dizer que havia um bug ou vírus já que a telemetria do carro de Felipe nao acusou nada de anormal.

Nao, nada disso. Massa errou. E errou feio, sozinho. Desnecessariamente. Nao conseguiu abrir vantagem suficiente para Kimi no 1° trecho da corrida. Parou antes que o finlandês nos pits e este, com duas voltas voadoras mais rápidas que a volta da pole, voltou na frente. E dali nao saiu mais, pelo contrário. Abriu uma segura vantagem.

Agora sao 11 x 0 em apenas duas corridas na briga interna da Scuderia. Se a boataria colocou Vettel na Ferrari logo após o fiasco da Austrália, agora serao capazes de dizer que ele já corre no Bahrain ao lado de Kimi.

Acho que é muito carro pra pouco piloto...