Wednesday, March 23, 2011

Fazendo limpa...

Lisboa (tenho apenas 57 min.)

Se eu postasse tudo que planejasse ou desejasse esse blog seria o mais lido, melhor e maior do Universo. De tempos em tempos preciso fazer limpas, como diz minha mae. Desovar os textos nunca publicados, fotos idem, compartilhar links e estorias com o resto da galaxia e organizar a Vida virtual.

O texto a seguir foi escrito em Paris durante a Pascoa do ano passado, nos dois primeiros dias. Ela tinha se mandado para o Brasil a trabalho me largando sozinho e solitario na gelada Alemanha. Pulei num trem de Dusseldorf pra Koeln (Colonia para os incautos) e de la pra Paris foi outro pulo. Cheguei na casa do Rodrigao, guitarrista de pop/rock, mas principalmente jazz. O cara toca com o Ray Lema e ja se apresentou ate, acreditem, no festival de jazz de Katmandu no Nepal.

Falei pra ele que se vendessem acoes de pessoas eu compraria o maximo que pudesse da "start-up" Semiao Ltda. pra vender quando valessem milhoes num futuro proximo. Como isso (ainda) nao existe, continuo assistindo gigs excelentes toda vez em que a gente se encontra.

O texto nao termina, mas me lembro de quase tudo que aconteceu depois. Nao tenho agora as fotos tiradas nesses dias, mas se reve-las a memoria se refrescara. Mais uma promessa de campanha...

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Paris (Chove la fora e aqui…)

Com os sons do transito parisiense enchendo as ruas molhadas ao fundo, informo que não vi o treino da F1. O cabo do telefone esta desligado, portanto minha curiosidade vai ter que esperar.

Do. 1 April

Voltando as filmagens do micro-curta metragem na quinta, foi uma experiência interessante. Fiquei esperando o Rodrigo num café ao lado da saída do M Alexandre Dumas tomando um Bordeaux e tentando continuar a leitura de Stalingrad. Mais um livro oriundo da biblioteca do Luiz que ele queria de volta, mas vetei. Tenho que ler primeiro, depois devolve.

Passaram de carro, Rodrigo e a “cineasta” Luciane que na verdade é uma baita fotografa da Marie Claire, entre outras, e pulei dentro com mala e tudo. Deixamos minhas coisas na casa da Scheila, cantora brasileira de jazz que não estava por lá. Pegamos o resto da turma, Guillaume e Eva, respectivamente cameraman e assistente de iluminação (a coitada tinha que usar um cinto de utilidades do Batman pesadaço com as baterias do refletor. Ficava quieta o tempo todo, não fala lhufas de inglês e sorria de quando em vez).

O Citröen da Luciene parecia explodir de tanta coisa dentro. E na Franca o carro dela não pode levar cinco pessoas, apenas quatro. Eh daqueles em que o teto abre inteiro e o carrinho vira quase conversível. Apesar do frio, ela abriu a capota e tivemos Paris como cenário de fundo no trajeto Alexandre Dumas, no sudeste, ate o Arc de la Defense, no extremo oeste da cidade. Só esse passeio já valeu minha viagem. Entre uma Coca e outras, regado a batatinhas, fui entendendo melhor a seqüência das filmagens, a historia, a fotografa-moviemaker e batendo papo com o Rodrigo. Os franceses, como sempre, não falavam a língua de Hitchcock.

A historia é de um homem que corre com uma maleta na mão em vários lugares da cidade, sempre a noite. Ele esta ofegando, meio assustado, procurando um lugar escuro e sozinho. Escorrega, quase cai não soltando a maleta de jeito nenhum, e entre um close e outro um suspense mambembe vai sendo criado. Rodamos (me incluo também por que ajudei a carregar a tralha toda e dei algumas dicas nas filmagens) próximo do Arc de la Defense, depois em um túnel perto do Louvre onde fui o motorista e eles filmaram do carro em movimento com o Rodrigo correndo pelo túnel. Dali pra Montmartre onde paramos o carro ao lado do ultimo vinhedo de Paris e em frente ao Le Lapin Agile, um cabaré famosíssimo dos tempos de Lautrec, Picasso, Degas, Matisse e toda a fauna artística que habitava o bairro no inicio do século passado... estranho dizer isso e não pensar nos anos 1800 e sim nos 1900.

Em frente ao Moulin de La Gallette, um restaurante fake de comida duvidosa, vi o verdadeiro chat noir. Ficou me olhando calmamente no escuro da noite. Estava do lado de dentro e parecia aflito. Ficou me estudando e ganhando confiança antes de se movimentar. Andou calmamente pelo muro baixo, debaixo de uma arvore. Olhou pra frente e vi o motivo de sua aflição. Uma gatinha branca o esperava. Pulo pra perto dela e lhe deu uma carinhosa lambida. Estavam assustados, achando que eu fosse fazer algo. Fiquei apenas olhando o Amor felino.

Depois, fiz ate uma participação especial numa cena, ao lado da Sacre Coeur, onde o homem que corre encosta num carro e se agacha ofegante. Olha pra direita e nada. Mas quando olha pra esquerda vê um vulto saindo da calcada pra rua. Esse vulto sou eu, prazer Pedro Vulto! Posso ganhar um Oscar ainda, não menospreze minha fabulosa atuação.

Esbudegados e sem comer, mais de 5h da matina, depois de ter acordado as 6 e meia na Alemanha, trabalhado o dia inteiro e viajado, pegamos minhas coisas na casa da Scheila e fomos pra casa. Rodrigo tava pior, pois ficou correndo na noite fria e teria que pular da cama às 9h no máximo na manha seguinte. Mora perto do M Michel Bizot num apê pequeno, mas com uma vista magnífica do sexto andar. E tem varanda.


Paris (ainda com sono...)

Fr. 2 April

Depois da maratona de filmagens, acordei às 9h da Sexta da Paixão e fiquei observando a correria do Rodrigo. Tinha que viajar mais de uma hora ate o conservatório de musica onde ele estuda pra passar o som e participar de um show de jazz. Depois teria aula. As 5 e meia da tarde chegaria em casa pra organizar as coisas e levar guitarra, ampli e mochila com pedais ate o Cithea Nova na rue Oberkampf, nome de general alemão. Acha que musico não trabalha?! Os caras vivem numa ralação sem fim. São os primeiros a chegar e os últimos a sair. Vivem correndo, a grana geralmente é curta no inicio da carreira, mas quando acertam o rumo, tocam com qualidade e conhecem as pessoas certas, ninguém segura.

Ele se foi e fiquei olhando o AP/quarto/cozinha onde mora. Como já falei antes, a vista vale o investimento. Moro no térreo e sei o que é isso, ou a falta disso. Queria ver as pinturas do Chagall no teto da Opera e pra la fui. Comi um croissant antes de pegar o metro e me arrependi de não ter levado um livro. Vi a autobiografia do Andre Midani “Musica, Ídolos e Poder” dando sopa na estante dele e não peguei. Dia chuvoso e úmido, não tão frio, mas Paris é bom de qualquer jeito não importa a época do ano e temperatura. Paguei entrada de estudante na Opera usando a carteirinha da Uni Bochum e entrei. A suntuosidade impressiona, mais ate do que na Stattsoper em Vienna. Uma escadaria magistral toda em mármore leva ao segundo piso. De lá caminha-se até o Palais Garnier, outra obra-prima revestida em ouro de cima a baixo. Uma professora explicava aos jovens alunos detalhes do salão nobre. Se falasse um mínimo de frances, me sentaria para ouvir também. Dali se alcança uma varanda com vista pra Praça em frente a Opera. Negões faziam piruetas com seus corpos ao som de musica pop. O povo aplaudia, mas $$$ na caixinha deles que eh bom, nada. Turista geralmente é pão duro.

Com Chagall visto, revisto e apreciado, caminhei em direção a Madeleine que não fica distante dali. Vi no mapa que o Olympia, a tradicional casa de shows, ficava no caminho. Vi uma Maison de Thé numa rua à direita e resolvi entrar. Queria comprar um chá pra criança que eu amo, vulgo Ela, que adora chá. Acabei começando a tomar também e recomendo aos preconceituosos. A sala de chá era parte de um hotel. Fui entrando e vi um monte de negões bem vestidos, africanos sem duvida. Parecia a delegação de um país visitando a cidade. A atendente do hotel confirmou que eram de Guine Bissau e ficariam por três dias ali enchendo o lobby e o restaurante. Vieram discutir política com a pátria mãe francesa, que tanto os explorou e os tornou completamente dependentes. Li numa parede que neste hotel, de nome Scribe, foi onde os irmãos Lumiére cobraram ingressos pela primeira vez para a exibição de um filme. Já haviam feito isso antes em outros lugares, mas dessa vez era diferente. Foi assim criada a primeira sala de cinema da Historia.

NÃO ESCREVI MAIS NADA... JUMENTO. AS LAMINAS DA MEMORIA VAO SE SOBREPONDO E SO COM FOTOS SE CONSEGUE LEMBRAR DOS DETALHES, MAS NÃO COM A MESMA RIQUEZA. EH SEMPRE A MESMA HISTORIA... FALTA DE TEMPO, OU DE SABER GERENCIA-LO.

Friday, March 18, 2011

Into Thin Air

Beagá (ontem foi dia de São Patricio)

Contratado pela revista Outside em 1996, o experiente alpinista Jon Krakauer foi mandado para o Everest para escrever sobre a comercializacao crescente das escaladas em alta montanha na regiao. A sagrada montanha na divisa entre o Nepal, China e Tibet - chamada pelos sherpas de Sagarmatha - sofria com a presenca cada vez maior de alpinistas pagantes e inexperientes avidos por alcancar o cume a todo custo.

No Ar Rarefeito (In Thin Air) conta a historia da temporada mais tragica no Everest onde 12 pessoas morreram graças a uma mistura de irresponsabilidade, despreparo, arrogância, menosprezo as condicoes climaticas e o fascinio quase doentio em alcançar o topo do Mundo.

Guias experientes como o neozelandes Rob Hall da Adventure Consultants e o americano Scott Fisher da Mountain Madness eram amigos pessoais, mas rivais na competicao insana em levar o maximo de alpinistas/turistas pagantes a atingir o objetivo de suas Vidas: escalar os 8.848 metros da montanha mais alta do Planeta.

Krakauer conta com precisao, as vezes de minutos, todo o planejamento e preparacao nos dias antes, durante e depois do ataque final ao cume no dia 10 de Maio de 1996. Permeado por emocoes distintas como coragem, medo, apreensao, preocupacao com a propria saude, negligencia e desinteresse em ajudar os companheiros o alpinista/jornalista relata sua versao da estoria muitas vezes contestada por familiares das vitimas e em especial do guia russo Anatoli Boukreev. Ele tambem lancou sua versao em livro chamado A Escalada (The Climb) contestando Krakauer e principalmente sua atitude egoista e pouco participativa no resgate aos outros aventureiros. Boukreev tornou-se um heroi ao sair no escuro e no meio da tempestade que assolou a montanha naquele fatidico dia encontrando cinco alpinistas perdidos e destinados a morrer congelados. Gracas a ele o numero de vitimas foi menor. Enquanto isso, Jon descancava exausto em sua barraca de sua subida bem sucedida, sem se preocupar com os demais.

Independentemente das controversias, o relato eh preciso e te faz ficar com vontade de chegar pelo menos no acampamento-base do Everest. Lugares como a cascata de gelo do Khumbu, o Circo Oeste, o Flanco do Lhotse (cume ao lado do topo do Mundo no lado nepales), o esporão de Genebra, Colo Sul, plataforma Balcony, Cume Sul e o escalao Hillary se tornam lugares familiares, assim como o dia a dia e a rotina exaustiva e durissima que cada um deles enfrentou, alguns pagando USD 65 mil pelo programa de aventura.

As montanhas sempre exerceram fascinio nos homens. Os mais corajosos e bem preparados sempre tentaram acabaram por conseguir atingir seus objetivos, nao sem fazer vitimas. Antes de Sir Edmund Hillary, imortalizado nas notas de 5 dolares neozelandeses, e o sherpa Tenzing Norgay atingirem o cume em 1953 varios outros alpinistas mais experientes e ate melhores fracassaram. Alguns perderam a Vida, outros haviam escolhido a rota certa, mas o clima no dia do ataque final nao era o ideal, outros seguiram um caminho mais dificil ou nao tiveram preparo fisico para atingir sua meta.

Depois de 1953 o desafio era chegar no alto sem oxigenio complementar. Reinhold Messner foi a estrela principal dessa modalidade em 1978 e depois em 1980 quando escalou sozinho e pelo percurso mais dificil.

Uma das vitimas, Doug Hansen, havia fracassado em sua tentativa anterior. Dessa vez havia dito a Krakauer que chegaria ao topo nem que arriscasse a propria Vida. Chegar la em cima ele conseguiu, mas jamais desceu.

Wednesday, March 16, 2011

Radio Truta Especial - Beacon Theatre, NYC

Beagá (já viu "Shine a Light"?!)

O Radio Truta de hoje eh especial. Recebi uma newsletter do lendário Beacon Theatre novaiorquino anunciando a programação vindoura:
. Peter Frampton
. Allman Brothers Band
. Paul Simon
. Warren Haynes Band

Warren Haynes, pra quem nao sabe, eh guitarrista de blues, vocalista do Gov't Mule e foi membro de longa data da propria Allman Brothers Band. Ele deve ser filho do dono do Beacon já que o Gov't toca lá todo reveillon faz um bom tempo. Tive o prazer de assisti-los na virada de 2009 pra 2010, dia 30/12. Ela e eu, claro.

Dá vontade de ver todos, mas como disse meu amigo de infancia Matheuzin, vocal do 9 Ora e Metamorphosis, dono do Entre Folhas e caçador de shows pelo Mundo: "É outro mundo."

Outro completamente diferente desse em que vivemos, escondidos nas provincias das Gerais. Mas la não tem cachaça. Não tão boa quanto a nossa, hehe.







Chernobyl 25 Anos

Beagá (montei um clube multimidia pra mim)

No dia 26 de Abril de 1986, mais precisamente às 1:23h da matina locais, o famigerado reator nr. 4 explodiu liberando quantidades obscenas de radioatividade na atmosfera. O resto eh Historia.

Neste mesmo dia meu grande amigo Banana fazia 12 e infernizava a Vida de seus pais no Loyola. Tomou pau em matematica e repetiu o ano seguinte. Depois foi eu a sofrer um infortunio na lingua portuguesa e tambem repetir o ano seguinte. Ficamos amigos em 88. Amizade que perdura ate hoje.

Chernobyl hoje eh uma cidade fantasma, mas abriu para visitação publica recentemente. O fotografo David Schindler fez chapas impressionantes dos restos que milhares de pessoas deixaram pra trás.

O nome da cidade hoje eh sinonimo de tragedia nuclear. Fiz umas fotos em Dusseldorf numa manha de inverno a caminho do trabalho que me fez lembrar, sem nunca ter pisado por lá, a cidade em questão.

Depois do terremoto-tsunami no Japão o Mundo comeca a repensar a necessidade e os beneficios das usinas nucleares. A Alemanha, que já era reticente, agora cancelou de vez os projetos futuros e pensa em desativar todas as usinas com mais de 30 anos.

O futuro da geração de energia esta nas fontes renováveis, qualquer criança de 3 anos sabe disso.

Bueiros, a Série

Beagá (assistindo Hebe, a velha demente)

Era pra virar um álbum impresso ou uma exposicao no 2011, o melhor restaurante de BH. Mas vou começar a postar aqui minha coleçao de fotos dos bueiros, ou boca de lobo, que encontro pelo Mundo.

Funciona como se fosse uma conquista de territorio, uma mijadinha canina num poste ou muro, o registro das minhas pegadas naquele solo.

Iniciando a série pelas chapas mais recentes: Roma, Cidade Eterna. Em visita Fevereiro ultimo ao conCUnha Darciley, Dan Dan e as pimpolhas lindas e maravilhosas -  e a babá, claro - passamos dois dias maravilhosos.

A foto abaixo foi tirada indo da Fontana di Trevi pra Piazza di Spagna. E a seguinte, em edição extraordinaria, no Foro Romano.


Monday, March 14, 2011

O Maior Espetáculo da Terra

Beagá (primeiro a comédia, depois a tragédia)

Gosto muito de conhecer igrejas. Mais pela arquitetura do que pela religiao, catolica na maioria das vezes. Sempre que entro em um novo templo, agradeco a Deus pela Vida que tenho. Por ter aparecido no Planeta exatamente na minha familia, com meu Pai e minha Mae. E meus avós, irmaos, tios, tias, primos e primas. Por esse simples fato, e por ter saude para aproveitar a Vida, nunca peço nada. Apenas agradeço.

Entrei na Igreja de Santa Luzia, no centro do Rio de Janeiro, quinta-feira passada dia 10 de Março, apenas para agradecer pela noite maravilhosa de segunda na Sapucai. Ela, alias graças a Ela e ninguem mais, e eu assistimos ao desfile contagiante e viciante no Sambodromo que nada mais eh do que uma usina de energia e força irradiando alegria, fantasia, sonho e harmonia pra quem quiser ver e gostar.

Vimos um alemao, sim um sisudo e pessimista alemao como descrito no post anterior, ficar maravilhado, boquiaberto, bestificado, mudo, atento como uma criança pela primeira vez num parque de diversoes, ao registrar cada segundo da profusao de cores, brilhos, carnes, peles e luzes que passaram pela sua retina durante uma das noites mais especiais de sua Vida. Era a realizacao de um sonho, como relatado depois.

Pra nos brasileiros, acostumados a viver esse "pause" da Vida normal e cotidiada a cada Carnaval, ja eh um impacto tremendo na alma assistir um desfile ao vivo e a cores. Imagine para um germanico que "pula" carnavalescamente no frio, fantasiado, resistindo a Natureza e a falta de sintonia do clima "Tempo" sempre muito frio nessa epoca do ano com o clima "Alma". Distribuem chocolates, fazem carros alegoricos, saem fantasiados, mas nao tem comparacao com o nosso. Eh ate uma tentativa louvavel de manter a tradicao viva, mas...

Recomendo a qualquer brasileiro, goste ou nao de Carnaval, a dar um pulo na Sapucai pelo menos uma vez na Vida. Ver o arco da Apoteose, o objetivo final de cada escola no tempo certo, o recuo da bateria e a precisao milimetrica das paradinhas. Os mestre-sala e as porta-bandeira deslizando na avenida. Os carros alegoricos cada vez mais sofisticados, com cascatas naturais, fogo artificial, movimentos, luzes, truques magicos e um luxo cada vez maior. As celebridades globais querendo aparecer mais que as outras, dentro e fora da avenida.

Mas o mais bonito de se ver eh a dedicacao, o Amor legitimo, a paixao de cada integrante das comunidades do suburbio carioca e baixada que aguardam ansiosamente durante 364 dias pela chegada da grande noite. Passistas que sambam como se fosse este o ultimo dos carnavais. As baianas, as vezes ja com a saude debilitada, nao querem nem saber. Viram meninas por uma noite e rodopiam numa sincronia perfeita. Os artistas fazem parte da festa e nao decepcionam. As rainhas das baterias de verdade sao as mulatas anonimas das escolas que tem seus 15 minutos, ou um pouquinho mais, de fama por uma noite. Uma galisteu tem que apelar pra poucao roupa, senao ninguem comenta. Ana Hickmann espatifou no chao bem na frente dos julgadores, mas ainda bem que a Grande Rio era "carta branca" no desfile. Ellen Roche ate que se saiu bem. E o alemao esperou a noite toda pra ver a Viviane Araujo, mas foi retirado da grade no momento decisivo.

Quando a bateria da Mocidade entrou no segundo recuo virei pra ela e falei "pula a grade e vamos pra bateria". Em instantes estavamos quase dentro das cuicas e tamborins sendo tocados a perfeicao. O ator Marcos Frota acompanhava tudo em extase. Pensava nos seus melhores dias com Carolina Dickmann, que jamais voltarao. A chuva caia, o refrao estava na boca de todos, a escola passava no tempo certo e cronometrado e de repente o Governador chegou de colete e tudo. Agradeci a presença dele e disse que a festa estava uma maravilha. Sorriu, deu um joia e voltou pra confusao.

Apesar da vitoria muito contestada da Beija Flor, o samba enredo homenageando o rei Roberto Carlos era meio caminho andado pra levar o caneco. Um rei visivelmente nervoso no inicio do desfile disse que viveu um dia de "grandes emocoes, bicho", inesquecivel. O samba na ponta da lingua de 90% da avenida, um dia nascendo com o ceu azulado emoldurando e combinando com as cores da escola nao poderia ter outro resultado.

Quando o Amor invade a Alma... eh magia
Eh inspiracao, pra nossa cancao... poesia
O beijo na flor eh só pra dizer
Como eh grande meu amor por voce

As 8h da matina chegamos no hotel, felizes da Vida. Ela brilhou na avenida. Estava esfuziante, irradiava felicidade e alegria. Fazia tempo que eu nao via aqueles magneticos olhinhos azuis brilharem tanto. So nao publico uma foto aqui senao todos se apaixonariam perdidamente.

E isso, gracas a Deus, eh mais um privilegio meu!

Unidos da Tijuca (Felipe Dana - Associated Press)

Quem quiser ver fotos deste e de outros carnavais pelo Mundo eh so dar um pulo no Big Picture do Boston.

Friday, March 04, 2011

Fünf Jahre in Deutschland

Düsseldorf (a noite em BH!)

Anteontem, dia 1° de Marco, completaram-se CINCO anos que Ela e eu vivemos na Alemanha, em Düsseldorf. A terra da cerveja, do chucrute, salsichao, mostarda, da Oktoberfest - que acabou virando meu carnaval - Nürburgring e Hockenheim, dos museus fabulosos, Berlin, Hamburg, Frankfurt am Main - em Português de Portugal falam Francoforte do Meno - do Bodensee (lago Constança), München/Münich, Bremen, Dortmund, Leipzig e sua Hauptbahnhof - estação central - monumental, Dresden e a impressionante Frauenkirche totalmente restaurada após o bombardeio aliado desnecessário e criminoso em 1945 após o fim da guerra.

Ao invés de falar dos lugares que conheci e das coisas que fiz, contarei um pouco sobre a personalidade e cultura dos alemães. É um povo extremamente exigente, metódico, insatisfeito, culto e irritantemente organizado. Muitos se parecem com robôs pela forma como agem e pela rotina inabalável que estabelecem em suas Vidas. No trabalho então dá vontade de meter a mão quando um deles apenas segue os procedimentos de um programa ou norma sem perceber que uma solução improvisada, e muito mais rápida e eficiente, seria o ideal para aquela determinada situação.

Uma vez, em seu primeiro trabalho em terras germânicas, Ela estava de saída do escritório, com certa pressa pra pegar o ônibus e voltar pra casa quando presenciou um diálogo inusitado. Os alemães, colegas de trabalho e jamais amigos já que separam a Vida profissional da pessoal com um muro de 6 metros de altura por 2 de largura, pensavam na melhor maneira de com quem deixar a única chave da sala e ao mesmo tempo trancar a porta. Um deles ficaria até mais tarde, mas não tinha autorização pra levar a chave e não seria o primeiro a voltar no dia seguinte. Este, o primeiro, tinha a chave da porta e estava autorizado a possuí-la. Ela, com toda sua malandragem brasileira, ouviu tudo e sugeriu: por que o último a sair nao pega um envelope, coloca a chave dentro e empurra por baixo da porta?! Assim ele pode trabalhar até mais tarde, vai deixar tudo trancado e nao levará a chave pra casa. Foi como se ela desenhasse num quadro negro pela primeira vez a famosa equacao de Einstein. Ficaram abestalhados olhando em silêncio pensando "envelope é pra colocar carta e não chave". "Du bist ein Genie" foi a reação imediata de Hans Müller, o que ficaria até tarde. Thomas Fischer concordou e saiu correndo pra buscar o envelope. Ela saiu sorrindo que só ela da falta de ginga dos chucrutes, do quanto são obtusos.

Vi uma cena há algumas semanas que me impressionou também. Dois colegas de trabalho, um há 17 anos na empresa e o meu chefe há 19, olharam um pra cara do outro e se chamaram mutuamente pela primeira vez na História usando os primeiros nomes, Walter e Stefan. O idioma alemão é diferente do português, pois se usa o tratamento formal na terceira pessoa para se falar e escrever com desconhecidos, colegas de trabalho ou pessoas mais velhas. Demonstra respeito, cordialidade e uma nítida distância de segurança delimitando a intimidade de cada um. Comecei a rir na cara deles perguntando como conseguiram chamar um ao outro pelo sobrenome, Herr Ober e Herr Stein, por tanto tempo assim. Disseram que foram acostumados a viver dessa maneira e nunca param pra contestar certas coisas.

Isso me fez lembrar da facilidade impressionante com que um certo Adolf convenceu tanta gente a fazer o que fizeram sem parar pra pensar nos por ques e nas consequências daquilo tudo.

São difíceis de fazer amizade, os teutônicos. Falam baixo para que ninguém ao redor escute a conversa e fique sabendo de detalhes da Vida alheia, no caso a própria. Parece um cochicho eterno, seja no trem, no Straßenbahn, vulgo bonde, ou nas mesas dos restaurantes. Mas fazem uma algazarra gigante quando estão entre amigos, geralmente a turma do maternal que cresceu junta na 1a série, entrou no ginásio, fez o 2° grau e se separou na Universidade, mas continuaram amigos para sempre. Nos cursos superiores são apenas concorrentes brigando por um lugar ao sol no mercado de trabalho e não há muito espaço pra amigos.

Exagerei um pouco, mas não fica muito longe disso não. A vantagem é que quando ficam amigos de verdade são realmente leais e verdadeiros. Te convidam pra tudo, desde aniversário de afilhada, missa aos domingos às 10h da matina, chá da tarde com bolo, brunch, almoço, aniversário, exposição, cinema e até pra passar férias juntos ou fazer uma viagem de final de semana.

Quando um brasileiro/a se encontra com um alemão/ã não ocorre um diálogo normal e sim um interrogatório. Como somos geralmente falantes e expansivos, vamos respondendo às perguntas, mas o papo nao dá liga, como diria minha mãe. Se você conta um caso o alemão não conta outro em seguida. Fica querendo saber detalhes idiotas e desnecessários do tipo qual era a marca do pneu do carro nessa viagem que você acabara de contar. Se você responder Bridgestone ou Michelin ele vai te perguntar quantas libras tinha nos pneus dianteiros e nos traseiros. Se o extintor tava carregado e com validade até quando, se o triângulo para sinalizar acidentes estava com a luminosidade dentro da norma DIN e mais, qual foi a quilometragem rodada na viagem e o consumo do veículo.

São uns loucos, ás vezes, mas é bom morar aqui. Tem-se segurançaa e principalmente aquela sensação de segurança e de que é muito raro algo acontecer a você, seja um acidente de trânsito ou assalto. Infraestrutura de transportes fabulosa dando mobilidade as pessoas e respeitando rigorosamente o direito sagrado de cada cidadão de ir e vir quando bem entender e com quem quiser. A Vida acaba ficando mais programada, e às vezes mais previsível, já que acostuma-se a checar a previsão do tempo, programar feriados e férias com antecedências de 3 a 4 meses e por aí vai. A gente nunca faz isso no Brasil.

Me lembro que minhas melhores viagens sempre foram as de última hora. Aquelas combinadas no cachorro quente de quinta depois da boate onde um vira pro outro, entre o ketchup e a golada de Fanta, e pergunta "vai fazer o que no final de semana?!". "Nada e você?!" "Vamo pro Rio amanha a noite?! Voltamos domingo. A gente fica na casa do Bernardinho." "Claro, me pega que horas?!" E pronto, tá armada a alegria completa.

Um alemao hoje já planejou seu terceiro final de semana em Outubro. Sabe exatamente onde vai e com quem, quanto vai gastar e o que precisa levar. Irritante isso. Não dão margem para o improviso, para o inesperado, pras surpresas da Vida.

As distâncias também são, para nós brasileiros, ordens de grandeza bem diferentes quando comparadas com a Alemanha e o resto da Europa. Quando contamos que passamos o último final de semana em Berlin, indo sexta e voltando domingo como no causo carioca acima, se espantam e acham um absurdo viajar tanto tempo assim por apenas dois dias. Sao 500 km de carro ou 4 horas e pouco de trem. Mais moleza que isso só mordendo água.

E assim segue o barco por mais alguns anos. A cidade de Düsseldorf foi eleita a sexta melhor para se viver não sei por qual instituto de pesquisa. Isso é muito subjetivo. Quais foram os critérios avaliados?! Sem dúvida é uma ótima cidade, de tamanho médio com 500 mil habitantes, mas estrutura e agito cultural de metrópoles grandes como München, Hamburg e Frankfurt. Berlin é incomparável, mas ao mesmo tempo fica meio "fora de mão" em relacao ao resto da Europa Ocidental. Pra quem gosta do Leste, é a principal porta de entrada.

Ah, e viciei na Alt bier típica da cidade que é a capital da Nordrhein Westfalen, vulgo Renânia do Norte e Vestfália, e na forte mostarda também. Impossível parar de beber e comer.

Sunday, February 27, 2011

A Crise do Capitalismo

Düsseldorf (pra que escrever se já tá tudo desenhado?!)

Eu poderia ficar horas, dias, meses escrevendo e relatando os fatos que resultaram na atual e longe de terminar crise do capitalismo. Mas meu amigo e alemao Walter Ballo mandou todas as respostas num singelo video do Você Tubo.

Boa noite!

Saturday, February 26, 2011

Que horas sao?!

Düsseldorf (lava roupa todo dia...)

Já que falamos da Itália no post abaixo, vamos homenagear a terra da redonda mais amada do Mundo, do Papa e sua conexao 4G turbo direta com o Senhor via Basílica de Sao Pedro, do Cinqueciento, da piazza Navona e di Spagna em Roma, das fabulosas mussarelas di buffala e do ravioli mimosa e sua receita secreta.

Fanfarrao, eu?!

Düsseldorf (especialista em quiches)

Link enviado por Domenico, alcunha Nico, pizzaiolo famoso de BH  e integrante da Camorra, a máfia napolitana.

Friday, February 25, 2011

A Revanche do Século na "Folha" do dia em que nasci

Düsseldorf (Santo Antônio dos Lopes, Maranhao)

Grata surpresa encontrei no Acervo Digital da Folha. Procurei pela capa do dia em que nasci e acabei descobrindo que na noite anterior, no Madison Square Garden em New York, o entao Cassius Clay e futuro Muhammad Ali, maior lenda do boxing mundial, derrotara Joe Frazier na chamada revanche do século.

Tenho um amigo, o Delegado, morador de Vienna, Santa Rita do Sapucaí, Santa Rosa no Rio Grande - terra da Xuxa - e agora de Juiz de Fora, vulgo JF ou Avenida Atlântica Hum Milhao, que é completamente apaixonado por boxing e principalmente pelo Ali.

Completamente influenciável que sou, comecamos a baixar várias lutas do Ali tentando completar uma colecao de um álbum visual com os arquivos digitais das históricas lutas. Passamos da metade, conseguimos algumas raridades, fizemos listas, pesquisamos aqui e ali até quase esgotar a WWW. Assisti algumas sozinho, outra com ele voltando nos lances polêmicos e magistrais de Ali, suas provocacoes características antes das lutas, suas falas de "I'm the Greatest!" apenas para irritar e intimidar o adversário.

Outra de suas falas marcantes era "float like a butterfly, sting like a bee", ou flutue como uma borboleta e ferroe como uma abelha.

Outros assuntos do dia,  na verdade o dia anterior ao meu fabuloso nascimento, descritos na capa eram sobre Proterra, árabes chegando ao Brasil para explicar a posicao dos países do Oriente Médio e o uso do petróleo como instrumento de pressao no conflito com Israel - alguma semelhanca com os dias de hoje?! - gasolina subindo, safra do trigo garantido para o restante do ano, carne uruguai, conspiracao internacional na Bolívia, o sequestro de Carlinhos (quem é esse meu Deus?!), peronistas jovens, pesticidas causando danos ambientais numa época em que os eco-chatos sequer pensavam em existir, bolsas caindo e o clássico Sao Paulo x Santos no Morumbi valendo vaga nas semi-finais do Campeonato Brasileiro de 1973, muito atrasado e entrando Fevereiro adentro. Mirandinha de um lado contra Pelé, já fora da Selecao, do outro.

Engracado como o Mundo é cíclico. Dessas notícias todas talvez só a do acidente com DDT poderia ter sido evitada. O produto seria diferente, talvez. O estrago nao.

Mas jamais teríamos uma luta monumental como essas hoje em dia. Aliás, nem sei quem é o atual campeao mundial de boxing. Mentira, sei sim. É aquele ucraniano/alemao, Klitschko ou o irmao gêmeo dele. Mas por qual organizacao?! Conselho, Federacao ou Organizacao Mundial de Boxing?!

"I'm the Greatest!"

Pra quem tiver tempo e interesse, a luta completa está aí embaixo. Vale a pena demais assistir.

Tuesday, February 22, 2011

Radio Truta

Düsseldorf (viva Brumado!!!)

O título do email do CUnha Leopoldo era "Para os que ainda nao ficaram sabendo" sobre a notícia da semana, talvez do mês ou do ano.

Radiohead lanca música e álbum novo com venda pelo site oficial e chegada nas lojas, talvez com vinil, só em Maio.

Thom Yorke balancando o esqueleto em B&W e o som característico dos ingleses. Sim, eles ainda fazem a melhor música do Mundo. O resto é o resto.

Engracado que Radiohead me traz da memória a cidade alema de Bayreuth, terra natal de Richard Wagner e local de sua famosa Festspielhause. Lá todo ano acontece o festival de música clássica cujos melhores ingressos já estao esgotados para 2021, sem exagero.

E Nando Reis e O Rappa me fazem lembrar de Sarajevo. Como assim?! É o poder incrível dos mp3 players que fazem a música colar imediatamente na imagem captada. Quando seu cérebro associa algo com aquelas cidades, as melodias vem junto automaticamente. Às vezes, vice e versa.

Tuesday, February 15, 2011

Karōshi

Lisboa (queijo de azeitao eh o melhor do Mundo)

Antes que eu sofra a morte subita japonesa ocorrida por excesso de trabalho, tenho que postar alguma coisa. Desde terca passada venho trabalhando numa media de 13 a 14 horas diarias, incluindo o sabado e domingo.

Propostas, contratos, planilhas, comentarios, opinioes contrarias, pouca gente pra muita tarefa, falta de organizacao, centralizacao de trabalho, uns fazendo muito (como eu), outros muito pouco. Junte a tudo isso um chefe incansavel que trabalha como um Panzer num ritmo alucinante passando por cima de tudo e de todos.

O resultado eh esse. Sao 21:50h e estou apenas com o almoco na barriga e uns tres cafezinhos. Daqui a pouco saimos pra "mandar alguma coisa pra dentro" por que jantar num restaurante, fazer um pedido, tomar um bom vinho do Alentejo como o Cartuxa... isso vai ficar pra proxima.
Nao posso reclamar. Apesar da correria pudemos fazer incursoes precisas na cervejaria Ribadouro, na marisqueria Mar & Sol, no Viriato em Cascais e ontem num italiano meia boca em frente ao Cassino do Estoril. Picanha, bacalhau com batatas ao murro ou na nata, mariscada de frutos do mar, carapauzinhos (ou joaquinzinhos como diz meu amigo quase lisboeta Ramiro) fritos com arroz de tomate e ate um misto quente passaram por essas maos que vos blogam e depois pela boca e esofago indo repousar no dilatado estomago.

Cerveja Sintra ou Super Bock, Guarana Antarctica, suco de laranja espremido na hora (acreditem, isso eh raro na Alemanha), bagaceira (a cachaca da uva portuguesa), whisky velho (12 anos, o novo eh 8), vinhos verdes como o otimo Alvarinho, e tintos como o ja citado Cartuxa balancaram de um lado pra outro, subiram e desceram, chegaram frios e foram esquentando nos incontaveis copos cujos pesos fizeram meus bracos, geralmente o direito, a exercitar e degustar as iguarias que Saramago tao bem conhecia.

O resultado de tanto trabalho ninguem ainda sabe qual será. Mas ninguem poderá dizer que nao fizemps a nossa parte. Tudo vale a pena quando a alma nao eh pequena, já dizia o primeiro estagiário de Fernando Pessoa.

E nao existe hotel algum no Mundo que me ofereça o conforto que tenho em casa. Desnecessario citar a saudade gigante DELA, da minha cama, casa, cidade, rotina.

Sunday, February 06, 2011

Radio Truta

Düsseldorf (o tropeiro ficou perfeito)

Jeff Beck e Joss Stone gravaram essa pérola no Ronnie's Scott, jazz club mais famoso de London. Foi lá que passei meu aniversário com Ela, dancando, ouvindo boa música e nos divertindo. Pela nao ter visto o show daquela noite quando Carleen Anderson cantou. Já tava tudo SOLD OUT.

A dica do video e do lugar foram dadas por Leopoldo Magnífico, cunhado e louco profissional.

People get ready - Curtis Mayfield/The Impressions
There's a train a-coming
You don't need no baggage
You just get on board
All you need is faith
To hear diesels humming
You don't need no ticket
You just thank the Lord
Yeah yeah yeah

People get ready
For the train to Jordan
Picking up passengers
From coast to coast
Faith is the key
Open the doors and board them
There's room for all
Among the loved and lost

Now there ain't no room
For the hopeless sinner
Who抯 hard on mankind
Just to save his own
Have pity on those
Whose chances are thinner
Cause there's no hiding place
From the Kingdom's Throne

Ohh people get ready
There's a train a-coming
You don't need no baggage
You just get on board
All you need is faith
To hear diesels a- humming
You don't need no ticket
You just thank the Lord
Yeah yeah yeah

I'm getting ready
I - I'm ready yeah yeah yeah
Oh I'm getting ready oh - oh
I'm ready yeah


Thursday, February 03, 2011

Só nao aprende quem nao quer

Düsseldorf (uvas ao invés de pizza)

A internet, ou world wide web, a grande rede de computadores e servidores interligando tudo e todos tem realmente coisas maravilhosas.

Através deste artigo cheguei neste outro que me levou a um Mundo de conhecimento e aprendizado ilimitados. Eu, você e qualquer pessoa com acesso a rede pode estudar em Harvard, MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Fundação Getúlio Vargas sem precisar sair de casa e o melhor de tudo, de graça.

Todos eles, MIT, Harvard - através da Khan Academy - e FGV, oferecem uma gama de cursos online impressionantes que vao desde matemática fundamental, gestao, arquitetura, antropologia, literatura, economia, ciências políticas, que me interessa muito, e o escambau. Preciso de dias para apenas ver o que me interessa.

Mas aprendizado que se tranforma em conhecimento só se adquire com muita disciplina, determinacao e paciência. Coisas que nao tenho, mas Ela tem e pode me ensinar.

Se tudo aí em cima for pouco, que tal aprender com os videos do itunes?! Várias aulas online estao disponíveis como a Jazz Insights que me chamou a atencao imediatamente. Conheco um certo humorista que vai pirar com esse.

Pra finalizar, como o conteúdo gratuito é tao vasto o Open Courseware Consortium centralizando tudo e te ajuda a encontrar o curso ideal pra você comecar. Depois é só sair por aí ensinando aos mais necessitados.

Tuesday, February 01, 2011

Meu nome nao é Johnny

Düsseldorf (um dia morarei em London)

Li primeiro o livro do Guilherme Fiuza para alguns dias depois ver o filme baseado nas páginas muito bem escritas do jornalista carioca.

Desnecessário dizer que o papel é muito melhor que a película. É quase sempre assim, em 98,7% dos casos. Muitos detalhes se perdem, o ritmo tem que ser mais rápido e dinâmico com as imagens, a duracao é limitada em 140 minutos na maioria dos filmes comercias, a sua própria estória criada com a imaginacao e no ritmo de cada um é substituída pela imagem imposta pela tela.

Mas nao é tao dramático assim. Ambos tem suas qualidades. O livro mostra a verdade nua e crua do tráfico na Zona Sul carioca no fim dos anos 80 e início dos 90. Na Vida boêmia do filhinho de papai que tudo pode e tem, a nao ser limites, comecando a ficar viciado em cocaína e na adrenalina de fazer os outros dependerem dele pra curtir o próprio vício. Uma coisa se confunde com a outra. Joao Guilherme Estrella nao sabe mais se é viciado, traficante, playboy ou bandido amador.

Como em "Faroeste Caboclo", Estrella comeca como capitão do time de doidoes do Baixo Gávea e Leblon, vira traficante oficial da turma, espande seus domínios no meio dos playboys e acaba virando um general do tráfico, a ponta final na rede de distribuicao que comeca na fronteira da Bolívia e acaba na corrente sanguínea da cidade, como o próprio autor diz.

Filme e livro contam a mesma história com detalhes diferentes. A Operacao Amsterdam no livro ocorre em Barcelona no filme. A morte do pai nas páginas nao é contada em detalhes, apenas um abraco marcante, ou uma tentativa, do pai tentando segurar o filho sem limites que ganhava o Mundo e nao recebe a esperada atencao. O filme é mais dramático e mostra que os dois vibravam em frequências completamente diferentes havia tempos.

A fase na prisao da Polícia Federal e no manicômio sao ricas em detalhes e sensacoes na mídia do escriba, além do relacionamento com a juíza, o passar vagaroso do Tempo, a agonia do preso, a esperanca de sair de uma situacao aparentemente perdida, os amigos sinceros do cárcere, a música, o futebol.

O filme cobre parte disso de forma rápida. Selton Mello representa a si mesmo, cheirador convicto que é. Aliás, qual artista na Grobo nao é?! A beleza feia de Cléo Pires também transforma a Sofia do livro num mulherao. A trilha sonora é das melhores com Barao, Cazuca, Lulu Santos, Leo Jaime e Pink Floyd na cabeca de Joao.

Se você ler o livro vai ver o filme com outros olhos, entendê-lo melhor e aproveitar muito mais. Se for escolher apenas um, fique com a riqueza de detalhes, perfis de personagens e relacionamentos intensos descritos nas folhas de papel.

Quanto menos TV você assistir, mais inteligente vai ficar.

Thursday, January 27, 2011

Radio Truta em dose dupla pra animar a noite (ou o café da manha)

Düsseldorf (bed calling)

Pra quem ainda nao conhece o mais novo super grupo de rock, aí vai uma canja. Dhani Harrison é apenas filho de George, o Beatle. Ben Harper foi responsável por um dos melhores shows da minha Vida aqui na Alemanha. Fez dois bis e na última música saiu de cena deixando a chucrutada cantando sozinha feliz da Vida após duas horas e meia de espetáculo. E José Arthur, quem é?! Joseph nasceu em Ohio, criou seu próprio selo do Astronauta Solitário e saiu pelo mundo despejando sua verve de rock folk e alternativo com muito instrumental.

O trio me parece funcionar melhor do que outro festejado super grupo, Them Crookeg Vultures, que acabou decepcionando por enquanto. Neste temos John Paul Jones do Led. Só isso já vale o ingresso.



Wednesday, January 26, 2011

Radio Truta

Düsseldorf (London calling)

Se no final de semana que aproxima você tiver de bobeira em London passando pela porta do Ronnie Scott's disposto a achar um cambista e pagar mais caro pelo ingresso, vai ver essa menina ai embaixo soltando a voz jazz-soul junto com sua tarimbada banda.

Nao vai se arrepender, tenho certeza. Ainda mais sabendo que ela é afilhada de James Brown.



Monday, January 24, 2011

Tits, techno & trumpet

Düsseldorf (I love Techno 2003... bons tempos)

O blog mais eclético do Universo apresenta "Berlin calling" filme autobiográfico sobre o DJ eletrônico e alemao Paul Kalkbrenner.

Esperava um festejo de música, cores, luzes e festivais de música eletrônica, mas nao. Estória bem contada do DJ amador Ickarus querendo ser profissional e viver do que mais gosta de fazer. E quem nao quer?! Seu álbum está sempre "quase" pronto, faltando um detalhe aqui e ali. A produtora vai se irritando, o DJ se acabando nas drogas normais (cocaína) e sintéticas (ecstasy, MDMA, PDA e outras tantas que nunca ouvi falar). Tem crises gigantescas de abstinência, briga com a namorada bacana e que o apoia o tempo todo e, entre um set e outro, é internado numa clínica de reabilitacao.

A clínica parece um hospício. Um maluco cabeludo e mudo, outro esquizofrênico com mania de perseguicao, um ajudante de enfermagem que é seu fan e conivente com suas loucuras e está formado o cenário perfeito. Para sua sorte, e talvez por exigência e pedidos insistentes da namorada, Ickarus leva seu laptop e aparelhagem de som para o quarto da clínica. A bela médica, mais velha mas que gosta do rapaz, tenta entendê-lo, ajudá-lo e explicar a ele que com tal quantidade de drogas injetadas no corpo nao vai ter álbum nem agora nem nunca.

Ickarus, que só veste camisas de times e selecoes de futebol e nao tira os raybans, bem que tenta se recuperar. Mas a carne é fraca, o beat é alto e contagiante, a batida perfeita sempre pode ser aprimorada e ele nunca consegue dar um fim ao álbum. Até ser trocado por uma... negona forte e disposta a arrebentá-lo de porrada e ver sua amada e cansada namorada o abandonar.

Mas o Amor é lindo, festival de música eletrônica é como carnaval e a pista do Maria em Berlin é a extensao de sua casa. Paul Kalkbrenner consegue te manter com os olhos pregados na tela, num ritmo hora suave, hora contagiante. E a trilha sonora é de matar... pra quem gosta duma batida perfeita.


Este filme foi indicado, por incrível que pareca, pelo ex-fan número 1 da banda Babado Novo, pelo menino que só ouvia sertanejo. Pelo sujeito que idolatrava Vitor & Leo, mas que gracas a Deus saiu do interior e foi morar na capitar. Capitar do Mundo: Berlin. Isso nao abre a mente, simplesmente ESCANCARA. O nome dele?! Rodrigao, vulgo Mancebo ou Elefante.

O filme me fez lembrar também o Leopoldo Magnífico, meu cunhado doido. Nos tempos de bon vivant em Paris Leopoldo fez uma música sobre a linha B do metrô com efeitos especiais pra cada estacao, inclusive o barulho do trem em movimento, as portas abrindo e fechando, etc. Pois nao é que Paul fez o mesmo! Gravou o abrir e fechar das portas do S-Bahn berlinense, repetiu e mixou o som e fez música em cima.



Sunday, January 23, 2011

Radio Truta - Anos 80

Düsseldorf (sucesso ou fracasso?!

Anos 80, quanta música e banda boa passou pelo Brasil. Paralamas, Legiao, Barao, Titas, Cazuza, Ultraje, Hanoi Hanoi, Engenheiros, Plebe Rude, Ira, Camisa de Venus, Lobao, Kid Abelha e tantos outros.

Eu era um moleque, mas me lembro do Heberth Viana tocando "Óculos", da galera babando como sempre na Paula Toller e do Barao e Cazuza querendo que o dia nascesse feliz.







Friday, January 21, 2011

Viva o Fusca

Essen (MoU, EPC contract draft, EWA...)

Ontem foi o Dia Nacional do Fusca. Data escolhida porque em 20 de janeiro de 1972 o Fusca bateu o recorde do Ford T e tornando-se o carro mais produzido da História.

O carrinho foi criado por Ferdinand Porsche a pedido do ditador nazista Adolfo, como muito bem descrito e contado pelo humorista-mor aqui. Mas ha controversias em sua estoria.

Antes da guerra a produção dos KDF (Kraft durch Freude Wagen ou "Força pela Alegria") começou sim ja que existem varias fotos espalhadas pela internet da fabrica bombardeada e varios KDFs mostrados dentro da fabrica, destruidos. O carro ja estava pronto, ja tinham os moldes e tudo mais e em varios videos pela internet pode-se ver os Tipo 1 saindo de dentro da fabrica, ou do que sobrou dela...

…”O carrinho de Hitler, no entanto, nunca chegou à linha de produção durante o regime nazista. No mesmo ano do Salão de Berlim, estourou a guerra. E todos sabemos o que aconteceu”…

Na foto do artigo "O carrinho do ditador" citado acima vemos claramente os KDFs em frente a pedra fundamental da fabrica, ou seja, antes da Segunda Guerra.

Alem disso, quem fundou a Porsche foi Ferdinand Porsche sendo responsavel pela fabricação do primeiro VW, mas seu filho Ferry Porsche foi o verdadeiro criador do primeiro modelo Porsche que depois viria a ser o famoso 356. Durante o periodo em que o Dr. Ing. h. c. F. Porsche (Doktor Ingenieur honoris causa) estava preso por crimes de guerra, Ferry resolver criar seu proprio carro ja que nao gostava de nenhum modelo disponivel no mercado.

Mas isso eh Historia, ou são estorias. As minhas com Fuscas não são grande coisa. Sei que o Guidão teve um vermelho, seu primeiro carro, e depois um branco. Ou o contrario, nao importa. Bateu uma vez na subida do tobogã da Contorno, em BH, num acidente onde não teve culpa, diz o BO.

Pulamos para os anos 90. Eu tinha uma namorada cuja mãe, minha então sogra, tinha um Fuscão prateado daqueles feitos a mando do Itamar, não o Adolfo. Subia qualquer rua do Santo Antonio e São Pedro. Dirigi algumas vezes o besouro e sempre gostei da musica emanada pelo possante motorzão 1600.

Sempre que vejo um VW Käffer, o nome alemao do Fusca, pelas ruas do Mundo registro o momento. Abaixo alguns modelos interessantes encontrados pelo Mundo:

Aug2010 na Av. Conde de Valbon, Lisboa - Portugal

Set2010 em frente ao Leme Othon, Cidade Maravilhosa - RJ

Dez2010, Santa Teresa, Belo Horizonte - MG

Dez2010, Humaitá, Cidade Maravilhosa - RJ 

Dez2010, Rua Carangola, Santo Antonio, Belo Horizonte - MG

Pra saber mais sobre Fuscas no Brasil, clique aqui.

Radio Truta

Düsseldorf (a primeira do ano)

Tá, eu sei. É pop demais, mas eu gosto. Jay Kay é um cara do bem, louco por carros e tem um ritmo bacana. Vou ver o show em Luxemburgo no mês de Abril.

O video B&W chama a atencao nesse Mundo de hoje.

Sao Sebastiao do Rio de Janeiro

Düsseldorf (indo dormir tarde...)

Hoje é dia de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro, padroeiro da cidade. 

VIVA O RIO, melhor cidade do Universo!

Mario Testino

Queria contar duas estórias aqui, mas tá tarde. Uma delas foi escrita e enviada via email, mas nao consegui achar em lugar algum. Mais precisamente em 07 de março de 2004, show do Norman Cook, conhecido mundialmente pela alcunha FatBoy Slim. Nao vou relembrar dos causos com a mesma riqueza de detalhes da época. Só me lembro de quase ter atropelado a Rita Cadillac, que saia de um restaurante no Leblon, e alguém do carro gritar "aooo Rita, a bolete mais linda do Clube do Bolinha" tamanha era a chapacao.

O outro causo aconteceu no carnaval de 2003. Comecamos em Tiradentes/MG e fomos terminar em Cabo Frio (RJ) passando pelo Rio e desfilando na Beija Flor no último de seus vice-campeonatos. Depois emendaria uma sequência fabulosa de títulos sagrando-se TETRA, que nem a Itália.


Esse eu me lembro bem e contarei. Estava com Sérgio Mallard, o louco de Beagá.


Vou deixar vocês na vontade.


Inté.

Thursday, January 20, 2011

Ciúmes

Düsseldorf (tudo comecou com um rascunho)

Texto polêmico abaixo, escrito em Outubro de 2008 e nao finalizado. Rascunhado na Ruhr Universität Bochum antes de subir no comboio. Acho que o escritor temia represálias em casa ou reacoes completamente adversas do esperado. Por isso hesitou em publicá-lo.

Mas agora vai, do jeito que está. Sem choro nem vela. Garanto que se um dia essa idéia vingasse o Mundo nao teria mais guerras... ou acabaria o estoque de camisinhas.


10/10/2008
Bochum (indo pra casa)

Imaginem o Mundo sem o ciúmes. Ciúmes de todos os tipos. Entre casais, entre irmaos, entre colegas de trabalho, entre amigos.

O casamento tradicional nao existiria mais, ou sofreria sérios abalos. O homem tá feliz e tranquilo com a esposa, mas um belo dia, voltando do trabalho, pára no bar pra um choppinho com os amigos. Lá conhecem uma turma de meninas. Uma delas se interessa por ele. Saem juntos depois e consumam o ato. Chega em casa à 1h da matina com a mulher na sala vendo TV. Dá um pulo no pescoco dele, cheia de saudades e preocupacoes. Segue o questionário. Ele dá o relato completo, sem omitir uma linha sequer. Ela pergunta se foi bom, como ela é, o que faz, onde mora, a idade, que roupa usava, etc.. Ele toma um banho enquanto ela aguarda ansiosa na cama pra fazer mais uma saraivada de perguntas. Depois da ducha com um sorriso estampado no rosto, enxuga-se e vai organizando os detalhes para saciar a mulher e enriquecer o relato. E dormem rindo com as comparacoes inevitáveis, mas sempre tentando achar o lado bom da história.

Da mesma forma, num belo dia, essa mesma mulher, que é bela e charmosa por sinal, resolve acompanhar o chefe no almoco. Conversa vai, vinho desce, sobremesa também, resolvem esticar pro motel. Entram às 14h, saem às 17h. Leves, felizes e sorridentes. Ela chega em casa antes dele e prepara um lindo jantar. As criancas logo chegarao, com a velha e boa energia interminável. O marido entra e tira os sapatos. Abre o colarinho depois de tirar a gravata e é recebido com um sorriso enorme da amada. Ela comeca a contar. Ele já abre uma cerveja e vai seguindo atento. Pergunta o que ele fez de diferente ou de melhor. Ela conta, mas também reconhece as qualidades do marido. A intimidade entre eles é infinitamente maior, evidentemente. Mas o elemento-surpresa, a novidade, o território novo e inexplorado tornam tudo interessante. Fora da rotina o Tempo passa mais devagar. Tem-se mais estórias e histórias pra contar.

E assim seguem eles. Experimentando, trocando idéias, sugerindo, concordando e discordando também um do outro. Até que se cansam e resolvem usar o aprendizado entre si. A relacao melhora de uma hora pra outra, como namorados de um mês. Vivem um ciclo de felicidade e satisfacao como nunca experimentados antes. Até que essa curva comeca a descer. A insatisfacao aparece novamente e surge a necessidade de novas experiências, aventuras e personagens.

E como seria a ausência de ciúmes entre amigos?! Os ciclos de amizade seria intermináveis. Onde comeca um terminaria o outro e vice-versa. Será que aquelas confissoes exclusivas, e conselhos na mesma proporcao, existiriam com tanta frequência?! Duvido muito. As trocas de experiências seriam maiores, imagino eu. Da mesma maneira ocorrida com o casal, amigos iriam compartilhar...

Num mundo sem ciúmes, nao existe culpa.

Tuesday, January 18, 2011

Dez anos sem Sinatra (quase doze agora)

Essen (MPX, AES, biomass...)

Mais um dos rascunhos resgatados. Encontro apenas o link abaixo em tentativa de postagem no dia 15/05/2008:
http://musica.uol.com.br/ultnot/2008/05/13/ult89u9046.jhtm

Entro no link que fala dos 10 anos sem Frank Sinatra, completados no dia 13/05/2008, coincidentemente dia do aniversario do Dr. Licao, meu primo e veterinario como nosso avo Dr. Pedro.

Talvez a palavra "playboy" ou mesmo "bon vivant" tenha encontrado finalmente seu habitat natural no americano Francis Albert Sinatra. Sedutor, conquistador nato, amigo de tudo e de todos, amante de festas, furduncios, porres homericos (de Homero, Iliada), brigas e quebradeiras generalizadas, mas tambem dono de um coracao do tamanho do Mundo. Faca como eu e leia o livro "A Arte de Viver" escrito por um ghost writer ou especialista em biografias que nao me lembro quem eh e tenho preguica de procurar. Frank conta como colocar corretamente o chapeu na cabeca, meio virado pra esquerda, com a parte de tras mais alta e a da frente cobrindo os olhos (para que ele pudesse olhar por mais tempo as garotas).

Desmistifica tambem sua fama de bebedor revelando uma estrategia simples, mas funcional de nunca beber o conteudo completo de um copo com whisky, sua bebida favorita. Bastava se servir de uma dose nova com o garcom, numa das centenas de milhares de festas e eventos sociais por ele frequentados, dar uns dois ou tres golinhos abandonando-o em seguida numa mesa vazia. Quem o visse sempre se lembraria do copo cheio na mao e ele nunca estava bebado. Dai a fama. Confesso que este que vos bloga ja utilizava dessa estrategia havia muito tempo sem nem mesmo saber do que fazia Sinatra. Acham que bebo muito, mas apenas deixo-os, amigos, conhecidos, desconhecidos, ficarem bebados antes e depois eh so administrar. Claro que meu whisky eh bem melhor que aquele Jack Daniels do Frank, claro.

Sinatra, por incrivel que pareca, sofreu muito por seus amores e por sua fama de galanteador e homem da noite. Ava Gardner o fez comer a baguete que o demonio esmagaçou com a buzanfa entre varias idas e vindas. Perdeu a voz, mesmo sendo chamado de "The Voice", recuperou-a, foi associado à Mafia e investigado pelo FBI, fez varios filmes, entre eles "A um Passo da Eternidade", talvez o mais famoso.

"Blue eyes" ou "the Chairman of the Board", outros de seus apelidos, era gandaieiro, mas justo e generoso. Uma vez estava num bar e viu o gerente xingando desrespeitosamente um garçom que acabara de deixar um copo cair por acidente. Depois do esculacho publico perpetrado pelo chefe, chamou a vitima assustada e pediu a este que fizesse uma pilha imensa de copos no balcao. Comecou a quebrar tudo, com ajuda dos amigos, e entre milhoes de cacos e risadas chamou novamente o incauto servente dizendo "Se voce quiser quebrar mais, eu pago tudo." O garçom delicadamente recusou temendo nova represalia do chefe, mas Frank meteu a mao no bolso e lhe entregou um bolo de notas como compensaçao pelo episodio, no melhor estilo mafioso.

No começo do ano passado em New York City, "that city, that doesn't sleep", Ela e eu tivemos a chance de comer a famosa pizza do Gambrino's, logo na base da Brooklyn Bridge, num dos primeiros domingos do ano. Varias fotos de Sinatra adornavam as paredes, algumas autografadas, outras em preto/branco, mas nao haviam fotos de outros artistas. Soubemos que ele vivia ali e era amigo do dono, outro italiano que viera, como seus pais imigrantes, tentar "fazer a America".

No Brasil, Frank fez um mega concerto no Maracana nos anos 80 (180.000 pessoas, dizem). Show que eh lembrado por todos os cariocas pelo palco no meio do gramado, aberto, democratico. Sua sincera amizade com Tom Jobim foi tao importante quanto a parceria na musica e na gandaia. Dizem que formavam uma dupla dinamica tambem nas noitadas por NYC e resto do Mundo.

ps. no link acima voce encontra letras de musicas, uma selecao das melhores cancoes e fotos do ator/cantor.

Som na caixa DJ:

Thursday, January 13, 2011

Formula 1: 5000 dias sem a Morte

13/01/2011
Mais um rascunho inacabado iniciado em 03/04/2008. O artigo em alemao da Blick suíca fala do aumento da seguranca nos bólidos de Fórmula 1 após a morte do Senna. Na verdade, após aquele final de semana trágico em Imola quando Barrichello se espatifou no alambrado após decolar na zebra nos treinos da sexta. No sábado foi a vez de Roland Ratzenberger, austríaco estreante da Symtek, perder a Vida. E no domingo, na sétima volta, a tragédia na Tamburello que todos conhecemos.

No dia 08 de Janeiro de 2008 completaram-se 5000 dias sem acidentes fatais. Artigo lista todos os pilotos que morreram na Fórmula 1, desde o primeiro, Onofre Marimon, que arriscou demais no mítico circuito de Nürburgring Nordschleife em 31 de Julho de 1954 arrebentando seu carro e partindo desta para outra dimensao. Até o último, Ayrton Senna da Silva, no GP de San Marino dia 01 de Maio de 1994.

Acidentes impressionantes como o de Robert Kubica no GP do Canadá de 2007 nao sao mais fatais em grande parte às mortes em Imola e a consequente intolerância e guerra das equipes, pilotos e chefes de equipe pela seguranca de seus pupilos.


03/04/2008
Düsseldorf (indo pra casa...)

http://www.blick.ch/sport/formel1/34-fahrer-bezahlten-ihre-leidenschaft-mit-dem-leben-80175

Tuesday, January 11, 2011

No Country for Old Men

Estou tando um tapa no Truta, já perceberam né. Esta postagem foi iniciada no dia 09/03/2008 e estava salva como rascunho e vou terminá-la agora.

09/03/2008
Düsseldorf (acabei de passar aspirador na casa)



Sinceramente, nao entendo o que acontece com a sociedade americana. Como um filme que incentiva a violência e endeusa um serial killer pode ganhar o Oscar?!

Javier Bardem realmente mereceu o prêmio, e só. A história do xerife covarde (Tommy Lee Jones) que nao enfrenta o assassino e do durao que sem querer entra na frente do assassino e faz o papel do xerife tem uma morte a cada 5min ou mais.

Belas paisagens do New Mexico e a marca registrada dos irmaos Cohen (qual?!) na maneira de filmar embelezam o filme, mas daí a merecer ganhar a estatueta foi exagero, na minha opiniao.


11/01/2010
Passados quase dois anos após assistir o filme, só posso me referir a atuacao brilhante de Javier Bardem na pele do assassino de olhar frio e sanguinário. O espanhol acaba de estrelar um novo filme "Biutiful" sob direcao de Alejandro Inarritú e comeca a colher prêmios aqui e acolá. Outro filme com Javier e direcao de Julian Schnabel se chama "Antes do Anoitecer" onde fora indicado ao Oscar.

Nao que isso queira dizer alguma coisa. Muito lixo, tanto filmes como atores e atrizes, já ganharam a estatueta dourada. Mas nestes casos justica foi feita.

Preciso rever "No Country for Old Men" para refrescar a memória. Meu vinho tá acabando. Boa noite.

Invista em Livros

Düsseldorf (amanha tem crônica nova)

Pra me recuperar das retiradas frequentes da estante de livros, fruto do tráfico internacional de estórias, crônicas, causos, poemas, fatos verídicos e Histórias que este Senhor me forca a fazer, tento compensar na mesma moeda.

Livro vai, livro vem. O Atlântico é só testemunha da quantidade de letrinhas que já passou sobre ele habitando minhas malas, maletas e mochilas. Voltando do Brasil recentemente, vieram comigo as preciosidades abaixo, com a respectiva origem entre parênteses:


1. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Sogyal Rimpoche (comprado por Ela e recomendado vivamente. Me deu uma certa sensacao de ter feito tudo certo com o Guidao);

2. Guerra & Paz - Leon Tólstoi (três volumes da edicao brasileira em capa dura raptado da estante do sograo com a recomendacao "O segundo melhor livro que já li. O primeiro foi Grande Sertao Veredas");

3. Pantaleao e as Visitadoras - Mário Vargas Llosa (depois de ler Conversa na Catedral e Travessuras da Menina Má ele virou um dos preferidos. Achei lá em casa mesmo);

4. Vastas Emocoes e Pensamentos Imperfeitos - Rubem Fonseca (desde que saiu na lista do vestibular de 92 e eu nao li, apenas um resumo, procuro esse livro. Achei no meio da frota doada pela Silvinha, filha de Helena Paixao e grande amiga de minha mae);

5. Antologia Poética - Fernando Pessoa (já vi a estátua dele em frente ao café A Brasileira em Lisboa, mas nunca li nada do rapaz. Dívida quase paga. Achei em casa também);

6. Livro de Sonetos - Vinícius de Morais (músicas já ouvi centenas, poemas li alguns, mas nunca um livro completo. Esse é curtinho e encontrado nas estantes mágicas do Murgas, meu irmao);

7. Cartas a Theo - Van Gogh (um dos meus preferidos agora tem lugar na estante também. Solenemente capturado da estante do sograo, don Jonas);

8. O Levante de 44 - Norman Davies (o gênio receptador da carga literária em frente ao painel de chegadas em Guarulhos me presenteou com esse tijolo de emocoes, tristeza, raiva, revolta, indignacao. Será sorvido ao lado de um Lagavulin em breve);

9. Honoráveis Bandidos,  o Retrato do Brasil na era Sarney - Palmério Dória ("Se você tiver estômago pra ler, pode levar" disse o sograo com náuseas ao me entregar o volume);

10. Julie & Julia - Julie Powell (invencao de moda dEla que acha agora manteiga o melhor ingrediente da galáxia. Ainda prefiro azeite. Tem um filme de mesmo nome);

11. Germinal - Émille Zola (colecao capa dura da Abril Cultural, merece poltrona, bebida e ambiente a altura da magnitude da obra. Dona Jane sabia muito bem o que comprava);

12. The Complete Novels - George Orwell (esse é do humorista, mas me afeicoei tanto que nao sei se devolvo nos próximos três anos. Tenho que ler Animal Farm antes);

13. A Varanda do Frangipani - Mia Couto (nem sabia da existência deste, coisas dEla com certeza. Seria Frangipani uma Cordilheira no Nepal onde instalaram um singelo alpendre para se apreciar a vista?!);

14. Anticâncer - David Servan-Schreiber (assunto espinhoso, delicado, baseado numa história real com o médico-autor. Que com esse sobrenome nao poderia ser outra coisa. Todos deveriam ler para ficar alerta);

15. O Falcao Maltês - Dashiell Hammet (este é meu mesmo, comprei faz um tempao. Quero ler de novo e admirá-lo de quando em vez);

16. Os Axiomas de Zurique - Max Gunther (Ela já tinha me pedido, mas foi o Neuzo-Cleuso-Rato meu irmao que tinha em sua modesta, mas poderosa prateleira entre duas estátuas de lutadores de sumô servindo como descansa-livros. Aulas dos banqueiros suicos sobre como administrar sua fortuna);

17. Política: para nao ser idiota - Mário Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro (presente do don Jonas preocupado com minha orientacao política e as polêmicas via email. Leve e fácil de ler e entender);

18. Batismo de Fogo - Mário Vargas Llosa (tá crescendo a olhos vistos esse rapaz. Primeiro livro dele);

19. Eu sou o Mensageiro - Markus Zusak (mesmo autor de A Menina que Roubava Livros, livro que nao li por que Ela emprestou pra Alice que levou pra Kopenhagen. Achei no armário do Murgas);

20. Long Way Down - Ewan McGregor & Charley Boorman (jantando pela primeira vez na casa de Mária e André, este me presenteia com a história da viagem de moto que os dois malucos fizeram da Escócia até a África do Sul. Ewan é ator famoso de Hollywood e seu último filme foi Ghost Writer do Polanski);

21. Das Spiel des Engels - Carlos Ruiz Zafón (presente de grego do Thomas, chefe dEla, pra melhorar mais ainda o alemao perfeito, de nascenca pronunciado pela Pequena. Angela Merkel tem inveja de seu sotaque sulista);

22. About a Boy - Nick Hornby (versao em alemao do autor de High FIdelity foi "emprestado" pela Mária no mesmo jantar citado acima. Saimos no lucro nessa noite, comemos e bebemos de graca e ainda ganhamos dois livros, hahaha);

23. Lolita - Vladimir Nabokov (já vi o filme do Kubrick, mas livros sao sempre melhores. Esse é meu mesmo duma colecao da Folha com capas coloridas que comecei a comprar aos domingos, mas depois parei. Acho que foram só os três primeiros. Era caro).

Como já estou no segundo livro do ano, aceito sugestoes para a escolha do próximo. Votacao nos comentários e apuracao até sexta dia 15 às 19h horário de Berlin.

Tuesday, January 04, 2011

Coisas e Pessoas

Essen (blogando do trabalho...)

Nesse inicio de decada prometi a mim mesmo que me concentraria mais no trabalho. Nada de internet, UOL, Grande Premio, blog do Gomes, Makingoff, artigos mil, blog do Humorista, Gmail, etc. Foi uma das resolucoes mentais para 2011.

Nao adianta. A gente acha que na virada do ano um manto espiritual vai lavar a sua alma, remover todos os seus vicios e problemas e te transformar milagrosamente num ser perfeito. Essa eh uma luta diaria. Remover vicios, criar novos e saudaveis habitos. Um deles que acabo de criar eh escrever uma cronica por semana aqui no Truta. Esteja onde estiver, inclusive no trabalho com uma montanha de coisas pra fazer. Se um alemao me visse agora teria um infarto. Sao metodicos e concentrados. Chega a ser irritante. Entram no trabalho como automatos. Detesto isso. Bem, vamos a cronica que fala sobre a chegada em casa apos quase dois longos, intensos, tristes e alegres meses no Brazil, ou no Brasil?!

Coisas e Pessoas

A macaneta toma um susto e acorda do sono profundo com o giro rapido e firme. A fechadura ja gritara segundos antes apos a espetada da chave. O espelho que refletira a mesma imagem ha 45 modorrentos dias se alegra. Chega a brilhar intensamente. As poeiras e acaros no chao sao varridas pelas rodinhas das pesadas malas chegando sem pedir licenca. Fogem para os cantos tentando se esconder da temivel vassoura por vir. Raios de luz iluminam a sala e o quarto. As persianas rodam com dificuldade, espreguicando do abandono momentaneo.

A coifa olha com o rabo de olho para o fogao temendo atividades inesperadas. Este a acalma dizendo "Precisam comprar alimentos antes, fica tranquila. Ainda temos um tempinho". A maquina de lavar loucas, ressecada e com a pele descascando como o chao rachado de um rio nordestino, se alegra toda e quase abre a porta sozinha pedindo sujeira, agua e sabao. O forno tambem se anima com a possibilidade de se sentir quentinho e olhar pra neve do jardim ao mesmo tempo. A geladeira fica na mesma, pouca coisa vai mudar. Alias, muita. O cheiro do roquefort em decomposicao vai finalmente sumir, com a ajuda do copinho com graos de cafe pra tirar o cheiro ruim. Sera novamente abastecida, a temperatura regulada e voltara a abracar coisas gostosas. Sentiu saudades agudas das garrafas de Veltins com quem trocava ideias filosoficas sobre a temperatura ideal para saborea-la, a importancia do gas carbonico, tamanho do copo e inclinacao do mesmo ao servir.

A eletricidade barrada na saida da tomada finalmente foi liberada pelo botao do imac como se abrissem as comportas de Itaipu. Iniciou-se mais rapido e ja estava a postos para abrir uma noticia na internet. So que esta demoraria um pouco mais para aparecer. A torneira seca ja tinha quase desistido de jorrar quando foi surpreendida por um movimento brusco de uma mao suja, fria e cheia de dedos querendo seus prestimos. Cumpriu seus deveres e ficou pingando lentamente, como que chorando em protesto por tamanha violencia e falta de aviso.

Aquecedores, a todo vapor! Vamos esquentar o ar frio e estatico com poeiras viciadas e velhas conhecidas umas das outras. Precisamos de sangue novo. Abrem-se as janelas, saem os acaros-viuva e entram moleculas e particulas novinhas em folha que se depositarao ou serao aspiradas por quatro narinas saudosas, tanto da casa quanto das familias que ficaram do outro lado do Atlantico. Fez-se a musica com Neil Young tocando seus acordes ao vivo. As caixas acusticas precisavam fazer Yoga pra recuperar a elasticidade. Ou pelo menos Pilates. A musica nao soava bem quanto antes.

"Por que nao vamos ao supermercado?!". O alivio foi geral e imediato. "Agora sim teremos tempo de nos preparar para melhor servi-los", disse a TV, mera observadora passiva daquela confusao toda. O sofa, ainda intacto e com as espumas e almofadas rigidas, soltou um suspiro preguicoso desejando que eles nao tivessem voltado. "La vem aquelas bundas, pernas e corpos me esmagar novamente, humpf! Pelo menos tem bom gosto nos filmes".

O buchicho foi geral. Reclamacoes, festejos, alegria, decepcao, angustia, alivio. A mistura de sentimentos foi tomando conta das coisas que se deram conta da monotonia daqueles quase dois meses. Ficaram parados, inativos, a mantegueira emagrecera e o liquidificador engordara de saudades da vitamina nossa de cada dia. Pensaram, discutiram e chegaram a um consenso. Ruim com eles, muito pior sem eles.