Wednesday, November 27, 2019

Biga, Canakkale, Yalova... a Turquia é vasta

Yalova (segundo post do ano em novembro...)

(Antes de comecar, um parêntese. Por que escrevi tao pouco esse ano?! Nao encontrei respostas aceitáveis. Já deveria ter se tornado um hábito na minha Vida. Se nao diário, pelo menos semanal. Teriam sido 52 postagens em um ano. Tá bom demais. Ano passado foram apenas 5 vezes que passei por aqui. Em 2017, míseras duas. Em 2016 foram 8 e em 2015 pífios 3 posts!!! Isso sao só 18 artigos. Em 2010 foram 221 posts!!! Um recorde turbinado pela Copa de 2010 e o Repórter Truta, mas mesmo assim. Um número de respeito. Vamos tentar recomecar essa história.)

Estou seco numa cerveja. Fazem dois dias que nao bebo. Será que sou alcoólatra?! Ou os turcos uns desnaturados?! É a primeira vez que algo desse tipo me acontece na Turquia. Sempre achei uma Efes aqui ou uma Bomonte ali, essa cerveja tem uma garrafa bacana, marrom, com o rótulo branco impresso direto no vidro. Como se fosse pintado. Um luxo. Ontem nao tinha arco no restaurante e nao perguntei no hotel pois estava tarde. Hoje repetimos a dose. Nada de arco no restaurante, mas imaginei que no hotel nao seria problema. Negativo! "Nao servimos álcool, senhor", me disse em bom alemao o jovem da recepcao. "Por que nao", respondi visivelmente alterado. "Conceito do hotel". Quase gritei um "ESPELUNCA" na orelha dele, mas nao sei como é essa palavra em alemao. Muito menos em turco. ESPELUNKEN!!!

Os turcos adoram comer. Nao somente os Kebabs da Vida, talvez o prato típico mais famoso do país. Na verdade, kebab é tudo que vai na grelha. Qualquer carne grelhada é kebab. Nos acostumamos, pelo menos aqui na Europa, a ver aqueles rolos imensos de carne de cordeiro, frango ou uma mistureba qualquer rodando na vertical enquanto a brasa das resistências queima e assa lentamente nosso almoco ou lanche noturno. Comi muito kebab nos fins de noite em Viena. Sao os equivalentes ao Komilao, Breik Breik e Renato Burguers (pra quem é de BH). Aquele pao turco, carne fatiada, salada, molhos, pimenta, sal e outra cerveja. Perfeito pra acordar zerado no dia seguinte.



Digo que os turcos gostam de comer devido ao grande número de restaurantes encontrados em qualquer cidade. Hoje mesmo ao passar pelo centro de Yalova, cidade próxima a Gebze ao sudoeste de Istanbul, vi algumas ruas paralelas entre si somente de restaurantes. E nao estavam vazios. Fora as lanchonetes e mercadinhos sempre abertos até tarde da noite onde se pode sempre fazer uma boquinha.

Outra comida típica é o Iskender, nome esse que em turco é Alexander, o Grande. A cidade Alexandria só existe por sua causa e a equivalente Iskenderun no sul da Turquia próxima a Síria também. Alexandre nao era fácil e circulou livremente por essas bandas durante bons anos. Voltando ao prato típico, o Iskender é um pao assado coberto por finas lâminas de carne de cordeiro, molho de tomate e, pasmem, iogurte. Os turcos almocam quase sempre com uma porcao de iogurte ao lado. Ainda saberei de onde veio essa mania.

Bebem bastante chá também, a qual chamam de Chei. Aliás, essa palavra é meio universal. Se você for ao Iran, algum país asiático ou no Egito e pedir Chei todo mundo entende. Senti falta de um bom café turco, aquele cozido com o pó. Quando servido, geralmente já com acúcar na própria água como nós brasileiros, espera-se o pó decantar para depois comecar a beber. Se beber o pó junto é como comer areia. Marinheiros de primeira viagem sempre cometem esse vacilo.

E tem os doces turcos, umas maravilhas. Kunefe e baclava sao meus favoritos. Ambos feitos com massa folheada, pistache salpicado e um mel meio diferente do nosso. Em boas confeitarias ou cafeterias do ramo sao iguarias únicas e altamente recomendadas. Também nao vi nenhuma até agora, nesses dois dias de périplo pela Ásia Menor. Desconfio que essa viagem, gastronomicamente falando, está sendo um fiasco.

Profissionalmente, nem tanto assim. Bem, nosso cicerone é o Umut, engenheiro que trabalha para o nosso agente. Fala um inglês rudimentar, coitado, e pra piorar é gago. Uma gagueira leve acentuada pelo nervosismo ao tentar falar inglês. Tento nao pressionar justamente pra ajudá-lo, mas tem hora que fica difícil entender frases simples que ele tenta falar. Mandei na lata "Umut, you need to improve your English", e ele respondeu prontamente sem gaguejar "I know".

Amanha visitarei uma das maiores aciarias elétricas do mundo. Os cabras tem um forno elétrico de 320 toneladas de capacidade. De lá para o novíssimo aeroporto internacional de Istanbul é um pulo. Quem sabe ali poderei beber minha cerveja e beber um bom café?!


Tuesday, February 26, 2019

Neuzo fez 30 anos

Viena (quem espera, sempre alcança)

No dia 23 de junho de 2018 o Neuzo, meu Trabant ou Trabi para os íntimos, completou 30 anos. Fazem mais de três décadas que ele deixou a fábrica de Zwickau na Saxônia e saiu por aí enfeitando o mundo. É agora considerado um carro clássico. Um placa preta no Brasil ou um Oldtimer aqui na Europa. Ainda não tomei as providências para registrá-lo assim, mas tomarei. Um dia.

O Trabant é aquele carrinho icônico da Alemanha Oriental, um dos símbolos daquela época difícil dos irmãos do Leste. Algumas famílias esperavam meses, até mais de um ano na fila pra conseguir comprar um desses. E pagavam caro, muito caro. Era artigo de luxo, apesar do carro em si não ter luxo algum. Por coincidência, o meu Trabi é do modelo "601 De Luxe" que de luxuoso mesmo só a capa do encosto de cabeça feita de um tipo de veludo. Costumo dizer que é o "Winter Pakett", ou "opcional de inverno" em português.

Um carrinho assim desperta emoções e faz os corações baterem mais rápido por onde passa. Especialmente em Viena, capital da Áustria, colada no Leste Europeu. A presença de muitos polacos, tchecos, eslovacos, eslovenos, croatas, romenos, húngaros e, por que não, alemães nascidos no lado oriental faz com que o Neuzo chame mais a atenção nas ruas do que um Porsche 911 Targa último tipo. Em menos de uma hora de carro ou trem chega-se em Bratislava, atual capital da Eslováquia, antiga Tchecoslováquia. Basta pegar um barco no Donaukanal e deixá-lo seguir a correnteza pelo Danúbio e chegamos lá.

Hoje mesmo saí pra dar umas bandas lá no 22, o 22° distrito de Viena que é o maior da cidade correspondendo por 25% da área. Fui levar um panelão usado pra transportar a feijoada do meu aniversário. A Cléa fez sob encomenda e foi um sucesso. O conjunto de prédios onde ela mora está em reforma. A construção civil aqui é composta basicamente por cidadãos do leste europeu e turcos. Quando me viram de longe ficaram parados só observando o Neuzo vindo vagarosamente pela rua com sorrisos nos rostos emocionados. Me senti numa Ferrari zero desfilando em Monte Carlo. Desci do carro e dois caras já chegaram elogiando dizendo que era um "cooles Auto" ou seja, um carro bacana. Perguntaram o ano de fabricação e outros detalhes.

Por onde passa o Neuzo desperta reações. Seja um jóia tímido, um sorriso maroto, um pescoço virado, tchauzinhos das crianças nos outros carros e mesmo inspeções minuciosas de curiosos e admiradores quando o carro está estacionado. Nunca me perguntaram se eu venderia. "Por dinheiro nenhum do mundo" seria a resposta, na ponta da língua.

O Friedrich, meu mecânico vienense, tem uns 8 Trabis. Fora outros 40 ou 50 e tantos carros, a maioria Fuscas e Kombis. É um doido varrido acumulador e não um colecionador já que no máximo uns 10 carros desse total estão em bom estado. Ele vive quebrando meus galhos, fazendo inspeção anual, comprando pecas e trocando o que precisa ser consertado. Sempre cobrou só a mão de obra e o valor das pecas. Faz por que gosta e foi com a minha cara desde o início. Em 2017 importei um Fusca Itamar Série Ouro pra ele, vermelho Dakar. Uma beleza! Quer agora uma Kombi 1974, 75 ou 76. Não sei exatamente por que desses anos específicos.

Abaixo Neuzo e um dos Trabis do Friedrich. Acho que esse é um que ele comprou batido na Bavária com 3.800 KM. Uma raridade!


Desconfio que Friedrich seja herdeiro de uma rica família ou tenha ganho na loteria ou a esposa morreu num pavoroso acidente de lancha e ele embolsou o polpudo seguro de Vida. Não tem explicação um cara morar no 3° distrito, numa cobertura, com uma mega garagem pra mais de 20 carros e viver dos ganhos de sua oficina mecânica dedicada a consertar principalmente Fuscas e carros populares. Ele me convidou pra festa dos seus 50 anos, mas infelizmente eu tinha outro programa. Tenho certeza que foi uma noite memorável ao aroma de óleo dois tempos e muita conversa sobre quatro rodas.

Alguns dos carros da garagem do Friedrich no 3° distrito. Esse Karman Ghia tá sem estofamento e tapeçaria, mas a parte mecânica tá ok. Desde 2014 ele fala que vai terminar de restaurar...


Quando o Trabant fez 60 anos no dia 7 de novembro de 2017 a Deutsche Welle publicou esta reportagem especial. E no dia 30 de abril de 1991 o último Trabi foi fabricado. Segundo esta outra reportagem da DW "Exatamente 3.069.099 unidades foram fabricadas até as 14h51 do dia 30 de abril de 1991, quando a montadora Sachsenring encerrou a produção do lendário veículo.

Ele já foi chamado de "Porsche de plástico" por causa da carroceria e Duraplast que solta gases tóxicos quando pega fogo e não pode ser reciclada. Dizem que para se consertar um Trabi basta ter tesoura e cola em maos. E assim segue a história desse carinho carismático e amado pelo mundo.

Um carro antigo é como uma Máquina do Tempo. Toda vez que entro no Neuzo e dou a partida ele sempre pega de primeira, mesmo nos dias mais frios do inverno. Claro que o afogador ajuda, mas preciso dele até no verão. Ali dentro volto alguns anos no passado e fico imaginando os trabalhadores que gastaram horas de suor, dedicação e, por que não, amor na sua construção. Penso nos testes da linha de montagem tao simples e ao mesmo tempo toscos visto em videos no youtube. Nos seus outros pouco mais de 3 milhões de irmãos espalhados pela Europa principalmente. Hoje em dia esse número é menor já que muitos foram sucateados sendo usados como peca de reposição para outros nobres irmãos.

Fico viajando e especulando por onde ele andou, quem transportou, o que as pessoas que nele andaram falaram, fizeram, sentiram. Será que alguém já namorou dentro do Neuzo? Houveram brigas? Crianças foram transportadas felizes da Vida no banco de trás? Quantas vezes os bancos ficaram sujos de suco de uva e biscoitos Leibniz dos moleques?! E os apertos nas estradas? Queria muito saber quantas vezes Neuzo teve os pneus furados e quais foram os motivos. Será que Neuzo já participou de alguma tentativa de fuga da Cortina de Ferro tentando atravessar a fronteira do lado Oriental com o Ocidental na calada de uma noite de lua nova na floresta da Turíngia?! Já bateu ou bateram nele?! Tinha seguro?!

Jamais saberei, mas um dia vou perguntar. Quem sabe entre uma marcha e outra ele me conta.

Wednesday, November 14, 2018

Hoje fazem 8 anos sem o Guidão

Viena (como voa...)

Foi num 14 de Novembro de 2010 que meu Pai faleceu. Era domingo e o dia seguinte, a segunda 15, seria feriado da República. Morreu e não incomodou ninguém. Quem tinha que vir de longe chegou a tempo. Meu tio Renato mesmo chegou em New York quando soube da notícia e pegou o primeiro avião voltando imediatamente. Chegou.

O velório foi concorrido e o caixão vestindo seu corpo sem Vida saiu da área do velório rumo ao cemitério sob aplausos efusivos. Parecia uma celebridade. Uma unanimidade.

Nos jornais que cobriam o caixão quando a terra era jogada em cima a notícia do futebol não poderia ser melhor: Galo 4x0 Flamengo. Foi seu último jogo. Ouvimos juntos no radinho, ele meio sem entender direito e eu "traduzindo" os acontecimentos. Tardelli guardou o dele.

Muita coisa muda na Vida em 8 anos. Naquela época eu trabalhava na Ferrostaal e morava em Düsseldorf. Nem tinha entrado na Magnesita ainda. Apesar de estar quase tudo certo, dei a notícia ao Guidão em seu leito hospitalar. Gostou e me incentivou a aceitar o desafio. Já passei pela Magnesita, nos mudamos pra Viena, já saí de lá e sigo agora buscando por uma nova oportunidade.

Há 8 anos eu era casado com a Ju, ainda sou, mas não tínhamos filhos. Costumo dizer que nessa época éramos "solteiros" já que a Vida era tão mais fácil e descomplicada. A logística era uma mamata. Dormir era um verbo conjugado diariamente. Agora Gabriel e Rafael estão aqui nos tornando pessoas melhores. Infelizmente Guidão não pode conhecer nenhum deles. O Vovô Guigui só existe em fotos e na imaginação dessas duas cabecinhas férteis e inocentes.

Em 8 anos o mundo mudou bastante também. O Galo ganhou uma Libertadores em 2013, que eu saí da Alemanha pra BH por uma semana pra assistir ao vivo, e uma Copa do Brasil em 2014. Tem dedo do Guidão nessas conquistas, certeza. Vettel ganhou o primeiro dos quatro títulos justamente em 2010, no mesmo dia 14 de novembro. Hamilton ganhou outros quatro canecos nesse período. O Brasil deu vexame em casa na Copa de 2014 e tomou um chocolate belga esse ano.

Nesses 8 anos meu peso variou, mas não tanto. Me sinto melhor fisicamente hoje do que em 2010. A presença dos pimpolhos me faz cuidar melhor da saúde e me preocupar com o futuro. Tenho que estar em forma não só pra aproveitar tudo com eles, mas com meus netos também.

Após sua morte a casa de Lagoa Santa foi finalmente vendida e Janemamae se tornou independente financeiramente. Hoje tem segurança e faz o que dá na telha. Aliás, sempre fez. Continua trabalhando, pois sempre fez o que gosta mais. Sabe de tudo, lê bastante, assiste filmes e séries, tem uma rede de amigos impressionante, continua agindo com bom senso e sabedoria e é a matriarca da família. Todos a respeitam e admiram. Guidão lá de cima também.

Guidão poderia estar aqui, fisicamente. Curtindo seus seis netos, três meninas e três meninos. Marina, Bruna, Fernando, Gabriel, Maria Luiza e Rafael. Que tropa!!! Imagina o ataque dos seis pra cima dele?! A coluna ia arriar. Se sentaria no sofá entregando-se aos carinhos, amassos, beijos e abraços dos amados netinhos.

É uma pena ele não estar aqui. O que mais queria nessa hora é lhe dar um abraço apertado e um beijo no rosto.

Te amo Guidão!

Saturday, September 01, 2018

Yusuf, o temido barbeiro de Vienna

Vienna (com dois Ns é em inglês, mas fala Wien em alemão)

Cortar cabelo é um ritual masculino bastante peculiar. Dizem que o homem troca de mulher, de escovas de dente, de casa, emprego, carro e por aí vai, mas não troca de barbeiro. A não ser que mude de cidade.

Em BH eu sempre ia no Adir, ali na rua Pernambuco pertinho da praça da Savassi. Me lembro, aos 6 anos, indo com meu avô que além de cortar as madeixas ainda engraxava os sapatos naquelas cadeiras altas, tipo trono da rainha Elisabeth. Saia todo reluzente e pimpão pelas ruas após essa visita ao spa de homens. Adir era meu barbeiro preferido. Tinha uma tatuagem estilo marinheiro Popeye em um anti braço. Conversava o suficiente e respeitava o silêncio do cliente entre uma virada de página da revista e outra. Tinha uma fazenda e, após a morte do seu Vicente e consequente mudança de endereço ali pra perto do antigo Kid Batata & Pop Pastel, acabou assumindo tudo. Um belo dia disse que estava cansado e iria pra fazenda de vez. O salão seria fechado ou vendido. Nunca mais pus o pé lá.

Aqui em Vienna é a mesma coisa. Na minha primeira "vida" na cidade entre 2004 e 2006 ia sempre num turco baratinho perto da Kardinal Nagl Platz. Custava 8 euros sem chá, mas com direito a música ambiente direto e uma falação impressionante dos barbeiros. Nem no Grande Bazar de Istanbul a conversa era tao intensa. O corte ficava ótimo e era tudo que um estudante de doutorado podia querer: serviço bom e barato, só não era rápido.

Já em Düsseldorf dei a sorte de pegar o Herr Timmler, logo ali na Duisburger Straße pertinho de casa.  E mesmo depois de nos mudarmos duas vezes dentro da cidade continuei fiel a ele. O google me informa seu primeiro nome: Gert (nao confunda com Gerd, o Trabi). Na verdade eu não cortava com ele e sim com seu compadre na salinha ao lado, Herr Schottler. Um alemão clássico com aqueles bigodes vistos em documentários sobre a Oktoberfest ou cidades no interior da Alemanha. Falava bastante, gostava de saber sobre o Brasil, as diferenças culturais e políticas, meu trabalho, família, hábitos alimentares e etílicos, viagens, etc. Era um verdadeiro divã com direito a corte de cabelo. Era bom pra exercitar o alemão.

Um belo dia Herr Schottler anuncia que iria se aposentar. "Como assim?!", perguntei incrédulo. Ele já havia me contado sobre a casa que tinha na ilha de Zamos na Grécia. Desfrutava o imóvel no verão e fazia o possível pra alugá-la no restante do ano. Em épocas pré-airbnb não devia ser nada fácil, a não ser que algum local o ajudasse na empreitada. Bem, durante o "discurso" de despedida Herr Schottler me informaria que estava de mudança para a Grécia. Em definitivo! Passaria o resto de seus dias comendo feta com tomates, azeite e vinho branco local apreciando o azul sem fim e único do Mediterrâneo. Uma montanha inteira de inveja e admiração se apossaram de mim. "Como pode um barbeiro ter casa numa ilha paradisíaca grega?!", me perguntei. Só mesmo na Alemanha. Me lembrei do Adir e sua fazenda, nesse momento transformado em haras de mangalarga ou cultivo de café na minha fértil imaginação. Ser barbeiro até que não seria uma má idéia!



Mas o motivo dessa crônica é Yusuf, o turco mal humorado que cortou meus cabelos hoje pela manhã. Desde que voltamos pra Vienna em 2014 vou ali na Barichgasse dar um trato no telhado. Yusuf me acolheu calorosamente com sua inconfundível cara fechada e pessimismo desde o primeiro dia. Me ofereceu chá, oferece até hoje, e perguntou como seria o corte. Aliás, pergunta até hoje como se já não soubesse. Deve ter memória curta. Respondo sempre "wie immer" em alemão, ou seja, como sempre, ora bolas!

O salão Mega é animado com várias mulheres fazendo permanente, pintando o cabelo e tagarelando no parte principal. Ao fundo, após subir 3 degraus, chega-se numa salinha chamada de o Reino de Yusuf. Tem cabideiro, um sofá confortável, uma mesa de centro com revistas antigas e desinteressantes, local para se lavar os cabelos, montanhas de toalhas e toda a parafernália típica de um barbeiro. Eu nunca ligo pra marcar horário. Esse meu hábito deixa Yusuf um tanto quanto puto da Vida. Digo sempre que não consigo me planejar, que a Vida com filhos é um eterno imprevisto e ele cai na minha lábia. Pede pra eu me sentar, diz que tem uns cinco clientes na frente, fora outros três que ligaram confirmando o horário e me pede paciência. Dois clientes depois ele me chama pra sentar no trono. Vai entender.

Hoje me contou que seu filho talvez tenha epilepsia! Fiquei atônito com a notícia e não soube o que dizer ao certo. Apenas disse que os médicos saberiam indicar o melhor tratamento e que tudo se resolveria da melhor maneira. No meio do corte a Ju me liga. Queria saber como tinha sido com o Gabriel na escolinha e me contava do Rafael. Yusuf foi me olhando com o rabo de olho, todo encafifado. A conversa se estendeu e eu tentava desligar sem sucesso percebendo os olhares venenosos. Yusuf deu a volta na cadeira por trás e me olhou de maneira incisiva. Ju me pergunta onde iremos almoçar e foi aí que cortei a conversa. Yusuf aliviado me diz que tem muitos clientes e não pode se dar ao luxo de esperar uma conversa trivial dessas. Pedi desculpas e seguimos em frente apesar de ver apenas um senhor folheando uma "Caras" alemã no confortável sofá.

"Em Ancara a comida é muito melhor do que em Antalya" me dizia um agora calmo Yusuf. Não conheço nenhuma das duas, apenas Istanbul, Izmir, Iskenderun, Adana, Eregli, Karabük, Bursa e outras cidadezinhas turcas graças ao emprego que tinha. A comida turca é maravilhosa, saborosa e rica em todos os aspectos. Sem falar no café e na patisserie com bastante pistache.

Nessa volta pela memória e pela Turquia dou graças a deus por não ser careca. Perderia essas valiosas sessões de terapia acompanhadas de corte de cabelo.

Wednesday, July 11, 2018

Todas as Copas - 1974 Alemanha

Vienna (abrindo a boca...)

Nasci em Janeiro de 1974, portanto minha primeira Copa do Mundo de Futebol foi neste ano. O mesmo ocorreu com meu filho Gabriel nascido em 2014. Por sorte ele tem dupla nacionalidade, brasileiro e alemão, e o 7x1 foi a seu favor, dependendo do ponto de vista.

Em 1974 na Alemanha o Brasil vinha do tri no México com aquela seleção inigualável. Pelé se aposentara em 1971 e desde 1958 iríamos disputar uma Copa sem ele. E também sem Gérson, o capitão Carlos Alberto Torres, Tostão e Clodoaldo, mas novamente dirigido por Zagal.

Estreamos com um frustrante 0x0 contra a então Iugoslávia comandados por Jairzinho e Rivellino seguido por outro empate em 0x0 contra a poderosa Escócia e, por fim, uma vitória de 3x0 frente ao Zaire na primeira fase. Apenas no 3° jogo marcamos o 1° gol. Na fase seguinte vencemos a Alemanha Oriental por 1x0 e depois a Argentina em 2x1 nos classificando para as semi-finais.

O carrossel holandês veio com tudo e nos atropelou por 2x0 no Westfalenstadion do Borussia Dortmund, justíssimo. A final seria contra os donos da casa, a Alemanha Ocidental de Gerd Müller. Jogamos a disputa do 3° lugar no Olímpico de Munique, mas o polonês Lato ajudou sua seleção a levar o honroso 3° lugar pra casa.

Eu tinha entre 4 e 5 meses de idade e só queria saber de peito, dormir, chorar, cagar e tomar banho com a ajuda de alguém. Vivíamos na Santa Rita Durão, se não me engano, e a Vida era bela.

A seguir um compacto da Final entre Alemanha x Holanda vencida por 2x1 pelos anfitriões com narração de Osmar Santos:

Saturday, June 23, 2018

Dormindo num galinheiro na Cracóvia

Viena (acompanhado de um Pincher mudo e de seis cadeiras de rodas)

Uma vez estávamos reunidos em Reims, capital da Champagne, com alguns casais de amigos quando alguém lançou o pequeno desafio de cada um contar a maior loucura que já vivenciara. Fui o primeiro e único a contar meu "causo". Continue lendo e saiba o motivo.

Novembro de 2004 em Viena, um frio do cão sem nada pra fazer quando o Marcin, polaco mais pão duro que alemão, sugeriu visitar a Cracóvia no final de semana. Ele era o único que tinha carro, na verdade era do tio mas ele dizia que era dele pra tirar onda. Um Mercedes 190E anos 90 com estofado rubro negro... PQP!!! A turma toda era estudante de Doutorado com grana suficiente pra viver com certo conforto, mas sem fazer muita gracinha.

Lá fomos nós saindo de Viena numa sexta à tarde chuvosa com previsão de voltar no domingo a noite. Auschwitz estava no roteiro. Marcin no volante, Haroldinho, Rodrigão, Leozinho e eu com destino a cidade onde o Papa Joao Paulo II começou sua, digamos, carreira. Tinha um hotel reservado, mas só o polaco sabia onde era. Chegamos sem maiores percalços na cidade estacionando o carro próximo à praça principal da belíssima Cracóvia. Ampla, moderna, cheia de bares, restaurantes, uma catedral importante pra acomodar a massa de católicos poloneses já que uns 90% da população acredita em Jesus Cristo e sua trupe. Eu em breve me tornaria um devoto fervoroso.

O objetivo da viagem era gandaiar o máximo possível. Pelo menos o meu. Marcin, coitado, queria apenas mostrar um pouco do seu país pra nós e talvez estreitar um pouco aquela fria amizade inicial entre um europeu da ex-Cortina de Ferro e quatro brazucas dispostos ao tudo ou nada. Como chegamos lá pelas 10h da noite não perdemos tempo. Entramos na primeira boate mais ou menos bacana e cheia, que por sorte ficava na própria praça famosa. Entre uma ótima cerva local, Pivo em polaco, e outra e um reconhecimento básico do local e sua fauna, resolvemos beber vodka. Era o início do fim. As doses nesses países são baratas e fartas, normalmente de 50ml. Ao contrário da Europa Ocidental, onde um mísero copinho de 20ml custa caro e o líquido é de qualidade inferior.

Do pouco que me lembro a boate tinha umas arcadas e janelões pra rua e não era muito grande. Havia uma espécie de palco servindo de pista de dança e as músicas tocadas pelo DJ era boas. Com a vodka na cachola ele foi ficando fantástico. Bebemos a primeira e nada. Viramos a segunda... e nada. Na terceira rodada pedimos uma dupla pra turbinar as ações e começar o agito pra valer. Na quinta dose eu ganhei na loteria, fiquei invisível e imortal ao mesmo tempo. A turma se espalhou, cada um partindo numa batalha ingrata em busca da sua mulher amada. Ou de um cobertor de orelha por uma noite.

Lá pelas tantas, apesar do frio, resolvi sair e respirar ar puro. Lá na praça, sozinho, vi dois malucos correndo. Ora um corria pra cima do outro, ora invertiam as posições. De repente reconheci o Haroldinho e Rodrigão como protagonistas do espetáculo. Uma gritaria infernal chamava a atenção de quem passava. De repente um bateu com a cabeça na boca do outro tirando sangue e manchando a blusa. Um polaco nos observava e começou a falar algo. Eu respondi em português xingando ferozmente o incauto. Ele ficou quieto. De repente vi um X da minha frente. Era um daqueles suportes de barracas da feira de sábado estocados na praça. Não tive dúvidas e peguei um. Sai arrastando aquela merda praça afora com Haroldinho e Rodrigão no meu encalço tentando me parar. Até que finalmente conseguiram. Mais calmos resolvemos procurar outro lugar. Leozinho puxou a fila. Nesse momento o Marcin já tinha sumido. Devia ter ido pro carro rezar. Entramos em outra boate pra beber mais cerveja e provavelmente mais vodka.

Saímos pra rua novamente, por livre e espontânea vontade ou expulsos. Resolvemos procurar o carro. Perambulando bêbados e sonoros pela cidade quem me aparece?! Se pensou na polícia, acertou! No primeiro encontro pediram os passaportes, mostramos comportadamente até hoje não sei como, e foram embora. Rodrigão tava mais são e assistia a tudo bestificado. Haroldinho e eu tropeçávamos nessas correntes baixas colocadas nas calcadas como se fosse alguém nos passando uma rasteira a cada dois metros. Num desses momentos a polícia pareceu de novo. Eu estava deitado, estilo Neymar, quando levantei o braço entregando meu passaporte. O guarda polaco começou a rir e me devolveu sem falar nada. Leozinho tinha sumido também. Fomos saber no dia seguinte que ele tinha se separado do grupo atrás de umas polacas insanas e ficado na última boate com alguma Cinderela, hahaha.

Me deu uma louca e resolvi ir embora. Sozinho e à francesa, como de praxe. Larguei Rodrigão em bom estado e Haroldinho em petição de miséria nas ruas da Cracóvia largados à própria sorte. Quanta irresponsabilidade! Na verdade, como eu não acharia o carro nunca decidi dormir em algum lugar. Eles vieram me seguindo sem saber o que eu iria fazer. Entrei num prédio qualquer, subi o primeiro lance de escadas e tentei abrir a primeira porta da direita. Estava trancada. Tentei a da esquerda e nada. Subi dois lances e repeti o procedimento no 1° andar. Nada.

Imbuído de uma vontade incontrolável de dormir numa cama subi até o 2° andar. Lá a porta da direita estava aberta. Entrei. Já estava quase amanhecendo e uma claridade me ajudou a enxergar. Entrei pela cozinha e andei até o corredor. Olhei pra direita e vi um cachorrinho Pincher parado, me olhando e mudo. Não deu um pio. Deve ter pensado que eu o comeria se fizesse algo. Passei por ele e abri a porta no final do corredor. A penumbra me mostrou algumas cadeiras de roda espalhadas num quarto, vazias. Deviam ser umas cinco ou seis. Voltei pelo mesmo corredor e entrei no primeiro quarto à direita. Um biombo protegia a privacidade do hóspede. Pra minha supresa havia uma cama vazia e um cobertor dobrado no pé. Não tive dúvidas. Me sentei na cama e tirei os sapatos cuidadosamente. Me lembrei de colocar o celular no silencioso já sabendo que os loucos iriam me ligar insanamente. Tirei minha correntinha e coloquei ao lado do celular na mesinha de cabeceira ao lado da cama. Afrouxei o cinto, puxei a coberta e dormi. Só faltou ir na cozinha buscar um copo d'água.

Enquanto isso, os dois doidos se desesperavam lá fora sem saber onde eu tinha entrado. Me ligavam sem parar até desistir. Vagaram pela cidade alguns minutos e encontraram um táxi, lá pelas 5h da matina de sábado. Entraram no carro e ficaram em silêncio. O motorista olhou pra traz e gesticulou  como se perguntando "pra onde, caralho?!". Haroldinho respondeu claramente "Para o hotel, por favor", virou pro lado e dormiu. Rodrigão havia chegado fazia um mês sem falar quase nada de inglês. Ficou olhando pra cara do motorista sem saber o que fazer. Ninguém sabia onde era o hotel. O taxista malandro viu que ia poderia faturar em cima daqueles brazucas cachaçados e saiu dirigido a esmo pela cidade. Depois de algum tempo Haroldinho acordou. Percebeu que jamais chegariam ao hotel e gritou pro motorista parar. No meio do nada. Ele obedeceu, pagaram a corrida e desceram. O Dr. Cavalcanti, num rompante de sabedoria, parecia querer resolver a situação. Só não sabia como. Saiu chutando carros, latas de lixo, cachorros e o que aparecesse na frente. Rodrigão, escandalizado, acompanhava tudo em silêncio pensando "o fim está próximo". Lá pelas tantas eles resolvem voltar pra praça. Conseguem finalmente achar o carro do Marcin. Leozinho dormia também e acordou perguntando "Cadê o gandaia?!", meu singelo apelido na época. Responderam "Não sabemos... o louco entrou num prédio qualquer pra dormir e nos perdemos.

As 13h da tarde eu abro os olhos. Sento na cama e começo a avaliar a situação numa ressaca monumental. Não estava machucado. Meus pertences ali, intactos. Estava num quarto e um biombo me protegia de quem passava pelo corredor. Me lembrei vagamente da noite anterior. Coloco os sapatos, aperto o cinto, celular no bolso com 34 mensagens perdidas, correntinha no pescoço e vamos em frente! Consegui achar a porta que dava pra escada. Desço o primeiro lance e uma mulher subindo me olha de relance. Passo por ela acelerando o passo no lance seguinte. Ganho as ruas aliviadamente sem saber onde estou. Neste momento faço um filmete com minha câmera digital recém adquirida. Lembrem-se, estamos em 2004 e essas coisas ainda eram novidade. O filme é este:



Percebo que meus sapatos estão sujos de merda! Como assim?! Depois a galera me malhou, e malha até hoje, falando que dormi num galinheiro. Seria merda do Pincher?! Ou dos donos das cadeiras de roda?! Jamais saberei. Perambulo pela cidade tentando achar a famosa praça novamente. Entro num restaurante chique pra tentar comer algo. Revivendo a fábula do "Príncipe e o Mendigo", peço caviar! Na Polônia nossos Euros valiam muito, não se esqueçam. E uma Coca-Cola. Dou duas garfadas e corro para o banheiro. Ali resolvo meus problemas, saio branco e com pressão baixa voltando pra mesa como se nada tivesse acontecido. Só consigo beber a coca. Ligo pra turma que aliviados me informam o endereço do hotel onde chego ás 15h da tarde de sábado. Ainda tentei dormir, mas em vão.


À noite saímos pra jantar coletando os relatos múltiplos refazendo a sequência de eventos e o destino de cada um. Gargalhadas correm soltas. Marcin devia estar arrependido, mas acho que no fundo curtiu. Rodrigão quer pegar o primeiro avião para o Brasil. No domingo fizemos turismo pela cidade, soubemos do dragão guardião do castelo e partimos pra Auschwitz fechando com chave de ouro o final de semana. Chegamos lá à noite, umas 20h. Entramos passando por debaixo de um dos portões com a famosa frase "Arbeit macht frei", em tradução livre "O trabalho liberta". Não tinha ninguém e o frio gelava a alma. Caminhamos por sobre os trilhos dos trens por onde chegavam carregados de judeus. No fim da linha vimos os escombros das câmaras de gases. Uma energia negativa tao impressionante que ninguém foi capaz de dizer uma palavra. Ali, nos escombros, cinco malucos absortos em seus pensamentos sem ter noção de onde estavam. Voltamos pelos mesmos trilhos e entramos no carro. Seguimos viagem e após umas 2 horas de silêncio absoluto alguém disse algo.

Chegamos em Viena lá pelas 3h da matina tendo que trabalhar na segunda, dali algumas horas. E o Marcin ainda ficou parado num sinal vermelho por vários minutos sem vir carro no outro sentido. Ali comecei a entender o que significa respeitar e obedecer regras.

Tive muita sorte de ninguém me ver no quarto. Poderia ter sido morto ou espancado por um polaco furioso ao ver um brazuca bebum invadir sua casa. Santa inconseqüência!!!

Deus existe e é polaco.

ps. tenho alguns videos dessa noite que fazem "Bruxa de Blair" parecer uma missa de domingo. Não fui autorizado a publicar, somente o meu.

Friday, June 22, 2018

14 anos no Velho Mundo

Viena (onde tudo comecou)

No dia 07 de Junho último completei 14 anos vivendo na EuropaEntre Viena, Düsseldorf e novamente Viena dois ciclos de 7 anos se passaram. Se a Vida muda completamente a cada 7 anos então o que são duas voltas completas no odômetro?!

Aqui cheguei com 30 anos, livre, leve e solto e pela frente 4 sólidos anos de contrato como assistente da professora titular da cadeira de ciência dos materiais da TU Wien, a Universidade Técnica de Viena. Hoje já com 44, casado, dois filhos, prestes a ficar sem emprego - na verdade uma bendita e inesperada licença remunerada - posso afirmar que a Vida girou e mudou não só duas, mas pelo menos umas cinco vezes.

Aquele jovem inconsequente sedento por cultura, aventuras, curiosidade por novos países, pessoas, músicas, comidas e bebidas se tornou um adulto ainda sedento por tudo isso, mas num ritmo mais agradável acomodando toda a família aos interesses mútuos nessa viagem em busca da felicidade plena. Felicidade essa que nada mais é do que a própria viagem, já que uma vez atingido o destino logo comecamos a planejar o próximo.

No agora longínquo 07 de Junho de 2004, uma segunda-feira de verao vienense, meu eterno mestre e tutor Haroldinho, vulgo Dr. Haroldo Cavalcanti Pinto, foi me buscar no aeroporto. Pegamos o trem para o lado errado e ao invés de ver a cidade dos Habsburgo aparecer no radar, vi campos verdejantes, pastagens e areas preparadas para o plantio de batatas e beterrabas. Pulamos do comboio onde deu, atravessamos para o outro lado e seguimos o rumo certo do meu Doutorado, quem diria!, que estava prestes a comecar.

Fecha em 07 de Junho de 2018, uma quinta-feira do mesmo verão vienense, agora escaldante. Peguei uma dessas viroses que derrubam qualquer fariseu e passei o dia inteiro brincando de monarquia, entre o trono e a cama. Apenas água, chá e uns poucos pedaços de torrada foram consumidos. Juju, minha fiel escudeira, companheira, amiga, esposa, mulher, amante e comandante-em-chefe, se encarregou de todos os afazeres do dia, a saber: levar o Rafael (10 meses) na escolinha, voltar pra casa, buscar o Gabriel (4 anos recém completos) e levá-lo a Kinderhaus, voltar, fazer supermercado, chá pro combalido marido, lavar roupa, lavar as loucas de novo, esvaziar a máquina de lavar, comer alguma coisa antes de sair pra buscar o Rafael, deixá-lo com a Ira (nossa santa faz-tudo ucraniana), buscar o Gabriel, entreter os dois de 15h até 17:30h, dar papinha pra um e comida (nuggets de frango, macarrão com salsichinha, macarrão com presuntinho ou peixe com arroz) para o outro, dar banho nos dois, tomar o próprio banho, fazer o Rafael dormir e depois o Gabriel, me perguntar se tá tudo bem e depois descansar o esqueleto no colchão e apagar como se não houvesse amanha.

Pois é amiguinhos, morar na Europa nao é para amadores, já dizia uma amiga nossa que mora em Berlim. As mudancas foram sem dúvida para melhor. Hoje o Brasil sapecou a Costa Rica, mas comecei a Copa torcendo para o Egito. Fui várias vezes ao país e fiz alguns amigos por lá. Os caras sao fanáticos por futebol e idolatram a selecao das antigas. Além disso Mo Salah é bem melhor do que o Neymar, hahaha.

E que venham mais 14 anos!!! Pelo menos.

Abraco a todos.

ps. escrevi algumas linhas quando dos 5 anos de velho mundo em 2009 e depois aos 9 anos em 2013. Deveria ter feito esse balanço todo ano, relembrando o que passou e planejando o futuro.


Wednesday, August 09, 2017

Conversando com um anjo



 

Hoje recebi pela primeira vez uma ligacao do meu filho, Gabriel. Do alto de seus 3 anos e quase 3 meses proseamos por quase 10 minutos. Me perguntou como eu estava. Tá tudo bem filho, disse. Ele contou que estava com “saudades do papai”. Falou como foi na escolinha e depois fiz “chu biru biru” pra ele no telefone. Ouviu atento soltando aquela gargalhada no final. „A mamae tá comendo canjica… com amendoim”, disse orgulhoso. E o Rafael, já está dormindo?! “Tá sim, papai”. “Vou beber um chá quentinho e pegar o bico”. Já está na hora de você dormir, falei. „Já vou dormir abracadinho com a mamae.“ Ah bom! E na escolinha hoje, como foi. “Tudo bem, papai”. Perguntei se passearam, se foram no Vapiano comer pizza pra ganhar bala de ursinho no final. “Nao, fomos na Grado. Ganhei um pirulito rosa!” Que ótimo. Eu volto amanha e podemos ir naquela pizzeria nova que abriu aí perto de casa. „Eu gosto da Grado. Tem pizza de presuntinho.“ É mesmo! E o vovô e a vovó, como estao? Tá tudo bem com a mamae também. “É. Tá sim.”

 

Chorei copiosamente (de onde vem essa expressao) durante e depois dessa conversa firme, fluída e emocionante com o Gabriel. Te amo, filho.

 

Por que crescem tao rápido?!

Saturday, April 22, 2017

Don Jeronymo

Viena (hoje foi bobó. amanha tem feijoada)

Perdi um amigo! Senhor Jeronymo ou Sr. Jeronymo, se foi. Pegou o Golzinho branco encardido de minério e foi dar umas bandas por estradas nunca antes conhecidas. Devia estar cansado de ver a chuva da varanda molhando a horta. Ou da violência galopante mesmo em cidades pacadas e pequenas como Marataízes. Passei um verao espetacular por lá uma certa vez. Ou da política e corrupcao cada vez mais obscena no Brasil.

Don Jeronymo! Era assim que me referia a ele. Seja a outros ou com ele na minha frente. Uma carreira brilhante, o que mais pode ser dito?! Ajudou a construir boa parte do Brasil. Fez Angra 1, 2 e 3. Trabalhou em Itaipu durante um tempo. Fez nao sei quantas siderúrgicas, fábricas de cimento, hidrelétricas e depois termelétricas, celulose, óleo e gás, refinarias e mineracao desde a britagem primária ao embarque via vagoes. Acompanhou a montagem de siderúrgicas no leste europeu durante a cortina de ferro. Na Hungria, Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia e quem sabe até na Rússia ele foi exibir seus conhecimentos. Da Christiani Nielsen para o mundo. Na verdade, de Cachoeiro do Itapemirim para o mundo. Conterrâneo de Roberto Carlos. Cada rei em sua área.

Na época da Christiane morava no Rio. A Carioca Christiane Nielsen. O escritório era em Botafogo. Malcoln Murren, o escocês, era o manda chuva na época, chefe e tutor. Assim como ele foi pra mim. Um mestre, mentor, tutor, exemplo de profissional, pessoa e homem. Tive como ele a relacao que gostaria de ter tido com meu pai, mas infelizmenete nunca tive. Falávamos de futebol, ele com o Vascao e eu com o Galao da Massa, política (era de esquerda, mas com ressalvas), música (gostava e ouvia de tudo), religiao (era bastante católico e se nao me engano, quase virou padre), mulheres, cotidiano. Sobre a Vida, enfim. E sobre o trabalho, sempre.

Águas Claras, Tamanduá, Capitao do Mato, Vargem Grande, Pico, Andaime. CMT - TAM - VGR - PIC. Entre 2000 e 2004 trabalhamos juntos no complexo do Tamanduá, a expansao da entao MBR, hoje Vale, exaurindo Águas Claras e abrindo CMT e TAM pra alimentar a planta de VGR via longos transportadores de correia e de lá descer até o terminal de Andaime pra embarcar minério pra a baía de Sepetiba. Nos navios o lump ore, sinter feed e sinter feed fine iria alimentar as siderúrgicas chinesas.

De quando em vez me chamava pra  almocar em Itabirito com Dona Luzia, sua esposa e Paulinho, seu filho mais novo. Que privilégio! Comida simples, caseira, feita com Amor. A melhor do Mundo! Me lembro do seu Romualdo, seu sogro já velhinho ali, almocando e escutando um pouco das besteiras que falávamos. Depois era pegar um sorvete no caminho e subir a serra pra completar o expediente. Nunca me esqueco Don Jeronymo dizendo "chocolate já é bom, gelado entao!!!"

No trabalho era uma máquina. Chegava as 7 e pouco da manha, se sentava e comeca a mexer nos seus famosos alfarrábios. Maria trazia um café e ele nem percebia. Controlava o que a Engenharia fazia. Checava pesos, volumes, quantidades e dimensoes como se fosse um computador. E achava erros, invariavelmente. Os desenhos eram revisados, ele checava novamente e só se dava por satisfeito quando os números batiam. Tinha seus parâmetros históricos adquiridos após tanto tempo no trecho.

Me sentava na mesa em frente a ele. Na primeira volta pela obra já me deu uma canseira. Nao consegui acompanhar o ritmo de sobe e desce de escadas e taludes. Ele entao com 64, eu com 26! A conclusao após o primeiro giro: aquilo tudo era uma orquestra e ele, o maestro. Sorriu marotamente concordando.

Achei que fosse viver mais de 100 dado o histórico familiar. Nao tinha nem nunca teve nenhuna doenca grave. Nao fumava nem bebia. Mantinha a forma e a sabedoria como poucos souberam manter. Tive o privilégio de conviver e me tornar amigo de um homem único em sua classe. Uma referência para todos nós. Uma fez Johnny Rambone inventou de cozinhar um galo e ele foi. Bebemos umas boas cervejas e cachacas com Dolfinho. Noite perfeita.

A turma o chamava nos bastidores de Pato Donald por causa dos cabelos brancos e longos ao vento. Achava engracado, mas nunca o chamei assim. Achava falta de respeito. Fazia amizades facilmente e era o olho do Perez, o coordenador geral do projeto, na obra. Um contraponto entre a Logos, empresa de gerenciamento, e a MBR, o cliente. Fundamental no sucesso de qualquer projeto.

Se manteve ativo até outro dia. Esteve na Libéria algumas vezes acompanhando um projeto grande da Vale já que nao conseguia ficar parado. Vivia prometendo me visitar na Europa, mas infelizmente nunca aconteceu. Trocamos algumas cartas, ele fez 80 ano passado no dia 15 de Novembro e sinto um remorso terrível por nao ter ligado dando os parabéns. Mas numa das cartas perguntei se teria festa e ele disse que nao.

Provavelmente comemorou vendo a chuva molhar a horta com uma xícara de café nas maos.

Vai em paz, meu amigo. Jamais te esquecerei.

Wednesday, September 07, 2016

Copa 2010 (9) - Mineirao R.I.P.

Aktobe (nao sei por que nao publiquei este texto antes)

Talvez por estar inacabado. Parei de escrevê-lo em 17.06.2010, data meio irrelevante. Desnecessário narrar o final do jogo. Injusticas do futebol à parte, Galo 2x3 Urubu e morremos mais uma vez na praia com um timaco. Pelo menos dessa vez nao foi roubado. O consolo que resta até hoje é o fato do Sport ter sido declarado pela CBF como campeao de 1987 pois o Flamengo se recusou a jogar a "final" da Copa Uniao entre o campeao do módulo verde contra o amarelo. Deu vitória do Leao por W.O.

Gracas à Deus essa fase de nao ganhar nada do Galo acabou . Hoje tem mais, contra o Vitória no Horto. Caiu lá, já sabem... tá morto.

Essen (Descanse em Paz..)

O titulo do Mineiro desse ano conquistado pelo meu Glorioso Atletico Mineiro encerrou a Era Mineirao, como o conhecemos ate hoje. E coube ao Galo, na derrota por 1x0 contra o surpreendente Ceará pelo Brasileirao, ter o privilegio de fazer tambem o último jogo da História do Gigante das Alterosas que fecha pra reforma ate o final de 2012 preparando-se para a Copa de 2014.

O nome oficial do Mineiraoé Estádio Gov. Magalhaes Pinto, mas ninguém nunca ousou chamá-lo de Magalhao ou algo do tipo. O Mineirao e seu irmao mais novo, o Mineirinho usado para vôlei, basquete, Balao Magico e concertos, fazem parte do complexo da Pampulha em Beagá.

Lembrancas sao muitas, alegres e tristes. Me lembro bem das primeiras vezes em que fui ao campo com meu pai e o Leozinho meu primo, atleticano fanático que hojeé uma espécie de eminencia parda da Massa, a torcida atleticana. Foi fundador da Nacao Atleticana, torcida organizada que nao existe mais, e agoraé membro honorário do alto escalao da Torcida Galo Prates, a TGP.

Um dos primeiros jogos que me vem a lembranca, Galo 6x0 Vila Nova em 1980 ou 81, a cada gol Leozinho pulava feito um louco e eu ia junto. Ele era um ou dois anos mais velho e comandava as acoes. Meu pai ao lado era só alegria. Reinaldo, o rei do Mineirao, marcava gols nesse jogo com a mesma facilidade com que uma costureira tarimbada enfia a linha na agulha.

Os anos foram passando e a paixao aumentando. A maior decepcao que vivi ali foi na semi-final da Copa Uniao em 87, Atletico e Flamengo. O primeiro jogo tinha sido 1x0 pro Urubu e bastava ao Galo uma vitória simples pra disputar a final. Tinhamos o melhor ataque, melhor defesa e terminamos a fase classificatória invictos. Coisas típicas do Galo. Tele Santana era o técnico, Sérgio Araujo estava no auge, Luisinho ainda jogava um bolao e Joao Leite, o Joao de Deus, era nosso arqueiro.

Mas eis que surge um timaco do outro lado com Zico, Zinho, Leandro, Andrade já velho mas eficiente, Bebeto explodindo para o Brasil e o Mundo e um inspiradíssimo carrasco chamado Renato Gaúcho.

A "pacata" Aktobe no Cazaquistao

Aktobe (pacata cidade do interior no Casaquistao)

Li na WikiPedia que Aktobe tem 400mil habitantes, mas parecem ser 100mil. Cidade pacata onde os motoristas param para os pedestres atravessarem a faixa, o verao é ameno e seco e o inverno de cortar a alma em três pedacos podendo chegar a -45°C... a sombra!

Saí para dar umas bandas no centro e vi senhoras e senhores vendendo frutas e verduras em pequenas quantidades nas calcadas rumo ao centro. Cebola, maca, melancia, laranja, banana, pareciam ter sido colhidas no quintal. Os cazaques tem o olho puxado e parecem uma mistura de russo com chinês como a própria localizacao geográfica indica.

Nas grandes e largas avenidas apenas carros ocidentais novos ou em ótimo estado. Vi pouquíssimos Ladas e hoje a tarde um Moscowich bem cacareco, mas honrosamente levando o dono ao seu destino. Uma mesquita branca com as cúpulas douradas adornava a paisagem de céu alaranjado anunciando o fim de tarde. No parque da cidade grupos de jovens se exibiam cantando e dancando para uma pequena platéia. Deviam estar celebrando alguma coisa. Para esse povo sofrido das ex-repúblicas soviéticas qualquer manifestacao cultural é um alento. Os anos sob o jugo socialista/comunista castrou tantos potenciais artistas e sonhadores quanto possível.

Um jardim florido numa calcada bem cuidada emoldurava o casal de jovens e também o senhor, provavelmente aposentado, desfrutando seu cigarro barato. Vi o estádio do time local, branco e vermelho, lotado em dias de jogos. Até as meninas discutem o assunto e querem saber como ficou o jogo. Na capital o FC Astana disputa a Champions League e seu maior rival, FC Kairat fez Almaty, a bela cidade ao sul, de base. Lá joga meu amigo Bruno Soares, ex-jogador do Fortuna Düsseldorf. Anda machucado, pra variar, mas disse voltar em uma semana.

Procurei Borat pela cidade, em vao. Nada aqui remete à figura cult criada por Sasha Baron Cohen. Evidentemente um estereótipo muito bem planejado e executado para fazer hora com a cara dos ianques.

Aktobe é, aparentemente, pacata e inofensiva. Mas as aparências enganam. Pouco mais de três meses atrás, dia 5 de Junho de 2016, um bando de malucos invadiu duas lojas de armas e uma unidade militar e saiu atirando a esmo pelas avenidas da cidade. Salto da brincadeira: 7 mortos e 38 feridos inclusive 3 policiais. Nenhuma das marcas do terrorismo global assumiu autoria do atentado. A notícia nao saiu nos principais sites internacionais. Nao antes que o servico secreto local identificasse e matasse todos os 18 terroristas.

E eu achando que as velhinhas e velhinhos vendendo frutas eram a prova maior da Vida pacata no Cazaquistao.



Monday, August 29, 2016

A Importancia da Rotina

Viena (Juju em Amsterdam...)

Já esse fora escrito em 11.05.2010 nos meus áureos tempos de Ferrostaal. Mais um que recebeu a alcunha de "draft". Pra mim isso existia só na NBA.

Essen (sentado na boa e velha cadeira)

26A, 20E, 15F, 9A, 13B, 11D, 14B e 14E. Esses foram os assentos voadores em que me sentei entre os dias 20 de Abril e 6 de Maio de 2010 durante a viagem profissional ao Brasil. Se contar com os assentos em quatro rodas dos tantos taxis, vans e carros - alugados, proprios, de amigos - a conta sobe mais ainda. E tem tambem o trem ida-volta DUS-FRA, o metrô e os ônibus que te levam do embarque ate a aeronave. So faltou moto e bicicleta. E um eventual cavalo.

Toda vez que ando de aviao fico maravilhado. Desde o instante quem que as rodas descolam da pista e a massa de metal aerodinamico, borracha, vidro, cabos, fios, comidas, bebidas e gente ganha os ceus, passando pelo vôo solitario e tranquilo sobre o colchao cinza e branco de algodao até a aproximacao e o pouso, ora perfeito, ora pancada. O medo vai sumindo aos poucos, dando lugar para a razao, a engenharia e estatisticas. Voar é o meio de transporte mais seguro de todos os tempos, até uma crianca recem nascida sabe disso.

Tem que ser muito azarado pra morrer assim.

Banho de Energia

Viena (nao sei por que nao publiquei)

Voltando do Show de James Paul McCartney dia 18.12.2009 escrevi, mas nao postei, as linhas abaixo. Agora vai! E continua sendo o melhor show que já fui.

Essen (eu vi O Beatle)

Juju e eu tomamos uma ducha de musica excelente e alegria de viver ontem em Köln no show de ninguem menos que James Paul McCartney.

Paul fez dois bis (bises?!) tocando 5 musicas no primeiro e voltando pra fechar com Yesterday, Helter Skelter e Sgt. Peppers. Lavou a alma de todo mundo.

Foi o melhor show que fui na Vida, válido para sempre. Acho que ninguém vai superá-lo.

Nanjing e Hangzhou

Vienna, 29.08.16 (bolucho dorme a sono solto!)

Artigo originalmente escrito dia 08 de Agosto de 2016 in loco.

08.08.2016 Nanjing, China (Rio 2016: China 2x0 Itália, vôlei feminino)
O que eu sabia sobre Nanjing antes de chegar aqui?! Seria a cidade onde foi criado o nanquim, nosso companheiro das aulas de desenho no primário? Capital da indústria automobilística chinesa? Polo de tecnologia dos tecnocratas comunistas/capitalistas? Sinceramente, nunca tinha ouvido falar de Nanjing. E me assustei ao saber que havia um vôo direto de Frankfurt pra cá.
Continuei no escuro sem pesquisar populacao, atracao turística mais famosa, hábitos de seus cidadaos, comidas típicas, vegetacao, relevo e clima. Simplesmente pulei no A340 da Lufthansa e vim.
Na descida do aviao só via campos verdejantes, algumas casinhas e plantacoes aqui e ali, uma montanha acolá. “Vamos pousar no meio do mato ou o aeroporto é longe da cidade, que nem em BH?”. A segunda opcao se confirmou. Miss Chang me esperava com uma plaquinha onde se lia “Mr Pedro”. Nao sei por que os asiáticos, e outros povos nao ocidentais como os egípcios, te chamam pelo prenome com um Mr na frente ao invés de Mr Silva. Jamais saberei.
A falante Miss Chang foi me contando o que ela fazia da Vida e seus sonhos de viajar pra fora da China e conhecer Londres e a realeza qualquer dia desses. A cidade foi aos poucos se descortinando pela janela do taxi. Todas as marcas mundiais de carros estão presentes: Toyota, Hyundai, Nissan, GM, Audi, Mercedes, BMW, Buick, muitos VWs e até Cadillac, quem diria. Mao se retorceria no túmulo! Mas muitas marcas chinesas estão nas ruas também. Só nao me pergunte os nomes.
As ruas e avenidas tem sempre uma pista lateral pra acomodar as milhares de mobiletes, scooters, motinhas elétrica, bicicletas, triciclos e qualquer gambiarra que se mova em duas ou três rodas. A fauna de pilotos é curiosa. Senhoras com viseiras de plástico colorido e luvas da Hello Kitty, velhos caquéticos transportando algo, casais jovens flanando, maes levando ou buscando os filhos, moleques apressados e inconsequentes, senhores folgados dirigindo na calcada e tantos outros personagens.
Ainda sem saber muito sobre a história de Nanjing escuto Mr Luo, nosso gerente regional e agente, dizer sobre um templo de Confúcio e um jardim com flores de lótus. Tentei sair pra comprar um notebook barato da Lenovo ou Asus mas, para minha surpresa, sao mais caros aqui do que na Europa. Mesmo sendo made in China o lucro do vendedor e os impostos encarecem o produto localmente. O mesmo vale para roupas e outros artigos de necessidade diária.
Meu maior temor era a comida. Ainda bem que me enganei. O jantar estava ótimo. Um panelao com legumes e verduras em fervura fica no meio da mesa, em cima de uma trempe de forno de inducao. Joga-se aos poucos carnes de todos os tipos, queijo tofu, legumes, folhas, mini almondegas, tripa de porco (provei e gostei) e comemos todos de palitinho junto com os diversos molhos. A cerveja é leve e refrescante com apenas 2,5° de álcool. A tradicao é encher um copinho de no máximo 100ml brindar falando “Kampei” virando duma vez. (Na verdade depois aprendi que é Ganbei!). Bebi uns 150 copinhos sem ficar bêbado. Sobremesa e café nao existem, mas nao fizeram falta. À tarde quando fui procurar o notebook acompanhado de Miss Chang entramos numa lanchonete pra comer pastel de nata parecido com o português e tomar um cappuccino honesto.
No quarto do hotel tentei ver algo das Olimpíadas, mas a tv chinesa só mostrava o levantamento de peso dos patrícios locais. Acho que algumas medalhas foram amealhadas devido às reacoes de alegria e jubilo dos chinas. O salto ornamental em duplas me impressionou pela sincronia e perfeicao. Mereceram a medalha de ouro. No vôlei feminina a China venceu a Itália por 3 sets a 0. Acho que os italianos sao bons apenas no masculino.
Li que nossa selecinha decepcionou de novo empatando em 0x0 com o “fortíssimo” Iraque! A geracao do 7x1 ainda nao entendeu que o buraco é mais embaixo. Pelo menos o Galo meteu 3x1 na Chapecoense e deve terminar o 1° turno em 3° lugar a um ponto apenas de Palmeiras e Corinthians. Esse ano tá com cara de Galo!!!
Agora estou num trem rumo a Hangzhou, província de Zhejiang. O trem é um ICE igualzinho ao alemao. A estacao tinha 29 plataformas, um pé direito gigantesco e mais parecia um aeroporto moderno. Marcas famosas todas lá, Starbucks e Haagen Daz, propagandas de carros ocidentais etc.. A China medieval ficou pra trás faz tempo, pelo menos em infraestrutura e acesso a produtos do mundo todo. Dizem que agora o objetivo é desenvolver a parte oeste do país nao tao rica quanto o sudeste. Estao até investindo em ferrovias no Paquistao ligando o país de norte a sul e interligando a China com a Tailândia, Malásia e Cingapura. Um assombro!!!

Será que Mao algum dia pensou em ver seu país assim?!

Tuesday, August 23, 2016

Internet 25 anos depois: cacando Pokemons

Viena (tudo comecou com a BBS Horizontes)

Há exatos 25 anos Tim Berners-Lee criou a primeira página da Internet que pode ser vista aqui. World Wide Web, o famoso WWW que precede qualquer página na rede mundial de computadores, completa hoje um quarto de século.

"This machine is a Server. Do not power down"

Novas palavras como browser, hyperlink ou simplesmente link, E-Mail e o sinal @ e tantas outras foram incorporadas ao vocabulário mundial. O correio eletrônico foi uma revolucao. Diziam que os correios de verdade iam acabar, que ninguém mais enviaria cartas ou postais. Mas ambos convivem muito bem até hoje, obrigado. Claro que o volume de cartas e postais diminuiu sensivelmente forcando os correios a diversificarem seus negócios.

Me lembro do primeiro provedor lá de casa: Prover. Internet discada, aquele barulhinho característico que hoje soa tao raramente quanto um sinal de fax. Aliás, alguém ainda manda fax nesse mundo? Uma foto de mulher pelada demorava minutos pra ser carregada, ou baixada. Uma tortura só. E quando dava pau?

Depois veio o primeiro, ou um dos primeiros, chats online: ICQ. Cada usuário tinha um número e se voce escrevesse qualquer bobagem praquele código de algarismos alguém do outro lado, um amigo, responderia. Mas poderia ser um desconhecido também dando início aos primeiros chats online e suas variacoes de paquera e sexo tao comuns hoje em dia.

(Aqui um parênteses. Gracas ao bate-papo do UOL passei 15 dias na Espanha entre Barcelona, Sevilla e Madrid com pessoas fantásticas e muito cultas, comendo e bebendo do melhor e tendo aulas de história, artes e geografia in loco. Como consegui isso? Priimeiro conheci a Raphaela no Chat do UOL Conversa vai conversa vem e mudamos para o Hotmail, hoje MSN, que nem existe mais. Um defunto eletrônico. De lá cada um checou o perfil do outro no Orkut e uma empatia surgiu. Isso era Janeiro de 2005 e eu enfurnado num experimento científico no ESRF em Grenoble. Mas pode ter sido no HASYLAB em Hamburgo também. Nao interessa, era alta madrugada, um frio de rachar lá fora, o experiento e as medicoes rodando e nada pra fazer. Alguém tinha que estar ali pra ficar de olho e corrigir a medida caso alguma merda acontecesse. Trabalhavamos em turnos. O da noite era o meu. Bom, marcamos de nos encontrar em Barcelona em Marco e de lá descer de ônibus para Sevilla pegando a tradicional Semana Santa na Andaluzia. O destino era a casa do Jack. Ali estávam também o Ronald, consul do Brasil em Madrid, o Fernando, Professor de artes e o Tinte, de nome Florentin, funcionário de um banco. Jack era restaurador de catedrais e trabalhava na torre da famosa La Giralda, a fantástica catedral de Sevilla. Passei bons dias com eles e a Rapha que é amiga até hoje, embora nem tanto quanto o Ronald. Este ia nos contando a história dos lugares, as guerras, quem ganhou e por que, os impactos nas sociedades, a origem das comidas e bebidas. Depois durante as procissoes da Semana Santa, onde cada igreja se esforcava para ter a Maria mais bela e o maior número de fiéis seguindo os andores, nos explicava sobre as tradicoes religiosas. Ainda consegui assistir uma tourada na la Maestranza, a famosa e tradicional Plaza de Toros de Sevilla. Era início de temporada, a primeira tourada do domingo, comprei ingresso na porta e me acomodei num assento de pedra. Olhei para os lados e todo mundo tinha uma almofadinha. O programa era de 6 toros, 2 para cada Torero. O último a entrar é sempre o mais experiênte e famoso, El Cid! Dependendo da atuacao o Torero tem direito a cortar uma orelha do touro. Se for muito bem, corta as duas. Se o desempenho tiver sido excelente leva o rabo do bovino. Mas se for algo fora do normal ele corta tudo isso e ainda sai carregado nos bracos da galera pela porta principal. E foi assim que El Cid saiu de la Maestranza naquele ensolarado domingo andaluz. Nos bracos do povo. Durante os dias criei uma amizade com o Ronald. Ele voltaria pra Madrid depois das festividades e eu também ia pra lá me encontrar com o Bidu. A Rapha me cantou a pedra: fala pra ele que voce nao tem Hotel ainda e ele te convida pra ficar na casa dele. Dito e feito! Passei 5 dias em Madrid no ape do Ronald muito bem localizado com direito a empregada brasileira cozinhando arroz e feijao e fritando bifes e ovos cujos sabores me lembro até hoje. Depois eu teria que procurar onde ficar para as duas noites finais já que ele receberia um amigo. Mas eis que surge Tinte Sabin, o bancário Florentino, e me oferece um ape vazio ao lado do Reina Sofia! Aceitei imediatamente antes que ele mudasse de idéia e assim passei 15 dias na Espanha sem gastar um centavo com hotel. Gracas ao bendito bate-papo do UOL.)

Voltando ao assunto, o Napster revolucionou a indústria da música e a forma como as pessoas se relacionam com ela. Explica direito. Você pode procurar e achar uma música que quer ouvir, qualquer uma, fazer o download do arquivo de graca e ouvir no seu computador? E esse tal de MP3? E os meus LPs, K7s e CDs, o que faco com eles? E as lojas de discos?! Pois foi aí que se previu o fim da música gravada fisicamente nos meios citados e sendo disseminada em arquivos digitais via Internet. E de graca!!! Até a indústria fonográfica entender o que estava acontecendo muita gravadora pequena quebrou, artista parou de ganhar grana somente com venda de disco e comecou a fazer show sem parar. Hoje em dia os grandes donos da festa sao quem controla essas tantas casas de shows e arenas mundo afora faturando horrores com ingressos cada vez mais caros. Live Nation é uma delas.

O Messenger era uma versao bem mais sofisticada do ICQ. Podia-se compartilhar fotos, videos e audios, os emoticons deitavam e rolavam e pra quem morava fora como eu era muito bom pra conversar com a família e amigos matando um pouco da saudade. Tinha uma polaca maluca na TU Wien onde comecei meu Doutorado. Ela nos apresentou ao Gadu Gadu que vem a ser uma versao polonesa do Messenger. Eu e o Haroldinho caímos matando e saimos interagindo com as polacas do mundo todo, mas principalmente as de Viena. Nos renderam bons frutos!

Fui pedido em casamento via Messenger! E mantinha conversas intermináveis com Ela via Skype de quem falaremos logo mais. Viva a Internet!!!

Na sequência do Napster veio o eMule e similäres para download de filmes. Os arquivos eram quebrados em milhares de pedacos e compartilhados com os usuários online através do programa. Depois vieram o rapidshare e afins com os links das partes disponíveis para baixar e por último os torrents que usavam um princípio semelhante ao eMule, mas a variedade de filmes era bem maior e o programam mais rápido e fácil de usar. Baixei muita coisa boa até tomar uma traulitada do governo alemao em forma de multa e aposentar o mouse.

Eis que voce acha que tudo ja existe na Internet e surge um tal de Orkut, nome de um turco. Era um site diferente onde cada um tinha um perfil e podia entrar no perfil dos outros deixando comentários ou participando de comunidades como "Amantes da alface" ou "Novela das oito forever" ou "Discografias" com todos os links do rapidshare dos seus artistas preferidos sendo disponibilizados para download. Pronto, inventaram tudo! Que nada. Aí vem o Facebook pra revolucionar tudo outra vez mudando a interacao individual entre cada usuário e jogando tudo na cara de todo mundo aumentando absurdamente a interacao entre todos.

Voltando ao Napster e MP3, com a reducao de tamanho dos arquivos ficou fácil colocar o conteúdo de um CD ou de vários num pequeno aparelho com fone de ouvido.. Assim surgiu o iPod e suas variacoes. Viva Steve Jobs! Daí para o iPhone foi um pulo e depois para o iPad. A chegada dos aplicativos, que no início eram versoes para iPhone ou iPad de páginas ou softwares já existentes na rede mundial, evoluiu para a criacao de apps específicios para qualquer coisa. Seja controlar a alimentacao, medir a distância e tempo da corrida, checkin online de cia aérea, visualizar mapas pelo Google Maps, pedir comida, comprar passagem aérea depois de comparar precos no mundo todo, alugar um carroou chamar um táxi, agora Uber, mas sempre interagindo com outras pessoas.

O WhatsApp revolucionou a comunicacao via smartphones. O Skype continua assombrando e proporcionando conversas limpas pelo globo conectando amigos e famílias e sendo ferramenta de comunicacao de várias empresas reduzindo enormemente os custos de video conferências.

E agora, 25 anos depois, vejo manadas de criancas, adolescentes, adultos e velhos, cada um com seu smartphone ou tablet na mao com os olhos grudados na tela correndo pelos parques e avenidas da cidade com um único objetivo: cacar Pokémons!!! Na minha época uns 20 anos atrás eu saia de casa pra cacar outras coisas. Mas, tem gosto pra tudo nessa Vida eletrônica.

Acho que o Sr. Tim Berners-Lee nao esperava por tudo isso. E os próximos 25 anos? Tenho algumas sugestoes:
- instalar micro cameras nos olhos das pessoas para fotografar ou filmar o que os olhos enxergam. Os arquivos seriam transferidos a um computador via uma micro saída USB instalado na unha do mindinho;
- instalar micro chips nos ouvidos com todas as músicas jamais feitas até o momento. Ao se pensar numa música ela tocaria imediatamente pra voce sem necessidade de fones;
- o mesmo vale para se fazer ligacoes ou ligar diretamente para uma pessoa que tenha chips na língua e queira conversar com voce
- nessa mesma linha os chips do ouvido e da boca seriam capazes de traduzir qualquer idioma recebido. Isso permitiria que eu conversasse alegremente com um aborígene no sope do Outback australiano falando em português, ou mineirês, e ele recebendo a traducao instantânea no ouvido. Responderia no seu dialeto e eu entenderia tudo pois ouviria em bom português. Claro que isso seria a falência de todas as escolas e editoras de livros de idiomas.

É, acho que ainda temos muito para evoluir!

Monday, August 22, 2016

Pitacos Pós Olimpíadas

Viena (adeus complexo de vira latas)



Após a bela festa de encerramento ontem a noite que nao vi algumas constatacoes sobre os jogos:
- jamaicanos sao imbatíveis em provas de curta distância... e nas baladas, golos e fumacê
- americanos sao os reis do revezamento, tanto em pistas como piscinas... mas adoram uma mentira
- o Brexit teve efeito contrário: os britânicos aumentaram o nr. de medalhas conquistadas em relacao a London 2012
- fundistas fera sao quenianos, etíopes e às vezes uns marroquinos. Espanta ver um norte americano levando bronze na maratona
- o Brasil nao conseguiu ficar em 10° como queria, mas mostrou os Silvas Rafaela e Thiago, Robson Conceicao e Isaquias pra o mundo. Sem falar na ginástica, volei de praia e iatismo.
- dois ouros, duas caras: o vôlei lavou a alma e saiu por cima com a aposentadoria e humildade do duas vezes campeao olímpico Serginho
- já a selecao ganhou, mas nao levou. Ganhou o ouro em cima dos moleques alemaes sem ter uma estrela como Neymar e tomando sufoco com várias bolas na trave. O choro do ídolo maior até agora nao me convenceu. Mas consegue fácil uma ponta na Record. Pra novela das 7 na Globo tem que melhorar
- a Áustria simplesmente nao existe em Olimpíadas, só nas de inverno. Ganharam um mísero bronze na vela, vejam só que ironia! terminando em 78°. Em comparacao com a Suíca, país próximo e de mesmas proporcoes e história vira chacota. Os helvéticos levaram 7 medalhas sendo 3 de ouro: ciclismo e remo. Tem montanha a dar com pau na Áustria. Rios e lagos também. Terei uma conversinha com o ministro dos esportes em breve.
- o complexo de vira latas do brasileiro acabou de vez com a cascata inventada pelos nadadores americanos. Passaram vergonha, pediram desculpas e voltaram pra casa com a certeza que o Brasil é festa e bagunca, mas a lei funciona. Nem que seja de vez em quando.

Que venha o Japao. Sempre sonhei em conhecer esse país. Por que nao durante os jogos?!

Friday, August 19, 2016

Voltamos!!!

Viena (as alemas estao sapecando 1x0 contra as suecas na final olímpica)

Sinceramente, achei que esse dia nunca fosse chegar. A última postagem foi em Marco do ano passado. Um ano e 5 meses se passaram desde entao.

O Mundo tornou-se um lugar pior para se viver após tantos ataques terroristas de motivacoes diversas. De cabeca me lembro do aeroporto em Istanbul, a boate gay na Florida, o aeroporto de Bruxelas, o caminhao assassino em Nice, Paris e o Bataclan, o maluco com a faca num trem alemao, mais um chucrute pirado atirando pra todos os lados num shopping em Munich. Fora os tantos atentados em Bagdad, Afeganistao, Síria, Egito, Pakistao e outros países nao ocidentais que ganham menos cobertura e importância da mídia mundial e da opiniao pública, ou seja, nós mesmos. Como se uma Vida parisiense tivesse mais valor que uma iraquiana.

Cheguei a criar um outro blog usando o Wordpress. Por um breve momento este site nao era bloqueado no Notebook da empresa, mas logo pegaram. E foi lá no Wordpress que deixei um único post reproduzido abaixo.

Kroc,

Vc nao vai acreditar. Me lembrei desse outro blog que havia criado em 2009 https://pedrobresson74.wordpress.com

Já estava editando e melhorando a bagaca e até escrevi o post abaixo pra recomecar a Vida blogueira, mas aí a merda do software da Magnesita bloqueou tudo. A pa porra…
Vou pedir um indulto!

Viena (finalmente voltamos!!!)
Gosto bastante de escrever sobre qualquer assunto. Portanto, nao espere que esse blog faca sucesso. Tenho um leitor fiel, ou talvez dois. Kroc,o único que me segue, me enviou hoje um email tao inspirador que resolvi tomar as devidas providências e agir.

O blog atual Truta Photos (www.trutaphotos.blogspot.com) vem definhando já a algum tempo. Nao só pela falta de Tempo após o nascimento do Gabriel, mas principalmente por que o gmail e consequentemente o Blogger, a plataforma onde o Truta está hospedado, sao bloqueados no laptop da empresa. Nem em casa ou em hotéis o acesso é liberado.

Durante todo esse tempo me senti cego, surdo, mudo e manco pendendo pra esquerda. Mas agora meus problemas e o d Humanidade acabaram! A volta da série dos anoes tem data pra acontecer. Os carros interessantes que clico na rua finalmente receberam olhares anônimos de toda blogosfera.

E os assuntos espinhosos como política, futebol e religiao esquentarao as páginas a seguir. Os diários de viagem também voltarao a todo vapor, quem sabe com um post sobre a Turquia e nosso agente local, um mao de vaca incorrigível, sem tino comercial algum e péssimo negociante. E é nele que temos depositado nossas fichas nos últimos 25 a 30 anos. Mas isso também vai acabar.

É isso! Obrigado Worldpress!

Acabo de comprar um Lenovo Yoga 300 que vem a ser um Laptop bem ágil e leve com funcao de tablet. Ou seja: Truta forever!!!


Thursday, March 19, 2015

Anões pelo Mundo, o Retorno

Viena (a mais famosa série do Truta voltou!)


A foto não é minha. Mas quem disse que tem que ser? Essa simpática anãozinha (pleonasmo) de saia rodada e keds aguarda sua coxinha, vejam só, numa lanchonete que me parece ser a Boca do Forno em BH.


Seria ela a famosa Tomate que aterrorizava a meninada na porta do Pitágoras?

Se não é parece bastante.

Sunday, March 15, 2015

Franz Hubmann

Viena (a loja da Leica eh ao lado do trampo)


Franz Hubmann foi um jornalista e fotografo austriaco que faria 100 anos em outubro do ano passado. Foi amigo de grandes artistas como Picasso, Beuys, Kokotchka, Warhol, Giacometti, Nureyev e tantos outros. Mestre em registrar o cotidiano dos cafes vienenses sua grande paixao era o jazz.


Tornou-se a versao austriaca do Americano William Claxton, maior fotografo de jazz de todos os tempos. E devido a qualidade de suas fotografias de rua foi rotulado como o Cartier Bresson de Viena. Nada mal.


A loja da Leica em Viena fez uma exposicao dos 100 anos de Hubmann. A loja fica ali a poucos metros da Opera e do lendario Café Sacher. Com certeza Franz nao so bebeu bons Melanges por ali como registrou cenas dessa instituicao vienense.


Aqui um link de um artigo sobre a exposicao, em alemao.


Na foto abaixo ninguem menos do que Satchmo, vulgo Louis Armstrong, num show em 1959 na Wiener Stadthalle.


(NAO CONSEGUI POSTAR A FOTO...)







Wednesday, March 11, 2015

Truta em estado vegetativo, mas...

Viena (para o alto e avante!)


De 132 postagens em 2011 caimos para 37 em 2012. Fruto da cagacao de regra da empresa onde trabalho que bloqueia tudo quanto eh site digamos subversivo. Tudo bem durante o horario de trabalho. Eh ate obvio. Mas em casa? Num hotel apos um arduo dia de trabalho? Inaceitavel. Cerceamento da liberdade. Censura! Mas eh o laptop da empresa que paga meu salario (e minhas contas), fazer o que.


Em 2013 foram 18 posts! Inaceitavel. Durante 347 dias ou noites fiz o que exatamente que nao encontrei tempo para o Truta? Culpa minha ja que o computador de casa estava ali, disponivel 100% do tempo.


Em 2014 tenho ate duas boas desculpas. A primeira foi o nascimento do Gabriel em maio. Depois o Mozilla do iMac meio que pifou e nao consigo mais fazer atualizacao alguma. O Safari roda meio cambeta tambem. Ai foi o fim. Miseros 11 textos no ano passado.


E nesse ano NADA! Meu unico e fiel leitor ficou louco. Mas relendo um antigo email dele de 2013 resolvi tomar providencias, fazer massagens cardiacas e tentar reativar isso aqui. Ta me fazendo falta tambem.


QUOTE


Díficil dizer do que gosto de ler no Truta, o simples fato de ser escrito por um amigo já acho legal. Talvez pelo fato de não saber escrever e muito menos ler.

Gosto muito de amenidades, principalmente se forem inúteis, estórias e vivencias também me atraem, o post do Galo foi ótimo. As fotos são ducaralho, os anões então nem se fala. Formula 1 NÃO, apesar de gostar muito, é muito comum, todo mundo escreve, mas compõe o blog. A linha de Rock, filmes acho show, jurei para mim que assistiria os 10 melhores filmes de guerra postados, ainda não o fiz, mas farei. O Truta fazia parte do meu cotidiano, chegava no trampo, enchia o saco do Fulano, pegava um café, sentava na mesa e lia o Truta com o tal polvilho que me entregou, quando tinha novidades as lia, quando não tinha voltava alguns posts e os lia novamente, depois partia para os outros sites de costume, mas isso é passado, além do Truta estar parado a empresa cresceu e a rotina mudou. Mas sempre dou uma passada lá, apesar de ser reprimido e ter alguns comentários apagados.

UNQUOTE


Como nao se comover com uma mensagem assim? No laptop do trabalho da minha esposa eh tudo liberado, inclusive gmail e Blogger. Eh a solucao da lavoura!


Vamos em frente e como disse meu fiel leitor nessa mesma mensagem "o lance é fazer o máximo que podemos, acelerar com o carro que temos e nos divertirmos."


Como discordar?