Düsseldorf (bed calling)
Pra quem ainda nao conhece o mais novo super grupo de rock, aí vai uma canja. Dhani Harrison é apenas filho de George, o Beatle. Ben Harper foi responsável por um dos melhores shows da minha Vida aqui na Alemanha. Fez dois bis e na última música saiu de cena deixando a chucrutada cantando sozinha feliz da Vida após duas horas e meia de espetáculo. E José Arthur, quem é?! Joseph nasceu em Ohio, criou seu próprio selo do Astronauta Solitário e saiu pelo mundo despejando sua verve de rock folk e alternativo com muito instrumental.
O trio me parece funcionar melhor do que outro festejado super grupo, Them Crookeg Vultures, que acabou decepcionando por enquanto. Neste temos John Paul Jones do Led. Só isso já vale o ingresso.
viagens, Vida cotidiana, automobilismo, arte, música, pessoas, cinema... TUDO!!! trips, real Life, motorsports, Art, muzik, people, movies... EVERYTHING!!!
Thursday, January 27, 2011
Wednesday, January 26, 2011
Radio Truta
Düsseldorf (London calling)
Se no final de semana que aproxima você tiver de bobeira em London passando pela porta do Ronnie Scott's disposto a achar um cambista e pagar mais caro pelo ingresso, vai ver essa menina ai embaixo soltando a voz jazz-soul junto com sua tarimbada banda.
Nao vai se arrepender, tenho certeza. Ainda mais sabendo que ela é afilhada de James Brown.
Se no final de semana que aproxima você tiver de bobeira em London passando pela porta do Ronnie Scott's disposto a achar um cambista e pagar mais caro pelo ingresso, vai ver essa menina ai embaixo soltando a voz jazz-soul junto com sua tarimbada banda.
Nao vai se arrepender, tenho certeza. Ainda mais sabendo que ela é afilhada de James Brown.
Monday, January 24, 2011
Tits, techno & trumpet
Düsseldorf (I love Techno 2003... bons tempos)
O blog mais eclético do Universo apresenta "Berlin calling" filme autobiográfico sobre o DJ eletrônico e alemao Paul Kalkbrenner.
Esperava um festejo de música, cores, luzes e festivais de música eletrônica, mas nao. Estória bem contada do DJ amador Ickarus querendo ser profissional e viver do que mais gosta de fazer. E quem nao quer?! Seu álbum está sempre "quase" pronto, faltando um detalhe aqui e ali. A produtora vai se irritando, o DJ se acabando nas drogas normais (cocaína) e sintéticas (ecstasy, MDMA, PDA e outras tantas que nunca ouvi falar). Tem crises gigantescas de abstinência, briga com a namorada bacana e que o apoia o tempo todo e, entre um set e outro, é internado numa clínica de reabilitacao.
A clínica parece um hospício. Um maluco cabeludo e mudo, outro esquizofrênico com mania de perseguicao, um ajudante de enfermagem que é seu fan e conivente com suas loucuras e está formado o cenário perfeito. Para sua sorte, e talvez por exigência e pedidos insistentes da namorada, Ickarus leva seu laptop e aparelhagem de som para o quarto da clínica. A bela médica, mais velha mas que gosta do rapaz, tenta entendê-lo, ajudá-lo e explicar a ele que com tal quantidade de drogas injetadas no corpo nao vai ter álbum nem agora nem nunca.
Ickarus, que só veste camisas de times e selecoes de futebol e nao tira os raybans, bem que tenta se recuperar. Mas a carne é fraca, o beat é alto e contagiante, a batida perfeita sempre pode ser aprimorada e ele nunca consegue dar um fim ao álbum. Até ser trocado por uma... negona forte e disposta a arrebentá-lo de porrada e ver sua amada e cansada namorada o abandonar.
Mas o Amor é lindo, festival de música eletrônica é como carnaval e a pista do Maria em Berlin é a extensao de sua casa. Paul Kalkbrenner consegue te manter com os olhos pregados na tela, num ritmo hora suave, hora contagiante. E a trilha sonora é de matar... pra quem gosta duma batida perfeita.
Este filme foi indicado, por incrível que pareca, pelo ex-fan número 1 da banda Babado Novo, pelo menino que só ouvia sertanejo. Pelo sujeito que idolatrava Vitor & Leo, mas que gracas a Deus saiu do interior e foi morar na capitar. Capitar do Mundo: Berlin. Isso nao abre a mente, simplesmente ESCANCARA. O nome dele?! Rodrigao, vulgo Mancebo ou Elefante.
O filme me fez lembrar também o Leopoldo Magnífico, meu cunhado doido. Nos tempos de bon vivant em Paris Leopoldo fez uma música sobre a linha B do metrô com efeitos especiais pra cada estacao, inclusive o barulho do trem em movimento, as portas abrindo e fechando, etc. Pois nao é que Paul fez o mesmo! Gravou o abrir e fechar das portas do S-Bahn berlinense, repetiu e mixou o som e fez música em cima.
O blog mais eclético do Universo apresenta "Berlin calling" filme autobiográfico sobre o DJ eletrônico e alemao Paul Kalkbrenner.
Esperava um festejo de música, cores, luzes e festivais de música eletrônica, mas nao. Estória bem contada do DJ amador Ickarus querendo ser profissional e viver do que mais gosta de fazer. E quem nao quer?! Seu álbum está sempre "quase" pronto, faltando um detalhe aqui e ali. A produtora vai se irritando, o DJ se acabando nas drogas normais (cocaína) e sintéticas (ecstasy, MDMA, PDA e outras tantas que nunca ouvi falar). Tem crises gigantescas de abstinência, briga com a namorada bacana e que o apoia o tempo todo e, entre um set e outro, é internado numa clínica de reabilitacao.
A clínica parece um hospício. Um maluco cabeludo e mudo, outro esquizofrênico com mania de perseguicao, um ajudante de enfermagem que é seu fan e conivente com suas loucuras e está formado o cenário perfeito. Para sua sorte, e talvez por exigência e pedidos insistentes da namorada, Ickarus leva seu laptop e aparelhagem de som para o quarto da clínica. A bela médica, mais velha mas que gosta do rapaz, tenta entendê-lo, ajudá-lo e explicar a ele que com tal quantidade de drogas injetadas no corpo nao vai ter álbum nem agora nem nunca.
Ickarus, que só veste camisas de times e selecoes de futebol e nao tira os raybans, bem que tenta se recuperar. Mas a carne é fraca, o beat é alto e contagiante, a batida perfeita sempre pode ser aprimorada e ele nunca consegue dar um fim ao álbum. Até ser trocado por uma... negona forte e disposta a arrebentá-lo de porrada e ver sua amada e cansada namorada o abandonar.
Mas o Amor é lindo, festival de música eletrônica é como carnaval e a pista do Maria em Berlin é a extensao de sua casa. Paul Kalkbrenner consegue te manter com os olhos pregados na tela, num ritmo hora suave, hora contagiante. E a trilha sonora é de matar... pra quem gosta duma batida perfeita.
Este filme foi indicado, por incrível que pareca, pelo ex-fan número 1 da banda Babado Novo, pelo menino que só ouvia sertanejo. Pelo sujeito que idolatrava Vitor & Leo, mas que gracas a Deus saiu do interior e foi morar na capitar. Capitar do Mundo: Berlin. Isso nao abre a mente, simplesmente ESCANCARA. O nome dele?! Rodrigao, vulgo Mancebo ou Elefante.
O filme me fez lembrar também o Leopoldo Magnífico, meu cunhado doido. Nos tempos de bon vivant em Paris Leopoldo fez uma música sobre a linha B do metrô com efeitos especiais pra cada estacao, inclusive o barulho do trem em movimento, as portas abrindo e fechando, etc. Pois nao é que Paul fez o mesmo! Gravou o abrir e fechar das portas do S-Bahn berlinense, repetiu e mixou o som e fez música em cima.
Sunday, January 23, 2011
Radio Truta - Anos 80
Düsseldorf (sucesso ou fracasso?!
Anos 80, quanta música e banda boa passou pelo Brasil. Paralamas, Legiao, Barao, Titas, Cazuza, Ultraje, Hanoi Hanoi, Engenheiros, Plebe Rude, Ira, Camisa de Venus, Lobao, Kid Abelha e tantos outros.
Eu era um moleque, mas me lembro do Heberth Viana tocando "Óculos", da galera babando como sempre na Paula Toller e do Barao e Cazuza querendo que o dia nascesse feliz.
Anos 80, quanta música e banda boa passou pelo Brasil. Paralamas, Legiao, Barao, Titas, Cazuza, Ultraje, Hanoi Hanoi, Engenheiros, Plebe Rude, Ira, Camisa de Venus, Lobao, Kid Abelha e tantos outros.
Eu era um moleque, mas me lembro do Heberth Viana tocando "Óculos", da galera babando como sempre na Paula Toller e do Barao e Cazuza querendo que o dia nascesse feliz.
Friday, January 21, 2011
Viva o Fusca
Essen (MoU, EPC contract draft, EWA...)
Ontem foi o Dia Nacional do Fusca. Data escolhida porque em 20 de janeiro de 1972 o Fusca bateu o recorde do Ford T e tornando-se o carro mais produzido da História.
O carrinho foi criado por Ferdinand Porsche a pedido do ditador nazista Adolfo, como muito bem descrito e contado pelo humorista-mor aqui. Mas ha controversias em sua estoria.
Antes da guerra a produção dos KDF (Kraft durch Freude Wagen ou "Força pela Alegria") começou sim ja que existem varias fotos espalhadas pela internet da fabrica bombardeada e varios KDFs mostrados dentro da fabrica, destruidos. O carro ja estava pronto, ja tinham os moldes e tudo mais e em varios videos pela internet pode-se ver os Tipo 1 saindo de dentro da fabrica, ou do que sobrou dela...
…”O carrinho de Hitler, no entanto, nunca chegou à linha de produção durante o regime nazista. No mesmo ano do Salão de Berlim, estourou a guerra. E todos sabemos o que aconteceu”…
Na foto do artigo "O carrinho do ditador" citado acima vemos claramente os KDFs em frente a pedra fundamental da fabrica, ou seja, antes da Segunda Guerra.
Alem disso, quem fundou a Porsche foi Ferdinand Porsche sendo responsavel pela fabricação do primeiro VW, mas seu filho Ferry Porsche foi o verdadeiro criador do primeiro modelo Porsche que depois viria a ser o famoso 356. Durante o periodo em que o Dr. Ing. h. c. F. Porsche (Doktor Ingenieur honoris causa) estava preso por crimes de guerra, Ferry resolver criar seu proprio carro ja que nao gostava de nenhum modelo disponivel no mercado.
Mas isso eh Historia, ou são estorias. As minhas com Fuscas não são grande coisa. Sei que o Guidão teve um vermelho, seu primeiro carro, e depois um branco. Ou o contrario, nao importa. Bateu uma vez na subida do tobogã da Contorno, em BH, num acidente onde não teve culpa, diz o BO.
Pulamos para os anos 90. Eu tinha uma namorada cuja mãe, minha então sogra, tinha um Fuscão prateado daqueles feitos a mando do Itamar, não o Adolfo. Subia qualquer rua do Santo Antonio e São Pedro. Dirigi algumas vezes o besouro e sempre gostei da musica emanada pelo possante motorzão 1600.
Sempre que vejo um VW Käffer, o nome alemao do Fusca, pelas ruas do Mundo registro o momento. Abaixo alguns modelos interessantes encontrados pelo Mundo:
Pra saber mais sobre Fuscas no Brasil, clique aqui.
Ontem foi o Dia Nacional do Fusca. Data escolhida porque em 20 de janeiro de 1972 o Fusca bateu o recorde do Ford T e tornando-se o carro mais produzido da História.
O carrinho foi criado por Ferdinand Porsche a pedido do ditador nazista Adolfo, como muito bem descrito e contado pelo humorista-mor aqui. Mas ha controversias em sua estoria.
Antes da guerra a produção dos KDF (Kraft durch Freude Wagen ou "Força pela Alegria") começou sim ja que existem varias fotos espalhadas pela internet da fabrica bombardeada e varios KDFs mostrados dentro da fabrica, destruidos. O carro ja estava pronto, ja tinham os moldes e tudo mais e em varios videos pela internet pode-se ver os Tipo 1 saindo de dentro da fabrica, ou do que sobrou dela...
…”O carrinho de Hitler, no entanto, nunca chegou à linha de produção durante o regime nazista. No mesmo ano do Salão de Berlim, estourou a guerra. E todos sabemos o que aconteceu”…
Na foto do artigo "O carrinho do ditador" citado acima vemos claramente os KDFs em frente a pedra fundamental da fabrica, ou seja, antes da Segunda Guerra.
Alem disso, quem fundou a Porsche foi Ferdinand Porsche sendo responsavel pela fabricação do primeiro VW, mas seu filho Ferry Porsche foi o verdadeiro criador do primeiro modelo Porsche que depois viria a ser o famoso 356. Durante o periodo em que o Dr. Ing. h. c. F. Porsche (Doktor Ingenieur honoris causa) estava preso por crimes de guerra, Ferry resolver criar seu proprio carro ja que nao gostava de nenhum modelo disponivel no mercado.
Mas isso eh Historia, ou são estorias. As minhas com Fuscas não são grande coisa. Sei que o Guidão teve um vermelho, seu primeiro carro, e depois um branco. Ou o contrario, nao importa. Bateu uma vez na subida do tobogã da Contorno, em BH, num acidente onde não teve culpa, diz o BO.
Pulamos para os anos 90. Eu tinha uma namorada cuja mãe, minha então sogra, tinha um Fuscão prateado daqueles feitos a mando do Itamar, não o Adolfo. Subia qualquer rua do Santo Antonio e São Pedro. Dirigi algumas vezes o besouro e sempre gostei da musica emanada pelo possante motorzão 1600.
Sempre que vejo um VW Käffer, o nome alemao do Fusca, pelas ruas do Mundo registro o momento. Abaixo alguns modelos interessantes encontrados pelo Mundo:
Aug2010 na Av. Conde de Valbon, Lisboa - Portugal
Set2010 em frente ao Leme Othon, Cidade Maravilhosa - RJ
Dez2010, Santa Teresa, Belo Horizonte - MG
Dez2010, Humaitá, Cidade Maravilhosa - RJ
Dez2010, Rua Carangola, Santo Antonio, Belo Horizonte - MG
Pra saber mais sobre Fuscas no Brasil, clique aqui.
Radio Truta
Düsseldorf (a primeira do ano)
Tá, eu sei. É pop demais, mas eu gosto. Jay Kay é um cara do bem, louco por carros e tem um ritmo bacana. Vou ver o show em Luxemburgo no mês de Abril.
O video B&W chama a atencao nesse Mundo de hoje.
Tá, eu sei. É pop demais, mas eu gosto. Jay Kay é um cara do bem, louco por carros e tem um ritmo bacana. Vou ver o show em Luxemburgo no mês de Abril.
O video B&W chama a atencao nesse Mundo de hoje.
Sao Sebastiao do Rio de Janeiro
Düsseldorf (indo dormir tarde...)
Hoje é dia de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro, padroeiro da cidade.
VIVA O RIO, melhor cidade do Universo!
Queria contar duas estórias aqui, mas tá tarde. Uma delas foi escrita e enviada via email, mas nao consegui achar em lugar algum. Mais precisamente em 07 de março de 2004, show do Norman Cook, conhecido mundialmente pela alcunha FatBoy Slim. Nao vou relembrar dos causos com a mesma riqueza de detalhes da época. Só me lembro de quase ter atropelado a Rita Cadillac, que saia de um restaurante no Leblon, e alguém do carro gritar "aooo Rita, a bolete mais linda do Clube do Bolinha" tamanha era a chapacao.
O outro causo aconteceu no carnaval de 2003. Comecamos em Tiradentes/MG e fomos terminar em Cabo Frio (RJ) passando pelo Rio e desfilando na Beija Flor no último de seus vice-campeonatos. Depois emendaria uma sequência fabulosa de títulos sagrando-se TETRA, que nem a Itália.
Esse eu me lembro bem e contarei. Estava com Sérgio Mallard, o louco de Beagá.
Vou deixar vocês na vontade.
Inté.
Hoje é dia de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro, padroeiro da cidade.
VIVA O RIO, melhor cidade do Universo!
Mario Testino
Queria contar duas estórias aqui, mas tá tarde. Uma delas foi escrita e enviada via email, mas nao consegui achar em lugar algum. Mais precisamente em 07 de março de 2004, show do Norman Cook, conhecido mundialmente pela alcunha FatBoy Slim. Nao vou relembrar dos causos com a mesma riqueza de detalhes da época. Só me lembro de quase ter atropelado a Rita Cadillac, que saia de um restaurante no Leblon, e alguém do carro gritar "aooo Rita, a bolete mais linda do Clube do Bolinha" tamanha era a chapacao.
O outro causo aconteceu no carnaval de 2003. Comecamos em Tiradentes/MG e fomos terminar em Cabo Frio (RJ) passando pelo Rio e desfilando na Beija Flor no último de seus vice-campeonatos. Depois emendaria uma sequência fabulosa de títulos sagrando-se TETRA, que nem a Itália.
Esse eu me lembro bem e contarei. Estava com Sérgio Mallard, o louco de Beagá.
Vou deixar vocês na vontade.
Inté.
Thursday, January 20, 2011
Ciúmes
Düsseldorf (tudo comecou com um rascunho)
Texto polêmico abaixo, escrito em Outubro de 2008 e nao finalizado. Rascunhado na Ruhr Universität Bochum antes de subir no comboio. Acho que o escritor temia represálias em casa ou reacoes completamente adversas do esperado. Por isso hesitou em publicá-lo.
Mas agora vai, do jeito que está. Sem choro nem vela. Garanto que se um dia essa idéia vingasse o Mundo nao teria mais guerras... ou acabaria o estoque de camisinhas.
10/10/2008
Bochum (indo pra casa)
Imaginem o Mundo sem o ciúmes. Ciúmes de todos os tipos. Entre casais, entre irmaos, entre colegas de trabalho, entre amigos.
O casamento tradicional nao existiria mais, ou sofreria sérios abalos. O homem tá feliz e tranquilo com a esposa, mas um belo dia, voltando do trabalho, pára no bar pra um choppinho com os amigos. Lá conhecem uma turma de meninas. Uma delas se interessa por ele. Saem juntos depois e consumam o ato. Chega em casa à 1h da matina com a mulher na sala vendo TV. Dá um pulo no pescoco dele, cheia de saudades e preocupacoes. Segue o questionário. Ele dá o relato completo, sem omitir uma linha sequer. Ela pergunta se foi bom, como ela é, o que faz, onde mora, a idade, que roupa usava, etc.. Ele toma um banho enquanto ela aguarda ansiosa na cama pra fazer mais uma saraivada de perguntas. Depois da ducha com um sorriso estampado no rosto, enxuga-se e vai organizando os detalhes para saciar a mulher e enriquecer o relato. E dormem rindo com as comparacoes inevitáveis, mas sempre tentando achar o lado bom da história.
Da mesma forma, num belo dia, essa mesma mulher, que é bela e charmosa por sinal, resolve acompanhar o chefe no almoco. Conversa vai, vinho desce, sobremesa também, resolvem esticar pro motel. Entram às 14h, saem às 17h. Leves, felizes e sorridentes. Ela chega em casa antes dele e prepara um lindo jantar. As criancas logo chegarao, com a velha e boa energia interminável. O marido entra e tira os sapatos. Abre o colarinho depois de tirar a gravata e é recebido com um sorriso enorme da amada. Ela comeca a contar. Ele já abre uma cerveja e vai seguindo atento. Pergunta o que ele fez de diferente ou de melhor. Ela conta, mas também reconhece as qualidades do marido. A intimidade entre eles é infinitamente maior, evidentemente. Mas o elemento-surpresa, a novidade, o território novo e inexplorado tornam tudo interessante. Fora da rotina o Tempo passa mais devagar. Tem-se mais estórias e histórias pra contar.
E assim seguem eles. Experimentando, trocando idéias, sugerindo, concordando e discordando também um do outro. Até que se cansam e resolvem usar o aprendizado entre si. A relacao melhora de uma hora pra outra, como namorados de um mês. Vivem um ciclo de felicidade e satisfacao como nunca experimentados antes. Até que essa curva comeca a descer. A insatisfacao aparece novamente e surge a necessidade de novas experiências, aventuras e personagens.
E como seria a ausência de ciúmes entre amigos?! Os ciclos de amizade seria intermináveis. Onde comeca um terminaria o outro e vice-versa. Será que aquelas confissoes exclusivas, e conselhos na mesma proporcao, existiriam com tanta frequência?! Duvido muito. As trocas de experiências seriam maiores, imagino eu. Da mesma maneira ocorrida com o casal, amigos iriam compartilhar...
Num mundo sem ciúmes, nao existe culpa.
Texto polêmico abaixo, escrito em Outubro de 2008 e nao finalizado. Rascunhado na Ruhr Universität Bochum antes de subir no comboio. Acho que o escritor temia represálias em casa ou reacoes completamente adversas do esperado. Por isso hesitou em publicá-lo.
Mas agora vai, do jeito que está. Sem choro nem vela. Garanto que se um dia essa idéia vingasse o Mundo nao teria mais guerras... ou acabaria o estoque de camisinhas.
10/10/2008
Bochum (indo pra casa)
Imaginem o Mundo sem o ciúmes. Ciúmes de todos os tipos. Entre casais, entre irmaos, entre colegas de trabalho, entre amigos.
O casamento tradicional nao existiria mais, ou sofreria sérios abalos. O homem tá feliz e tranquilo com a esposa, mas um belo dia, voltando do trabalho, pára no bar pra um choppinho com os amigos. Lá conhecem uma turma de meninas. Uma delas se interessa por ele. Saem juntos depois e consumam o ato. Chega em casa à 1h da matina com a mulher na sala vendo TV. Dá um pulo no pescoco dele, cheia de saudades e preocupacoes. Segue o questionário. Ele dá o relato completo, sem omitir uma linha sequer. Ela pergunta se foi bom, como ela é, o que faz, onde mora, a idade, que roupa usava, etc.. Ele toma um banho enquanto ela aguarda ansiosa na cama pra fazer mais uma saraivada de perguntas. Depois da ducha com um sorriso estampado no rosto, enxuga-se e vai organizando os detalhes para saciar a mulher e enriquecer o relato. E dormem rindo com as comparacoes inevitáveis, mas sempre tentando achar o lado bom da história.
Da mesma forma, num belo dia, essa mesma mulher, que é bela e charmosa por sinal, resolve acompanhar o chefe no almoco. Conversa vai, vinho desce, sobremesa também, resolvem esticar pro motel. Entram às 14h, saem às 17h. Leves, felizes e sorridentes. Ela chega em casa antes dele e prepara um lindo jantar. As criancas logo chegarao, com a velha e boa energia interminável. O marido entra e tira os sapatos. Abre o colarinho depois de tirar a gravata e é recebido com um sorriso enorme da amada. Ela comeca a contar. Ele já abre uma cerveja e vai seguindo atento. Pergunta o que ele fez de diferente ou de melhor. Ela conta, mas também reconhece as qualidades do marido. A intimidade entre eles é infinitamente maior, evidentemente. Mas o elemento-surpresa, a novidade, o território novo e inexplorado tornam tudo interessante. Fora da rotina o Tempo passa mais devagar. Tem-se mais estórias e histórias pra contar.
E assim seguem eles. Experimentando, trocando idéias, sugerindo, concordando e discordando também um do outro. Até que se cansam e resolvem usar o aprendizado entre si. A relacao melhora de uma hora pra outra, como namorados de um mês. Vivem um ciclo de felicidade e satisfacao como nunca experimentados antes. Até que essa curva comeca a descer. A insatisfacao aparece novamente e surge a necessidade de novas experiências, aventuras e personagens.
E como seria a ausência de ciúmes entre amigos?! Os ciclos de amizade seria intermináveis. Onde comeca um terminaria o outro e vice-versa. Será que aquelas confissoes exclusivas, e conselhos na mesma proporcao, existiriam com tanta frequência?! Duvido muito. As trocas de experiências seriam maiores, imagino eu. Da mesma maneira ocorrida com o casal, amigos iriam compartilhar...
Num mundo sem ciúmes, nao existe culpa.
Tuesday, January 18, 2011
Dez anos sem Sinatra (quase doze agora)
Essen (MPX, AES, biomass...)
Mais um dos rascunhos resgatados. Encontro apenas o link abaixo em tentativa de postagem no dia 15/05/2008:
http://musica.uol.com.br/ultnot/2008/05/13/ult89u9046.jhtm
Entro no link que fala dos 10 anos sem Frank Sinatra, completados no dia 13/05/2008, coincidentemente dia do aniversario do Dr. Licao, meu primo e veterinario como nosso avo Dr. Pedro.
Talvez a palavra "playboy" ou mesmo "bon vivant" tenha encontrado finalmente seu habitat natural no americano Francis Albert Sinatra. Sedutor, conquistador nato, amigo de tudo e de todos, amante de festas, furduncios, porres homericos (de Homero, Iliada), brigas e quebradeiras generalizadas, mas tambem dono de um coracao do tamanho do Mundo. Faca como eu e leia o livro "A Arte de Viver" escrito por um ghost writer ou especialista em biografias que nao me lembro quem eh e tenho preguica de procurar. Frank conta como colocar corretamente o chapeu na cabeca, meio virado pra esquerda, com a parte de tras mais alta e a da frente cobrindo os olhos (para que ele pudesse olhar por mais tempo as garotas).
Desmistifica tambem sua fama de bebedor revelando uma estrategia simples, mas funcional de nunca beber o conteudo completo de um copo com whisky, sua bebida favorita. Bastava se servir de uma dose nova com o garcom, numa das centenas de milhares de festas e eventos sociais por ele frequentados, dar uns dois ou tres golinhos abandonando-o em seguida numa mesa vazia. Quem o visse sempre se lembraria do copo cheio na mao e ele nunca estava bebado. Dai a fama. Confesso que este que vos bloga ja utilizava dessa estrategia havia muito tempo sem nem mesmo saber do que fazia Sinatra. Acham que bebo muito, mas apenas deixo-os, amigos, conhecidos, desconhecidos, ficarem bebados antes e depois eh so administrar. Claro que meu whisky eh bem melhor que aquele Jack Daniels do Frank, claro.
Sinatra, por incrivel que pareca, sofreu muito por seus amores e por sua fama de galanteador e homem da noite. Ava Gardner o fez comer a baguete que o demonio esmagaçou com a buzanfa entre varias idas e vindas. Perdeu a voz, mesmo sendo chamado de "The Voice", recuperou-a, foi associado à Mafia e investigado pelo FBI, fez varios filmes, entre eles "A um Passo da Eternidade", talvez o mais famoso.
"Blue eyes" ou "the Chairman of the Board", outros de seus apelidos, era gandaieiro, mas justo e generoso. Uma vez estava num bar e viu o gerente xingando desrespeitosamente um garçom que acabara de deixar um copo cair por acidente. Depois do esculacho publico perpetrado pelo chefe, chamou a vitima assustada e pediu a este que fizesse uma pilha imensa de copos no balcao. Comecou a quebrar tudo, com ajuda dos amigos, e entre milhoes de cacos e risadas chamou novamente o incauto servente dizendo "Se voce quiser quebrar mais, eu pago tudo." O garçom delicadamente recusou temendo nova represalia do chefe, mas Frank meteu a mao no bolso e lhe entregou um bolo de notas como compensaçao pelo episodio, no melhor estilo mafioso.
No começo do ano passado em New York City, "that city, that doesn't sleep", Ela e eu tivemos a chance de comer a famosa pizza do Gambrino's, logo na base da Brooklyn Bridge, num dos primeiros domingos do ano. Varias fotos de Sinatra adornavam as paredes, algumas autografadas, outras em preto/branco, mas nao haviam fotos de outros artistas. Soubemos que ele vivia ali e era amigo do dono, outro italiano que viera, como seus pais imigrantes, tentar "fazer a America".
No Brasil, Frank fez um mega concerto no Maracana nos anos 80 (180.000 pessoas, dizem). Show que eh lembrado por todos os cariocas pelo palco no meio do gramado, aberto, democratico. Sua sincera amizade com Tom Jobim foi tao importante quanto a parceria na musica e na gandaia. Dizem que formavam uma dupla dinamica tambem nas noitadas por NYC e resto do Mundo.
ps. no link acima voce encontra letras de musicas, uma selecao das melhores cancoes e fotos do ator/cantor.
Som na caixa DJ:
Mais um dos rascunhos resgatados. Encontro apenas o link abaixo em tentativa de postagem no dia 15/05/2008:
http://musica.uol.com.br/ultnot/2008/05/13/ult89u9046.jhtm
Entro no link que fala dos 10 anos sem Frank Sinatra, completados no dia 13/05/2008, coincidentemente dia do aniversario do Dr. Licao, meu primo e veterinario como nosso avo Dr. Pedro.
Talvez a palavra "playboy" ou mesmo "bon vivant" tenha encontrado finalmente seu habitat natural no americano Francis Albert Sinatra. Sedutor, conquistador nato, amigo de tudo e de todos, amante de festas, furduncios, porres homericos (de Homero, Iliada), brigas e quebradeiras generalizadas, mas tambem dono de um coracao do tamanho do Mundo. Faca como eu e leia o livro "A Arte de Viver" escrito por um ghost writer ou especialista em biografias que nao me lembro quem eh e tenho preguica de procurar. Frank conta como colocar corretamente o chapeu na cabeca, meio virado pra esquerda, com a parte de tras mais alta e a da frente cobrindo os olhos (para que ele pudesse olhar por mais tempo as garotas).
Desmistifica tambem sua fama de bebedor revelando uma estrategia simples, mas funcional de nunca beber o conteudo completo de um copo com whisky, sua bebida favorita. Bastava se servir de uma dose nova com o garcom, numa das centenas de milhares de festas e eventos sociais por ele frequentados, dar uns dois ou tres golinhos abandonando-o em seguida numa mesa vazia. Quem o visse sempre se lembraria do copo cheio na mao e ele nunca estava bebado. Dai a fama. Confesso que este que vos bloga ja utilizava dessa estrategia havia muito tempo sem nem mesmo saber do que fazia Sinatra. Acham que bebo muito, mas apenas deixo-os, amigos, conhecidos, desconhecidos, ficarem bebados antes e depois eh so administrar. Claro que meu whisky eh bem melhor que aquele Jack Daniels do Frank, claro.
Sinatra, por incrivel que pareca, sofreu muito por seus amores e por sua fama de galanteador e homem da noite. Ava Gardner o fez comer a baguete que o demonio esmagaçou com a buzanfa entre varias idas e vindas. Perdeu a voz, mesmo sendo chamado de "The Voice", recuperou-a, foi associado à Mafia e investigado pelo FBI, fez varios filmes, entre eles "A um Passo da Eternidade", talvez o mais famoso.
"Blue eyes" ou "the Chairman of the Board", outros de seus apelidos, era gandaieiro, mas justo e generoso. Uma vez estava num bar e viu o gerente xingando desrespeitosamente um garçom que acabara de deixar um copo cair por acidente. Depois do esculacho publico perpetrado pelo chefe, chamou a vitima assustada e pediu a este que fizesse uma pilha imensa de copos no balcao. Comecou a quebrar tudo, com ajuda dos amigos, e entre milhoes de cacos e risadas chamou novamente o incauto servente dizendo "Se voce quiser quebrar mais, eu pago tudo." O garçom delicadamente recusou temendo nova represalia do chefe, mas Frank meteu a mao no bolso e lhe entregou um bolo de notas como compensaçao pelo episodio, no melhor estilo mafioso.
No começo do ano passado em New York City, "that city, that doesn't sleep", Ela e eu tivemos a chance de comer a famosa pizza do Gambrino's, logo na base da Brooklyn Bridge, num dos primeiros domingos do ano. Varias fotos de Sinatra adornavam as paredes, algumas autografadas, outras em preto/branco, mas nao haviam fotos de outros artistas. Soubemos que ele vivia ali e era amigo do dono, outro italiano que viera, como seus pais imigrantes, tentar "fazer a America".
No Brasil, Frank fez um mega concerto no Maracana nos anos 80 (180.000 pessoas, dizem). Show que eh lembrado por todos os cariocas pelo palco no meio do gramado, aberto, democratico. Sua sincera amizade com Tom Jobim foi tao importante quanto a parceria na musica e na gandaia. Dizem que formavam uma dupla dinamica tambem nas noitadas por NYC e resto do Mundo.
ps. no link acima voce encontra letras de musicas, uma selecao das melhores cancoes e fotos do ator/cantor.
Som na caixa DJ:
Thursday, January 13, 2011
Formula 1: 5000 dias sem a Morte
13/01/2011
Mais um rascunho inacabado iniciado em 03/04/2008. O artigo em alemao da Blick suíca fala do aumento da seguranca nos bólidos de Fórmula 1 após a morte do Senna. Na verdade, após aquele final de semana trágico em Imola quando Barrichello se espatifou no alambrado após decolar na zebra nos treinos da sexta. No sábado foi a vez de Roland Ratzenberger, austríaco estreante da Symtek, perder a Vida. E no domingo, na sétima volta, a tragédia na Tamburello que todos conhecemos.
No dia 08 de Janeiro de 2008 completaram-se 5000 dias sem acidentes fatais. Artigo lista todos os pilotos que morreram na Fórmula 1, desde o primeiro, Onofre Marimon, que arriscou demais no mítico circuito de Nürburgring Nordschleife em 31 de Julho de 1954 arrebentando seu carro e partindo desta para outra dimensao. Até o último, Ayrton Senna da Silva, no GP de San Marino dia 01 de Maio de 1994.
Acidentes impressionantes como o de Robert Kubica no GP do Canadá de 2007 nao sao mais fatais em grande parte às mortes em Imola e a consequente intolerância e guerra das equipes, pilotos e chefes de equipe pela seguranca de seus pupilos.
03/04/2008
Düsseldorf (indo pra casa...)
http://www.blick.ch/sport/formel1/34-fahrer-bezahlten-ihre-leidenschaft-mit-dem-leben-80175
Mais um rascunho inacabado iniciado em 03/04/2008. O artigo em alemao da Blick suíca fala do aumento da seguranca nos bólidos de Fórmula 1 após a morte do Senna. Na verdade, após aquele final de semana trágico em Imola quando Barrichello se espatifou no alambrado após decolar na zebra nos treinos da sexta. No sábado foi a vez de Roland Ratzenberger, austríaco estreante da Symtek, perder a Vida. E no domingo, na sétima volta, a tragédia na Tamburello que todos conhecemos.
No dia 08 de Janeiro de 2008 completaram-se 5000 dias sem acidentes fatais. Artigo lista todos os pilotos que morreram na Fórmula 1, desde o primeiro, Onofre Marimon, que arriscou demais no mítico circuito de Nürburgring Nordschleife em 31 de Julho de 1954 arrebentando seu carro e partindo desta para outra dimensao. Até o último, Ayrton Senna da Silva, no GP de San Marino dia 01 de Maio de 1994.
Acidentes impressionantes como o de Robert Kubica no GP do Canadá de 2007 nao sao mais fatais em grande parte às mortes em Imola e a consequente intolerância e guerra das equipes, pilotos e chefes de equipe pela seguranca de seus pupilos.
03/04/2008
Düsseldorf (indo pra casa...)
http://www.blick.ch/sport/formel1/34-fahrer-bezahlten-ihre-leidenschaft-mit-dem-leben-80175
Tuesday, January 11, 2011
No Country for Old Men
Estou tando um tapa no Truta, já perceberam né. Esta postagem foi iniciada no dia 09/03/2008 e estava salva como rascunho e vou terminá-la agora.
09/03/2008
Düsseldorf (acabei de passar aspirador na casa)

Sinceramente, nao entendo o que acontece com a sociedade americana. Como um filme que incentiva a violência e endeusa um serial killer pode ganhar o Oscar?!
Javier Bardem realmente mereceu o prêmio, e só. A história do xerife covarde (Tommy Lee Jones) que nao enfrenta o assassino e do durao que sem querer entra na frente do assassino e faz o papel do xerife tem uma morte a cada 5min ou mais.
Belas paisagens do New Mexico e a marca registrada dos irmaos Cohen (qual?!) na maneira de filmar embelezam o filme, mas daí a merecer ganhar a estatueta foi exagero, na minha opiniao.
11/01/2010
Passados quase dois anos após assistir o filme, só posso me referir a atuacao brilhante de Javier Bardem na pele do assassino de olhar frio e sanguinário. O espanhol acaba de estrelar um novo filme "Biutiful" sob direcao de Alejandro Inarritú e comeca a colher prêmios aqui e acolá. Outro filme com Javier e direcao de Julian Schnabel se chama "Antes do Anoitecer" onde fora indicado ao Oscar.
Nao que isso queira dizer alguma coisa. Muito lixo, tanto filmes como atores e atrizes, já ganharam a estatueta dourada. Mas nestes casos justica foi feita.
Preciso rever "No Country for Old Men" para refrescar a memória. Meu vinho tá acabando. Boa noite.
09/03/2008
Düsseldorf (acabei de passar aspirador na casa)

Sinceramente, nao entendo o que acontece com a sociedade americana. Como um filme que incentiva a violência e endeusa um serial killer pode ganhar o Oscar?!
Javier Bardem realmente mereceu o prêmio, e só. A história do xerife covarde (Tommy Lee Jones) que nao enfrenta o assassino e do durao que sem querer entra na frente do assassino e faz o papel do xerife tem uma morte a cada 5min ou mais.
Belas paisagens do New Mexico e a marca registrada dos irmaos Cohen (qual?!) na maneira de filmar embelezam o filme, mas daí a merecer ganhar a estatueta foi exagero, na minha opiniao.
11/01/2010
Passados quase dois anos após assistir o filme, só posso me referir a atuacao brilhante de Javier Bardem na pele do assassino de olhar frio e sanguinário. O espanhol acaba de estrelar um novo filme "Biutiful" sob direcao de Alejandro Inarritú e comeca a colher prêmios aqui e acolá. Outro filme com Javier e direcao de Julian Schnabel se chama "Antes do Anoitecer" onde fora indicado ao Oscar.
Nao que isso queira dizer alguma coisa. Muito lixo, tanto filmes como atores e atrizes, já ganharam a estatueta dourada. Mas nestes casos justica foi feita.
Preciso rever "No Country for Old Men" para refrescar a memória. Meu vinho tá acabando. Boa noite.
Invista em Livros
Düsseldorf (amanha tem crônica nova)
Pra me recuperar das retiradas frequentes da estante de livros, fruto do tráfico internacional de estórias, crônicas, causos, poemas, fatos verídicos e Histórias que este Senhor me forca a fazer, tento compensar na mesma moeda.
Livro vai, livro vem. O Atlântico é só testemunha da quantidade de letrinhas que já passou sobre ele habitando minhas malas, maletas e mochilas. Voltando do Brasil recentemente, vieram comigo as preciosidades abaixo, com a respectiva origem entre parênteses:
1. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Sogyal Rimpoche (comprado por Ela e recomendado vivamente. Me deu uma certa sensacao de ter feito tudo certo com o Guidao);
2. Guerra & Paz - Leon Tólstoi (três volumes da edicao brasileira em capa dura raptado da estante do sograo com a recomendacao "O segundo melhor livro que já li. O primeiro foi Grande Sertao Veredas");
3. Pantaleao e as Visitadoras - Mário Vargas Llosa (depois de ler Conversa na Catedral e Travessuras da Menina Má ele virou um dos preferidos. Achei lá em casa mesmo);
4. Vastas Emocoes e Pensamentos Imperfeitos - Rubem Fonseca (desde que saiu na lista do vestibular de 92 e eu nao li, apenas um resumo, procuro esse livro. Achei no meio da frota doada pela Silvinha, filha de Helena Paixao e grande amiga de minha mae);
5. Antologia Poética - Fernando Pessoa (já vi a estátua dele em frente ao café A Brasileira em Lisboa, mas nunca li nada do rapaz. Dívida quase paga. Achei em casa também);
6. Livro de Sonetos - Vinícius de Morais (músicas já ouvi centenas, poemas li alguns, mas nunca um livro completo. Esse é curtinho e encontrado nas estantes mágicas do Murgas, meu irmao);
7. Cartas a Theo - Van Gogh (um dos meus preferidos agora tem lugar na estante também. Solenemente capturado da estante do sograo, don Jonas);
8. O Levante de 44 - Norman Davies (o gênio receptador da carga literária em frente ao painel de chegadas em Guarulhos me presenteou com esse tijolo de emocoes, tristeza, raiva, revolta, indignacao. Será sorvido ao lado de um Lagavulin em breve);
9. Honoráveis Bandidos, o Retrato do Brasil na era Sarney - Palmério Dória ("Se você tiver estômago pra ler, pode levar" disse o sograo com náuseas ao me entregar o volume);
10. Julie & Julia - Julie Powell (invencao de moda dEla que acha agora manteiga o melhor ingrediente da galáxia. Ainda prefiro azeite. Tem um filme de mesmo nome);
11. Germinal - Émille Zola (colecao capa dura da Abril Cultural, merece poltrona, bebida e ambiente a altura da magnitude da obra. Dona Jane sabia muito bem o que comprava);
12. The Complete Novels - George Orwell (esse é do humorista, mas me afeicoei tanto que nao sei se devolvo nos próximos três anos. Tenho que ler Animal Farm antes);
13. A Varanda do Frangipani - Mia Couto (nem sabia da existência deste, coisas dEla com certeza. Seria Frangipani uma Cordilheira no Nepal onde instalaram um singelo alpendre para se apreciar a vista?!);
14. Anticâncer - David Servan-Schreiber (assunto espinhoso, delicado, baseado numa história real com o médico-autor. Que com esse sobrenome nao poderia ser outra coisa. Todos deveriam ler para ficar alerta);
15. O Falcao Maltês - Dashiell Hammet (este é meu mesmo, comprei faz um tempao. Quero ler de novo e admirá-lo de quando em vez);
16. Os Axiomas de Zurique - Max Gunther (Ela já tinha me pedido, mas foi o Neuzo-Cleuso-Rato meu irmao que tinha em sua modesta, mas poderosa prateleira entre duas estátuas de lutadores de sumô servindo como descansa-livros. Aulas dos banqueiros suicos sobre como administrar sua fortuna);
17. Política: para nao ser idiota - Mário Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro (presente do don Jonas preocupado com minha orientacao política e as polêmicas via email. Leve e fácil de ler e entender);
18. Batismo de Fogo - Mário Vargas Llosa (tá crescendo a olhos vistos esse rapaz. Primeiro livro dele);
19. Eu sou o Mensageiro - Markus Zusak (mesmo autor de A Menina que Roubava Livros, livro que nao li por que Ela emprestou pra Alice que levou pra Kopenhagen. Achei no armário do Murgas);
20. Long Way Down - Ewan McGregor & Charley Boorman (jantando pela primeira vez na casa de Mária e André, este me presenteia com a história da viagem de moto que os dois malucos fizeram da Escócia até a África do Sul. Ewan é ator famoso de Hollywood e seu último filme foi Ghost Writer do Polanski);
21. Das Spiel des Engels - Carlos Ruiz Zafón (presente de grego do Thomas, chefe dEla, pra melhorar mais ainda o alemao perfeito, de nascenca pronunciado pela Pequena. Angela Merkel tem inveja de seu sotaque sulista);
22. About a Boy - Nick Hornby (versao em alemao do autor de High FIdelity foi "emprestado" pela Mária no mesmo jantar citado acima. Saimos no lucro nessa noite, comemos e bebemos de graca e ainda ganhamos dois livros, hahaha);
23. Lolita - Vladimir Nabokov (já vi o filme do Kubrick, mas livros sao sempre melhores. Esse é meu mesmo duma colecao da Folha com capas coloridas que comecei a comprar aos domingos, mas depois parei. Acho que foram só os três primeiros. Era caro).
Como já estou no segundo livro do ano, aceito sugestoes para a escolha do próximo. Votacao nos comentários e apuracao até sexta dia 15 às 19h horário de Berlin.
Pra me recuperar das retiradas frequentes da estante de livros, fruto do tráfico internacional de estórias, crônicas, causos, poemas, fatos verídicos e Histórias que este Senhor me forca a fazer, tento compensar na mesma moeda.
Livro vai, livro vem. O Atlântico é só testemunha da quantidade de letrinhas que já passou sobre ele habitando minhas malas, maletas e mochilas. Voltando do Brasil recentemente, vieram comigo as preciosidades abaixo, com a respectiva origem entre parênteses:
1. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Sogyal Rimpoche (comprado por Ela e recomendado vivamente. Me deu uma certa sensacao de ter feito tudo certo com o Guidao);
2. Guerra & Paz - Leon Tólstoi (três volumes da edicao brasileira em capa dura raptado da estante do sograo com a recomendacao "O segundo melhor livro que já li. O primeiro foi Grande Sertao Veredas");
3. Pantaleao e as Visitadoras - Mário Vargas Llosa (depois de ler Conversa na Catedral e Travessuras da Menina Má ele virou um dos preferidos. Achei lá em casa mesmo);
4. Vastas Emocoes e Pensamentos Imperfeitos - Rubem Fonseca (desde que saiu na lista do vestibular de 92 e eu nao li, apenas um resumo, procuro esse livro. Achei no meio da frota doada pela Silvinha, filha de Helena Paixao e grande amiga de minha mae);
5. Antologia Poética - Fernando Pessoa (já vi a estátua dele em frente ao café A Brasileira em Lisboa, mas nunca li nada do rapaz. Dívida quase paga. Achei em casa também);
6. Livro de Sonetos - Vinícius de Morais (músicas já ouvi centenas, poemas li alguns, mas nunca um livro completo. Esse é curtinho e encontrado nas estantes mágicas do Murgas, meu irmao);
7. Cartas a Theo - Van Gogh (um dos meus preferidos agora tem lugar na estante também. Solenemente capturado da estante do sograo, don Jonas);
8. O Levante de 44 - Norman Davies (o gênio receptador da carga literária em frente ao painel de chegadas em Guarulhos me presenteou com esse tijolo de emocoes, tristeza, raiva, revolta, indignacao. Será sorvido ao lado de um Lagavulin em breve);
9. Honoráveis Bandidos, o Retrato do Brasil na era Sarney - Palmério Dória ("Se você tiver estômago pra ler, pode levar" disse o sograo com náuseas ao me entregar o volume);
10. Julie & Julia - Julie Powell (invencao de moda dEla que acha agora manteiga o melhor ingrediente da galáxia. Ainda prefiro azeite. Tem um filme de mesmo nome);
11. Germinal - Émille Zola (colecao capa dura da Abril Cultural, merece poltrona, bebida e ambiente a altura da magnitude da obra. Dona Jane sabia muito bem o que comprava);
12. The Complete Novels - George Orwell (esse é do humorista, mas me afeicoei tanto que nao sei se devolvo nos próximos três anos. Tenho que ler Animal Farm antes);
13. A Varanda do Frangipani - Mia Couto (nem sabia da existência deste, coisas dEla com certeza. Seria Frangipani uma Cordilheira no Nepal onde instalaram um singelo alpendre para se apreciar a vista?!);
14. Anticâncer - David Servan-Schreiber (assunto espinhoso, delicado, baseado numa história real com o médico-autor. Que com esse sobrenome nao poderia ser outra coisa. Todos deveriam ler para ficar alerta);
15. O Falcao Maltês - Dashiell Hammet (este é meu mesmo, comprei faz um tempao. Quero ler de novo e admirá-lo de quando em vez);
16. Os Axiomas de Zurique - Max Gunther (Ela já tinha me pedido, mas foi o Neuzo-Cleuso-Rato meu irmao que tinha em sua modesta, mas poderosa prateleira entre duas estátuas de lutadores de sumô servindo como descansa-livros. Aulas dos banqueiros suicos sobre como administrar sua fortuna);
17. Política: para nao ser idiota - Mário Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro (presente do don Jonas preocupado com minha orientacao política e as polêmicas via email. Leve e fácil de ler e entender);
18. Batismo de Fogo - Mário Vargas Llosa (tá crescendo a olhos vistos esse rapaz. Primeiro livro dele);
19. Eu sou o Mensageiro - Markus Zusak (mesmo autor de A Menina que Roubava Livros, livro que nao li por que Ela emprestou pra Alice que levou pra Kopenhagen. Achei no armário do Murgas);
20. Long Way Down - Ewan McGregor & Charley Boorman (jantando pela primeira vez na casa de Mária e André, este me presenteia com a história da viagem de moto que os dois malucos fizeram da Escócia até a África do Sul. Ewan é ator famoso de Hollywood e seu último filme foi Ghost Writer do Polanski);
21. Das Spiel des Engels - Carlos Ruiz Zafón (presente de grego do Thomas, chefe dEla, pra melhorar mais ainda o alemao perfeito, de nascenca pronunciado pela Pequena. Angela Merkel tem inveja de seu sotaque sulista);
22. About a Boy - Nick Hornby (versao em alemao do autor de High FIdelity foi "emprestado" pela Mária no mesmo jantar citado acima. Saimos no lucro nessa noite, comemos e bebemos de graca e ainda ganhamos dois livros, hahaha);
23. Lolita - Vladimir Nabokov (já vi o filme do Kubrick, mas livros sao sempre melhores. Esse é meu mesmo duma colecao da Folha com capas coloridas que comecei a comprar aos domingos, mas depois parei. Acho que foram só os três primeiros. Era caro).
Como já estou no segundo livro do ano, aceito sugestoes para a escolha do próximo. Votacao nos comentários e apuracao até sexta dia 15 às 19h horário de Berlin.
Tuesday, January 04, 2011
Coisas e Pessoas
Essen (blogando do trabalho...)
A eletricidade barrada na saida da tomada finalmente foi liberada pelo botao do imac como se abrissem as comportas de Itaipu. Iniciou-se mais rapido e ja estava a postos para abrir uma noticia na internet. So que esta demoraria um pouco mais para aparecer. A torneira seca ja tinha quase desistido de jorrar quando foi surpreendida por um movimento brusco de uma mao suja, fria e cheia de dedos querendo seus prestimos. Cumpriu seus deveres e ficou pingando lentamente, como que chorando em protesto por tamanha violencia e falta de aviso.
"Por que nao vamos ao supermercado?!". O alivio foi geral e imediato. "Agora sim teremos tempo de nos preparar para melhor servi-los", disse a TV, mera observadora passiva daquela confusao toda. O sofa, ainda intacto e com as espumas e almofadas rigidas, soltou um suspiro preguicoso desejando que eles nao tivessem voltado. "La vem aquelas bundas, pernas e corpos me esmagar novamente, humpf! Pelo menos tem bom gosto nos filmes".
O buchicho foi geral. Reclamacoes, festejos, alegria, decepcao, angustia, alivio. A mistura de sentimentos foi tomando conta das coisas que se deram conta da monotonia daqueles quase dois meses. Ficaram parados, inativos, a mantegueira emagrecera e o liquidificador engordara de saudades da vitamina nossa de cada dia. Pensaram, discutiram e chegaram a um consenso. Ruim com eles, muito pior sem eles.
Nesse inicio de decada prometi a mim mesmo que me concentraria mais no trabalho. Nada de internet, UOL, Grande Premio, blog do Gomes, Makingoff, artigos mil, blog do Humorista, Gmail, etc. Foi uma das resolucoes mentais para 2011.
Nao adianta. A gente acha que na virada do ano um manto espiritual vai lavar a sua alma, remover todos os seus vicios e problemas e te transformar milagrosamente num ser perfeito. Essa eh uma luta diaria. Remover vicios, criar novos e saudaveis habitos. Um deles que acabo de criar eh escrever uma cronica por semana aqui no Truta. Esteja onde estiver, inclusive no trabalho com uma montanha de coisas pra fazer. Se um alemao me visse agora teria um infarto. Sao metodicos e concentrados. Chega a ser irritante. Entram no trabalho como automatos. Detesto isso. Bem, vamos a cronica que fala sobre a chegada em casa apos quase dois longos, intensos, tristes e alegres meses no Brazil, ou no Brasil?!
Coisas e Pessoas
A macaneta toma um susto e acorda do sono profundo com o giro rapido e firme. A fechadura ja gritara segundos antes apos a espetada da chave. O espelho que refletira a mesma imagem ha 45 modorrentos dias se alegra. Chega a brilhar intensamente. As poeiras e acaros no chao sao varridas pelas rodinhas das pesadas malas chegando sem pedir licenca. Fogem para os cantos tentando se esconder da temivel vassoura por vir. Raios de luz iluminam a sala e o quarto. As persianas rodam com dificuldade, espreguicando do abandono momentaneo.
A coifa olha com o rabo de olho para o fogao temendo atividades inesperadas. Este a acalma dizendo "Precisam comprar alimentos antes, fica tranquila. Ainda temos um tempinho". A maquina de lavar loucas, ressecada e com a pele descascando como o chao rachado de um rio nordestino, se alegra toda e quase abre a porta sozinha pedindo sujeira, agua e sabao. O forno tambem se anima com a possibilidade de se sentir quentinho e olhar pra neve do jardim ao mesmo tempo. A geladeira fica na mesma, pouca coisa vai mudar. Alias, muita. O cheiro do roquefort em decomposicao vai finalmente sumir, com a ajuda do copinho com graos de cafe pra tirar o cheiro ruim. Sera novamente abastecida, a temperatura regulada e voltara a abracar coisas gostosas. Sentiu saudades agudas das garrafas de Veltins com quem trocava ideias filosoficas sobre a temperatura ideal para saborea-la, a importancia do gas carbonico, tamanho do copo e inclinacao do mesmo ao servir.
A eletricidade barrada na saida da tomada finalmente foi liberada pelo botao do imac como se abrissem as comportas de Itaipu. Iniciou-se mais rapido e ja estava a postos para abrir uma noticia na internet. So que esta demoraria um pouco mais para aparecer. A torneira seca ja tinha quase desistido de jorrar quando foi surpreendida por um movimento brusco de uma mao suja, fria e cheia de dedos querendo seus prestimos. Cumpriu seus deveres e ficou pingando lentamente, como que chorando em protesto por tamanha violencia e falta de aviso.Aquecedores, a todo vapor! Vamos esquentar o ar frio e estatico com poeiras viciadas e velhas conhecidas umas das outras. Precisamos de sangue novo. Abrem-se as janelas, saem os acaros-viuva e entram moleculas e particulas novinhas em folha que se depositarao ou serao aspiradas por quatro narinas saudosas, tanto da casa quanto das familias que ficaram do outro lado do Atlantico. Fez-se a musica com Neil Young tocando seus acordes ao vivo. As caixas acusticas precisavam fazer Yoga pra recuperar a elasticidade. Ou pelo menos Pilates. A musica nao soava bem quanto antes.
"Por que nao vamos ao supermercado?!". O alivio foi geral e imediato. "Agora sim teremos tempo de nos preparar para melhor servi-los", disse a TV, mera observadora passiva daquela confusao toda. O sofa, ainda intacto e com as espumas e almofadas rigidas, soltou um suspiro preguicoso desejando que eles nao tivessem voltado. "La vem aquelas bundas, pernas e corpos me esmagar novamente, humpf! Pelo menos tem bom gosto nos filmes".
O buchicho foi geral. Reclamacoes, festejos, alegria, decepcao, angustia, alivio. A mistura de sentimentos foi tomando conta das coisas que se deram conta da monotonia daqueles quase dois meses. Ficaram parados, inativos, a mantegueira emagrecera e o liquidificador engordara de saudades da vitamina nossa de cada dia. Pensaram, discutiram e chegaram a um consenso. Ruim com eles, muito pior sem eles.
Friday, December 31, 2010
Abrindo e Fechando Portas
Düsseldorf (hoje um litro de scotch é pouco)
Gostaria de ter escrito esse texto, mas a Srta./Sra. Vera Moura foi mais rápida.
Recebi por email do Quinho, que deve estar trocando fraldas da Clarinha numa hora dessas. Valeu titi.
Gostaria de ter escrito esse texto, mas a Srta./Sra. Vera Moura foi mais rápida.
Recebi por email do Quinho, que deve estar trocando fraldas da Clarinha numa hora dessas. Valeu titi.
ABRINDO E FECHANDO PORTAS
É preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida.
Se insistirmos em permanecer nela, depois do tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido do resto.
Fechando os círculos, fechando portas ou fechando capítulos, como queira chamar, o importante é poder fechá-los, deixar ir momentos da vida que se vão enclausurando.
Terminou o trabalho?
Acabou a relação?
Deve viajar?
A amizade acabou?
Você pode passar muito tempo do presente dando voltas ao passado, tentando modificá-lo.
O desgaste será infinito, porque na vida, você, seus amigos, seus filhos, irmãos, todos estamos destinados a fechar capítulos, virar a página, terminar etapas ou momentos da vida e seguir adiante.
Não podemos estar no presente sentindo falta do passado.
O que aconteceu, aconteceu.
Não podemos ser filhos eternamente, nem adolescentes eternos, nem empregados de empresas inexistentes,
nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.
Os acontecimentos e as pessoas passam por nossas vidas e temos de deixá-los ir!
Por isso, ás vezes é tão importante esquecer-se de lembrar, trocar de casa, rasgar papéis, jogar fora presentes desbotados, dar ou vender livros usados.
Na vida ninguém joga com cartas marcadas, e a gente tem que aprender a perder e a ganhar.
O passado passou!
Não espere que o devolvam...
Também não espere reconhecimento ou que saibam quem você é.
A vida segue para frente, nunca pra trás.
Se você anda pela vida deixando " portas abertas",
nunca poderá desprender-se, sem viver o hoje com satisfação.
Casamentos, namoros ou amizades que não se fecham possibilidades de "regresso" (a quê?), necessidade de esclarecimentos, palavras que não foram ditas, silêncios...
Fazer a faxina emocional, e arrumar espaço nas gavetas do futuro para o novo.
Não por orgulho ou soberba, mas porque você já não se encaixa ali.
naquele lugar,
naquele coração,
naquela casa,
naquele escritório,
naquele cargo.
Você não é o mesmo que foi há dois dias, há três meses.
há um ano, portanto, nada tem que voltar.
Feche a porta,
vire a página,
feche o círculo!
Você nunca será o mesmo e nem o mundo à sua volta,
porque a vida não é estática!
Faz bem a saúde mental cultivar o amor por você mesmo, desprendendo-se do que já não está em sua vida.
Lembre-se de que nada, nem ninguém é indispensável...
É um trabalho pessoal aprender a viver com o que dói deixar-se ir e aprender a desprender-se.
E isso ajuda definitivamente a seguir para frente com tranqüilidade.
Essa é a vida que todos precisamos aprender a viver.
É essa atitude que desejo para mim e compartilho com você. Que em 2011 façamos o melhor a cada dia.
É preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida.
Se insistirmos em permanecer nela, depois do tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido do resto.
Fechando os círculos, fechando portas ou fechando capítulos, como queira chamar, o importante é poder fechá-los, deixar ir momentos da vida que se vão enclausurando.
Terminou o trabalho?
Acabou a relação?
Deve viajar?
A amizade acabou?
Você pode passar muito tempo do presente dando voltas ao passado, tentando modificá-lo.
O desgaste será infinito, porque na vida, você, seus amigos, seus filhos, irmãos, todos estamos destinados a fechar capítulos, virar a página, terminar etapas ou momentos da vida e seguir adiante.
Não podemos estar no presente sentindo falta do passado.
O que aconteceu, aconteceu.
Não podemos ser filhos eternamente, nem adolescentes eternos, nem empregados de empresas inexistentes,
nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.
Os acontecimentos e as pessoas passam por nossas vidas e temos de deixá-los ir!
Por isso, ás vezes é tão importante esquecer-se de lembrar, trocar de casa, rasgar papéis, jogar fora presentes desbotados, dar ou vender livros usados.
Na vida ninguém joga com cartas marcadas, e a gente tem que aprender a perder e a ganhar.
O passado passou!
Não espere que o devolvam...
Também não espere reconhecimento ou que saibam quem você é.
A vida segue para frente, nunca pra trás.
Se você anda pela vida deixando " portas abertas",
nunca poderá desprender-se, sem viver o hoje com satisfação.
Casamentos, namoros ou amizades que não se fecham possibilidades de "regresso" (a quê?), necessidade de esclarecimentos, palavras que não foram ditas, silêncios...
Fazer a faxina emocional, e arrumar espaço nas gavetas do futuro para o novo.
Não por orgulho ou soberba, mas porque você já não se encaixa ali.
naquele lugar,
naquele coração,
naquela casa,
naquele escritório,
naquele cargo.
Você não é o mesmo que foi há dois dias, há três meses.
há um ano, portanto, nada tem que voltar.
Feche a porta,
vire a página,
feche o círculo!
Você nunca será o mesmo e nem o mundo à sua volta,
porque a vida não é estática!
Faz bem a saúde mental cultivar o amor por você mesmo, desprendendo-se do que já não está em sua vida.
Lembre-se de que nada, nem ninguém é indispensável...
É um trabalho pessoal aprender a viver com o que dói deixar-se ir e aprender a desprender-se.
E isso ajuda definitivamente a seguir para frente com tranqüilidade.
Essa é a vida que todos precisamos aprender a viver.
É essa atitude que desejo para mim e compartilho com você. Que em 2011 façamos o melhor a cada dia.
Embromation Jackson
Düsseldorf (longo e tenebroso inverno...)
Como disse meu amigo Ramirin "Adios dos mil e jazz, feliz dos mil e bronze!"
Retomando as atividades trutísticas e voltando pra Alemanha na última segunda após quase dois meses de Brasil, vamos de Michael, ou seria Miguel?!
Como disse meu amigo Ramirin "Adios dos mil e jazz, feliz dos mil e bronze!"
Retomando as atividades trutísticas e voltando pra Alemanha na última segunda após quase dois meses de Brasil, vamos de Michael, ou seria Miguel?!
Wednesday, November 17, 2010
Guidão 69
Beagá (você está sempre sorrindo pra mim)
Guimarães Rosa dizia que as pessoas não morrem, ficam encantadas.
Você Guidão, criador de uma Vida encantadora não poderia fugir dessa frase.
Esteve presente desde os primeiros instantes da minha Vida. Ajudou Janemamãe, minha vó Zuzu e o vovô xará Pedro a me criarem. Me deu os primeiros banhos, me ensinou a dar os primeiros passos. Me lembro nitidamente de quando aprendi a andar de bicicleta ali na Santa Rita Durão. Aquela magrela verde que você segurava no banco e de repente me soltou e segui sozinho.
Na Pampulha a bagunça descendo a rampa de velotrol com meus irmãos, as árvores que subi pra te olhar lá de cima e ver seu olhar orgulhoso. Quantas viagens fizemos juntos ou que você me proporcionou fazer. Aquela a Porto Seguro quando vi o mar pela primeira vez lá do alto num fim de tarde na praia ainda selvagem. Uma cena inesquecível. Depois ao Rio onde fui ao Corcovado pela primeira vez. E as tantas viagens a Joaíma pra visitar Tia Vânia e os primos e amigos. Você criou uma cama na tampa sobre o porta-malas do carro pra nos dar mais conforto, lembra?! Tampa essa que virou tendência obrigatória nos carros de hoje.
Guidão, você foi me ensinando ao longo da Vida conceitos importantes como respeito, admiração, Amor, liberdade, humildade, simplicidade, honestidade, sinceridade, solidariedade entre tantas outras "dades". É difícil medir tudo isso. Só saberei o valor de todos estes ensinamentos ao longo da minha Vida inteira. Em cada situação boa ou ruim que enfrentar você estará ao meu lado me mostrando exatamente o que fazer, como agir.
Você que quase virou padre frequentando o seminário no Rio de Janeiro na rua Almirante Alexandrino entre os 9 e 15 anos, mas graças a Deus desistiu da idéia. Entrou no Maracanã num desses encontros da Igreja Católica levando uma imagem santa. Você tinha apenas 9 aninhos. E depois voltou pra BH se matriculando no Estadual Central aproveitando da liberdade imensa e inédita que o colégio te dava. Caiu na gandaia, seu desempenho escolar foi lá embaixo, mas você percebeu que o caminho certo não era esse. Foi de um extremo ao outro, balançou como um pêndulo até se equilibrar no meio. Talvez isso explique um pouco por que meu comportamento varia entre extremos, do silêncio ao exagero, de 8 a 8000. Você também era um exagerado incorrigível.
Equilíbrio talvez seja a palavra que melhor defina sua personalidade. Equilíbrio pra criar CINCO filhos tão bem criados. Equilíbrio para começar, manter e cultivar um relacionamento com uma pessoa de personalidade tão diferente da sua como Janemamãe. Equilíbrio por estar sempre presente em casa, mesmo sendo um Engenheiro que normalmente viaja muito. Dia desses no hospital, Guidão, você me contava das propostas de trabalho que recebeu para sair de BH, mas recusou todas por que seria bom só pra você e não pra família inteira.
A maior obra que um Homem pode criar é sua família, seus descendentes. É a continuação da sua própria Vida, seus valores, suas crenças e fisicamente a extensão do seu corpo. Somos uma família unida e feliz. Estável, equilibrada, sensata e sábia. Como você, Guidão!
Sta. Rita Durão 1 e 2, Pampulha, Nunes Vieira, Pampulha de novo e rua da Bahia. E passando por Lagoa Santa, sempre. Estes foram nossos lares ao longo dos 36 anos e 10 meses em que tive o privilégio de conviver com você. Ser filho de um mestre é uma dádiva!
Decidi ser Engenheiro Mecânico pra continuar seus passos. Fiz o Doutorado que você tanto me incentivou por que sonhava em morar na Europa. Hoje, por coincidência ou não, vivo na Alemanha trabalhando para e com alemães. Falo o idioma que via e ouvia você falar pensando ser algo impossível de aprender. Te achava e continuo achando um cara genial. Sigo seus passos entre Dusseldorf e Essen a cada manhã quando vou trabalhar. Você, Guidão, que trabalhou para e com os alemães na maior parte da sua carreira. Culturas e idiomas diferentes, maneiras de pensar ou atacar um problema completamente opostas, mas a sabedoria e a diplomacia em lidar com as situações é que fizeram e continuam fazendo a diferença.
Tive o privilégio este ano de estar aqui com você em quatro oportunidades. Nos vimos em Abril durante três semanas. Você me repreendendo, mas ao mesmo tempo rindo por dentro, quando me via chegar do Mercado Central num sábado a tarde chumbado, como você dizia. Depois em Agosto passamos seu aniversário e do Lucas e o dia dos Pais juntos. Vim rapidamente em Setembro, só por uma noite e uma manhã, mas o suficiente pra matar a saudade. Guidão, quando eu ia viajar cedinho você acordava às 4 e meia da manhã só pra fazer café pra mim me acompanhando ali, naqueles momentos silenciosos no escuro da madrugada de uma manhã que ainda demoraria a nascer.
E quando cheguei no dia 30 de Outubro te vi diferente, magro como nunca, meio abalado. Fiquei preocupado, mas achei que você sairia dessa de novo, como sempre saiu. Já dava sinais de que a doença traiçoeira tinha te pegado de vez, mas recusei-me a acreditar. Fui ao Rio dia 04 de Novembro quando você foi internado. Na praia do Leme conversava com Daniel, o Rato, mais um de seus filhos queridos. Eu dizia que você não merecia mais sofrer, que tinha um orgulho imenso de ser seu filho e que sabia do orgulho que você sentia e sente por mim. Já estávamos antevendo o que aconteceria.
Dos dez dias no hospital, dormimos seis noites juntos. Depois de tanto cuidar de mim, o mínimo que eu poderia fazer era retribuir a altura. Vimos TV, jogos do Galo, conversamos, te dei água e outras bebidas, mingau, iogurte e vi você recebendo uma incontável quantidade de remédios: Plasil, Dramin, Nauseadron, Dipirona, Dimorf, nomes que ficarão na minha cabeça ainda um bom tempo. Te dei banho uma manhã. Foi um dos melhores momentos desses 10 dias. Temperei a água quentinha como você gostava, lavei sua cabeça e seu corpo já cansado e diferente. Esfreguei cada canto da sua pele, como você tantas vezes fez em mim. Depois fiz sua barba, com sabão mesmo. Você ficou lindo, Guidão!
Fiz também massagens nas suas costas com a pomada milagrosa do Vovô Pedro e também nos seus pés. Fiquei pensando na infinidade de lugares por onde você andou e pisou, em cada passo que deu pra chegar aonde chegou. Olhei para suas mãos, fortes, lúcidas, hábeis, inteligentes. Nos cálculos que fez como engenheiro, nas palavras que escreveu ou digitou, nos gestos, nas infinitas vezes em que lavou a louça da cozinha, nos consertos das casas, principalmente em Lagoa, nos quilos e malas que carregou, e até nas palmadas que me deu merecidamente.
Na quarta você me deu um susto com aquela dor lancinante na coluna que insistia em ficar. Nem as massagens com a pomada Vovô Pedro adiantaram, mas conseguimos superá-la. Você começou a tremer em seguida morrendo de frio. Estabilizou-se após ser medicado, mas foi assustador.
Na quinta passamos a noite mais tranquila de todas. Você dormiu feito um justo de 20h as 6h do dia seguinte e nem acordava pra receber os remédios na veia. Lembra dos conselhos sobre amizade e liberdade que você deu ao Marcão e a mim?! Jamais esqueceremos.
Na última sexta de sua Vida, o último dia útil da sua carreira, você comentou uma proposta técnica do trabalho orientando o pessoal, como sempre fez. Realmente, Guidão, você cumpriu o prometido: trabalhar até o último dia que conseguisse!
No sábado à noite escutamos juntos o jogo do Galo contra o Flamengo, nosso arqui-rival. Pedi aos deuses do futebol uma última vitória pra você. A cada gol você me perguntava quem tinha feito e vibrava em seguida. Obina, Renan Oliveira, Tardelli e Renan de novo. Goleamos o urubu por 4x1 e as marias perderam roubado no mesmo dia para o Corinthians. Na hora do penalty no Gordo, que me pareceu inexistente, você disse "melhor ainda!" com um sorriso no rosto. Missão cumprida Guidão, mais uma.
Janemamãe me pediu pra ficar naquela noite novamente com você ajudando o Rato. E quando ele chegou pra dormir trazendo um colchonete você perguntou ironicamente se faríamos ali um acampamento. O Rato chegou com a camisa do Galo e te mostrou os gols na internet. Você vibrou mais uma vez. Acho que se sentiu confortável ao ver dois de seus filhos ali com você.
As cenas seguintes durante a noite foram como num teatro. Tudo parecia estar muito bem ensaiado. A cada desconforto que você sentia Guidão, levantávamos prontamente pra te ajudar a sair da cama e se sentar na cadeira. Quinze minutos depois você queria voltar da cadeira pra cama e lá estávamos pra te auxiliar. A verdade Guidão, é que você não tinha mais lugar, não encontrava mais uma posição neste Mundo. Sua respiração ofegante, auxiliada pelo oxigênio, já mostrava que sua alma precisava respirar outros ares. Às duas da manhã você perguntou que horas eram. Respondi e você falou que tava muito cedo. Depois entendi que era cedo demais pra partir. Daria muito trabalho pra todos se fosse naquela hora. Me disse que tinha que ir ao Detran retificar uns documentos. Respondi que era domingo e no dia seguinte feriado. Só assim pra você parar de se preocupar.
Seu intestino já havia parado alguns dias atrás. Depois foi o rim dois dias antes. Quando sua glicemia baixou às 3h da matina e você ganhou uma dose cavalar de glicose comecei a pensar no fígado que estava se desligando. O Dr. Alexandre, na verdade um anjo que veio te buscar, explicava o quadro clínico com clareza e sinceridade, mas sempre escolhendo as palavras certas com uma sensibilidade impressionante. Parecia parte da família. Desconheço o quanto ele sabe de medicina e oncologia, mas de relações humanas, carinho e psicologia é um mestre. Menino novo que vai longe, tenho certeza absoluta.
Às 5h da manhã, finalmente, você encontrou uma posição e dormiu um pouco. Acordou e pediu pra se sentar na cadeira. Quis ir ao banheiro pela última vez e foi caminhando amparado pelo Rato. Se sentou, disse que queria trocar a fralda e o short do pijama. Levantou-se e voltou caminhando pra cama. Subiu com dificuldades, deitou-se ajeitando o calção do pijama e encontrou uma posição confortável rapidamente. Te perguntei se tava tudo bem, se sentia alguma dor. Você disse que não, não sentia nada. Então peguei um copinho da água espiritual que tia Lucy trouxe na sexta e te dei. Falei que te faria bem se bebesse. Foi a última coisa que você bebeu Guidão.
Depois disso seus olhos miraram pra cima. Ficaram arregalados, olhando alguma coisa no alto. Talvez minha avó Ermíla já te esperando. Talvez nos novos ares que você queria respirar. Ficou nessa espécie de transe por uns 15 minutos. Aos poucos sua luz foi diminuindo, a bateria acabando. Não reagia mais às nossas perguntas. Dr. Alexandre chegou e ainda tentou uma nova dose de glicose, mas foi em vão. Vi seu último suspiro e percebi que sua barriga já não subia nem descia mais. O médico conferiu os sinais vitais. Olhei para o relógio: 6 e 50 do dia 14 de Novembro de 2010, domingo. O dia seguinte era um feriado. Até com isso você se preocupou.
Guidão, te agradeço eternamente por ter dado ao Rato e a mim a honra de estar com você nos momentos finais.
No velório e enterro confirmei o que já sabia: que você era uma espécie de unanimidade, mas que dessa vez não tinha nada de burra, pelo contrário. Achava que você não tinha amigos, mas vários da turma da Barroca de 40 anos atrás apareceram pra te cumprimentar. Sabia do seu apelido de Professor, criado após seu retorno triunfante do seminário quando começou a ensinar Matemática, Latim e Português pra turma. Me disseram também que era chamado de Gambá por que comia tudo e muito. Como a tigela de arroz doce que vovó fez num sábado a noite como sobremesa para o almoço de domingo e você, chegando mais cedo em casa, comeu metade.
Pessoas de todas as partes de todos os lados da família, dos vários lugares onde você trabalhou, mas também onde Janemamãe, Helena, eu, Lucas, Marcos e Daniel trabalhamos. Amigos de todos nós. Vizinhos da rua da Bahia, do Amendoeiras, coroas de flores dos amigos ausentes que não puderam vir. Guidão, por um momento pensei que você fosse um político famoso ou artista de cinema. Até o veterinário do Led, nosso cachorro de Lagoa Santa, apareceu. E o Agnaldo, caseiro da casa?! Era como outro filho dizendo que ninguém nessa Vida o havia ajudado tanto quanto você!
A frase que mais me marcou foi a do Bernardinho que chegou me abraçando e dizendo "Pedrinho, parabéns pelo Pai que você teve!"
Me senti muito mais aliviado do que triste durante a cerimônia. Olhava para o alto e te via sorrindo pra mim, como se estivesse dizendo: "Pedrão, você fez tudo certo.". Estive leve e sereno o tempo todo por que sabia das dores que sumiram, do alívio que você sentia, da Paz em que seu coração se encontrava.
A salva de palmas na saída para o cemitério e depois quando a lápide foi fechando foram mais do que justas, merecidas, maravilhosas. E começou a cair uma garoa fina exatamente no instante seguinte à colocação da pedra. Agora você realizou seu desejo de ficar para sempre ao lado do Vovô Pedro.
Guidão, sempre te disse isso e não tenho a menor dúvida de que você é o MELHOR PAI DO MUNDO!
Guimarães Rosa dizia que as pessoas não morrem, ficam encantadas.
Você Guidão, criador de uma Vida encantadora não poderia fugir dessa frase.
Esteve presente desde os primeiros instantes da minha Vida. Ajudou Janemamãe, minha vó Zuzu e o vovô xará Pedro a me criarem. Me deu os primeiros banhos, me ensinou a dar os primeiros passos. Me lembro nitidamente de quando aprendi a andar de bicicleta ali na Santa Rita Durão. Aquela magrela verde que você segurava no banco e de repente me soltou e segui sozinho.
Na Pampulha a bagunça descendo a rampa de velotrol com meus irmãos, as árvores que subi pra te olhar lá de cima e ver seu olhar orgulhoso. Quantas viagens fizemos juntos ou que você me proporcionou fazer. Aquela a Porto Seguro quando vi o mar pela primeira vez lá do alto num fim de tarde na praia ainda selvagem. Uma cena inesquecível. Depois ao Rio onde fui ao Corcovado pela primeira vez. E as tantas viagens a Joaíma pra visitar Tia Vânia e os primos e amigos. Você criou uma cama na tampa sobre o porta-malas do carro pra nos dar mais conforto, lembra?! Tampa essa que virou tendência obrigatória nos carros de hoje.
Guidão, você foi me ensinando ao longo da Vida conceitos importantes como respeito, admiração, Amor, liberdade, humildade, simplicidade, honestidade, sinceridade, solidariedade entre tantas outras "dades". É difícil medir tudo isso. Só saberei o valor de todos estes ensinamentos ao longo da minha Vida inteira. Em cada situação boa ou ruim que enfrentar você estará ao meu lado me mostrando exatamente o que fazer, como agir.
Você que quase virou padre frequentando o seminário no Rio de Janeiro na rua Almirante Alexandrino entre os 9 e 15 anos, mas graças a Deus desistiu da idéia. Entrou no Maracanã num desses encontros da Igreja Católica levando uma imagem santa. Você tinha apenas 9 aninhos. E depois voltou pra BH se matriculando no Estadual Central aproveitando da liberdade imensa e inédita que o colégio te dava. Caiu na gandaia, seu desempenho escolar foi lá embaixo, mas você percebeu que o caminho certo não era esse. Foi de um extremo ao outro, balançou como um pêndulo até se equilibrar no meio. Talvez isso explique um pouco por que meu comportamento varia entre extremos, do silêncio ao exagero, de 8 a 8000. Você também era um exagerado incorrigível.
Equilíbrio talvez seja a palavra que melhor defina sua personalidade. Equilíbrio pra criar CINCO filhos tão bem criados. Equilíbrio para começar, manter e cultivar um relacionamento com uma pessoa de personalidade tão diferente da sua como Janemamãe. Equilíbrio por estar sempre presente em casa, mesmo sendo um Engenheiro que normalmente viaja muito. Dia desses no hospital, Guidão, você me contava das propostas de trabalho que recebeu para sair de BH, mas recusou todas por que seria bom só pra você e não pra família inteira.
A maior obra que um Homem pode criar é sua família, seus descendentes. É a continuação da sua própria Vida, seus valores, suas crenças e fisicamente a extensão do seu corpo. Somos uma família unida e feliz. Estável, equilibrada, sensata e sábia. Como você, Guidão!
Sta. Rita Durão 1 e 2, Pampulha, Nunes Vieira, Pampulha de novo e rua da Bahia. E passando por Lagoa Santa, sempre. Estes foram nossos lares ao longo dos 36 anos e 10 meses em que tive o privilégio de conviver com você. Ser filho de um mestre é uma dádiva!
Decidi ser Engenheiro Mecânico pra continuar seus passos. Fiz o Doutorado que você tanto me incentivou por que sonhava em morar na Europa. Hoje, por coincidência ou não, vivo na Alemanha trabalhando para e com alemães. Falo o idioma que via e ouvia você falar pensando ser algo impossível de aprender. Te achava e continuo achando um cara genial. Sigo seus passos entre Dusseldorf e Essen a cada manhã quando vou trabalhar. Você, Guidão, que trabalhou para e com os alemães na maior parte da sua carreira. Culturas e idiomas diferentes, maneiras de pensar ou atacar um problema completamente opostas, mas a sabedoria e a diplomacia em lidar com as situações é que fizeram e continuam fazendo a diferença.
Tive o privilégio este ano de estar aqui com você em quatro oportunidades. Nos vimos em Abril durante três semanas. Você me repreendendo, mas ao mesmo tempo rindo por dentro, quando me via chegar do Mercado Central num sábado a tarde chumbado, como você dizia. Depois em Agosto passamos seu aniversário e do Lucas e o dia dos Pais juntos. Vim rapidamente em Setembro, só por uma noite e uma manhã, mas o suficiente pra matar a saudade. Guidão, quando eu ia viajar cedinho você acordava às 4 e meia da manhã só pra fazer café pra mim me acompanhando ali, naqueles momentos silenciosos no escuro da madrugada de uma manhã que ainda demoraria a nascer.
E quando cheguei no dia 30 de Outubro te vi diferente, magro como nunca, meio abalado. Fiquei preocupado, mas achei que você sairia dessa de novo, como sempre saiu. Já dava sinais de que a doença traiçoeira tinha te pegado de vez, mas recusei-me a acreditar. Fui ao Rio dia 04 de Novembro quando você foi internado. Na praia do Leme conversava com Daniel, o Rato, mais um de seus filhos queridos. Eu dizia que você não merecia mais sofrer, que tinha um orgulho imenso de ser seu filho e que sabia do orgulho que você sentia e sente por mim. Já estávamos antevendo o que aconteceria.
Dos dez dias no hospital, dormimos seis noites juntos. Depois de tanto cuidar de mim, o mínimo que eu poderia fazer era retribuir a altura. Vimos TV, jogos do Galo, conversamos, te dei água e outras bebidas, mingau, iogurte e vi você recebendo uma incontável quantidade de remédios: Plasil, Dramin, Nauseadron, Dipirona, Dimorf, nomes que ficarão na minha cabeça ainda um bom tempo. Te dei banho uma manhã. Foi um dos melhores momentos desses 10 dias. Temperei a água quentinha como você gostava, lavei sua cabeça e seu corpo já cansado e diferente. Esfreguei cada canto da sua pele, como você tantas vezes fez em mim. Depois fiz sua barba, com sabão mesmo. Você ficou lindo, Guidão!
Fiz também massagens nas suas costas com a pomada milagrosa do Vovô Pedro e também nos seus pés. Fiquei pensando na infinidade de lugares por onde você andou e pisou, em cada passo que deu pra chegar aonde chegou. Olhei para suas mãos, fortes, lúcidas, hábeis, inteligentes. Nos cálculos que fez como engenheiro, nas palavras que escreveu ou digitou, nos gestos, nas infinitas vezes em que lavou a louça da cozinha, nos consertos das casas, principalmente em Lagoa, nos quilos e malas que carregou, e até nas palmadas que me deu merecidamente.
Na quarta você me deu um susto com aquela dor lancinante na coluna que insistia em ficar. Nem as massagens com a pomada Vovô Pedro adiantaram, mas conseguimos superá-la. Você começou a tremer em seguida morrendo de frio. Estabilizou-se após ser medicado, mas foi assustador.
Na quinta passamos a noite mais tranquila de todas. Você dormiu feito um justo de 20h as 6h do dia seguinte e nem acordava pra receber os remédios na veia. Lembra dos conselhos sobre amizade e liberdade que você deu ao Marcão e a mim?! Jamais esqueceremos.
Na última sexta de sua Vida, o último dia útil da sua carreira, você comentou uma proposta técnica do trabalho orientando o pessoal, como sempre fez. Realmente, Guidão, você cumpriu o prometido: trabalhar até o último dia que conseguisse!
No sábado à noite escutamos juntos o jogo do Galo contra o Flamengo, nosso arqui-rival. Pedi aos deuses do futebol uma última vitória pra você. A cada gol você me perguntava quem tinha feito e vibrava em seguida. Obina, Renan Oliveira, Tardelli e Renan de novo. Goleamos o urubu por 4x1 e as marias perderam roubado no mesmo dia para o Corinthians. Na hora do penalty no Gordo, que me pareceu inexistente, você disse "melhor ainda!" com um sorriso no rosto. Missão cumprida Guidão, mais uma.
Janemamãe me pediu pra ficar naquela noite novamente com você ajudando o Rato. E quando ele chegou pra dormir trazendo um colchonete você perguntou ironicamente se faríamos ali um acampamento. O Rato chegou com a camisa do Galo e te mostrou os gols na internet. Você vibrou mais uma vez. Acho que se sentiu confortável ao ver dois de seus filhos ali com você.
As cenas seguintes durante a noite foram como num teatro. Tudo parecia estar muito bem ensaiado. A cada desconforto que você sentia Guidão, levantávamos prontamente pra te ajudar a sair da cama e se sentar na cadeira. Quinze minutos depois você queria voltar da cadeira pra cama e lá estávamos pra te auxiliar. A verdade Guidão, é que você não tinha mais lugar, não encontrava mais uma posição neste Mundo. Sua respiração ofegante, auxiliada pelo oxigênio, já mostrava que sua alma precisava respirar outros ares. Às duas da manhã você perguntou que horas eram. Respondi e você falou que tava muito cedo. Depois entendi que era cedo demais pra partir. Daria muito trabalho pra todos se fosse naquela hora. Me disse que tinha que ir ao Detran retificar uns documentos. Respondi que era domingo e no dia seguinte feriado. Só assim pra você parar de se preocupar.
Seu intestino já havia parado alguns dias atrás. Depois foi o rim dois dias antes. Quando sua glicemia baixou às 3h da matina e você ganhou uma dose cavalar de glicose comecei a pensar no fígado que estava se desligando. O Dr. Alexandre, na verdade um anjo que veio te buscar, explicava o quadro clínico com clareza e sinceridade, mas sempre escolhendo as palavras certas com uma sensibilidade impressionante. Parecia parte da família. Desconheço o quanto ele sabe de medicina e oncologia, mas de relações humanas, carinho e psicologia é um mestre. Menino novo que vai longe, tenho certeza absoluta.
Às 5h da manhã, finalmente, você encontrou uma posição e dormiu um pouco. Acordou e pediu pra se sentar na cadeira. Quis ir ao banheiro pela última vez e foi caminhando amparado pelo Rato. Se sentou, disse que queria trocar a fralda e o short do pijama. Levantou-se e voltou caminhando pra cama. Subiu com dificuldades, deitou-se ajeitando o calção do pijama e encontrou uma posição confortável rapidamente. Te perguntei se tava tudo bem, se sentia alguma dor. Você disse que não, não sentia nada. Então peguei um copinho da água espiritual que tia Lucy trouxe na sexta e te dei. Falei que te faria bem se bebesse. Foi a última coisa que você bebeu Guidão.
Depois disso seus olhos miraram pra cima. Ficaram arregalados, olhando alguma coisa no alto. Talvez minha avó Ermíla já te esperando. Talvez nos novos ares que você queria respirar. Ficou nessa espécie de transe por uns 15 minutos. Aos poucos sua luz foi diminuindo, a bateria acabando. Não reagia mais às nossas perguntas. Dr. Alexandre chegou e ainda tentou uma nova dose de glicose, mas foi em vão. Vi seu último suspiro e percebi que sua barriga já não subia nem descia mais. O médico conferiu os sinais vitais. Olhei para o relógio: 6 e 50 do dia 14 de Novembro de 2010, domingo. O dia seguinte era um feriado. Até com isso você se preocupou.
Guidão, te agradeço eternamente por ter dado ao Rato e a mim a honra de estar com você nos momentos finais.
No velório e enterro confirmei o que já sabia: que você era uma espécie de unanimidade, mas que dessa vez não tinha nada de burra, pelo contrário. Achava que você não tinha amigos, mas vários da turma da Barroca de 40 anos atrás apareceram pra te cumprimentar. Sabia do seu apelido de Professor, criado após seu retorno triunfante do seminário quando começou a ensinar Matemática, Latim e Português pra turma. Me disseram também que era chamado de Gambá por que comia tudo e muito. Como a tigela de arroz doce que vovó fez num sábado a noite como sobremesa para o almoço de domingo e você, chegando mais cedo em casa, comeu metade.
Pessoas de todas as partes de todos os lados da família, dos vários lugares onde você trabalhou, mas também onde Janemamãe, Helena, eu, Lucas, Marcos e Daniel trabalhamos. Amigos de todos nós. Vizinhos da rua da Bahia, do Amendoeiras, coroas de flores dos amigos ausentes que não puderam vir. Guidão, por um momento pensei que você fosse um político famoso ou artista de cinema. Até o veterinário do Led, nosso cachorro de Lagoa Santa, apareceu. E o Agnaldo, caseiro da casa?! Era como outro filho dizendo que ninguém nessa Vida o havia ajudado tanto quanto você!
A frase que mais me marcou foi a do Bernardinho que chegou me abraçando e dizendo "Pedrinho, parabéns pelo Pai que você teve!"
Me senti muito mais aliviado do que triste durante a cerimônia. Olhava para o alto e te via sorrindo pra mim, como se estivesse dizendo: "Pedrão, você fez tudo certo.". Estive leve e sereno o tempo todo por que sabia das dores que sumiram, do alívio que você sentia, da Paz em que seu coração se encontrava.
A salva de palmas na saída para o cemitério e depois quando a lápide foi fechando foram mais do que justas, merecidas, maravilhosas. E começou a cair uma garoa fina exatamente no instante seguinte à colocação da pedra. Agora você realizou seu desejo de ficar para sempre ao lado do Vovô Pedro.
Guidão, sempre te disse isso e não tenho a menor dúvida de que você é o MELHOR PAI DO MUNDO!
Friday, November 12, 2010
Senna, o Filme
Beaga (Guidao dorme tranquilo e sereno, gracas a Deus!)
Ja havia falado sobre o documentario sobre Ayrton Senna aqui. Acontece que o filme estreia amanha numa pancada de salas escuras e o trailer oficial foi divulgado. Andei lendo por ai que varias cenas ineditas e uma edicao agil fazendo com que o documentario pareca um filme de acao conferem ao filme qualidades suficientes para valerem o ingresso.
O Senna heroi imortal lutando contra o resto do Mundo esta la o tempo todo. O super piloto, obstinado pela perfeicao e pela vitoria eh mostrado de maneira unica e inteligente. O filme eh triste ja que o mocinho morre no final, mas nao faltam elementos para construcao do mito: a ascensao meteorica em Monaco 84, o arqui-rival Prost, o inimigo publico nr. 1 Ballestre e o fim tragico.
Ayrton aparenta nao ter erros no documentario. Foi assim que a Globo e Galvao Bueno construiram sua imagem se aproveitando da situacao politica e economica do Brasil no fim dos anos 80 e inicio dos 90. Entretanto, quem gosta de carros de corridas nao vai perder o filme por nada desse Mundo. E sera bom matar a saudade desses tempos eletrizantes.
Surfando na onda do filme a escuderia malaia Lotus, dona dos direitos de uso da marca Lotus de Colin Chapman, anunciou que usara as tradicionais cores preto e dourada na temporada de 2011. E com Senna sobrinho extraoficialmente confirmado na equipe os fans de Ayrton, inclusive este que vos tecla, tem tudo pra voltar no tempo ano que vem.
Ja havia falado sobre o documentario sobre Ayrton Senna aqui. Acontece que o filme estreia amanha numa pancada de salas escuras e o trailer oficial foi divulgado. Andei lendo por ai que varias cenas ineditas e uma edicao agil fazendo com que o documentario pareca um filme de acao conferem ao filme qualidades suficientes para valerem o ingresso.
O Senna heroi imortal lutando contra o resto do Mundo esta la o tempo todo. O super piloto, obstinado pela perfeicao e pela vitoria eh mostrado de maneira unica e inteligente. O filme eh triste ja que o mocinho morre no final, mas nao faltam elementos para construcao do mito: a ascensao meteorica em Monaco 84, o arqui-rival Prost, o inimigo publico nr. 1 Ballestre e o fim tragico.
Ayrton aparenta nao ter erros no documentario. Foi assim que a Globo e Galvao Bueno construiram sua imagem se aproveitando da situacao politica e economica do Brasil no fim dos anos 80 e inicio dos 90. Entretanto, quem gosta de carros de corridas nao vai perder o filme por nada desse Mundo. E sera bom matar a saudade desses tempos eletrizantes.
Surfando na onda do filme a escuderia malaia Lotus, dona dos direitos de uso da marca Lotus de Colin Chapman, anunciou que usara as tradicionais cores preto e dourada na temporada de 2011. E com Senna sobrinho extraoficialmente confirmado na equipe os fans de Ayrton, inclusive este que vos tecla, tem tudo pra voltar no tempo ano que vem.
Tuesday, November 09, 2010
Doideras
Beaga (pra que dimorf?!)
As vezes me passa pela cabeca algumas ideias malucas. Anoto quase tudo no Black Berry, chamado tambem de Crack Berry por razoes obvias. Nao interessa muito se estou no trem, lendo um livro, indo dormir, na fila do almoco, indo para o banheiro, na frente do PC ou ate mesmo numa reuniao enfadonha. Saco a arma e anoto no bloco de notas. O resultado sao listas de assuntos os mais loucos possiveis como:
Melita werbung (propaganda em alemao)
Handwerk
Cinemas antigos (fotos + historia)
Soul cast UK
Medelski, martin & ...
Jamie cullum
Ailton viana, pai rodrigo jogo vasco 70
http://www.parisjazzclub.net/
Vic Muniz - expo em BH
E por ai vai. Sao musicas que escuto no radio, shows de artistas que tenho vontade de ir, propagandas interessantes na TV alema, sites que li ou vi em algum lugar, etc. Todos ficam ali no bloco de notas a espera de um dia terem o privilegio de se transformarem em postagem.
Pois bem, olha essa perola escrita logo no comecinho dessa mania que agora nao para mais:
"Quando Ela e eu ganharmos CINCO milhoes viveriamos DOIS meses em cada cidade do Mundo fazendo trabalhos voluntarios, ajudando as pessoas, escrevendo sobre o cotidiano e a Vida como ela eh. Fotos e videos variados tambem. Lutaria boxe e tocaria sax por ai. Pintaria quadros e escreveria poesias. Extrairia o maximo que esse planeta tem a nos oferecer."
Esse pequeno texto eh um resumo de tudo que eu gostaria de ser, mas que nao faco esforco algum pra me tornar. Pensei outro dia que um escritor so se torna bom de verdade, daqueles capazes de prender o leitor da primeira a ultima pagina, se ele viveu a maioria daqueles causos, ou algum amigo proximo contou. Entao me imaginei sendo um engraxate no centro do Rio de Janeiro, os clientes indo e vindo, a maioria recusando um servico cada vez mais raro e incomum. Onde compraria minha graxa?! E as escovas de sapateiro?! Preto eh mais caro que marrom?! Alguem ainda usa sapado bege?! Precisaria ter graxa incolor caso o Homem do Sapato Branco resolvesse dar umas bandas pelo Largo da Carioca?!
E assim seria, um mes ou mais exercendo cada profissao. Se gostasse continuaria, se nao, simplesmente largaria tudo e comecava outra. Cozinheiro de navio, por exemplo. Ou mendigo. Uma experiencia antropologica, socio-cultural. Observar as pessoas te vendo como uma barata, um insignificante, um paria da sociedade que deveria ser expurgado de alguma forma. Um ponto imundo sujando a cidade e incomodando todos. Mas como ele virou mendigo?! Veio do Nordeste em busca do emprego prometido, o dinheiro acabou e nem a passagem de volta deu pra comprar. O que fazer?! Homem integro, trabalhador e do bem. Virou um sem casa, sem terra, sem familia, sem amigos, sem rumo. Depois um amigo o descobre, rapaz abonado e de bom coracao. O leva pra um hotel, compra refeicoes, aluga um quarto com agua quente e empresta roupas. Dois dias depois ele sai e comeca a encarar as mesmas pessoas no lugar onde costumava ficar. Nao o reconhecem, evidentemente. Ele nao se importa e continua fuzilando os passantes com a retina. Uma jovem o reconhece, mas vira o rosto no instante seguinte. Ele pensa em segui-la, mas desiste. So quer desfrutar daquela sensacao, do respeito, do "status" de ser alguem, da aparencia limpa, nao importando o que se passa em sua cabeca. Seu carater, personalidade, passado, presente e futuro. Ja roubou?! Eh estelionatario?! Participou daquele esquema de desvio de recursos na prefeitura da cidadezinha no interior?! Tem quatro filhos e uma amante. Uma mulher submissa, amigos comprados, um carro bacana, carteira recheada e conhecedor de bons vinhos. Trata os garcons como insetos e os subordinados como escravos sem do nem piedade.
E quem merece o desprezo da sociedade?! O bacana ou o mendigo?!
As vezes me passa pela cabeca algumas ideias malucas. Anoto quase tudo no Black Berry, chamado tambem de Crack Berry por razoes obvias. Nao interessa muito se estou no trem, lendo um livro, indo dormir, na fila do almoco, indo para o banheiro, na frente do PC ou ate mesmo numa reuniao enfadonha. Saco a arma e anoto no bloco de notas. O resultado sao listas de assuntos os mais loucos possiveis como:
Melita werbung (propaganda em alemao)
Handwerk
Cinemas antigos (fotos + historia)
Soul cast UK
Medelski, martin & ...
Jamie cullum
Ailton viana, pai rodrigo jogo vasco 70
http://www.parisjazzclub.net/
Vic Muniz - expo em BH
E por ai vai. Sao musicas que escuto no radio, shows de artistas que tenho vontade de ir, propagandas interessantes na TV alema, sites que li ou vi em algum lugar, etc. Todos ficam ali no bloco de notas a espera de um dia terem o privilegio de se transformarem em postagem.
Pois bem, olha essa perola escrita logo no comecinho dessa mania que agora nao para mais:
"Quando Ela e eu ganharmos CINCO milhoes viveriamos DOIS meses em cada cidade do Mundo fazendo trabalhos voluntarios, ajudando as pessoas, escrevendo sobre o cotidiano e a Vida como ela eh. Fotos e videos variados tambem. Lutaria boxe e tocaria sax por ai. Pintaria quadros e escreveria poesias. Extrairia o maximo que esse planeta tem a nos oferecer."
Esse pequeno texto eh um resumo de tudo que eu gostaria de ser, mas que nao faco esforco algum pra me tornar. Pensei outro dia que um escritor so se torna bom de verdade, daqueles capazes de prender o leitor da primeira a ultima pagina, se ele viveu a maioria daqueles causos, ou algum amigo proximo contou. Entao me imaginei sendo um engraxate no centro do Rio de Janeiro, os clientes indo e vindo, a maioria recusando um servico cada vez mais raro e incomum. Onde compraria minha graxa?! E as escovas de sapateiro?! Preto eh mais caro que marrom?! Alguem ainda usa sapado bege?! Precisaria ter graxa incolor caso o Homem do Sapato Branco resolvesse dar umas bandas pelo Largo da Carioca?!
E assim seria, um mes ou mais exercendo cada profissao. Se gostasse continuaria, se nao, simplesmente largaria tudo e comecava outra. Cozinheiro de navio, por exemplo. Ou mendigo. Uma experiencia antropologica, socio-cultural. Observar as pessoas te vendo como uma barata, um insignificante, um paria da sociedade que deveria ser expurgado de alguma forma. Um ponto imundo sujando a cidade e incomodando todos. Mas como ele virou mendigo?! Veio do Nordeste em busca do emprego prometido, o dinheiro acabou e nem a passagem de volta deu pra comprar. O que fazer?! Homem integro, trabalhador e do bem. Virou um sem casa, sem terra, sem familia, sem amigos, sem rumo. Depois um amigo o descobre, rapaz abonado e de bom coracao. O leva pra um hotel, compra refeicoes, aluga um quarto com agua quente e empresta roupas. Dois dias depois ele sai e comeca a encarar as mesmas pessoas no lugar onde costumava ficar. Nao o reconhecem, evidentemente. Ele nao se importa e continua fuzilando os passantes com a retina. Uma jovem o reconhece, mas vira o rosto no instante seguinte. Ele pensa em segui-la, mas desiste. So quer desfrutar daquela sensacao, do respeito, do "status" de ser alguem, da aparencia limpa, nao importando o que se passa em sua cabeca. Seu carater, personalidade, passado, presente e futuro. Ja roubou?! Eh estelionatario?! Participou daquele esquema de desvio de recursos na prefeitura da cidadezinha no interior?! Tem quatro filhos e uma amante. Uma mulher submissa, amigos comprados, um carro bacana, carteira recheada e conhecedor de bons vinhos. Trata os garcons como insetos e os subordinados como escravos sem do nem piedade.
E quem merece o desprezo da sociedade?! O bacana ou o mendigo?!
Dia de Feira
Beaga (seria o irmao do Grigio Amarelo?!)
Continuando a saga dos videos no Voce Tubo o Truta orgulhosamente apresenta... nao, sou fan do Rappa e tambem acho o Falcao feio de dar do, mas um pegador de primeira, so que o assunto eh feira mesmo. E das boas, no Rio de Janeiro.
Como a propria descricao do curta diz "Eh um documentário de Hugo Moss sobre hilária manifestação carioca cultural-gastronômico-confraternal, com o saudoso sambista Moacyr Luz e participações especiais de Chico Caruso, Lan, Antônio Pedro, Regina Braga e outros."
O pequeno filme comeca despretencioso, como quem nao quer nada, mas aos poucos vai te envolvendo pela espontaneidade, autenticidade e Vida cotidiana tao proximas. A descontracao dos amigos se encontrando, muitos frequentes e figurinhas carimbadas presentes todos os sabados, outros raros, mas insubstituiveis. A coisa vai crescendo, mais gente chegando e vemos uma confraternizacao de pessoas que querem apenas estar juntas, comendo e bebendo do melhor, sem pensar nas roupas que vestem, o quanto ganham, com que carro chegaram, pra onde foram nas ultimas ferias. Sao o que sao, autenticos, amigos, humanos e companheiros. Consideram aquele momento na confraria como algo sagrado e inabalavel. Eh assim que deve ser mesmo!
Me deu vontade de comer uns cascudos fritos e uma cerva gelada na antiga feira hippie de BH que comecou na Praca da Liberdade e hoje acontece aos domingos na Afonso Pena em frente ao Parque Municipal. Encontra-se de tudo ali pra comprar. Desde artesanato de artistas amadores e semi-famosos passando por roupas, sapatos, artigos de casa e cozinha e as mais maravilhosas comidas de Minas. E de quando em vez se tromba com um amigo. Quando acontece, as mulheres saem batendo perna e os homens ficam quietos bebendo o liquido amarelo e sagrado, purificador da alma e eliminador de stress.
Me lembrei do Naschmarkt em Vienna e da Karlsplatz em Dusseldorf, mas nao chegam nem aos pes em autenticidade e divertimento. Dizem que o mercadao das pulgas El Rastro em Madrid eh imperdivel, sempre aos domingos. Estive la algumas vezes, mas nao o conheci. Ainda irei, mas o Slow jamais ira. Sobre o Slow, vulgo Bruno Garcia, um dia falaremos mais dessa figura unica e folclorica que tenho o privilegio de chamar de amigo.
ps. assisti ao curta pela primeira vez na casa do Thomas Schoenauer, artista e escultor alemao consagrado de quem falo mais qualquer dia desses. Ele cria esculturas com aco conferindo formas unicas, leveza, beleza e flexibilidade ao material em diversas formas, retagulares, esferas com pintura escorrendo de baixo pra cima, pinturas acrilicas que se parecem deltas de rios ou fotos de satelite, so mesmo vendo pra entender.
Sao tres partes, mas valem cada segundo.
Continuando a saga dos videos no Voce Tubo o Truta orgulhosamente apresenta... nao, sou fan do Rappa e tambem acho o Falcao feio de dar do, mas um pegador de primeira, so que o assunto eh feira mesmo. E das boas, no Rio de Janeiro.
Como a propria descricao do curta diz "Eh um documentário de Hugo Moss sobre hilária manifestação carioca cultural-gastronômico-confraternal, com o saudoso sambista Moacyr Luz e participações especiais de Chico Caruso, Lan, Antônio Pedro, Regina Braga e outros."
O pequeno filme comeca despretencioso, como quem nao quer nada, mas aos poucos vai te envolvendo pela espontaneidade, autenticidade e Vida cotidiana tao proximas. A descontracao dos amigos se encontrando, muitos frequentes e figurinhas carimbadas presentes todos os sabados, outros raros, mas insubstituiveis. A coisa vai crescendo, mais gente chegando e vemos uma confraternizacao de pessoas que querem apenas estar juntas, comendo e bebendo do melhor, sem pensar nas roupas que vestem, o quanto ganham, com que carro chegaram, pra onde foram nas ultimas ferias. Sao o que sao, autenticos, amigos, humanos e companheiros. Consideram aquele momento na confraria como algo sagrado e inabalavel. Eh assim que deve ser mesmo!
Me deu vontade de comer uns cascudos fritos e uma cerva gelada na antiga feira hippie de BH que comecou na Praca da Liberdade e hoje acontece aos domingos na Afonso Pena em frente ao Parque Municipal. Encontra-se de tudo ali pra comprar. Desde artesanato de artistas amadores e semi-famosos passando por roupas, sapatos, artigos de casa e cozinha e as mais maravilhosas comidas de Minas. E de quando em vez se tromba com um amigo. Quando acontece, as mulheres saem batendo perna e os homens ficam quietos bebendo o liquido amarelo e sagrado, purificador da alma e eliminador de stress.
Me lembrei do Naschmarkt em Vienna e da Karlsplatz em Dusseldorf, mas nao chegam nem aos pes em autenticidade e divertimento. Dizem que o mercadao das pulgas El Rastro em Madrid eh imperdivel, sempre aos domingos. Estive la algumas vezes, mas nao o conheci. Ainda irei, mas o Slow jamais ira. Sobre o Slow, vulgo Bruno Garcia, um dia falaremos mais dessa figura unica e folclorica que tenho o privilegio de chamar de amigo.
ps. assisti ao curta pela primeira vez na casa do Thomas Schoenauer, artista e escultor alemao consagrado de quem falo mais qualquer dia desses. Ele cria esculturas com aco conferindo formas unicas, leveza, beleza e flexibilidade ao material em diversas formas, retagulares, esferas com pintura escorrendo de baixo pra cima, pinturas acrilicas que se parecem deltas de rios ou fotos de satelite, so mesmo vendo pra entender.
Sao tres partes, mas valem cada segundo.
Ferrovias na Alemanha
Beaga (quem foi Felicio Roxo?!)
Dando sequencia aos videos educativos e elucidativos de ontem, veremos agora como eh a construcao de uma ferrovia na Alemanha. Sera que veremos tecnicas construtivas parecidas com a dos indianos?! Ou com a dos brasileiros da MRS e ALL?! Chance zero disso acontecer.
Acho que certas coisas nessa Vida so sao vistas na Alemanha e em nenhum outro lugar. Nem no Japao, na Korea ou nos States. Alemao eh um bicho foda na engenharia.
Quanta facilidade, observem o numero de funcionarios trabalhando na construcao, impressionante, tanto na retirada dos antigos dormentes de madeira como na colocacao nos novos feitos de concreto. As maquinas fazem tudo, ninguem carrega peso ou se esforca em momento algum.
Acho que a primeira lei na Alemanha foi: "Eh proibido carregar peso." Os caras criaram maquininhas e carrinhos com rodinhas pra tudo, todos os pesos, tamanhos e volumes.
A dica foi do Dudha Wedder, antigo vocalista de rock, menino da lingua azul e sharpei chines. Ja esteve em Manheim e viu com os proprios olhos essa aula de engenharia.
ps. moro na Alemanha e sou engenheiro mecanico, mas seria incapaz jogar lenha nas caldeiras duma maria fumaca...
Dando sequencia aos videos educativos e elucidativos de ontem, veremos agora como eh a construcao de uma ferrovia na Alemanha. Sera que veremos tecnicas construtivas parecidas com a dos indianos?! Ou com a dos brasileiros da MRS e ALL?! Chance zero disso acontecer.
Acho que certas coisas nessa Vida so sao vistas na Alemanha e em nenhum outro lugar. Nem no Japao, na Korea ou nos States. Alemao eh um bicho foda na engenharia.
Quanta facilidade, observem o numero de funcionarios trabalhando na construcao, impressionante, tanto na retirada dos antigos dormentes de madeira como na colocacao nos novos feitos de concreto. As maquinas fazem tudo, ninguem carrega peso ou se esforca em momento algum.
Acho que a primeira lei na Alemanha foi: "Eh proibido carregar peso." Os caras criaram maquininhas e carrinhos com rodinhas pra tudo, todos os pesos, tamanhos e volumes.
A dica foi do Dudha Wedder, antigo vocalista de rock, menino da lingua azul e sharpei chines. Ja esteve em Manheim e viu com os proprios olhos essa aula de engenharia.
ps. moro na Alemanha e sou engenheiro mecanico, mas seria incapaz jogar lenha nas caldeiras duma maria fumaca...
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