A sra./srta. Marta Medeiros, talvez parente da minha prima Ana Laurinha Medeiros Guimaraes, sentenciou:
"Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho."
Salvador Dali, La persistencia de la memoria (1931)
Concordo e discordo. Mais do segundo. Sim, perdemos muito Tempo na Vida mesmo. Eu sou mestre nisso. Posso dar aula em qualquer Doutorado em perda de Tempo do Mundo, mas tenho o meu ritmo. Nao sou lerdo, apenas tenho minhas prioridades, vontades, desejos que variam de pessoa pra pessoa.
Atalhos te fazem chegar mais rápido, a encurtar o caminho, mas quem disse que estou com pressa?! Nao se pode curtir a viagem?! Nao posso parar, fazer um lanche, ir no banheiro, olhar a paisagem com calma, talvez dormir no caminho pra absorver mais daquilo que vejo e sinto?!
Ah, mas ela se refere a relacionamentos, a situacoes do dia-a-dia, ou diaadia, sei la. Humm, "a pessoa é bruta com voce", mas sabe-se lá os problemas que essa pessoa está vivendo no momento?!
"Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando" é só apertar um botao para o fogao de vidro ligar, mas elas sabem cozinhar?! Sabem saborear uma comida?!
"...não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas", entao elas tem a resposta pra tudo, já nasceram experientes e sao a solucao para todos os problemas da Humanidade?!
"... não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas.", e depois voltam atrás na Vida justamente por ter queimado etapas tao importantes e essenciais na Vida de qualquer ser humano.
"Não desperdiçam mais nada." Talvez desperdicem a própria Vida por apenas ter pressa, correr em busca de algo que nem mesmo sabem o que é.
Cada dia que passa percebo que quanto menos, melhor. Menos é mais. Menos atividades, mas gastando mais Tempo para cada uma delas. Menos amigos, mas tendo uma amizade forte, sincera e constante. Menos trabalho, mas com maior afinco, concentracao e qualidade. Menos comida, mas saboreando cada garfada, de preferência com um bom vinho.
Menos parceiros, mas muito mais Amor. Quem me mandou esse texto foi meu Amor, e ela também discorda de muitas coisas ali escritas.
Somos só nós dois por aqui (e por enquanto). Menos é mais, muito mais.
Dei um pulo no Digital World, mas nao é muito a minha praia. Fiquei feliz.
Eis que senao quando, a Myriam posta nao só um, mas dois comentários em francês, sim, na língua de Victor Hugo, no já antigo post sobre o piloto alemao Wolfgang von Trips no longíncuo 6 de Maio de 2008. Segue o comentário e a traducao:
"Wolf von Trips?
C'est mon idole depuis mai 1961. Lorsque j'ai vu son accident sur une vidéo allemande en 2006 (eh oui seulement) j'ai eu l'impression de recevoir un seau de glace dans le dos. Je ne savais pas qu'il y avait tant de choses sur lui. Sans l'avoir oublié au fil des années j'ai eu le bonheur de le retrouver en août 2005. Depuis je surfe presque tous les jours à la recherche de quelques photos de lui. Toutes celles que j'ai déjà trouvées sont soigneusement classées dans des albums. Myriam."
C'est de nouveau moi...
Au sujet de la villa Trips qui a été construite à la demande de Thessa sa maman, qui a déserté le château Hemmersbach après la mort de son fils Wolf. A ma connaissance la famille s'est éteinte définitivement avec la mort de Thessa en 1978. Donc la villa est actuellement entretenue non pas par de la famille mais par des fans dont Monsieur Reinold Louis et d'autres fans. Le château Hemmersbach, quant à lui, est occupé par environ 25 entreprises qui y ont leur siège. Fiduciaires, agences immobilières etc.
C'est bien triste et c'est un gâchis car ce château aurait dû être habité par de la famille et des enfants. Myriam
Que traduzindo Victor Hugo por Camoes, temos:
"Wolf von Trips?
Ele é meu ídolo desde Maio de 1961. Quando eu vi o acidente em um vídeo alemão em 2006 (sim apenas) eu senti receber um balde de gelo nas costas. Eu não sabia que havia tantas coisas sobre ele. Sem te-lo esquecido ao longo dos anos tenho tido a sorte de regressar em Agosto de 2005, desde que eu surfo quase todos os dias à procura de algumas fotos dele. Todas aqueles que eu encontrei são cuidadosamente classificadas em álbuns. Myriam.
Sou eu de novo... Sobre sua visita para a vila, ela foi construída a pedido de Thessa sua mãe, que abandonou o castelo Hemmersbach após a morte de seu filho Wolf. Para o seu conhecimento a família foi finalmente extinta com a morte de Thessa em 1978. Assim, a casa já não é mantida pela família, mas pelos fãs como o Sr. Reinold Louis e outros torcedores. O Castelo Hemmersbach, entretanto, é ocupado por cerca de 25 empresas que têm lá a sua sede. Fiduciários, imobiliário, etc. É triste e é uma confusão porque o castelo tinha sido habitado pela família e filhos. Myriam"
Sim, é realmente muito triste. Mas mais triste ainda foi que a Myriam nao deixou email de contato e muito menos o link com as fotos do seu álbum. Se ele for álbum de fotos impressas tudo bem. Se nao, ela poderia me mandar o site.
Myriam, um pedido. Me mande o link do álbum de fotos, por favor.
Abracos,
Pedro
Victor Hugo diria:
Myriam, une demande. Envoyez-moi le lien de l'album, s'il vous plaît.
As imagens sao fortes e mostram a tragédia em Porto Príncipe após o terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido dia 12, terca passada.
O país mais pobre das Américas e um dos mais miseráveis do Mundo agoniza. Parece um holocausto e é mesmo ao se notar que a forca do tremor equivale a quatro vezes a potência da bomba de Hiroshima. Acostumados aos furacoes e tsunamis do Caribe, dessa vez a forca da mae Natureza foi mais que cruel. Pegou um país e um povo desprevenido e despreparado. Era fim de tarde. Prédios comerciais, orfanatos, igrejas, empresas, todos cheios.
Se um terremoto da mesma magnitude chacoalhou Kobe no Japao em 1995, onde as construcoes modernas foram feitas para suportar essas situacoes, imagine em um pais como o Haiti. Autoridades do Haiti acreditam que o número de mortos possa ficar entre 100.000 e 200.000, e que três quartos da cidade precisarão ser reconstruídos.
Os corpos empilhados me lembraram o genocídio em Ruanda, este sim pior ainda por que foi obra do homem. E nao deixa de ser uma reacao do Planeta contra a falta de acao dos governantes em Copenhagen contra as mudancas climáticas. A ganância do homem, como sempre, falou mais alto. E o resto que se dane, inclusive a própria Terra.
Nao sei o que dizer a nao ser pedir para que os países ricos ajudem a aliviar o sofrimento das vítimas. Farei a minha parte depositando $$$ numa conta de ajuda humanitária aqui na Alemanha. O auxílio aos desabrigados e vítimas está acontecendo da maneira correta, pelo menos por enquanto.
Atualizando - Existem várias contas disponíveis para doacoes:
Embaixada do Haiti no Brasil
Banco do Brasil
Agência 1606-3
Conta corrente 91.000-7
CNPJ 04170237/0001-71
Cruz Vermelha
HSBC
Agência 1276
Conta corrente 14526-84
CNPJ é 04359688/0001-51
Viva Rio
Banco do Brasil
Agência 1769-8
Conta corrente 5113-6
CNPJ 00343941/0001-28
Care Internacional Brasil
Banco Real-Santander
Agência 0373
Conta corrente 5756365-0
CNPJ 04180646/0001-59
Pastoral da Criança
HSBC
Agência 0058
Conta Corrente 12.345-53
CNPJ 00.975.471/0001-15
Caixa Econômica Federal*
Agência 0647
Conta corrente 3.600-1
CNPJ 00.360.305
* As doações da Caixa serão encaminhadas à Coordenação de Assistência Humanitária (Ocha, na sigla em inglês) pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Escritório das Nações Unidas.
Ainda na onda de NYC, assisti ontem Imagine pela primeira vez. O documentário feito em 1988 (ou 86) mostrando a Vida do Beatle mais influente e líder da banda, John Lennon. Já em New York, mostra o edifício Dakota em frente ao Central Park onde John e a mala-sem-alca da Yoko viveram. Foi ali que ele foi assassinado em 1980. A Sra. Ono influenciava John de todas as formas. Ele ficou obscecado e meio viciado na mulher. Dava entrevistas explicando por que havia casado com uma mulher tao feia e esquisita e deu uma sumida por uns tempos quando o filho Sean nasceu. Depois voltou arrebentando, gravando novas músicas e fazendo o show antológico no Madison Square Garden, também em NYC.
Hoje existe um memorial chamado Strawberry Fields ali em frente ao Dakota. Foi feito pela viúva japonesa com doacoes de fans do mundo inteiro. É só pegar um hot dog de 2 dólares, vulgo doguinho, esperar a horda de turistas tirar fotos com uma maca verde, e ir lá fazer a sua chapa.
Por sorte, achei esses quadrinhos dos Fab Four nesse artigo aqui numa edicao especial da Marvel de 1978. Dizem que está disponível apenas na web e em alguns seletos sebos. Pra ver os quadrinhos na íntegra, é só clicar aqui.
Você já é um aventureiro nas duas e três rodas com aventuras pelos vários cantos do Mundo. Tem três filhas vindas de três casamentos. Nasceu e cresceu em Paris, morou em L.A. e depois New York. E de repente recebe a notícia que tem câncer na garganta e precisa ser operado. Suas chances de sobrevivência sao de 90%. O que você faria?!
Dez anos após a operacao bem sucedida, o aventureiro e maluco profissional Hubert Kriegel resolve fazer uma viagem de dez anos ao redor do Mundo. Comecou em New York dia 16 de Fevereiro de 2005 às 6:04 da matina e entrou agora no quinto ano, chegando na Mongólia. O site do doidao conta as histórias e mostra belas fotos.
De NYC ele vai até o Círculo Ártico pelo Alaska, depois Franca, Suica, Espanha e Ilhas Jersey no Canal da Mancha. Deve ter ido visitar uma das filhas. Pra quem nao tem nada pra fazer num domingo congelado, é uma ótima pedida.
E quem é o maluco?! Ele ou nós que nunca fizemos nada parecido?!
A dica foi do Youssef que contou pro Don Gomes e este sim me disse pra conferir o site do Kriegel.
Tenho tanta coisa pra escrever sobre New York que vou comecar amanha e falar de rally. Vi o link da entrevista que o finlandês deu para o Red Bulletin no Blog GP.
Entre outras pérolas, Kimi, que falou muito dessa vez, disse que preferiu a Ferrari desse ano do que a do ano passado. Diz que uma das coisas mais eletrizantes pra se fazer é andar de snowmobile com amigos ou entao motocross.
Conta que na Formula 1 todas as voltas numa corrida sao mais ou menos iguais, mas no rally cada curva é de um jeito. Sebastién Loeb é sua reverência, mas acha que ficará distante dos top 4 esse ano. E outro Sebastian, o Vettel, é o piloto de quem ele gosta e aposta pra conquistar o título desse ano.
Acho que ele nao volta mais pra F1. Sua personalidade, sinceridade, estilo baladeiro e nem aí pro Mundo nao combinam com a babaquice do marketing e celebridades que rondam a principal categoria do automobilismo. Rumores dizem que a Red Bull o levou pra equipe junior no rally apenas esse ano garantindo sua volta em 2011, vulgo ano que vem, no lugar de Mark Webber. A ver.
Ele vai se dar bem e gostar de andar na terra, asfalto e neve. Mas vai gostar mais ainda do ambiente descontraído e sem frescuras do rally. Um esporte ganha e o outro perde.
New York, NY (amanha vou embora dessa terra de doidos)
Esse post eh so pra marcar o espaco. Tera varias continuacoes. A viagem foi excelente, fizemos tudo que queriamos, gastamos uma nota preta, mas eh pra isso que se trabalha.
No mais eh isso ai. Ainda falta ver a estatua francesa que eh pequena, mas o marketing americano sempre a fez ficar gigante e se tornar o simbolo da liberdade... e do capitalismo, por que nao.
Nos vemos na gelida Alemanha. Isso aqui foi verao, por mais incrivel que pareca.
No post anterior disse que deveria falar sobre a verdadeira odisseia que foi a viagem de ida. Se voce esta em casa agora, sem nada pra fazer, ja cansou de ler as noticias no UOL e no G1, ja esta careca de saber que o Schumacher vai voltar ano que vem, viu milhares de fotos mostrando a retrospectiva de 2009, respondeu todos os seus emails desejando "Feliz Natal e um otimo 2010" pra familia e amigos e quer ler uma epopeia, entao prepare-se.
A viagem comecou no domingo, dia 20 Dez em Dusseldorf. Preparativos pro voo da Aer Lingus das 10:25 rumo a Dublin e de la pra New York. Ao entrar no taxi (transporte #1) as 9h da matina com as ruas completamente brancas de neve pensei "acho que voar hoje vai ser complicado". E assim comecava a maratona.
O aeroporto estava fechado pra pousos e decolagens. Neve e vento fortes com temperaturas de -17 C. O aviao acabou descendo em Koln (Colonia) ja que la o clima estava melhor. Ficam apenas 35km distantes, mas do lado Kolsch do Reno as coisas estavam melhores que o lado Alt. Apos algumas horas de atraso, todos pegaram as bagagens despachadas, menos nos, uma menina e um casal de alemaes gigantes. Esperamos um tempinho e os quadrados pretos, cinzas e vermelhos surgiram deslizando pela esteira de borracha. Felicidade imediata, por que viajar sem mala eh um inferno. Elas vao e voce fica ou vice-versa. Nunca consegui entender como os aeroportos conseguem ser tao desorganizados. Momentos depois, todos foram distribuidos em dois onibus (transporte #2) e fomos enfrentar as Autobahnen cheias de neve. Um trajeto de 40' demorou hora e quarto. Nao havia neve na cidade do Dom, a catedral mais imponente e bela da Europa. La chegando, todos para o check-in nr.2 do dia. Alguns desesperados, como o casal de imensos alemaes prontamente apelidados de Jamantas, correram pra fila. Nao sei pra que, ja que o aviao nao sairia sem todos os passageiros. Eu e Juju ficamos sentados, lendo nossos livros esperando a fila diminuir. Ela terminava "Die Buchdieber" (A Menina que Roubava Livros, em alemao) e eu comecava "O Mundo eh Plano (The World is Flat), de um jornalista americano ganhador do Pulitzer. Interessantissimo.
Enquanto eu viajava pelos call centers de Bangalore e Utah e lia sobre as forcas que achataram o Mundo, os alemaes ansiosos faziam check-in, de novo.
Charlotte, North Carolina, USA (os Hornets foram vendidos e eu nem sabia)
Vamos passar o Natal desse ano com nossos amigos americanos, os Degulhos. Sao amigos de longa data, de BH, do Brasil, do Mundo. Ja moram nos States desde 1999 e rodam o Mundo desde entao. Moraram em Nex York e London, mas ja estiveram nos quarto cantos do Mundo. Tel Aviv, Singapore, Mumbai, Tokyo, Hong Kong, Trancoso, Buzios, Seattle, Phoenix, Edinburgh e Lagoa Santa. Os Degulhos sao milionarios. Tem uma Vida excelente, com todos os recursos que o capitalismo americano proporciona. Acho que nao voltarao tao cedo pra terrinha.
Bem, eu deveria falar da odisseia de 3 dias e meio entre Dusseldorf e a casa deles, do cancelamento e atraso dos voos, dos varios meios de transporte que pegamos ate chegar aqui, mas farei isso em outro post.
Me impressiona a quantidade imensa de camionetes pelas ruas americanas. De todos os tamanhos e marcas. Acho que metade dos carros sao desse tipo. As chamadas SUVs, sport utility vehicle. Inundam as ruas ocupando espaco e poluindo o ar. Tem GM, Ford, Buick, Toyota, Dodge, BMW, Mercedes, Lexus, Hyundai, Nissan e tantas outras marcas. Um exagero sem tamanho. Desnecessario. Consomem galoes e galoes de gasolina pra levar uma unica pessoa pelas cidades e estradas do pais. Acho que vi apenas um unico onibus na cidade. Transporte publico pra que, se carro eh barato e a gasoline ta de graca na bomba?! O planeta agradece.
Tudo aqui eh meio exagerado. O suco de manga vem num galao igual ao de gasoline com 3,78 litros. O Nescau eh monstro, o pacote de chips idem e o ketchup tambem. O engracado sao as garrafinhas de 185ml de Coca. Como se fossem uma dose matinal pra sobrevivencia. Por outro lado, a cerveja tem apenas 375ml. Por isso gusto da Alemanha. La a long neck tem meio litro.
Mas tem suas vantagens, claro. O consumismo eh impressionante. Existem lojas que revendem o que nao eh vendido nos outlets que ja vendem a preco de banana. Ou seja, compra-se um bom jeans de marcas como Calvin Klein ou Ralph Lauren por 15 ou 20 doletas. Meias, cuecas, camisas e camisetas, roupas de ginastica, tenis, sapatos, camisas sociais, gravitas, casacos e pullovers seguem a mesma escrita. Uma festa pra quem tava precisando dar um tapa no guarda-roupas, como eu. Mas assim mesmo um exagero.
As pessoas acabam comprando coisas que nao precisam simplesmente por ser muito barato. Sabem que nao irao usar aquilo, mas custa apenas 10 dolares. Por que nao comprar?! Essa cultura do exagero, do desnecessario, do consumer pelo simples fato de estar barato eh que mata a America. E quando compram, eh sempre no cartao de credito. A divida media de um Americano com o dinheiro de plastico eh de 15 mil dolares. Os europeus seguem no caminho inverso. Sempre poupam antes de gastar. Se pagam antes, depois questionam se realmente precisam daquilo. Se a resposta for positiva, compram. Se nao, esperam a necessidade aparecer. Fazem isso nao por falta de dinheiro, pelo contrario. Tem uma visao critica, questionam, sabem gerir melhor seus recursos. Preferem poupar pra viajar do que simplesmente comprar roupas que nao precisam.
Ja o Americano, viaja dentro do proprio pais, quando o faz. Nao querem sair da zona de conforto. A maioria nao tem interesse ou curiosidade em conhecer outros paises. Pra que?! La nao vai ter uma mega camionete pra ele dirigir (e como dirigem mal, PQP), as porcoes de comida sao pequenas e pouco caloricas e por ai vai.
Sem querer me alongar, vou tomar um banho agora e abrir a primeira cerva. Uma Corona Extra, nada que se compare a uma alema. Mas tambem, vamos passar Natal na suntuosa mansao dos Degulhos com seus amigos brasileiros. Ate amigo oculto tem.
Quando a patroa diz sim, a gente pode comecar a acreditar de verdade nos rumores. E se além dela, o presidente da Ferrari don Luca Cordero de Montezemolo joga mais lenha ainda na fogueira, entao é só esperar o anúncio oficial pra ver Schumacher vestir o uniforme das flechas de prata.
Amigos, amigos, negócios à parte.
A esquadra da equipe junior da Mercedes em 1990 com Wendlinger, Frentzen e o alemao queixudo.
Fazia tempo que nao falava de Formula 1 por aqui. Aconteceu tanta coisa esse ano. Vale até uma retrospectiva a altura. Mas ano que vem será um dos campeonatos mais disputados da História, com absoluta certeza.
De cara temos Massa e Alonso pela Scuderia com reais chances de ganharem o caneco. Adicione-se a dupla também vitoriosa da McLaren com Hamilton e Button. Com Vettel na Red Bull e o alemao serao seis pilotos dividindo as vitórias e os 25 pontos que a partir do ano que vem premiarao os primeiros lugares.
Em segundo plano vem Rosberguinho de Mercedes e Kubica de Renault-Genii e, quem sabe, Rubinho ressucitando a Williams. O resto vai fazer número.
Teremos a estréia de Bruno Senna e Lucas di Grassi engrossando a esquadra brazuca. E também do japa-bala Kobayashi pela Sauber.
Vou abrir um vinho e fazer meu roteiro de viagem. Deixa a F1 pra depois.
O site The Big Picture do Boston Globe é um espetáculo. Fizeram uma retrospectiva desse ano em três partes com as fotos mais marcantes. Eu que sou um apaixonado por fotografia, nado de bracada.
A dica foi do blogueiro e torcedor da Lusa, don Gomes.
Lago dos cisnes que tem outro nome em Brandenburgo, Alemanha.
Totok mora nos subúrbios de Jakarta, Indonésia e sofre de distúrbios mentais.
Leandro da Escola de Samba de Itaquera no carnaval paulista.
Um dos poucos desenhos modernos de que gosto comemora hoje 20 anos. Alem dele, Futurama eh muito interessante. Fui influenciado por um amigo nos velhos tempos do instituto de pesquisas. Nem tao velhos assim, mas ele ja se mandou pro Sul do Brasil. E agora deve estar de volta a Pauliceia.
Tenho as 17 primeiras temporadas dos Simpsons. Fizeram o Simpsons, the Movie, Marge saiu na Playboy, a formula vencedora de humor escrachado nao se esgotou ate hoje e eles seguem firmes e fortes. Fizeram ate um episodio no Brasil com todos os estereotipos ja conhecidos e exagerados, mas nada muito fora da nossa realidade.
Ultimamente ando influenciado pelos States, pais que tenho tantas diferencas. Mas hoje Homer, Marge, Bart e Maggie merecem aplausos.
Düsseldorf (teclado faz barulho e afasta a mulher amada)
Nao fui eu quem falei e sim a renomada revista britânica Autosport, the authority on Formula 1. Só que lá eles disseram "Senna, the Best ever".
Ayrton Senna da Silva, meu primo, em 1982
Conta o UOL que o tricampeão mundial, Ayrton Senna foi eleito o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos. A votação ouviu 217 pilotos. A lista incluiu o mais antigo vencedor de GP ainda vivo, o argentino Jose Froilan Gonzalez, e o mais velho piloto de F-1 vivo, o alemão Paul Pietsch, de 98 anos. Cada um dos 217 pilotos escolheu os 10 maiores da história, em sua opinião.
O heptacampeão mundial Michael Schumacher, que inclusive foi um dos pilotos ouvidos pela revista, ficou em segundo lugar. O argentino Juan Manuel Fangio, pentacampeão entre 1951 e 1957, ficou em terceiro.
Em 162 Grandes Prêmios disputados durante suas 11 temporadas na Fórmula 1, Ayrton Senna conquistou 41 vitórias e 65 pole positions, o que lhe rendeu os títulos mundiais de 1988, 1990 e 1991.
Senna estreou na categoria pela equipe Toleman, na temporada de 1984. A primeira vitória veio no GP de Portugal de 1985, em Estoril, já correndo pela Lotus. Em 1988, foi contratado pela McLaren e conquistou seu primeiro título. Naquele ano, cravou 13 pole positions e teve 8 vitórias, em 16 corridas disputadas.
Após seis anos de sucesso com a equipe inglesa, se transferiu para a Williams em 1994. Largou da primeira posição nas três corridas que disputou com a equipe. Porém, na última delas, em San Marino, sofreu o acidente que lhe tirou a vida e chocou o planeta.
O texto a seguir foi escrito no trem entre Hamburg e Essen segunda dia 7. Vai do jeito que ficou. Além das fotos, fiz uns videos tambem.
Hamburg, 6 dezembro 2009 (chove lá fora e aqui…)
O plano era sair de Düsseldorf cedo, umas 9h da matina dominical, no máximo. Fui capturado na cama por uma deslumbrante que dorme como criança e acorda como mulher. Carro é bom por isso. Liberdade total com horários. Comi um mixto com suco de laranja, carreguei Gerd com minhas tralhas e saímos.
Um domingo típico na Alemanha. Nublado, meio chove-mas-molha, frio de 8º C e a Autobahn vazia, sem os costumeiros caminhões. Meu GPS manual, um bloco de anotações com a seqüência de estradas, direções e rascunhos de mapas, indicava que deveria pegar a mesma A52 rumo a Essen. Seria a ultima vez que Gerd e eu faríamos esse já tão conhecido caminho.
A WDR3 tocava musica clássica, como sempre, mas resolvi escutar algo mais pop/rock. Fomos de ZZ Top, Jamie Cullum (pop/jazz), Lady Gaga (essa mulher invadiu as rádios do Mundo), Lilly Allen, Black Eyed Peas (com aquela musica que já encheu o saco) e outras tantas. A tal Globalização tem varias desvantagens. Uma delas é ouvir sempre as mesmas musicas, não importa o lugar. Com revistas e jornais é o mesmo. Livros também.
Perto de Oberhausen, vi corvos na beira da pista. São os únicos animais que se arriscam por um naco de comida num lugar desses. Eram três. Dois na pista e um no guard-rail esperando. Faísca & Fumaça era legal.
Me perdi ao procurar a A43 – Münster. Acabei dando uma volta desnecessária, mas logo voltei pra A2 – Bottrop/Bremem. Nunca visitei Bremen e essa seria uma chance única. Lembrei também que nunca havia chegado a Hamburg de carro e muito menos voltado de trem. Sempre de avião.
Parei pra abastecer e tomar um café. Os postos na Alemanha são padronizados. Todos iguais, impressionante. Vendem as mesmas coisas sem gosto, os banheiros têm o mesmo sistema dos 50 cents com a fichinha que pode ser usada pra comprar algo depois. São limpíssimos, sem duvida. Senti saudades daquelas almôndegas pretas por cima e vermelhas de molho por baixo dos postos brasileiros.
Numa segunda parada antes de Bremen, fui checar com a reguinha se Gerd precisava de energia. Dos 24 litros, ele havia bebido 13 e rodado 233 km. Consumo fantástico de quase 18 km/l.
[Tenho 1h53min de bateria, ou 54%. A ver]
Bremen e Hamburg são as duas únicas cidades-estado da Alemanha. Faziam parte da Liga Hanseática. As placas dos carros são HB e HH respectivamente. Juju pediu pra eu comprar chás na famosa loja de Bremen, mas era domingo e tava tudo fechado. A não ser pelos Weihnachtsmarkten, os mercados de Natal famosos por aqui. Fazem barraquinhas pra vender de tudo. Salsichões aos montes, Glühwein, um vinho tipo quentão das nossas festas juninas, doces, crepes, chocolates, um sem numero de artigos natalinos, sanduíches e algodão-doce. Vendiam em sacos, não no palito. Achei sem graça.
Entrei na St. Petri Dom por que sou um beato Salú. Entro nas igrejas mais pela arquitetura, obras de arte e riquezas ali contidas do que pela religião. Claro que sempre rezo e peço proteção, mas dessa vez esqueci. Na saída, vi uma escultura de um burro com um cachorro em cima, um gato sobre este e no alto um galo. Tem uma lenda sobre esses animais, mas não sei qual é. Depois procuro saber. Lembrei do Galo, meu vergonhoso time de futebol. Isso é assunto pra depois, ou não. Não sei se o Flamengo foi campeão. Melhor mesmo não saber.
Achei as pessoas em Bremen meio agressivas, mal educadas. Me olhavam torto. Dei uns esbarroes. Um cara atrás de mim ficou impaciente quando abri a porta duma loja e resolvi não entrar dando meia volta. Uma veia comendo um pão com salsicha o escondeu ao olhar pra mim. Eu tinha um litro de suco no bolso do casaco. Tirava fotos como qualquer turista. Não entendi o estranhamento. Sempre que visito uma cidade nova, compro um símbolo de pano pra um dia costurar numa jaqueta ou fazer um quadro. Dessa vez, nem me lembrei.
Tinha acabado de comer um sanduíche com o já falado suco quando vi um grill gigante cheio de bifes de carne de porco. Pedi um com molho e segui em direção ao estacionamento. Gerd me esperava impaciente.
Achar a saída pra A1 – Hamburg foi ate fácil. Parei num posto amarelo pra abastecer e mijar. Seria a última parada ate o destino final. Todo mundo olha pro Gerd. A maioria não fala nada, nem ao menos sorri. Mas sei que acham o carrinho simpático, engraçado. Duas pessoas falaram “Schönes Trabi!”. Agradeci e fui embora debaixo de chuva e da penumbra no meio da tarde. Inverno na Europa é foda. Cinco da tarde parece ser dez da noite. E assim fomos. Eu comendo biscoitos Leibniz de chocolate e Gerd meio ressabiado. Parecia saber que seu tempo no mundo europeu “civilizado” havia terminado. Ate soltou o botãozinho do farol, ainda em Düsseldorf. O mesmo que o Don Gomes pediu pra eu consertar e o fiz. Herr Drösser deu um tapa nele, mas não ficou 100%. Vou pedir outro e mandar pelo correio pra sede do Grande Premio junto com um pacote de biscoitos.
[1h34min de bateria, ou 44%. A ver]
A chegada na cidade foi fácil. Meu GPS manual foi perfeito, só que vacilei ao não seguir na rua do hotel, a Steindamm, e continuar na avenida. Voltar foi complicado. Achar vaga pro Gerd por perto mais ainda. Tive que esperar alguém sair pra conseguir. O hotel Residence era meio decadente por fora. A região também. Cheia de sex shops, lojas de apostas com negões mal encarados lá dentro, lojas fechadas, um teatro e outros hotéis baratos. Fiz o check-in, mas o recepcionista me mandou atravessar a rua e pedir um quarto no hotel da frente. Disse que eram da mesma rede. Sei. Já no novo e também decadente hotel (são da mesma rede mesmo), peguei a chave e subi. O elevador deve ter sido feito em Portugal. Não marca o andar inteiro, mas meio andares. Entrei no E-1 e subi ate o 3-4 por que meu quarto era o 31, no terceiro andar. A porta se abriu e desci meio andar. O quarto ficava meio escondido, mas era sossegado. O suficiente pra quem quer passar uma noite, talvez duas, e não quer gastar muito. Cama grande, travesseiros macios e melhores que o hotel chiliquento que fiquei semana passada durante um treinamento, uma mesinha com TV de 14” e um controle que não funcionava, dois abajures, o indispensável aquecedor, a janela pra ruidosa rua e o banheiro limpo e funcional.
Deixei as coisas e sai pra dar uma volta. Entrei nas sex shops pra ver o que tinha, como se já não soubesse. Nada de inédito, claro. Fui num bar cheio de TVs mostrando futebol. Ali estavam os negões mal encarados, mas que na verdade era apenas uma turma de amigos acompanhando a rodada futebolística. A loja de apostas era ao lado. Todos com os olhos grudados nas TVs, montes de papeis espalhados no chão, ninguém falando ou bebendo nada. Peguei um papelzinho pra tentar entender o esquema. Muito complicado. Resolvi não perguntar e procurar por uma cerva em outro lugar.
A Hbf, vulgo estação central, ficava logo ao lado. Aliás, essa tinha sido a condição nr. 1 ao reservar o hotel. A quantidade de opções de comida e bebida que se encontra nessas estações me assusta. Tem desde Pizza Hut, que gosto muito, McDonalds e Burger King, os de sempre, passando por lojas de comida chinesa, o kebab dos turcos, vegetarianos, italianos, hot dog, padarias e bier bars. Vi um da Löwenbrau, aquela marca famosa de cerveja bávara. Antes entrei numa livraria grande pra matar o tempo. Fiquei folheando um livro enorme do Hewmut Newton, depois li noticias em vários idiomas da imprensa internacional, peguei revistas de carros antigos, e por fim vi a entrevista do Dave Gröhl pra revista Mojo. Quem não o conhece, fique sabendo que começou numa banda pequena chamada Scream (vou checar depois), depois foi baterista do Nirvana, ajudou a fundar o Foo Fighters, gravou um álbum com o Queens of Stone Age e agora faz parte da mega banda Them Crooked Vultures. Vou ao show deles amanha em Köln (Colônia). Foi só por isso que escrevi sobre ele. Com a boca seca e pedindo uma gelada, me sentei na tenda bávara e pedi uma Löwenbrau. Assisti as lamurias dos técnicos de futebol alemão, vi alguns gols da rodada e me mandei.
Tem tanta gente nessas estações que fico sempre observando algumas pessoas e tentando adivinhar o que estão fazendo ali. A maioria espera o tempo passar pra pegar um trem, obviamente. Mas vários estão esperando por alguém. Muitos trabalham ali, ganham seu pão de cada dia. A grande maioria estrangeiros que migraram em busca de uma Vida melhor às custas de um trabalho braçal e quase escravo. Outros estão como eu, fazendo hora, tomando uma, comprando um livro ou revista, que não comprei, comendo algo por que moram por perto. Os que não têm pra onde ir ficam ali também. Pedindo esmola, procurando algo nas lixeiras. Não é tão raro de se ver cenas assim. Amanha estarei de novo nessa torre de Babel chamada Hbf pra pular num trem e voltar pra Essen.
Mas antes, tenho que despachar Gerd pra Montevideo.
########################################################################### Hamburg, 7 dezembro 2009 (tem um velhinho do meu lado)
O porto abriria às 8h da matina. Desci pra tomar café às 7h e encontrei o necessário. Tinha ate mais do que isso. Pra mim basta um pãozinho com manteiga, queijo e café com leite. Nem precisa de presunto, mas tinha salame, ovos mexidos, suco de laranja, podia-se escolher entre cappuccino, expresso e milch caffe, tomate e pepino (alemães amam essa merda) e três tipos de pães. Me esbaldei. Pensei no hotel do curso em Essen e no exagero desnecessário. La havia o café da manha bem mais farto, é verdade. No meio da manha fazíamos uma pausa pro café com biscoitos ou frutas. Uma maquina de café dessas chiques ficava ali à vontade. Pra fazer um latte machiatto, cappuccino, expresso entre outros. Na sala de treinamento havia uma mesa com vários tipos de chá e mais café. O almoço tinha sempre uma sopa, depois salada, prato principal e sobremesa. Seguidos por um cafezinho no fim. No meio da tarde, nova pausa. E às oito da noite o jantar nos mesmos moldes do almoço. Não dava tempo de sentir fome. Um desperdício. Um exagero. Esse Mundo é muito injusto. Mais de um bilhão de pessoas passando fome e nos nesse abuso todo. Quanta comida era simplesmente jogada fora ali todos os dias.
Devia haver um meio de redistribuir tudo isso. Essa desigualdade toda existe por que uns poucos têm muito, mas muito mais do que precisam (e ainda reclamam), enquanto que a maioria não tem sequer o necessário pra sobreviver diariamente.
Bem, peguei Gerd e fui em direção ao porto, Hafen em alemão. Meu GPS manual dessa vez foi perfeito. O destino era a Dessauer Strasse 48 na Unikai. O tal Schuppen 48 abrigaria Gerd de hoje ate o dia 18 Dez. Nesse dia, o cargueiro Grande Francia dos Grimaldi o levaria para uma viagem só de ida aos mares do Sul. Ele me pareceu tranqüilo e sereno. Não se emocionou muito na despedida. Disse que seu tempo na Europa realmente já acabou. Agradeceu pelo carinho e cuidados, mas disse que agora fará parte de uma família nobre e conhecida no Brasil. Seu sobrenome será italiano. Magliari me disse ele. A tal empresa Orient ODS não tinha feito a reserva. Ao tentar fazer o check-in, Gerd não constava da lista de passageiros. Reservei uma cabine dupla, mesmo sabendo que ele embarcaria sozinho. Vai que ele conhece alguém na viagem. Dois telefonemas e tudo resolvido.
Entrei com dificuldades no pátio do porto, dirigi feito barata tonta ate achar o local exato onde deixá-lo. Vi vários carros interessantes, principalmente um jipe estilo militar da Suzuki. Não esses que a gente vê nas ruas, mas tipo Land Rover. Fiz algumas fotos e vídeos, mas um segurança me disse que era proibido. Mandou apagar tudo. Quando ele virou as costas, fiz tudo de novo e disse ao Gerd que sou brasileiro e não desisto nunca. Ele riu e gostou.
[56min de bateria, ou 27%. Essa conta ta errada.]
- Bem, agora você vai ficar aqui 11 dias e depois seu navio vai te levar pros Trópicos.
- Mas por que esperar todo esse tempo?!
- O navio é dos Grimaldi, são frescos. Querem tudo de primeira e leva esse tempo pra organizar tudo. Imagina a quantidade de champagne e caviar que estão levando.
- Não preciso disso. Quero apenas um lugar seco e confortável. E gasolina e óleo.
- Isso você terá, não se preocupe. Me garantiram na entrada.
- Explicou pra eles sobre as marchas na coluna de direção?!
- Claro, disseram que estão acostumados.
- E a chavinha da gasolina?!
- Também já sabem. Nenhum mistério ai.
- Tudo bem então. Essa traseira desse A6 me agrada.
- Foi coincidência. Você é um cara de sorte.
- E o protetor solar que o Flavio falou?!
- Chegando em Sampa você pede pra ele. Têm vários por que ta ficando carece e odeia tomar sol na moleira.
- Você vai ficar bem sem mim?!
- Claro, fazer o que. Vou sentir sua falta, mas segue a Vida.
- Pois é. Obrigado por mudarem minha Vida.
- De nada. Aproveite a viagem. Seu tio Walter te aguarda ansioso.
Vi no twitter de alguém: http://www.nme.com/list/50-best-albums-of-2009/159978/page/1
Amanha comento sobre as bandas das quais conheco poucas. Acabo de chegar de Köln onde fui ver Them Crooked Vultures. Resenha só na quarta, mas o show foi demais. Dave Grohl arrebenta e vi o John Paul Jones ao vivo. Só falta o Page.
E também só amanha o relato completo da Gerd Delivery em Hamburg. Com fotos e videos, claro.
Minha ordem preferência nas marcas de carros alemaes comeca com Porsche, Audi, BMW e Mercedes por último, mas essa obra-prima é demais.
Moss foi quatro vezes vice-campeao de Formula 1, mas é muito mais lembrado (e famoso) do que muito campeao por aí.
O texto do UOL:
"A série especial de encerramento do Mercedes-Benz SLR leva o nome Stirling Moss, feita desde janeiro em homenagem ao famoso piloto inglês que fez história na década de 1950 a bordo do 300 SL Gullwing - o chamado 'Asa de Gaivota', que inspirou o recém-lançado cupê SLS. As últimas unidades do SLR terão o potente motor dianteiro-central 5.5 litros de oito cilindros em 'V', sobrealimentado por um compressor e capaz de entregar nada menos que 650 cv. Dados da montadora alemã indicam uma aceleração de zero a 100 km/h em rápidos 3,5 segundos e velocidade máxima de incríveis 350 km/h - a mais elevada em um carro fabricado de série."
Essen-Burgaltendorf (nao dá tempo de sentir fome...)
Grande parceiro de Silvio Santos, o locutor Luiz Lombardi Netto morreu aos 69 anos na manhã desta quarta-feira (2), em Santo André, região metropolitana de São Paulo.
Outro dia foi o Herbert Richers, da "versao brasileira".
Michael Jackson se foi também.
Só faltam Pelé, Maradona, Silvio Santos, Xuxa, Lula, Bozo e o Chaves. O Mick Jagger também entra nessa lista. Paul McCarthney também.
O Mundo só piora, impressionante. Esses caras sao insubstituíveis. Ninguém vai chegar aos pés deles em momento algum no futuro.
Escrevi esse texto na sexta passada no aeroporto de Zürich. Vai do jeito que ficou. Era pra postar ontem, mas deu um pau geral no ßlog e no Mac que nunca aconteceu antes.
ps. Viajar é bom demais, mas o tal de chegar em casa é melhor ainda.
26 Nov - Zurich (Lindt = Garoto)
No post de ontem, esqueci de falar sobre a hospitalidade, atenção e cordialidade dos purtugueses. Tratam todos, não só os brasileiros, com muito respeito e amizade. Talvez por isso, Lisboa tenha sido eleita o destino turístico nr. 1 no Brasil. Aqui na Europa a imagem deles não fica longe. Percebi turistas de varias nacionalidades, suecos, italianos, franceses, perambulando pelas ruelas da cidade.
Ontem fomos almoçar no Moisés, típico restaurante português para almoços rápidos. Os homens se sentam no balcão e tomam seu vinho verde enquanto o prato não chega. Meu cozido à portuguesa com vinho verde, claro, veio rápido. Resovi seguir a sugestão do Rui. O terremoto de Lisboa em 1755 apareceu na conversa, assim como a data de origem da cidade, criada pelos romanos (segundo Rui e José), a influência purtuguesas na cultura européia e futuramente mundial e por aí vai. Aprendi, ou pelo menos ouvi, que o chá inglês fora inicialmente introduzido pelos lusitanos na ilha da Rainha. O café, do Brasil, foi disseminado, primeiramente na Europa, pelos pequeninos lisboetas e conterrâneos.
Tinha até um senhor no restaurante que deve ser tio do Luiz, o maior humorista de todos.
Depois do trabalho, passei no hotel pra deixar as coisas e sair em busca de bons vinhos, azeites e talvez queijos. Fiquei nos dois primeiros por questões de logística. A região do Douro foi eleita para os tintos, acompanhado de um vinho verde cujo nome não me lembro (favor ler com sotaque de Lixboa) e dois azeites excelentes. Juju com certeza iria gostar.
Mercadoria devidamente descarregada no quarto, vamos pra rua. Bater perna por uma cidade onde nunca estive é das coisas que mais gosto de fazer na Vida. Com o mapa no bolso e apenas a direção do Bairro Alto na cabeça, segui pelas ruas e avenidas da cidade-origem do Brasil. As semelhanças são impressionantes. Ficaram mais visíveis ainda no transito. Tudo parado, cruzamentos bloqueados, ninguém respeitando a área marcada e proibida... mais em casa impossível. Portugal é o Brasil sem a família e os amigos.
A primeira parada foi numa pastelaria ao lado dum hotel 5 estrelas com restaurante requintado acoplado. Entrei em busca do famoso pastel de Belém, mas me contentei com um pastel de bacalhau. Lembrei da Carol prima da Juju falando isso. Estavam fechando e o miúdo purtuga tava nervoso, se recusando a servir um descafeinado e um doce para um senhor. Não fosse a boa vontade da purtuga sua colega e o velho ficaria na vontade.
O Bairro Alto com seus bares e restaurantes espalhados pelas ruelas irregulares e inclinadas me fez lembrar Montmartre, mas com um charme diferente. Eram bares de musica ao vivo, outros com DJ, vários com o famoso fado ao vivo, musica que nunca ouvira na Vida até então, e uma variedade interessante de sons e pessoas.
Olhei no mapa e vi a Igreja de São Roque. Como sou um beato Salú louco por igrejas, mais pela arquitetura e imponência do que pela religião, achar a igreja virou missão a ser cumprida. Acho que metade de todo o ouro das Minas Gerais esta lá. Não conheço residência divina com tamanha quantidade de ouro. E com um órgão maravilhoso pra completar. Fiquei imaginando como seria a Catedral da Sé. A lisboeta, nao a paulistana, claro.
Saindo de lá, o próximo destino era o cais do Sodré. Um professor de cálculo que tive na Fumec era chamado assim. Me lembrei do nome, mas não da pessoa. Na descida para o rio Tejo, saí numa praça. Uma barraca pequena com mesas espalhadas se destacava no meio dela. Perguntei sobre o pastel de Belém pensando em algo salgado. A menina me mostra uma empadinha de massa folheada com um recheio amarelo no meio. Ao invés de ketchup ou maionese, me pergunta se quero canela. O pastel é doce, mas agrada. Nada que não tenhamos iguais ou melhores no Brasil (na Alemanha, jamais), mas não era nada de outro planeta. Tinha um outro doce comprido ao lado e perguntei o que era. Custavam 50 centavos, uma mixaria na Europa onde nada custa menos de 1 ou 2 euros. Provei os tais travesseiros de Sintra e me arrependi. A pasta amanteigada cola imediatamente no céu da boca. Pra tirar, so enfiando um guardanapo na boca raspando e limpando. Segui pro cais repetindo essa operação.
Na praça em frente ao cais, já no Sodré, tenho duas pastelarias/lanchonetes pra escolher. A cerva Sagres já estava escolhida, mas o que comer?! Fui de coxinha de galinha mesmo pensando se estava sonhando. Do cais rumo a Praça do Comércio era um pulo. Chegando lá, uma reforma enorme me impediu de fazer fotos. Os edifícios e espaços públicos da cidade estão sendo restaurados aos poucos. Acho que em 3 anos Lisboa terá um centro antigo revigorado e em ótimo estado.
Eram quase dez da noite quando fui subindo em direção a Sé. No caminho, me senti na esquina da Av. do Contorno com R. Espírito Santo em BH. Exatamente na Igreja do Santo Antonio, só que agora diante da original. Lembrei do Guidão. Talvez ele seja a explicação dessa minha paixão por igrejas.
A cidade já estava devidamente explorada. Agora era seguir até a Praça da Figueira, passar pela Praça D. Pedro IV (passaram dois números e eu nem vi?!) e chegar no metrô Restauradores, já na Av. Liberdade. Depois da Figueira, passei por um restaurante anunciando “bifanas”, entre outras iguarias. Entrei pra ver o que era. Um saduba de bife de carne de porco no pão com mostarda daquelas amarelinhas pra acompanhar. Mandei um e uma Sagres preta pra terminar o tour gastronômico.
Meu cunhado Leocádio coleciona copinhos do Hard Rock Café. Mesmo sem ter estado nas cidades. Caí na besteira de falar pra ele sobre o de Lisboa. Claro que me encomendou um. Tive que entrar e comprar. Pelo menos vi um clip bacana do Black Crowes e o lugar me pareceu agradável, mas seria minha última opção de restaurante/loja a visitar. Outro dia explico minha birra com os States.
Com o M-Restauradores fechado, subi a Liberdade ate o M-Avenida. De lá até o M-Parque foram duas estações. No dia seguinte, uma reunião sobre um assunto em que eu não tinha a menor idéia me aguardava. Gosto de novidades e o assunto agora ficou interessante.
Em momento algum nesses poucos dias em Lisboa aquela ignorância e burrice dos purtugas atribuída pelos brasileiros foi percebida, pelo contrário. Profissionalmente falando, são muito competentes e sérios. É uma cidade e um país que merecem ser visitados e compreendidos. Espero que esse trabalho iniciado agora renda frutos e que eu possa voltar outras tantas vezes.
Quando tiver saudades do Brasil, das comidas, bebidas e lugares, já sei pra onde ir.
Dusseldorf (vi esse no blog da mary, que nao sei quem eh)
A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia.
Imagine que você está descendo as escadas do metrô, como faz habitualmente todos os dias, e começa a ouvir sons de piano, tocados em ritmo que vai de acordo com os seu passos. Essa foi a proposta da agência de publicidade DDB em uma parceria com a Volkswagen.
As duas empresas se reuniram para criarem um experimento chamado, Fun Theory (algo como "teoria divertida", em inglês), uma tentativa bem ambiciosa de tentar mudar os hábitos sedentários dos moradores da capital da Suécia, Estocolmo.
Para isso, transformaram as escadas de uma estação de metrô em um piano, o que aumentou surpreendentemente o uso das escadas em 66%. O resultado você confere no vídeo ai embaixo.
Lisboa eh Sao Paulo com predios mais baixos, muito menos gente e um transito 300 vezes menor, mas que engarrafa. As semelhancas com o Brasil me impressionaram.
Cheguei ontem na hora do almoco e fomos direto para o Tempero de Minas. La chegando, vejo aquelas panelas de pedra magicas fumegando. Arroz carreteiro, tutu a mineira, frango ao molho pardo, costelinha, mandioca frita, frango com quiabo, farofa, banana frita, linguica. Tava todo mundo la. Muito melhor do que meu sonho mais otimista. A dona eh de Vicosa, conhecida por sua universidade de agronomia, entre outras qualidades. Me ofereceu ate uma cachacinha no final. Tive que recusar por que a viagem nao era turistica.
(Peguei no Gugou)
Jane mamae quando aqui esteve, me contou dos predios decadentes no centro antigo. Realmente muita coisa ta caindo aos pedacos, mas agora percebe-se varias faixas de APROVADO pela Camara Municipal autorizando a restauracao, nao se sabe quando, desses edificios. Eh o comeco da revitalizacao do centro antigo.
A noite seguimos para o Bairro Alto debaixo de uma chuvinha de "molhar bobo", que aqui se chama "de molhar tolo". Tivemos que usar o bondinho pra subir (esqueci o nome, amanha eu descubro... to com sono). Achamos um restaurante/adega de vinhos e por la ficamos. Degustacao com queijos portugueses. Esse bairro eh povoado por uma infinidade de barzinhos e restaurantes que se espalham por suas ruelas irregulares em comprimento e direcao. Era uma area meio abandonada da cidade que foi aos poucos sendo habitada por descolados.
Os purtugas falam chiado como os cariocas. Sao pequeninos, como dizem eles proprios, feios, mas trabalhadores e honestos. Foi o pouco que pude perceber ontem.
Hoje foi bem mais interessante. Depois de almocar no Moises, voltei pro trabalho. Bati perna por quatro horas parando varias vezes pra provar os petiscos locais e tomar a boa cerveja Sagres.
Inte... amanha tem mais. Com fotos tiradas por mim.
Düsseldorf (Rep. Dominicana é um bom lugar pra se viver?!)
Gerd reclamou na semana passada da falta de uso, entao resolvi botar o carrinho pra rodar. Sábado fomos pra Essen jogar um amistoso num time de um colega de trabalho. Pra mim seria apenas uma pelada entre amigos, mas cheguei lá e havia uniformes, refletores, um campo de terra batida mas perfeitamente nivelado, mini-torcida do time adversário, um juiz comédia que dava dez passos pra um lado e outros dez pro outro e até uma convencao de laser freaks no salao do clube. Tem coisas que você só acha na Alemanha. Perdemos o jogo por 6x2, claro. Joguei só o 2°T e o 1° terminou 1x3... nao podem me culpar de nada.
Bem, hoje fui com Gerd de novo pra Essen trabalhar. Como somos exigentes, só ouvimos a rádio WDR3 que toca ópera, música clássica e jazz. E só. Uma notícia ou outra e mensagens de engarrafamentos, vulgo Stau em alemao. Eles amam essas notícias. Se o cara tá na Autobahn A3 indo de Köln (Colônia para os desavisados) pra Frankfurt e escuta que tem 5km Stau na A345 entre Leipzig e Dresden o cara tem um orgasmo. A gasolina do Gerd acabou no meio da Autobahn, mas foi só virar a chavinha pra posicao R que ele voltou ao famoso ritmo noventaporhora, palavra já homologada pelos germanísticos e entrará na próxima revisao do dicionário Langenscheidt. Acordei atrasado hoje. Queria ter ido de trem, mas Gerd me salvou. Uma vez mais.
Hoje às 11h da manha parecia o fim do mundo. Tudo escuro, árvores sem folhas, um vendaval lá fora, nuvens negras, carros passando na avenida molhada e as pessoas trabalhando no conforto do prédio como se a coisa mais normal do mundo acontecesse lá fora. Pra mim era o apocalypse em pessoa.
A volta pra casa foi complicada. Chuva e vento. Faróis passando, escuridao. Um caminhao colou na minha traseira e nao saiu mais. Cortei um bando de lerdos atrás de um trailer pra aliviar. Ella Fitzgerald cantava magistralmente. Gerd chacoalhava todo. Pensei "estou num carro de PLÁSTICO no meio desse vendaval". Deu tudo certo, como sempre. Amanha ele vai de novo. Tenho futebol e fica fora de mao voltar de trem. Dessa vez é uma peladinha despretenciosa mesmo. Sem desculpas pra derrotas.
Saí de casa hoje pensando nos documentários que assisti ontem na TV alema. Um bombardeio de informacoes, como sempre fazem. Tanto em quantidade como em qualidade.
Segui caminhando na manha fria e úmida do outono alemao em direcao ao canteiro de uma avenida. Lá existe um mini-estacionamento grátis. Fica a 10min a pé da minha casa. Talvez um pouco menos. De longe avisto Gerd. Parecia agitado. Me vê e se alegra prevendo o movimento.
Entro, me sento, passo o cinto, abro a torneirinha, puxo o afogador, bato a chave (ele sempre pega de primeira), diminuo o afogador, ligo o rádio, acendo os faróis, engato primeira, solto o freio de mao e arranco.
9 de Novembro de 2009 sao 20 anos depois da queda do muro da vergonha. O muro que dividia Berlin Ocidental, um enclave capitalista no meio da Alemanha Oriental, do lado Leste da cidade, socialista. Muro que separava as vítimas da Guerra Fria e do pós-guerra. Alemaes que pagaram com juros e correcao monetária o que seus antecessores fizeram para o Mundo entre 1939 e 1945. O joguinho político de poder e supremacia global teve em Berlin um dos seus principais símbolos.
Resolvi prestar a minha homenagem indo com um Trabant, de nome Gerd, para o trabalho em Essen. No caminho, alguns olhavam. A maioria ignorava. Acho que muitos nem se lembravam da data importante. Já na Autobahn 52, um carro passou e buzinou diminuindo a velocidade. Fiz um sinal de "jóia" e ele seguiu.
Gerd me contava que seus companheiros de estacionamento lhe perguntaram várias coisas. Carros capitalistas e modernos, nao estavam acostumados com um Trabi de 21 anos vindo das cercanias de Leipzig. Depois de esclarecida sua origem, Gerd relatou o curto período que viveu sob a cortina de ferro, de Set 1988 até 9 Nov 1989.
A família Lorenz se aventurou numa tentativa de fuga e asilo político na Hungria em Abril de 1989 quando as coisas pareciam mais amenas. Gerd foi contra desde o início, mas era voto vencido. Heiko, proprietário de um pequeno negócio de ventiladores, era o mais empolgado. Pia, a dona de Gerd, concordava com a tentativa com um pé atrás. Sua irma mais nova e o namorado foram levados pela influência do homem-ventilador.
Foram ver se os ventos húngaros sopravam mais fortes e frescos do que em Leipzig. No caminho foram controlados por uma patrulha do exército da DDR. Rapidamente percebeu-se a intencao dos quatro. Mandaram dar meia volta, mas nao sem antes aplicar uma multa. Gerd riu baixinho confirmando suas impressoes.
O dia de hoje foi marcado por várias homenagens. Além da ida até Essen, na hora do almoco levei uma alema colega de trabalho pra passear no Gerd. Ela cresceu no lado leste de Berlin e seu pai teve um Trabant igual ao nosso. Ficou feliz da Vida ao vê-lo e mais ainda ao ouvir o som característico do motor 2 tempos. Me contou que um Trabant era a única opcao naquela época. Retruquei dizendo que se poderia comprar um Wartburg, ora bolas. Ela respondeu que se para um Trabi esperava-se 10 anos, um Wartburg demoraria 18.
É estranha a sensacao de morar em um país tao desenvolvido e retrógrado como a Alemanha. Sao a potência da Engenharia, da Tecnologia e da indústria automobilística, entre tantas outras. Mestres da Filosofia, música clássica e Política. Mas ao mesmo tempo, vivem se estranhando uns aos outros. Grupos neo-nazis surgem aos montes na antiga DDR. Nao sabem nem o por que fazem parte desses grupos cujo único objetivo é a discriminacao racial pura e simples e a violência gratuita.
Os turcos sofrem bastante na Alemanha. Fazem um trabalho que nenhum alemao gostaria de fazer, mas necessário. Pagam impostos, geram renda e mais empregos. Os alemaes, de maneira geral, olham torto, no fundo, prefeririam vê-los em Istambul ou Ancara, bem longe daqui.
Apesar de nao dominar o idioma, conheco as diferencas culturais e o irritante modus operandi dos alemaes. Seguem regras à risca, sao inflexíveis na maioria das vezes, pouco criativos, mas muito metódicos, organizados e trabalham com alta produtividade. Nao trabalham muito, mas sao eficientes.
Gosto daqui, apesar de tudo. De ver as estacoes do ano mudando. Da localizacao. A Oktoberfest também é algo que me agrada muito. Os carros antigos e a proximidade de autódromos famosos como Nürburgring e Spa-Francorchamps. A já citada organizacao em um país onde tudo funciona. A infra-estrutura de transportes simplesmente fantástica com transporte fácil para todos. Todo mundo pode ir e vir sem maiores dramas.
Mas sinto que algo ainda me falta. Nao sei bem o que, mas vou descobrir em breve. Sou bom para prever o futuro. Tenho ótimas percepcoes e vislumbres. Nunca me enganei com as pessoas. Sei exatamente quem é quem e quais sao suas intencoes, índole, pensamentos. Nao, nao sou vidente e nem quero ser.