Wednesday, March 06, 2013

Brasil vs. Alemanha - Seguranca

Meerbusch (quem é o prisioneiro?!)

O Rheinpark se esparrama entre a Tonhalle, casa dedicada a concertos de música clássica, e a Theodor-Heuss-Brücke, uma ponte ligando Düsseldorf ao seu bairro mais nobre, Oberkassel. Fica a 10 min caminhando da Altstadt, a cidade velha e centro.

Nao sei exatamente quantos metros quadrados de área verde este pulmao da cidade possui. Nao é o único, talvez apenas o mais usado por seus cidadaos. Tem também o Hofgarten, Jardim da Esperanca, literalmente no coracao de Düsseldorf. E também o Volkspark, Parque do Povo, o Südpark, o Nordpark e até o Wildpark ao leste. Mas esse tá mais para floresta do que parque.

Sentados nos banquinhos casais namoram, velhinhos proseam, jovens dao suas primeiras tragadas e beijos, descolados fazem pic nic com paes, queijo e vinho branco. Amigos tomam algumas cervas combinando a próxima viagem ou relatando a última. O Reno logo em frente com suas barcacas movimentando a economia é testemunha de tudo. Ao ar livre

Nos finais de semana, jogos de futebol em campos improvisados dos mais diversos tamanhos celebram a paixao dos alemaes pela bola. Churrascos se iniciam nas horas mais variadas. Numa vez, durante as comemoracoes do doutorado do Pedro Brito e do Federico, comecamos um às 6 da tarde e varamos a madrugada até 4 da matina. Quem passava oferecia as sobras de suas parrillas, basicamente carne e cerveja. Aceitávamos tudo e a municao da festa nunca acabava.

No verao, centenas aproveitam o sol como podem. Seja lendo, jogando vôlei, brincando com cachorros, passeando com filhos, pais, maes, sogros, primos e amantes. O Biergarten fechado entre novembro e marco dá o ar da graca oferencendo litros e mais litros de pao líquido.

Ciclistas e corredores amadores e profissionais queimam a adiposidade acumulada no inverno. Pais de bike rebocando os filhos nas carretinhas, inline skates seguindo a ciclovia que continua após o parque, lentas caminhadas dos avós aconselhando os netos. O gramado e as árvores assistem a tudo isso, entra ano, sai ano. No verao montam uma tela imensa de cinema ao ar livre. Durante um mês tem-se uma experiência única de ver um filme com as luzes da cidade e o Reno ao fundo. Assistimos Shine a Light em 2012, Thomas, Juju e eu. Invariavelmente chove, fazer o que. Estamos na regiao de menor incidência solar da Alemanha.

A imensa maioria dos prédios nao tem garagem. Isso é luxo por aqui! Mas faz uma puta diferenca quando se mora em bairros movimentados onde achar uma vaga é mais difícil do que um assalto a mao armada. No inverno entao, pior ainda. Todo dia de manha o mesmo ritual. Limpar os vidros com a vassourinha e raspar o gelo das janelas. Tudo isso a 0° C ou menos. Mas é divertido por aqui nao neva muito.

A praca principal da cidade é utilizada o ano inteiro. Seja para feiras de vinho, encontro de carros antigos. celebracoes do 14 de Julho homenageando os franceses com barraquinhas de comidas típicas, um festival de outono com teatro e palco para shows, o Japanische Tag, dia dos japoneses - a segunda maior colônia dos nisseis fica em Düsseldorf - e até uma etapa do campeonato de ski já passou pela praca. Neste inverno uma roda gigante foi montada ali. Logo ao lado dela, chega-se na prefeitura com uma praca menor, mas também usada com frequência. Festival de jazz, mercados de arte, Karnival e tantos outros eventos. Alguns mendigos moram ali perto.

Seja rico ou pobre, sao eventos democráticos. Vai quem quer e tem vontade. Ao ar livre.

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No Parque Municipal de Belo Horizonte a mulher vinha calmamente caminhando com sua filha. Parou pra comprar algodao doce. Nesse curto intervalo, uma senhora chegou perto da menina e a segurou pelo braco. Ela reagiu tentando se desvencilhar. A mulher tentou agarrá-la de novo. A mae percebendo o perigo chegou perto. A possível sequestradora viu seus planos acabando e se mandou.

A reacao imediata é de nunca mais voltar no Parque mesmo sendo ele bem cuidado e policiado.

Desconheco casa ou edifício em BH sem garagem. E nenhum louco que deixa o carro dormir na rua. Os prédios tem áreas de lazer com churrasqueira e piscina. Ficam todos ali seguros aproveitando a folga do final de semana. Na ponta de cima, espacos e varandas gourmet garantem o alto nível da festa. Vistas estonteantes da cidade "dominada" embelezam mais ainda o visual. Cerva importada, carne idem, mostarda também, ketchup e molho barbecue obviamente que vem de fora também. Uma linguicinha marota aparece por ali balancando a bandeira verde amarela tentando participar da farra. Vinhos argentinos e chilenos sao presenca constante. Nada contra eles, pelo contrário. Acho ótimos!

Na outra ponta da corda, Gilberto assa alguns espetinhos numa lata de óleo em cima da laje. A turma faz a festa no pagode e samba de roda. Tem arroz e carne de segunda a rodo. Cachaca também. Aproveitam da mesma forma a folga do final de semana. A cerveja tem mais milho do que cevada, mas o que importa se tiver gelada?!

Carros andam com os vidros fumê, fechados no preto, sempre cerrados. Ar ligado, tá calor lá fora! Se puder blindar, melhor ainda. Mas é pra poucos. As lojinhas de bairro vao minguando lentamente cedendo lugar aos shoppings. Lá tem estacionamento coberto vigiado 24 horas, embora o estabelecimento nao se responsabilize por qualquer dano ao seu veículo.

E os cinemas?! Na Franca é uma festa ver tanto cineminha, cine clube e cinemao nas ruas. Um barato! Dá vontade de aprender francês só pra ir ao cinema. Os luminosos com os dizeres e horários dos filmes, posters e nomes dos artistas. Em BH o último que resiste é o Belas Artes. Até quando?!


A falta de seguranca gera tudo isso. Cada um cria a fortaleza que pode pra proteger-se da sociedade. Acham-se livres, mas sao prisioneiros de si mesmos. Nao podem andar por aí livremente com uma câmera registrando a arquitetura e as pessoas da cidade. Até podem, mas sempre com o pé atrás.

As empresas de seguranca eletrônica ganham rios de dinheiro por causa disso. Trancas, alarmes, seguradoras, segurancas particulares, guarda-costas. Um rio de dinheiro canalizado para combater algo que nao deveria existir. O medo da violência.

Aquele andar descompromissado, apreciando o por do sol de bracos dados com a pessoa amada é cena do interior. Mas bem interior mesmo, nos grotoes do país. As cidades médias brasileiras já estao perdendo esse charme. 

Solucao: sentencas padrao para crimes semelhantes.
Roubou um carro = 1 ano de cadeia;
Matou alguém = 20 anos de cadeia;
Crime hediondo = pena de morte;
Assalto a mao armada com vítima = 25 anos de xilindró. Uma tabela de crimes e punicoes a ser aplicada exemplarmente.

Desburocratizar a justica também ajudaria muito. Processos teriam direito a no máximo um recurso. Depois de julgado e a sentenca promulgada no Twitter do juiz o réu seria imediatamente preso e a pena iniciada na penitenciária mais próxima.

Presídios divididos em várias categorias iriam separar o joio do trigo. Assaltante de banco nao pode ficar preso com estuprador e muito menos com quem cometeu crime passional. Escolas e trabalho para os meliantes que pudessem ser recuperados garantiriam um retorno digno a sociedade.

Como o Brasil é o país de cotas, cria-se logo uma para as empresas empregarem 5% de ex-presidiários em seus quadros. Já seria um comeco.

A pergunta é: quem é o prisioneiro?!

Tuesday, March 05, 2013

Brasil vs. Alemanha - Mobilidade urbana

Meerbusch (explode tudo e comeca de novo)

Antes de entrar no carro hoje na ensolarada e fria manha alema já senti a brutal diferenca. O ar é mais puro e cristalino. O som do motor, imperceptível. Inseri o SD card e selecionei a música.

As rodas comecaram a girar num asfalto liso e impecável. Feito pra durar pelo menos 20 ou até 30 anos com as devidas e regulares manutencoes. Ruas limpas. Espaco para ciclistas, caminhantes e corredores ao lado da estradinha de acesso a Autobahn.

Os freios fizeram um barulho estranho. Talvez tenham ficado travados no frio do inverno de duas semanas atrás e as pastilhas grudaram nos discos. Isso pode ter causado alguma saliência. Amanha vejo isso.

No trânsito, nenhum sobressalto. Tudo perfeito e organizado. Peguei o primeiro túnel em direcao ao aeroporto. Logo alcancei a ponte sobre o Reno. Barcacas trafegavam subindo o rio com matéria prima essencial como combustível, areia, sucata, carvao. Outras desciam o Velho Chico alemao com produtos manufaturados como tratores, carros ou containers contendo os mais diversos bens de consumo durável e nao durável. Destino: Rotterdam ou Antuérpia.

Alguns metros depois, o aeroporto. Fica a quinze minutos do centro de Düsseldorf. Chega-se de carro e taxi, mas também de S-Bahn, o trem rápido, ônibus, trem regional, trem intercity ou mesmo os rápidos ICEs (Inter City Express) que chegam a 300 km/h. Dá pra ir de bicicleta também, mas carregar mala assim nao é muito inteligente.

Segui pela A44 passando pelo túnel que liga a estrada às vias de acesso ao aeroporto. Todas muito bem sinalizadas e fluindo. Passei antes por um radar limitador de velocidade a 100 km/h. Quase em ritmo de tartaruga quando se pensa na ausência de limites nas perfeitas autoestradas de todo o país. E que nao cobram pedágio. Sim, tudo de graca! Sao mantidas e renovadas com o dinheiro dos impostos.

Passei pela entrada da A52 a direita onde os Pendler, pessoas que moram numa cidade e trabalham noutra, seguem em direcao a Essen, Oberhausen e outras cidades. Na Renânia do Norte e Vestfália, ou Nordrhein Westfalen (NRW) tem-se a maior quantidade de Pendler da Alemanha. Isso se deve ao fato da maior conurbacao urbana do país cervejeiro ser aqui mesmo. O direito de ir e vir é garantido a todos.

Entre o túnel do aeroporto e o próximo nao há limite de velocidade. Passo pelo terceiro túnel e reduzo a 110 km/h, um pouquinho acima dos 100 permitidos. Vejo um cavalo num mini haras a minha direita. Me lembro que metade dos nossos engenheiros de campo possuem cavalos para diversao familiar nos finais de semana. Todos tem as carretinhas pra puxar o animal e o guardam e alimentam em fazendinhas apropriadas e acessíveis a seus bolsos. Sao trabalhadores da classe média.

Na entrada da A3 o trânsito se intensifica todos os dias. Basta que os carros se acomodem e o ritmo vai aumentando gradativamente. No trevo da A46 entro a direita em direcao a Hilden. Carros e caminhoes dividiram suas manhas comigo em perfeita harmonia. Nenhuma buzina ou piscadela sexy de farol.

Ao som de Otis Redding chego em Hilden. Trânsito inexistente também. Gastei 25 minutos para percorrer pouco mais de 40 km. Estaciono o carro na vaga do chefe que está de férias e fico pensando como seria essa mesma manha no país onde ele está.

O Brasil.

Para os sortudos que tem carro gasta-se facilmente uma hora pra sair da zona sul até o centro da cidade. Os engarrafamentos comecam já na saída dos bairros. Buzinas, filas duplas de colégios, as batidas ocasionais de sempre, obras com caminhoes saindo com terra e chegando com material, ônibus aos montes nas faixas exclusivas e fora delas. Motoboys, os que fazem a Vida dos brasileiros ser mais "prática" e "rápida" entopem as avenidas e ruas. Pedestres atravessam onde dá, até na faixa. Sinal vermelho é só decoracao. Mas confesso que também furei alguns nesses 15 dias.

Aleluia! Vi uma faixa exclusiva para ciclistas em plena Lourdes e Savassi!

E quem nao tem carro?! Se vira, mermao! A senhora que trabalha na casa da minha mae fazem 30 e tantos anos, fruto ainda da mentalidade escravagista do país, sai de casa normalmente às 5 da matina pra chegar às 8 no trabalho. Na volta é um pouco mais rápido por que ela sai mais cedo, lá pelas 4 da tarde. Me disse que fura a fila sim, que cansou de ser trouxa. Sempre respeitou, mas nao aguentava mais perder tantos ônibus e chegar mais tarde ainda em casa no bairro Sevilha por causa dos engracadinhos furoes. Me disse também que os jovens se sentam nos lugares dos mais velhos. E estes ficam ali, admirando a juventude ordinária.

O metrô de Belo Horizonte atente o leste e norte da cidade. Já tira muito carro e ônibus da cidade e fico imaginando como seria sem ele. Outro dia vi uma protecao na rua tampando o que seriam furos de sondagem para uma futura expansao. Em plena zona sul! Será?!

A qualidade do asfalto também é digna de nota. Entende-se facilmente o aumento nas vendas de SUVs, jipes e afins no Brasil após algumas horas transitando pelos bairros da cidade. Deveriam incluir BH no roteiro do Dakar 2014. Seria uma das etapas mais difíceis. Quando se asfalta uma via os bueiros sao esquecidos e ficam num nível mais baixo. Como se já nao bastassem os buracos existentes, criam-se outros novinhos em folha.

A Linha Verde que liga a cidade ao aeroporto de Confins, distante 45 km do centro, é nova e funciona bem. As duas principais vias de acesso a ela, Av. Cristiano Machado e Antônio Carlos + Pedro 1° seguem em obras de alargamento com viadutos variados. Estao quase prontas e já melhoraram bastante o tráfego. Finalmente desligaram aquele sinal estúpido que ficava quase no final da Cristiano, após a trincheira do Vilarinho. Travava tudo e todos criando centopéias gigantes diariamente.

Outro dia gastamos, Tavinho e eu, uma hora e meia pra ir da Av. Amazonas até Lagoa Santa pelo o Anel Rodoviário. Este já virou uma avenida da cidade. Todo mês um caminhao despenca lá de cima dos Olhos D'Água e sai catando quem tiver pela frente. De nada adiantam os redutores de velocidade. Tavinho disse que fomos rápido até.

Depois precisei de duas horas pra sair do mesmo ponto na Av. Amazonas pra chegar em Betim. Fomos ao Kartódromo Internacional com os gringos, era sexta-feira após seis da tarde, hora do rush. Mas a explicacao era outra: um caminhao tombou na entrada de Betim fechando a estrada e consequentemente a Amazonas. A maioria desviou pra Via Expressa e a bloqueou também.

O BRT (bus rapid transportation), nos moldes de Curitiba, é um ônibus elétrico que vai percorrer essas duas avenidas, Cristiano e Antônio + Pedro. As faixas centrais se destinam a isso.

Pergunta: por que nao fizeram um canteiro central mais largo na Linha Verde para instalacao futura de um BRT?! Ou mesmo de um trem regional ligando aeroporto à combalida e degradada rodoviária?!

Será que as sondagens para o metrô sao eleitoreiras ou verdadeiras?!

De nada adiantam essas solucoes paliativas. Jamais vao acompanhar o ritmo da producao automobilistica que inunda as cidades todos os dias com novas placas. E as antigas e ilegais continuam rodando. Carros sem condicoes mínimas de tráfego nao fazem a inspecao veicular e seguem por aí como barreiras impedindo o fluxo normal.



O grande problema, nesse caso e em tantos outros, é a falta de planejamento. Quando o temos dura no máximo 4 anos. O período entre uma eleicao e outra. Nao existe um Plano Nacional, Estadual ou Municipal dos Transportes. Nao se prevê o aumento de carros e pessoas e o impacto futuro nas cidades. Se fazem essa conta e nao a usam dá no mesmo.

As obras de hoje darao problema daqui no máximo 1 ano. Manutencao cara para o municipio e donos de veículos. Obras feitas para enriquecer as empreiteiras e suas poderosas famílias controladoras e os políticos que as aprovaram nas "licitacoes". O bem comum é sempre preterido em prol dos interesses pessoais. É e sempre foi assim no Brasil, com as raras excecoes de sempre, desde que Cabral por aqui aportou.

Solucao: como já cantaram os Titas, é alugar o Brasil! Para os alemaes, de preferência. Pelo menos no quesito transportes e infraestrutura urbana. Faríamos apenas os aportes mensais e participaríamos como ouvintes das reunioes de planejament, geralmente uma fase mais longa do que a execucao. E também no controle dos pagamentos. Os funcionários brasileiros viriam das melhores empresas do país com competência e principalmente caráter comprovados. Receberiam bons salários e benefícios, nos mesmos níveis das grandes multinacionais, e trabalhariam no mesmo ritmo e afinco.

Aos alemaes restaria o planejamento, execucao e treinamento dos brasileiros para manutencoes futuras.

Acho que 10 anos renováveis por mais 10 daria pra fazer muita coisa.

Frohes neues Jahr

Meerbusch (meu pós barba é óleo de peroba)

Ser cara de pau: desejar feliz ano novo em pleno mês de marco. Nao ficarei aqui remoendo os motivos do abandono bloguístico. Nem mesmo chorando as pitangas pela falta de Tempo.

Vamos direto ao assunto: Brasil vs. Alemanha e as improváveis comparacoes altamente pessoais.

Passei duas semanas em terra brasilis, mas parece ter sido um mês. O velho macete de acordar bem cedo pra ficar mais tempo à toa funcionou de novo. Dormir tarde, lá pelas uma da matina no mínimo, também ajuda na sensacao de expansao temporal. Einstein sabe tudo!

O treinamento foi interessante, mas cansativo. Conhecer os especialistas foi mais importante do que os assuntos. Visitar a caótica usina alema em solo carioca valeu pela experiência.

Pra dar volume ao blog falarei de Minas vs. Nordrhein Westfalen no próximo post.

Wednesday, December 12, 2012

Detesto ouzo

St. Ingbert, Saarland (pacata cidadezinha na fronteira com a Franca)

Lá fora fazem -3° C. Vi três pinguins batendo queixo no ponto de ônibus. Mais adiante, uma morsa de cachecol e gorro.

Entrei no hotel e do quarto nao saí mais. Quase, pois precisava comer. Antes havia pegado as chaves na recepcao que ficava no restaurante grego. Akropolis, pra variar.

Ao ronco do estômago, saí encapotado até os dentes rumo ao Panthéon. O salao estava vazio. Duas mesas. Uma senhora com a filha, provavelmente. Dois caras estranhos planejando um atentado, talvez.

O maitre gorducho e fedido, parecendo o Seu Barriga com cabelos mais brancos, me indicou a mesa ao lado da lareira. Sim, um luxo. "O sr. vai precisar de luz", me disse ele ao perceber o livro. "Aqui tá bom".

Nas paredes, Mykonos, Santorini, Lesbos, Ios e Kreta. Palmeiras artificiais ornavam o salao. Mais brega, impossível. Os possíveis terroristas agora falavam de carro. Discutiam a potência de determinando modelo. Supostas mae e filha eram amigas de geracoes distintas.

Uma grande mesa com um reserviert na ponta era constantemente checada pelo Barriga. Mexia num garfo e ia buscar uma cerveja. Voltava e melhorava a posicao do guardanapo.

Pergunto se eu queria beber algo. "Entrada, prato principal?!". Estava com tempo e nao gosto que ditem meu ritmo. Fiz hora com ele, mas pedi um goulash enquanto decidia o que beber.

Ao lado do fogo crepitando, estátuas brancas. Na verdade, mini estátuas. Seriam Adonis e Arthemis?! "Tem vinho?!", questionei. "Claro, branco ou tinto. Seco, semi-seco ou suave." Quase pedi uma coca-cola.

Comecei a ler o livro ao som de cancoes athenienses. Me lembrei do bardo Chatotorix, personagem do Asterix. O autor das músicas teria tido o mesmo fim em outros tempos.

Chegou o vinho, depois do goulash. E um copinho com um líquido transparente. Perguntei se era água. A menina disse apenas "Ouzo". É a cachaca grega. Senti o cheiro de anis, mas resolvi experimentar assim mesmo. Detesto anis. Desceu quadrado. Encostei o copinho e provei o vinho. Um losango escorregou por meu esôfago, mas cortou o sabor do ouzo. Antes assim.

Com os goles, o vinho melhorou. Fiz questao de nao guardar o nome. Era grego. Nao sei de qual ilha. Pode ser do continente também.

Após dar a última colherada, mais pressao do Barriga. "Posso recolher o cardápio?!". "Nao, ainda vou pedir", disse calmamente. O restaurante estava vazio e eu nao entendia o por que da insistência.

Após algumas páginas e goles, pedi um Schnitzel. Nao tem erro. Mesmo se for mal feito ainda assim é bom. E até que estava gostoso, com fritas e uma saladinha. Veio rápido, assim como a coca que finalmente pedi.

Passados alguns minutos, entendi o motivo da tensao do Barriga. Uma matilha de velhinhos, em plena quarta-feira numa pacata cidadezinha do interior alemao, adentra o recinto. Se acomodam na mesa reserviert alegremente.

Barriga todo feliz corre a anotar os pedidos. "Gyros para o senhor?!". "Com ou sem tzaziki?!" "Pra mim pode ser com." "Ah, mas pra mim é sem viu", reclama a velhinha de 92 anos. É impressionante como a populacao idosa aproveita a Vida na Alemanha. Na Europa de modo geral. Quero me aposentar aqui.

Pensei que o encontro fosse os preparativos para o Baile da Saudade em St. Ingbert, mas me lembrei que a palavra saudade só existe em português.

O copinho com ouzo gratuito e abominável chegou nas doze maos. Os seis casais brindaram a noite gelada lá fora e agradável aqui dentro.

Detesto ouzo.



Wednesday, November 14, 2012

2 Anos...

Meitingen (cerveja à altura do homenageado)

Se o Guidao tivesse vindo fisicamente comigo pra cá, certamente estaria agora tomando um banhozinho tranquilo já pensando na cervejinha de logo mais.

Engracado que saí de casa hoje com aquela camisa polo da PK e um pulover azul marinho da mesma marca sempre usados por ele. Ontem já havia pensado no dia de hoje.

Já passou muito tempo. Parece que foi ontem. Ele morreu. Ele está mais vivo do que nunca. Me olho no espelho e o vejo fazendo a barba, estufando as bochechas pra tirar todos os cabelinhos. Cortando unha entao me sinto um clone. Cuspido e escarrado. Só falta lixar direitinho, mas me falta a paciência que ele sempre teve. Talvez venha com o Tempo.

Olho para os meus pés. Sao os dele. Parecem um paozinho francês, só que nao tao rechonchudos e lisinhos. Os pêlos estao praticamente no mesmo lugar. Andam meio descascados na sola de tanta cachaca, que ele nao tinha por que bebia muito menos.

Era um scotch na sexta a noite acompanhado de queijos, castanhas e amendoins. E uma cervejinha, geralmente em lata, aos sábados pela manha após as atividades em Lagoa. No canil, no quartinho de ferramentas cheio de porcas e parafusos em vidros de Hellmanns, no sótao quando subia naquela escada fuleira quase desmontando. Achava sempre que ele poderia cair lá de cima e estatelar no chao.

Led vinha e ele o repelia na primeira investida. Na segunda já era mais dócil, o Guidao. E na terceira o sem vergonha do alemao, o cao pastor, conquistava a rara impaciência do dono. Alguns afagos e pronto. Saia com o rabo versao helicóptero pelo lote afora.

O papo na cozinha era o prenúncio do almoco. Além das habilidades de Janemamae o tempero das conversas ajudava a marinar a refeicao. O tempero da MPB só melhorava o delicioso.

Cochilava feito um justo logo em seguida. Nao só nos finais de semana como também de segunda a sexta nas empresas que tiveram o privilégio de terem seu nome na folha do holerite. Armava um aparato digno de James Bond. Travesseiro na nuca, pés na mesa, bracos apoiados, embora firmes, na cadeira. E assim cochilava por no mínimo meia hora. Algumas salas possuiam sofás. Um luxo, para o sofá. Até relutava em trancar a porta com medo de varar a vespertina. Invariavelmente sonhava e acordava revigorado para mais um período na labuta.

Hoje veio comigo pra Bavária. Tomamos três chopps e lemos um pedaco de livro. Assim como subiu pra ONG ao lado de Janemamae ouvindo tudo pacientemente. Nao reclamou do tráfego por que, se quisesse, sairia voando por aí dando risada dos reles mortais. Logo ele que nunca foi um deles.

Passeou pelo centro com o Rato em busca de borracha, tecidos e capital para alimentar a potencia do MMA mineiro e nacional. Estudou com o Lucas e deu boas risadas nas novelas da tarde. Esperou ele tomar banho às 5h em ponto pra continuar aquele romance policial tao inusitado depois do café forte, quente e doce com queijo canastra. Ali, na janela, apreciando a vista velha conhecida.

Em Pedra Azul aconselhou, secretamente, ao Negao na tomada de decisoes entre continuar ou nao com um treinamento importante para a turma de funcionários. Voltaram cautelosamente pela 262 entre curvas e scanias medonhas.

Quando Marinoca ameacava manter a pirraca, de repente olhava para o lado e obedecia a mae Helena. Brunicolas era só alegria, mas de quando em vez mira o vazio. Dá um sorriso sapeca para o avô que nunca viu e continua a brincar.

Se em casa Titas pensa em cozinhar um lagarto, logo desiste e faz um lombinho com farofa. Ele se senta ao lado, serve-se de limonada e mampa tudo lambendo os beicos. Só nao pede uma cachacinha no final por que seria demais.

Nalaurinha mostra Bisnago toda orgulhosa. Licao conta causos das fazendas das Gerais e Wilza se diverte como o novo menino do Rio. Sentado, a cadeira só balanca escutando atentamente.

O feijao amigo do irmao Renato tá quase no ponto. Faltam dois goles de whisky pra ficar no jeito.

Você faz muita falta, Guidao. A vontade que tenho de te abracar é do tamanho do Mundo. Mas ao mesmo tempo você nao faz falta alguma por que eu te levo pra onde vou.

Friday, October 26, 2012

Pope Games

Hilden (chefe tá em treinamento)

Leopoldo Magnífico me escreveu outro dia no chat do Gmail dizendo que anda estressado. Tem dois mega eventos pra cuidar: a visita do Papa ao Rio e os X Games, aqueles jogos olímpicos modernos com bikes, skate, para-pentes e outras modalidades malucas.

Falei pra ele juntar os dois. É só mandar o Papa, que de Bento nao tem nada, saltar de paraglider do alto da Pedra da Gávea e pronto. Coloca-se alguns cardeais ao lado e uns bispos mais distantes criando uma competicao fajuta e estao inaugurados os Pope Games 2012, ao vivo da Cidade Maravilhosa. Ia chover patrocínio.

Graphic novelist Paul Pope

A paisagem carioca já foi tombada pela Unesco. As favelas estao pacificadas. Urubu tá voando em outras bandas depois da escassez de presuntos nos morros e nao poderiam atrapalhar o vôo papal. O centro da cidade anda a todo vapor, rumo à revitalizacao. Até aqueles casaroes barrocos do centro antigo, que apareciam pegando fogo despretenciosamente e as seguradoras embolsando a grana e construindo prédios novos, serao restaurados e vendidos a butiques, empresas modernas, escritórios de advocacia, cafés, restaurantes, lojinhas e antiquários. Até núcleo de Yôga janista se interessaria pela idéia.

Enquanto desfruta da paisagem, nossa autoridade máxima da Igreja Católica poderia instalar um spray com água benta na cadeirinha do paraglider, ou na asa, e ir borrifando e benzendo a cidade em pleno vôo. Seria como um aviao jogando pesticidas na plantacao, mas desta vez absolvendo todos os súditos da Santíssima Igreja de seus pecados mais sórdidos.

Foto: Marcio Pintorj

Durante o vôo, fiéis poderiam mandar torpedos a Bentinho XVI, parente distante do 14 Bis, detalhando o pecado. O papa alemao, com carisma semelhante a um quadro de natureza morta, responderia prontamente informando a punicao enquanto fazia acrobacias aéreas em busca da pontuacao máxima nos Games.

Na aterrisagem, numa cruz de malta vermelha e branca imaculadamente instalada no posto 6 de Ipanema, ele, Bento que é, acertaria o alvo enquanto os colegas cardeais errariam feio  descendo em Copa, Botafogo, praia Vermelha e até na Barra.

E longa Vida ao Catolicismo que segue se reinventando a cada dia para continuar perpetrando o maior e mais bem feito golpe de marketing da História.

Monday, October 22, 2012

Abandono

Meerbusch (sim, mudamos)

Esse talvez tenha sido o maior abandono bloguístico de que se tem notícia. Nao postei NADA em Setembro. Vergonha. Preguica. Falta de disciplina. You name it!

Bom, passei rápido pra dar um Hallo aos meus quatro seguidores. Fui cobrado por um deles dia desses, com uma Alt na mao.

"Você nao posta mais nada. Abandonou o blog?!"Uai, nem sabia que você por ali passava.

Fui ali num Kino no Hafen ver o Celebration Day do Led Zeppelin. Aquele show de reuniao em 2007 na O2 Arena em London para poucos felizardos que foram sorteados. Os velhinhos ainda mandam muito. Tudo bem que foi há 5 anos, mas mesmo assim.

Robert Plant está excursionando com a banda Sensational Space Shifters e nao me deixa mentir. Fez outro dia um show irretocável no Brasil.

Jimmy Page anda por aí, feliz da Vida. As expressoes de felicidade dele durante o show sao demais. Parece estar levitando de felicidade.

John Paul Jones, multi instrumentista, baxista e tecladista parece mais um mago. Tranquilo e sereno, parece estar relaxando numa sauna enquanto dura o show. Esse eu vi ao vivo em 2009 quando o Them Crooked Vultures passou aqui perto, em Köln. Dave Grohl, ele e o Josh Homme, vocalista do Queens of the Stone Age montaram esse timaco que nao funcionou nos palcos. Lancaram um álbum, mas a química nao bateu.

E o filho do John, Jason Bonham, arrebenta na batera. Nao chega a ser como o pai, mas segura a cozinha legal ali atrás.

Aumente o som e boa noite. Dá pra ter um gostinho.


Tuesday, August 07, 2012

Deuses do Olímpo

Düsseldorf (Selecao venceu e convenceu)

Venho por meio deste dar satisfacoes aos meus três admiradores. Nao posso deixar passar batido os Jogos Olímpicos, verdadeiro nome dessa sanha de patrocinadores e empresas que se transformou tudo isso.

Atrasaram o início para o final de julho pegando a época do Ramada. O risco de ataques terroristas seria teoricamente menor. E os atletas mulcumanos?! Que se fodam. Nao podem comer durante o dia, o sol se poe bem tarde na ilha da rainha paraquedista, lá pelas 22h, e quando deveriam dormir estao reabastecendo o estômago.

Bom, nao vim aqui pra falar disso. O vexame de sempre do Brasil nao deveria ser novidade pra ninguém. Criam expectativas irreais em cima de todos os atletas quando apenas alguns, tirando os esportes coletivos, tem chances verdadeiras de levar medalha, medalha, medalha!

E ninguém ali é obrigado a cada quatro anos a se tornar salvador da pátria. Ralam durante esse tempo todo na obscuridao e anonimato em condicoes longes das ideais. Normalmente tem um emprego fixo e treinam antes ou depois de trabalhar. E até durante. O apoio das federacoes é limitado. E quando ganham o país inteiro acha por direito dividir a vitória com eles. Quem ganha merece agradecer a si mesmo, ao esforco próprio, ao apoio dos familiares e amigos, e dos treinadores incansáveis.

Quando um atleta brasileiro perde os vagabundos internautas com seus dedos engordurados de pipoca e sal resolvem tirar satisfacoes. Como se eles fossem capazes de fazer melhor. Só de estarem numa Olimpíada, de terem atingido os índices classificatórios, essa turma já é vencedora.

Os quenianos decepcionaram agora há pouco nos 1.500 metros. Nao deu nem pódio. E teve um americano que arrancou feito um dragster no final pra pegar a prata. O argelino levou o ouro fazendo a alegria do Herr Beskri, meu ex-colega de trabalho. Sempre imagino os quenianos treinando da maneira mais óbvia: correndo de leopardos e panteras nas savanas africanas. Ás vezes percorrendo dois saaras por semana como camelos sem uma gota d'água. Esses caras parecem robôs.

Nos 3.000 metros ontem, com obstáculos, levaram ouro e bronze. Os mesmos três andróides. Um caiu, tropecou e nao levou nada. Talvez uma coleira londrina pra leoparda da vizinha. Um francês se intrometeu entre eles e pegou a baixela prateada. Sanduíche de saucisson. O Quênia foi colônia francesa?! Deve ter sido. Meia África foi.

Nao consigo torcer para os americanos. Sao arrogantes, metidos a besta demais. Os velocistas parecem presidiários recem libertados. Nao conseguem acompanhar os jamaicanos. Esses sim, nao só Usain como todos os outros, os mais simpáticos. Apenas abrem um sorriso feliz e nos conquistam imediatamente.

Viram a branquinha australiana nos 110 metros com barreiras deixando a esquadra do Tio Sam pra trás?! Ela em primeiro, no photochart (é assim?!) e três negonas do Tennessee na sequência. Caiu no chao de alegria ao ver seu nome em 1° no placar. Bacana.

Os únicos norte americanos que tem minha torcida sao os mágicos da NBA e o Phelps. Pra ele torci em todas as provas, até contra nossos brasileiros. Em Pequim já foi assim. Acordava na madrugada européia pra ver as provas. Vi todos os ouros ao vivo, inclusive aquele dos 200 borboleta, se nao me engano, quando ele ganhou na última bracada. Por que borboleta?! Na minha época era golfinho. O Phelps aliás parece um golfinho num corpo humano. Pula na água e dispara na frente. Sai da água meio abobalhado, sem saber realmente o que fez. Acho que só se dá conta de verdade quando revê as provas em casa acompanhado de um narguilê e amigos. Deixou de ser atleta para se tornar nacao.

Neymar, Damiao e cia. venceram os coreanos do sul e convenceram. Três tentos a zero, diria Sílvio Luis. Agora pegamos os mexicanos em busca do sonhado ouro. Eles que já se acostumaram a nos vencer. É sábado às 4h da tarde. Depois de pintar a casa, verei.

E o vôlei?! As meninas mandaram o carrasco russo pra Vladvostok. Finalmente! Estamos nas semis e a sensacao é a melhor possível. No masculino, falava eu hoje no almoco tailandês que o Bernardinho é o maior mala da galáxia. Chato pra caralho! Insuportável. Mas dá resultado, todos disseram. E daí, precisa ser intragável assim?! Pelo menos vai se mandar depois de Londres. Talvez leve mais uma medalha. Se Mutley e os americanos deixarem.

No basquete estamos bem nos homens e vergonhosos nas mulheres. Acho que elas perderam todos os jogos. Acontece. Os leandrinhos e varejoes cumpriram o dever olímpico e venceram os malandros espanhóis. Perderam de propósito pra fugir dos americanos no cruzamento das chaves. Essas tramóias raramente funcionam. Se tiver que ser campeao tem que ganhar de todo mundo, disse nosso técnico argentino. E agora pegaremos justo os hermanos nas quartas. Eles costumam nos entubar, mas amanha pode ser diferente.

O hipismo nacional deu vexame com um único cavaleiro. Deu desculpas esfarrapadas dizendo que trocaram as ferraduras do cavalo pouco antes da prova, que o vento estava a estibordo e que a velhinha que comia fish & chips fez muito barulho durante a prova desconcentrando o animal. É como se um jogador de futebol dissesse que perdeu o penalty por que trocou a chuteira no vestiário durante o intervalo. Vai pra...

O vento foi o grande vilao dos brasileiros em Londres. Achei que seria a chuva...

Bom, o que faltou?! A cobertura trutística costuma ter um poder de síntese absurdo. O iatismo. Scheidt decepcionou, esse sim. Acho que pelo menos uma briga pelo ouro poderia ter ocorrido. Já o inglês e eterno rival Ben Ginsley (fez o Gandhi no cinema?!) tornou-se o maior medalista da modalidade em todos os tempos pretéritos imperfeitos e futuros do subjuntivo.

Olímpiadas, apesar da ganância dos patrocinadores e emissoras de TV, tem o incrível poder de te fazer vibrar com um incauto indonésio disputando a prata contra um romeno no levantamento de peso até 69 kg. Ou te deixar realmente triste ao ver a Isinbaieva nao levar o ouro. Mas te deixar extremamente feliz ao perceber a cubana de sobrenome Silva disputar e empatar com a americana pelo ouro. Mas Tio Sam levou por que saltou antes.

Até o hóquei de quadra achei bacana. Ainda mais vendo a laranja mecânica ganhando dos eternos rivais alemaes.

Nao vi quase nada de ginástica, só aquela prova dificílima sobre o cavalo com argolas. E alguns saltos das meninas com uma bela romena levando o 1° lugar pra cima de russas e americanas. Comaneci sorriu.

Ainda falta pouco pra acabar. Amanha Bolt deve levar o segundo ouro nos 200. Tem brasileiro na prova, vamo ver no que dá. Só de chegar na final é um privilégio.

Me esqueci dos judocas e boxeadores. Sem eles estariamos lá em baixo no quadro de medalhas. Nao vi nenhuma luta, mas nao importa. Parabéns a todos.

E o primeiro ouro ontem nas argolas foi demais também.

Mas o quero mesmo é ver o futebol levar pela primeira vez o título.

Se você chegou de Vênus agora e acessou esse site sem querer acaba de ficar 100% atualizado sobre o andamento das Olimpíadas londrinas. Melhor que o Truta só se for aqui.

Boa noite!

Tuesday, July 24, 2012

Voando

Düsseldorf (chefe de férias é uma maravilha!)

Sonhei essa noite que voava por aí. Com a facilidade de quem pede um chopp no bar e continua a conversa fiada.

O “aparato” que me permitia ver tudo lá do alto com ventos leves e às vezes fortes no rosto era apenas uma barra. Como uma asa delta, só que sem as asas. Um cano, daqueles de academia dobrado nas pontas pra fazer “pulley”. Com ele nas maos e deitado no chao, bastava levantar os dois bracos e direcionar pra algum lado e pronto. Lá estava eu... voando.


Apesar de nao dominar o movimento, tudo corria naturalmente. Era como se sempre tivesse voado. Nascido num ninho de pterodátilos ou de águias sinistras do Casaquistao. Lá do alto, o silencio e o sossego eram fantásticos. Nao me lembro direito do que via, mas a cada metro voado a vontade era de continuar por ali mais um bom tempo.


Uma rajada de vento me desconcertou. Ameacei rodopiar, acertei a direcao e continuei entre os prédios da grande cidade. Natureza nao havia. Muito barulho, carros, confusao. Pessoas?! Talvez, mas eram muito pequenas para serem percebidas dali de cima. Um perigo isso. Nao perceber as pessoas. Sem elas, o que somos?!


Anoitecia. A cidade ficava sombria e o medo de nao saber aterrisar tomava conta. Entre um e outro arranha-céus, consegui desviar de paredes transparentes até encontrar uma cobertura larga o suficiente para me receber. Parecia um porta-avioes verde, das plantas, e azul, da piscina.O movimento do pouso foi igual ao das asas delta. Nunca voei numa delas, mas agora deu vontade. 

Tenho certo fascínio por altura. Olho do alto de uma ponte o rio correndo lá embaixo e fico com vontade de me jogar. Nao sou suicida, nao é isso. Apenas aquela adrenalina causada pelo corpo solto no ar cria a vontade. Olho, admiro os barcos e sigo em frente. Já pulei de bungy jump e recomendo.


No alto dos prédios é a mesma coisa, mas consigo me controlar. Podem pensar o que, afinal?! E nas cachoeiras?! Ali dá até pra pular, mas às vezes falta coragem. Arriscar pra que?!


A sensacao foi mais ou menos a mesma que os marsupiais noruegueses do video experimentam com suas wingsuits nos fiordes. Loucos?! Eu diria viciados em adrenalina e liberdade.





Vou dormir. Vamos ver o que acontece logo mais.

Thursday, July 12, 2012

Stones 5.0

Düsseldorf (viajar é bom, mas chegar em casa melhor ainda)

Foi num 12 de Julho de 1962 que a primeira formacao da maior banda de rock de todos os tempos subiu ao palco pela primeira vez.

Essa música eu nao vi ao vivo na turnê do Voodoo Lounge que foi ao Brasil em 95, mas gracas a Deus tocaram em Düsseldorf em 2007. O fan nr. 1 da banda, Matheuzin "Entre Folhas" tava com a gente e chorou na pia de tanta alegria.

Essa música tá na sound track do filme Blow onde o Johnny Depp, que se inspirou no Keith Richards pra fazer o piratao do Caribe, é um traficante incorrigível. Penélope Cruz já vale o filme, mas a estória é boa e bem contada. E a trilha dispensa comentários.

God save the Rock!!!

Wednesday, July 11, 2012

Cine Bresson 10 - Heuringer vienense

Meitingen, Bayern (nao existe cerva melhor do que essa)

Pra quem perdeu a série, basta clicar aqui. O capítulo de hoje mostra um típico restaurante de Vienna, o heuringer. Geralmente ficam localizados ali na colina que sobe até Kahlenberg onde a vista do Danúbio e da cidade é maravilhosa.

Sao várias casas, uma ao lado da outra, que fabricam seus próprios vinhos, paes e até mesmo carnes. A turma do video é composta de estudantes cabecudos da T. Ü. Wien numa agradável tarde de Setembro, Anno 2004.

A louca fazendo gracinha em polaco é Frau Zminik, vulgo Karolouca. Nesse dia comecamos a comparar como é o som dos cachorros em vários idiomas. Para nós o óbvio au au. Esperava que era algum padrao DIN, ABNT ou ISO, mas nao. Em polaco o cao late fazendo wolf wolf. Já na Sérvia ele faz bau bau. E na Austria um estrondoso bouff bouff.

Cientistas loucos...

Sunday, July 08, 2012

Os Velhos Tempos da Formula 1 (2)

Düsseldorf (voltamos de com forca!)

A "série" comecou aqui e agora finalmente ganha continuacao. O que estaria Ayrton pensando?!

"Cadê o taxi que nao chega?!" "Mecânicos safados, amarraram gasolina."

Ou era uma peca promocional e ele tinha que fazer cara de desolado?! Alguém sabe onde e quando foi?!

Foto enviada pelo Leocádio, czar russo residente em St. Petersburg num anexo do Hermitage.


Educacao, ou a falta dela

Düsseldorf (voltamos!)

De tempos em tempos esse blog fica abandonado a própria sorte. Aconteceu tanta coisa no último mês que quase estourei uma champa dia 30 de Junho achando que já era Reveillon. O ano poderia ter terminado tranquilamente. Notícias boas, na maioria das vezes, e ume péssima.

E pra demonstrar que realmente estamos de volta, uma charge enviada pelo Neném, de nome Wellington. Mostra bem pra onde nossa terra brasilis segue caminhando. Sem rumo algum.



Saturday, June 30, 2012

O Alemao Complexo

Düsseldorf (descanse em Paz)

Achei que nao fosse escrever esse post tao cedo. Hoje um grande amigo nos deixou. Vítima da pior doenca da Humanidade: câncer. O homem já foi milhares de vezes na lua, inventou de tudo um pouco, até a AIDS tem um controle melhor. Mas câncer nao.

Doenca ordinária, silenciosa, cruel, implacável. Chega sorrateira, despercebida. Quando o incauto se dá conta pelo menos um órgao já está comprometido. Se dá pra tirar, ótimo. Controle aqui e ali, quimio e radio, alimentacao, mudanca no estilo de Vida. Nada adianta. Estados Unidos, remédios experimentais, reza brava, umbanda, espiritismo. Sao como ratos invadindo os subterrâneos da alma. Cortam algumas veias aqui e outras ali. Mudam instalacoes. Abrem caminho nos tecidos como se fossem queijo. De repente algo os afugenta. Aparentam ter sumido mesmo. A cura. Após alguns meses ou anos, volta tudo de novo, em outro lugar. Nova vítima: rim, pulmao, cabeca. Só nao pode pegar o pâncreas ou fígado. Comeca tudo de novo. As famílias vao se exaurindo aos poucos. O doente comeca a perceber que nao adianta muito lutar. O Fim está infelizmente próximo. E nao interessa a idade, classe social ou cor. Ela chega, toma conta e só sai de cima quando a missao estiver cumprida.

O alemao complexo soube aproveitar a Vida. Arrumou algumas confusoes desnecessárias, é fato. Mas dava risada de tudo. Provocava, jogava com as pessoas, às vezes enganava por bem. Outras por mal. Nao houve má intencao na maioria das vezes. Era na verdade uma crianca que nao sabia lidar com o poder que tinha. Ficava testando tudo e todos, chegando nos limites. Às vezes ultrapassando-os e esgotando a paciência e confianca alheia. Voltava atrás, mas talvez já fosse tarde. Ou nao. Era bem recebido onde quer que fosse. Bem humorado, gostava de dar gargalhadas. Pedia desculpas antes de falar besteira. Caso raro. Viajou, conheceu o Mundo e suas coisas boas. Soube escolher algumas, outras passaram despercebido. Deu mais valor a carne do que a família. Se arrependeu. Contou tudo e colocou os pingos nos lugares. Demorou a valorizar quem o compreendia e confiava. Mas antes tarde do que nunca, reconheceu a grande amiga. Voltou pra casa, para o carinho do abraco das filhas. E até do cachorro. O conversível perdeu o sentido. Ar era o que ele mais precisava.

No final, tinha medo. Um arrependimento e a sensacao de injustica. Por que ele?! Sou novo ainda, tenho muito que viver. Corrigir alguns erros e cometer outros. Amanha eu falo, tenho Tempo. Percebeu que nao tinha volta. A doenca é implacável. O tic tac do relógio só aumentava. Contagem regressiva. Se despediu. Falou quase tudo que queria. Deixou orientacoes. Agradeceu. Isso foi o mais importante. Reconheceu quem sempre esteve ao seu lado. Acertou em Terra algumas contas melhorando o saldo.

Vou sentir falta. Do sorriso. Dos olhos azuis sinceros e sacanas. Do sotaque e das estórias mirabolantes. Da companhia, fugaz e rara, mas intensa. Gostava de spaghetti a bolognesa. E de carnaval e mulatas. Samba só no pé dos outros, ou melhor, das outras. Requebrando com ele ao lado. Era exigente. Comia do bom e do melhor, mas dava dicas. Como todo alemao, pao duro. Mas de coracao mole. Isso é o que importa. Fez muita gente feliz. Inteligente, competente, esperto. Achou que poderia enganá-la. Sempre deu um jeito em tudo e agora nao seria diferente. Mas Ela nao perdoa. Até hoje nao sobrou ninguém pra contar.

Pra morrer, basta estar vivo.

Descanse em Paz, amigo. Obrigado por tudo.

Tuesday, May 22, 2012

Dominguinhos, 6.3...

Düsseldorf (descanse em Paz meu amigo)

Uma das figuras mais folclóricas do Condomínio Estância das Amendoeiras em Lagoa Santa (MG), nos deixou hoje pela manha. Cacá, sua mulher e fiel companheira, foi acordá-lo hoje pela manha as 7:10h para alimentá-lo e ele nao respondeu. Dominguinhos já havia tomado o elevador. Calmamente, ao contrário do que fez em Vida, saiu de cena silenciosamente sem dizer nada.

Em compensacao, hoje a noite tem festa no céu. No menu, dobradinha, é claro. Dois caldeiroes já estao no fogo. Um é pra turma comer. O outro é pra jogar no Carlos, o famigerado gerente do condomínio, hoje a noite quando ele colocar a cabeca no travesseiro. As correntes ao lado do ""Cantinho do Dominguinho" ali no Clube nao serao mais obstáculo. Dominguinho vai passar por cima de todas com facilidade e leveza.

Outro que pode esperar é Joao Marcelo, estelionatário e cafajeste morador do Condados. Ficará alguns meses sem pregar o olho. Numa festa dessas no Clube, acho que foi reveillon, Domingos Orlando defendeu o filho Marcao com unhas e dentes. Eu presenciei a cena de dentro do banheiro masculino empapucado. Uma corrente foi a única forma encontrada pelo bandido do condomínio rival para se defender do pai protegendo a cria. Abriu-lhe um rasgo na testa encerrando covardemente o combate.

A Palmeiron dormirá em luto esta noite. Seu melhor vendedor nao está mais aqui. Responsável por recorde em cima de recorde, ano após ano, Domingos dobrava as toneladas vendidas de salsicha, ervilha, milho, massa de tomate, palmito e tantos outros alimentos. Foi nessa época que Marcao e Tavinho foram agraciados com um mini buggy. Mas nao era um qualquer. Desfalcando o carrossel de um parque de diversoes, Dominguinhos mandou colocar um motor atrás, freios fracos pra dar emocao e acelerador sensível pra ventilar os rostos da turma na rua B do Mil Metros.

D. O., como era chamado por alguns, era como um time de futebol. Amava-se ou odiava-se. Tinha fan clube encabecado pelo Rato. Notórios e invejosos inimigos também que jamais tiveram 10% do seu carisma. Era tratado como um rei pela mulher Cacá, santa a ser canonizada pelo Vaticano em breve. Passou a Vida comendo o melhor feijao da face da Terra. Na verdade uma sacanagem em forma de bagos, molho e tempero. Capaz de estampar um sorriso no rosto do mais ranzinza, de fazer lamber os beicos e pedir mais, muito mais.

A fase áurea foi quando Domingos virou representante exclusivo no Brasil da RC Cola. Carros caríssimos, reforma da casa com direito a área pra meditacao, maletas cheias de dólares, capotamentos, viagens, fugas no melhor estilo 007 e sacolas de dinheiro eram rotina numa tarde de terca-feira. O Rato mesmo viu uma vez D.O. chegando em casa a tarde com um seguranca da Emive a tira-colo. Este portava uma maleta negra algemada ao pulso. Chegaram em casa, o seguranca destravou as argolas entregando em seguida a maleta ao dono e dizendo no rádio "A operacao foi completada."

Hoje a noite Dominguinhos terá o privilégio único de se encontrar com o Guidao. Vao falar de Lagoa, dos filhos, das esposas, causos e mais causos, cairao na gargalhada se lembrando da época do Repolho Nervoso e da babacao de ovo pra cima do Walfrido e de tantas outras estórias.

Mas uma coisa é certa: servirao de licao para todos nós pela Vida que tiveram.

Cacá, Marcao e Tavinho, parabéns pelo marido e pai que vocês tiveram. Beijo do Cabralito.

ps. As fotos foram tiradas no dia 30 de Agosto de 2009 durante uma feijoada sinistra da Cacá. Depois Rato e eu fomos ao Gigante das Alterosas conferir Galo 1x1 Sport.


Wednesday, May 16, 2012

Viva o Fortuna na Bundesliga

Düsseldorf (An Tagen wie diesen)

O Fortuna Düsseldorf está de volta a elite do futebol alemao, a Bundesliga. Num final dramático agora a pouco o empate em 2x2 contra o Hertha Berlin foi suficiente pra subir o F95 para a primeira divisao.

O sistema aqui é diferente do Brasil. Os dois últimos da 1. Bundesliga caem e os dois primeiros da segunda sobem automaticamente. Pra dar emocao e matar muito torcedor do coracao uma espécie de repescagem chamada Relegation coloca em campo o antepenúltimo contra o terceiro da segundona. Jogo de ida e volta com o segundo sempre na casa de quem está querendo subir.

Quinta passada o Fortuna arrancou uma histórica vitória de 2x1 em Berlin contra o Hertha no estádio Olímpico de Herr Führer. Bastava um empate na noite de hoje na Esprit Arena. Esprit vem a ser uma marca de roupas famosa por aqui e nao uma versao paraguaia do Sprite.

Aos 28 segundos de jogo, Fortuna 1 a 0. O estádio quase veio abaixo. Quem estava comprando o salsichao com Altbier antes de entrar perdeu o gol. Depois o Hertha, com melhor toque de bola e organizacao no meio campo, empatou com justica.

Veio o segundo tempo e num contra-ataque rápido Düsseldorf - capital da Renânia do Norte e Vestfália que presenteou Frau Merkel com uma derrota acachapante do seu partido, a CDU, nas eleicoes locais - ficou novamente em vantagem contra a capital federal. Antes disso Berlin teve um jogador expulso e foi justamente o turco ou filho de turca que marcara o tento berlinense na primeira metade da peleja.

A partir daí foi só cozinhar o jogo e aguardar o apito final. Mas tirando forcas do Além o Hertha empatou de novo. Tensao na torcida que apoiou o time sem parar um segundo. Jogaram foguetes no gramado, os jogadores pediram calma, uns 300 policiais vestidos como transformers passaram a proteger o canto onde estava a torcida da capital federal. Na confusao um início de briga entre os jogadores fez o Fortuna perder um zagueiro, um negao bom de bola e brigador.

Sobe a plaquinha mostrando 7 minutos de acréscimo. Düsseldorf parte em contra-ataque novamente. Tudo indica que o terceiro e matador gol vai acontecer. Mas o atacante erra bizarramente. A torcida, que já cercava o gramado e havia pulado as placas de propaganda, nao se contém e simplesmente invade o campo. Parecia final da Libertadores na Argentina. Estamos na Alemanha mesmo?!

Teve torcedor arrancando pedaco de grama pra levar de lembranca. A torcida me é tao fanática quanto a Massa do Galo. Os jogadores correm para os vestiários. Fiscais e segurancas tentam conter a matilha de malucos. O locutor fala em alto e bom tom que se os dois minutos finais nao forem jogados o Fortuna nao sobe. O que sao 120 segundos pra quem esperou 15 anos?! Milagrosamente conseguem limpar o campo e as laterais. Voltamos pra Alemanha.

O juiz deixa rolar apenas 90 segundos até a explosao final. Um enxame de alvi-rubros invade o gramado. Beijam os jogadores, os carregam nas costas, pedacos de grama somem rapidamente. Serao vendidos amanha no mercado negro a preco de ouro. Parece a final de 70.

Campino, o vocalista da banda da banda de rock mais famosa da Alemanha, Die Toten Hosen, que por acaso é de Düsseldorf - assim como Wim Wenders, Kraftwerk e tantos outros - literalmente "as calcas mortas", mas é uma expressao pra falar que uma pessoa é uma mosca morta - vai ao delírio. Havia prometido durante a semana fazer um show de graca no estacionamento do estádio caso o time subisse. Aliás, Campino já deu uma de ator no filme "Palermo Shooting" do Herr Wenders. Faz o papel de um fotógrafo famoso, mas de saco cheio da mesmice de sua Vida. Resolve ir pra Palermo atrás de aventuras e acaba encontrando coisa bem melhor.

Alguns anos atrás o Fortuna caiu pra quarta divisao e estava quase falido. A banda se mobilizou e comecou a bancar o time até ele se recuperar e arrumar um patrocinador. Quer paixao maior que essa?!

Vou comprar amanha minha carteirinha de sócio. Fui ao estádio na última rodada quando o Fortuna precisava pelo menos empatar pra garantir o 3° lugar e ter direito de jogar a Relegation. Acabou 2x2 contra os zebras de Duisburg.

Pra festejar até amanha, com vocês, Die Toten Hosen.

Tuesday, May 08, 2012

Cine Bresson 9 - Budapest Parade, the Day After

Düsseldorf (essa cidade é demais)

Uma das sessoes mais festejadas desse blog volta com forca total. Isso aqui tá parecendo um castelo mal assombrado e abandonado. Mas vamos em frente.

Quem nao entendeu nada pode conferir a série toda clicando aqui. No Cine Bresson 8 estava eu no meio da Budapest Parade em Agosto de 2004 com meu amigo e tutor Haroldinho. Bem, nessas alturas ele já tinha se dado bem e desaparecido. Em caso de sumico, combinamos de encontrar na rodoviária pra pegar o balaio das 7h de volta pra Vienna.

Na saída da festa, sozinho, fiz amizade com um maluco. Tava com a camisa do Brasil e eu também. Nao lembro o que conversamos, mas ele e os amigos riram bastante. O tempo tava curto, precisava pegar um bonde e chegar na Népliget, rodoviária em húngaro.

Claro que nao consegui. Chegando lá fui informado que o próximo ônibus com destino a capital austríaca sairia ao meio dia. Eram 7:15h da manha. A ressaca comecava lentamente a invadir meu cérebro. Tava sozinho, com fome e sede. Sentei num banco e fui escorregando de cansaco até me deitar. O guardinha sacana me cutucou dizendo que ali nao era cama.

Resolvi explorar as redondezas. Um parque ao lado me pareceu convidativo. Haviam várias árvores frondosas. A temperatura era amena na manha do verao europeu. Nao tive dúvidas ao ver uma sombra e um gramado onde imagináriamente lia-se "Ortocrim". Me deitei e segundos depois já dormia. Nao sem antes programar o despertador para 11:20h.

Passadas algumas horas, outro cidadao parente do Puskas veio me incomodar. Será que a camisa amarela da Selecao fazia tanto sucesso assim?! Um mendigo. Falou algo na língua do capeta. Respondi em português. Ele falou "tequila", respondi que nao "vodka". Saiu rindo e exibindo os três dentes remanescentes.

Próximos capítulos: um Heuriger vienense com a galera do Doutorado. E aguardem chegar Novembro de 2004 com a inigualável viagem para Cracóvia. A série agora parece querer esquentar.

Friday, May 04, 2012

#makeitcount

Düsseldorf (Maredsous ist Gott!)

Videozinho simpático da Náique que achei por acaso no Você Tubo. A velha estória do cara que sai rodando o mundo. Edicao e trilha bem feitas, mas nada realmente de novo.

Prefiro Adidas. Aliás, Adi Dasler. E depois Puma, do irmao mais novo de Adi.

Sobre o video ainda sou mais o "Where the hell is Matt?!".

E você?!

Futebol é Paixao

Düsseldorf (faltam 16 dias pra Ela voltar...)

Vi o video no Blig do Gomes. Impossível nao fazer jorrar cascatas de lágrimas com essas imagens. Saudades do futebol de verdade, quando era jogado com o coracao acima de tudo, até das chuteiras, e nao do dinheiro, do patrocínio, dos lucros, da megaexposicao das marcas.

Duas geracoes juntas, avô e neto. Um já sentiu isso tantas vezes que chora ao ver como sao escassos atualmente os momentos em que esse sentimento brota. O outro nao tem a menor idéia do que isso vai significar em sua Vida, mas já sabe que é importante e intenso.

Saturday, April 14, 2012

Coluna da Ana Luiza - O dia de hoje e a superstição

Düsseldorf (hoje já é sábado catorze... ou quatorze?!)

E o Truta acaba de fechar contrato a peso de ouro 24 quilates com mais uma colunista. Ela atende pelo nome de Ana Luiza Alves Lima. E nao ouse chamá-la de outra forma. Dois nomes. Dois sobrenomes. É assim e pronto.

As negociacoes se arrastaram por meses, mas finalmente fechamos.

E o primeiro artigo é sobre ontem. Hoje ainda no Brasil. A famigerada Sexta 13 que deixa tantos loucos e outros indiferentes.

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O dia de hoje e a superstição

por Ana Luiza Alves Lima

Hoje antes de eu vir trabalhar, passei na Kalunga para comprar  materiais de escritório e ouvi do trabalhador que varria a loja “Vixi.. quase não vim hoje.. é sexta-feira 13 e não quero que nada de mal me aconteça...deve ser um bom dia pra ficar em casa”.  Eu sorri daquela simplicidade e lhe disse: Eu acredito que hoje será um excelente dia! É sexta-feira!!! E o dia da semana é 13, só isso! Ele riu e disse que não tinha pensado assim e pareceu relaxar.

Superstição é uma crença sem razão, que leva a criar falsas obrigações ou a se temer equivocadamente coisas infundadas... No passado eu zapeei a origem de algumas superstições tais como: quebrar espelho daria azar porque tudo o que reflete no espelho, quando acontece algo ruim com o espelho, aconteceria também com quem o quebrou... Bate-se três vezes na madeira, porque como os raios caíam (e caem) com muita freqüência nas árvores, acreditava-se que as árvores seriam a moradia terrestre dos deuses, então, batia-se três vezes na madeira para invocar as entidades protetoras...  Gato preto seria mau agouro devido aos seus hábitos noturnos... Deseja-se “saúde” para quem espirra porque se acreditava que o espírito da pessoa morava na cabeça e um belo espirro poderia fazê-lo ir embora!... rsrs

O que tiro de proveito de tudo isto, é que nossa mente é muito sugestionável, então aproveitemos esta condição para desejarmos e crermos no melhor, no bom, no sadio, na felicidade, na riqueza, na abundância! Acreditem em suas crenças de forma positiva, pois como diria Emerson “O homem é o que ele pensa durante todo o dia.”  Não há nenhuma superstição no caminho da felicidade de ninguém! Fatores externos não são causa de infelicidade, são efeitos. Seus pensamentos sim é que são a causa, e novas causas produzem novos efeitos.. 

Escolha ser feliz!