Saturday, August 21, 2010

Polish Movie Poster

Düsseldorf (cadê os Sertoes?!)

Da série "Inutilidade Pública" na internet.

Se você digitar o título do post no Gugou vai cair nesta página. Os polacos sempre foram fera em animacoes e nos posters nao poderia ser diferente. Eles criam suas próprias versoes pra maioria dos filmes, seja americano, francês, canadense ou sulafricano.

Peguei esse daí por que gostei do desenho sugestivo. Nem sei que filme é. Quem quiser comprar os posters é só ir no site pra comecar a gastar dinheiro plástico.

Tuesday, August 17, 2010

Brasília amarela

Düsseldorf (academia daqui a pouco após 6 meses parado... vai doer)

Nao, nao quero me lembrar dos Mamonas assassinados pelo acidente aéreo.

Vi esse post aqui no ßlig do don Gomes e me lembrei do Seu Zé, um de nossos motoristas na Pampulha.


No auge da crise do álcool, lá pelos idos de 90 a 92, Seu Zé, nos levava e buscava pra cima e pra baixo numa Brasília 4 portas amarela a gasolina, claro. Esse foi o motivo da entrada em acao do carrinho comprado por ele quando ganhou na lotoria. Sim, e ainda deu pra comprar uma casinha bacana onde ele morava na época e mais algumas roupas pra patroa e meninada.

As filas kilométricas nos postos para abastecer eram categoricamente ignoradas pela Brasília e seu Zé. Apenas parava na bomba de gasolina, descia do carro tranquilo e conferia óleo e água do radiador enquanto o frentista abastecia. Incrédulos e se corroendo de inveja, todos os outros motoristas assistiam a cena impotentes, amaldicoando seus carros movidos a cana de acúcar e o Proálcool.

Era bao de volante o Seu Zé!

Monday, August 16, 2010

Home Sweet Home

Essen (cinza eh o ceu, mas com Ela eh azul)


Antes de contar sobre o choque cultural da volta pra Alemanha, vamos a mais uma listinha. Agora de autores consagrados que preciso ler com certa urgencia.

Acredito que consigo achar muita coisa nas centenas de ebooks 0800 do CultVox UOL, mas o prazer de ler um livro de verdade eh inigualavel.





Tirei um dos milhares de papeizinhos do meu bolso e achei o seguinte:
1. Baudelaire

2. Rimbaud

3. Oscar Wilde

4. Fernando Pessoa


5. Saramago (ja li Ensaio sobre a Cegueira, fantastico)

6. Tolstoi

7. Dostoiewski (comecei Crime e Castigo, mas nao terminei. Sonho em conhecer St. Petersburg)

8. Pablo Neruda (quem ja viu O Carteiro e o Poeta?!)

9. Federico Garcia Llorca (o mais perto que cheguei foi numa estatua em Madrid)

10. Ernst Hemingway (ja li O Velho e o Mar, mas tenho varios sequestrados de um certo genio)

11. Jack London (ja li De Vagoes e Vagabundos e Por Um Bife. E acabo de comprar Caninos Brancos, a obra mais conhecida dele)

12. Charles Bukowski (li Misto Quente, vi Bar Fly e agora comprei Pulp que tem um filme de mesmo nome, mas nao tive chance de assistir ainda)

13. Henry Miller (ja me indicaram Tropico de Cancer mais de uma vez. Quem ainda nao viu Henry & June, o filme-biografia ou filmobiografia?!)

E vou incluir nessa lista Vargas Llosa (14) e Garcia Marques (15), os dois genios antagonicos que se completam. Ja li a obra prima Conversa na Catedral e Travessuras da Menina Ma do primeiro e quero agora partir pra cima da Festa do Bode, sobre a ditadura de Trujillo na Republica Dominicana. Deve ser bem parecido com Catedral que tem como pano de fundo o Peru nos anos 50 e 60 com o General Odría no poder.

E tento ler Cem Anos de Solidao ha anos, mas agora finalmente descobri que na mesma biblioteca sequestrada do Luiz existe uma versao original em espanhol.

Me falta agora Tempo, o bom, velho e implacavel Senhor que domina e regula nossas Vidas, pra ler tudo isso.

Faltam tambem as cronicas sobre esses livros ja lidos, e comentarios sobre as dobras feitas nas pontinhas das paginas marcando frases interessantes ou passagens inteiras que me chamaram a atencao ao longo da leitura.

Mas como sou completa mente contraditorio, comecei a ler 1984 do George Orwell (16) no voo pra Sampa. Recomendacao dele, Luizpedia como sempre. "Pare tudo que vc esta lendo e comece esse. E depois leia Animal Farm. Vai sentir uma paulada na cabeca quando terminar."

Nosso encontro no nababesco e ultra organizado aeroporto internacional de Guarulhos esta relatado aqui.

Thursday, August 05, 2010

Benzeção

Beagá (Adega do Sul continua sendo o melhor custo-beneficio)

Guidao, o melhor Pai do Universo, tem poucos amigos. Um deles se chama Fernando Lana, vulgo Nandinho, folclórico contador de piadas e causos. Reza a lenda que numa reunião importante em que ele participava, o Presidente da empresa entrou e perguntou:
- Fernando, voce sabe contar piada?!
- Olha senhor Presidente, só de cu eu sei mais de 100!

E derreteram todos na gargalhada. Eh a mais pura verdade por que já presenciei algumas dessas antológicas "sessões".

Nandinho e Jacaré, outra lenda vida das Gerais de nome Jose Márcio Ladeira, fundador do MMM (Movimento Machão Mineiro), criaram uma reza pra benzer que lembra um pouco aquela feita por Vinicius de Morais no historico "Samba da Benção"

Era algo mais ou menos assim:

LUSCO FUSCO NA CUECA
OH TANGAS, OH MANGAS, OH MIRABELAS
SE CAGAS VERRUMAS, SE MIJAS FIVELAS
POR QUE NAO VIESTES A MIM?

EU TIRARIA TODAS, TODAS
COM TRES PEIDOS MEUS,
TRES DO ZEBEDEU
TRES DO ZIRIBIBIU
E TRES DA PUTA QUE O PARIU

E a reza seguia, extensa, hilária e com propriedades curandeiras.

Tuesday, August 03, 2010

Choque Cultural ao Contrario

Belo Horizonte (pão de queijo é bão demais, sô!)

Chegando da Alemanha, as diferencas comecam ja no aeroporto. A escada rolante eh estreita e velha. O piso vagabundo e gasto, carrinhos de bagagem gratuitos, mas que travam as rodas dianteiras (prefiro pagar 1 EUR por um que funciona), a barulheira ensurdecedora das conversas, do alto-falante onde ate o portugues eh dificil de entender, a lotacao maxima das esteiras, carrinhos e areas de acesso ao free shop e depois alfandega travando tudo e todos. E por ai vai.

Eh esse mesmo o pais que quer organizar uma Copa do Mundo daqui pouco menos de quatro anos?! Bastaram dois voos de Frankfurt e um de Paris pra transformar o desembarque na Av. Afonso Pena as seis da tarde. A fila tinha tres pontas, fora os furoes. Tive que passar pela chegagem de bagagem na area de bens a declarar pra cortar a fila imensa que nao andava. Nao tivesse feito isso e teria perdido a conexao. Mas, acabei perdendo do mesmo jeito. Fiquei na fila de papo com o Luiz e a Pati, que vieram buscar os livros expatriados do Humorista-mor e aproveitar pra colocar o papo em dia. O carinha da TAM disse que anunciou Confins e outras cidadas, mas nao ouvi nada. Ou escutei e nao prestei atencao. Resultado: tive que esperar o voo do meio-dia.

O lado bom foi poder assistir a corrida de F1 num bar que insistia em liberar as mesas e ligar a TV apos as 9:00, ou seja, depois da largada. Com muita insistencia e quase implorando o garcom ligou a maldita e deixou a gente se sentar. Regado a algumas Itaipavas, conversamos sobre F1 e as regras desse ano, uma explicacao geral para os dois leigos, a Vida aqui e la, planos futuros, causos antigos e as horas passaram rapidinho.

Outro choque eh a luminosidade brasileira. Aqui eh tudo mais claro, cores mais vivas, o ceu mais azul e a temperatura muito mais agradavel. Escutei agora ha pouco um alemao, o Sr. Meyer, falar que nosso inverno eh muito melhor que o verao deles. A mais pura verdade.

Os abracos e beijos da mae, do pai e dos irmaos nao tem preco. O pastor alemao de nome Led (Zeppelin) pulando e comecando a chorar ao sentir o cheiro do dono tambem. Tinha ate um tucano no alto da arvore dando boas vindas fazendo sons estranhos, pra mim nao pra ele, anormais pra casa de Lagoa Santa. Achei o passaro e mostrei a todos. Saiu voando e lembrei da antiga propaganda da Guinness usando o bicho pra transportar a cerveja no proprio bico.

O almoco na varanda ao som da Natureza, tranquilo, saboroso, em familia. Nao tem coisa melhor. So faltaram Ela ter vindo junto, Helenzinha, Leocadio (o CUnha) e Marinoca, a sobrinha espoleta.

Na volta, os impactos de sempre: asfalto ondulado, motoristas lentos e desrespeitando o transito, favelas e casas caindo aos pedacos, onibus soltando arrotos negros no ar e as pessoas com olhares no infinito pensando que mal fizeram a Deus para estarem ali pagando seus pecados num belo domingo de sol.

Em casa, tudo igual mas diferente ao mesmo tempo. A bagunca de sempre, agora multiplicada pela residencia temporaria da irma, do CUnha e de Marinoca, uma TV gigante na sala onde ficava um quadro, jornais espalhados, revistas empilhadas, a mesa do cafe posta com rosca rainha, biscoito de queijo, requeijao e queijo canastra, sem falar naquele cafezinho recem coado e saboreado num copo lagoinha com uma fatia de Minas na mao.

Jogo do Galo x Marias as 6 e meia, que ultimamente nao pode ser mais chamado de classico ja que as bibas ganham todos, o colchao ao lado da cama do Murgas, a ausencia dos kimonos do Rato, a maquina de lavar-loucas estragada fazendo acumular na pia. Tudo como antes, mas novo de novo.

No dia seguinte, mais diferencas. Atravessar ruas e avenidas eh esporte radical. Faixa de pedestre eh mera decoracao e ai de quem tentar respeita-la, seja pedestre ou motorista. As calcadas tambem nao foram feitas pra quem gosta ou precisa de andar. Degraus, buracos, pedacos faltando, ondulacoes. Talvez sejam uteis pra barrar as enxurradas, mas nao para dar conforto aos pedestres e principalmente deficientes fisicos e visuais. Apesar de existirem marcadores ranhurados em varias esquinas, ainda estamos longe de tratar o cidadao com respeito.

Vi alguns carros antigos tambem. Uma Brasilia em pleno uso, um Opalao branco estacionado ao lado de um imovel a ser alugado, e so. O resto sao vultos preto e prata, pequenos, medios e grandes, baratos e caros, funcionais e inuteis, levando e buscando cada um no seu proprio Mundo egoista, resolvendo seus proprios problemas sem se preocupar com o resto, a sociedade. Filas duplas, caminhoes fazendo descarga, taxis atravessando faixas para pegar passageiros, sinais desrespeitados e uma lista interminavel de infracoes.

O fim de noite na casa da sogra querida, Marisa meu Amor, e da Maraia e seu filho deslumbrante Matheus fechou o dia com chave de ouro. E Leopoldo Magnifico apareceu de repente pra completar. Faltaram don Jonas e Debrildes. Mas ela eu ja tinha encontrado no 2010, proeminente restaurante da cidade. Foi forcado a comer um doce de nozes com calda de chocolate e creme de leite com um expresso. E soube que o Nespresso eh mais caro, apesar de pior, por que ta na moda. Sei. Mais Brasil, impossivel. Deve ter sido mais uma tendencia iniciada e enfiada goela abaixo da classe media alta pela Globo.

A Alemanha nao eh perfeita, longe disso. Existem outros tipos de problemas. Mas la o cidadao, seja ele passageiro, motorista, pedestre, contribuinte, consumidor e ser humano, eh respeitado na maioria das vezes. Esses choques que sempre tenho quando chego, que duram dois ou tres dias ate me acostumar, apenas mostram que o caminho do Brasil rumo ao chamado Primeiro Mundo ainda eh longo. E fica maior ainda se cada um tenta seguir por uma estrada. Mesmo que ela nao tenha sinalizacao ou o asfalto seja ondulado.

Apesar de tudo, continuamos com a melhor comida, calor humano, honestidade e etica, apesar de tudo que acontece. Familias e amigos, isso nao se encontra em lugar nenhum, apenas na origem.

Suecos chineses

BH, MG, Brasil (CEMIG logo mais)

Prova maior da forca economica dos chineses foi a compra da Volvo pela Geely junto a Ford americana. A maior aquisicao de uma empresa automobilistica ocidental pelos asiaticos.

A Jaguar ja eh da Tata indiana. Agora a Volvo sueca, sinonimo de seguranca e qualidade, passa para as maos chinesas.

Quando falo que o Mundo ta do meio para o fim ninguem acredita...

Friday, July 30, 2010

Traição Capitalista

Düsseldorf (guardando livros, dobrando roupas... a mudanca comecou)

O Governo alemao deu um jeito de fazer os fiéis admiradores dos Trabis, apelido carinhoso do Trabant, trair o Movimento.

A reportagem abaixo, que saiu no UOL só para assinantes (espero nao ser processado pela Espelho por torná-la pública), conta que o número desses carrinhos rodando pelas estradas e ruas alemas caiu mais de 95% em relacao a 1993.


Quem frequenta esse ßlog já sabe das imensas alegrias proporcionadas por Gerd a esse que vos bloga. Gerd é o Trabant nascido em Leipzig enviado ao Uruguay para férias tropicais. Agora é propriedade de um nababesco colecionador brasileiro e piloto de corridas mequetrefe. Deixou o carrinho mofando por lá, dizem que próximo a fronteira. Se deu ao trabalho de desligar a bateria e só. Um tapinha no capô e um "já volto" e nada mais. Já fazem sete meses...

Ficou por aqui um tempo suficiente pra viajar da antiga DDR pra Alemanha capitalista e sua avenida chic mic, como dizem os alemas, chamada Königs Alle. Em bom germânico, a Alameda dos Reis em Düsseldorf.

Sem falar na homenagem que fiz para comemorar os 20 anos da queda do muro de Berlin quando fui trabalhar com Gerd passeando pela Autobahn 52 que liga Düsseldorf a Essen, onde trabalho. Recebi saudacoes, buzinas, piscadas de farol, tchauzinhos e jóias pelo caminho que valeram o ano.

E ainda levei uma colega de trabalho alema, nascida e criada na Berlin Oriental, para um passeio na hora do almoco. Ela dizia que o som característico do motor e o cheiro da fumaca lhe trazia lembrancas imediatas da infância, quando passeava com seu pai pela Unten den Linden mirando o portao de Brandenburgo lá na frente em Berlin.

Preciso comprar meu Gerd logo. Antes que acabe.

ps. É inacreditável, mas olha o nome desse Doutor alemao.

30/07/2010

Automóveis Trabant da Alemanha Oriental rumam para a extinção

Der Spiegel
Eric Kelsey
  • Carreata de Trabants durante comemoração do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, em Sofia (Bulgária). Carreata de Trabants durante comemoração do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, em Sofia (Bulgária).
O amado Trabant, uma marca registrada da comunista Alemanha Oriental, está desaparecendo rapidamente. O número desses automóveis que ainda chacoalham pelas estradas alemãs caiu de cerca de um milhão, logo após a reunificação da Alemanha, para os atuais 35 mil. O programa de governo para comprar carros velhos e retirá-los de circulação parece ter persuadido vários proprietários de Trabants a traírem a lealdade à marca.

Depois da queda do Muro de Berlim, duas décadas atrás, eles viraram moda. A impressão que se tinha era que todo mundo queria um Trabant, e que todos os que já possuíam um não queriam desfazer-se dele. O pequeno carro de plástico, com o seu motor fumacento de dois tempos, transformou-se em um objeto destacado de adoração para os entusiastas mais fanáticos de automóveis – e também para aqueles que sucumbiram à “Ostalgie”, uma espécie de nostalgia dúbia pela vida na comunista Alemanha Oriental, quando os “Trabis” se constituíam em uma fonte limitada de liberdade e as pessoas tinham que esperar dez anos pela entrega do carrinho.

Atualmente, porém, os Trabis estão rumando lentamente para a extinção, e o número desses veículos registrados na Alemanha diminui com rapidez.

Grande parte deste fenômeno, é claro, deve-se a um processo de seleção natural. Os veículos são feitos de Duroplast – uma mistura de pó de resina e algodão – e estão literalmente caindo aos pedaços. Alem disso, no entanto, muitos proprietários deixaram de lado a lealdade à marca no ano passado, quando o governo alemão ofereceu um bônus de 2.500 euros (R$ 5.744) por cada um destes veículos, com o objetivo de persuadir as pessoas a comprarem carros novos a fim de estimular a economia desaquecida.

Apenas 35 mil Trabis encontram-se ainda registrados no Departamento Federal alemão de Veículos Automotivos (KBA, na sigla em alemão), o que representa um decréscimo de mais de 95% em relação a 1993, o ano referente às estatísticas mais antigas do KBA.

“Naturalmente, os carros estão simplesmente velhos demais”, disse a “Spiegel Online” o porta-voz do KBA, Stephan Elsner. A fábrica na cidade de Zwickau, no leste da Alemanha, que fabricou o primeiro Trabi em 1957, produziu o último desses automóveis na sua linha de montagem em 1991, pouco após a reunificação do país.

“Atualmente isso é apenas um hobby”

“O número de Trabis na estrada está diminuindo constantemente”, disse a “Spiegel Online” Uwe Tautz, que restaura os velhos Trabants na sua oficina em Marzahn-Hellersdorf, um distrito na zona leste de Berlim. “Atualmente isso é apenas um hobby”.

Mesmo assim, quem fizer uma pesquisa informal, constatará que o número de pessoas que pretendem continuar com o carro não diminuiu. “A nossa base de clientes tem se mantido constante no decorrer dos anos”, afirmou a “Spiegel Online” Andreas Trull, um mecânico da Trabant Oasis, uma oficina na cidade de Hoppegarten, perto de Berlim. “O motivo pelo qual algumas pessoas não dirigem mais o veículo são as zonas ambientais de baixa emissão de poluentes que algumas cidades instituíram”.

Mas os carros continuam sendo uma característica das ruas da capital alemã, pelo menos na zona leste da cidade, e as autoridades berlinenses estão conscientes de que esses carros se constituem em uma atração turística. Em 2009, a prefeitura da cidade declarou que o Trabant havia se transformado em uma marca de renome internacional para a Alemanha Oriental e decidiu proteger essa espécie ameaçada de extinção, estabelecendo padrões mais flexíveis de emissões para os Trabis.
Os carros também rendem várias piadas sobre os veículos. A Trabi Safari, uma companhia que aluga Trabants por hora em Berlim, em Dresden e em Potsdam, obtém peças sobressalentes para os carros em uma fábrica na Hungria que ainda produz esses componentes. Ao todo, cerca de três milhões de Trabants foram produzidos, e muitos deles encontraram lares definitivos em vários países do bloco oriental.

“Muitos deles quebram”

A frota da Trabi Safari é atualmente composta de mais de 90 desses automóveis subcompactos, e quase todos eles estão registrados em Berlim. Isso representa mais ou menos 10% da quantidade total de Trabants da capital. “Nós obtemos os carros principalmente de proprietários particulares, e mesmo assim muitos deles quebram”, disse a “Spiegel Online” Michaela Drepte, uma assistente da companhia de locação de automóveis. No entanto, a empresa tem que acrescentar uma peça especial a todos os seus Trabants a fim de atender aos padrões de emissão estabelecidos pelas autoridades de Berlim.

Porém, apesar de serem cada vez mais raros, os Trabants ainda são relativamente baratos. Com apenas mil euros (US$ 1.300, R$ 2.290) é possível comprar um desses automóveis, segundo os anúncios publicados nos classificados online, os lugares mais fáceis para se encontrar um Trabant, segundo Tautz.

Entretanto, em breve poderá haver até alguns Trabants novos disponíveis. A IndiKar, uma fábrica de automóveis que fica perto de Zwickau, está querendo dar uma nova vida ao Trabant. No ano passado a companhia revelou planos no sentido de fabricar um carro elétrico no estilo do Trabant. A IndiKar acredita que o carro estará rodando nas estradas alemãs em 2012, e que custará cerca de 25 mil euros (US$ 32,5 mil, R$ 57 mil).

Thursday, July 29, 2010

Aulas de Piano

Düsseldorf (roupas secando, falta estender no varal...)

O final de semana entre 16-18 Juillet em Paris foi tao bom que rendeu uma crônica sobre os causos contatos pelos companheiros de mesa. O dono de blog sou eu, mas Ela é a verdadeira escritora da casa e é Dela a autoria do texto abaixo. Sou apenas um enganador.



Dó, ré, Dó ré, Dó, ré: era esse o som dos passos de Dona Dulce se aproximando de minha casa. Quando ouvia esse compasso meu corpo comecava a tremer. O coracao acelerava. Sentia um friozinho atrás da nuca.  Dona Dulce, sempre impecável em sua saia rodada. Um coque alto puxando os cabelos para trás e os óculos redondos beirando a ponta do nariz. Chegava sorridente, com uma sacolinha cheia de partituras.  E entao comecavam as duas piores horas da minha semana: as aulas de piano.

Comecavamos com um aquecimento muito chato, em que eu tinha que cantar la, la, laaaaaaaa, junto com Dona Dulce. Consertar a postura e exercitar os dedos. Meu maior medo era que algum dos meus colegas de sala passasse pela porta de minha casa naquelas horas e me ouvisse cantando pela janela: seria o fim da minha reputacao escolar aos oito anos de idade.

Como se nao bastasse toda a chatisse das aulas, no final ainda havia um ritual completo. Minha mae chegava com brioches da Colombo, colocava a mesa de chá e ficávamos ali, os tres, mais uma hora saboreando brioches com chá. As duas tagarelando sem falar, sobre assuntos importantes como o adultério da vizinha. E eu, sentado, balancando as pernas imaginando a cara da Dona Dulce entupida de tantos brioches e chás. Eu matava a Dona Dulce todas as quartas-feiras lentamente nos meus pensamentos antes de dormir. Imaginava o enterro de Dona Dulce deitada em sua saia rodada, com o coque sobre a cabeca. Ao fundo um som de Dó, ré, Dó, ré, que era para embalar seus passos rumo ao céu.

As visitas chegavam em casa e logo perguntavam: quem toca piano? E claro, eu era obrigado a tocar uma ou duas músicas com um sorriso no cantinho da boca, para alegria e orgulho dos meus pais.

Pedi várias vezes para minha mae me tirar daquelas aulas, pois ser pianista estava longe dos meus planos de futuro. Mas ela insistia que o instrumento era fundamental para minha formacao.

Entao descobri que Dona Dulce detestava Bach e passei a me especializar no pianista alemao. Eu investia minha semanada comprando partituras de Bach e me empenhava ao máximo para tornar aquelas duas horas tao entendiantes para Dona Dulce, quanto para mim.

Até que um dia recebemos uma carta de Dona Dulce, a letra tremida, dizendo que infelizmente teria que interromper as aulas, pois havia sido diagnosticada como E S C L E R O S A D A. A carta enfatizava a doenca assim mesmo, com letras garrafais. E S C L E R O S A D A! Como eu amei essa palavra e essa doenca que significou minha liberdade.

O piano ficou esquecido no canto da sala, junto com as partituras de Bach e só fui me lembrar dele quando já com meus quarenta anos me mudei para Humaitá e comprei um casarao antigo. Senti que faltava algo na sala e tive certeza que o piano ficaria bem ali. Liguei para minha mae, avisando que o buscaria no final de semana seguinte.

– Mas meu filho, o que vou falar para seus irmaos? O piano é de voces cinco.
- O que? Nao tem conversa, fui o único a ter aulas de piano durante DEZ anos com Dona Dulce, que Deus a tenha, pobre coitada, morreu E S C L E R O Z A D A. O piano é meu, por direito adquirido e quem quiser que venha falar o contrário comigo.

E aqui veio parar o piano, aos pés da minha sala.

E até hoje quando o dia é frio e a lua insiste em descer sobre o Corcovado, eu me sento e dedilho um Dó ré, dó ré, com gosto de brioche e chá, que me faz relembrar de Dona Dulce e  pensar que as aulas de piano nem eram tao ruins assim...

Wednesday, July 28, 2010

Ainda Felipe

Essen (BH no domingo?!)

Um piloto quando assina contrato com a Ferrari acaba vendendo sua alma ao diabo. Este atende pelo ironico nome de Luca Cordero de Montezemolo. A Famiglia Ferrari esta em primeiro lugar. Os pilotos sao detalhes insignificantes nessa maquina de fazer dinheiro em cima do mito do cavalino rampante.

Assim, a ordem de Rob Smedley, engenheiro de Massa, e depois a decisao tomara por ele de abrir foram mais do que corriqueiras.

O que irrita e nos deixa indignados eh a dissimulacao amadora e o teatro feito em cima de uma coisa obvia. Nem um filhote de cachorro com 3 dias de idade cairia nessa lorota.

Por infringir o regulamento, onde as ordens de equipe sao proibidas, a Ferrari do seu Enzo deveria ter os dois pilotos excluidos da corrida. Garanto que jamais fariam coisa parecida. Ou pelo menos ensaiariam antes de fazer.

A foto foi enviada pelo blogueiro Albertiones Cenoura, o terror da praia do Gonzaga em Santos.


Tuesday, July 27, 2010

The Best Day of My Life

Düsseldorf (Ela me espera no quentinho)

Nao da minha, mas da Vida de Lewis Hamilton. Palavras dele.

É ajeitar a poltrona e assistir as duas partes. Sensacional!

Contribuicao do blogueiro Conejo que anda meio nervoso ultimamente, mas disse nao desistir nunca.

Monday, July 26, 2010

Felipe Barrichello

Essen (luto em Duisburg...)

Antes de falar da tragedia de verdade que assolou a Love Parade no sabado em Duisburg, falarei dessa "tragedia" etica, esportiva e egocentrica que "assolou" a Formula 1 ontem. Isso eh mesmo um esporte?! Ha tempos que nao. Eh um circo onde os palhacos somos nos, como disse bem Airton Gontow neste texto.

E pegando a frase dita pelo camarada Gomes "O que se espera de um piloto é que ele lute por vitórias, não por empregos" Felipe Massa deve ter recebido um gordo aumento hoje por "trabalhar em equipe".


Nunca gostei do estilo italiano de gerenciar a equipe. Estao cagando pros pilotos, so pensam na equipe, na "famiglia". Nao importa se era um espanhol e um brasileiro nos cockpits. Realmente nao interessa. Poderia ser um canadense e um frances, como nos tempos de Gilles Villeneuve e Didier Pironi quando a equipe enviava os pes pelas maos do mesmo jeito ao tentar frear e gerenciar o impeto de seus comandados.

Massa foi uma decepcao. Ridiculo, como o proprio Alonso disse na primeira metade da prova reclamando que o companheiro era mais lento e ele nao conseguia passar. Ora, se esta mais rapido entao passa, porra! Ordens de equipe na ultima corrida do campeonato, quando um dos pilotos da equipe disputa o titulo, fazem sentido, mas durante o campeonato nao. Massa mesmo fez isso em 2007 beneficiando Raikkonen que acabou ganhando um improvavel campeonato quando Hamilton e Alonso eram os grandes favoritos.

Nessa historia toda eh dificil saber quem eh o mais babaca: a Ferrari pela ordem desnecessaria, anti-etica e anti-esportiva, Alonso por fingir de egua, como se nada tivesse acontecido, Felipe por ter aceitado a situacao e depois fazer biquinho como se tivesse sido forcado a cumprir as ordens, ou se somos nos mesmos que acompanhamos esse circo ridiculo sem sentido nos finais de semana.

O unico que ri a toa e nao tem nada de babaca se chama Bernie Ecclestone, o baixinho que comanda a categoria ha anos.

Eu pelo menos estava voltando de ferias e nao perdi meu tempo vendo a corrida. Fui ver fjordes, vikings, salmoes e a natureza exuberante da Noruega. Eu e Ela, claro. Fantastico destino altamente recomendavel. Aguardem fotos e relato, um dia desses. Sem promessas por que hoje eh segunda e a semana eh longa.

Barrichello se apressou em dizer que "na Willians não existe isso", bem lembrado por Kroc or Die, meu unico e fiel leitor. Leo Kroc participara do Rally dos Sertoes e mandara relatos exclusivos direto da poeira e da lama.

A cobertura da Copa foi um sucesso e agora vamos de rally! Eh o Truta expandindo seus tentaculos pelo Planeta, inspirados em Paul, o polvo de Oberhausen.

O assunto desviou completamente. Voltemos a F1. Nao perco mais meus raros sabados e domingos de sol pra ver essa palhacada. Nao mesmo. Ja interrompi viagens pra ver corridas em postos de gasolina na beira da estrada. Entrei em cidades nada turisticas invadindo bares moribundos com cadeiras empoeiradas pedindo encarecidamente ao alemao carrancudo que ligasse a TV, abaixasse o som e sintonizasse na RTL, canal alemao exclusivo da F1.

Isso nao acontece mais. Pelo menos pra isso Felipe Barrichello serviu nesse domingo.

Tuesday, July 20, 2010

Reporter Truta, Reloaded

Essen (Oslo nos aguarda)

Se voces pensaram que nosso intrepido Reporter ficaria no limbo apos a Copa, se enganaram.

Com o substancial aumento de verbas advindas dos milhares de acessos diarios durante a cobertura copistica, resolvi presentea-lo com merecidas ferias.

Sabendo de suas habilidades no idioma quixotesco, mandei-o a Lima, no Peru. Ele sempre quis conhecer o Peru, nao sei por que.

E de la me contou outro dia:

"Correria danada. Lima nada mal. O clima e a cidade parece com SP, o relevo parece com Salvador. Povo gente fina, mas é 3° mundo."

De ferias ele nao escreve muito. E voltou da Africa do Sul acostumado com a Vida boa, estadios cheios de europeus, etc. Precisamos conversar na volta.

E no domingo mandou outro telegrama, dessa vez numa maquina moderna que tambem enviava fotos Polaroid:

"Volta ao mundo em 80 dias! Agora to eu tomando uma cerveza Cusqueña e um Pisco Sour em Lima, no Peru.

Lugar legal pra caramba. Povo feinho mas gente fina. Frio, clima feio tipo SP.

Amanha ia num jogo do Campeonato Descentralizado Peruano, mas nao tem jogo em Lima. Ia ser muito ponto no curriculo e ainda ganhava uma extensao no meu contrato milionario com a agencia internacional de noticias Truta. Hoje teve jogo, mas nao rolou de ir.

Saudade do Brasil! Abracos a todos!"


Sim, ganharia muitos pontos mesmo. Esse campeonato nao deve ter nem cobertura na radio, quanto mais num Blog de prestigio mundial como o Truta.

Ele nao sabe ainda, mas o contrato ja foi extendido para a Copa de 2014. Desde que arrume ingressos para todos os jogos do Brasil para esse que vos bloga e familia. E talvez alguns convidados.

Monday, July 19, 2010

Cinco e Sessenta

Düsseldorf (por que os vasos bons quebram?!)

Recebi a trágica notícia no sábado, dentro do Pop In, pub na Rue Amelot, próximo ao metrô Filles du Calvaire, Paris.

Local apropriado para tomar conhecimento da morte de um palhaco.

Mais nao falo. Ficarei três dias com um sorriso estampado no rosto em homenagem ao comediante Gilberto Fernandes, vulgo Gibe que deu Vida ao Papai Papudo, sucesso nos anos 80 junto com Bozo e companhia.

Wednesday, July 14, 2010

Radio Truta

Düsseldorf (e por hoje é só, pessoal)

Quem nao comecar a gostar de jazz depois de ouvir essa obra prima pode escolher outro Planeta pra viver.

Boa noite, Brasil!

Tuesday, July 13, 2010

Rock Day

Düsseldorf (um filme, por favor)

Que fique bem claro qual é minha preferência musical.

Foto enviada pelo blogueiro Little Junior Tapeline Tongue.

Dia Mundial do Rock

Essen (quem precisa de um tax advisor?!)

Comemore esse dia ouvindo os cinco melhores expoentes do rock em todos os tempos. O AC/DC entra como mencao honrosa.











E esse vai de lambuja:

Luto (2) - JB

Essen (Paris na sexta)

'Jornal do Brasil' deixará de circular

Após 119 anos de existência, o "JB" deixará de circular no formato impresso e terá apenas versão na Internet. A data em que o jornal mudará de plataforma deve ser anunciada esta semana. (Págs. 1 e 23)


Assim, laconicamente, informou o ex-concorrente O Globo sobre o futuro do rival.

Perde o Rio, perdem os cariocas, perde a cultura brasileira. Junto com os biscoitos Globo e o Cristo, o JB ainda eh a cara do Rio, do carioca.

Os viciados em internet, como eu, devem estar comemorando. Eu nao. Livros, jornais e revistas sao e sempre serao insubstituiveis.

Luto (1) - Paulo Moura

Essen (o lacraia nao morre por que?!)

Paulo Moura, o rei da clarineta transparente. Mestre do choro brasileiro.

Partiu ontem aos 77 anos. Partiu pra encontrar Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola, Adoniran Barbosa, Ary Barroso e tantos outros.

Conheci melhor sobre sua obra no filme Brasileirinho do diretor finlandes Mika Kaurismaki. Pra quem gosta de musica popular brasileira eh obrigatorio.

Post Scriptum: A nota da Folha eh tao pequena para o quanto Paulo Moura representa na cultura brasileira que chega a ser vergonhosa. Enquanto isso, noticias sobre BBB, Larissa Riquelme, etc. ocupam tanto espaco na midia. Ridiculo.

Frase do Dia (de ontem)

Essen (biomass or cogeneration?!)

"Quero voltar ao pódio com a equipe neste ano e no ano que vem quero vencer corridas".

Rubens Barrichello, o imortal.

Monday, July 12, 2010

Copa 2010 (65) - Viva España

Düsseldorf (Ela tá estudando)

Foto: EFE

A overdose futebolística acabou. Sinceramente, terei dificuldades pra dormir hoje. Colocarei um som de vuvuzela debaixo do travesseiro pra embalar meu precioso sonho.

Ganhou a Copa a equipe que jogou futebol e buscou o gol.

Que segurou os nervos o quanto pode.

Que teve fair play na maioria do jogo.

Que tem um técnico bonachao, parecendo um tio de qualquer um de nós.

E que partiu com tudo pra ganhar no final fugindo da disputa injusta dos penalties.

Van Bohmel deveria sair num camburao do estádio. Dali pra delegacia mais próxima. Interrogatório e inquérito sobre homicídio culposo. Babaca.

 Foto: EFE

Iniesta revidou, o juiz viu e amarelou. A Fúria transferiu a pecha para o juiz. Temi pelo pior, mas nada aconteceu. Cantei para o Repórter Truta, que assistia ao jogo do meu lado, que o pequenino espanhol seria decisivo. Nao ganhou o merecido vermelho e marcou o gol do caneco após receber na medida passe de Fábregas.


Foi emocionante ver a entrega do troféu no meio da horda de espanhóis que invadiram os bares ao longo do Reno. Pareciam criancas. Nao acreditavam no que viam. Finalmente disputavam e ganhavam uma final de Copa. E pra tristeza da máquina de dar porrada laranja.

Como dizem os alemaes: A Holanda nunca ganha nada.

Meu amigo de infância e adolescência Eduardo Alfonso Gimenez Ponce, filho de espanhóis madrileños, e Santito seu irmao arquiteto e louco, devem estar bêbados até agora. Sao brasileiros, mas espanhóis de coracao. Merecem beber cada gota de sangria que puserem na garganta.

E os torcedores do Barcelona disseram ser esse único título que faltava na vasta galeria de troféus do clube. A bagatela de seis titulares jogam lá.

E Paul, o polvo, acertou mais uma. Já foi até convidado pra conhecer a Espanha e desfrutar de sua merecida aposentadoria como octopus-vidente. Agora brinca tranquilo com uma réplica da taca no aquário de Oberhausen. Vou visitar Paul qualquer dia desses.

Foto: Roland Weihrauch / AFP