Thursday, September 05, 2013

O Pagador de Promessas (1) - Salve a Academia de Ademir da Guia

Meitingen (Monkey Shoulder me espera)

Libertadores
Apesar da final de 1971 ter sido contra o Botafogo, o Sao Paulo terminou em 2° lugar e juntamente com o Galo representaram o Brasil na competicao continental.

O desempenho ridículo do Galo no Grupo 3 com três empates em casa e mais um fora somou apenas quatro pontos que foram insuficientes para classificar a segunda fase. Houve um empate com o Olimpia, sempre ele, em Assunción, mas o árbitro encerrou o jogo antes do fim, pois o Atlético estava com somente 6 atletas em campo. O resultado de 2 a 2 prevaleceu, porém o Olimpia ganhou os pontos. Perdemos também para o Cerro Porteno fora de casa.

O campeao de 72 foi o entao imbatível Independiente da Argentina.

Campeonato Brasileiro
O time do Galo campeao em 1971 só conseguiu chegar ao 11° lugar no ano seguinte. Reinava entao Ademir da Guia, o divino e grande maestro do meio campo palmeirense. Além dele se destacavam Luiz Pereira, Leivinha e Leao.

A semifinal e final foi realizada em um só jogo beneficiando as equipes com melhor campanha durante a fase anterior.

As semis classificaram o Palmeiras após um empate em 1x1 contra o Inter em Sao Paulo e o Botafogo novamente após vitória contra o Corinthians no Rio.

Após o empate sem gols na final disputada na capital paulista, o Palmeiras ficou com o título por ter melhor campanha em todo o campeonato.

Fogao duas vezes seguidas vice e o Palmeiras levando o caneco após dois empates por ter feito a melhor campanha. Veremos adiante quantas vezes o Galo vez a melhor campanha e nao levou o caneco.



Números:
Jogos: 352
Gols: 731 - Média: 2,08 p/jogo
Público: 6.191.982 espectadores - Média: 17.591 p/jogo
Artilheiros: Dario (Atlético-MG) e Pedro Rocha (SP) 17 gols
A Final: 23/12/72
Palmeiras 0x0 Botafogo
Local: Morumbi (SP)
Juiz: Agomar Martins (RS)
Renda: CR$ 649.445,00
Público: 58.287 espectadores


Palmeiras: Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu (Zé Carlos) e Ademir da Guia; Edu (Ronaldo), Madruga, Leivinha e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão


Botafogo: Cão; Valtencir, Brito, Osmar e Marinho Chagas; Carlos Roberto e Nei Conceição; Zequinha, Jairzinho, Fischer e Ademir Vicente (Ferreti)
Técnico: Sebastião Leônidas


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1972.php

O Pagador de Promessas - Dadá parando no ar

Meitingen (sem beber na Bavária é tortura)

Em 1971 o Campeonato Brasileiro foi oficialmente assim chamado pela primeira vez. Ganhou o Galo, Atlético Mineiro de Telê, Dadá Maravilha, Lola, Guará e tantos outros craques.

A fórmula de disputa era um tanto quanto inusitada: duas chaves de dez times. Os seis primeiros colocados de cada chave passavam para a segunda fase onde eram formadas três chaves de quatro clubes cada. Os campeões de cada grupo classificavam-se para um triangular final, em turno único, para decidirem o título.

Os três melhores, Botafogo, Sao Paulo e Atlético, jogaram entre si. O São Paulo tinha Gérson, Toninho Guerreiro e cia. e o Botafogo vinha fervendo com Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, e grande esperança do Fogao. No primeiro jogo, derrota dos cariocas para o Tricolor paulista por 4 a 1. O Galo precisava apenas do empate contra o Botafogo depois da sofrida vitória por 1 a 0 contra o São Paulo.

O Gol do Título
Em uma grande jogada individual do meia Humberto Ramos, sai o gol do titulo. Ele dribla e passa por Mura, Carlos Roberto e Marco Aurélio, chega dentro da área e cruza para Dario cabecear no canto esquerdo de Wendell. Na comemoração, Humberto Ramos, ajoelhou-se agradecido pela jogada e Dario fez a festa. Fonte: http://www.campeoesdofutebol.com.br/materia_especial3.html

Depois desse título foram 42 anos sem ganhar nenhum título de expressao. Apenas os mineiros, agora chamados de Rural, e duas Copas Conmebol, torneio que nem existe mais. Talvez seja equivalente a Sulamericana de hoje em dia.

Foram 42 anos de fila até ganhar a Libertadores. Daí veio a promessa.



Números:
Jogos: 229
Gols: 419 - Média: 1,83 p/jogo
Público: 4.662.247 espectadores - Média: 20.360 p/jogo
Artilheiro: Dario (Atlético-MG) 15 gols
A Final: 19/12/71
Botafogo 0x1 Atlético-MG
Local: Maracanã (RJ)
Juiz: Armando Marques (SP)
Renda: CR$ 294.420,00
Público: 46.458 espectadores
Gol: Dario 18' do 2º T.
Expulsões: Mura e Carlos Roberto


Botafogo: Wendell; Mura, Djalma Dias, Queirós e Valtencir; Carlos Roberto, Marco Aurélio (Didinho) e Careca; Zequinha, Jairzinho, e Nei Oliveira.
Técnico: Papagaio


Atlético-MG: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Odair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião.
Técnico: Telê Santana


Fonte: http://www.futebolnarede.com.br/historia/campeonato-brasileiro-1971.php

Tuesday, August 20, 2013

O Álcool, ou a falta dele, e a Sociedade

Saarbrücken (quanndo aqui vier vá na Gasthaus Zahn)

Por causa do post abaixo fiz uma promessa. Durante o intervalo da final, ainda 0x0 e o Galo nao jogando grandes coisas, sentenciei mentalmente: se ganharmos o título vou ficar 40 dias sem beber. Uma quaresma fora de época.

Ganhamos, como todo o Universo já está careca de saber, e estou cumprindo o prometido. Depois aumentei pra 42 dias, um pra cada ano sem o Atlético Mineiro ganhar um título importante. O primeiro, e único, foi o Brasileiro em 1971.

As últimas gotas de álcool vieram das latinhas, ou melhor, latoes frios de Brahma em frente a sede do Galo em Lourdes. Os 4,5% já nao faziam efeito algum. A adrenalina nao deixava.

O dia seguinte, uma quinta e ainda incrédulo, ocorreu sem bebidas. Nem no encontro fugaz com a cunhada, o cunhado, namorada e cia. no restaurante do ano, o 2013, resistiu. Poderia muito bem iniciar a promessa na sexta. Aliás, essa era a combinacao mental original. Enquanto eles bebiam coquetéis mirabolantes eu só olhava me sentindo um excluído.

Na sexta de manha a confusao do vôo cancelado e a remarcacao da volta via Guarulhos para o sábado a tarde me deram um dia a mais de Brasil. Agradeci os vouchers de taxi oferecidos pela Azul e me mandei de volta pra casa. Lucas me conta a boa notícia: ganhei de brinde uma festa de aniversário do tio querido, o Renato. Lá chegando me oferece um whisky. Ou mesmo uma cervejinha pra refrescar. Quem sabe um vinho português, aquele que eu adoro?! Nao tio, obrigado. Explico a promessa, ele sorri e diz: mas logo hoje?! Nao era pra eu estar aqui, e conto sobre a péssima manutencao das aeronaves celestes. Também, uma cia. aérea com esse nome nao poderia me transportar com o manto alvinegro.

No quinto ou sexto dia seguido vestindo uma camisa do Galo, incluindo a de 85 surrupiada do irmao com a desculpa de que "depois devolvo", parti pra Guarulhos de Azul. Normalmente em aeroportos procuro um pub ou restaurante e por lá fico. Bebendo e lendo um livro que trouxera ou acabara de comprar. Me sentei no bom restaurante cujo nome nao me lembro e o garcom pergunta se quero comemorar o título com uma caipirinha ou uma cerveja. Digo que ficarei no suco e seus olhos quase caem na mesa. Abstêmios se tornam sem educacao por natureza.

No aviao peco sempre uns dois ou três copos de vinho tinto acompanhando o jantar. Durmo antes da metade do primeiro filme. Dessa vez nao. Suco de laranja. Revira daqui e dali, mas dormir que é bom, nada. Na Suíca o passeio pelo freeshop foi uma tortura. Comprei os shampos que Ela encomendou, o creme para a pálpebra e chocolates na promocao. Depois fiquei ali olhando aqueles nomes tao familiares: Ardberg, Glenmorangie, Lagavulin, Laphroaig, Cardhu. Sem poder sorvê-los pareciam nomes de tribos celtas já extintas.

Já em casa na Alemanha, Ela me recebe aos beijos e abracos. O calor pede uma cerveja ou um bom branco alemao no jantar. Nada disso. Água ou suco. Sinto um olhar de aprovacao na promessa. Me sinto manco. Falta alguma coisa. Mesmo de banho tomado e vestindo roupas confortáveis sinto falta de algo. Visceralmente.

Após alguns dias comeco a me sentir melhor fisicamente. Mas psicologicamente nao me lembro de nada relevante que tenha acontecido. Nenhuma piada, discussao, encontro, zero. Adiciono exercicios aeróbicos a quaresma futebolística. Bicicleta, natacao e corridas. Comidas leves a noite. Frutas e iogurtes no meio das manhas e tardes. Emagreco facilmente. Ela gosta, embora comece a me estranhar. Me pergunta "quem é você?!"

Vem a primeira prova de fogo: um almoco na casa do amigo mais cachaceiro de todos. Ao saber ele provoca, me chama de boiola, diz que estou perdendo tempo e que o vinho tá ótimo. Masoquistamente, pego o copo dela e sinto o aroma. Realmente excelente. O gosto tá melhor ainda, retruca o sacripanta. Depois do almoco, whisky japonês. Aquele que os bons bebedores sabem qual é. Suntori, Hibiki ou Yamazaki. "Comprei naquela lojinha bacana que te falei", alfineta. Vejo-o em delírio profundo sentando no sofá rodando o copo nas maos. E eu com cara de paspalho tentando achar graca de mim mesmo. Me senti manco, agora mudo.

Ela pergunta se tá tudo bem. Diz que fiquei triste. E nos últimos dias tímido. Logo eu. Vamos em frente! Promessa é pra ser cumprida.

No final de semana seguinte, novas provacoes. Primeiro um almoco com o citado cachaceiro, Herr Bock, e o Luis na Altstadt. Justo num restaurante com Pilsner Urquell na bomba!!! Pedi suco de laranja (sic). Na saída, um passeio pela agradável tarde de sábado na cidade velha. Paramos onde?! Na Uerige Brauerei, a cervejaria de Altbier mais tradicional da cidade. Herr Bock é sádico por natureza. Fiquei olhando o vazio, falando pouco, gargalhadas só dos outros. Estou me adaptando, penso.

No dia seguinte, almoco com a turma. Outros dois cachaceiros adicionados ao grupo apenas pra me espezinhar. Mas me surpreendi com a reacao deles. Nada falaram, aceitaram respeitosamente minha situacao e pouco provocaram o pagador de promessas. Mais uma vez, suco de laranja enquanto copos de pils e altbier fluiam pela mesa com leveza.

Mas o pior ainda estava por vir. Encontro em Paris com o Emi Pê que passeava pela Europa. Chegamos na sexta a noite e cansados saímos pra beber alguma coisa. Na brasserie da esquina eu normalmente pediria uma cerveja. Ela nao quis beber e pediu um chá de menta. Resolvi acompanhar. Me senti um mulcumano numa mesquita parisiense. Nem sei se mulcumanos parisienses bebem chá de menta a noite, mas foi assim que me senti. Podem ser marroquinos também, tanto faz nesse caso. Eles adocam com mel?!

No sábado picnic em Versailles com direito a quitutes da Epicerie de Paris e vinhos tintos. Após insistentes pedidos, continuei no suco de laranja apesar da ocasiao pedir o contrário. A noite no restaurante que depois virou boate foi pior. Emi Pê e Chanel mandando ver nos tintos e as meninas na champa. Eu na água mineral. Com gás! Depois vieram os drinks e coquetéis. A turma ia se animando, comecando a dancar, fazer gracinhas, rir fácil. E eu lutando contra o sono. Balada sem bebida é uma merda. Foi aí que o Emi Pê contou do escocês que namorou a cunhada dele. Certa vez ele trouxe de presente uma garrafa do Monkey Shoulder, whisky venerado por vários branquelos de saiote. Nunca ouvi falar, respondi. E nao é que na prateleira do bar da boate tinha uma garrafa?! Ampola essa que nunca havia atravessado meu olhar. Ela olhou pra mim me seduzindo. Um copo vazio com apenas uma pedra de gelo repousava no balcao. Resisti bravamente a tentacao. Queria um café, mas nao tinha. Lutei contra o sono balancando o esqueleto enquanto o Emi Pê provocava um china dancando melhor do que ele. Cenas hilárias.

Hoje é o 27° dia sem beber e a promessa termina na quinta, 5 de Setembro. Serao 42 dias de desintoxicacao tentando ver a Vida por outra ótica. Percebendo o quanto somos dependentes do álcool. A única vantagem talvez seja poder dirigir sem preocupacao com blitz. Mesmo assim raspei o retrovisor do carro na parede saindo do estacionamento da boate em Paris e quase catei um meio-fio. Tava bêbado de água.

A bebida te inclui. Faz o individuo ser aceito no grupo. Ou discriminado e rechacado. Alivia as tensoes e diminui os problemas. Ou estes pelo menos sao esquecidos por uma tarde ou noite. A conversa flui leve e solta. As risadas saem naturalmente. O corpo responde automaticamente aos estímulos musicais. Fala-se alto. Bobagens e coisas importantes. Dizem que ficamos mais verdadeiros quando bêbados. Acho que eliminamos as máscaras e pudores. Amores nascem e morrem. Filhos sao feitos. Negócios comemorados. Títulos celebrados. Amizades fortalecidas. Momentos eternizados.

Ser sóbrio e sisudo demais nao faz bem a saúde. Voltarei em grande estilo bebendo menos, mas com mais qualidade ainda.

Wednesday, July 31, 2013

Galo conquista as Américas

Meerbusch (calor baiano na Alemanha)

Este post foi originalmente escrito no saguao do aeroporto de Guarulhos dia 27 de Julho de 2013 aguardando o vôo pra Europa.


Guarulhos (ô ô ôôôô ô, vai pra cima deles Galoooo!!!)

Fazem cinco dias que só visto o manto alvinegro. Estou meio surdo de tantos foguetes. O pescoco ainda dói na nuca da tensao de quarta-feira. Sair de Düsseldorf pra ver a finalíssima da Libertadores foi uma das melhores coisas da minha Vida.

Se nao viesse e o Galo ganhasse jamais me perdoaria. Sao 39 anos torcendo e sofrendo. Gritanto campeao apenas para títulos inexpressivos como o Mineiro e a Conmebol, que nem existe mais. Agora chamam de Sulamericana embora o nível seja mais baixo. Precisávamos mais do que qualquer time do planeta de uma consagracao. Uma redencao.
Nos 42 anos entre a conquista do Brasileiro de 1971 e a noite de 24 para 25 de Julho de 2013 a Massa alvinegra sofreu. Teve paciência e uma perseverança inacreditáveis. Soube acreditar no projeto de longo prazo do maior presidente da História do Atlético, Alexandre Kalil. Maior mesmo que o próprio pai, seu Elias.

(Um negao gordo e sacudido acaba de sentar ao meu lado. Elogiou a camisa alvi-negra e perguntou se eu tinha ido no jogo. Sacou um spray do bolso e borrifou no preto sapato direito. E agora o esquerdo. Me deu parabéns e disse ser “atleticano mesmo, de Uberaba”)
A espera foi recompensada. Todos os fantasmas foram exorcizados, especialmente o de 1977 naquela fatídica disputa de penalties contra o Sao Paulo pelo Brasileirao. O Galo terminou o campeonato como vice-campeao invicto, mas viu o rival dar a volta olímpica em pelo Mineirao. Castigo maior, impossível. Meu pai me contou que nunca viu uma multidao tao silenciosa na Vida após o fim do jogo. Clima de velório nas avenidas Abraao Caram, Antônio Carlos e Catalao.

Após conquistar a Libertadores todos os pés frios foram absolvidos. Meu irmao Marcos, vulgo Negao, é um dos maiores. Ou era. Teve ano que o Galo ganhou todas as partidas em casa menos uma, um empate. E este fora justo o jogo em que compareceu.
A fama de azarado do técnico Cuca acabou. Fez substituicoes ousadas ao longo do torneio, jogou sempre no ataque, comandou com pulso firme jogadores tarimbados como Ronaldinho, renegados como Jô, promessas como Bernard, o zagueiro  “selecao” e capitao Réver, o desacreditado e agora Sao Vitor, e até mesmo um Tardelli apaixonado pela torcida, mas tendo que provar seu valor a cada partida.

Kalil filho dedicou o título ao pai, Elias. Antes de quarta era considerado o melhor entre todos os presidentes. O filho o supera e coloca o Galo num nível jamais alcancado. Já estamos na Libertadores 2014. Vamos disputar a Recopa 2013 contra o vencedor da Sulamericana. O Mundial no Marrocos em dezembro é uma realidade. Ainda podemos buscar o Brasileiro, já que estamos apenas 8 pontos atrás do líder Inter, mas com dois jogos a menos. E de lambuja tem a Copa do Brasil.

#euacredito

O EU ACREDITO foi uma das coisas mais belas e impressionantes que já presenciei. Uma verdadeira licao de Vida. Acreditar sempre, incondicionalmente. A Massa carregou o time rumo a$o título. Nao parou de apoiar um segundo sequer ao longo do campeonato, mas principalmente na final contra o tri-campeao das Américas, o Olympia do Paraguay.

Confesso que após o primeiro tempo, se continuassem jogando daquele jeito, achei que nao daria. O gol de Jô logo no primeiro minuto do 2° tempo incendiou o Mineirao. Assisti a partida inteira em pé, sem sair do lugar pra nada. Nao bebi água, cerveja ou suco. Nao fui mijar. Nao me sentei. Fiquei ali, na antiga Galo Prates exatamente na linha divisória do gramado à espera de um milagre.
O 1° tempo foi todo ao lado do amigo e irmao Chris Lua. Tenso e de poucas palavras. No intervalo ele sumiu. Contou depois que sua presença tava dando azar. Imaginem! Assistiu a segunda metade da peleja no bar, bebendo e ouvindo no radio. Nao viu os gols, nem a prorrogacao, nem os penalties. Estratégia de doido, mas que deu certo. Certíssimo.


Meu já citado irmao Marcos Negao fez o mesmo. Ficou o 2° tempo todo no bar vendo pela tv. Aliás, meus irmaos que gostam de futebol estavam todos no estádio. Rato ficou no lugar de sempre, atrás do gol junto com a Galoucura e ao lado do fiel companheiro Gazzi, uma comédia ambulante. Elaino e Leocádio ficaram por ali também, por coincidência ao lado do Tó e Tunicao. E Janemamae, Murgas e Titas em casa torcendo feito doidos. Guidao estava no meu bolso em forma de RG e no coracao, sempre. Tem dedo dele nessa conquista, pode ter certeza.
No segundo gol, custei a acreditar. A bola parecia estar em camera lenta. Assim como a subida e o erro no tempo de bola do zagueirao Leo Silva. Ele rompeu os ligamentos do ombro mês passado e jogou as finais no sacrifício. Nao pode sequer levantar o braco, por isso subia todo duro e desengoncado pras cabecadas.

Meu palpite era 2x0 no tempo normal e mais um gol na prorrogacao. Mas se o sofrimento nao for no nível máximo nao é Galo. Cuca poderia ter colocado o Guilherme e nao o Alecssandro quando fez a primeira substituicao. Na meia hora final de jogo o ataque estava muito enfiado e dependia das jogadas de Rosinei e Josué. Este ultimo foi um monstro e o melhor em campo, na minha humilde opiniao. Na da Itatiaia também.

Sao Vitor, travessao e festa
Vitor dizia que quando se ganha o rótulo de santo é preciso fazer um milagre por dia. Estava certo e fez mais um ao pegar a primeira cobranca paraguaya. O fantasminha de 77 rondava a Pampulha ali de longe, sobrevoando marotamente a lagoa. Mesmo sendo escorraçado do Independência após a antológica vitória contra os Newells Old Boys argentinos, ele teria que ser morto no local de nascença pra nunca mais voltar.

Os atleticanos bateram todas as cobranças com perfeiçao e no canto direito do goleiro fazedor de cera professional, o parente Silva. O travessao explodiu de alegria, extase e delírio ao receber a quinta e última cobranca do Olimpia. O Mineirao foi a loucura e entrou em catarse coletiva. Depois veio um sentimento instantâneo de alívio. Do EU ACREDITO ao EU NAO CONSIGO ACREDITAR numa fracao de segundos.
Abracei quem estava ao meu lado como se fossem irmaos. E sao mesmo. Na saída vi uma senhora de pelo menos 80 anos indo embora amparada pelos filhos, feliz que só ela. Licao de Vida, mais uma. Os amigos aparecendo pelo caminho, vibrando, dizendo que “tive a manha demais” de vir pro jogo. Sempre respondia dizendo que jamais ficaria de fora dessa festa. Do Mineirao pra sede do Galo em Lourdes foi um pulo. Foguetes incessantes, algumas cervas, novos encontros inesperados. Nenhuma briga ou confusao. Apenas alívio pelo fim de uma era e o início de outra.

Esperamos tanto, mas valeu cada nova licao aprendida nas derrotas. A primeira que lembro e uma das mais traumáticas, contra o Flamengo na decisao do Brasileiro de 1980. Guidao meu pai me tornou atleticano. Estava lá na sala de tv nesse dia, confiante na vitória que nao veio. Depois a roubalheira no Serra Dourada pela Libertadores de 81. José Roberto Wright, o sr. é um FILHO DA PUTA. As várias eliminacoes em semi-finais pelo Brasileiro pelo Coritiba em 85, Guarani em 86, Flamengo de novo em 87 após fazer a melhor campanha e ter todos os recordes do torneio. Em 91 o algoz foi o Sao Paulo. Nossa fase ruim foi acompanhada da ascencao do rival. Nova derrota na final do Brasileiro em 1999, dessa vez para o Corinthians. Em 2001 para o inexpressível Sao Caetano novamente nas semis. Isso sem falar nos carrascos da Copa do Brasil, torneio que jamais chegamos nas finais. Criciúma, Goiás, Vasco e até um nanico chamado Brasiliense já eliminaram o Galo.
A vitória é mais do que esperada, o objetivo final. É vislumbrada, sonhada, imaginada e até celebrada antes mesmo de acontecer. Engole-se fácil e saem todos lépidos e fagueiros celebrando por aí. A derrota, e foram tantas, ensina. É muito mais sofrida e difícil de digerir. Tem um inconfundível gosto amargo. Inesquecível. E se?! O imponderável se apresenta. Imagina-se o que teria acontecido. Aquela ilusao de felicidade que estava ali, a meio segundo, a dois passos do paraíso, se esvai, evapora. O grito de campeao engasgado na garganta durante 42 anos finalmente saiu. O estrondoso urro varreu a cidade como um furacao. Mas valeu a pena esperar cada segundo. Cada mes e cada ano. Após as várias eliminacoes, derrotas, e canecos escorregadios que passaram pelas maos de tantos jogadores talentosos  a Massa Atleticana foi se galvanizando, foi ficando mais forte e resiliente. Como uma corda que se arrebenta facilmente na primeira esticada, mas depois volta mais forte e bem amarrada. Com mais fios e entrelaçada. Até que se torna indestrutível e inabalável.

Agora uma nova era se inicia. Que venham os próximos 42 anos, mas cheios de conquistas, orgulho e glória de ser atleticano. E que justifiquem o Amor incondicional que a Massa tem pelo time.
Galo forte vingador, vencer é o nosso ideal!

ps. se ganharmos o Mundial contra o temível Bayern München as marias terao que escolher outro planeta pra viver.

Criquet, Ales, Aço e Galo

Esse post foi originalmente escrito no dia 11 de Julho de 2013 no aeroporto de Manchester enquanto eu bebia ales e comia fish & chips. Vai na íntegra do jeito que ficou.

Manchester Airport (degustando uma Jaipur IPA da Salopian Brewery, Shrewsbury, Shropshire, UK)
Os ingleses sao realmente um povo peculiar. Antes de entrar no carro do Alan Gillard, inglês da gema apesar do sobrenome francês, fui em direcao ao lado direito, o do passageiro. Ele riu e disse “estamos na Inglaterra”. Ao entrar na Motorway M1 se gabava dizendo que o resto da Europa é que dirigia do lado errado e eles, súditos da Rainha, sempre estiveram mais do que certos.

Desci em Meadowlands vindo do aeroporto de Manchester numa quarta-feira de sol. No caminho o tempo foi piorando, a neblina aparecendo e ao chegar em Sheffield encontrei o típico clima britânico. Nuvens cinzentas e sérias. O objetivo da viagem era aprender com os ingleses o bem sucedido modus operandi em funcionamento num conhecido cliente. Mas nao foi só isso que aprendi.

Criquet
O jogo de criquet, por exemplo, é uma instituicao local. Jogam agora o torneio “The Ashes”, série de cinco jogos clássicos entre Inglaterra e Australia. Metrópole vs. Colônia. Em disputa uma mini urna contendo as cinzas dos pauzinhos da casinha usada no primeiro jogo entre os dois paises ocorrido uns 200 anos atrás.

Criquet é uma mistura de bente altas com basebol. Ou o contrário. A tal casinha é feita de pauzinhos de madeira. Essas cinzas da urninha vieram da parte superior, equivalente ao travessao num gol de futebol. Acontece que cada jogo tem a bagatela de CINCO dias de duracao. Isso mesmo, cinco dias. Comecou ontem o primeiro da série com previsao para terminar no final de Agosto. É que entre um jogo e outro temos um intervalo de até uma semana. Os atletas precisam se recuperar de tamanho esforco, claro. Os jogos geralmente comecam às 11h da manha e terminam às 18h. Pausa para almoco, dois lanches e às 16h o tradicional chá que nao é das cinco e sim das quatro. Durante a transmissao os narradores vao se revezando, sempre em dois, ao longo dos cinco dias e das semanas.

Um famoso comentarista local participava ontem do evento, sempre transmitido em ondas longas, as long waves. Nao temos esse tipo de frequência no Brasil, ou pelo menos nao é muito popular. O jogo é apenas pano de fundo para os comentaristas tegiversarem sobre o clima, comentarem as últimas da politicagem inglesa, os resultados de outros esportes, problemas familiares entre os speakers e outros assuntos banais. Quando algum lance relevante acontece param tudo e se concentram no jogo. Depois voltam pra resenha original. Vira e mexe alguma matrona inglesa manda uma torta vinda lá de Dundee, por exemplo. Recebem-na com água na boca e comem a bendita no ar. Comentam depois sobre a textura da bendita, os sabores e cores divagando no final de onde virá a próxima e qual seria o sabor.

Music & Pints
A excelente música pop rock inglesa também é um capítulo à parte. Entrei no supermercado ontem ao som de “With or Without You” do U2. Nos pubs é desnecessário comentar o setlist. Sempre excelente. Na porta do carro do Alan tinha alguns CDs dos Beatles. O Paul que me levou hoje a outro cliente, tem Bruce Springsteen como toque de seu telefone. Na lojinha de sanduiches no almoco uma simpatico gorduchinha vestida de chapéu e trajando bigodes posticos me atendeu alegremente ao som de Jamiroquai. Ainda gargalhou perguntando se eu ia espalhar a foto pra mostrar o mico que ela  pagava de quando em vez. Tudo pra atrair mais clientes.

Após cumprir a missao Alan me perguntou se queria tomar um pint. “Why not”, respondi. Contava pra ele sobre o festival de Real Ales que fomos esse ano em Burton on Trent, capital cervejeira inglesa. O festival era da CAMRA, Campaign for Real Ale, entidade que resgatou a tradicao e as receitas antigas das cask ales inglesas servidas nas antigas bombas manuais sem gás carbônico. Detalhes sobre o festival merecem um post a parte. A espuma do copo é uma fina nata que vai colando no copo a medida que o felizardo bebe. Se grudar é porque o pint é bom, ensinou Alan. Num pub que ele nao frequentava havia 5 anos bebemos duas ales.

Galo x NOB
Com uma terceira sorvida num pub perto do hotel acompanhado de um honesto “chicken masala” da culinária Indiana, voltei ao hotel. A noite prometia em emocoes. Galo x Newells Old Boys pela semi-final da Libertadores. Jogo comecando às 1:50h horário de London. Tentei dormir em vao. Poderia ter assistido ao jogo na internet via Rojadirecta, mas preferi a velha, boa e dramática Rádio Itatiaia mineira e a voz inconfundível do Mário Henrique, o Caixa, e Roberto Abbras como reporter de campo. Escolha certeira. Aos 3 minutos 1x0 gol de Bernard. Pressao durante todo o 1° tempo em vao. Um penalty nao marcado em Jô colocou a primeira pulga atrás da orelha. Perdemos o primeiro jogo em Rosário por 2x0 e precisávamos do mesmo placar pra levar a decisao aos penalties.

O derradeiro tempo comecou com o inimigo melhor posicionado em campo. Bloqueando as investidas alvinegras e ganhando preciosos minutos. Ronaldinho aparecia o suficiente, mas nao muito e era ofuscado pelo talento e alegria nos pés do menino Bernard que finalmente voltou a jogar bem. Um providencial apagao no meio do 2° tempo, segundo alguns proposital, esfriou os ânimos argentines e colocou o Galo de volta ao jogo. Foram 13’ de interrupcao. Treze é Galo no jogo do bicho. A pulga se foi.
Guilherme, jogador que nao gosto por achar ser lento e pouco produtivo, entrou e marcou o segundo e salvador gol a 6’ do final. Estávamos no mínimo nos penalties. O Newells tentou de tudo pra nao tomar mais gols e levar a disputa para os penais. Ambos converteram as duas primeiras cobrancas, mas o fantasma de 1977 apareceu.

(Pra quem nao sabe o Atlético foi vice-campeao brasileiro invicto em 77 perdendo a decisao nos penalties para o Sao Paulo em pleno Mineirao. A cada defesa do goleiro de Deus Joao Leite um jogador alvinegro mandava a bola longe. Até que Joao parou de fazer milagres, mas os incompetents atletas continuaram errando. Resultado: bambis campeoes).
Jô errou, mas o argentino também desperdicou a terceira cobranca. Richarlysson mandou na lua e gelei na cama do hotel. Mas os hermanos foram camaradas e nao souberam aproveitar a vantagem. Pensei “agora R10 marca e depois Sao Vitor vao pegar”. Nao deu outra. Ronaldinho partiu pra quinta e derradeira cobranca e fez Galo 3x2 deixando nosso destino nas maos de Sao Viktor. Ele nao decepcionou e pegou a patada portenha classificando o Galo e a Massa para a inédita e tao sonhada final da Libertadores.

The Day After
No dia seguinte novas informacoes técnicas e culturais inundaram minha mente. Paul me contava que aos 15 anos teve o privilégio de assistir Sheffield Wednesday x Santos com Pelé e cia. O Santos ganhou de 2x0 e o jogo entrou pra história da cidade. Fiz cópia de uma revista relatando a partida que foi cuidadosamente guardada por Paul, torcedor ferrenho do Wednesday que hoje joga a Segundona inglesa.

A cidade de Sheffield e arredores sempre foi o coracao da indústria siderúrgica inglesa. Hoje em dia sao poucas as usinas ainda em atividade, mas o suficiente pra manter muitos fornecedores e trabalhadores ocupados.
Aqui no aeroporto continuo aproveitando das Real Ales enquanto rascunho essas linhas. Espero aumentar o volume de vendas na Holanda pra voltar aqui mais vezes.

Tuesday, July 02, 2013

Aussies psicodélicos


Hilden (um ciclista foi atropelado na esquina)

Vi a dica no Blog do Ico semana passada. Ele contava do show da banda em London no final de semana passado. Rápidos cliques e chego no site oficial. Show em Colônia dia 1° de Julho num tal Gloria Theater. Ingressos comprados sem o consentimento Dela, mas na certeza de que iria adorar o programa. E assim foi.

Tame Impala vem da Austrália, terra de AC/DC, INXS, Midnight Oil e Kate “blergh“ Minogue. Fazem um rock psicodélico progressivo com muito groove e visual, luzes e imagens acompanhando os acordes. Nao se preocupam muito com quem veio antes. Vao lá e fazem o som deles com personalidade pouco se lixando pra comparacoes e para o futuro.

O batera é diferenciado, mas toda a banda tem muita qualidade. Nao é por acaso que já tocaram no Coachella 2013 e vao tocar em Glastonbury e outros festivais do verao europeu. O timbre do voz do vocal lembra John Lennon, embora seja difícil entender o que ele canta.

O Gloria Theater é um espetáculo. Antigo cinema/teatro foi transformado em casa de shows mantendo a aura antiga. Um bar no fundo em altura privilegiada servia os sedentos jovens alemaes. Foi ali que ficamos estrategicamente posicionados atrás da mesa de som alimentados de música da melhor qualidade e uma boa Veltins “vom Faß”, direto do barril.

Só esqueci de comentar sobre o show com quem tinha me apresentado a banda, Herr Bock. O alemao ficou irado… no mal sentido.
 
Quem quiser ouvir o primeiro album completo, Innerspeaker, é só clicar aqui. Pra ouvir o segundo e último, Lonerism, aqui.
 

Friday, June 07, 2013

Nove anos no Velho Mundo

Hilden (quando o gato sai os ratos tomam conta)


A última grande retrospectiva que fiz aqui foi ao completar 5 anos na Europa. Claro que aconteceu muita coisa nesses 4 anos.

Mudamos de casa duas vezes. Os bons e velhos amigos continuam. Novos apareceram. Perdi contato com a turma do Doutorado, normal. Continuei correndo de kart até ganhar o caneco ano passado após dois anos batendo na trave e comendo poeira do grego Dimitrios.

Viagens as pencas. Costa Amalfitana, Pompéia, Roma, lagos suícos, Dinamarca, cidadezinhas na Holanda e Bélgica, sonho realizado ao conhecer Sao Petersburgo e Moscou, Champagne, Borgonha, sul da Franca, Normandia e uma parte da Bretanha. Capitais da Escandinávia, festival de cerveja no interior da Inglaterra, Birmingham.

Costumo dizer que a europa é infinita. Tem pra todo mundo. Natureza, frio, cultura, calor, esportes radicais, gastronomia, todo tipo de bebidas em especial vinho, cerveja e whisky. Ah, comecamos a fabricar cerveja. Eu fico ali acompanhando o processo enquanto Albert e Alfredo metem mesmo a mao na massa. Sou o gerente da cervejaria.

Nao fui a nenhuma corrida de Formula 1 neste periodo, uma burrice imensa. Mas pretendo ir a Spa esse ano. Ali estive em 2007 e estava ao lado da Eau Rouge quando Hamilton e Alonso, entao na McLaren, fizeram a curva lado a lado na primeira volta. O Delega KXA tava comigo, grande irmao que conheci em Vienna e voltou pra BH. Tem ainda as 24h de Le Mans e as de Nürburgring.

Estou em outro emprego também e nao muito satisfeito. Apesar de ter entrado numa fogueira e ter que me virar em alemao nas siderúrgicas alemas, até que me saí muito bem. Mas pra falar a verdade, ando sem saber o que quero fazer no futuro. O problema de ter tantos interesses é a falta de foco. Fotografia, automobilismo, cerveja, vinho, alemao, italiano, francês, futebol, literatura, gestao de carreira, projetos, vendas, cinema. Simplesmente nao consigo eleger um único assunto e me concentrar nele. Acabo fazendo tudo pela metade, ou bem mais ou menos.

Se teve alguém que fez e ainda faz essa experiência valer a pena ela é a minha mulher. Mininete, Amore mio, Juliette, amiga, companheira e amante para todas as horas. Me escuta quando preciso e fala o que devo ouvir, mesmo nao querendo. Às vezes ela parece um oráculo. Solta profecias que invariavelmente acabam se concretizando. Seja pra tirar pessoas do mal se seu caminho, seja para juntar casais, desmarcar compromissos indesejáveis ou mesmo fazer acontecer uma viagem ou evento com chances mínimas de ocorrer. Ela joga na loteria toda semana, mas até agora nada.

Morar longe de tudo e de todos nao é fácil. Quem mora no Brasil só se lembra do glamour de turista quando se fala na Europa. Se esquecem que aqui nao tem papai, mamae, vovó e titia pra ajudar nas tarefas do lar e a tomar conta dos pimpolhos que nem temos ainda. A imensa maioria das pessoas fazem tudo sozinhos. Lavar roupa, fazer compras, cortar grama (tem aqui sim, Gordo Safado), levar e buscar os filhos na escola, limpar a casa, lavar banheiro, passar aspirador e tantas outras atividades corriqueiras.

Fica aquela sensacao de estar perdendo a convivência com as famílias e os amigos. Perdi incontáveis casamentos. Fui só no do Bernardinho por uma feliz coincidência. O único que planejei mesmo pra estar presente foi o do meu amigo Slow. Mas também, casar em Trancoso nao é todo dia. Ainda mais com a turma dos Engos toda reunida. Veja o video do casório http://vimeo.com/67759958. Sou o maluco com a bandeja aos 3:07. A senha pra assistir é tatianaebruno.

As criancas vao crescendo. Quando chegamos pra passar férias nem todos os sobrinhos logo te reconhecem. Se nao fosse pelo Skype a situacao seria bem pior. Percebemos as marcas do Tempo com mais profundidade. Algumas pessoas e coisas nao mudam nunca e é até bom que continuem assim, pra sempre. Mas tantas outras torcemos para que mudem e nada acontece. Em alguns casos, só piora.

Aí quando recebemos visitas, seja um casal de brazucas com duas filhinhas lindas como o Theo e a Denise e as princesas Camila e Clarinha, ou amigos solteiros, casais apaixonados, malucos só de passagem, pais só com os filhos e claro, nossas famílias, os vínculos se reforcam. É como se o Brasil estivesse aqui por um tempinho efêmero. O Tempo parece parar e a atencao aos visitantes é intensa. Comes e bebes fartos, passeios, viagens curtas e longas, conversas e revelacoes inesperadas, expectativas correspondidas e frustradas. Cada visita é uma mini Vida.

Após nove anos é impossível pensar e agir da mesma forma que antes. Minha cabeca mudou. Algumas conviccoes continuam as mesmas, outras se reforcaram e umas poucas mudaram radicalmente. Vamos ficando mais tolerantes e pacientes com o passar dos anos. Pelo menos deveríamos ficar. Aprendemos a aceitar as diferencas, sejam elas culturais, geográficas, sociais, religiosas, futebolísticas e sexuais.

Chegando aos quarenta percebemos que existe gente honesta, bacana e positiva em qualquer lugar do mundo. E que os malas, corruptos e negativos estarao sempre por aí importunando sua Vida. Resta a você decidir se eles farao parte da sua existência ou nao. Tem muito alemao chato e racista, mas também temos os solidários e amigos para todo sempre. Já o brasileiro gosta muito de falar uma coisa e fazer outra. Vive postando frases de efeito no Facebook e Instagram pra no minuto seguinte fazer o oposto dos dizeres. Sao os pequenos atos que fazem a diferenca de uma boa convivência. Um bom dia a moca do supermercado, ceder o lugar no ônibus ou trem pra velhinha, dirigir com mais educacao (neste ponto tenho que melhorar muito. Tem dia que saio dirigindo feito o Pateta naquele desenho animado) e por aí vai.

Sinto às vezes que sou um egoísta. Vivo o meu sonho ao lado da mulher que amo e pronto. É como se deixasse tudo pra trás, privasse as pessoas que mais gosto da minha convivência, abandonasse meu país e cultura pra seguir meu rumo de acordo com minhas preferências. Enquanto isso, pouco faco pra ajudar meu país a ser um lugar melhor pra se viver. Mas nao é isso que todos deveríamos buscar na Vida?!

Gosto de provocar debates, cutucar as pessoas, mexer com quem tá quieto fazendo-os sair da zona de conforto, rebater e no final das contas, refletir sobre uma determinada situacao. Alguns gostam, outros nao entendem patavina e poucos ficam revoltados. Mas no final todo mundo dá uma sacudida.

Vivo metendo o pau, apontando defeitos, comparando com a Alemanha, mas acao mesmo que é bom... nada. Mas ao fazer isso nao deixa de ser uma contribuicao, mesmo que pequena. Infelizmente a raca que comanda nosso país já o condenou a ser o eterno país do futuro. Quando digo raca me refiro nao só aos políticos, independente do partido, mas aos grandes empresários, aos donos das fortunas, à chamada elite do país, salvo raras excecoes. É só vem a nós e nada pra sociedade. A massa de novos ricos acha tudo lindo. Somos uma cópia mal feita da sociedade americana com todos os defeitos deles e da colonizacao portuguesa. Como já dizia Cazuza: "transformam um país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro".

Ando meio sem esperancas em relacao ao Brasil. Essa Copa e Olimpiadas só servem pra comprovar minha desesperanca. Por isso vou torcer pra Argentina e que o Messi arrebente. Só pra provocar. Mas quem vai ganhar mesmo é a Alemanha. Aí a cerveja vai acabar, tenho certeza.

 

Wednesday, March 06, 2013

Brasil vs. Alemanha - Seguranca

Meerbusch (quem é o prisioneiro?!)

O Rheinpark se esparrama entre a Tonhalle, casa dedicada a concertos de música clássica, e a Theodor-Heuss-Brücke, uma ponte ligando Düsseldorf ao seu bairro mais nobre, Oberkassel. Fica a 10 min caminhando da Altstadt, a cidade velha e centro.

Nao sei exatamente quantos metros quadrados de área verde este pulmao da cidade possui. Nao é o único, talvez apenas o mais usado por seus cidadaos. Tem também o Hofgarten, Jardim da Esperanca, literalmente no coracao de Düsseldorf. E também o Volkspark, Parque do Povo, o Südpark, o Nordpark e até o Wildpark ao leste. Mas esse tá mais para floresta do que parque.

Sentados nos banquinhos casais namoram, velhinhos proseam, jovens dao suas primeiras tragadas e beijos, descolados fazem pic nic com paes, queijo e vinho branco. Amigos tomam algumas cervas combinando a próxima viagem ou relatando a última. O Reno logo em frente com suas barcacas movimentando a economia é testemunha de tudo. Ao ar livre

Nos finais de semana, jogos de futebol em campos improvisados dos mais diversos tamanhos celebram a paixao dos alemaes pela bola. Churrascos se iniciam nas horas mais variadas. Numa vez, durante as comemoracoes do doutorado do Pedro Brito e do Federico, comecamos um às 6 da tarde e varamos a madrugada até 4 da matina. Quem passava oferecia as sobras de suas parrillas, basicamente carne e cerveja. Aceitávamos tudo e a municao da festa nunca acabava.

No verao, centenas aproveitam o sol como podem. Seja lendo, jogando vôlei, brincando com cachorros, passeando com filhos, pais, maes, sogros, primos e amantes. O Biergarten fechado entre novembro e marco dá o ar da graca oferencendo litros e mais litros de pao líquido.

Ciclistas e corredores amadores e profissionais queimam a adiposidade acumulada no inverno. Pais de bike rebocando os filhos nas carretinhas, inline skates seguindo a ciclovia que continua após o parque, lentas caminhadas dos avós aconselhando os netos. O gramado e as árvores assistem a tudo isso, entra ano, sai ano. No verao montam uma tela imensa de cinema ao ar livre. Durante um mês tem-se uma experiência única de ver um filme com as luzes da cidade e o Reno ao fundo. Assistimos Shine a Light em 2012, Thomas, Juju e eu. Invariavelmente chove, fazer o que. Estamos na regiao de menor incidência solar da Alemanha.

A imensa maioria dos prédios nao tem garagem. Isso é luxo por aqui! Mas faz uma puta diferenca quando se mora em bairros movimentados onde achar uma vaga é mais difícil do que um assalto a mao armada. No inverno entao, pior ainda. Todo dia de manha o mesmo ritual. Limpar os vidros com a vassourinha e raspar o gelo das janelas. Tudo isso a 0° C ou menos. Mas é divertido por aqui nao neva muito.

A praca principal da cidade é utilizada o ano inteiro. Seja para feiras de vinho, encontro de carros antigos. celebracoes do 14 de Julho homenageando os franceses com barraquinhas de comidas típicas, um festival de outono com teatro e palco para shows, o Japanische Tag, dia dos japoneses - a segunda maior colônia dos nisseis fica em Düsseldorf - e até uma etapa do campeonato de ski já passou pela praca. Neste inverno uma roda gigante foi montada ali. Logo ao lado dela, chega-se na prefeitura com uma praca menor, mas também usada com frequência. Festival de jazz, mercados de arte, Karnival e tantos outros eventos. Alguns mendigos moram ali perto.

Seja rico ou pobre, sao eventos democráticos. Vai quem quer e tem vontade. Ao ar livre.

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No Parque Municipal de Belo Horizonte a mulher vinha calmamente caminhando com sua filha. Parou pra comprar algodao doce. Nesse curto intervalo, uma senhora chegou perto da menina e a segurou pelo braco. Ela reagiu tentando se desvencilhar. A mulher tentou agarrá-la de novo. A mae percebendo o perigo chegou perto. A possível sequestradora viu seus planos acabando e se mandou.

A reacao imediata é de nunca mais voltar no Parque mesmo sendo ele bem cuidado e policiado.

Desconheco casa ou edifício em BH sem garagem. E nenhum louco que deixa o carro dormir na rua. Os prédios tem áreas de lazer com churrasqueira e piscina. Ficam todos ali seguros aproveitando a folga do final de semana. Na ponta de cima, espacos e varandas gourmet garantem o alto nível da festa. Vistas estonteantes da cidade "dominada" embelezam mais ainda o visual. Cerva importada, carne idem, mostarda também, ketchup e molho barbecue obviamente que vem de fora também. Uma linguicinha marota aparece por ali balancando a bandeira verde amarela tentando participar da farra. Vinhos argentinos e chilenos sao presenca constante. Nada contra eles, pelo contrário. Acho ótimos!

Na outra ponta da corda, Gilberto assa alguns espetinhos numa lata de óleo em cima da laje. A turma faz a festa no pagode e samba de roda. Tem arroz e carne de segunda a rodo. Cachaca também. Aproveitam da mesma forma a folga do final de semana. A cerveja tem mais milho do que cevada, mas o que importa se tiver gelada?!

Carros andam com os vidros fumê, fechados no preto, sempre cerrados. Ar ligado, tá calor lá fora! Se puder blindar, melhor ainda. Mas é pra poucos. As lojinhas de bairro vao minguando lentamente cedendo lugar aos shoppings. Lá tem estacionamento coberto vigiado 24 horas, embora o estabelecimento nao se responsabilize por qualquer dano ao seu veículo.

E os cinemas?! Na Franca é uma festa ver tanto cineminha, cine clube e cinemao nas ruas. Um barato! Dá vontade de aprender francês só pra ir ao cinema. Os luminosos com os dizeres e horários dos filmes, posters e nomes dos artistas. Em BH o último que resiste é o Belas Artes. Até quando?!


A falta de seguranca gera tudo isso. Cada um cria a fortaleza que pode pra proteger-se da sociedade. Acham-se livres, mas sao prisioneiros de si mesmos. Nao podem andar por aí livremente com uma câmera registrando a arquitetura e as pessoas da cidade. Até podem, mas sempre com o pé atrás.

As empresas de seguranca eletrônica ganham rios de dinheiro por causa disso. Trancas, alarmes, seguradoras, segurancas particulares, guarda-costas. Um rio de dinheiro canalizado para combater algo que nao deveria existir. O medo da violência.

Aquele andar descompromissado, apreciando o por do sol de bracos dados com a pessoa amada é cena do interior. Mas bem interior mesmo, nos grotoes do país. As cidades médias brasileiras já estao perdendo esse charme. 

Solucao: sentencas padrao para crimes semelhantes.
Roubou um carro = 1 ano de cadeia;
Matou alguém = 20 anos de cadeia;
Crime hediondo = pena de morte;
Assalto a mao armada com vítima = 25 anos de xilindró. Uma tabela de crimes e punicoes a ser aplicada exemplarmente.

Desburocratizar a justica também ajudaria muito. Processos teriam direito a no máximo um recurso. Depois de julgado e a sentenca promulgada no Twitter do juiz o réu seria imediatamente preso e a pena iniciada na penitenciária mais próxima.

Presídios divididos em várias categorias iriam separar o joio do trigo. Assaltante de banco nao pode ficar preso com estuprador e muito menos com quem cometeu crime passional. Escolas e trabalho para os meliantes que pudessem ser recuperados garantiriam um retorno digno a sociedade.

Como o Brasil é o país de cotas, cria-se logo uma para as empresas empregarem 5% de ex-presidiários em seus quadros. Já seria um comeco.

A pergunta é: quem é o prisioneiro?!

Tuesday, March 05, 2013

Brasil vs. Alemanha - Mobilidade urbana

Meerbusch (explode tudo e comeca de novo)

Antes de entrar no carro hoje na ensolarada e fria manha alema já senti a brutal diferenca. O ar é mais puro e cristalino. O som do motor, imperceptível. Inseri o SD card e selecionei a música.

As rodas comecaram a girar num asfalto liso e impecável. Feito pra durar pelo menos 20 ou até 30 anos com as devidas e regulares manutencoes. Ruas limpas. Espaco para ciclistas, caminhantes e corredores ao lado da estradinha de acesso a Autobahn.

Os freios fizeram um barulho estranho. Talvez tenham ficado travados no frio do inverno de duas semanas atrás e as pastilhas grudaram nos discos. Isso pode ter causado alguma saliência. Amanha vejo isso.

No trânsito, nenhum sobressalto. Tudo perfeito e organizado. Peguei o primeiro túnel em direcao ao aeroporto. Logo alcancei a ponte sobre o Reno. Barcacas trafegavam subindo o rio com matéria prima essencial como combustível, areia, sucata, carvao. Outras desciam o Velho Chico alemao com produtos manufaturados como tratores, carros ou containers contendo os mais diversos bens de consumo durável e nao durável. Destino: Rotterdam ou Antuérpia.

Alguns metros depois, o aeroporto. Fica a quinze minutos do centro de Düsseldorf. Chega-se de carro e taxi, mas também de S-Bahn, o trem rápido, ônibus, trem regional, trem intercity ou mesmo os rápidos ICEs (Inter City Express) que chegam a 300 km/h. Dá pra ir de bicicleta também, mas carregar mala assim nao é muito inteligente.

Segui pela A44 passando pelo túnel que liga a estrada às vias de acesso ao aeroporto. Todas muito bem sinalizadas e fluindo. Passei antes por um radar limitador de velocidade a 100 km/h. Quase em ritmo de tartaruga quando se pensa na ausência de limites nas perfeitas autoestradas de todo o país. E que nao cobram pedágio. Sim, tudo de graca! Sao mantidas e renovadas com o dinheiro dos impostos.

Passei pela entrada da A52 a direita onde os Pendler, pessoas que moram numa cidade e trabalham noutra, seguem em direcao a Essen, Oberhausen e outras cidades. Na Renânia do Norte e Vestfália, ou Nordrhein Westfalen (NRW) tem-se a maior quantidade de Pendler da Alemanha. Isso se deve ao fato da maior conurbacao urbana do país cervejeiro ser aqui mesmo. O direito de ir e vir é garantido a todos.

Entre o túnel do aeroporto e o próximo nao há limite de velocidade. Passo pelo terceiro túnel e reduzo a 110 km/h, um pouquinho acima dos 100 permitidos. Vejo um cavalo num mini haras a minha direita. Me lembro que metade dos nossos engenheiros de campo possuem cavalos para diversao familiar nos finais de semana. Todos tem as carretinhas pra puxar o animal e o guardam e alimentam em fazendinhas apropriadas e acessíveis a seus bolsos. Sao trabalhadores da classe média.

Na entrada da A3 o trânsito se intensifica todos os dias. Basta que os carros se acomodem e o ritmo vai aumentando gradativamente. No trevo da A46 entro a direita em direcao a Hilden. Carros e caminhoes dividiram suas manhas comigo em perfeita harmonia. Nenhuma buzina ou piscadela sexy de farol.

Ao som de Otis Redding chego em Hilden. Trânsito inexistente também. Gastei 25 minutos para percorrer pouco mais de 40 km. Estaciono o carro na vaga do chefe que está de férias e fico pensando como seria essa mesma manha no país onde ele está.

O Brasil.

Para os sortudos que tem carro gasta-se facilmente uma hora pra sair da zona sul até o centro da cidade. Os engarrafamentos comecam já na saída dos bairros. Buzinas, filas duplas de colégios, as batidas ocasionais de sempre, obras com caminhoes saindo com terra e chegando com material, ônibus aos montes nas faixas exclusivas e fora delas. Motoboys, os que fazem a Vida dos brasileiros ser mais "prática" e "rápida" entopem as avenidas e ruas. Pedestres atravessam onde dá, até na faixa. Sinal vermelho é só decoracao. Mas confesso que também furei alguns nesses 15 dias.

Aleluia! Vi uma faixa exclusiva para ciclistas em plena Lourdes e Savassi!

E quem nao tem carro?! Se vira, mermao! A senhora que trabalha na casa da minha mae fazem 30 e tantos anos, fruto ainda da mentalidade escravagista do país, sai de casa normalmente às 5 da matina pra chegar às 8 no trabalho. Na volta é um pouco mais rápido por que ela sai mais cedo, lá pelas 4 da tarde. Me disse que fura a fila sim, que cansou de ser trouxa. Sempre respeitou, mas nao aguentava mais perder tantos ônibus e chegar mais tarde ainda em casa no bairro Sevilha por causa dos engracadinhos furoes. Me disse também que os jovens se sentam nos lugares dos mais velhos. E estes ficam ali, admirando a juventude ordinária.

O metrô de Belo Horizonte atente o leste e norte da cidade. Já tira muito carro e ônibus da cidade e fico imaginando como seria sem ele. Outro dia vi uma protecao na rua tampando o que seriam furos de sondagem para uma futura expansao. Em plena zona sul! Será?!

A qualidade do asfalto também é digna de nota. Entende-se facilmente o aumento nas vendas de SUVs, jipes e afins no Brasil após algumas horas transitando pelos bairros da cidade. Deveriam incluir BH no roteiro do Dakar 2014. Seria uma das etapas mais difíceis. Quando se asfalta uma via os bueiros sao esquecidos e ficam num nível mais baixo. Como se já nao bastassem os buracos existentes, criam-se outros novinhos em folha.

A Linha Verde que liga a cidade ao aeroporto de Confins, distante 45 km do centro, é nova e funciona bem. As duas principais vias de acesso a ela, Av. Cristiano Machado e Antônio Carlos + Pedro 1° seguem em obras de alargamento com viadutos variados. Estao quase prontas e já melhoraram bastante o tráfego. Finalmente desligaram aquele sinal estúpido que ficava quase no final da Cristiano, após a trincheira do Vilarinho. Travava tudo e todos criando centopéias gigantes diariamente.

Outro dia gastamos, Tavinho e eu, uma hora e meia pra ir da Av. Amazonas até Lagoa Santa pelo o Anel Rodoviário. Este já virou uma avenida da cidade. Todo mês um caminhao despenca lá de cima dos Olhos D'Água e sai catando quem tiver pela frente. De nada adiantam os redutores de velocidade. Tavinho disse que fomos rápido até.

Depois precisei de duas horas pra sair do mesmo ponto na Av. Amazonas pra chegar em Betim. Fomos ao Kartódromo Internacional com os gringos, era sexta-feira após seis da tarde, hora do rush. Mas a explicacao era outra: um caminhao tombou na entrada de Betim fechando a estrada e consequentemente a Amazonas. A maioria desviou pra Via Expressa e a bloqueou também.

O BRT (bus rapid transportation), nos moldes de Curitiba, é um ônibus elétrico que vai percorrer essas duas avenidas, Cristiano e Antônio + Pedro. As faixas centrais se destinam a isso.

Pergunta: por que nao fizeram um canteiro central mais largo na Linha Verde para instalacao futura de um BRT?! Ou mesmo de um trem regional ligando aeroporto à combalida e degradada rodoviária?!

Será que as sondagens para o metrô sao eleitoreiras ou verdadeiras?!

De nada adiantam essas solucoes paliativas. Jamais vao acompanhar o ritmo da producao automobilistica que inunda as cidades todos os dias com novas placas. E as antigas e ilegais continuam rodando. Carros sem condicoes mínimas de tráfego nao fazem a inspecao veicular e seguem por aí como barreiras impedindo o fluxo normal.



O grande problema, nesse caso e em tantos outros, é a falta de planejamento. Quando o temos dura no máximo 4 anos. O período entre uma eleicao e outra. Nao existe um Plano Nacional, Estadual ou Municipal dos Transportes. Nao se prevê o aumento de carros e pessoas e o impacto futuro nas cidades. Se fazem essa conta e nao a usam dá no mesmo.

As obras de hoje darao problema daqui no máximo 1 ano. Manutencao cara para o municipio e donos de veículos. Obras feitas para enriquecer as empreiteiras e suas poderosas famílias controladoras e os políticos que as aprovaram nas "licitacoes". O bem comum é sempre preterido em prol dos interesses pessoais. É e sempre foi assim no Brasil, com as raras excecoes de sempre, desde que Cabral por aqui aportou.

Solucao: como já cantaram os Titas, é alugar o Brasil! Para os alemaes, de preferência. Pelo menos no quesito transportes e infraestrutura urbana. Faríamos apenas os aportes mensais e participaríamos como ouvintes das reunioes de planejament, geralmente uma fase mais longa do que a execucao. E também no controle dos pagamentos. Os funcionários brasileiros viriam das melhores empresas do país com competência e principalmente caráter comprovados. Receberiam bons salários e benefícios, nos mesmos níveis das grandes multinacionais, e trabalhariam no mesmo ritmo e afinco.

Aos alemaes restaria o planejamento, execucao e treinamento dos brasileiros para manutencoes futuras.

Acho que 10 anos renováveis por mais 10 daria pra fazer muita coisa.

Frohes neues Jahr

Meerbusch (meu pós barba é óleo de peroba)

Ser cara de pau: desejar feliz ano novo em pleno mês de marco. Nao ficarei aqui remoendo os motivos do abandono bloguístico. Nem mesmo chorando as pitangas pela falta de Tempo.

Vamos direto ao assunto: Brasil vs. Alemanha e as improváveis comparacoes altamente pessoais.

Passei duas semanas em terra brasilis, mas parece ter sido um mês. O velho macete de acordar bem cedo pra ficar mais tempo à toa funcionou de novo. Dormir tarde, lá pelas uma da matina no mínimo, também ajuda na sensacao de expansao temporal. Einstein sabe tudo!

O treinamento foi interessante, mas cansativo. Conhecer os especialistas foi mais importante do que os assuntos. Visitar a caótica usina alema em solo carioca valeu pela experiência.

Pra dar volume ao blog falarei de Minas vs. Nordrhein Westfalen no próximo post.

Wednesday, December 12, 2012

Detesto ouzo

St. Ingbert, Saarland (pacata cidadezinha na fronteira com a Franca)

Lá fora fazem -3° C. Vi três pinguins batendo queixo no ponto de ônibus. Mais adiante, uma morsa de cachecol e gorro.

Entrei no hotel e do quarto nao saí mais. Quase, pois precisava comer. Antes havia pegado as chaves na recepcao que ficava no restaurante grego. Akropolis, pra variar.

Ao ronco do estômago, saí encapotado até os dentes rumo ao Panthéon. O salao estava vazio. Duas mesas. Uma senhora com a filha, provavelmente. Dois caras estranhos planejando um atentado, talvez.

O maitre gorducho e fedido, parecendo o Seu Barriga com cabelos mais brancos, me indicou a mesa ao lado da lareira. Sim, um luxo. "O sr. vai precisar de luz", me disse ele ao perceber o livro. "Aqui tá bom".

Nas paredes, Mykonos, Santorini, Lesbos, Ios e Kreta. Palmeiras artificiais ornavam o salao. Mais brega, impossível. Os possíveis terroristas agora falavam de carro. Discutiam a potência de determinando modelo. Supostas mae e filha eram amigas de geracoes distintas.

Uma grande mesa com um reserviert na ponta era constantemente checada pelo Barriga. Mexia num garfo e ia buscar uma cerveja. Voltava e melhorava a posicao do guardanapo.

Pergunto se eu queria beber algo. "Entrada, prato principal?!". Estava com tempo e nao gosto que ditem meu ritmo. Fiz hora com ele, mas pedi um goulash enquanto decidia o que beber.

Ao lado do fogo crepitando, estátuas brancas. Na verdade, mini estátuas. Seriam Adonis e Arthemis?! "Tem vinho?!", questionei. "Claro, branco ou tinto. Seco, semi-seco ou suave." Quase pedi uma coca-cola.

Comecei a ler o livro ao som de cancoes athenienses. Me lembrei do bardo Chatotorix, personagem do Asterix. O autor das músicas teria tido o mesmo fim em outros tempos.

Chegou o vinho, depois do goulash. E um copinho com um líquido transparente. Perguntei se era água. A menina disse apenas "Ouzo". É a cachaca grega. Senti o cheiro de anis, mas resolvi experimentar assim mesmo. Detesto anis. Desceu quadrado. Encostei o copinho e provei o vinho. Um losango escorregou por meu esôfago, mas cortou o sabor do ouzo. Antes assim.

Com os goles, o vinho melhorou. Fiz questao de nao guardar o nome. Era grego. Nao sei de qual ilha. Pode ser do continente também.

Após dar a última colherada, mais pressao do Barriga. "Posso recolher o cardápio?!". "Nao, ainda vou pedir", disse calmamente. O restaurante estava vazio e eu nao entendia o por que da insistência.

Após algumas páginas e goles, pedi um Schnitzel. Nao tem erro. Mesmo se for mal feito ainda assim é bom. E até que estava gostoso, com fritas e uma saladinha. Veio rápido, assim como a coca que finalmente pedi.

Passados alguns minutos, entendi o motivo da tensao do Barriga. Uma matilha de velhinhos, em plena quarta-feira numa pacata cidadezinha do interior alemao, adentra o recinto. Se acomodam na mesa reserviert alegremente.

Barriga todo feliz corre a anotar os pedidos. "Gyros para o senhor?!". "Com ou sem tzaziki?!" "Pra mim pode ser com." "Ah, mas pra mim é sem viu", reclama a velhinha de 92 anos. É impressionante como a populacao idosa aproveita a Vida na Alemanha. Na Europa de modo geral. Quero me aposentar aqui.

Pensei que o encontro fosse os preparativos para o Baile da Saudade em St. Ingbert, mas me lembrei que a palavra saudade só existe em português.

O copinho com ouzo gratuito e abominável chegou nas doze maos. Os seis casais brindaram a noite gelada lá fora e agradável aqui dentro.

Detesto ouzo.



Wednesday, November 14, 2012

2 Anos...

Meitingen (cerveja à altura do homenageado)

Se o Guidao tivesse vindo fisicamente comigo pra cá, certamente estaria agora tomando um banhozinho tranquilo já pensando na cervejinha de logo mais.

Engracado que saí de casa hoje com aquela camisa polo da PK e um pulover azul marinho da mesma marca sempre usados por ele. Ontem já havia pensado no dia de hoje.

Já passou muito tempo. Parece que foi ontem. Ele morreu. Ele está mais vivo do que nunca. Me olho no espelho e o vejo fazendo a barba, estufando as bochechas pra tirar todos os cabelinhos. Cortando unha entao me sinto um clone. Cuspido e escarrado. Só falta lixar direitinho, mas me falta a paciência que ele sempre teve. Talvez venha com o Tempo.

Olho para os meus pés. Sao os dele. Parecem um paozinho francês, só que nao tao rechonchudos e lisinhos. Os pêlos estao praticamente no mesmo lugar. Andam meio descascados na sola de tanta cachaca, que ele nao tinha por que bebia muito menos.

Era um scotch na sexta a noite acompanhado de queijos, castanhas e amendoins. E uma cervejinha, geralmente em lata, aos sábados pela manha após as atividades em Lagoa. No canil, no quartinho de ferramentas cheio de porcas e parafusos em vidros de Hellmanns, no sótao quando subia naquela escada fuleira quase desmontando. Achava sempre que ele poderia cair lá de cima e estatelar no chao.

Led vinha e ele o repelia na primeira investida. Na segunda já era mais dócil, o Guidao. E na terceira o sem vergonha do alemao, o cao pastor, conquistava a rara impaciência do dono. Alguns afagos e pronto. Saia com o rabo versao helicóptero pelo lote afora.

O papo na cozinha era o prenúncio do almoco. Além das habilidades de Janemamae o tempero das conversas ajudava a marinar a refeicao. O tempero da MPB só melhorava o delicioso.

Cochilava feito um justo logo em seguida. Nao só nos finais de semana como também de segunda a sexta nas empresas que tiveram o privilégio de terem seu nome na folha do holerite. Armava um aparato digno de James Bond. Travesseiro na nuca, pés na mesa, bracos apoiados, embora firmes, na cadeira. E assim cochilava por no mínimo meia hora. Algumas salas possuiam sofás. Um luxo, para o sofá. Até relutava em trancar a porta com medo de varar a vespertina. Invariavelmente sonhava e acordava revigorado para mais um período na labuta.

Hoje veio comigo pra Bavária. Tomamos três chopps e lemos um pedaco de livro. Assim como subiu pra ONG ao lado de Janemamae ouvindo tudo pacientemente. Nao reclamou do tráfego por que, se quisesse, sairia voando por aí dando risada dos reles mortais. Logo ele que nunca foi um deles.

Passeou pelo centro com o Rato em busca de borracha, tecidos e capital para alimentar a potencia do MMA mineiro e nacional. Estudou com o Lucas e deu boas risadas nas novelas da tarde. Esperou ele tomar banho às 5h em ponto pra continuar aquele romance policial tao inusitado depois do café forte, quente e doce com queijo canastra. Ali, na janela, apreciando a vista velha conhecida.

Em Pedra Azul aconselhou, secretamente, ao Negao na tomada de decisoes entre continuar ou nao com um treinamento importante para a turma de funcionários. Voltaram cautelosamente pela 262 entre curvas e scanias medonhas.

Quando Marinoca ameacava manter a pirraca, de repente olhava para o lado e obedecia a mae Helena. Brunicolas era só alegria, mas de quando em vez mira o vazio. Dá um sorriso sapeca para o avô que nunca viu e continua a brincar.

Se em casa Titas pensa em cozinhar um lagarto, logo desiste e faz um lombinho com farofa. Ele se senta ao lado, serve-se de limonada e mampa tudo lambendo os beicos. Só nao pede uma cachacinha no final por que seria demais.

Nalaurinha mostra Bisnago toda orgulhosa. Licao conta causos das fazendas das Gerais e Wilza se diverte como o novo menino do Rio. Sentado, a cadeira só balanca escutando atentamente.

O feijao amigo do irmao Renato tá quase no ponto. Faltam dois goles de whisky pra ficar no jeito.

Você faz muita falta, Guidao. A vontade que tenho de te abracar é do tamanho do Mundo. Mas ao mesmo tempo você nao faz falta alguma por que eu te levo pra onde vou.

Friday, October 26, 2012

Pope Games

Hilden (chefe tá em treinamento)

Leopoldo Magnífico me escreveu outro dia no chat do Gmail dizendo que anda estressado. Tem dois mega eventos pra cuidar: a visita do Papa ao Rio e os X Games, aqueles jogos olímpicos modernos com bikes, skate, para-pentes e outras modalidades malucas.

Falei pra ele juntar os dois. É só mandar o Papa, que de Bento nao tem nada, saltar de paraglider do alto da Pedra da Gávea e pronto. Coloca-se alguns cardeais ao lado e uns bispos mais distantes criando uma competicao fajuta e estao inaugurados os Pope Games 2012, ao vivo da Cidade Maravilhosa. Ia chover patrocínio.

Graphic novelist Paul Pope

A paisagem carioca já foi tombada pela Unesco. As favelas estao pacificadas. Urubu tá voando em outras bandas depois da escassez de presuntos nos morros e nao poderiam atrapalhar o vôo papal. O centro da cidade anda a todo vapor, rumo à revitalizacao. Até aqueles casaroes barrocos do centro antigo, que apareciam pegando fogo despretenciosamente e as seguradoras embolsando a grana e construindo prédios novos, serao restaurados e vendidos a butiques, empresas modernas, escritórios de advocacia, cafés, restaurantes, lojinhas e antiquários. Até núcleo de Yôga janista se interessaria pela idéia.

Enquanto desfruta da paisagem, nossa autoridade máxima da Igreja Católica poderia instalar um spray com água benta na cadeirinha do paraglider, ou na asa, e ir borrifando e benzendo a cidade em pleno vôo. Seria como um aviao jogando pesticidas na plantacao, mas desta vez absolvendo todos os súditos da Santíssima Igreja de seus pecados mais sórdidos.

Foto: Marcio Pintorj

Durante o vôo, fiéis poderiam mandar torpedos a Bentinho XVI, parente distante do 14 Bis, detalhando o pecado. O papa alemao, com carisma semelhante a um quadro de natureza morta, responderia prontamente informando a punicao enquanto fazia acrobacias aéreas em busca da pontuacao máxima nos Games.

Na aterrisagem, numa cruz de malta vermelha e branca imaculadamente instalada no posto 6 de Ipanema, ele, Bento que é, acertaria o alvo enquanto os colegas cardeais errariam feio  descendo em Copa, Botafogo, praia Vermelha e até na Barra.

E longa Vida ao Catolicismo que segue se reinventando a cada dia para continuar perpetrando o maior e mais bem feito golpe de marketing da História.

Monday, October 22, 2012

Abandono

Meerbusch (sim, mudamos)

Esse talvez tenha sido o maior abandono bloguístico de que se tem notícia. Nao postei NADA em Setembro. Vergonha. Preguica. Falta de disciplina. You name it!

Bom, passei rápido pra dar um Hallo aos meus quatro seguidores. Fui cobrado por um deles dia desses, com uma Alt na mao.

"Você nao posta mais nada. Abandonou o blog?!"Uai, nem sabia que você por ali passava.

Fui ali num Kino no Hafen ver o Celebration Day do Led Zeppelin. Aquele show de reuniao em 2007 na O2 Arena em London para poucos felizardos que foram sorteados. Os velhinhos ainda mandam muito. Tudo bem que foi há 5 anos, mas mesmo assim.

Robert Plant está excursionando com a banda Sensational Space Shifters e nao me deixa mentir. Fez outro dia um show irretocável no Brasil.

Jimmy Page anda por aí, feliz da Vida. As expressoes de felicidade dele durante o show sao demais. Parece estar levitando de felicidade.

John Paul Jones, multi instrumentista, baxista e tecladista parece mais um mago. Tranquilo e sereno, parece estar relaxando numa sauna enquanto dura o show. Esse eu vi ao vivo em 2009 quando o Them Crooked Vultures passou aqui perto, em Köln. Dave Grohl, ele e o Josh Homme, vocalista do Queens of the Stone Age montaram esse timaco que nao funcionou nos palcos. Lancaram um álbum, mas a química nao bateu.

E o filho do John, Jason Bonham, arrebenta na batera. Nao chega a ser como o pai, mas segura a cozinha legal ali atrás.

Aumente o som e boa noite. Dá pra ter um gostinho.


Tuesday, August 07, 2012

Deuses do Olímpo

Düsseldorf (Selecao venceu e convenceu)

Venho por meio deste dar satisfacoes aos meus três admiradores. Nao posso deixar passar batido os Jogos Olímpicos, verdadeiro nome dessa sanha de patrocinadores e empresas que se transformou tudo isso.

Atrasaram o início para o final de julho pegando a época do Ramada. O risco de ataques terroristas seria teoricamente menor. E os atletas mulcumanos?! Que se fodam. Nao podem comer durante o dia, o sol se poe bem tarde na ilha da rainha paraquedista, lá pelas 22h, e quando deveriam dormir estao reabastecendo o estômago.

Bom, nao vim aqui pra falar disso. O vexame de sempre do Brasil nao deveria ser novidade pra ninguém. Criam expectativas irreais em cima de todos os atletas quando apenas alguns, tirando os esportes coletivos, tem chances verdadeiras de levar medalha, medalha, medalha!

E ninguém ali é obrigado a cada quatro anos a se tornar salvador da pátria. Ralam durante esse tempo todo na obscuridao e anonimato em condicoes longes das ideais. Normalmente tem um emprego fixo e treinam antes ou depois de trabalhar. E até durante. O apoio das federacoes é limitado. E quando ganham o país inteiro acha por direito dividir a vitória com eles. Quem ganha merece agradecer a si mesmo, ao esforco próprio, ao apoio dos familiares e amigos, e dos treinadores incansáveis.

Quando um atleta brasileiro perde os vagabundos internautas com seus dedos engordurados de pipoca e sal resolvem tirar satisfacoes. Como se eles fossem capazes de fazer melhor. Só de estarem numa Olimpíada, de terem atingido os índices classificatórios, essa turma já é vencedora.

Os quenianos decepcionaram agora há pouco nos 1.500 metros. Nao deu nem pódio. E teve um americano que arrancou feito um dragster no final pra pegar a prata. O argelino levou o ouro fazendo a alegria do Herr Beskri, meu ex-colega de trabalho. Sempre imagino os quenianos treinando da maneira mais óbvia: correndo de leopardos e panteras nas savanas africanas. Ás vezes percorrendo dois saaras por semana como camelos sem uma gota d'água. Esses caras parecem robôs.

Nos 3.000 metros ontem, com obstáculos, levaram ouro e bronze. Os mesmos três andróides. Um caiu, tropecou e nao levou nada. Talvez uma coleira londrina pra leoparda da vizinha. Um francês se intrometeu entre eles e pegou a baixela prateada. Sanduíche de saucisson. O Quênia foi colônia francesa?! Deve ter sido. Meia África foi.

Nao consigo torcer para os americanos. Sao arrogantes, metidos a besta demais. Os velocistas parecem presidiários recem libertados. Nao conseguem acompanhar os jamaicanos. Esses sim, nao só Usain como todos os outros, os mais simpáticos. Apenas abrem um sorriso feliz e nos conquistam imediatamente.

Viram a branquinha australiana nos 110 metros com barreiras deixando a esquadra do Tio Sam pra trás?! Ela em primeiro, no photochart (é assim?!) e três negonas do Tennessee na sequência. Caiu no chao de alegria ao ver seu nome em 1° no placar. Bacana.

Os únicos norte americanos que tem minha torcida sao os mágicos da NBA e o Phelps. Pra ele torci em todas as provas, até contra nossos brasileiros. Em Pequim já foi assim. Acordava na madrugada européia pra ver as provas. Vi todos os ouros ao vivo, inclusive aquele dos 200 borboleta, se nao me engano, quando ele ganhou na última bracada. Por que borboleta?! Na minha época era golfinho. O Phelps aliás parece um golfinho num corpo humano. Pula na água e dispara na frente. Sai da água meio abobalhado, sem saber realmente o que fez. Acho que só se dá conta de verdade quando revê as provas em casa acompanhado de um narguilê e amigos. Deixou de ser atleta para se tornar nacao.

Neymar, Damiao e cia. venceram os coreanos do sul e convenceram. Três tentos a zero, diria Sílvio Luis. Agora pegamos os mexicanos em busca do sonhado ouro. Eles que já se acostumaram a nos vencer. É sábado às 4h da tarde. Depois de pintar a casa, verei.

E o vôlei?! As meninas mandaram o carrasco russo pra Vladvostok. Finalmente! Estamos nas semis e a sensacao é a melhor possível. No masculino, falava eu hoje no almoco tailandês que o Bernardinho é o maior mala da galáxia. Chato pra caralho! Insuportável. Mas dá resultado, todos disseram. E daí, precisa ser intragável assim?! Pelo menos vai se mandar depois de Londres. Talvez leve mais uma medalha. Se Mutley e os americanos deixarem.

No basquete estamos bem nos homens e vergonhosos nas mulheres. Acho que elas perderam todos os jogos. Acontece. Os leandrinhos e varejoes cumpriram o dever olímpico e venceram os malandros espanhóis. Perderam de propósito pra fugir dos americanos no cruzamento das chaves. Essas tramóias raramente funcionam. Se tiver que ser campeao tem que ganhar de todo mundo, disse nosso técnico argentino. E agora pegaremos justo os hermanos nas quartas. Eles costumam nos entubar, mas amanha pode ser diferente.

O hipismo nacional deu vexame com um único cavaleiro. Deu desculpas esfarrapadas dizendo que trocaram as ferraduras do cavalo pouco antes da prova, que o vento estava a estibordo e que a velhinha que comia fish & chips fez muito barulho durante a prova desconcentrando o animal. É como se um jogador de futebol dissesse que perdeu o penalty por que trocou a chuteira no vestiário durante o intervalo. Vai pra...

O vento foi o grande vilao dos brasileiros em Londres. Achei que seria a chuva...

Bom, o que faltou?! A cobertura trutística costuma ter um poder de síntese absurdo. O iatismo. Scheidt decepcionou, esse sim. Acho que pelo menos uma briga pelo ouro poderia ter ocorrido. Já o inglês e eterno rival Ben Ginsley (fez o Gandhi no cinema?!) tornou-se o maior medalista da modalidade em todos os tempos pretéritos imperfeitos e futuros do subjuntivo.

Olímpiadas, apesar da ganância dos patrocinadores e emissoras de TV, tem o incrível poder de te fazer vibrar com um incauto indonésio disputando a prata contra um romeno no levantamento de peso até 69 kg. Ou te deixar realmente triste ao ver a Isinbaieva nao levar o ouro. Mas te deixar extremamente feliz ao perceber a cubana de sobrenome Silva disputar e empatar com a americana pelo ouro. Mas Tio Sam levou por que saltou antes.

Até o hóquei de quadra achei bacana. Ainda mais vendo a laranja mecânica ganhando dos eternos rivais alemaes.

Nao vi quase nada de ginástica, só aquela prova dificílima sobre o cavalo com argolas. E alguns saltos das meninas com uma bela romena levando o 1° lugar pra cima de russas e americanas. Comaneci sorriu.

Ainda falta pouco pra acabar. Amanha Bolt deve levar o segundo ouro nos 200. Tem brasileiro na prova, vamo ver no que dá. Só de chegar na final é um privilégio.

Me esqueci dos judocas e boxeadores. Sem eles estariamos lá em baixo no quadro de medalhas. Nao vi nenhuma luta, mas nao importa. Parabéns a todos.

E o primeiro ouro ontem nas argolas foi demais também.

Mas o quero mesmo é ver o futebol levar pela primeira vez o título.

Se você chegou de Vênus agora e acessou esse site sem querer acaba de ficar 100% atualizado sobre o andamento das Olimpíadas londrinas. Melhor que o Truta só se for aqui.

Boa noite!