Tuesday, November 10, 2009

Mauerfall 20 Jahre | Queda do Muro, 20 anos

Düsseldorf (Gerd está feliz)

Saí de casa hoje pensando nos documentários que assisti ontem na TV alema. Um bombardeio de informacoes, como sempre fazem. Tanto em quantidade como em qualidade.

Segui caminhando na manha fria e úmida do outono alemao em direcao ao canteiro de uma avenida. Lá existe um mini-estacionamento grátis. Fica a 10min a pé da minha casa. Talvez um pouco menos. De longe avisto Gerd. Parecia agitado. Me vê e se alegra prevendo o movimento.

Entro, me sento, passo o cinto, abro a torneirinha, puxo o afogador, bato a chave (ele sempre pega de primeira), diminuo o afogador, ligo o rádio, acendo os faróis, engato primeira, solto o freio de mao e arranco.



9 de Novembro de 2009 sao 20 anos depois da queda do muro da vergonha. O muro que dividia Berlin Ocidental, um enclave capitalista no meio da Alemanha Oriental, do lado Leste da cidade, socialista. Muro que separava as vítimas da Guerra Fria e do pós-guerra. Alemaes que pagaram com juros e correcao monetária o que seus antecessores fizeram para o Mundo entre 1939 e 1945. O joguinho político de poder e supremacia global teve em Berlin um dos seus principais símbolos.



Resolvi prestar a minha homenagem indo com um Trabant, de nome Gerd, para o trabalho em Essen. No caminho, alguns olhavam. A maioria ignorava. Acho que muitos nem se lembravam da data importante. Já na Autobahn 52, um carro passou e buzinou diminuindo a velocidade. Fiz um sinal de "jóia" e ele seguiu.

Gerd me contava que seus companheiros de estacionamento lhe perguntaram várias coisas. Carros capitalistas e modernos, nao estavam acostumados com um Trabi de 21 anos vindo das cercanias de Leipzig. Depois de esclarecida sua origem, Gerd relatou o curto período que viveu sob a cortina de ferro, de Set 1988 até 9 Nov 1989.

A família Lorenz se aventurou numa tentativa de fuga e asilo político na Hungria em Abril de 1989 quando as coisas pareciam mais amenas. Gerd foi contra desde o início, mas era voto vencido. Heiko, proprietário de um pequeno negócio de ventiladores, era o mais empolgado. Pia, a dona de Gerd, concordava com a tentativa com um pé atrás. Sua irma mais nova e o namorado foram levados pela influência do homem-ventilador.

Foram ver se os ventos húngaros sopravam mais fortes e frescos do que em Leipzig. No caminho foram controlados por uma patrulha do exército da DDR. Rapidamente percebeu-se a intencao dos quatro. Mandaram dar meia volta, mas nao sem antes aplicar uma multa. Gerd riu baixinho confirmando suas impressoes.



O dia de hoje foi marcado por várias homenagens. Além da ida até Essen, na hora do almoco levei uma alema colega de trabalho pra passear no Gerd. Ela cresceu no lado leste de Berlin e seu pai teve um Trabant igual ao nosso. Ficou feliz da Vida ao vê-lo e mais ainda ao ouvir o som característico do motor 2 tempos. Me contou que um Trabant era a única opcao naquela época. Retruquei dizendo que se poderia comprar um Wartburg, ora bolas. Ela respondeu que se para um Trabi esperava-se 10 anos, um Wartburg demoraria 18.

É estranha a sensacao de morar em um país tao desenvolvido e retrógrado como a Alemanha. Sao a potência da Engenharia, da Tecnologia e da indústria automobilística, entre tantas outras. Mestres da Filosofia, música clássica e Política. Mas ao mesmo tempo, vivem se estranhando uns aos outros. Grupos neo-nazis surgem aos montes na antiga DDR. Nao sabem nem o por que fazem parte desses grupos cujo único objetivo é a discriminacao racial pura e simples e a violência gratuita.

Os turcos sofrem bastante na Alemanha. Fazem um trabalho que nenhum alemao gostaria de fazer, mas necessário. Pagam impostos, geram renda e mais empregos. Os alemaes, de maneira geral, olham torto, no fundo, prefeririam vê-los em Istambul ou Ancara, bem longe daqui.



Apesar de nao dominar o idioma, conheco as diferencas culturais e o irritante modus operandi dos alemaes. Seguem regras à risca, sao inflexíveis na maioria das vezes, pouco criativos, mas muito metódicos, organizados e trabalham com alta produtividade. Nao trabalham muito, mas sao eficientes.

Gosto daqui, apesar de tudo. De ver as estacoes do ano mudando. Da localizacao. A Oktoberfest também é algo que me agrada muito. Os carros antigos e a proximidade de autódromos famosos como Nürburgring e Spa-Francorchamps. A já citada organizacao em um país onde tudo funciona. A infra-estrutura de transportes simplesmente fantástica com transporte fácil para todos. Todo mundo pode ir e vir sem maiores dramas.

Mas sinto que algo ainda me falta. Nao sei bem o que, mas vou descobrir em breve. Sou bom para prever o futuro. Tenho ótimas percepcoes e vislumbres. Nunca me enganei com as pessoas. Sei exatamente quem é quem e quais sao suas intencoes, índole, pensamentos. Nao, nao sou vidente e nem quero ser.

Talvez meu tempo nesse país já tenha acabado...

Tuesday, October 27, 2009

Mary & Max

Essen (far away from cosmic home...)

Fantástica essa animacao. Acabei de ver o trailer no MKO e compartilho com vocês. É do diretor australiano Adam Elliot e fala sobre amizade, autismo, taxidermia, psiquiatria, alcoolismo, obesidade, cleptomania, diferenças sexuais e religiosas, agorafobia, e otras cositas más.

Aproveitem.

Tuesday, October 20, 2009

Quem não acredita em cegonhas?!

Düsseldorf (ficou grande demais...)

















Tirei livre a tarde de segunda para executar a Missão München. Com o chefe sabendo e achando graça, a mulher dando apoio e Amor e o dono assinando embaixo, só não iria se fosse belga. Os belgas sofrem com as piadas dos holandeses e alemães assim como os portugueses com a nossa ironia.

Mochila nas costas, saio do trabalho, atravesso o parque, pulo no U-bahn, chego na estação central, vejo o ICE me esperando, caminho ate o vagão 21, entro e acho o assento 65 janela, mas com uma coluna imensa tampando a visão, troco de lugar, me acomodo e aguardo os vagões saírem da inércia.

Planejei trabalhar no trem lendo sobre um futuro projeto, procedimentos de gerenciamento e outros assuntos igualmente interessantes e fantásticos. Trem vazio, sem maiores emoções, saindo de Essen e passando por Duisburg, Düsseldorf onde moro, Köln (Colônia para os incautos), Frankfurt, Aschafenburg (não sei por que o ICE para nessa vila), Würzburg, Nürnberg e finalmente München ou Munique pra quem nunca teve o privilegio de visitar a capital da Bavária. Ligo pra Juju algumas vezes.

Na chegada logo me veio na lembrança a Oktoberfest. A Hbf (estação central) sempre lotada de turistas, bêbados, fantasiados, perdidos, ressaqueados, tristes, felizes, jurando nunca mais voltar, contando as semanas pra próxima edição. No caminho para o metro, olhei pra direita e vi o estacionamento de onde duas semanas atrás havíamos partido de volta pra casa depois de comparecer pela quinta vez nessa festa medieval e brutal para o fígado que os bávaros fazem todo ano em Outubro.

Comprei o ticket do U5 e esperei na plataforma. Entrei no vagão, sentei, tirei meu livro Conversa na Catedral, do Vargas Llosa, e fui lendo como se morasse em Munich desde sempre. Após cinco anos de Europa, as novidades não são tantas. É tudo muito parecido, em todos os países. Mais do mesmo, sempre. É confortável, mas ao mesmo tempo um saco. Era hora do rush, mas sem movimento algum que o caracterizasse. Os europeus gostam de ler, em particular os alemães. São donos do maior mercado e da maior feira editorial do mundo. Todo mundo lê em todos os lugares. Um silêncio absoluto entrecortado apenas pelo condutor anunciando, em bayerisch impossível de entender, as paradas e avisando que as portas se fecham após o sinal.

Desço na Quiddestraße pra pegar o ônibus 192 ate a Feldbergstraße 2 onde Gerd repousava desde a partida do dom Gomes dia 9 de Outubro. Desci do balaio filmando o momento. Escurecia e fazia um frio de rachar. Vi a placa da rua e uma casa com uma van branca na porta. Pensei: deve ser aqui perto o numero 2...

- Don Peter, é você?!

- Fala Gerd, claro que sou eu.

- Você vai me tirar daqui?! Não agüento mais olhar pra essas bicicletas velhas.

- E por isso que vim aqui. Vou entrar na casa, tomar um banho e caímos no cerrado, beleza?!

- Graças a Deus. Esse povo aqui é muito mercenário.

- E no mais, sofreu com a partida do Flavio?!

- Claro. Ele é demais. Meio doido também, você sabe. E volúvel. Vira e mexe se apaixona, mas sei como mantê-lo por perto.

- Acho que você saberá sim, mas a concorrência é grande.

- Não me preocupo com isso, só quero sair desse freezer ao ar livre.

- Isso é fácil.

Toquei a campainha da casa da Fátima, que me alugou os apartamentos pra Oktoberfest e quebrou o galho do dom Gomes e do Gerd durante esses 10 dias. Havia combinado de tomar um banho. O marido holandês abriu a porta. Falei “Wie geht es Ihnen”, sem resposta. Perguntou se viria buscar o carro, respondi que sim e ele “Gott sei Dank!” (Graças a Deus). Otário, pensei. Vou cagar no seu banheiro inteiro. Como sou educado, limitei-me ao meu combinado banho. Saindo do banheiro, Jan, o holandês babaca, me perguntou quando eu queria ir embora. Respondi, agora. Ele tirou sua van da frente da garagem enquanto eu entrava no Gerd. Conferi tudo, virei a chavinha de gasolina pra posição A (auf), puxei o afogador, dei a partida e... pegou de primeira, claro. Enquanto o holandês se afogava na nuvem azul, ajeitei os espelhos, arredei pra trás o banco colado no volante pra acomodar o pequeno polegar Gomes, puxei o cinto, engatei a ré e vamo simbora Gerd. Dei tchau pro holandês travestido de alemão e rua.

O mapinha indicava para seguir a avenida em frente ate o fim em direção a München Ostbahnhof. No caminho os bávaros olhavam curiosos pelo carrinho. Senti Gerd muito mais macio do que em Leipzig quando o busquei, sem folgas e trancos na direção. A oficina do Herr Drösser fez muito bem a sua saúde. Chegamos sem errar no terminal da DBahn chamado Autozug (auto-trem). No check-in o cara da DBahn disse nunca ter visto um Trabi por aquelas bandas. Dois trens partiriam naquela noite, um para Düsseldorf, outro para Hamburg. Eram vários vagões-cegonha gigantescos com dois andares. Capacidade para uns 80 carros acho eu. Ameacei entrar e Gerd morreu...

- O que foi?!

- Nunca andei de trem.

- E daí, tem sempre a primeira vez.

- É perigoso?!

- Claro que não. Deixa de ser fresco e entra logo. Você vai gostar.

- Capitalismo tem lá suas vantagens, né.

- Ah, tá começando a gostar. Vai ser frio, mas você agüenta fácil.

- Então vamos. Gira logo essa chave.

Entramos pela traseira da grande ave no segundo andar, de camarote segundo Gerd me contaria já em Düsseldorf (como aprendem rápido). O frio continuava trincando os ossos e me restavam quase duas horas até a partida. Tiro fotos de Gerd. Boa viagem. Pra você também. Procuro algo pra comer e nada. Só as infinitas variedades de pães alemães. Queria um salsichão. Saio da estação pelas ruas procurando um bar ou café e nada. Que lugar mais fracassado. Uma menina pega sua bike, tira o cadeado e se manda no frio escuro da noite bávara. Só me resta o Burger King.

Peço um Big King Menu com coca e mayo (alemão chama maionese de mayo, que meigos), sento numa mesa e começo a comer. Observo uma mãe com seus dois filhos e um casal de idosos. O velho é a cara do Doc de “De Volta para o Futuro”. O cabelo branco e esvoaçante e a cara de louco estão ali. A velha come com a mente em seu mundo. O marido da mãe dos meninos chega e começa a comer. Pego alguns papéis e vou anotando fatos do dia, seguindo recomendação de famoso escritor. Doc tem sono. Levanta a cabeça olhando pro teto, apoiando-se no próprio pescoço para trás, e cai no sonho. Penso: poderia ter comprado um sanduba maior. Os meninos terminam o lanche. Vou ficar com fome a noite, que merda. Vejo um clip do Muse. Duas velhinhas amigas, irmãs ou gêmeas se sentam ao meu lado. O pai dos meninos também acompanha o clip do Muse. Vai dar tempo de passar na livraria?! O olho é maior que a barriga, sempre. E no supermercado?! Satisfeito, levanto, deixo minha bandeja no local apropriado, não sei antes deixar cair, junto o lixo do chão, pego minhas coisas e me mando pra livraria da estação. Folheio algumas revistas, compro uma edição comemorativa de 100 anos da Audi com direito a poster e DVD, em alemão é claro, reparo na repercussão negativa da guerra civil carioca na imprensa mundial, passo no supermercado pra comprar o biscoito igual ao do adesivo no vidro traseiro do Gerd só que com cobertura de chocolate meio amargo, e caminho para a plataforma.


Vagão 265, Platz 103. Almofada, protetor auricular e água são a garantia de uma noite tranqüila. Entro na cabine e dou de cara com uma família. Pai alemão que trabalha na indústria química fabricando produtos para airbags, mas também para plataformas petrolíferas. Falo do Brasil, ele da Petrobrás. A mãe irlandesa conversa em inglês com suas duas filhinhas lindas e loiras. Devem ter sete e cinco anos, imagino eu. Não sou bom de contas para essas idades. Conto onde moro, eles também são de lá. Os quatro olhinhos azuis me olham curiosos, envergonhados, felizes, sinceros. São cinco camas e digo logo para escolherem os lugares que quiserem. Decidem que a do terceiro andar seria a minha. Ótimo, penso. E a escada pra subir ate lá? Perguntam o que fui fazer em Munich. Eu e o alemão procuramos pela escada, e nada. Conto do Gerd, eles caem na risada me achando simpático ou sendo apenas educados. Subo, arrumo minha cama, me acomodo, pego o livro. Tem lençol, coberta e travesseiro. Amo a Alemanha. A mais velha olha pra mim e diz ter encontrado uma cabine vazia lá na frente. Dou um sorriso e ela repete a frase indicando querer ficar a sós com sua família. Penso em mudar, mas, e se um gordo escroto e fedido tiver a mesma idéia?! E começar a roncar e peidar durante a noite?! Ela acha a escada debaixo da cama. O medo do desconhecido me ajudou. Coloca-a na posição ajudada pela mais nova e depois se deitam. Decido ficar. Mando um SMS de boa noite pra Juju. Quieto tentando não incomodar, apenas lendo meu livro e escutando a interação familiar em alemão e inglês. Quando será minha vez?!

O som dos trilhos me faz lembrar o filme Stalker do Tarkovsky. Vai só aumentando e martelando a sua mente, mesmo com o protetor. Uma sensação de descarrilamento me invade o pensamento. E se os vagões-cegonha, mais pesados, saírem de traseira numa curva levando toda a composição?! Durmo tranqüilo em seguida. O café da manhã seria as cinco da matina. O pai alemão recusou, ainda bem. Ele diz que já estamos em Köln. Passou muito rápido. Como estará Gerd?! Nunca andou por essas bandas.

Acordamos. Olho pra baixo e quatro olhinhos azuis devolvem na direção contrária. Pergunta em alemão onde moro. Respondo e quero saber onde ela vive. Diz, sorri e sai da cabine. Junto minhas coisas e saio no frio. Sou o último do trem. Alemão é um bicho meio impaciente. Quer ser produtivo o tempo todo. Encontro eles esperando no relento pela liberação dos carros. Idiotas. Ou então gostam de frio. São seis e meia, ainda escuro. Fico impaciente, contagiado pelos germânicos. Percebo que viajamos acompanhados de dois ilustres passageiros, um italiano e outro teutônico. Vieram de segunda classe ou andar térreo, me explicou Gerd. Abrem os portões e a turma avança por entre os carros nos dois andares. As mulheres e restante das famílias ficam aguardando pelos ansiosos companheiros. Caminhando entre o corrimão de aço e desviando dos retrovisores, chego no Gerd.





- Porra, me tira daqui.

- Hahaha, por quê?! Não gostou?!

- Quem vai rir sou eu quando tentar me ligar. Tá tudo congelado, brrrrr.

- Nada que um afogador não resolva.

- Veremos. Anda logo.

Guardo a mochila no porta-malas, entro, puxo o cinto, ligo o rádio e espero. Os carros da frente vão sendo liberados aos poucos. A cegonha chacoalha como se tivesse parindo. Abro a torneirinha. Acendo os faróis. Um funcionário tira as travas das rodas e me manda seguir. Puxo o afogador e dou a partida. Nada. Porra Gerd, não queria ir embora?! De novo e ele liga. Engasga pra sair, mas vai. Na saída ganha um tchauzinho da mãe e das duas princesinhas. Viramos a curva ainda no pátio de descarregamento e uma senhora olha e sorri.

Gerd vira celebridade instantânea por onde passa.

No ainda escuro caminho de casa, nada de especial. Acho uma vaga na porta. Uma menina em seu Toyota me olha curiosa. Tiro minhas coisas, fecho a porta e caminho pra porta de casa.

- Quero conhecer seu castelo.

- O que?! Como assim?!

- Me leva pra Essen com você hoje.

- Como sabe que vou pra lá?

- Sei tudo sobre você.

- Não duvido. Tudo bem. Espere meia hora.

- Bis bald.



Entro em casa. Largo tudo na sala, tiro a roupa e pulo na cama pra me esquentar na Juju. Pobre Gerd...

Tomo um banho, troco de roupa, pego minhas coisas e volto pro carrinho. Já é dia claro. Pego a Autobahn 42 no já conhecido ritmo noventaporhora. Os apressados alemães não perdem tempo olhando para Gerd. Só querem chegar logo no trabalho, ser produtivos, não perder um segundo sequer. Quase chegando em Essen, Gerd engasga e morre. Viro a chavinha para posição R de reserva, jogo terceira pra pegar no tranco, mudo pra quarta e seguimos em velocidade de cruzeiro. Um belo sol nasce iluminando o vale do Ruhr. Acho uma rua com estacionamento livre e paro. Pergunto a outro motorista se ali é de graça mesmo. Diz que sim e tiro minhas coisas. Vou saindo quando escuto:

- E o castelo?!

- Mais tarde. Na hora do almoço te levo lá.

- Tudo bem. Quero conhecer BeNeLux também. Soube que os castelos por lá são igualmente magníficos.

- Te levo na Villa Hügel primeiro, aqui ao lado. Era da família Krüpp. Essen foi a capital do aço alemão.

- Quero conhecer a Ligne Maginot.

- Meu irmão mora em Luxemburgo, fica perto. Onde aprendeu essas coisas?!

- Livros contrabandeados, clandestinidade. Você não sabe o que é isso.

- Estou atrasado.

- Levarei chocolates belgas pro Flavio.

- Sim, claro. São os melhores.

- E a tal erva?!

- Que erva?!

- Já falamos de Be e Lux. Falta Ne.

- Ah! Pirou?! Ou quer pirar?!

- Os dois.

- Lembre-se do protetor solar.

- Tá no porta-malas.

- Ótimo. Depois a gente combina BeNeLux.

- Faço questão de ir. Senão hoje você volta a pé pra casa.

- Isso é uma ameaça?!

- Não, uma negociação.

- Combinado então.

- Bom trabalho.

- Obrigado.

Saturday, October 17, 2009

Misto Quente (Ham on rye)

Düsseldorf (11° C, durante a semana o frio comeu solto)














Charles Bukowski escreveu esse livro em 1982 sobre um adolescente de origem alema vivendo nos Estados Unidos da recessao pós-1929. O que pode ser pior para Henry Chinaski, ou simplesmente Hank, do que crescer pobre, ter espinhas colossais, um pai autoritário e covarde, uma mae passiva e ignorante, nenhuma namorada e nem sequer uma pequena chance de ter uma, e um futuro com perspectivas de servir de mao-de-obra barata num mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas?!

Bukowski sempre escreve com pitadas autobiográficas e a origem de suas bebedeiras e alcoolismo sao mostradas crua e friamente neste relato. Hank é único, nao aceita as tendências e muito menos a Vida burguesa e fútil de seus colegas ricos. Necessita saber sempre a verdade e permanece numa busca incessante. Também nao tem muita paciência com outros problemáticos e nerds que o circundam sempre. Vai se tornando um ser cruel, bruto, ignorante, mas que no fundo só queria amar e ser amado.

Se sentia muito bem deitado em sua cama, a luz apagada, ninguém enchendo o saco ou ditando ordens. Nada pra fazer, uma sensacao de paz enorme. Ele dizia que se pudesse dormiria por 3 anos seguidos pulando a adolescência sofrida e solitária.

Ultimamente tenho a mania de dobrar a ponta das páginas dos livros e marcar com a unha alguma frase ou parágrafo que me interessam. Hank tem várias tiradas excepcionais. Vamos a elas:

. sobre escritores e o que os leitores esperavam deles: "Entao era isso que eles queriam: mentiras. Mentiras maravilhosas. Era disso que precisavam. As pessoas eram idiotas."

. sobre a verdade: "Encontrar uma verdade pela primeira vez pode ser uma experiência muito divertida. Quando a verdade de outra pessoa fecha com a sua, e parece que aquilo foi escrito só para você, é maravilhoso."

. ficando bêbado pela primeira vez: "Sentei no sofá. Ficar bêbado era bacana. Decidi que sempre me embebedaria. A bebida levava o que era vulgar para longe, e talvez, se você conseguisse ficar afastado do que era vulgar por tempo suficiente, pudesse escapar desse destino."

. sobre os filhinhos-de-papai e as meninas interesseiras ao redor: "Riqueza significava vitória, e vitória era a única realidade. Que tipo de mulher escolheria viver com um lavador de pratos?"

. beleza x hipocrisia x riqueza x dificuldades (ao assistir seu baile de formatura pela janela): "Havia um preco a ser pago por tudo aquilo, uma falsidade generalizada na qual facilmente se poderia acreditar e que poderia ser o primeiro passo para um beco sem saída. Enquanto eu observava os garotos e garotas dancando, dizia para mim mesmo que um dia minha danca iria comecar. Quando este dia chegasse teria alguma coisa que eles nao tem, algum dia serei tao feliz quanto voces, esperem para ver."

. injusticas: "Acho que o único momento em que as pessoas pensam em injustica é quando acontece com elas."

. lembrando da adolescência: "Que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas nao a habilidade."

. a bebida, única e fiel companheira: "A bebida era a única coisa que impedia um homem de se sentir para sempre atordoado e inútil."

. a guerra: "Morrer na guerra nunca havia evitado que novas guerras acontecessem."

Outras pérolas:
"Jamais confie num homem de bigode perfeitamente aparado."
" Dê uma máquina de escrever a um homem e ele se tornará um escritor."

Esse foi meu primeiro Bukowski. Sua obra é vasta e vários romances viraram filmes como Factotum, Barfly, Tales of Ordinary Madness e Crônica de um Amor Louco.

Mixto Quente é altamente recomendado e daria um bom filme. Será que alguém já fez um roteiro adaptado?!

Saturday, October 10, 2009

Gerd, der Trabi

Düsseldorf (os elefantes estao chegando)

Berlin, 12. Setembro 2009 - Sábado, GP Monza

Antes de falar sobre Gerd, vi essa miragem parado ao lado da East Side Gallery, os grafites naquele pedação do muro ainda de pé em Berlin. Um Melkus, motor de Wartburg e mecânica misturada desde com o Trabant. Waltinho + Gerd = Melkus. Apenas 101 unidades foram feitas segundo a Wiki. Coincidência ou destino?!














Na volta desse passeio, faltavam 15min pra terminar a classificação em Monza. Fingia tranquilidade ao lado da Juju e do Pedrão. Disse que estava com fome. Desculpa esfarrapada pra entrar num bar com TV. Achei um turco vendendo frango assado. Uma Samsung brilhava em cima da porta num suporte. Antes de pedir qualquer coisa, perguntei se poderia ligar a TV e sintonizar na RTL. Pedido atendido, peguei uma cerva e subi pro segundo piso. A visão era melhor. 

Leipzig, 13. Setembro 2009 - Domingo, GP Monza (Hamilton pole)

Saímos muito cedo de Berlin, às 7h da matina. Eu e Juju, companheira e amante inseparável, seguimos da Ostbahnhof em direção à mega Hauptbahnhof, vulgo Hbf. De lá, pulamos num regional até Leipzig onde Heiko - marido de Pia - dona do Trabi, nos pegaria às 10h. Às 9:30h chegamos na belíssima estação central esperando por Heiko, o ainda proprietário do Trabant ano 1988 comprado há quase 6 meses pelo jornalista e doido varrido Flavio Gomes, don Gomes para os íntimos.

O McDonalds era o ponto de encontro. Sugestão do Heiko. A antiga DDR realmente não é mais a mesma. Entrei no furgão com minha bagagem com destino a uma cidadezinha nas redondezas. Juju preferiu ficar com a amiga Cris para um passeio pela cidade. Um obscuro galpão guardava o carrinho desde o começo de Setembro por módicos 30 EUR. No caminho contei ao Heiko e seu filho sobre Waltinho, irmão mais velho e sofisticado do Trabi, da exportação para o Brasil, a coleção de +/- 26 carros e 3 motos do don Gomes, a volta em Interlagos, o blog, entre outras coisas. Paramos num posto pra encher um pequeno galão com gasolina e óleo 2T na proporção de 300ml de óleo a cada 10 lt de benzin, vulgo gasosa. Pedi para pagar, mas Heiko recusou. Disse que essa era dele.

A família Lorenz nos aguardava ansiosa. Pia, a dona e mãe, sua irma mais nova com a filhinha nos braços e o marido mecânico, a filha da Pia com Heiko que desenhava calmamente num livrinho, e Michael, o mecânico. Apresentamo-nos uns aos outros, olhei o carrinho rapidamente e logo me interessei por um Volga russo. Estava a venda por 9 mil EUR. Só o viadinho saltitante no capo custou 900 lascas. A primeira vista o Trabi parecia em boa forma. Olhando melhor, descobri dois riscos na carroceria de Duraplast, que não enferruja nunca evidentemente, mas resseca de vez em quando.

Heiko me explicou o funcionamento dos austeros equipamentos de série, inclusive a chavinha de gasolina igual a usada por mobiletes com reserva e tudo. O vidro do motorista não fechava direito e os três, Heiko, o cunhado e o mecânico, atacaram o problema e só saíram de cima após resolvido. O tanque de apenas 24 litros fica dentro do compartimento do motor, vulgo cofre. Não tem medidor no painel, apenas uma régua com escala mostrando de 0 a 24 lt presa no forro do capo. A agora famosa reguinha explicada pelo doido Gomes. A autonomia seria de 300 km com “pé embaixo” e de 400 km com uma tocada mais tranqüila. Heiko estava muito otimista. A reserva tem pouco mais de 4 lt.

Logo no começo percebi a carinha triste da dona Pia. Me contou que o Trabi se chama Gerd, e que assim gostaria que permanecesse. Antes de ir embora perguntei o motivo da venda. Ela havia comprado um Renault, que não durou muito, e logo em seguida um pequeno Toyota. Disse a ela pra não chorar, que Gerd estaria em boas mãos e em breve ganharia uma fantástica e numerosa família em terras tropicais. Que seu irmão mais velho, Waltinho, o aguardava saudoso e feliz por poder voltar a buzinar em alemão.

O cambio no volante em posição vertical na coluna de direção foi novidade pra mim. Como nunca havia dirigido um DKW, achei engraçado e fácil levar Gerd pelo asfalto agora novo do Leste alemão. O radio ocidental funciona perfeitamente, mas preferi o som do motor 2T acompanhado da fumacinha característica.

Após a sessão de fotos e agradecimentos mútuos, prometi enviar fotos e o endereço do Blig do Gomes para que a família Lorenz acompanhe as peripécias de Gerd pelo Leste Europeu e depois America do Sul.


Sai com Gerd pelo portão com Heiko ao meu lado observando meu desempenho. Seguimos numa tocada tranquila até o mesmo posto do galão. O alemão me elogiou na língua nativa com sotaque do Leste. Disse que eu era um ótimo motorista de Trabi. Ficou aliviado. Já no posto ele se despediu, entrou no carro do cunhado e se mandou sem olhar pra trás. Quem olha pra trás vira estátua de sal, diz a Condessa Julyanna von und zu Pampuglia com certa frequência.

Comprei óleo, coloquei 600ml seguidos de 20 litros e voltei pra pagar. Agia naturalmente, como se o Trabi fosse meu. Alguns olhavam, mas sem muita surpresa. Estavam acostumados.

Ao pagar, vi a dona passar um patê num pão de sal e colocar presunto. Não tinha comido nada. Perguntei quanto era e pedi um. A Coca veio junto.

Tinha que contar a novidade pro novo dono. Escrevi um SMS “Gerd (o Trabi) e eu estamos abastecidos indo pra Leipzig. Juju e Cris nos esperam pro almoço. Abração e obrigado.”, mas acho que ele nunca recebeu.

Logo após sair do posto, o primeiro de tantos outros, com o sanduba no banco, a coca no meio das pernas, a câmera numa mão e a outra pra guiando e mudando as marchas, fiz o video abaixo. Fiz uma edição tosca no iMovie, que aprendi a mexer ontem, e já pro vocêtubo:




Seguindo pela estrada da cidadezinha que levava até Leipzig Zentrum, peguei uma avenida. E não é que logo ali na frente seguia outro Trabi?! Cor gelo, um cara sozinho dentro que quanto viu o parente ligou os piscas, deu tchauzinho, buzinou. Fui seguindo ele até o Zentrum. Parei na estação e aguardei pela Ju e Cris. Olhava pro Gerd já imaginando a longa jornada até Düsseldorf. O carro ficou parado desde 2006 na casa da Pia. Aí vem um maluco a pedido de outro, pega ele e já enfia quase 500km no carrinho. Seria a maior viagem que ele faria na Vida. Viagem tão sonhada pelos alemães orientais até pouco menos de 20 anos atrás. Sair do Leste socialista em direção ao Oeste capitalista. O mesmo país que produzia Porsches, Mercedes e BMWs de um lado, fazia Trabants, NSUs, IFAs e Barkas do outro. Mesmo povo, idioma, cultura, costumes, músicas, mas separados por ideologias, por consequências de uma guerra onde eles tanto sofreram.

Consegui assistir a corrida após convencer as meninas a almoçar. Baixou um telão, desligou-se a música, veio cerveja e tome corrida. Não foi das melhores, mas matou a vontade. Na estrada, Gerd não decepcionou em momento algum. Saímos às 4 e meia com céu carregado e o frio de outono chegando tranquilo e sereno. Terceira pista da direita seria o habitat natural. Alguns caminhões iam ficando pelo caminho. Passar de 100km/h era forçar demais o carrinho. Estabeleci essa velocidade por que não tinha sentido forçar.

Gerd enfrentou intempéries bravamente. A chuva era constante. Os limpadores de pára-brisa foram desgastando durante o trajeto. Chegando em Düsseldorf o da esquerda ficou no ferro, quase arranhando o vidro. Paramos umas três ou quatro vezes para abastecer, descansar, comer, respirar. O ar quente esquentava, mas trazia junto o aroma da gasolina. Juju rezava pra que nada de errado acontecesse pelo caminho. Estava cansada, mas achava tudo ótimo. A folga na direção preocupava para o exame do TÜV, a inspeção obrigatória a que cada veículo alemão se submete. Sem TÜV não se muda o dono.

Chegamos às 23:30 fazendo o percurso em honrosas 7 horas. Em CNTP num carro normal, sem graça, charme e história sao entre 5 e 5:30. Na entrada triunfal na capital da Renânia do Norte e Westfália, a mesma por onde Napoleão invadiu a Prússia em 1700 e Kafunga, Gerd sentia que a missão tão sonhada por seu povo chegava ao fim.

Achei uma vaga na porta. Da janela dava pra ver ele. Depois do banho, abri a cortina pra espiar a rua. Um poste o iluminava. Parecia sorrir. Seus dias de marasmo e rotina casa-feira-escola-salao-casadasogra-casa chegaram ao fim.

E pensar que tudo começou assim.











Monday, September 28, 2009

O Poder da Música

Düsseldorf (Gerd levanta âncoras na quarta)

Esse tipo de manifestacao popular chama-se Flashmob ou simplesmente MOB. Segundo a mae dos burros, MOB são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social (vide Wiki).

Os videos abaixo foram feitos em London. O primeiro na Liverpool station e o segundo na Trafalgar Square. Sao estilos diferentes, mas o efeito é o mesmo. A companhia telefônica ficou famosa na Europa inteira.



Saturday, September 19, 2009

Caipirinha industrial

Düsseldorf (minha mulher era o Zacarias, hahahahaha)

Impagável essa piada dos Trapalhoes com Mussum.

Rammstein - Pussy

Düsseldorf (o verao nao acabou)












Ando meio sumido, é verdade. Muitas atividades na Sulamérica e Leste Europeu. No Norte alemao e Holanda também. As rodinhas nos pés nunca estiveram tao afiadas.

Bem, quem gosta do som pesado e alemao dos Rammstein e de mulher, vale a pena conferir o clip novo aqui.

Recomendável abrir no recanto do seu lar, de preferência. A dica foi do Don Dimas, que apesar de estar grávido, continua tarado.

Wednesday, September 09, 2009

Dribles existem

Dusseldorf (adeus ferias...)

Nao sei onde nem quem, mas funcionou perfeitamente.

Nao consegui embutir a crianca. Clique aqui.

Sunday, August 16, 2009

Don Diego

Düsseldorf (amanha tem DTM em Nürburgring)

Impossível nao chorar com essas imagens, mesmo depois de tanto tempo.

E olha que Victor Hugo Morales, o narrador, é uruguaio. Imagina se fosse argentino.

Tuesday, August 04, 2009

Vida

Düsseldorf (indo dormir no quentinho com Ela)

Vou dar um CTRL+C CTRL+V do que vi no ßlig do don Gomes por que esse video merece demais ser visto e revisto:

É uma peça publicitária, um viral, como queiram. A Olympus tirou mais de 60 mil fotos, “revelou” 9.600 delas e usou 1.800 para fazer o filme que você vê abaixo, que segundo a empresa não tem nada de pós-produção. É uma colagem pura e simples. Um espetáculo de criatividade.

Friday, July 31, 2009

Radio Truta

Düsseldorf (liebe Freitag!)



Antigamente se fazia música assim. Ela comecava despretenciosa, como se fosse mais uma. Mesmo que nos anos 70 essa "mais uma" jamais seria chamada assim.

Dava-se tempo pra guitarra entrar solando sem pressa. A bateria e o baixo marcando o ritmo, calmamente. O vocal acompanhando, duelando com as cordas.

A evolucao é gradativa. O resultado nao poderia ser outro. Um dos mais belos solos de guitarra da História.

A letra já diz tudo: a relatividade do Tempo. Seja onde for, no Amor, no trabalho, na Vida, o sr. Tempo é o Senhor de tudo.

Meu avô e xará Pedro, vulgo Dotô Pedro por que era veterinário (no fundo somos todos uns animais mesmo), já dizia: "o Tempo é a coisa mais preciosa que você tem. Um minuto, hora ou dia perdidos nao tem recuperacao. Nunca mais."

Hoje em dia, músicas com mais de 4 minutos sao uma raridade. Nao encaixam na programacao das rádios e MTVs, no consumo imediato e desesperado por mais, sempre mais. Mais quantidade e menos qualidade, claro.

Menos é mais. Cada vez mais.

How come twenty four hours, baby sometimes seem to slip into days?
Oh twenty-four hours, baby sometimes seem to slip into days
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way
Sittin, lookin at the clock, time moves so slow
Ive been watchin for the hands to move
Until I just cant look no more
How come twenty four hours, baby sometimes seems to slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way.

To sing a song for you, I recall you used to say
Oh baby this ones for we two, which in the end is you anyway

How come twenty four hours, baby sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way.

There was a time that I stood tall, in the eyes of other men
But by my own choice I left you woman, and now I cant get back again

How come twenty-four hours, sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way
A minute seems like a lifetime
When I feel this way...i feel this way

Tuesday, July 28, 2009

Zeppelin

Düsseldorf (final de semana em casa é bom demais)



Estava eu voltando de trem hoje ouvindo esta música quando olho pro lado e vejo um dirigível, vulgo zeppelin. Acho que nunca havia visto um ao vivo.

Tinha aquela sandália preta baranga demais de mesmo nome.

Me veio a lembranca do desastre com o Hindenburg em 1937 (viva a Wiki), aquela bola de fogo na cena que todos conhecem.

Sunday, July 19, 2009

Ca" Sagredo

Venezia (internet na TV e o maximo)













A primeira vez que se conhece Venezia é apenas o comeco de uma história de Amor, já diria o poeta.

Agora vou ali tomar um banho de espuma com Ela no meu palazzo veneziano.

Depois jantar na La Vedoveva, logo na esquina.

Ciao!

Thursday, July 16, 2009

Mineirão 1969

Dusseldorf (Verón gosta de comer raposa)

Sensacional essa reliquia no Mineirão em 1969.

Filmado em 8mm mostrando corridas no saudoso autodromo 'Marcelo Campos' ao redor do Estadio Magalhaes Pinto (Mineirão), nos arredores da UFMG na Pampulha, em Belo Horizonte.

A corrida foi vencida pelo Marcelo Campos com o Puma da Carbel, em segundo ficou Toninho da Mata com o Opala 21 da Motorauto ainda na cor azul claro. Notem o protótipo VW fundo de quintal do Kid Cabeleira feito no "machado", Boris Feldman correndo com o Corcel 4 portas da Cisa e o Simca do Edu Malavéia que a cada curva abria a porta do lado do passageiro, obrigando o piloto a esticar o corpo e fechar a porta nas retas.

O Super 8 é dos acervos pessoais de Artur Melo de SJC.

Dica do Leonardo Korea.

Monday, July 13, 2009

Dia Mundial do Rock

Düsseldorf (Metamorphosis hoje no Major)

Uma vez Mestre Leopoldo me contou que essa música, na versao Slight Return, foi gravada de primeira por Eddie Kramer no Record Plant, NYC.

Sem ensaio nem nada, com a letra em criacao, meio que no improviso, Hendrix juntou a galera que estava num bar perto do estudio em Greenwich Village e foram pra la fazer uma jam.

Steve Winwood, entao com 19 anos, tava lá de bobeira afinando o órgao Hammond. Jimi pediu a todos que se posicionassem com os instrumentos e mandou bala. Criou o melhor solo de guitarra de todos os tempos.

Nas palavras de Joe Satriani, outro monstro sagrado:

"It's just the greatest piece of electric guitar work ever recorded. In fact, the whole song could be considered the holy grail of guitar expression and technique. It is a beacon of humanity."



Nao confunda com Voodoo Child, outro classico de Jimi.

A Última Ceia

Dusseldorf (Edinburgh, Berlin, Paris...)










Ou Il Cenacolo em italiano é uma das obras-primas de Leo da Vinci. Fica em Milano no antigo refeitorio do convento de Santa Maria delle Grazie, feita a pedido do Duque Lodovico Sforza, protetor do gênio renascentista.

Sabia que seria preciso reservar a visita. Dei uma olhada no site e só tem ticket pro dia 21 de Agosto... sacanagem.

Nao poderei confirmar as conspirações de Dan Brown e muito menos admirar a Arte.

Já tenho motivo pra voltar a Milano.

Friday, July 10, 2009

La Marseillaise

Marne-la-Vallée (Leopoldo ta nervoso)

O hino mais belo de todos. Na voz de Edith Piaf então, tudo fica ainda mais belo e imponente.

Exalta a França, seu povo, soldados e batalhões, mas a realidade é outra. Foram guerreiros com Napoleão, mas se acovardaram como ratos na Segunda Guerra "liderados" por Petain. Viraram fonte de iguarias e vinhos para os nazistas.

Bem, isso é um longo e polemico assunto. Tenho uma defesa de mestrado pra assistir logo mais.

Thursday, July 09, 2009

Paris

Dusseldorf (visto novo estampado)

Nunca fui a Paris no verão. Nem vi ainda o Canal de St. Martin. Tenho interesse tambem no Parc Monceau, ambos proximos a Montmartre.

Faltam poucas atrações na minha lista como:
- subir no Arc du Triumph
- Palais Royal et Petit Palais
- Madeleine
- entrar no Pantheon (amarrei $$$ da ultima vez)
- ficar em Montmartre
- passear de Bateau Mouche pelo Sena
- massagens e chás na Mosché de Paris

Vamos ver o que acontece dessa vez. Garanto que pelo menos um entrecote delicioso vai rolar.

Tuesday, July 07, 2009

Gangs & Drugs

Dusseldorf (viva a Malaysia)











Comecei a ler domingo no trem vindo de Berlin o livro Gangs, de Tony Thompson. Como a capa diz, uma viagem ao coracao do submundo britanico.

Ainda na pag. 72 de 398, nao consigo mais largar. Impressionante a naturalidade com que os mais diversos tipos de crimes sao descritos. Comecando com assaltos a bancos e entrando agora no mundo das drogas, bem menos arriscado e lucrativo no final dos anos 80 e inicio dos 90. Parece uma coletanea das melhores cronicas policiais dos jornais dominicais.

Me disse meu amigo berlinense Dimas, o dono do livro, que Tony, o autor, viaja pra Bolivia, Colombia e Jamaica experimentando varias drogas e relatando suas sensacoes. Encontra-se também com varios baroes das drogas numa especia de Scarface ou Blow literario.

E hoje leio que encontraram uma mega fabrica de cocaina na Bolivia. A maior descoberta da Historia na "luta" contra o narcotrafico.

A principal pergunta feita é por que o DEA (a agência anti-drogas americana) não encontrou essas fábricas?!

Acho que nao quiseram. Ou a grana limpa vinda de lá nao justificava o fechamendo da fábrica. Muito mais fácil culpar os governos latinos de incompetencia no combate ao tráfico quando o maior mercado consumidor é justamente os EUA.

Cambada de hipócritas.

Ps. O autor do livro é o correpondente do Observer para crimes e autor do tambem aclamado Gangland Britain.

Monday, July 06, 2009

Até que ponto vai a crueldade humana?!

Düsseldorf (viajar muito também cansa)















Outro dia Bernie Ecclestone, o dono dos direitos comerciais da Formula 1, elogiou Hitler dizendo que ele fazia as coisas acontecerem. Ou ele pirou de vez ou se esqueceu completamente da História. Ou pior ainda, nunca teve a curiosidade (e obrigacao) de visitar um campo de concentracao como Sachsenhausen, em Oranienburg ao norte de Berlin.

Já visitei Buchwald perto de Weimar e também Auschwitz. A sensacao é sempre a mesma. Absurdo, indignacao, impotência. Sente-se no ar a energia extremamente negativa. Fico me perguntando até que ponto chega a crueldade humana.

Nestes campos, nao bastava simplesmente matar. A humilhacao era o mais importante. Destruir o corpo era muito fácil. Tinha que destruir a alma. Deixar só o esqueleto consumido pela barbárie do ser humano.

Os restos de onde ficavam a câmara de gases e o crematório ainda estao lá. O chao afundou tamanha energia negativa. Nos outros lugares acontece o mesmo.














Todas as pessoas desse Mundo deveriam visitar pelo menos uma vez na Vida um campo de concentracao na Alemanha. Às vezes vemos declaracoes infelizes e, na minha opiniao passíveis de algum tipo de punicao, de pessoas públicas. Eles nao tem a menor idéia (e nem eu) dos horrores e sofrimentos das vítimas do Holocausto. Parecem desconhecer os fatos.

O humano vira desumano. E até hoje o Mundo é assim. Cruel e injusto. Parece que sempre será.

Mais de 1 bilhao de pessoas continuam morrendo de fome. Isso também pode ser chamado de o Holocausto da ganância.

Thursday, July 02, 2009

25 Carros Mais Caros do Mundo # 22

Dusseldorf (tira o terno, poe a bermuda)

Seguindo em velocidade estonteante com a serie, o #22 e um puro sangue alemao: o Porsche 917 apresentado ao Mundo 40 anos atras.

Valendo a bagatela de 1,7 Mio. EUR, oito dos celebrados exemplares ainda existem sendo tres pertencentes a marca alema. Os outros 5 estao por ai, flanando pelas ruas do Planeta humilhando o resto.

25 Carros Mais Caros do Mundo # 23

Dusseldorf (ICE rumo a Berlin)

Continuando a saga exibida na Autobild alema com o Cadillac Fleetwood 60 Special de Elvis Presley, o Rei do Rock. Valor: 1,7 Mio. EUR. Era o carro preferido do cantor comprado em 1955 pra sua mae. Eles nunca andaram juntos no carrinho que era azul e foi pintado de rosa.

Hoje ele descansa no Museu Elvis Presley em Memphis, imagino eu.

Friday, June 26, 2009

25 Carros Mais Caros do Mundo # 24

Dusseldorf (rumo ao Paraiso)



Continuando a serie, o carro #24 pertenceu a JFK. Esse belo Lincoln Continental GG 300 vale 1.4 Mio EUR na cotacao de hoje. Um dos carros mais celebrados do Mundo, foi nele mesmo que John Kennedy morreu assassinado, dizem que por Lee Oswald. A verdade nunca foi oficialmente descoberta, mas desconfia-se de ligacoes da CIA e da Mafia no crime. Vou investigar.

Mais tarde, os presidentes Johnson, Nixon, Ford e Carter tambem usaram o veiculo oficial da Casa Branca que hoje repousa em paz no Museu Henry Ford.

The King is Dead

Dusseldorf (seco num whisky)



O Rei esta morto. O Rei da pop music, o Rei da danca, o Rei do videoclip, mas tambem o Rei das excentricidades, o Rei dos complexos, o Rei das aberracoes.

Nao consegui comprar ingressos pra ultima turne de Michael Jackson que comecaria julho agora em London. Adiaram varias vezes a estreia devido a problemas de saude do artista. Quero ver agora se devolvem o $$$ dos ingressos. Morreu incrivelmente endividado apesar de ser o artista mais bem sucedido da historia da musica e de ter possuido por um bom tempo os direitos autorais da maioria das musicas dos Beatles.

Thriller marcou minha infancia/adolescencia e de todo mundo. Pode ser considerado o primeiro videoclip a fazer sucesso mundial. Versao longa e curta, producao cinematografica, lancamento simultaneo no Mundo todo e os varios superlativos que sempre acompanharam a carreira do astro.

Beat it com os solos de guitarra magistrais de Eddie van Halen tambem e outra musica que virou um hit instantaneo. Billie Jean entao com os passos luminosos se eternizou tambem.

Fico me perguntando onde foi que ele se perdeu. Essa mania de querer ficar branco quando sua maior fonte de energia era justamente o swing negro, o gingado que os brancos nao tem. A infancia nos palcos junto dos irmaos mais velhos ajuda a justificar a sindrome de Peter Pan. Ele nao queria crescer nunca ou nao viveu essa fase importantissima da Vida?!

Na verdade, o Rei ja estava morto fazia algum tempo. Vivia escondido e passava aos filhos seu modo maluco de Vida, tentando se esconder dentro de si mesmo. Do Mundo, da midia, da fama. E um caminho sem volta. O preco que se paga e maior que o prazer de ser famoso.

Essa cultura de celebridades nem existia ainda. Ele foi o primeiro em tudo. Talvez por isso tenha morrido agora, nao tao velho assim.

Perde-se um astro, ganha-se um mito. Material farto para jornais, revistas, blos, internet, etc.. do jeito que esse Mundo louco gosta.

Rest in Peace... if possible.

Thursday, June 25, 2009

25 Carros Mais Caros do Mundo # 25

Dusseldorf (NPV, IRR, interest rate... Mundo Business, my friend!)

Ou Die teuersten Autos der Welt da reportagem original que saiu na revista alema Autobild.

O artigo comeca perguntando "Crise, que crise?!" e continua dizendo que os classicos estao num nivel acima desses probleminhas mundanos capitalistas. Concordo.

Comecando com a Lotus 49 de Jim Clark. Valor: 1,1 Mio. EUR sem choro nem vela. Para os fans da Formula 1 nos anos 60 essa era a combinacao perfeita. Construida de 1967 ate 1970, o piloto ia sentado num charutinho equipado com o potente canhao Cosworth DFV-V8. Na foto temos o modelo de chassis nr. R2 que levou Clark a sua primeira vitoria em 67. A barata descansa atualmente na garagem de um colecionador privado.

A serie continua qualquer dia desses com o 24° carro mais caro da Historia.

Edit: Vi uma replica dessa Lotus ano passado no Schloss Dyck, um encontro de antigos famoso na Alemanha. Tinha uma replica da Maserati do Fangio e um Porsche 956 pilotado pelo Senna nas 24h de Nurburgring. Esse era original e teve sua historia muito bem contada pelo Pandini aqui. As fotos foram feitas por mim na Techno Classica Essen desde ano, outro encontro sensacional de antigos e esportivos. Tenho que postar essas fotos qualquer dia desses.

Monday, June 22, 2009

Batistinha

Dusseldorf (segundinha braba)



Acabo de descobrir esse sujeito, um dos melhores restauradores de carros antigos do Brasil. Aqui voce le a reportagem feita por Fred Melo Paiva, que define muito bem o papel de um colecionador de antigos e de um restaurador:

"O possuidor de carro antigo é um revolucionário, um inimigo do sistema, um guerrilheiro urbano. Se todos fizessem como ele, substituindo Corollas por Mavericks, Mercedes atuais por Pagodas da década de 60, a indústria automobilística iria para o saco e o próprio capitalismo estaria ameaçado. É claro que, sem catalisadores, nossos narizes e pulmões seguiriam o mesmo destino rumo à falência. Mas isso não seria nada diante da possibilidade do triunfo: Viva a revolução bolivariana!"

Thursday, June 18, 2009

Doutor Pedrinho

Düsseldorf (correr que é bom, nada)

Doutor Pedrinho é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Localiza-se a uma latitude 26º42'52" sul e a uma longitude 49º29'00" oeste, estando a uma altitude de 530 metros. Sua população estimada em 2008 era de 3.402 habitantes.

Se eu soubesse, teria me mudado pra lá há muito tempo atrás. Já previam o futuro, impressionante!

Será que o prefeito se chama Nostradamus?!

Mais informacoes na vasta página da Wiki.

Monday, June 15, 2009

Le Mans 2009 - final

Düsseldorf (nao gostei de 'Illuminati')

E os leoes franceses ganharam, finalmente desbancando a Audi. Gené/Wurz/Brabham levaram o caneco com o Peugeot 908. Melhor ainda, fizeram dobradinha, com Bourdais/Sarrazin/Montagny. O primeiro Audi veio em seguida completando o pódio.

Vou preparar minha barraca pra acompanhar essa corrida ano que vem.

Sunday, June 14, 2009

Rossi, sensacional

Düsseldorf (ele é o maior de todos!)

Valentino tem mais de NOVENTA vittórias na Moto GP, a categoria máxima das duas rodas. A maneira como ele venceu hoje e a comemoracao eletrizante de como se fosse um novato mostram a diferenca de um craque pra um mito.

As duas últimas voltas da corrida estao aí embaixo. Isso é competicao, é o esporte ao extremo disputado e conquistado justamente pelos melhores. Nao existe enganacao.

Le Mans 2009 - parcial

Düsseldorf (os fogos japoneses foram doidos!)

Os leoes estao uma volta na frente. Vou dormir. Vamo ver como termina amanha.

Pos # Team Driver in Pit Laps
1 9 Peugeot Sport Total BRABHAM David 155
2 1 Audi Sport Team Joest MCNISH Allan 153
3 8 Team Peugeot Total MONTAGNY Franck 153
4 17 Pescarolo Sport BOULLION Jean-Christophe 152
5 007 AMR Eastern Europe MUCKE Stefan 151
6 14 Kolles LOTTERER Andre 150
7 11 Team Oreca Matmut AIM LAPIERRE Nicolas 149
8 16 Pescarolo Sport TINSEAU Christophe 149
9 15 Kolles ALBERS Christian 149
10 13 Speedy Racing Sebah JANI Neel 148

Saturday, June 13, 2009

Le Mans 2009

Düsseldorf (largada às 15h daqui)

Vai comecar a prova mais tradicional de Endurance do Mundo.



Reza a lenda que em 1920, o Automobile-Club de l'Ouest pôs em obra a realização de uma competição cujo caráter contribuísse para a evolução do progresso técnico e favorecer o desenvolvimento do automóvel. Em 1922, o clube anuncia a criação de um novo tipo de competição na Sarthe, uma prova de resistência. Durante a prova, equipes de dois Pilotos por carro vão-se alternando dia e noite. A primeira edição, com 33 concorrentes, desenrolou-se nos dias 26 e 27 de Maio de 1923 num circuito perto da cidade de Le Mans, no departamento da Sarthe. Hoje, as «24 Horas de Le Mans» têm lugar cada ano em Junho. É a mais antiga e a mais prestigiada corrida de resistência para carros desportivos e protótipos.

Os Audis R15 TDi de Tom Kristensen, Allan McNish e Dindo Capello sao os favoritos a vitória, como acontece desde 2000. O único carro que ameaca a vitória das quatro argolas é o leao francês Peugeot 908 HDi FAP. Bruno Senna pilota um Oreca 01-AIM e larga da 14ª colocação.

Thursday, June 11, 2009

Radio Truta

Düsseldorf (um frio de rachar, 15° em plena primavera)

Ainda verei esses caras ao vivo. Fui convencido pelo Matheuzinho meu amigo de que essa é uma das melhores bandas de rock da atualidade.

Os caras mudam completamente o setlist de uma noite pra outra, sem preguica de tocar o que sabem.

Alta velocidade

Düsseldorf (Steve Jobs é um gênio!)

Impressionante as fracoes de segundo captadas por essa câmera, o formato da água no ar, se desfazendo e comecando a cair.

Ken Block

Düsseldorf (viva a Apple)

Já tinha visto o 1° video desse maluco, mas esse agora é ainda mais sensacional. Um festival de cenas espetaculares em câmera lenta.

Pra quem gosta de velocidade é um prato cheio!

Monday, June 08, 2009

5 anos no Velho Mundo

Dusseldorf (foi ontem… só me lembrei hoje)


Dia 7 de Junho de 2004, 5 anos atrás, desembarcava eu no aeroporto internacional de Viena após escala em Amsterdam. Quem me esperava era um brasileiro já velho de guerra em terras germânicas. Morava em Berlin desde 1998 e agora continuava sua saga no Mundo Ciência em território austríaco.

Chegava com um desafio pela frente: fazer um Doutorado em Eng. de Materiais sem nunca ter lido uma publicação sequer sobre o assunto, ligas de TiAl (titânio e alumínio), vulgo Tio Tânio nas palavras do Gordinho meu amigo.

Bem, Viena dispensa comentários. Cidade clássica, suntuosa, elegante com seus cafés maravilhosos, charretes, a residência da famosa casa dos Habsburg que tanto tempo dominaram a Europa e o Mundo. O Schloss Schonbrun, residência de verão do Napoleão e versão austríaca de Versailles, a Stephansdom, as ruas do centro antigo, musica clássica tão bem representada por Mozart e Strauss, a Staatsoper (casa de concertos com a melhor acústica do Mundo), o Danúbio que em alemão se chama Donau e passa longe do centro da cidade, o parque do Prater e sua famosa roda gigante e a prefeitura em estilo gótico mais linda de todas, a Wiener Rathaus.

Desnecessário dizer que pirei o cabeção. Morando numa das mais importantes capitais européias, rica em cultura e história, pra mim foi um prato cheio. Fui a incontáveis museus onde visitei obras de Chagal, Picasso, Kandinsky, Magritte, da Vinci, Tâmara de Lempika e tantos outros.

Logo no primeiro final de semana fui a um festival de rock. A noite de sexta foi fechada pelos Chilli Peppers e o sábado pelo Metallica. Melhor só se fossem Pink Floyd e Led Zeppelin. Shows que foram uma constante nessa Vida rica: Joe Cocker, Black Sabbath com Ozzy e abertura do Velvet Revolver com Slash e Scott Weiland do STP, Jethro Tull numa cidadezinha ali perto, Mark Knopfler na primeiríssma fila, na cara do gol, Scorpions num festival na beira do Danúbio, e ate Avril Lavigne eu vi e gostei. Teve o B.B. King num barco em pleno Lác Leman durante o Festival de Montreux em 2006. O show do Robert Plant com o Jeff Beck eu nem considero por que Roberto Planta não cantou uma musica sequer do Led e Jeff Losca não compareceu ao evento. O grande astro da noite foi Kid Rock... é mole?! Em Dusseldorf vi shows antológicos do Ben Harper, Eric Clapton, Velvet Revolver, Pearl Jam e dois do AC/DC na nova turnê. Show esse que deixou cicatrizes...

Cheguei solteiro, em busca de alguém pra aquecer minhas noites de inverno e ocupar meu coração. Seria mais lógico uma gringa ou galega como se diz por ai, mas seguindo os conselhos da mãe dum amigo meu, me casei com uma brasileira, mineirinha de BH que nem eu. Já conhecida, mas nem amiga era. O encontro em Viena foi mágico e 19 dias depois, sim dezenove, nos casamos. Claro que com um intervalo de 3 meses e meio entre o fim da viagem dela e a assinatura no cartório.

As viagens foram tantas por um lado e tão poucas por outro. Quando penso na quantidade de lugares sensacionais que existem nesse Planeta e me dou conta de que não vou conhecer nem 30%, fico desesperado. Às vezes em depressão mesmo. Pelas minhas contas, minhas rodinhas nos pés passaram por Madrid, Sevilla e Barcelona la pelos lados da Ibérica (ainda falta Portugal), Paris não sei quantas vezes, Lyon, Nice, Grenoble e Evian les Bans (a da água mineral), todas na Franca. Mônaco logo ao lado, a Suíça comparecendo com Lausanne, Vevey, e Montreux (no Jazz Festival de 2006) London, Dublin outro dia (falta muita coisa na ilha da Rainha), Viena e Salzburg apenas (arrependo não ter rodado mais a Áustria...) e Roma, Milano e Venezia na Bota. No Leste Europeu, tiveram o privilégio de me receber: Bratislava, capital da Eslováquia, com as tchecas visitei Praha e a micro cidade de Becniye do meu amigo Martin Pesza e Budapest no antigo Império Austro-húngaro. Na Polônia foram Krakow (Cracóvia com direito a uma noite sombria em Auschwitz sobre os trilhos dos trens nazistas), Wroclaw e uma cidadezinha chamada Zgorgelec na fronteira com a Alemanha.

Neste país de onde escrevo agora rodei bastante conhecendo Berlin (onde tudo começou em 2003), Dresden, Leipzig, Hamburg, Gottingen, Bonn, Koln (Colônia), Essen, Bochum, Munchen (Munich) pra celebrar 4 vezes seguidas a melhor festa do Mundo... Oktoberfest, o castelo de Neuschwanstein (uma das novas maravilhas do Mundo), Nurnberg, Bamberg, Bayreuth (terra de Richard Wagner e suas Valkyries), Rothemburg ob der Tauber onde meu pai estudou alemão 30 anos atrás e tive a honra de levá-lo novamente na cidade ano passado. Dusseldorf é a sede dessa confusão toda, a base eqüidistante na Europa. A Holanda, vulgo Netherlands ou die Niederlande, foi visitada apenas nas cidades de Amsterdam e a praia de Renesse ao sul de den Haag (Haia). A Bélgica das suas cervejas maravilhosas foi bem explorada em Antwerpen (Antuérpia), Brugge, Gent, Leuven, Spa (e o GP de Formula 1, evidentemente) e Brussels (Bruxelas). Pra completar BeNeLux, fomos até a charmosa Luxemburg visitar meu irmão que trabalha pra um indiano e sua esposa. Cidade pequena, porém interessante, no centro da Europa, perto de tudo também. E Kobenhavn, ou Copenhagen foi uma das melhores cidades que já visitamos. Me esqueci de Sarajevo, viagem inesquecível. Diferente de tudo.

Claro que os destinos futuros são vários, as idéias malucas rondam minha cabeça o tempo inteiro. Rotas como pegar um barco em Moscow e descer ate St. Petersburg, um dos meus sonhos. Ou chegar em Luxor no Egito e descer o Nilo ate Cairo, parando onde for interessante. Thailand, Viet Nam, Indonésia, Japão e China fazem parte da rota do Oriente. Não me esquecendo de Laos, pais onde dizem estar as pessoas mais puras dessa Terra. Aqui na Europa os roteiros são intermináveis e ficaria o resto da noite escrevendo. Mas queria mesmo fazer como o Heinz, austríaco meu amigo de 40 e poucos anos. Em 2003 ele restaurou uma moto Puch de 1933 e refez a mesma viagem que um outro austríaco maluco realizou nessa época indo de Vienna até Bombaim na India. Simplesmente sensacional! Quem sabe vamos de Trabi até Tóquio, passando pelo Laos?!

Já que me lembrei de Formula 1, em 2005 fui a Mônaco na minha primeira experiência automobilística. Nunca esquecerei o som do carro pela primeira vez. O responsável por estuprar meus tímpanos atende pelo nome de Vitantônio Liuzzi que na época andava pela Red Bull Racing. Até hoje não entendo por que nunca fui a Interlagos. Por que nunca vi Senna correr. Nunca enchi a paciência do meu pai pra me levar. Agora não adianta chorar. Mas venho compensado bem essa falha. Se 2004 e 2006 passaram em branco, 2007 veio em dose dupla: Nurburgring de forma inesperada e sem gastar um puto sequer, e depois Spa Francorchamps na Bélgica, presente da minha amada, idolatrada, salve, salve Mulher. Ainda estive na sessão de testes oficiais em julho deste mesmo ano desbravando cada centímetro do circuito e facilitando a visita para o GP em setembro. Eau Rouge... nunca vou esquecer. O ano de 2008 tambem passou em branco. Acho que anos pares não combinam com F1. Esse ano planejo ir em Monza, o templo da Ferrari. Queria ir a Silvertone ver o ultimo GP do circuito mais antigo da F1, onde tudo começou. Mas tá meio em cima da hora.

Teve também um BRA 3x0 GAN, na Copa de 2006 aqui em Dortmund. Ingresso comprado na porta, na sorte mesmo. Alem desse jogo, assisti ao pior jogo de todos os tempos entre Rapid Viena e Athletic Bilbao pela Copa da UEFA de 2005. Acabou 0x0 com dois chutes na direção do gol, uma pra cada lado. Nenhum deles seria um tento se o gol estivesse vazio. Um frio de arrebentar e o estádio cheio de cadeiras metálicas. Ninguém se sentava, impossível. O vento gelado só não era pior que a pelada de décima que rolava. Ainda vi o Hamburg SV meter 2x1 de virada no Stuttgart pela Bundesliga (campeonato alemão) em 2004. Estava a trabalho na cidade e fui ver se haveria jogo no final de semana. O SV jogaria em casa e, pra minha sorte, o estádio ficava ao lado de onde eu estava. Resultado: caminhada no frio, cerva, salsichão e um bom jogo que valia o 5° lugar no certame. E foi só. Meu negocio é F1 mesmo!

Outro dia meu chefe perguntou se eu gostaria de ver uma corrida da DTM. Falei “Warum nicht?!” ou por que não?! Em Zandvoort, Holanda, pra relembrar as corridas épicas de F1 e tentar imaginar como era. Será dia 19 de Julho. Depois conto como foi. Moto GP é outro tipo de corrida que me agrada. Tem um circuito holandês aqui do lado. Tenho que ver o Rossi pelo menos uma vez na Vida!

Esqueci de contar sobre o Waltinho, um Warburg 353 S ano 1988 fabricado em Eisenach, antiga Alemanha Oriental, aqui conhecida como DDR. Exportei esse carro pra um jornalista maluco lá no Brasil. Walter deixou saudades. Nos levou a Paris e Spa. Virou gente, parte da família. Ganhou Vida aqui, mas resolveu curtir o Brasil. Como todo alemão que por lá pisa, não volta mais. Nunca mais. E como se sente sozinho, já encomendou um irmão. Um Trabi que logo vai pintar por essas bandas. Preciso tirar carteira primeiro pra depois buscá-lo. Onde?! Na DDR de novo, onde mais?!

Bem, tudo isso é detalhe. A oportunidade de viver na Europa muda qualquer um, por mais apegado ao Brasil que seja. Impossível não ver e viver os benefícios de um sistema de transporte democrático, fácil, funcional e confiável que serve a todas as classes sociais sem discriminação. Seja de ônibus, bonde (Strassenbahn), metrô, barco (sim, o rio Reno é o São Francisco da Alemanha e rasga Dusseldorf no meio), bicicleta, a pé e de trem circula-se como quiser, na hora que der na telha. Resumindo: carro é luxo. E quando dá vontade, é só alugar um no final de semana. Mesmo não tendo carteira... ainda.

A sensação de segurança não tem preço. Esse simples fato modifica completamente os hábitos da sociedade e a forma como seus cidadãos se relacionam. Aqui os espaços públicos são parte da Vida de cada um. As praças e parques são utilizados, visitados e curtidos por todos, sem exceção. Seja em feiras de comida, shows, festivais ou simples finais de semana com os amigos onde um churrasquinho rola fácil ou um casal se deita na grama pra namorar ou mesmo uma pessoa sozinha com um bom livro fica curtindo seu momento solitário, tão importante pra nós todos. No Brasil, a falta de segurança gera desigualdade social. Os espaços públicos vivem abandonados e mal cuidados, com raras exceções. Ninguém usa mesmo, quase ninguém põe o pé ali. Pra que cuidar?! Com isso, os ricos constroem suas fortalezas, convidam os amigos e ficam todos ali, naquele mundinho particular, longe dos problemas sociais, em "segurança". Quem não tem condições que se vire. Divirta-se como puder, onde der, gastando o mínimo. A isso chamam democracia.

Austríaco é um alemão mais devagar, segundo os teutônicos. Imaginei uma Bahia ali onde ficava o Império dos Habsburg e Vienna cheia de acarajé e a negada pela cidade afora. Não deixa de ser uma ponta de inveja dos alemães. Nenhuma cidade deles chega aos pés de Viena. Não tiveram o glamour e o poder dos austríacos, não na diplomacia, nas alianças, nos conchavos, e sim na força. Mesmo assim não durou muito, todos nos sabemos. Por outro lado, a Alemanha não tem uma única atração. São várias cidades espalhadas pelo país com importância e significado histórico. Estratégia de guerra. Se uma ou duas fossem completamente arrasadas, existiriam outras pra reerguer a nação. Esses caras só pensam em brigar com os outros.

Até hoje, quase todos os dias, os canais alemães exibem documentários da Segunda Guerra, principalmente mostrando os feitos e a personalidade do bigodudo mais odiado do Mundo. Nas bancas de jornal e revistas não é diferente. Sempre tem uma capa sobre o assunto. São completamente obcecados. Claro que querem contar aos mais jovens os horrores do Holocausto e do Nazismo, mas às vezes tenho a sensação de que não querem deixar o assunto morrer. Seja lá por qual motivo seja.

Após mudar de Viena pra Dusseldorf e dar inicio a fase de homem casado (e responsável ou irresponsável?!) morando com a melhor Mulher do Universo, também mudei de projeto no Doutorado. Depois de muito sofrimento, consegui finalmente adicionar algumas letrinhas na frente do meu primeiro nome, a saber: Dr.-Ing.. Portanto, se você algum dia me vir na rua, não pode me chamar apenas pelo primeiro nome. Lembre-se das letrinhas, senão eu nem olho. Hahahahahaha! E pensar que no Brasil, qualquer pessoa com um pouco de dinheiro, principalmente no interior, é chamado de Doutor. O Dotô Ruy!

Metade dessas letrinhas só viraram realidade pelo simples fato de eu ter me casado com uma pessoa fantástica. A mulher da minha Vida é, pra minha sorte grande, a melhor do Universo inteiro! Companheira pra todas as horas, exemplo de profissional dedicada e responsável (sou exatamente o oposto, caótico) me incentivou e apoiou desde sempre. Os filminhos dos meus treinos para as apresentações em congressos são hilários, tragicômicos até.

Inventei uns 300 nomes pra chamar ela: Piquitita, Criança, Mininete, Amore mio, Beibinha, Xuxuca, Mon Amour, Beibete, Polvilhete, Juju e por ai vai. Mora no meu coração e quando pedi a Deus pra mandar ela pra mim, prometi fazê-la feliz... SEMPRE! Acho que venho cumprindo bem essa promessa, apesar das tempestades passageiras que todo casal enfrenta. O barraco é solido e aguenta o tranco. Uma telha ou outra vai embora, mas logo é substituída e nem se nota. Como toda chuvarada, nunca se pensa que estamos preparados, mas depois que passa percebemos que o alicerce é forte, as paredes vem sendo construídas tijolo por tijolo, sem pressa, esperando a massa secar pra nao trincar lá na frente. Quando a gente assustar, estamos no segundo andar!

Junto com ela, veio no pacote um grande amigo chamado Leopoldo Magnífico, cachaceiro, safado e sem vergonha, mas de coração gigante.

A saudade da família, dos amigos, das comidas, bebidas, lugares, viagens e de tudo que faz o Brasil ser o melhor país do Mundo, pelo menos dos que eu já visitei e/ou morei, não é fácil. Ate hoje não é fácil. Saudade é como um furacão. Fica longe, lá no meio do nada, despercebida, ganhando forca. Se alimentando todos os dias de um pouquinho de fraqueza, de nostalgia. E quando aparece costuma ser devastadora. Dura pouco, mas deixa estragos. Te fazem rever alguns conceitos, a repensar a Vida. Por que estamos aqui, qual o sentido disso tudo?! Um misto de egoísmo, determinação e coragem justificam um pouco esse viver longe de tudo e de todos. Mas até quando?!

Enfrentar a operação do meu pai daqui foi uma das piores coisas, senão a pior de todas. A sensação de impotência é enorme. Não se pode fazer nada, nem ao menos dar um abraço, um olhar de apoio, dizer palavras confortáveis. Pelo menos Amore mio estava lá me representando e apoiando, como sempre.

Acontece que meu pai é um cara de sorte também. Tem ao seu lado minha mãe e seu Amor e apoio incondicionais. Muito do que fiz e sou devo a eles. O que seria de nós sem nossas mães e nossos pais?! Minha tia, que é minha segunda mãe, e minha sogra que me ama também sempre estiveram presentes nessa caminhada. E meu sogro, que é professor, me acha o máximo. Aliás, Petrus Maximus!

Minha irmã e meus irmãos que amo também já riram muito dessas confusões. Dos sonhos que tinha e mandava pra eles. Um deles gosta tanto de mim e me admira que veio morar em Luxemburgo. O do meio é jornalista de mão cheia e o cacula faixa preta de jiu-jitsu.

Ah, e tem o cunhado fanático pela Ducati. Já viajei uma fez pro Brasil com dois cilindros duma 916, sem falar nas várias outras peças. Outro doido.

Acho que já escrevi demais. Se você chegou até aqui, parabéns. Acaba de ganhar um pão quente e um Grapete. Se não, perdeu uma das melhores retrospectivas já feitas por um brazuca morando na Europa em todos os tempos. Premio Pullitzer é pouco.

E vamos levando a Vida antes que ela nos leve. Espero que não seja de avião...

Já que agora sou tio de três pimpolhos, pela ordem: Matheus, Marina e André. A família cresce e agradece. Essa é a pior parte de morar do outro lado do Atlântico...

Os planos para o futuro são os melhores possíveis. Filhos, plantar uma floresta tropical e escrever livros. E várias fotos. E vídeos.

Que venham os próximos CINCO!

ps. Antes que alguém pergunte, as fotos e videos desses 5 anos estao sendo selecionadas. Processo longo e demorado. Nostalgico, emocionante! Vou postar algumas por aqui, sem ordem cronologica. Aguardem. A melhor coisa a se fazer é acessar esse Blog todos os dias. Depois que a série comecar, não acaba nunca mais. Eu prometo!

Comecemos com Korfu, Grécia - Ago 2005:

Friday, June 05, 2009

AF447 Rio de Janeiro - Paris-Charles de Gaulle

Dusseldorf (...)

Passos sobre a areia
Ademar de Barros

Uma noite, eu tive um sonho,

Eu caminhava pela praia, lado a lado com o Senhor, deixando uma dupla pegada na areia, a minha e a do Senhor.

Veio-me a idéia – era um sonho – de que cada um dos meus passos representava um dia da minha vida. (…) Mas observei que em certos lugares em vez de duas pegadas, havia apenas uma. Então, dirigindo-me ao Senhor, ousei repreendê-Lo:

“O Senhor nos havia no entanto prometido de estar conosco todos os dias!

Por que não cumpristes a vossa promessa?

Por que me deixastes sozinho no pior momento da minha vida?

Nos dias em que eu mais precisava da vossa presença.”

Mas o Senhor me respondeu:“Meu amigo, os dias em que tu vês uma única marca de passos sobre a areia, são os dias em que Eu te carreguei.”